Segundo o secretário de Segurança Pública interino, Alexandre Patury, esse resultado está ligado a um conjunto de ações adotadas na segurança pública do DF. “Hoje temos mais policiais nas ruas, atuação diária nas regiões administrativas, trabalho direcionado no combate às manchas criminais, uso de ferramentas como o DF 360 e participação intensiva da comunidade por meio dos Conselhos Comunitários de Segurança. Existe todo um ecossistema que contribuiu para essa redução”, afirmou o chefe da pasta durante a assinatura da ordem de serviço para construção da nova Policlínica da Polícia Civil (PCDF), nesta sexta-feira (15).
Reportagens
O que há para comemorar?
Marcos Terena, a maior liderança brasileira da causa indígena, fala sobre as comemorações do Dia do Índio.
De filho pródigo em Mato Grosso do Sul à liderança internacional, Marcos Terena tornou-se um líder respeitado e o ponto de equilíbrio entre autoridades brancas e os povos indígenas. Índio, piloto e cacique, Marcos Terena foi fundador da União das Nações Indígenas – UNIND, primeiro movimento político da juventude indígena no Brasil, Articulador dos direitos dos Pajés e os Conhecimentos Tradicionais, Piloto de Aeronaves da FUNAI aposentado e Coordenador Internacional dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. Marcos Terena também é Guerreiro da Cultura: de 2007 a 2010, ele foi o Diretor do Museu do Índio, em Brasília.

Marcos Terena: “A pandemia do COVID’19 está ensinando ao mundo como a voz indígena e a Mãe Terra são importantes para a qualidade de vida, sempre respeitando a natureza.”
MARCOS TERENA – Entrevista
Folha do Meio – Há o que comemorar neste 19 de Abril, dedicado ao Dia do Índio?
Marcos Terena – Toda vez que chegamos na semana dos Povos Indígenas volta a tona aquela velha indagação: “Temos algo para comemorar o 19 de Abril?” Realmente, se considerarmos os últimos anos da questão indígena e o poder público nacional, nada temos para festejar. Mas eu sou da linhagem, agora que estou mais velho, dentro das tradições dos índios Terena, como um Xumono. Não se trata de um título cedido ou determinado, mas como um status natural. E assim, eu gosto de considerar o dia 19 de abril como um simbolismo criado pelo Governo Federal para fazer uma homenagem ao Índio Brasileiro, mas comemorar algo nunca tivemos.
FMA – Você acha que essa caminhada dura da luta pelas causas indigenistas pode ser desprezada?
Terena – De jeito nenhum. Mas temos que considerar os tempos atuais como uma pandemia sociocultural e de total desrespeito aos valores para com as mais de 300 sociedades indígenas existentes e mais de 220 línguas. Os Povos Indígenas são sociedades que morreram, mas não fugiram do inimigo invasor das terras. Não somos como “párias da sociedade nacional”. Veja que, inclusive, por meios legais como o Estatuto do Índio, somos considerados “relativamente incapazes”. Até o sistema educacional oficial nos coloca como gentes do passado, muitas vezes sem Deus e sem civilização organizada. Não podemos deixar de lado as demarcações territoriais que conquistamos ao longo dos últimos anos, que a sociedade maior ignora, onde estão concentradas as grandes reservas potáveis, a biodiversidade e os recursos minerais. Eu penso que nada pode ser menosprezado na caminhada indígena, pois ela não parou e deve prosseguir como aquilo que a ONU chama de Metas 2030.

Marcos Terena: “Temos que considerar os tempos atuais como uma pandemia sociocultural e de total desrespeito aos valores para com as mais de 300 sociedades indígenas existentes e mais de 220 línguas.
FMA – Como você vê a relação indígena diante do mundo atual, com tantas tecnologias disponíveis que favorecem as condições de vida?
Terena – Olha, se você olhar para o mundo moderno, o mundo da tecnologia e das fakenews, podemos perceber que a sociedade está perdida, desconectada em si mesma e dos valores humanos. Por consequência, avançando para um mundo de autômatos, seres inteligentes, preparados cientificamente, mas sem alma, sem força espiritual.
Nossas lideranças espirituais, aqueles indígenas que vivem em constante conexão com seus biomas é o mais importante valor de nossas vidas. Os saberes, as filosofias tradicionais não se podem traduzir em textos acadêmicos ou rodas de conversas, afinal, são doutrinas e princípios que só se aprendem dentro daquele habitat. Nós precisamos, como indígenas, mostrar isso como um bem comum.
FMA – E sobre o Dia do Índio em 19 de abril?
Terena – Tenho para mim que o Dia do Índio então passa a ter uma outra motivação: gerar uma nova consciência ecológica e compromissos com o meio ambiente. Mas, o sistema estatal, institucional não têm essa conexão. Parece fugir, ter medo de buscar, de desconsiderar, de menosprezar e de destruir os valores indígenas para aquilo que chamamos de bem comum. Temos que considerar os direitos coletivos e a reciprocidade na preservação ambiental. O ciclo continua. O mundo, a vida há que melhorar, afinal depois de nós virão nossos filhos e nossos netos.
FMA – A Funai ajuda?
Terena – Ajuda. Mas houve um tempo que nossa afirmação como cidadãos da selva passava necessariamente pela Funai (Fundação Nacional do Índio) pois era e continua sendo, deve-se salientar, como a única instituição a representar as questões indígenas na relação com ao Estado, nos governos estaduais e federal. Mas com o crescimento do acesso indígena a novas informações e novos conhecimentos, por exemplo, o acesso à universidade, fomos percebendo que se quiséssemos ser parte do Governo como gestores, tínhamos que nos educar e educar as pessoas que compõem o governo.
FMA – O que fazer com os recursos naturais, sobretudo minerais, existentes nas terras indígenas?
Terena – Essa talvez seja a discussão mais importante da atualidade. Os índios são riquíssimos em recursos naturais e pobres em condições de vida. Um dilema. Veja que até para plantar e colher na sua própria terra existe polêmica. Infelizmente, isso ainda está indefinido. Antes, qualquer pessoa podia assumir a Funai e fazer o que bem entendesse… Menos o Índio. Então avançamos para a garantia dos direitos. No cenário internacional conseguimos uma Declaração da ONU sobre os Direitos Indígenas e um Fórum Permanente sobre Questões Indígenas, mas infelizmente no Brasil, não conseguimos reproduzir essas conquistas.
FMA – Como preservar os saberes indígenas?
Terena – Este é um ponto importante. Claro que sempre existe esperança para novas vitórias indígenas no futuro, por exemplo, no ano de 2022, a ONU começa a chamada “Década Internacional das Línguas Indígenas”. O Brasil é um país megadiverso. A língua indígena não é apenas uma forma de falar, mas um código, uma forma de conduta que começa com as mulheres e seus filhos, suas terras e seus direitos a serem considerados bilingues e interculturais.
FMA – Sim, mas qual a recomendação?
Terena – Sim, minha recomendação para a juventude indígena é respeitar os anciãos, os mais velhos e aprender a escutá-los. O índio, e também o chamado homem branco, que não sabe escutar a voz dessas pessoas, nunca entenderá o valor dos saberes, dos conhecimentos tradicionais. Portanto, nunca saberão preservar ou contar esses valores às novas gerações. Muitos desses sábios estão indo embora como o Lucio Mamaindé, Tabata Kuikuro, Aritana Yawalapiti, Isarire Karajá, Laurita Krenak, que não são porta-vozes, mas fiéis detentores reais de suas ancestralidades.

Terena: “Minha recomendação para a juventude indígena é respeitar os anciãos, os mais velhos. Temos que aprender escutá-los. Muitos desses sábios, como Aritana Yawalapiti, estão indo embora”.
FMA – Qual provocação você deixa para essa Semana dos Povos Indígenas 2001?
Terena – Olha, tudo começa com uma reflexão sobre dois pontos importantes: demarcação das terras e como inserir a comunidade indígena nos benefícios e ganhos do mundo moderno. O Secretário Geral da ONU sempre faz uma reflexão que eu gosto muito, dizendo que as línguas são o veículo que utilizamos para comunicarmos e estão intimamente ligadas à nossa cultura, história e identidade. Quase metade dos 6.700 idiomas do mundo, na maioria indígenas, corre o risco de desaparecer. Cada idioma que desaparece representa uma perda de riqueza de conhecimento tradicional.
Vale celebrar o Dia do Índio, mas vale também refletir e levar em conta essas provocações.
Reportagens
Vladimir Sacchetta, jornalista e pesquisador, morre aos 75 anos
Dedicou-se a projetos da memória cultural e política brasileiras
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
Morreu nesta sexta-feira (15) o jornalista, produtor cultural, pesquisador e escritor Vladimir Sacchetta, aos 75 anos.

Sacchetta registrou as greves operárias do ABC, a memória do movimento operário e de revolucionários brasileiros, como Olga Benário. Colaborou em duas obras premiadas com o Jabuti: a obra póstuma de Florestan Fernandes e Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia, que escreveu em coautoria com Carmen Lúcia Azevedo e Márcia Camargos.
Sacchetta dedicou seus últimos anos a projetos de documentação e memória, como o Memorial da Democracia, do Instituto Lula; registros da Imprensa Alternativa, junto ao Instituto Vladimir Herzog, além de trabalhos sobre cultura brasileira.
“Vladimir Sacchetta dedicou sua trajetória à preservação da memória cultural e política brasileira, construindo um trabalho fundamental para o registro das lutas democráticas, da resistência à ditadura militar e da defesa intransigente da liberdade de expressão”, diz, em nota, o Instituto Vladimir Herzog.
Foi um dos fundadores da Sociedade dos Observadores de Saci, dedicada a valorização da cultura nacional. Também foi conselheiro do Centro de Documentação do Movimento Operário Mario Pedrosa (Cemap), no qual participou ativamente até poucos dias atrás.
“O Cemap perde um conselheiro brilhante; o Brasil perde um de seus maiores guardiões da memória”, diz o Cemap, em nota.
Sacchetta deixa dois filhos e neto.
O velório será realizado neste sábado (16) na Barra Funda, na capital paulista.
Reportagens
Brasília é a capital mais segura do país, com redução histórica do número de homicídios
Resultado considera a soma de homicídios e mortes a esclarecer no primeiro trimestre de 2026; índice coloca o Distrito Federal na primeira posição nacional em segurança relacionada a crimes letais
Por
Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Paulo Soares
O Distrito Federal alcançou a primeira colocação nacional nos indicadores de crimes letais no primeiro trimestre de 2026. O resultado considera a soma de homicídios e mortes a esclarecer por 100 mil habitantes, metodologia baseada em dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O levantamento colocou o DF na liderança tanto entre as unidades da Federação quanto entre as capitais brasileiras com a menor taxa do país.
Os dados mostram que, no primeiro trimestre deste ano, o DF registrou taxa de 5,58 mortes por 100 mil habitantes entre as unidades da federação. Santa Catarina aparece logo atrás, com 5,63. Entre as capitais, Brasília alcançou índice de 5,61 e liderou o ranking nacional, seguida por Curitiba (10,05) e Campo Grande (10,39).
Durante o evento, Patury explicou que o resultado não considera apenas os homicídios registrados. O levantamento também inclui os chamados casos de mortes a esclarecer — situações em que ainda não foi definida a causa da morte. “Temos 42 homicídios no DF e zero a esclarecer. Nós sabemos o nome e sobrenome de cada caso. Estávamos em segundo lugar, no primeiro trimestre agora de 2026, e agora alcançamos o primeiro lugar. Passamos Santa Catarina e Florianópolis”, destacou.
Mais segurança pública
A redução dos crimes letais acompanha outros indicadores positivos da segurança pública. Os roubos no transporte coletivo do DF caíram 52% em 2025. Ao longo do ano, foram registrados 111 casos, contra 230 em 2024.
Além disso, 15 regiões administrativas não tiveram nenhuma ocorrência, segundo dados do 2º Anuário de Segurança Pública do DF. Os números mostram o avanço das ações de segurança e das mudanças adotadas no sistema de transporte, que têm contribuído para reduzir os crimes e aumentar a segurança da população.
Reportagens
Comissão Geral debate transporte escolar no Distrito Federal
Iniciativa é da deputada Paula Belmonte, que apresentará diagnóstico sobre a área com foco em desafios, gestão e qualidade do serviço
Foto: Tony Winston / Agência Brasília
Por iniciativa da deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), a Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, nesta quinta-feira (14), às 15h, uma comissão geral para debater o transporte escolar no Distrito Federal. O encontro reunirá parlamentares, representantes do poder público, especialistas e a sociedade civil para apresentação e discussão de um diagnóstico técnico sobre o funcionamento do serviço no DF.
O estudo foi solicitado pelo gabinete da parlamentar e elaborado pela Consultoria Técnico-Legislativa da CLDF (Conofis). O relatório analisa o transporte escolar entre os anos de 2021 e 2025, abordando aspectos relacionados à qualidade dos veículos, organização das rotas, gestão do serviço e percepção de estudantes, familiares e profissionais envolvidos.
De acordo com o levantamento, foram identificados desafios que impactam diretamente o cotidiano dos estudantes, como atrasos, interrupções no atendimento, condições da frota e dificuldades de acesso, especialmente em regiões rurais. O diagnóstico também aponta entraves relacionados à utilização de processos predominantemente manuais e à ausência de padronização tecnológica entre as unidades escolares.
A análise destaca ainda que fatores como as condições das vias e a falta de infraestrutura adequada nos pontos de embarque podem comprometer a frequência escolar e o acesso dos alunos à educação. A comissão geral busca ampliar a participação social na discussão, reunindo gestores públicos, trabalhadores do setor, pais, estudantes e demais interessados na construção de propostas para o aperfeiçoamento da política pública.

Segundo a deputada Paula Belmonte, o debate é fundamental para garantir avanços no atendimento aos estudantes da rede pública. “Estamos falando de um serviço essencial, que garante o acesso e a permanência dos nossos estudantes na escola. Esse diagnóstico é um passo importante para corrigir falhas e avançar com responsabilidade”, afirmou a parlamentar.
Acompanhe:
-
Artigos3 meses agoFestival inédito de cultura coreana chega a Brasília com show internacional
-
Artigos3 meses agoDIA MUNDIAL DA ÁGUA HISTÓRICO DAS COMEMORAÇÕES
-
Reportagens3 meses agoExposição inédita de Tarsila do Amaral chega a Brasília no Centro Cultural TCU
-
Artigos4 meses agoDF investe R$ 9 milhões para levar produção cultural ao Brasil e ao exterior em 2026
-
Reportagens1 mês agoCLDF reajusta tabelas salariais de servidores do Detran-DF
-
Artigos3 meses agoO papel do brincar na regulação emocional das crianças
-
Reportagens4 meses agoLei de Incentivo ao Esporte: Comissão define calendário para 2026 e abre prazo para novos projetos
-
Artigos4 meses agoSetur-DF abre seleção para artesãos participarem do 21º Salão do Artesanato do Distrito Federal em 2026