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PANTANAL

CÉU, TERRA E ÁGUAS ABENÇOADAS

 

Pantanal: onde a vida acompanha o deslocar das águas e das estrelas que regem o fluxo da vida. (Foto: Jeferson Prado)

 

Depois de ajudar implantar a maior RPPN do Brasil (Reserva Particular do Patrimônio Natural) em Poconé, no Pantanal, onde está hoje o SESC Pantanal, Raimundo Bispo Ferreira Junior administra a Pousada Siá Mariana localizada na Baía de Siá Marina, em Barão de Melgaço, a 125 km de Cuiabá. Segundo ele, uma Pousada Boutique dentro de um antiquário. Ou vice-versa. Nascido em Rondonópolis MT, Junior – como é chamado – formou-se em Administração de empresas com ênfase no Turismo. Está na área desde 1994. Trabalhou por 20 anos no SESC Pantanal um dos maiores projetos de Turismo sustentável no Brasil. Para Junior, turismo é uma atividade apaixonante em vários aspectos: “Você conhece pessoas, culturas, histórias, e tem a oportunidade de trocar experiências com diversas pessoas, muitas vezes faz grandes amizades que ficam para a vida inteira. Mesmo a distância. Tem também a oportunidade de contribuir com a preservação do Planeta, de sua história, alavancar a valorização das pequenas comunidades, melhorando seu padrão de vida social”. Raimundo Junior foi o primeiro funcionário contratado do projeto SESC Pantanal e o primeiro gerente de um trabalho que plantou definitivamente o ecoturismo sustentável em Mato Grosso. Ninguém melhor do que Junior para falar sobre a maior planície alagável de água doce do Planeta.

 

Considerado pela UNESCO Patrimônio Natural da Humanidade e uma Reserva da Biosfera, o complexo do Pantanal brasileiro é o menor bioma nacional. Tem rara beleza, rica avifauna e possui 250 mil km² de extensão. Todo o complexo do Pantanal possui uma área de 624.320 km², aproximadamente 62% localizados no Brasil. Os outros 38% se estendem pela Bolívia (20%) e Paraguai (18%).

 

A ENTREVISTA

Raimundo Bispo Ferreira Junior

 

Folha do Meio – Por que o Pantanal?

Raimundo Bispo Ferreira Junior – Sempre amei o Pantanal. A mim, parece-me ser o último fragmento de um Paraíso Perdido neste tão conturbado mundo. Em uma lancha, desempenho meu trabalho percorrendo essas águas límpidas e profusas de vidas. Sob uma abóboda celestial na qual as mais vivas cores vão se alternando ao longo do dia, as águas se movem a lembrar que são a fonte e a condição de toda a vida planetária. A infinidade de aves em voo se repete na placidez das águas sob a forma de peixes. Árvores, ninfeias, peixes saltando, aves a pescá-los, tudo parece – parece não, é – uma incessante celebração à Vida.

 

FMA – Bela poesia. Mas fale deste lugar em poesia concreta.

Junior – Este lugar singular único no Planeta guarda segredos incontáveis de uma beleza sem igual. É um berçário de vida no mais amplo sentido, regido pelo subir e descer das águas durante as cheias e as secas. Na época das cheias a água flui pela planície, transportando a matéria orgânica que se decompõe, fertilizando os campos e, ao mesmo tempo, alimentando a ictiofauna. Essa é a base de uma imensurável cadeia alimentar que impulsiona este grande berçário da vida. Baias, corixos e charcos servem como refúgio para a reprodução de uma incalculável quantidade e diversidade de peixes, pássaros, repteis e plantas. A vida acompanha o deslocar das águas e das estrelas que regem o fluxo da vida.

 

FMA – Sim, planeta água. Mas, e a seca?

Junior – Na estação das secas, quando os animais passam a zelar pela planície, tem início o indescritível e profuso espetáculo da floradas, a paisagem é brindada com um imenso e colorido jardim. Por toda parte espoucam as florações dos ipês, cambarás, gonçaleiros (também conhecidos por aratanha, aroeira-do-campo, cubatã-vermelho, ubatã, guarabu, aroeira-vermelha e sete-cascas) tarumãs, jacarandás-mimosos e mais um sem-número de espécies. O mundo parece explodir em deslumbramento: samambaias, bromélias, orquídeas, maracujás, as plantas aquáticas como ninfeias e a vitória-régia, todas se unem para homenagear a beleza do firmamento e das luzes e cores celestiais.

 

  

O espetáculo das floradas do Pantanal: ipês e cambarás. Um jardim florestal.

 

FMA – Fale sobre o bioma Pantanal.

Junior – O Pantanal é o menor bioma brasileiro e a maior planície de inundação do mundo. E tido como uma das maiores planícies alagadas do mundo, abrange o Paraguai, a Bolívia e, no Brasil, os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Se, de todos os biomas brasileiros, é o menor em dimensão, ocupando apenas uma percentagem ínfima de nosso território, é o que abriga a segunda maior biodiversidade dentre todos os biomas brasileiros. Além de uma infinidade de formas de vida diminutas e ainda desconhecidas pela Ciência, ali foram identificadas e catalogadas mais de trinta mil diferentes espécies de insetos dos quais mais de mil são borboletas. Mais de duzentos peixes e de aves. Quase cem répteis, batráquios e algo mais de cem mamíferos. A flora tem cerca de três mil e quinhentas espécies conhecidas. Contudo, muito resta para se conhecer sobre espécies inferiores da flora e da fauna, como algas, musgos, selaginelas e líquens. Isso porque, além de suas características tão peculiares, a região do Pantanal inclui ainda recortes de outros quatro biomas brasileiros: a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica e um bioma que todos pensam ser exclusivo da Bolívia: o Grande Charco que, no entanto, abrange ainda porções territoriais da Argentina e do Paraguai.

 

O mapa das microrregiões do Pantanal.

 

 

FMA – Mas o Pantanal não é homogêneo, como muitos pensam…

Junior – Sim, é verdade. O Pantanal é um bioma, aparentemente único e homogêneo, mas é composto por onze microrregiões. Cada uma delas apresenta aspectos peculiares sob os pontos de vista cultural e natural. A microrregião de Barão de Melgaço, onde está a Pousada Siá Marina, situada no Alto Pantanal, reúne as áreas de maior concentração de aves e uma incomparável biodiversidade.

A revoada das aves do Pantanal sempre foi e será um dos maiores espetáculos da natureza na região.

 

 

FMA – Cite algumas microrregiões com suas características.

Junior – Sim, veja o caso específico da menor microrregião do Pantanal, que é o Abobral. O rio Abobral, que dá nome à microrregião, pode ser considerado mais um corixo. Menor que um rio. Ele chega até a secar, mas, inversamente, na época das cheias o único meio de acesso possível é através de navegação pelo rio que, de tão largo, fica difícil encontrar sua calha. O Abobral está numa região mais baixa, a primeira a ser totalmente inundada durante o período das cheias. Permanece metade do ano com seus campos alagados. Os pastos se assemelham mais a grandes lagoas nas quais as sedes das fazendas emergem como se fossem pequenas ilhas.

Também o Nabileque, por ser uma das primeiras feições pantaneiras a suportar as inundações, tão logo, em outubro, têm início a temporada chuvosa, já passa a ser objeto de preocupação.

 

 

O Pantanal é caracterizado pela alternância entre períodos de muita chuva, que acontecem de outubro a março, e períodos de seca nos meses de abril a setembro. Possui região plana, levemente ondulada, com alguns raros morros isolados e com muitas depressões rasas. As altitudes não ultrapassam 200 metros acima do nível do mar e a declividade é quase nula.

 

A microrregião Abobral constitui um pantanal belíssimo, com grande diversificação da fauna e flora e, por entender a importância ecológica do local, existe um interesse em se criar uma área de proteção ambiental/APA na unidade.

Fazenda São Bento, típica propriedade pantaneira, totalmente ilhada pelas águas durante a cheia. Foto: Daniel Marinho

 

 

 

FMA – E o Pantanal lá da região de Corumbá?

Junior – A região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, é uma das maiores. Ali está o Pantanal de Nhecolândia. A imensa diversidade paisagística e biológica é pontuada por baías, corixos e vazantes, entremeada por cordilheiras revestidas por formações vegetais. Distingue-se de todas as outras microrregiões por ser a única área do Pantana que apresenta um mosaico formado por lagoas salinas e de água doce.

O portal na rodovia Transpantaneira, em Poconé, onde está a entrada do Pantanal em Mato Grosso. Foto: Silvestre Gorgulho

 

 

FMA – Vamos falar sobre outros encantos do Pantanal. Evidente, que o mais conhecido são os encantos naturais. Mas você ajudou a criar a RPPN do Sesc, em Poconé. E quais os outros encantos do Pantanal?

Junior – Assunto bom de falar e de viver. De fato, o Pantanal não se distingue apenas por seus encantos naturais. Seu território é todo povoado por abundantes fatos históricos e por uma cultura e uma identidade singulares. Sua gastronomia é única, pelos recursos alimentícios exclusivos e pela influência de grupos étnicos autóctones. Sua importância na configuração do território brasileiro como hoje conhecemos é muito relevante, ainda que pouco divulgada. O que se tem como estado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul era um território espanhol até que, em meados de 1525, a expedição comandada por Pedro Aleixo Garcia em direção à Bolívia, veio consolidar as conquistas dos bandeirantes, pelo Tratado de Madrid em 1750. São muitas as figuras ilustres e os fatos históricos relevantes como Agusto Leverger e o Barão de Melgaço que se destacaram na defesa de Mato Grosso e dos limites territoriais do Brasil durante a Guerra do Paraguai. Ciclos econômicos como a extração do ouro e diamantes, contribuíram para a ocupação da região.

 

FMA – E a economia pantaneira, o agronegócio na região?

Junior – A economia pantaneira é muito importante para o País pela produção de charque e açúcar e pela implantação de usinas como a Usina de Itaici que foi, à época, a mais moderna da América do Sul, tendo chegado ao ponto de dispor até de moeda própria. A Usina de Itaici tinha por modo de produção a industrialização da cana-de-açúcar e foi o embrião de um processo de industrialização e de um modo de produção característico e novo para Mato Grosso. Está localizada à margem direita do rio Cuiabá.

 

O Prédio constitui-se de um sólido volume em três pisos tendo os fundos um alpendre onde se localiza o maquinário de limpeza e separação da matéria-prima. Em Itaici, o modelo de indústria construiu uma vila para abrigar os próprios operários, com igreja, escola, farmácia, padaria etc. um verdadeiro conjunto habitacional. O empreendimento de Totó Pais (Antônio Pais de Barros (1851 – 1906) foi um usineiro, coronel, político e presidente de Mato Grosso de 1903 a 1906) dispunha de tamanha estrutura social que chegou até criar uma banda de música que executava retretas, aos domingos, para entreter seus moradores. Em determinado período, a Usina de Itaici chegou a cunhar sua própria moeda que, com moldes provenientes da Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, passou a imprimi-la adaptando-se uma velha prensa de papel.

 

FMA – A Cultura espanhola teve muita influência na religiosidade e cultura da região.

Junior – Sim, a espanhola e a cultura indígena marcaram profundamente toda região. A religiosidade é um ponto marcante na formação do povo pantaneiro. Festas e comemorações são sempre precedidas de celebrações religiosas como a Dança dos Mascarados de Poconé, o Siriri, o Rasqueado e a Cavalhada, uma representação de origem medieval europeia, que encena a guerra entre mouros e cristãos.

Festas e comemorações são sempre precedidas de celebrações religiosas como a Dança dos Mascarados de Poconé, o Siriri, o Rasqueado e a Cavalhada.

 

 

A culinária tem até hoje forte influência indígena. Muito conhecido o peixe como ingrediente principal e, como pratos, Mugica de Pintado e o Pacu Assado.

 

 

PANTANAL, O REINO DAS ÁGUAS,

NÃO POSSUI MANANCIAIS

 

FMA – E como este paraíso convive com o progresso, com a falta de saneamento e com os incêndios florestais?

Junior – Agora chegou num ponto de grande preocupação. Nem tudo são flores neste paraíso. O equivocadamente denominado progresso tem trazido grandes ameaças ao bioma. O reino das águas, o Pantanal, não possui mananciais. Por incrível que pareça, todo as nascentes que o nutrem estão localizadas em territórios circundantes. O avanço do agronegócio predatório no entorno da planície Pantaneira e o emprego indiscriminado de agrotóxicos repercutem na qualidade da água que provém do planalto circundante. As lavouras, ao avançar nas áreas de preservação permanente, vêm aumentando significativamente o assoreamento de corpos hídricos como o Rio Miranda em Mato Grosso do Sul.

 

FMA – E o saneamento e o lixo?

Junior – Sim, todos estes problemas que citei e mais a falta de saneamento básico nos municípios a montante do Pantanal, vêm causando efeitos nefastos sobre a fauna e a flora aquática reduzindo significativamente os estoques pesqueiros. Um impacto não só ambiental, como econômico e social pois afeta a significativamente a geração de renda das populações ribeirinhas. O lixo é outro fator de degradação ambiental. Lixões a céu aberto têm ocasionado problemas como a poluição dos corpos hídricos, o aumento de mosquitos sugadores de sangue e transmissores de moléstias.

 

FMA – Tem a mesma força de destruição que os incêndios florestais?

Junior – Este é o ponto. O fator mais impactante no momento são os incêndios florestais, cada vez mais constantes e arrasadores. A falta de fiscalização e a impunidade dos infratores são um estímulo aos incêndios criminosos. Malgrado todo o aparato tecnológico hoje existente, como satélites, não há a mínima vontade política e nenhum planejamento sério por parte de todas as esferas do Poder Público, seja municipal, estadual ou, o que é mais grave, federal na solução do problema. É um eterno jogo de empurra-empurra. Uns se omitem, outros alegam não ser de sua competência, nenhum defende o banco de vida que é o Pantanal. Depois dos desastres ambientais terem se realizado, todos posam de salvadores da Pátria sob a alegação de que “isso não vai mais acontecer”.

 

FMA – Ainda há esperança?

Junior – Sempre há esperança. Tenho sempre comigo a esperança de vá ocorrer um milagre e que que algo vai mudar. Uma taboa de salvação está no turismo. O turismo sustentável pode ser uma boa alternativa para a mudança, por gerar empregos, aumentar a renda e criar ações não predatórias como fontes de renda. Desde que seja bem planejado, com prévia, séria e criteriosa avaliação de impactos, terá a capacidade de movimentar a economia das pequenas comunidades, valorizar e preservar uma natureza, uma cultura e uma história únicas e insubstituíveis.

 

 

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A promessa que originou a Igreja Nossa Senhora de Fátima

A Igrejinha, como é conhecida, é patrimônio tombado e um ponto de encontro entre turismo, fé e beleza na capital

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Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Igor Silveira

 

Completando 66 anos em 2024, a Igreja Nossa Senhora de Fátima foi o primeiro templo religioso construído em Brasília. A paróquia surgiu a partir de uma promessa da família Kubitschek, tendo sido erguida em apenas 100 dias para atender a um importante casamento na cidade.

A Igrejinha foi inaugurada em 28 de junho de 1958 | Fotos: Divulgação/Arquivo Público de Brasília

Conhecida popularmente como Igrejinha da 308 Sul – ou só Igrejinha -, a capela foi projetada por Oscar Niemeyer, e a arquitetura, composta por três pilares que sustentam uma laje, faz referência aos antigos chapéus usados por freiras.

Agência Brasília transporta você a um dos espaços mais emblemáticos da capital, relembrando a história da Igreja Nossa Senhora de Fátima em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que utiliza a sigla em inglês de Throwback Thursday (em tradução livre, “quinta-feira de retrocesso”), para relembrar fatos marcantes da nossa cidade.

Construção de uma promessa

Os registros históricos nos livros da paróquia revelam que o projeto foi feito a pedido da primeira-dama Sarah Kubitschek, como agradecimento pela cura da filha, Márcia, que sofria de um problema na coluna.

O projeto de Oscar Niemeyer é inspirado nos chapéus usados por freiras

A sugestão da promessa foi dada pelo presidente de Portugal, Craveiro Lopes, que estava no Brasil na época e, ao saber da situação, relembrou à esposa de Juscelino Kubitschek a história das aparições de Nossa Senhora de Fátima.

O primeiro casamento

Inicialmente, a construção seria um grande santuário onde atualmente se encontram as superquadras 307/308 Sul. Mas os planos mudaram após a necessidade de uma igreja para a cerimônia de casamento da filha do presidente da Novacap, Israel Pinheiro, que era o engenheiro responsável pela administração das obras na construção da nova capital.

Logo, o plano original da família Kubitschek foi substituído com urgência pelo projeto de uma capela mais simples, que é a atual Igreja Nossa Senhora de Fátima. Em 100 dias, a paróquia foi inaugurada, antes mesmo de Brasília, em 28 de junho de 1958. O casal Maria Regina Uchoa Pinheiro e Hindemburgo Pereira Diniz selou lá a união matrimonial e teve como padrinho o jornalista e embaixador Assis Chateaubriand.

O primeiro casamento no local foi o da filha do então presidente da Novacap, Israel Pinheiro

Passados 58 anos do primeiro casamento realizado em suas dependências, a pequena capela continua com as celebrações de matrimônio, marcando a vida de centenas de casais – como os brasilienses Larissa Sudbrack e Paulo Cavalcante, que se casaram na Igrejinha da 308 Sul em 2016.

A arquiteta de 36 anos conta que começou a frequentar o espaço há dez anos, após uma promessa, tornando natural a escolha do local para a cerimônia com o marido. Católica e moradora da 108 Sul, ela conta que, além da proximidade da igreja com seu apartamento e a promessa de ir à missa todos os domingos durante seis meses, o nome de sua mãe de Larissa é Fátima – o que deixou, ao seu ver, tudo apontado para a escolha da capela. Mais um sinal viria a seguir: quando o casal ia fazer dez anos de namoro, Larissa comprou um quadro com azulejos de Athos Bulcão e, no mesmo ano, Paulo a pediu em casamento.

“Para mim, a Igrejinha é o desenho por metro quadrado mais especial da cidade, cheio de significado. Tem uma ligação com a natureza e é bem aberta, uma experiência muito rica do espaço”, comenta Larissa. Ela recorda que também escolheu o local para o batizado dos dois filhos pequenos. “É um local de apoio religioso perto de casa; a gente pode fazer uma rápida oração, e me sinto bem quando estou ali, acolhida e protegida”, acrescenta a arquiteta.

Os azulejos de Athos Bulcão são marca registrada da Igrejinha

Patrimônio histórico

O templo católico comporta até 40 pessoas e foi tombado pela Unesco como patrimônio cultural e histórico nacional, entrando no Conjunto Urbanístico de Brasília inscrito no Livro do Tombo Histórico em 14 de março de 1990. O local também é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2007, como parte do conjunto das obras de Oscar Niemeyer, em homenagem ao centenário do arquiteto.

A parte externa da parede é revestida por azulejos de Athos Bulcão que simbolizam a descida do Espírito Santo e a Estrela da Natividade. Já no seu interior, o monumento apresenta pinturas de Francisco Galeno, aluno de Alfredo Volpi, artista italiano responsável pela primeira obra artística da igreja.

O templo católico comporta até 40 pessoas e foi tombado pela Unesco como patrimônio cultural e histórico nacional, entrando no Conjunto Urbanístico de Brasília inscrito no Livro do Tombo Histórico em 14 de março de 1990 | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília

Segundo informações da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, a primeira pintura feita por Volpi no interior da igreja apresentava afrescos com bandeirolas e anjos que remetiam a uma quermesse e às festas juninas.

As pinturas modernistas causaram estranhamento em alguns paroquianos, que se queixaram da personalização artística e apontaram “falta de religiosidade” na obra. Dessa forma, a arte chegou a ser coberta de tinta azul quatro anos após a inauguração, mas foi restaurada por Francisco Galeno entre janeiro e junho de 2009. A inspiração festiva em Volpi foi mantida, mas de uma forma mais discreta.

Além de prefeito da 308 Sul, Matheus Seco é arquiteto e evidencia as características arquitetônicas da quadra modelo e da Igrejinha, ressaltando que é o local mais fiel ao projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer.

O interior do monumento também conta com obras de arte

“As quadras fazem parte de um conceito de rede, não são quadras isoladas, elas se complementam e apresentam o ápice do projeto arquitetônico brasileiro de Niemeyer. A obra é formalmente simples, mas muito forte, com influências do barroco mineiro, detalhes sutis de sombras, encontro das colunas e uma sofisticação de desenho muito bonitos”, observa.

Entre os pontos destacados pelo arquiteto, ele aponta a maneira com que a construção aproveita a ventilação e a iluminação natural e como a recomposição das pinturas foi feita preservando o patrimônio moderno.

Um local de fé

À frente da paróquia há quatro anos, o frei Reinaldo do Santos Pereira destaca que, apesar do movimento maior ser religioso, a Igrejinha atrai pessoas com interesse além da fé, voltadas para a história do patrimônio e a arquitetura.

“É importante mostrar e valorizar aquilo que é nosso. A Igrejinha é pequena, mas acolhe todo mundo. As pessoas que vêm aqui passam pela praça e se sentem acolhidas pelo tamanho e pela singeleza do espaço”, observa o pároco. Segundo ele, os candangos já faziam da igreja, ainda em construção, um lugar de prece e pedidos de milagres.

“O espaço faz parte do nosso turismo religioso, além de ser um cartão-postal da cidade. A Igrejinha enaltece a memória de quem ajudou a construir a nossa capital e contribuiu para a história de fé de muitos moradores”, reforça o administrador do Plano Piloto, Valdemar Medeiros.

A empregada doméstica Edileusa Bezerra da Silva, 57, trabalha ao lado da Igrejinha e vai ao templo todos os dias para rezar. Ela conta que é devota de Nossa Senhora de Fátima e que encontrar um espaço tão pertinho de onde passa a maior parte do tempo foi um conforto. “É muito importante para mim, traz ânimo no dia a dia e me dá muita força”, observa.

As missas da Igreja Nossa Senhora de Fátima são celebradas toda segunda-feira às 18h30, e, de terça a sábado, às 6h30 e às 18h30. Aos domingos, as celebrações são as 7h, 9h, 11h, 18h e 19h30. Em 1º de maio começa a conhecida quermesse da igrejinha da 308 Sul, que engloba três dias de festa, com barracas de comida e outras atividades.

 

 

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Projeto trabalha a autoestima de mulheres em Planaltina

Com foco no público feminino na faixa dos 60 anos, iniciativa oferece neste fim de semana oficinas de maquiagem, fotografia, palestras

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Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Débora Cronemberger

 

Buscando trabalhar a autoestima e a autoconfiança de mulheres da região de Planaltina, este sábado (17) marcou o início de uma das etapas do projeto Mulher Nota 10, com oficinas de maquiagem, fotografia, palestras e apresentações culturais. O evento gratuito é realizado pelo Instituto LumiArt em parceria com Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec).

A programação ocorre no Estacionamento de Múltiplas Funções de Planaltina e se estende até este domingo (18), ocorrendo entre 13h e 18h. A programação inclui conversas sobre a saúde mental das mulheres e uma homenagem a dez moradoras idosas de Planaltina.

Ação em Planaltina inclui exposição de artesanato e oficinas de maquiagem e fotografia, por exemplo | Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

De acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa, Cláudio Abrantes, o projeto é focado nas mulheres com mais de 60 anos e apoia artistas e artesãs locais. Ele ressalta que há a possibilidade do programa avançar para outras cidades. “É um projeto muito interessante, porque em tempos de violência contra a mulher, que a gente tem que combater com muita força, é extremamente importante fazer com que a mulher se sinta empoderada e digna, trabalhando a força e a criatividade”, pontua.

“Planaltina é um celeiro de cultura, é a cidade mais antiga do Distrito Federal. Aqui temos mulheres extremamente importantes na construção da cidade que abrigou a ideia da nova capital. Então o começo por Planaltina é porque Brasília também começou por aqui”, acrescentou o secretário.

Um espaço para elas

A coordenadora do projeto, Cleuza Brandão, falou das etapas que fazem parte do projeto, como a seleção das mulheres e o ensaio fotográfico. Para tirar as fotos, as participantes passaram por um dia de beleza. As imagens são expostas junto a homenagens. Cleuza frisa a importância desse processo para a redescoberta da beleza feminina, independente da idade.

“Acho que o legal do projeto é que ele coloca a mulher madura em foco, então foi gostoso e desafiante, porque mexe com a timidez e a insegurança, mas ao final é muito bom”, diz Muna Ahmab Yousef, uma das participantes do ensaio fotográfico

“A gente trabalhou essas maquiagens sem um espelho na frente. Quando elas se olharam, a maioria chorou na frente do espelho, foi uma emoção muito grande. Algumas disseram que não sabiam que eram tão bonitas, saíram dali se sentindo valorizadas”, recorda.

A professora Muna Ahmab Yousef, 59, foi uma das fotografadas no projeto. Ela destaca a importância de repensar a idade em uma sociedade imersa na era da estética e da imagem. “Foi superpositivo, porque estou em um momento da minha vida que percebo o tanto que a sociedade é etarista, o tanto que é exigido de nós mulheres desde sempre. Participar do Mulher Nota Dez foi bem bacana, porque ninguém é novo eternamente, todo mundo vai ficar velho se tiver sorte. Acho que o legal do projeto é que ele coloca a mulher madura em foco, então foi gostoso e desafiante, porque mexe com a timidez e a insegurança, mas ao final é muito bom”, ressalta.

Quem reforça os desafios de enfrentar o etarismo na sociedade é a DJ Nilma Maria Silva Costa, 52, conhecida como DJ Nilma Naiz. No ramo da música há cerca de seis anos, Nilma sempre gostou de estar nesse meio, frequentando bailes desde os anos 1980. Mas, por viver em um relacionamento que a limitava a ficar em casa, nunca conseguiu explorar esse lado. Ela conta que tem conseguido conquistar cada vez mais espaço.

“A discotecagem é uma coisa muito masculinizada, então tem pouco tempo que a mulher veio e está entrando aos pouquinhos, conquistando respeito. Esses eventos voltados para a mulher são de uma ajuda gigante, pois mostram que somos capazes. É muito importante ter esses espaços para podermos mostrar o trabalho da gente e sermos reconhecidas”, observa.

 

 

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CONCEITO E HISTÓRIA

Origem, exigências e prática: quem se importa, vence!

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As siglas são constantes na vida moderna. Elas são formadas pelas letras iniciais de outras palavras e não precisam ser lidas letra a letra. Se viram uma palavra, podem ser chamadas de acrônimo. Está no vocabulário da modernidade. Exemplo de acrônimo: Unesco, ONU, ESG, Pnuma e USP. Já CBF, FGTS e CLT são apenas siglas. A sigla ESG, no Brasil tem dois significados. Pode ser ESG – Escola Superior de Guerra e, agora, é muito mais usada para identificar políticas de meio-ambiente, responsabilidade social e governança. ESG, como muitas outras siglas, vem do inglês: Environmental, Social and Governance. Cada vez mais conhecido dentro dos círculos especializados, o conceito de ESG reúne as políticas de meio ambiente, responsabilidade social e governança, que será cada vez mais cobrado das empresas.

 

A sigla ESG surgiu em 2004, em uma publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, chamada WHO CARES WINS, que pode ser traduzido em “QUEM SE IMPORTA VENCE”.

Os critérios ESG estão totalmente relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pelo Pacto Global, iniciativa mundial que envolve a ONU e várias entidades internacionais.

Para os técnicos, ESG significa uma tomada de decisão. Uma atitude para transformar o negócio mais inclusivo, ético e ambientalmente sustentável, que garanta a qualidade de vida para todos. E o sucesso dessa jornada de transformação vai depender da habilidade das empresas em desenvolver e implementar práticas de negócios que alinhem lucro, propósito e transparência.

 

HISTÓRIA DO ENVIRONMENTAL,

SOCIAL AND GOVERNANCE

Há muito tempo, pesquisadores, filósofos e gestores públicos pensam e estudam sobre danos ambientais ou os males que certas ações e produtos causam a sociedade e ao Planeta.  A criação da rede interdisciplinar do Clube de Roma, em 1968, e seu relatório inaugural (The Limits to Growth, 1972) foi um passo fundamental para mudar o paradigma das atividades econômicas que sempre interagem com o mundo natural por três formas: 1) na produção com o uso de recursos naturais. 2) na transformação ou industrialização pelo uso de energia e descartes de rejeitos. 3) No consumo e uso dos produtos pela população.

Outro divisor de águas foi 1972. Entre os dias 5 a 16 de junho, ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano em Estocolmo, quando se reuniram 113 países que firmaram um compromisso: “O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres, bem assim o seu habitat, que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos”.

Na década de 1990, veio o marco contábil. As empresas deveriam levar em conta seu desempenho social e ambiental, além de seus resultados financeiros. Ou seja, investidores deveriam levar em consideração também os custos ambientais e sociais. Surgiu então o primeiro índice de ações “socialmente responsável”, o índice Domini 400 Social, e o “triple bottom” (também conhecida como TBL e 3BL) ou “pessoas, planeta e lucros”.

 

LEGITIMAÇÃO DA ESG

A oficialização do ESG começou em 2004. Tudo começou com 63 signatários, supervisionando US$ 6,5 trilhões em ativos. Até 2020, este volume cresceu para mais de 3 mil signatários, com mais de 100 trilhões de dólares em ativos. A meta da ONU é alcançar os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e criar oportunidades no valor estimado de US$ 12 trilhões até 2030.

 

LETRAS MÁGICAS PARA O FUTURO

Environmental, Social and Governance é traduzido em português como Meio Ambiente, Social e Governança. E pode ser melhor explicado assim:

 

E – A letra E, da sigla, representa o impacto que uma empresa causa no ambiente natural. Isso inclui questões como poluição (emissões de carbono, produtos químicos e metais tóxicos, embalagens e outros resíduos), o uso de recursos naturais (água, terra, árvores) e as consequências para a biodiversidade (a variedade de vida na Terra), bem como tenta minimizar a nossa pegada ambiental (eficiência energética, agricultura sustentável, edifícios verdes).

 

S – A letra S, de responsabilidade social, da sigla, indica os fatores que afetam as pessoas – sejam funcionários, clientes ou a sociedade em geral. Isso envolve segurança de produtos para consumidores ou privacidade e segurança de dados para seus usuários.

 

G – A letra G de Governança tem relação com o fato de a empresa ser bem administrada, levando em conta o negócio de maneira responsável. Deve ser levado em consideração os requisitos éticos de ser um bom cidadão corporativo, como políticas anticorrupção e transparência tributária, além das preocupações tradicionais de governança corporativa, caso do gerenciamento de conflitos de interesse, diversidade e independência do conselho, qualidade das divulgações financeiras e avaliação sobre se os acionistas minoritários são tratados de forma justa pelos acionistas controladores.

 

 

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