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PANTANAL

CÉU, TERRA E ÁGUAS ABENÇOADAS

 

Pantanal: onde a vida acompanha o deslocar das águas e das estrelas que regem o fluxo da vida. (Foto: Jeferson Prado)

 

Depois de ajudar implantar a maior RPPN do Brasil (Reserva Particular do Patrimônio Natural) em Poconé, no Pantanal, onde está hoje o SESC Pantanal, Raimundo Bispo Ferreira Junior administra a Pousada Siá Mariana localizada na Baía de Siá Marina, em Barão de Melgaço, a 125 km de Cuiabá. Segundo ele, uma Pousada Boutique dentro de um antiquário. Ou vice-versa. Nascido em Rondonópolis MT, Junior – como é chamado – formou-se em Administração de empresas com ênfase no Turismo. Está na área desde 1994. Trabalhou por 20 anos no SESC Pantanal um dos maiores projetos de Turismo sustentável no Brasil. Para Junior, turismo é uma atividade apaixonante em vários aspectos: “Você conhece pessoas, culturas, histórias, e tem a oportunidade de trocar experiências com diversas pessoas, muitas vezes faz grandes amizades que ficam para a vida inteira. Mesmo a distância. Tem também a oportunidade de contribuir com a preservação do Planeta, de sua história, alavancar a valorização das pequenas comunidades, melhorando seu padrão de vida social”. Raimundo Junior foi o primeiro funcionário contratado do projeto SESC Pantanal e o primeiro gerente de um trabalho que plantou definitivamente o ecoturismo sustentável em Mato Grosso. Ninguém melhor do que Junior para falar sobre a maior planície alagável de água doce do Planeta.

 

Considerado pela UNESCO Patrimônio Natural da Humanidade e uma Reserva da Biosfera, o complexo do Pantanal brasileiro é o menor bioma nacional. Tem rara beleza, rica avifauna e possui 250 mil km² de extensão. Todo o complexo do Pantanal possui uma área de 624.320 km², aproximadamente 62% localizados no Brasil. Os outros 38% se estendem pela Bolívia (20%) e Paraguai (18%).

 

A ENTREVISTA

Raimundo Bispo Ferreira Junior

 

Folha do Meio – Por que o Pantanal?

Raimundo Bispo Ferreira Junior – Sempre amei o Pantanal. A mim, parece-me ser o último fragmento de um Paraíso Perdido neste tão conturbado mundo. Em uma lancha, desempenho meu trabalho percorrendo essas águas límpidas e profusas de vidas. Sob uma abóboda celestial na qual as mais vivas cores vão se alternando ao longo do dia, as águas se movem a lembrar que são a fonte e a condição de toda a vida planetária. A infinidade de aves em voo se repete na placidez das águas sob a forma de peixes. Árvores, ninfeias, peixes saltando, aves a pescá-los, tudo parece – parece não, é – uma incessante celebração à Vida.

 

FMA – Bela poesia. Mas fale deste lugar em poesia concreta.

Junior – Este lugar singular único no Planeta guarda segredos incontáveis de uma beleza sem igual. É um berçário de vida no mais amplo sentido, regido pelo subir e descer das águas durante as cheias e as secas. Na época das cheias a água flui pela planície, transportando a matéria orgânica que se decompõe, fertilizando os campos e, ao mesmo tempo, alimentando a ictiofauna. Essa é a base de uma imensurável cadeia alimentar que impulsiona este grande berçário da vida. Baias, corixos e charcos servem como refúgio para a reprodução de uma incalculável quantidade e diversidade de peixes, pássaros, repteis e plantas. A vida acompanha o deslocar das águas e das estrelas que regem o fluxo da vida.

 

FMA – Sim, planeta água. Mas, e a seca?

Junior – Na estação das secas, quando os animais passam a zelar pela planície, tem início o indescritível e profuso espetáculo da floradas, a paisagem é brindada com um imenso e colorido jardim. Por toda parte espoucam as florações dos ipês, cambarás, gonçaleiros (também conhecidos por aratanha, aroeira-do-campo, cubatã-vermelho, ubatã, guarabu, aroeira-vermelha e sete-cascas) tarumãs, jacarandás-mimosos e mais um sem-número de espécies. O mundo parece explodir em deslumbramento: samambaias, bromélias, orquídeas, maracujás, as plantas aquáticas como ninfeias e a vitória-régia, todas se unem para homenagear a beleza do firmamento e das luzes e cores celestiais.

 

  

O espetáculo das floradas do Pantanal: ipês e cambarás. Um jardim florestal.

 

FMA – Fale sobre o bioma Pantanal.

Junior – O Pantanal é o menor bioma brasileiro e a maior planície de inundação do mundo. E tido como uma das maiores planícies alagadas do mundo, abrange o Paraguai, a Bolívia e, no Brasil, os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Se, de todos os biomas brasileiros, é o menor em dimensão, ocupando apenas uma percentagem ínfima de nosso território, é o que abriga a segunda maior biodiversidade dentre todos os biomas brasileiros. Além de uma infinidade de formas de vida diminutas e ainda desconhecidas pela Ciência, ali foram identificadas e catalogadas mais de trinta mil diferentes espécies de insetos dos quais mais de mil são borboletas. Mais de duzentos peixes e de aves. Quase cem répteis, batráquios e algo mais de cem mamíferos. A flora tem cerca de três mil e quinhentas espécies conhecidas. Contudo, muito resta para se conhecer sobre espécies inferiores da flora e da fauna, como algas, musgos, selaginelas e líquens. Isso porque, além de suas características tão peculiares, a região do Pantanal inclui ainda recortes de outros quatro biomas brasileiros: a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica e um bioma que todos pensam ser exclusivo da Bolívia: o Grande Charco que, no entanto, abrange ainda porções territoriais da Argentina e do Paraguai.

 

O mapa das microrregiões do Pantanal.

 

 

FMA – Mas o Pantanal não é homogêneo, como muitos pensam…

Junior – Sim, é verdade. O Pantanal é um bioma, aparentemente único e homogêneo, mas é composto por onze microrregiões. Cada uma delas apresenta aspectos peculiares sob os pontos de vista cultural e natural. A microrregião de Barão de Melgaço, onde está a Pousada Siá Marina, situada no Alto Pantanal, reúne as áreas de maior concentração de aves e uma incomparável biodiversidade.

A revoada das aves do Pantanal sempre foi e será um dos maiores espetáculos da natureza na região.

 

 

FMA – Cite algumas microrregiões com suas características.

Junior – Sim, veja o caso específico da menor microrregião do Pantanal, que é o Abobral. O rio Abobral, que dá nome à microrregião, pode ser considerado mais um corixo. Menor que um rio. Ele chega até a secar, mas, inversamente, na época das cheias o único meio de acesso possível é através de navegação pelo rio que, de tão largo, fica difícil encontrar sua calha. O Abobral está numa região mais baixa, a primeira a ser totalmente inundada durante o período das cheias. Permanece metade do ano com seus campos alagados. Os pastos se assemelham mais a grandes lagoas nas quais as sedes das fazendas emergem como se fossem pequenas ilhas.

Também o Nabileque, por ser uma das primeiras feições pantaneiras a suportar as inundações, tão logo, em outubro, têm início a temporada chuvosa, já passa a ser objeto de preocupação.

 

 

O Pantanal é caracterizado pela alternância entre períodos de muita chuva, que acontecem de outubro a março, e períodos de seca nos meses de abril a setembro. Possui região plana, levemente ondulada, com alguns raros morros isolados e com muitas depressões rasas. As altitudes não ultrapassam 200 metros acima do nível do mar e a declividade é quase nula.

 

A microrregião Abobral constitui um pantanal belíssimo, com grande diversificação da fauna e flora e, por entender a importância ecológica do local, existe um interesse em se criar uma área de proteção ambiental/APA na unidade.

Fazenda São Bento, típica propriedade pantaneira, totalmente ilhada pelas águas durante a cheia. Foto: Daniel Marinho

 

 

 

FMA – E o Pantanal lá da região de Corumbá?

Junior – A região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, é uma das maiores. Ali está o Pantanal de Nhecolândia. A imensa diversidade paisagística e biológica é pontuada por baías, corixos e vazantes, entremeada por cordilheiras revestidas por formações vegetais. Distingue-se de todas as outras microrregiões por ser a única área do Pantana que apresenta um mosaico formado por lagoas salinas e de água doce.

O portal na rodovia Transpantaneira, em Poconé, onde está a entrada do Pantanal em Mato Grosso. Foto: Silvestre Gorgulho

 

 

FMA – Vamos falar sobre outros encantos do Pantanal. Evidente, que o mais conhecido são os encantos naturais. Mas você ajudou a criar a RPPN do Sesc, em Poconé. E quais os outros encantos do Pantanal?

Junior – Assunto bom de falar e de viver. De fato, o Pantanal não se distingue apenas por seus encantos naturais. Seu território é todo povoado por abundantes fatos históricos e por uma cultura e uma identidade singulares. Sua gastronomia é única, pelos recursos alimentícios exclusivos e pela influência de grupos étnicos autóctones. Sua importância na configuração do território brasileiro como hoje conhecemos é muito relevante, ainda que pouco divulgada. O que se tem como estado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul era um território espanhol até que, em meados de 1525, a expedição comandada por Pedro Aleixo Garcia em direção à Bolívia, veio consolidar as conquistas dos bandeirantes, pelo Tratado de Madrid em 1750. São muitas as figuras ilustres e os fatos históricos relevantes como Agusto Leverger e o Barão de Melgaço que se destacaram na defesa de Mato Grosso e dos limites territoriais do Brasil durante a Guerra do Paraguai. Ciclos econômicos como a extração do ouro e diamantes, contribuíram para a ocupação da região.

 

FMA – E a economia pantaneira, o agronegócio na região?

Junior – A economia pantaneira é muito importante para o País pela produção de charque e açúcar e pela implantação de usinas como a Usina de Itaici que foi, à época, a mais moderna da América do Sul, tendo chegado ao ponto de dispor até de moeda própria. A Usina de Itaici tinha por modo de produção a industrialização da cana-de-açúcar e foi o embrião de um processo de industrialização e de um modo de produção característico e novo para Mato Grosso. Está localizada à margem direita do rio Cuiabá.

 

O Prédio constitui-se de um sólido volume em três pisos tendo os fundos um alpendre onde se localiza o maquinário de limpeza e separação da matéria-prima. Em Itaici, o modelo de indústria construiu uma vila para abrigar os próprios operários, com igreja, escola, farmácia, padaria etc. um verdadeiro conjunto habitacional. O empreendimento de Totó Pais (Antônio Pais de Barros (1851 – 1906) foi um usineiro, coronel, político e presidente de Mato Grosso de 1903 a 1906) dispunha de tamanha estrutura social que chegou até criar uma banda de música que executava retretas, aos domingos, para entreter seus moradores. Em determinado período, a Usina de Itaici chegou a cunhar sua própria moeda que, com moldes provenientes da Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, passou a imprimi-la adaptando-se uma velha prensa de papel.

 

FMA – A Cultura espanhola teve muita influência na religiosidade e cultura da região.

Junior – Sim, a espanhola e a cultura indígena marcaram profundamente toda região. A religiosidade é um ponto marcante na formação do povo pantaneiro. Festas e comemorações são sempre precedidas de celebrações religiosas como a Dança dos Mascarados de Poconé, o Siriri, o Rasqueado e a Cavalhada, uma representação de origem medieval europeia, que encena a guerra entre mouros e cristãos.

Festas e comemorações são sempre precedidas de celebrações religiosas como a Dança dos Mascarados de Poconé, o Siriri, o Rasqueado e a Cavalhada.

 

 

A culinária tem até hoje forte influência indígena. Muito conhecido o peixe como ingrediente principal e, como pratos, Mugica de Pintado e o Pacu Assado.

 

 

PANTANAL, O REINO DAS ÁGUAS,

NÃO POSSUI MANANCIAIS

 

FMA – E como este paraíso convive com o progresso, com a falta de saneamento e com os incêndios florestais?

Junior – Agora chegou num ponto de grande preocupação. Nem tudo são flores neste paraíso. O equivocadamente denominado progresso tem trazido grandes ameaças ao bioma. O reino das águas, o Pantanal, não possui mananciais. Por incrível que pareça, todo as nascentes que o nutrem estão localizadas em territórios circundantes. O avanço do agronegócio predatório no entorno da planície Pantaneira e o emprego indiscriminado de agrotóxicos repercutem na qualidade da água que provém do planalto circundante. As lavouras, ao avançar nas áreas de preservação permanente, vêm aumentando significativamente o assoreamento de corpos hídricos como o Rio Miranda em Mato Grosso do Sul.

 

FMA – E o saneamento e o lixo?

Junior – Sim, todos estes problemas que citei e mais a falta de saneamento básico nos municípios a montante do Pantanal, vêm causando efeitos nefastos sobre a fauna e a flora aquática reduzindo significativamente os estoques pesqueiros. Um impacto não só ambiental, como econômico e social pois afeta a significativamente a geração de renda das populações ribeirinhas. O lixo é outro fator de degradação ambiental. Lixões a céu aberto têm ocasionado problemas como a poluição dos corpos hídricos, o aumento de mosquitos sugadores de sangue e transmissores de moléstias.

 

FMA – Tem a mesma força de destruição que os incêndios florestais?

Junior – Este é o ponto. O fator mais impactante no momento são os incêndios florestais, cada vez mais constantes e arrasadores. A falta de fiscalização e a impunidade dos infratores são um estímulo aos incêndios criminosos. Malgrado todo o aparato tecnológico hoje existente, como satélites, não há a mínima vontade política e nenhum planejamento sério por parte de todas as esferas do Poder Público, seja municipal, estadual ou, o que é mais grave, federal na solução do problema. É um eterno jogo de empurra-empurra. Uns se omitem, outros alegam não ser de sua competência, nenhum defende o banco de vida que é o Pantanal. Depois dos desastres ambientais terem se realizado, todos posam de salvadores da Pátria sob a alegação de que “isso não vai mais acontecer”.

 

FMA – Ainda há esperança?

Junior – Sempre há esperança. Tenho sempre comigo a esperança de vá ocorrer um milagre e que que algo vai mudar. Uma taboa de salvação está no turismo. O turismo sustentável pode ser uma boa alternativa para a mudança, por gerar empregos, aumentar a renda e criar ações não predatórias como fontes de renda. Desde que seja bem planejado, com prévia, séria e criteriosa avaliação de impactos, terá a capacidade de movimentar a economia das pequenas comunidades, valorizar e preservar uma natureza, uma cultura e uma história únicas e insubstituíveis.

 

 

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Os protagonistas de Brasília são homenageados no Prêmio JK

Evento do Correio Braziliense celebra talentos de várias áreas e eterniza o legado cultural de Guilherme Reis.

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Os vencedores da primeira edição do Prêmio JK, promovido pelo Correio Braziliense, serão anunciados amanhã. A premiação destaca personalidades que contribuem para o desenvolvimento da capital em áreas como esporte, direito e justiça, saúde e gestão pública. Na categoria In Memoriam, o homenageado é o ator, diretor, produtor e ex-secretário de Cultura Guilherme Reis, que morreu em setembro, aos 70 anos.

A cerimônia será realizada nesta terça-feira (9/12), às 19h, no auditório do Tribunal de Contas da União (TCU). Os premiados foram escolhidos por uma comissão formada por jornalistas do Correio, profissionais que acompanham de perto o cotidiano da cidade e identificam, com olhar crítico, quem realmente ajuda a construir Brasília.

Uma homenagem ao fundador da capital

O nome do prêmio celebra o legado do ex-presidente Juscelino Kubitschek, idealizador de Brasília e responsável por transformar em realidade o sonho da nova capital. Assim como JK fez o país olhar para o futuro, o Correio Braziliense também faz parte dessa história: ambos completaram 65 anos em abril. Em 2024, os Diários Associados comemoraram ainda o centenário do grupo criado por Assis Chateaubriand.

Movido por paixão e dedicação ao teatro

Homenageado na categoria In Memoriam, Guilherme Reis deixou uma marca profunda no cenário cultural do Distrito Federal. Diretor do Teatro Dulcina de Moraes, atuou tanto na vanguarda teatral quanto no desenvolvimento de eventos culturais que se tornaram referência para Brasília.

Sua esposa por 20 anos, Carmem Moretzsohn, 63, emociona-se ao recordar o companheiro:
“Generoso, afetuoso, com uma empatia rara e um humor inabalável.”
Ela lembra que Guilherme era movido por uma paixão incondicional pelo teatro e dominava todas as funções da cena.
“Se faltasse alguém, ele mesmo resolvia. Era ator, diretor, iluminador, cenógrafo, figurinista e, sobretudo, um grande produtor. Estar presente neste prêmio o deixaria profundamente feliz.”

Melina Sales dos Santos, 46, atriz e arte-educadora, casada com o filho de Guilherme, também guarda lembranças afetivas.
“Era um avô muito generoso para a Zilah, sempre presente com carinho, brincadeiras e memórias inesquecíveis. Somos muito gratos por essa convivência.”

Uma tradição que nasce

A primeira edição do Prêmio JK marca o início de uma nova tradição do Correio Braziliense, que pretende transformar o evento em parte fixa do calendário cultural e institucional do Distrito Federal — assim como outras iniciativas históricas do jornal.

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AS ÁRVORES LUNARES

As sementes que orbitaram a Lua são hoje árvores em Brasília e outras cidades. O plantio das mudas ocorreu há 45 anos e as arvores já estão na segunda geração.

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A Apollo 14, operada pelos astronautas Alan Shepard, Edgar Mitchell e Stuart Roosa, fez a terceira missão lunar da NASA. A nave espacial decolou no final da tarde de 31 de janeiro de 1971 e retornou em 9 de fevereiro.  A missão foi tão especial que rende frutos até hoje por um experimento científico inédito: a expedição levou para o espaço 500 sementes de árvores de várias espécies, que deram 14 voltas na lua. No retorno à Terra, as sementes foram plantadas, germinadas e renderam mudas que foram distribuídas nos Estados Unidos e em alguns países amigos. O objetivo era estudar a ação da microgravidade sobre as plantas. No Brasil, quatro cidades receberam mudas: Brasília, Rio de Janeiro e, no Rio Grande do Sul, Santa Rosa e Cambará do Sul.

 

Na volta à Terra, as sementes foram plantadas e germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Renderam 450 mudas. Como parte das comemorações do bicentenário dos Estados Unidos, as mudas foram distribuídas por vários locais, entre 1975 e 1976. Para a NASA, a árvore representa a ligação da cidade com a história da exploração espacial e a união entre ciência, meio ambiente e inovação.

No Brasil, segundo a Agência Espacial norte-americana, quatro localidades receberam mudas da Árvore da Lua:
1) Brasília, na sede do Ibama, onde existe um bosque, foi plantado um carvalho canadense ‘Liquidambar styraciflua’, conhecido popularmente como liquidâmbar), em 14 de dezembro de 1980.

2) Outra, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

3) No Parque de Exposições de Santa Rosa, noroeste do Rio Grande do Sul, foi plantada uma muda de plátano (Platanus occidentalis) como atração pela 5ª Feira Nacional da Soja em agosto de 1981. O evento foi celebrado para comemorar os 50 anos de Santa Rosa.

4) Outra sequoia foi plantada em Cambará do Sul, nos Campos de Cima da Serra, em 26 de setembro de 1982, na Praça Central São José.

Apollo 14: as árvores da lua e os cosmonautas Suart Roosa, Alan Shepard e Edgar Mitchel (foto: NASA)

 

A HISTÓRIA

O experimento científico foi realizado em conjunto entre o Serviço Florestal dos Estados Unidos e a NASA, com o objetivo de estudar a ação da microgravidade sobre as plantas. O Serviço Florestal dos EUA indicou Stuart Roosa para comandar o projeto e selecionou as sementes de cinco espécies para o experimento. Stuart Roosa levou as sementes em seu kit pessoal e ficou com ele enquanto orbitou a Lua.

As sementes que orbitaram o satélite natural da Terra durante o voo tripulado foram germinadas e plantadas em solo terrestre. O experimento recebeu o nome de árvores lunares ou árvores-da-lua, mas ficou claro que não houve germinação ou plantio na superfície lunar.

Na volta à Terra, as sementes germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Elas renderam 450 mudas.

Além de uma árvore plantada no jardim da Casa Branca, em Washington-DC, a maioria das mudas seguiu para capitais estaduais dos Estados Unidos, para instituições de pesquisas espaciais e, até onde se sabe, para alguns países amigos, como o Brasil, Inglaterra, Suíça e Japão.

 

 

BRASÍLIA – Há 45 anos, em 14 de dezembro de 1980, autoridades da Embaixada dos Estados Unidos, do  Ibama e do Ministério do Meio Ambiente plantaram a ‘Liquidambar styraciflua’, conhecida como Árvore da Lua.

 

Placa que lembra o plantio do carvalho canadense – liquidâmbar – em 14 de dezembro de 1980. (foto: Silvestre Gorgulho)

 

BRASÍLIA – A muda de um carvalho canadense – liquidâmbar  – é hoje uma árvore frondosa. Foto de Silvestre Gorgulho em 04 de novembro de 2025.

 

 

 

A ARVORE DA LUA EM SANTA ROSA-RS

A árvore lunar de Santa Rosa serve não apenas como um marco de curiosidade científica, mas também como um símbolo de esperança, perseverança e inovação, associando a cidade a uma parte da história da humanidade. Além disso, ela se tornou um ponto de interesse para moradores e visitantes que se fascinam com o legado da exploração espacial dos Estados Unidos e seu impacto no mundo inteiro.

 

Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, foi uma das cidades brasileiras agraciadas com uma dessas árvores lunares. A espécie plantada na cidade é um *plátano* (Platanus occidentalis), que é uma das cinco variedades levadas ao espaço. Essa árvore foi plantada em um local público, e sua presença simboliza a ligação de Santa Rosa com um evento histórico significativo: a exploração espacial.

 

Placa que lembra o plantio da Árvore da Lua, em Santa Rosa (RS)  em 13 de agosto de 1981, com a presença do presidente João Baptista Figueiredo.

 

A árvore lunar de Santa Rosa serve não apenas como um marco de curiosidade científica, mas também como um símbolo de esperança, perseverança e inovação, associando a cidade a uma parte da história da humanidade. Além disso, ela se tornou um ponto de interesse para moradores e visitantes que se fascinam com o legado da exploração espacial dos Estados Unidos e seu impacto no mundo inteiro.

 

A sequoia plantada em Cambará do Sul, em 1982, entre dois cambarás, na Praça São José, consta na lista da NASA.

 

 

SEGUNDA GERAÇÃO DA ÁRVORE DA LUA

Detalhe interessante é que uma segunda geração da sequoia lunar foi doada à Prefeitura de Caxias do Sul. Essa muda é derivada de árvore cultivada em Santa Rosa na década de 1980 e passou por um período de adaptação antes de ser plantada no Jardim Botânico Armando Alexandre Biazus, de Caxias do Sul-RS.

Segundo engenheiro agrônomo Ramon Sirtoli, da SEMMA, a muda com cerca de 30cm de altura foi obtida por meio do processo de multiplicação a partir da planta-mãe. “Antes de ir para o Jardim Botânico, a muda foi levada para o Horto Municipal, em Ana Rech, onde passou por um período de adaptação, em estufa, para ter condições favoráveis para o desenvolvimento ser mais rápido”.

 

FUNDAÇÃO MOON TREE

 

Natural de Durango, Colorado, o norte-americano Stuart Roosa nasceu em 16 de agosto de 1933. Ele trabalhou para o Serviço Florestal dos EUA no início dos anos 1950, combatendo incêndios e, mais tarde, juntou-se à Força Aérea dos EEUU e se tornou um piloto de teste. A Nasa selecionou Roosa para o curso de formação de astronauta de 1966. Ele começou a carreira na Nasa como integrante da equipe de apoio da Apollo 9. Após a missão em que ele levou as sementes à órbita da Lua, Roosa foi piloto reserva de comando das Apollos 16 e 17.

Hoje existe uma entidade, a Fundação Moon Tree, que é dirigida pela filha de Roosa, Rosemary, com o objetivo de mapear e plantar mais árvores da Lua em regiões ao redor do mundo. A fundação patrocina e realiza cerimônias para plantar novas árvores, com sementes produzidas pela geração original de árvores que cresceram a partir das sementes carregadas pelo seu pai Stuart Roosa.

 

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ADEUS Padre Zé

Estou longe do Brasil, mas com o coração apertado e bem próximo do meu amigo, meu professor e meu companheiro lá no Instituto Padre Machado, em Beagá: JOSÉ DE ARIMATHEA NEGREIROS.

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Aprendi muito com o Zé. Como padre e, depois de ter deixado a batina, como filósofo, cientista e pesquisador. De vez em quando releio seu livro “OH FELIX CULPA”, onde ele se desnuda para contar sua vida e sua história.
Estou muito triste com a despedida do padre Zé.
Quando ele rezou sua Primeira Missa nos Pintos Negreiros, eu tinha uns 16 anos e fui o orador da solenidade.
Zé de Arimathea Negreiros: você plantou sabedoria, plantou alegrias, plantou família, plantou benquerenças. Você ajudou muita gente a colher paz e amizades. Continue olhando por nós… AMÉM!
Fotos:
1) Padre Zé no piano, o David Sarkis no microfone, o José Luiz Noronha Cintra na guitarra e eu na bateria.
2) Quando o padre Zé rezou a primeira Missa lá nos Pintos Negreiros. Estou de óculos, logo atrás dele. Pode-se ver ainda o Bié Gorgulho, o Miguel da tia Glória, o Padre João Parreira e outros mais.
3) Em Beagá, quando o Seminário comprou uma Kombi para nossos passeios e serviços. Quem tirou a foto foi o Evaldo Negreiros.

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