Poesias

Hiroshima Antes e Depois

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O Parque da Paz, em Hiroshima, onde caiu a bomba A e hoje tremula a bandeira branca da paz

 


Hiroshima Antes e Depois


Silvestre Gorgulho


O Homem é isto:
Sabe… sente… sofre,
mas esquece
O Antes e Depois do Cristo.


O Homem é isto:
Da guerra, não ganhou a Paz
Do sangue, não refez a Vida
E, sem sorte,
O Homem é isto:
Antes e Depois da Morte.


O Homem é isto
Num clarão radioativo
Fez-se a luz
de um novo Jesus:
Hiroshima.
E essa é a nova Cruz


Antes e Depois do Cristo!
A História ensina,
1945 anos acima,
Antes e Depois
De Hiroshima.


O Homem é isto…


Hiroshima é hoje o
símbolo maior da Paz


Às 08h15 da manhã do dia 06 de agosto de 1945, na 2a Guerra Mundial, a primeira bomba atômica lançada sobre alvos humanos na História da Humanidade, explodiu a aproximadamente 500 metros de altitude, no céu de Hiroshima. Naquele instante, a cidade foi reduzida a uma planície queimada, com milhares de vidas destruídas.


As perdas materiais foram extraordinárias. O ato gerou a imensa devastação física, ambiental e, talvez, mais grave ainda, moral. Lá se vai mais de meio século da tragédia. Todos nós sentimos, sofremos e pagamos por mais esta perversidade do ser humano.


Dentre as várias instituições que foram criadas em torno da Bomba de Hiroshima, destaca-se a “Stone of Hiroshima”, entidade sem fins lucrativos que, através de palestras, seminários e material áudio visual, lembra ao mundo os lamentáveis efeitos daquele ato, conclamando a todos para uma reflexão sobre a paz mundial.


Em 1995, o Governo Japonês, preparando a visita do Imperador Akihito ao Brasil, doou ao País um exemplar da Pedra da Paz, pedaço do concreto por onde trafegava o “elétrico” da cidade. Esse presente se constituiu em uma das poucas peças materiais que sobreviveram ao desastre.


Cerca de 100 países receberam esta homenagem e guardam com carinho este precioso símbolo de um ato que, pretendemos, não se repita.


O Flash atômico




  • O avião B-29, bombardeiro comandado pelo piloto americano Paul Tibbets, era chamado de Enola Gay. Uma homenagem à mãe do comandante.


  • O Enola Gay levava quatro tripulantes e uma bomba atômica de quatro toneladas. Apelidada de Little Boy, a bomba tinha três metros de comprimentos por 70 cm de largura.


  • Lançada a 9.000 metros de altitude, a bomba explodiu a uns 500 metros do solo, bem em cima da ponte do elétrico da cidade.


  • Estima-se que morreram 140 mil pessoas: 74% morreram no primeiro dia


  • No epicentro da explosão, a temperatura chegou ao 4.000 graus e as pessoas simplesmente evaporaram.


  • Três dias depois foi lançada outra bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki, que deixou mais de 70 mil mortos.


  • A bomba de Hiroshima tinha o equivalente a 17 mil toneladas de TNT. Hoje a maioria das bombas atômicas tem o equivalente a um milhão de toneladas de TNT e pesam apenas 45 quilos.


  • Estima-se que hoje haja mais de 35 mil ogivas nucleares no mundo em poder dos seguintes países: Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França, China, Paquistão, Índia, Israel e Coréia do Norte – segundo os cientistas, o suficiente para destruir o planeta Terra mais de 30 vezes.

Casa do Cerrado


A Fundação Casa do Cerrado, recebeu esta pedra por indicação do presidente Fernando Henrique Cardoso e a mantém exposta em suas instalações, para que os visitantes possam refletir sobre as Guerras e levem consigo a mensagem de Paz.


A Fundação Casa do Cerrado é uma entidade sem finalidade lucrativa, responsável por vários projetos culturais, agrícolas, de biotecnologia, paisagísticos e ambientais. Todos voltados à promoção do desenvolvimento desta região brasileira. Sua sede está situada num parque de 34 hectares, na Asa Norte de Brasília, onde é mantido um belíssimo jardim japonês (o maior fora do Japão), um fantástico jardim típico do Cerrado, um Museu de Taxidermia (animais empalhados) e a Pedra da Paz de Hiroshima.


Inscrição na Pedra da Paz, que está
na Casa do Cerrado, em Brasília


“ Esta laje de granito, foi recortada do pavimento por onde circulava uma das linhas do “Elétrico”, e que foi exposta à explosão atômica sobre Hiroshima, ocorrida às 08:15 do dia 06 de Agosto de 1945.


As lajes, utilizadas para pavimentar as vias publicas por onde circulava a rede de “Elétricos” municipal, que representa o mais importante meio de transporte de Hiroshima, são testemunhas da terrível explosão nuclear que causou a morte de mais de 150.000 pessoas, na mais horrível das tragédias da história da humanidade.


Tendo bem presente um desejo profundo de uma nova ordem mundial, foi gravada nesta laje uma mensagem em prol da paz mundial bem como em algumas outras recolhidas em faixas da linha próxima da Ponte AIOI, que se encontrava localizada a cerca de 200 metros do “ponto zero” e que foram doadas pelo Governo Japonês, através da “Stone for Peace Association of Hiroshima”, a países amigos entre os quais o Brasil.


Tirando lições da calamidade que o povo japonês sofreu e da culpa sentida relativamente às restantes nações envolvidas na II Guerra Mundial, a própria constituição japonesa registra o compromisso de nunca mais desenvolver atos de agressão contra países estrangeiros.


A Fundação Casa do Cerrado sente-se orgulhosa em poder compartilhar com todo povo brasileiro, através deste símbolo, o desejo de um mundo livre da guerra ficando esta recordação do ataque atômico contra Hiroshima, a representar um testemunho constante da importância da PAZ ”.

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Ao Navegante

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(Ao assumir a Presidência da República, em 15 de março de 1990, Fernando Collor inovou no marketing pessoal, no exagero ao culto da personalidade e nas suas loucuras por água, por terra e por ar.)



AO NAVEGANTE


Silvestre Gorgulho


Collor que busca aventura
N´água, na terra e no ar
Agora quer muito mais:
Vai voar num Mirrage,
Deixando o som para trás.


Mas se cuide, oh Presidente,
E veja o que você faz.
Esse pessoal também erra
E seus erros são fatais.


Tenha muita paciência
E pense um pouquinho mais:
O Iraque em plena guerra
Perdeu bem menos Mirrage
Do que o Brasil na Paz!


 

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Poesias

Aconcágua serás!

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(Poesia feita por ocasião da morte dos três alpinistas brasileiros – Mosart Catão, Othon Leonardos e Alexandre Oliveira – que morreram no dia 03 de fevereiro de 1998, quando tentavam o feito inédito de chegar ao cume do Monte Aconcágua pela face sul. Essa poesia foi capa da Folha do Meio Ambiente, edição Ecoturismo – Março de 1998)


 


Aconcágua serás! 


 Silvestre Gorgulho



Meu fascínio é teu desafio
e ambos são os preços para tua glória.
Fascínio e desafio são minhas oportunidades
para fazer amigos e heróis.
Amigos: aqueles que chegam aqui em cima, me acariciam e voltam.
Heróis: aqueles que aqui permanecem
e que, por todo o sempre, dormirão ao meu lado,
dividindo comigo magias e encantos.


Eu sinto falta de meus amigos,
aqueles que me visitam e retornam às suas casas.
Sentirás falta de teus amigos,
aqueles que aqui plantam sua morada.
Não chores por eles.
São meus heróis. Meus escolhidos.
Serão sentinelas brancas,
marcando o território de suas pátrias.
Serão Aconcáguas como eu.


Neste meu céu, sem pássaros e sem flores,
sem o vôo solitário do Condor,
minha natureza é o ar, a pedra, a neve e meus alpinistas.
Sim, meus 85 alpinistas, meus 85 heróis,
que como Mozart, Alexandre e Othon
deram um tempo na sua escalada
e quedaram neste céu para sempre.
Todos eles buscaram a glória. E a tiveram.
Venceram o ermo e a solidão.
Cada um deles tem consigo a bandeira congelada de sua Pátria
que seria desfraldada em calorosas emoções, risos e lágrimas.


Montanhista!
Ao beijar a minha testa,
terás o mundo a teus pés.
Mas, se por acaso, o destino
deixar que repouses ao meu lado,
dorme… dorme, meu herói!
Dorme tranqüilo que velarei por ti eternamente…
Aconcágua serás!


 

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Miragem

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MIRAGEM


 Silvestre Gorgulho


 Existem horas que o viver só traz
Triste vazio em minh’alma aflita:
É um remorso que chorar me faz
É uma luta procurando paz,
Ou uma saudade que em mim habita.


São horas duras recordando um não
Ou com o pensar em algum sim não dito;
Por tantas coisas quero a solidão 
Para sofrer eu só a desilusão
De um momento que me deixa aflito.

Segredos que a ninguém eu digo
Por mais que eu queira explicar o meu ser.
Vivo a confiá-los a um Deus amigo
Só Ele sabe o que se vai comigo,
Só Ele então pode compreender…
    
 … Já à tardinha num degrau da escada
Todo concentrado com esse cismar,
Tendo a cabeça na mão apoiada,
O olhar bem fixo numa flor pisada
E o coração não sei onde foi pousar…


Inebriado nesta paisagem


Pela vidraça, despertado, vejo
Entre as cortinas tão bela miragem
Unindo os dedos esta linda imagem
Estalou-me, então, um gostoso beijo.


 


 


(Belo Horizonte, maio de 1967)

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