Reportagens
Whalewatching – Show na Bahia! De baleias
Não é só axé, carnaval e acarajé que atraem turistas. Ás águas quentes do litoral baiano atraem baleias jubarte que maravilham ecoturistas do mundo inteiro
Silvestre Gorgulho, da Praia do Forte
Tudo nela é descomunal. Adulta, pode medir até 16 metros. Seu peso chega a 40 toneladas. Seu filhote já nasce com três metros, pesando algumas toneladas. E mama cerca de 200 litros de leite por dia. Mesmo estando entre os maiores cetáceos do mundo, ela é extremamente dócil. Tão grande e tão dócil que quase chegou à extinção pela facilidade com que é caçada. Até 1986, os navios baleeiros a caçavam indiscriminadamente aos milhares. Esquartejadas em instalações próprias chamadas “armação” eram retiradas a carne, a gordura e o osso. A caça de baleias era uma atividade de grande retorno econômico. O óleo era matéria prima preciosa, utilizado na iluminação. No século 17 e 18, as avenidas do Rio de Janeiro, Salvador e Recife e muitas outras cidades eram iluminadas com óleo de baleia. Também lamparinas e lampiões caseiros utilizavam o óleo que era, ainda, usado para se fazer argamassa para construção de casas. Barbatanas, ossos e dentes eram fundamentais na indústria de botões, gurada-chuvas e até na confecção de espartilhos e sutiãs. Pelo alto valor econômico, eram caçadas ao extremo. A população de baleias caiu de mais de 300 mil para cerca de 35 mil indivíduos. Um massacre que provocou a ira de ambientalistas e que levou o governo brasileiro a tomar medidas de proteção.

O litoral brasileiro foi palco de muita caça de baleia jubarte. Milhares delas foram mortas porque representavam um produto de alto valor econômico. Dóceis, indefesas e alvo fácil pelo tamanho, os pescadores baleeiros não perdiam viagem. Com poderosos e certeiros arpões, estes cetáceos eram caçados ao buscar as águas quentes do litoral brasileiro, vindos do Pólo Sul, para reprodução. Em 1966, a Comissão Internacional da Baleia (CIB) proibiu a caça de baleias, e em 1986, passou a vigorar uma moratória mundial da caça comercial de baleias. Atualmente, apenas Japão, Noruega e a Islândia violam a proibição.
O Brasil aderiu à medida proibitiva com decreto assinado pelo então presidente José Sarney, em 1986. Desde 1987, há uma lei federal que proíbe a caça de baleias em território nacional. O Brasil é hoje um dos mais importantes defensores destes mamíferos marinhos no cenário internacional.
Além disso, a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) consta da lista do Ibama de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção e do apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Flora e Fauna Selvagens-CITES, além de constar na categoria vulnerável da IUCN (World Conservation Union).
O Instituto e o turismo de observação de baleias
![]() É uma cena inesquecível ver a tranqüilidade de uma baleia que parece se exibir aos turistas |
Há 17 anos, o Instituto Baleia Jubarte – IBJ é responsável pela proteção da espécie no Brasil, em parceria com o Ibama. Para 2005, o Instituto, que é patrocinado pela Petrobras, enfrenta dois novos desafios – implantar o turismo de observação de baleias nas cidades de Salvador e Itacaré, e dar continuidade ao já bem sucedido monitoramento desenvolvido na Praia do Forte (litoral norte), em Prado e Caravelas (sul).
Na temporada de 2004, com a atividade do turismo de observação de baleias e de pesquisa, técnicos do IBJ avistaram 1.326 baleias. 796 foram observadas em Abrolhos, no extremo sul do Estado, e 530 na Praia do Forte, ao norte de Salvador.
Whalewatching
O aumento expressivo do número de baleias avistadas no litoral norte da Bahia permitiu ao IBJ, em parceria com empresas de turismo da região, introduzir o turismo de observação de baleias, também conhecido por whalewatching.
O turismo de observação é uma das atividades ecoturísticas que mais cresce no mundo, por permitir aos turistas o contato com os animais em seu habitat natural.
Os pesquisadores do Instituto aproveitam os cruzeiros do turismo de observação de baleias para colher dados científicos, observar o comportamento das jubarte e sua interação com as embarcações.
Ecoturismo
Além da foto-identificação e do monitoramento do turismo de observação de baleias, o IBJ também realiza outras atividades. Tais como: registro e resgate de animais encalhados nas praias do litoral da Bahia, censo aéreo, análises genéticas e de poluentes, estudos de comportamento e do canto das baleias, estimativas populacionais e da distribuição das baleias jubarte, e estudos sobre a ecologia dos botos cinza (Sotalia guianensis) e sua interação com barcaças que transportam celulose no extremo sul do litoral da Bahia.
Além das pesquisas, os técnicos do IBJ realizam atividades de Educação Ambiental com estudantes, pescadores, e moradores das comunidades do litoral norte e do município de Caravelas, no extremo sul da Bahia, onde está situada a sede nacional do instituto.
Em Caravelas, o Instituto também é responsável pelas atividades de Educação Ambiental no entorno do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Área de Proteção Ambiental (APA) da Ponta da Baleia e nas comunidades próximas à Reserva Extrativista de Corumbau.
Além de apoiarem várias atividades junto à comunidade, como a Festa da Baleia, realizada sempre no final da temporada, em novembro. Há, ainda, o Patrulha Ecológica, que atende cerca de 30 adolescentes.
Mais informações:
Os interessados em participar dos cruzeiros de avistagem de baleias jubarte no litoral da Bahia, podem contactar as seguintes operadoras, que trabalham em parceria com o IBJ, e parte da renda arrecadada com o whalewatching é destinada ao trabalho de conservação das baleias jubarte:
Salvador e Praia do Forte:
www.prdoforte.com.br/ (71) 3676-1091 e 8802-8156
Itacaré: ecotrip@ecotrip.tour.br tel: (73) 3251-2191
Caravelas: abrolhosturismo@uol.com.br
tel: (73) 3297- 1149 e (73) 3297-1332
Instituto Baleia Jubarte www.baleiajubarte.com.br
tels: (71) 3676-1463 / 8127- 8983 (73) 3297-1340 / 8102-4058
Hotel: EcoResort & Thalasso Spa
www.ecoresort.com.br fone: (71) 3676-4000
Espécies de baleias
![]() Espetáculo de encher os olhos no turismo de observação de baleias: o filhote e a mãe encantam ambientalistas e turistas |
Qualquer um dos mamíferos marinhos denominados cetáceos recebe o nome de baleia ou golfinho. Há uma diferença básica de outros mamíferos como a foca e o leão marinho: as baleias passam toda vida na água. Outro dado: as espécies que têm mais de 4 metros de comprimento são chamadas baleias, enquanto as espécies menores formam o grupo dos golfinhos.
1. Baleia-jubarte, também chamada baleia-corcunda, é a baleia mais bem conhecida de todas as existentes. Realiza migrações entre as águas polares e as subtropicais. No pólo, é onde se alimenta no inverno, enquanto no trópico dá à luz a sua única cria, que na época da caça era denominada baleote. Pode alcançar 16m de comprimento e o dorso é arqueado ou corcunda (daí seu nome). Costuma saltar no ar, por cima da água, deixando visível todo o seu corpo. Gosta de se alimentar de krill e pequenos peixes, abrindo a boca e engolindo toneladas de água junto com eles. Depois, empurram com a língua a água para dirigi-la com força até as barbatanas, que atuam como peneira, retendo o alimento e expulsando a água. Classificação científica: família dos Balenopterídeos, sub-ordem dos Misticetos, ordem dos Cetáceos. É classificada com o nome científico de Megaptera novaeangliae.
2. Baleia-azul é o maior animal existente na Terra. Pode superar um comprimento de 30 metros. O corpo é cinza, com manchas pálidas, cuja disposição é diferente em cada indivíduo. São uma espécie de impressões digitais. A tonalidade azul aparece quando está submersa e o dia é ensolarado. A espécie se alimenta de plâncton e peixes. De maneira semelhante ao resto das baleias com barbatanas, abre a boca para deixar entrar a maior quantidade de água possível, força a água para que passe pelas barbatanas e o alimento fica preso. Classificação científica: família dos Balenopterídeos, sub-ordem dos Misticetos, ordem dos Cetáceos. Recebe o nome científico de Balaenoptera musculus.
3. Baleia-cinza é de tamanho médio e habita somente a zona norte do oceano Pacífico. Não ocorre no Brasil. É um dos mamíferos que realiza uma das migrações mais longas, pois percorre uma distância de 10.000 km desde as baías do norte do México, onde a fêmea pare sua cria no inverno, até o norte do mar de Behring, onde se alimenta, no verão, de invertebrados que filtra com suas barbatanas. Também possui sua impressão digital, pois a pele, salpicada de cor negra, cinza e branca, forma um desenho característico que permite diferenciar cada indivíduo. Classificação científica: é a única espécie vivente da família dos Escrictídeos, sub-ordem dos Misticetos, ordem dos Cetáceos. É classificada como Eschrichtius robustus.
4. Baleia-franca pertence à família dos Balenopterídeos, sub-ordem dos Misticetos (baleias de barbatanas). Entre os cetáceos que freqüentam os mares do Brasil, é um dos mais fáceis de se observar, pois aproxima-se muito da costa, na época de reprodução e criação dos filhotes. Esse período vai de junho a novembro. Dóceis e lentas, foram caçadas até quase a extinção. Classificação científica: é a espécie Eubalaena australis. A baleia franca do hemisfério Norte é a Eubalaena glacialis.
5. Baleia Beluga é de cor branca e pertence ao grupo das baleias dotadas de dentes. Não ocorre no Brasil. Tem aletas curtas e se movimenta em bandos. Pode emitir muitos tipos de sons. Além disso, emite ultra-sons, pois tem um sonar. Originária das regiões árticas, elas também são chamadas de golfinho branco. Classificação científica: família dos Monodontídeos, sub-ordem dos Odontocetos, ordem dos Cetáceos. Classifica-se como Delphinapterus leucas.
6. Cachalote é a maior baleia dentro do grupo dos cetáceos com dentes (Odontocetos). Vive em todos os oceanos, exceto na zona ártica. Os cachalotes são migratórios, dirigem-se para o equador durante a época de reprodução e vão para latitudes mais elevadas para se alimentar. São facilmente reconhecidos: têm uma cabeça retangular enorme. Apresentam dentes cônicos e grandes apenas na mandíbula inferior.
7. Baleia Minke anã (Balaenoptera acutorostrata) tem coloração cinza com peitorais brancas. Pode chegar a 8 metros e pesar 6,5 toneladas. É a menor de todas as baleias e a mais abundante. São animais migratórios e cosmopolitas. Possuem um borrifo mais discreto e não costumam formar grandes grupos.
8. Baleia Minke antártica (Balaenoptera bonaerensis) tem coloração cinza no dorso e branco no ventre. Pode chegar a 11 metros e pesar 10 toneladas. Só ocorre em território antártico e foi uma das mais caçadas. Também são animais migratórios e cosmopolitas e possuem um borrifo mais discreto. Não costumam formar grandes grupo.
VOCÊ SABIA?
01. Com 34 metros de comprimento e pesando 170 toneladas, essa foi a maior baleia caçada até hoje. Uma baleia-azul fêmea.
02. Uma baleia pode chegar a três vezes o tamanho de um dinossauro. Portanto elas são os maiores animais existentes.
03. O desenvolvimento de uma baleia só é possível porque a água suporta o peso contra a força da gravidade, o que não acontece com os animais terrestres.
04. Um filhote que nasce com mais de três metros de comprimento, é amamentado por quase um ano e quando desmama já possui cerca de 9 metros.
05. Uma baleia vive cerca de 50 anos.
06. A baleia Cachalote é a única fonte mundial de âmbar-cinzento, matéria básica para indústria de perfumes caros. Elas se alimentam da lula gigante. Como nunca conseguem digerir os bicos duros da lula, estes permanecem em seus aparelhos digestivos produzindo uma substância escura e fétida: o âmbar-cinzento, que é a melhor substância conhecida para conservar o aroma dos perfumes.
07. Nos séculos 18 e 19, o óleo de baleia era usado para iluminação e para lubrificação. E, na Europa, o óleo é usado na manufatura de 50% da margarina.
08. As barbatanas eram usadas na confecção de quarda-chuvas, serviam de chicotes, davam resistência e elegância aos espartilhos e sutiãs. Dentes de baleias são usados para se fazer teclas de piano e botões.
09. As baleias têm boa visão. Mas as baleias com dentes possuem um sistema de orientação adicional: soltam sons agudos na água e, graças aos ecos de retorno, podem localizar com precisão qualquer corpo sólido.
10. As tecnologias desenvolvidas para uso do petróleo e do plástico acabaram por salvar muitas baleias: partes do animal foram sendo substituídas por produtos sintéticos. Permanece o interesse na carne para alimento.
Summary
Whale show in Bahia
Axé music, carnival, and typical food, such as acarajé, are not the only things that attract tourists to Bahia. Hot springs in the Bahian bay area attract whales and leave ecotourists from all over the world awestruck.
Everything about the humpback whale is overstated. They can reach 16 meters in length as adults. Its weight can be as much as 40 tons. Their babies are born 3 meters in length and weigh a few tons. They consume around 200 liters of milk per day. Even though they are among the largest of the cetaceous in the world they are extremely docile. So large and so docile they nearly became extinct because they were easy to capture. Up until 1986 thousands of these whales were killed indiscriminately. Butchered, in places set up specifically for this purpose, where their meat, fat, and bones were removed. Whaling was a profitable activity. The oil was a precious raw material used in lighting. In the 17th and 18th century, the avenues of Rio de Janeiro, Salvador, Recife, and many other cities were lit by whale oil. It was also used for oil lamps in homes and in house construction materials. Fins, bones, and teeth were important in the button, umbrella, and even bra industry. Because of its high market value, they were hunted to the extreme. The whale population fell from over 300 thousand to 35 thousand. A massacre that fueled the anger of environmentalists and led the Brazilian government to take protectionist measures.
For 17 years, the Instituto Baleia Jubarte – IBJ, in conjunction with IBAMA, is responsible for the protection of the species in Brazil. In 2005, the Institute, which is funded by Petrobras, faces two new challenges: to implement whale watching tourism in the cities of Salvador and Itacaré, and to continue the already successful monitoring activity, developed in the Praia do Forte (north coast), in Prado and Caravelas (south).
In the 2004 season, with whale watching tourism and research activity, technicians from IBJ sighted 1,326 whales. Of these, 796 were sighted at the Banco de Abrolhos, in the southern most part of the state, and 530 at the Praia do Forte.
Márcia Engel – ENTREVISTA
Whalewatching – O fascínio das baleias
Silvestre Gorgulho – da Praia do Forte
Gaúcha de Porto Alegre, Márcia Engel iniciou seus trabalhos com baleias em 1992, a convite do Chefe do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos na época, Júlio Gonchorosky. Ela havia sido estagiária em 1990 e, quando se formou em Ciências Biológicas, em 1991, recebeu o convite. “Esse trabalho é minha paixão. Dá sentido à minha vida”, costuma dizer. Em 1996, ela ajudou a criar o Instituto Baleia Jubarte, ONG que passou a dar o suporte administrativo e financeiro às ações de conservação e pesquisa das jubartes. Atualmente, Márcia Engel é diretora do projeto.
Folha do Meio – Em 1986, o então presidente José Sarney proibiu a caça de baleias no Brasil. Como o Brasil venceu o lobby dos caçadores?
Márcia Engel – Em 1987, a Lei 7643 proibiu a caça de cetáceos em águas jurisdicionais brasileiras. Este foi realmente um passo importante, para um país que até então ainda mantinha uma estação baleeira em Costinha, na Paraíba, e cujos representantes participavam das reuniões da Comissão Internacional da Baleia [CIB] para defender a caça comercial de baleias.
Os baleeiros foram vencidos pela maior campanha mundial pró-conservação de que se tem notícia, que foi exatamente a campanha pelo fim da caça das baleias e implementação da moratória internacional que vigora até os dias de hoje.
FMA – Você sempre diz que o Brasil trocou os arpões pelas máquinas fotográficas. Além da força de proteção ambiental, há outras vantagens?
Márcia – Sim, está comprovado que uma baleia viva gera muito mais renda para as comunidades adjacentes à sua área de ocorrência do que no prato de um japonês ou norueguês.
O turismo de observação de baleias gera mais de 1 bilhão de dólares/ano em 90 países. Segundo pesquisadores da Massey University, uma baleia jubarte viva, ao longo de 50 a 60 anos de vida, promove cerca de 1 milhão de dólares para operadores turísticos, hotéis, lojas, e restaurantes da comunidade local. Nos mercados japoneses, os produtos derivados de uma baleia caçada proporcionam cerca de 250 mil dólares. A renda, que no período da caça se concentrava nas mãos de poucos, é melhor distribuída no turismo de observação de baleias.
No Brasil esta modalidade turística surgiu na década de 90, com o turismo de observação das baleias jubarte no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Ele encontra-se em franco processo de desenvolvimento, com grande potencial, principalmente na Bahia, com as jubarte, e em Santa Catarina, onde ocorrem as baleias da espécie franca.
Na Praia do Forte, somente em 2004, 1.300 visitantes participaram de passeios para observação destas baleias. A utilização das baleias, pelo turismo, constitui ainda uma ferramenta muito interessante de sensibilização do grande público para a conservação marinha.
FMA – Dá para fazer, ano a ano, uma retrospectiva sobre a situação das baleias jubartes no Brasil, desde 1986?
Márcia – Quando o Projeto Baleia Jubarte foi criado, em 1988, havia uma pequena população de baleias jubarte concentradas na região de Abrolhos. Foi o que restou após anos de caça comercial realizada no Brasil e em vários outros países, que levou à beira da extinção quase todas as populações de grandes baleias.
As jubartes foram intensamente caçadas ao longo da costa do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Paraíba. Na cidade de Caravelas, ponto mais próximo no continente do arquipélago dos Abrolhos, a caça de jubartes constituiu importante fonte de renda local até 1939.
Durante os trabalhos de implantação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, em 1987, foi constatada a presença destes animais e a necessidade de se iniciar um projeto de conservação, que garantisse não apenas sua sobrevivência, como recuperação populacional, diante de uma série de impactos antrópicos a que estes animais estão submetidos no ambiente marinho.
FMA – E depois de 1988?
Márcia – A população de baleias jubarte iniciou um processo de recuperação lenta, mas gradual. Hoje, cenas de jubartes saltando a poucas milhas da praia, na região de Salvador, têm se tornado cada vez mais freqüentes, assim como em vários outros pontos da costa da Bahia e Espírito Santo.
O Instituto estima que ao menos quatro mil baleias desta espécie busquem as águas da Bahia e Espírito Santo todos os anos, durante a temporada reprodutiva, entre julho e novembro.
FMA – Você participa, pelo Brasil, da Comissão Internacional da Baleia, órgão que regulamenta a caça das baleias. Como funciona esta comissão?
Márcia – A Comissão é formada por 45 países, que se reúnem anualmente para discutir a caça e conservação de baleias. Atualmente está em vigor uma moratória internacional, que proíbe a caça comercial de baleias no mundo.
A Comissão é dividida em Comitê Científico – onde são discutidos os aspectos técnico-científicos relacionados à caça, subsidiando a tomada de decisões pelos governos dos distintos países baleeiros e conservacionistas – e a Plenária, onde cada país tem direito de voto e são deliberadas questões de regulamentação e funcionamento da Comissão e aplicação da moratória.
Márcia Engel: O Brasil luta para criar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul
FMA – Quando foi a última reunião da Comissão e quais os temas tratados?
Márcia – A última reunião ocorreu em junho de 2005, em Ulsan, Coréia do Sul. A Comissão Internacional da Baleia se reúne anualmente para discutir a moratória internacional da caça às baleias, e neste item estão contempladas a caça de subsistência ainda praticada por populações aborígenes, a caça para fins científicos, a criação de santuários de baleias para proteção integral das espécies.
O subcomitê sobre turismo de observação de baleias [whalewatching] discute o uso não-letal de cetáceos para a geração de renda para as comunidades locais e é um dos temas fortemente apoiados pelo Brasil.
Em 2004 foi criado o Comitê de Conservação, subsidiado pelo bloco de países pró-conservação e que constitui uma importante vitória para países como o Brasil. O Brasil participou do Comitê Científico gerando informações sobre whalewatching, estimativas populacionais e genética de jubartes, impactos antrópicos em cetáceos, e pesquisa de pequenos cetáceos. A delegação brasileira reapresentou a proposta de criação do “Santuário de Baleias do Atlântico Sul”, bem recebida no Comitê Científico, mas não aprovada na Plenária devido à clara polarização dos países-membros da CIB em dois blocos, um pró-caça e outro a favor da conservação, o que dificulta muitos avanços e o estabelecimento de diretrizes sobre os temas tratados.
FMA – O mundo tem discutido muito a questão do ecoturismo para observação de aves e baleias. O whalewatching tem outras importâncias?
Márcia – É uma ferramenta fantástica de sensibilização da opinião pública a favor da conservação, não apenas das baleias, mas do ecossistema marinho como um todo.
O espetáculo de uma baleia de 40 toneladas projetando ¾ de seu corpo para fora d’água através de um salto ou a tranqüilidade de uma fêmea com seu filhote recém nascido, um “bebezinho” que já pesa cerca de duas toneladas e mede em torno de 4m de comprimento, são cenas inesquecíveis. A imagem promove uma verdadeira sensibilização aos observadores. É considerada a melhor forma de se conseguir mais adeptos contra à caça comercial de baleias.
FMA – Com a proteção internacional e o aumento considerável da população das baleias, esse movimento a favor das baleias e contra a caça pode perder a força?
Márcia – Ao contrário, o caminho ainda é bastante longo. Apesar da aparente recuperação de várias populações de baleias, elas ainda estão muito aquém dos números existentes antes da caça.
No Brasil, as populações de francas e jubartes foram praticamente dizimadas, a ponto de não se ter mais notícia destes animais durante vários anos. Estimativas recentes (e ainda incertas) indicam que a atual população de jubartes brasileiras é de aproximadamente de 25% da população original. Os encalhes decorrentes de atropelamento por embarcações, emalhamento em redes de pesca, contaminação e ensonificação do ambiente marinho, precisam ser monitorados e minimizados para que se consiga garantir a sobrevivência e recuperação destes animais.
O Japão pretende iniciar a caça “científica” desta espécie ainda em 2005, utilizando como principal argumento sua recuperação populacional, mas desconsiderando as pressões antrópicas a que a espécie está sujeita e a incerteza das estimativas do tamanho das populações.
Summary
Márcia Engel – Interview
Márcia Engel, from Porto Alegre, began working with whales in 1992 when Júlio Gonchorosky, the Director of the Parque Nacional Marinho dos Abrolhos at the time, invited her on board. She had been an intern in 1990 and when she graduated with a degree in Biology in 1991, received the invitation. “This job is my passion. It gives meaning to my life,” says Márcia. In 1996 she helped create the Instituto Baleia Jubarte, a NGO that now provides administrative and financial support in the conservation and research efforts for the humpback whales. Márcia Engel is currently the director of the project.
Environmental Protection Law – In 1987, Law 7643 prohibited Cetacean hunting in Brazilian waters. This was a very important step for a country that, up till then, still had a whaling station in Costinha, in the state of Paraíba, and whose representatives participated in the meetings at the International Whaling Commission as whaling advocates. The whalers lost to the pro-conservation worldwide campaign that ended whaling and implemented an international moratorium, which is still in place today.
Whale watching – it has been proven that a live whale generates much more income for the communities near their sightings than as a meal on a Japanese or Norwegian plate. Whale watching tourism generates over US$1 billion per year in 90 countries. According to researchers from Massey University, over the 50 to 60 years a humpback whale lives, it generates around US$1 million for those in the tourism, hotel, retail, and restaurant business in the local communities. In the Japanese markets, products derived from a caught whale yield about US$ 250 thousand. The income that once belonged to only a few during the whaling season is now better distributed among those in the whale watching tourism business.
This modality of tourism began in Brazil, in the 90s, with humpback whale watching tourism at the Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. It is growing and has great potential, especially in the state of Bahia with the humpbacks, and in the state of Santa Catarina with whales of the Franca species. In 2004 alone, 1.300 visitors participated in whale watching activities at the Praia do Forte. Whale watching tourism is also a very useful tool to increase the public’s awareness of marine conservation.
The awe inspiring view of a 40 ton whale projecting ¾ of its body out of the water with a jump, or the tranquil sight of a female swimming with her newborn pup, which already weighs about 2 tons and is around 4 meters in length, are unforgettable scenes. These images promote an effective awareness in the observers. It is considered the best way to increase the number of people against whaling.
Repopulation – The humpback whales began a slow but gradual process of repopulation. Today, sightings of humpback whales jumping a few miles from the beaches in Salvador, and other places on the coastline of Bahia and Espírito Santo, are becoming more and more frequent.
The Institute estimates that at least four thousand humpback whales seek the waters of Bahia and Espírito Santo every year during the mating season, between July and November. In Brazil, the Franca and humpback whale populations were practically decimated, to the point of there not being any sightings of these animals for several years. Recent estimates indicate that the current Brazilian humpback whale population is approximately 25% of its original population. The beachings caused by sea vessels running into them, getting caught in fishing nets, ocean contamination and ensonification must be monitored and minimized to try and guarantee the survival and repopulation of these animals.
Reportagens
Escritor Joaquim Arena preenche vazios de Europa negra invisibilizada
Autor participa do Clube do Livro do CCBB-RJ
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Revelar uma Europa negra, apagada das narrativas oficiais, é o que propõe o autor luso-cabo-verdiano Joaquim Arena, que revisita a presença de africanos e seus descendentes no continente europeu por meio do livro Debaixo da nossa pele (2017).

A partir de viagens por Portugal, arquivos e relatos, o escritor reconstrói trajetórias de personagens negros pouco conhecidos. A jornada também se cruza com a história da migração cabo-verdiana para Lisboa e com a trajetória do próprio escritor.
Arena nasceu na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964. É filho de pai português e de mãe cabo-verdiana e viveu grande parte da sua vida em Lisboa. Em Portugal, ele se formou em direito e iniciou a carreira em jornalismo.
O escritor está no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), no centro da capital fluminense, às 17h30 desta quarta-feira (14).
Autor de seis romances, traduzidos em várias línguas, Arena escreveu Siríaco e Mister Charles, vencedor do Prémio Oceanos de Literatura, na categoria Prosa, em 2023. Atualmente, reside em Cabo Verde, na cidade de Praia.
Cabo Verde e Brasil
Com o tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, o encontro gratuito propõe uma conversa sobre memória, pertencimento, identidade e as marcas do passado colonial que permanecem no presente.
A partir da obra de Arena, o evento busca aproximar experiências históricas e culturais de Cabo Verde e do Brasil, dois países atravessados por deslocamentos populacionais, encontros entre diferentes culturas e pelas relações entre África e Europa.
O autor conta que Debaixo da nossa pele fala da miscigenação e da circulação dos povos da África para a Europa. O público poderá perceber semelhanças com a formação do Brasil.
“Debaixo da nossa pele fala dessa condição humana de deslocamento das pessoas de um país a outro, levadas por questões econômicas, sociais e políticas. O livro faz essa síntese, pois a circulação continua ainda hoje, é positiva, abre oportunidades de novas janelas de vida para muitas pessoas”, diz Arena.
Preenchendo vazios
Para o escritor, a história tem um poder atrativo mais forte do que o presente.
“Sou levado a encontrar, no meio dos fatos históricos, os vazios. São esses vazios que eu pretendo preencher através da minha ficção. Aproveito episódios verídicos que são muito inspiradores para que nós imaginemos uma personagem. Fico com vontade de saber mais, senão eu invento a personagem”, afirma o autor.
Arena conheceu a literatura brasileira aos 12 anos, com a obra de Jorge Amado. Ele se identificou com o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, que também fez parte da sua formação. Para ele, foi uma porta de entrada de uma literatura que não era portuguesa, europeia nem africana.
“Nós, das antigas colônias portuguesas, recebemos a literatura brasileira como uma janela para um mundo muito semelhante ao nosso”.
“Jorge Amado, com sua Bahia, está na formação de muitos autores lusófonos na África. Depois, vamos crescendo e encontrando Guimarães Rosa, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos. O romance da década de 30 fala dos retirantes, da seca. É uma realidade muito próxima da nossa”, diz Arena.
O autor acredita que um clube de leitura é um reduto onde se mantém ainda uma magia e em que se ouve falar de invenções.
“Há um pacto do autor com o público. O escritor sabe que o que ele inventou não existiu. O leitor sabe que o romance saiu da imaginação. Isso cada vez mais num mundo acelerado, com redes sociais, com streamings”.
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Técnicos apresentam o andamento das metas fiscais do governo
Apresentação feita à CEOF mostra que, até agosto, receita corrente líquida do DF foi de R$ 28 bilhões, o que significa cerca de 72% da meta
Foto: Felipe Ando/Agência CLDF
Com relação à despesa total empenhada, GDF gastou R$ 31 bilhões até agosto, dos R$ 47,6 bilhões previstos para o ano
A Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa realizou audiência pública na manhã desta quinta-feira (15) para avaliar as metas fiscais do Governo do Distrito Federal nos primeiros 8 meses de 2026. Na ocasião, técnicos do governo apresentaram à comissão números referentes a receitas e despesas do GDF nos dois primeiros quadrimestres do ano em comparação às metas previstas nas leis orçamentárias.
Confira a cobertura fotográfica no Flickr da CLDF
Com relação às receitas correntes, a previsão inicial para 2026 era de R$ 39 bilhões e o valor alcançado até agosto é de R$ 28 bilhões, o que significa um alcance de 71,85% da meta. As receitas de capital até agosto somam R$ 1,1 bilhão, enquanto a previsão inicial para 2026 era de R$ 726 milhões, o que representa 163,16% de alcance da meta. O total de receitas tributárias até agosto soma R$ 20,1 bilhões, enquanto a previsão para o ano era de R$ 25,4 bilhões, representando 79,29% da meta estabelecida. O ICMS, sozinho, representa 46,2% de toda a arrecadação com impostos e taxas. Com relação à despesa total empenhada, a dotação autorizada para 2026 era de R$ 47,6 bilhões, sendo que o governo gastou R$ 31 bilhões até agosto, o que representa 65,3% da dotação.
Para o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), presidente da CEOF, os números são positivos para o governo. “De maio a agosto, tivemos um incremento na casa de R$ 1 bilhão fruto da alienação de bens. Assim chegamos a 72% do total previsto a realizar de receita. Já temos um indicativo de que teremos excesso de arrecadação ao longo do último quadrimestre. Estamos chegando a quase 50% do saldo total previsto para investimentos no ano, que é de R$ 3,5 bilhões. Isso mostra que os investimentos não pararam mesmo diante de situações orçamentárias excepcionais”, avaliou.
Representando o governo, o assessor especial de política fiscal da Secretaria de Economia do DF, Luiz Barreto, ressaltou que o ano de 2026 foi impactado pelo déficit orçamentário do ano anterior. “O DF, nos últimos dois anos, apresentou déficit. E esse déficit teve impacto em 2026. Nós entramos em 2026 com quase R$ 3 bilhões de déficit. Por isso, a execução orçamentária de 2026 precisa priorizar o que é relevante, como saúde e educação. Até o presente momento temos um resultado primário de superávit de R$ 1,8 bilhão na Lei de Diretrizes Orçamentárias e déficit de R$ 1,5 bilhão na Lei Orçamentária Anual”, explicou.
O assessor também comentou os números relacionados a gastos com pessoal e repasses obrigatórios para a educação. “Até agosto tivemos um índice de 40,54% do orçamento destinado para gasto com pessoal, o que está dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sobre os mínimos empenhados em educação, a lei determina que ao final do exercício temos que atingir 25% e hoje estamos em 23%”, relatou Barreto. A íntegra da audiência pública está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.
Eder Wen – Agência CLDF
Reportagens
Debatedores alertam para diferentes formas de violência contra meninas
A audiência foi presidida pela senadora Leany Lemos (C)
Geraldo Magela/Agência Senado
Crianças e adolescentes representam um terço dos usuários de internet no mundo. No Brasil, um em cada cinco adolescentes foi vítima de alguma forma de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia em 2025. A maioria das vítimas é formada por meninas, e a violência ocorre principalmente em aplicativos conhecidos, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A informação foi apresentada nesta quinta-feira (15) em audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que debateu os desafios das políticas públicas para garantir a proteção integral das meninas no país. Os participantes também alertaram para outras formas de violência contra meninas e defenderam medidas de prevenção e proteção.
O debate foi requerido pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em alusão ao Dia Internacional da Menina, celebrado no domingo (11), por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU). A reunião foi presidida pela senadora Leany Lemos (PSB-DF), suplente da senadora licenciada Leila Barros (PDT-DF). Para Leany, é preciso prevenir violências e permitir que cada menina desenvolva plenamente as suas capacidades.
— Quantas meninas ouvem que a liderança não é para elas? Quantas assumem responsabilidades domésticas e do cuidado antes de terem condições de construir seus próprios projetos de vida, e nisso elas nem sonham ser outras coisas, porque elas não têm essas oportunidades? Quantas meninas, na maioria negras ou pobres das periferias e das regiões distantes do Brasil, enfrentam obstáculos ainda maiores para exercer esses direitos, que são direitos universais? Então, essas perguntas têm que orientar as nossas políticas públicas — afirmou.
Ambiente digital
A coordenadora-geral de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernanda Souza Carlos, afirmou que a exploração sexual de crianças e adolescentes exige novas estratégias de enfrentamento, diante da migração de parte dos crimes para o ambiente digital. Ela defendeu a articulação entre órgãos públicos e sociedade civil para ampliar a proteção às meninas.
— O crime que a gente via antigamente com as meninas, as crianças à beira da rodovia, hoje, a gente não vê mais. Esse crime está no digital. Então, cada vez mais fica mais complexo o combate aos crimes voltados à exploração sexual de crianças e adolescentes, porque, de certa forma, ele está invisível. Então, precisa-se de um trabalho muito maior, porque tem muita coisa que a gente não está vendo fisicamente aqui, mas está acontecendo pelo aparelho de celular, que todo mundo tem hoje em mãos — afirmou.
A diretora de Projetos Especiais da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, alertou para o uso da inteligência artificial generativa na produção de material de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo ela, mulheres e meninas são as principais vítimas desse tipo de violência. A diretora afirmou que o caráter artificial do conteúdo leva parte da população a subestimar o crime, que provoca danos às vítimas.
O representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo de Lins e Horta, destacou mudanças na legislação brasileira, entre elas a entrada em vigor em 2025 do ECA Digital e da Lei 15.487, de 2026, que aumenta penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet. Segundo ele, o país avançou no enfrentamento de crimes como a violência sexual on-line, o cyberbullying e a extorsão sexual, mas precisa garantir a implementação das normas e das políticas de proteção.
— A gente tem uma base legislativa sólida, o desafio é implementar toda ela — afirmou.
Outras violências
Coordenadora de Políticas Educacionais da ONG Associação Serenas, Graziela Larissa da Silva Santos chamou a atenção para comportamentos que podem ser tratados como brincadeiras, mas que violam os direitos das meninas. Segundo pesquisa da organização, sete em cada dez professores ouvidos presenciaram “cantadas” indesejadas dirigidas a meninas nas escolas, e 42% relataram ter visto alunos tocar ou acariciar o corpo de meninas sem consentimento. Ela defendeu a formação de professores e gestores para prevenir a violência, acolher as vítimas e encaminhá-las à rede de proteção.
A delegada-chefe adjunta da Polícia Civil do Distrito Federal, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, destacou que o atendimento não deve se limitar à investigação criminal. Para ela, é necessário articular os serviços de segurança pública, saúde e assistência social, considerando também situações de dependência financeira e os riscos enfrentados pelas vítimas após a denúncia.
— A proteção e a responsabilização precisam caminhar juntas — afirmou.
Os participantes ainda abordaram a gravidez na adolescência e seus impactos na trajetória escolar e profissional, além de questões relacionadas à saúde menstrual e à violência sexual dentro de casa.
Também participaram do debate a especialista em gênero e inclusão da Plan International Brasil, Ana Nery Lima; a coordenadora de Relações Governamentais do Instituto Alana, Tayanne Galeno; a gerente de Comunicação do Instituto Liberta, Renata Greco; e a gerente Meal e Estratégia da Organização Visão Mundial, Manuela Franchini Melani.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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