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OS BONS PARTEM CEDO

Comandante Dato Oliveira deixou um legado na aviação, na literatura e no trabalho socioambiental

 

DATO OLIVEIRA voava alto — talvez por isso tenha nos deixado tão cedo. O comandante Odailton de Oliveira, um dos grandes nomes da aviação brasileira, tornou-se meu amigo por acaso em meados de 1998, em Teresina. Um encontro inusitado que marcou minha trajetória. Sua partida foi muito rápida. Odailton de Oliveira, escritor, um exímio piloto de helicóptero foi baleado na cabeça durante um assalto na tarde do dia 19 de maio, na região do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo. Após o disparo, o assaltante fugiu. O carro de DATO perdeu o controle e bateu em um ônibus. Odailton de Oliveira foi levado ao Hospital Universitário, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O ator Wagner Moura e o comandante Dato Oliveira durante gravações do filme VIPs, lançado em 2011. Para o piloto-escritor, uma das maiores aventuras  foi na região de São Raimundo Nonato, no Parque Nacional da Serra da Capivara, acompanhando o fotógrafo André Pessoa.

 

DATO havia sido contratado a dedo pelo empresário Paulo Guimarães para otimizar os seus deslocamentos entre São Luís e Teresina, bases de seus maiores empreendimentos — como a distribuidora de remédios, as concessionárias Alemanha e Canadá, o Poupa Ganha (liderado por Silvio Leite) e o Grupo Meio Norte de Comunicação. Preocupado com a segurança, o empresário queria o melhor piloto do Brasil para operar a nova aeronave do grupo.

Mesclado por “causos” e casos ocorridos durante muitos anos na aviação, além de alguns textos, poemas e frases, o comandante DATO Oliveira fala das dificuldades da formação de pilotos, sobre cinco acidentes aéreos e um sequestro, além de resgastes e histórias que viveu como piloto de helicóptero.

 

 

PRIMEIRA AVENTURA: SERRA DA CAPIVARA

Nossa primeira aventura, naturalmente, foi na região de São Raimundo Nonato, um território que eu já dominava. A ideia era sobrevoar o Parque Nacional da Serra da Capivara e registrar imagens impactantes da reserva, que dava seus primeiros passos no turismo. DATO estava entusiasmado: mesmo já tendo conhecido o mundo inteiro, aquela era uma novidade para ele.
O sucesso das publicações foi tão estrondoso que logo propus um novo destino: a selvagem Serra das Confusões, que na época estava prestes a se tornar Parque Nacional. E assim fizemos. Comigo, representando o jornal Meio Norte e o repórter Marcelo Rocha comandando as matérias da TV, realizamos voos incríveis sobre uma região que o Piauí, o Brasil e o mundo ainda precisavam descobrir.
Eram tempos de seca brava, com muita gente passando necessidades no semiárido piauiense. Ao voltarmos com as imagens para Teresina, José Osmando e Silvio Leite ficaram encantados com a beleza da região, mas muito tristes com a pobreza da população.

Serra das Confusões: As fotos de André Pessoa têm a parceria com o comandante Dato de Oliveira com seu helicóptero.

Essa realidade não era nova para mim. Todo ano, eu e a repórter Tânia Martins percorríamos, para o jornal Meio Norte, os principais municípios do sertão piauiense, documentando a seca que a cada ano se expandia e criava mais e mais vítimas. Logo, Osmando e Leite decidiram criar uma grande campanha para arrecadação de alimentos, que seriam doados para as vítimas da seca.

 

TRABALHO SOCIOAMBIENTAL

DATO não colocava empecilhos para voar e aterrissar nos lugares mais inusitados, perigosos ou improváveis. A chegada do helicóptero com os alimentos nessas áreas era uma festa, e o seu sorriso mostrava que ele estava realizado. No pouso em Guaribas, em um velho campo de terra, a poeira encobriu as dezenas de crianças que correram com medo da aeronave.
O impacto da campanha foi gigante. Foi quando sugeri usarmos o helicóptero para acessar comunidades isoladas por terra, como a região de Guaribas — que pouco tempo depois ganharia projeção nacional como berço do Programa Fome Zero, no início do governo Lula. Sob a pilotagem segura e corajosa do comandante DATO, singramos os céus para levar mantimentos às áreas mais vulneráveis do semiárido.
Para o comandante Dato, não havia tempo ruim nem pista impossível; ele pousava nos lugares mais inusitados e arriscados. Ver o helicóptero chegar com comida era um motivo de festa para o povo, e o sorriso dele refletia o sentimento de dever cumprido. Lembro-me bem do pouso em Guaribas: em um velho campo de terra, o turbilhão de poeira levantado pela aeronave cobriu dezenas de crianças, que corriam assustadas com o gigante de ferro.

 

 

SERRA DAS CONFUSÕES 

A vista aérea da Serra das Confusões teve a participação do comandante Dato Oliveira.

 

Foram anos de parceria intensa em Teresina. Voamos para o Delta do Parnaíba, cruzamos a região de Picos e Oeiras e, em Coronel José Dias, chegamos a pousar em plena BR-020 — que, na época, não passava de uma estrada de terra batida e pedreiras. A cada pouso, os moradores rompiam a rotina e corriam fascinados para perto da aeronave. Dato os recebia sempre com a mesma generosidade e atenção que lhe eram peculiares.
Estivemos juntos em São Raimundo Nonato por diversas vezes. Lá, tive a alegria de proporcionar aos amigos Barreto, Júnior e Waltercio a experiência de voar pela primeira vez ao lado daquele piloto extraordinário. Marcamos época, e DATO plantou amizades profundas por onde passou.
Hoje, no entanto, o choque me paralisou: recebi a notícia de que ele foi morto em uma tentativa de assalto em São Paulo. Ironicamente, o crime aconteceu em uma avenida colada ao apartamento da minha filha, Nina — que, nas últimas semanas, sentiu na pele essa mesma violência ao ter o celular furtado e, dias depois, suas bicicletas levadas enquanto passeava com amigos no Parque do Ibirapuera.
São Paulo perdeu o controle. Mas eu jamais poderia imaginar que um homem que sobreviveu a quatro acidentes aéreos, a um sequestro e à célebre e audaciosa façanha de passar com um helicóptero por dentro de um dos túneis da rodovia dos Imigrantes, perderia a vida dessa forma, vítima da violência urbana.
O que fica é a saudade e o orgulho gigante de termos feito história juntos no Piauí. Desbravamos cenários que hoje são o coração do turismo no interior do Nordeste, levamos esperança em forma de alimento aos que mais precisavam e, acima de tudo, dividimos sorrisos e multiplicamos alegrias entre o povo piauiense.

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EMILIANO PEREIRA BOTELHO

(1948-2026)

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O Brasil perdeu ontem à noite (11/08) um cidadão empreendedor, dedicado e que deixa um legado incomensurável para a agricultura tropical: EMILIANO PEREIRA BOTELHO.
Paracatu perdeu um filho ilustre e eu perdi um amigo, inclusive, que escreveu a abertura do meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – JK-BRASÍLIA-PELÉ – A Era dos Grandes dribles na Política, Cultura e História”.
Nesse livro, Emiliano, como presidente da CAMPO – Companhia de Promoção Agrícola, escreveu sobre o Planalto Central e a história da revolução verde-amerela do Cerrado, focando na chegada dos japoneses das famílias Kanegae, Hayakawa, Ogawa, Ikeda e Okudi para desbravar a região do Distrito Federal.
Como jogador de futebol, amante da boa música e torcedor do Cruzeiro, EMILIANO BOTELHO tinha seu lado alegre e festeiro. Como profissional da agropecuária, deixa uma história de empreendedorismo: logo depois de ser o superintendente e, depois, presidente da Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu, a Coopervap, presidiu por mais de 30 anos a CAMPO – Companhia de Promoção Agrícola, ligada ao Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados, o Prodecer.
FOTOS
1) Emiliano Botelho quando foi homenageado pela Casa de Cultura e pela Prefeitura Municipal de Paracatu como Personalidade que fez e faz diferença na região.
2) Emiliano, o Ministro Alysson Paolinelli e o primeiro presidente da CAMPO, Paulo Afonso Romano.
3) Emiliano e sua paixão pelo Cruzeiro, que hoje no jogo com o Flamengo bem podia fazer um minuto de silêncio em sua Memória.
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UnB tem finalistas no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026

Obras dos docentes Edileuza Penha, Gabriele Cornelli e Elimar Pinheiro concorrem nas áreas de Artes; Tradução; e Ciências Agrárias e Ciências Ambientais. Premiação ocorre em 11 de agosto, em São Paulo

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Eleições 2026: conheça as regras e faça do seu voto um instrumento de transformação

Entenda o calendário eleitoral, as principais normas do pleito e a importância de buscar informação de qualidade para exercer um voto consciente e fortalecer a democracia brasileira.

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Antes de escolher um candidato, o eleitor escolhe o futuro do país. Em 2026, milhões de brasileiros voltarão às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. Mais do que um direito, o voto é um dos principais instrumentos da democracia e uma oportunidade de influenciar os rumos do Brasil pelos próximos anos.

As eleições deste ano seguem regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que buscam garantir transparência, igualdade entre os candidatos e segurança no processo de votação. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, enquanto o segundo turno, caso necessário para presidente e governadores, ocorrerá em 25 de outubro. A campanha eleitoral oficial começa em 16 de agosto, quando passam a ser permitidas as propagandas e os atos de campanha previstos na legislação.

Além do calendário, algumas normas ganharam destaque em 2026. O TSE atualizou regras relacionadas ao uso da inteligência artificial nas campanhas, reforçou medidas de combate à desinformação, aprimorou procedimentos de auditoria das urnas eletrônicas e promoveu ajustes na regulamentação do Fundo Eleitoral. O objetivo é aumentar a transparência, proteger a integridade do processo eleitoral e oferecer mais segurança aos eleitores.

Mas conhecer as regras é apenas parte da responsabilidade do eleitor. O voto consciente começa muito antes do dia da eleição. É importante pesquisar a trajetória dos candidatos, avaliar suas propostas, verificar seu histórico de atuação e confirmar se as informações compartilhadas nas redes sociais são verdadeiras. Em um cenário marcado pelo grande volume de conteúdos digitais, desconfiar de mensagens sem fonte confiável e consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral faz toda a diferença.

Também vale lembrar que votos brancos e nulos não são direcionados a nenhum candidato e não alteram o cálculo dos votos válidos utilizados para definir os eleitos. Por isso, participar de forma consciente significa escolher um candidato de acordo com suas convicções e acompanhar, depois da eleição, o trabalho dos representantes escolhidos.

A democracia não se fortalece apenas no dia da votação. Ela depende da participação permanente da sociedade, do respeito às instituições e do compromisso de cada cidadão com a informação de qualidade. Informar-se, comparar propostas e votar com responsabilidade são atitudes que ajudam a construir um país mais justo, transparente e representativo.

Para conferir o calendário completo, as regras atualizadas e outras informações oficiais sobre as Eleições 2026, consulte a página oficial das Eleições 2026 do TSE e o Calendário Eleitoral.

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