Artigos

Jardim Botânico de Brasília é refúgio da biodiversidade há 39 anos

Previsto desde o projeto urbanístico de Lucio Costa, o espaço conserva as coleções de plantas características do bioma do Planalto Central ao mesmo tempo que dissemina conhecimento e serve de refúgio para a população ao permitir o contato com a natureza

 

Por Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Carol Caraballo

 

Em 8 de março de 2024, o Jardim Botânico de Brasília (JBB) completa 39 anos. São quase quatro décadas de preservação da vegetação do Cerrado, disseminando conhecimento científico e garantindo um espaço de contato da população com a natureza. Atualmente, o equipamento público está entre os jardins botânicos do Brasil com maior nível de estrutura de conservação da biodiversidade de plantas.

Às vésperas do aniversário do espaço, a Agência Brasília conta a história do local em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF – referência à sigla em inglês de Throwback Thursday (em tradução livre, quinta-feira de retrocesso), que resgata histórias importantes da cidade.

O Jardim Botânico de Brasília (JBB) completa 39 anos no dia 8 deste mês; espaço foi inaugurado quase 25 anos depois da capital federal | Foto: Arquivo Público

Apesar de ter sido inaugurado quase 25 anos depois da capital federal, o “jardim do Cerrado” foi previsto durante a construção da cidade. Originalmente, o plano urbanístico de Lucio Costa, vencedor do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil (1957), estabelecia o espaço na área central, atrás do estádio, nas proximidades do Eixo Monumental.

“De um lado, o estádio e mais dependências, tendo aos fundos o Jardim Botânico; do outro, o hipódromo com as respectivas tribunas e vila hípica e, contíguo, o Jardim Zoológico, constituindo estas duas imensas áreas verdes, simetricamente dispostas em relação ao Eixo Monumental, como que os pulmões da nova cidade”, escreveu Lucio Costa no tópico 12 do planejamento.

A proposta acabou não indo para a frente. O principal impedimento foi a ausência de água em abundância na região. O Jardim Botânico de Brasília por pouco também não teve outros endereços. Ele quase foi instalado próximo ao Parque da Cidade ou incorporado ao espaço do Zoológico de Brasília. Mas todas essas ideias ficaram estagnadas.

Por pouco o JBB não teve outros endereços, como próximo ao Parque da Cidade ou em uma área dentro do Zoológico de Brasília | Foto: Arquivo Público

“Como havia um no Rio de Janeiro, quando a capital veio para cá, tiveram a ideia de fazer o jardim botânico no centro de Brasília, mas um dos principais recursos não existia: a água. Depois teve-se a ideia de ficar mais próximo ao Parque da Cidade ou ainda onde o Zoológico é hoje, só que depois surgiu um grande incentivo para se criar algo diferenciado”, lembra o diretor de Projetos, Coleções e Paisagismo do JBB, Elton Baia.

Apenas em 1977, após a análise de uma comissão, definiu-se que o JBB deveria ocupar a Área de Proteção Ambiental (APA) das bacias do Gama e Cabeça de Veado, situada no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, em terras pertencentes à Terracap. A inauguração ocorreu em 1985.

A cultura europeia de manter coleções de plantas motivou a criação dos jardins botânicos | Foto: Arquivo Público

Visitação e conhecimento

O Jardim Botânico nasceu de uma cultura europeia de manter coleções de plantas. Por esse motivo, o espaço tem entre suas missões a difusão do conhecimento científico, seja por meio da publicação de dados e divulgação das espécies, seja orientando e ensinando os visitantes sobre o bioma Cerrado.

“O nosso objetivo, além de desenvolver informações sobre o Cerrado, é fazer com que as pessoas se sintam mais inseridas neste paraíso. Queremos estimular isso sempre. Não só o conhecimento, mas o contato com os jardins e o ambiente preservado”, defende o diretor.

Disso é o que a analista processual Samira Serra, 45 anos, mais gosta no espaço. Ela costuma ir ao local regularmente com o marido e as duas filhas. Lá eles se conectam com a natureza brasiliense. “Como moramos no Sudoeste, sempre que dá, estamos aqui. É um espaço maravilhoso de muita natureza e muitas opções de passeios. Há tanta diversidade de plantas que sempre que passeamos estamos adquirindo conhecimento, aprendendo sobre a vegetação local e a propriedade medicinal delas”, afirma.

Samira Serra costuma frequentar o JBB com o marido e as duas filhas. Lá eles se conectam com a natureza brasiliense | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Dos mais de cinco mil hectares do parque, 4.430 são de uso restrito, destinados à pesquisa e preservação, enquanto 526 são para visitação pública. Estão lá restaurantes e locais de alimentação, centro de visitantes, orquidário, jardins, anfiteatro, herbário, trilhas ecológicas e horto medicinal.

Alguns desses locais foram reformados nos últimos anos. É o caso do Orquidário Margaret Mee, que compõe o projeto de paisagismo do Jardim Evolutivo. As instalações foram readequadas com a reforma do prédio e a implantação de um novo projeto de paisagismo.

Quem percebeu a diferença no local e aprovou a mudança foi a frequentadora Cintia Motta, 34 anos. Educadora física, todo domingo ela vai até o Jardim Botânico de Brasília para se desconectar da correria do dia a dia. “Geralmente venho caminhar aos domingos para desopilar. Acho que é um lugar que traz paz e nos revigora. É muito agradável. Gosto de vir para me sentir mais leve”, revela.

Dentro do orquidário, Cintia conta que percebeu a transformação do espaço e também de outras áreas do JBB. “Aqui está muito mais bonito com esse novo paisagismo. Também achei que os sanitários estão melhores. Gosto muito daqui porque está sempre limpo e organizado”, acrescenta.

O Orquidário Margaret Mee compõe o Projeto de Paisagismo do Jardim Evolutivo | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Outro local reformado nos últimos anos foi o herbário, que ganhou uma nova sede batizada de Ezechias Paulo Heringer. Um dos mais modernos do país, o espaço abriga quase 40 mil espécies de plantas e vegetações nativas do Cerrado, constituindo um dos acervos científicos mais ricos e abrangentes do Brasil. Além de preservar o legado do bioma, a ampliação permitiu o aumento no número de coleta de espécimes para futuras pesquisas.

“Tínhamos prédios muito antigos que estavam com problemas estruturais e que foram se deteriorando. Nosso trabalho é todo para mantermos o nível classe A do Jardim Botânico”, completa o diretor Elton Baia. A cada dois anos, uma comissão formada por servidores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), realiza uma avaliação para garantir que o JBB continue a ser uma referência em pesquisa e conservação.

O Jardim Botânico de Brasília funciona todos os dias, com exceção da segunda-feira, das 9h às 17h, com entrada permitida até as 16h30. Durante esse período é cobrada a taxa de R$ 5 para pessoas de 12 a 60 anos. O pagamento pode ser feito em dinheiro, Pix ou cartão de crédito. Menores de 12 anos e maiores de 60 são isentos da cobrança, pedestres e ciclistas também, entre 7h30 e 8h50.

 

 

Artigos

SÃO LOURENÇO

Uma estância hidromineral no Sul de Minas que vai além de suas sagradas águas medicinais

Publicado

em

 

Embarque neste video e conheça as belezas, a cultura e as maravilhas de São Lourenço.

 

 

Boa viagem!

 

Obrigado PAIVA FRADE.

Continue Lendo

Artigos

O Dia da ave e a ave Nacional

Dalgas lutou para criar o Dia da Ave e para fazer do Sabiá a Ave Nacional

Publicado

em

 

O SENHOR DOS PÁSSAROS 6

O Dia da ave e a ave Nacional

1 de julho de 2024

Dalgas lutou para criar o Dia da Ave e para fazer do Sabiá a Ave Nacional

Silvestre Gorgulho

 

 

O Dia da Ave é comemorado no Brasil desde 1968. Em 2002, a o Dia da Ave se revestiu de mais significado, pois todas as aves brasileiras passaram a ter, simbolicamente, uma única ave para representá-las: o sabiá laranjeira (Turdus rufiventris) que se transformou na Ave Nacional.

Dalgas lutou para criar o DIA DA AVE, em 5 de outubro. No diploma para as escolas tinha a assinatura do ministro da Educação, Jarbas Passarinho, e de outras autoridades. As duas últimas assinatura: Edson Arantes do Nascimento, o Rei PELÉ e do próprio Dalgas.

O ato burocrático que garantiu o sabiá laranjeira como Ave Nacional foi justamente por sua importância no folclore popular e na literatura do País. A iniciativa para fazer do Sabiá a Ave Nacional partiu o engenheiro e ornitólogo Johan Dalgas Frisch.

Segundo Dalgas Frisch, a APVS deu início a uma campanha em defesa do sabiá-laranjeira (Turdus Rufiventris). “Tivemos o apoio até do escritor Jorge Amado. E em agosto de 2002, a “Folha do Meio Ambiente”, jornal pioneiro na cobertura da temática ambiental, promoveu junto a seus mais de 150 mil leitores e 200 mil internautas, durante um mês, uma enquete para a escolha da ave nacional. Havia duas propostas: o sabiá e a ararajuba. Ganhou o sabiá (Turdus rufiventris) com uma grande vantagem: 91,7% na preferência popular”.

Dalgas Frisch conta que, diante da inequívoca preferência nacional, os então ministros do Meio Ambiente, José Carlos de Carvalho, Paulo Renato de Souza, da Educação, e o chefe da secretaria da Presidência da República, Euclides Scalco, assinaram em conjunto uma exposição de motivos que foi aceita e sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi feito um novo decreto, retificando os anteriores e determinando o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) como ave-símbolo da ornitologia e ave nacional do Brasil.

 

O Decreto

DECRETO DE 3 DE OUTUBRO DE 2002

Dispõe sobre o “Dia da Ave” e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso II, da Constituição, DECRETA:

Art. 1 – O “Dia da Ave”, instituído pelo Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968, será comemorado no dia 5 de outubro de cada ano.

Art. 2 – O centro de interesse para as festividades do “Dia da Ave” será o Sabiá (Turdus Rufiventris), como símbolo representativo da fauna ornitológica brasileira e considerada popularmente Ave Nacional do Brasil.

Art. 3 – As comemorações do “Dia da Ave” terão cunho eminentemente educativo e serão realizadas com a participação das escolas e da comunidade.

Art. 4 – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5 – Revoga-se o Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968.

Brasília, 3 de outubro de 2002; 181o da Independência e 114º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

 

Em outubro de 2002, José Carlos Carvalho, então  ministro do Meio Ambiente, recebeu de Johan Dalgas Frisch todos os estudos para que o Brasil pudesse definir o SABIÁ como Ave Nacional.

 

O jornal FOLHA DO MEIO AMBIENTE trouxe a reportagem completa na edição 129 de outubro de 2002.

 

Continue Lendo

Artigos

Só discursos e barrativas não apagam fogo

No Pantanal foram detectados 3.262 focos de queimadas com aumento de 22 vezes em relação ao ano passado

Publicado

em

 

Os biomas brasileiros registraram recordes de queimadas nos primeiros seis meses de 2024. Levantamento feito pela WWF-Brasil mostra salienta que o Pantanal e o Cerrado totalizaram a maior quantidade de focos de incêndio para o período, desde o início das medições em 1988 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

 

Em relatório, a WWF-Brasil acende luz de alerta vermelha:

  • No Pantanal, de 1º de janeiro a 23 de junho, foram detectados 3.262 focos de queimadas, um aumento de mais de 22 vezes em relação ao mesmo período no ano anterior. Este é o maior número da série histórica do INPE.
  • Entre janeiro e junho de 2024, quase todos os biomas brasileiros tiveram um aumento no número de queimadas em comparação ao mesmo período de 2023, exceto o Pampa, afetado por chuvas responsáveis pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
  • Na Amazônia, foram detectados 12.696 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 23 de junho, um aumento de 76% em comparação ao mesmo período no ano passado, o maior valor desde 2004.

 

SESC PANTANAL FAZ QUEIMA CONTROLADA PARA EVITAR GRANDES INCÊNDIOS

 

O Sesc Pantanal é um exemplo no manejo de sustentabilidade. Com mais de 110 mil hectares de área total, que corresponde a 1% do Pantanal Matogrossense, a área do Sesc virou importante polo de ação econômica e ambiental nos municípios de Barão de Melgaço e Poconé, a pouco mais de 100 km de Cuiabá. Nesses 27 anos de funcionamento, a RPPN do Sesc promoveu vários tipos de atividades desde a produção de livros, documentários sobre a região, educação ambiental, pesquisas científicas, combate a incêndios florestais, ensino a distância, formação de mão de obra, qualificação de trabalhadores e formação de professores. Agora, diante dos terríveis incêndios florestais no Pantanal, o Sesc antecipou algumas técnicas para conter as queimadas. Uma delas é o uso do próprio fogo para evitar sua propagação.

 

 

Reserva do Sesc Pantanal é a primeira a realizar queima prescrita em unidades 

de conservação no Pantanal de MT (Fotos: Jeferson Prado)

Antes de julho, já em junho, começou nesta semana no Pantanal de Mato Grosso o período proibitivo de uso do fogo em 2024. Anteriormente era para 1º de julho. A antecipação ocorre em razão da estiagem severa prevista para os próximos meses, conforme monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), somente será autorizado o uso do fogo para fins preventivos, como a queima prescrita realizada pela Reserva Particular do Patrimônio Natural, RPPN Sesc Pantanal, a primeira em unidades de conservação no Pantanal Norte a efetuar o procedimento.

“Somente serão autorizados fogos preventivos, com o objetivo de diminuir a propagação de grandes incêndios na região, com autorização e orientação do Corpo de Bombeiros e Secretaria de Meio Ambiente”, informou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti. Este é o caso da queima prescrita que faz parte do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) da RPPN Sesc Pantanal, a maior do Brasil, localizada em Barão de Melgaço (MT). Referência em prevenção a incêndios no Pantanal, a Reserva começou no dia 14 de junho a executar a técnica comprovadamente eficaz em outros biomas brasileiros e em outros países. A queima já havia sido realizada na área em 2021, em caráter de pesquisa.

 

FOGO EM ÁREAS CONTROLADAS

O processo consiste em aplicar chamas de baixa intensidade em áreas controladas, com vegetação mais adaptada ao fogo. Essa queima auxilia na redução de materiais secos com potencial para propagar o fogo, evitando incêndios de grandes proporções. A queima é feita em mosaico, com o objetivo de proteger os 108 mil hectares da RPPN.

 

 

De acordo com a gerente-geral do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, o PMIF (que pode ser acessado no site www.sescpantanal.com.br), representa um importante avanço pela prevenção do Pantanal. “O objetivo é que ele seja aprimorado e apropriado por outras instituições que planejam adotar a abordagem de MIF. Assim, avançamos como um todo para o manejo mais adequado do bioma, considerando a ampla diversidade de uso e ocupação dos territórios pantaneiros”, diz Cuiabália, destacando o pioneirismo do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa nacional do Sistema CNC-Sesc-Senac

 

OPERAÇÃO PANTANAL 2024

O Governo de Mato Grosso lançou a Operação Pantanal 2024 de combate a incêndios no Pantanal no dia 17 de junho, sob coordenação da Sema-MT e Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT). A abertura foi realizada no Parque Sesc Baía das Pedras, unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, localizada em Poconé (MT). Em 2020, o lugar foi utilizado como Posto de Comando da Operação Pantanal II. Naquele ano, 4 milhões de hectares do Pantanal foram afetados por incêndios florestais no bioma.

E Mato Grosso fez um pacto interfederativo com o Governo Federal, Mato Grosso do Sul e Estados do Amazônia Legal para o combate aos incêndios florestais no Pantanal e na Amazônia. O objetivo é promover uma atuação coordenada e integrada para efetivar a prevenção, o controle e o manejo do fogo, de modo a proteger essas regiões de significativa importância ecológica, econômica e social.

 

 

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010