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Exposição conta a história da camisa canarinho

 

Mostra no Museu do Futebol em SP começa nesta sexta-feira (22)

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

 

Naquele 16 de julho de 1950, no Maracanã, a torcida brasileira se calou, incrédula. A seleção do Uruguai venceu o jogo por 2 a 1 e foi campeã da Copa do Mundo, sobre o Brasil. Aquela partida ficou conhecida como Maracanazo e foi também a última vez que a seleção brasileira usou o branco como camisa principal em uma Copa do Mundo.

A partir daí, entrou em cena a Amarelinha, a icônica “camisa canarinho”, de cor amarela. Ela surgiu após um concurso nacional criado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e pelo jornal Correio da Manhã para substituir o uniforme da Seleção Brasileira, que até então era branco.

Um dos requisitos do concurso era que o uniforme tivesse as quatro cores da bandeira nacional. A proposta vencedora foi a de Aldyr Schlee, que sugeriu o uso do amarelo ouro na camisa, com gola e punhos em verde, e o calção azul cobalto. O branco ficou só nos meiões.

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“O Aldyr Schlee, então com 19 anos, um gaúcho desenhista que estudava direito, fez 100 esboços diferentes até chegar à ideia final”, explicou Marcelo Duarte, curador da mostra.

22/05/2026 São Paulo - Futebol: exposição conta a história da camisa canarinho. Foto: Nilton Fukuda/Divulgação
Mostra traz 18 camisas lendárias da Seleção Brasileira. Nilton Fukuda/Divulgação

A estreia da Amarelinha se deu no dia 28 de fevereiro de 1954, na vitória de 2 a 0 sobre o Chile, em partida pelas eliminatórias da Copa da Suíça. A estreia em Copa ocorreu em 16 de junho de 1954. E, desde então, esse modelo jamais deixou de ser a camisa número 1 da seleção brasileira.

“E aí a gente começou a perceber que a camisa amarela estava dando sorte. Em 1962, fomos campeões de novo [usando a Amarelinha], explica Duarte.

Ele acrescenta que, com o tempo, essa camisa começou a extrapolar os limites do campo.

“As pessoas passaram a associar aquela alegria do futebol com a coisa da brasilidade ou a algo alegre e festivo. Então, essa camisa virou referência de moda.”

Exposição

Todos os detalhes da história da camisa canarinho podem ser acompanhados no Museu do Futebol, na capital paulista. Em cartaz a partir desta sexta-feira (22), a mostra Amarelinha apresenta 18 camisas de lendários jogadores brasileiros como Sócrates, Rivellino, Ronaldo e Vini Jr.

A exposição recebeu peças emprestadas de cinco colecionadores e está dividida em três eixos: Antes da Amarelinha; Camisa: vestimenta, expressão, documento; e Seleções e Copas. São 18 camisas originais de Copas do Mundo de 1958 a 2022, inclusive a lendária usada pelo Rei Pelé na final da Copa de 1970, contra a Itália, quando o Brasil conquistou o tricampeonato.

A Amarelinha fica em cartaz até 6 de setembro. O ingresso custa R$ 24, mas é gratuito às terças-feiras. Mais informações estão disponíveis no site https://museudofutebol.org.br/.

“A gente sabe que o torcedor ama camisas, adora ver as camisas, ainda mais em uma época de Copa do Mundo. E apesar da politização que tomou conta da camisa amarela durante um tempo, ela é um símbolo do país no mundo inteiro”, frisou Duarte.

Evolução no tecido

22/05/2026 São Paulo - Futebol: exposição conta a história da camisa canarinho. Foto: Nilton Fukuda/Divulgação
Exposição conta a história da camisa canarinho. Nilton Fukuda/Divulgação

Uma das histórias sobre essa camisa, e que agora é contada pelo museu, trata da evolução do tecido, de acordo com a diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas.

Ela explica que a camisa foi evoluindo em termos de design, bordado, tecnologia têxtil. “[Há uma evolução] da camisa de algodão, que ficava muito pesada quando chovia, para as mais recentes que, muitas vezes, são feitas para se usar apenas uma vez”, acrescentou a diretora.

Identidade

Quem já a vestiu a camisa canarinho em campo sabe bem o que ela representa. Ainda mais depois de ter sido campeão. Para o ex-jogador Mauro Silva, que representou o Brasil na Copa de 1994, a camisa amarela extrapola as fronteiras brasileiras. 

“Essa camisa é um patrimônio não só do futebol brasileiro, mas do mundo porque a admiração por essa camisa transcende o povo brasileiro. Ela virou identificação.”

Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, o ex-volante Mauro Silva diz esperar que a atual seleção brasileira continue preservando esse legado. “Minha expectativa é que a seleção honre essa camisa e que essa camisa depois venha aqui para a exposição.”

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JK FOI ASSASSINADO?

HÁ 50 ANOS DA MORTE, O BRASIL AINDA BUSCA A VERDADE. O ZUMZUM CONTINUA.

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Quando se quer enganar a história, os fatos não fecham. E quando os fatos não fecham, nascem e renascem as hipóteses, os boatos, as mentiras, os rumores e o zumzum. E este zumzum, apesar de estar na canção alegre e predileta de Juscelino Kubitschek de Oliveira — Peixe Vivo — é de tristeza e revolta. Pois bem, o chamado “acidente” que matou JK no km 165 da rodovia Dutra, em 22 de agosto de 1976, há quase 50 anos, continua não fechando. E o assunto, longe de se esgotar, acaba de ganhar um novo e decisivo capítulo. Um país que não conhece seu passado não tem condições de erguer seu futuro.

Depois da atuação de diversas Comissões da Verdade (Nacional, estaduais, municipais), na década passada, o Ministério Público Federal realizou uma ampla e profunda investigação, com inúmeros depoimentos e duas perícias técnicas independentes. A divulgação dos resultados do Ministério Público Federal se deu, em 2021 e, depois de ter reiniciado suas atividades em 2023, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) foi instalada a se pronunciar sobre os novos resultados, bem como sobre o regime jurídico de reconhecimento das vítimas da ditadura.
A Comissão, criada por lei do governo FHC, na década de 1990, pode declarar a morte de Juscelino Kubitschek como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964.”

A mesma declaração já consta, desde janeiro de 2025, da certidão de óbito de Rubens Paiva, o deputado do PTB que está no centro do filme brasileiro vencedor do Oscar, “Ainda estou aqui”, com base na Resolução CNJ nº 601/2024. Para entender esse momento histórico, conversei com Marco Aurélio Cezarino Braga, advogado, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo, um dos organizadores do livro O Assassinato de JK pela Ditadura: Documentos Oficiais e integrante do Grupo de Trabalho Juscelino Kubitschek desde sua fundação”.

Marco Aurélio Braga, junto com os advogados Alessandro Octaviani e Lea Vidigal, organizaram o livro O Assassinato de JK pela Ditadura. (foto: Silvestre Gorgulho)

 Por que o Caso JK voltou à tona com tanta força agora, em 2026?
Marco Aurélio Braga
Porque o trabalho acumulado ao longo de uma década finalmente encontrou o caminho institucional adequado. Hoje o Caso JK está formalmente instalado perante a CEMDP, que, pelo regime jurídico da memória e da verdade no Brasil, tem o poder-dever de aplicar o princípio ‘in dubio pro victima’ e de declarar a morte de JK como violenta e causada pelo Estado brasileiro.
Ao mesmo tempo, a Resolução CNJ nº 601/2024 criou o mecanismo operacional para a retificação das certidões de óbito, e em janeiro de 2025 a certidão de Rubens Paiva já foi retificada nesses termos. No Caso JK, esse é o passo seguinte natural e juridicamente necessário.

O que o inquérito do MPF trouxe de inédito ao debate?
O MPF fez um trabalho muito relevante, após os trabalhos também muito importantes das Comissões da Verdade: ouviu pessoas, como o chefe da Polícia Política chilena, Contreras, que afirmou a atuação conjunta das ditaduras no contexto da Operação Condor; ouviu o motorista Josias Oliveira e outras testemunhas, confirmando que jamais ocorreu colisão do ônibus com o Opala. Além disso, realizou duas perícias independentes, sobre a colisão e sobre os procedimentos médico-legais que demonstram, de maneira irretorquível, que a versão da ditadura foi uma farsa, com qualidade técnica sofrível. Essas provas devem ser analisadas pela Comissão sob o regime jurídico que é de sua competência aplicar: o da busca da verdade e da memória nacional, e de reconhecimento da hipossuficiência das vítimas.

Qual é a importância do princípio ‘in dubio pro victima’ para o desfecho do caso?
É o coração jurídico do processo. O princípio reconhece uma realidade que qualquer pessoa honesta precisa admitir: o próprio aparato de repressão foi construído para eliminar evidências, fabricar laudos, forjar versões. Exigir, quase 50 anos depois, a mesma prova plena que se exigiria num processo penal comum é premiar exatamente essa estratégia de ocultamento. É fazer o Estado se beneficiar dos seus próprios crimes.
No Caso JK, os elementos são avassaladores quando avaliados por esse critério. A notícia da morte foi plantada na imprensa dias antes de ocorrer. O laudo oficial foi considerado tecnicamente inepto pelo próprio Judiciário da ditadura. Existem documentos de serviços de inteligência estrangeiros registrando planos de eliminação de JK. Há testemunhos de ameaças recebidas. Tentativas de suborno e outras aberrações. O motorista do ônibus foi inocentado. Tudo isso, avaliado pelo ‘in dubio pro victima’, aponta numa única direção: a declaração pelo assassinato político, assim como ocorreu em precedentes da própria CEMDP, como Zuzu Angel, Abílio Clemente Filho, Vladimir Herzog.

O que a decisão da CEMDP sobre a morte de JK significa para o Brasil?
Significaria que o Estado brasileiro, finalmente, assume a verdade. Não como um gesto simbólico, mas como um ato jurídico com todas as consequências que isso implica — para a memória, para a reparação, para a história. Significaria também que a democracia tem memória longa o suficiente para não deixar impunes as mentiras que a ditadura fabricou.
E tem um significado que vai além do Caso JK. Cada vez que o Estado brasileiro diz “essa morte foi violenta, foi causada por nós, no contexto de uma perseguição sistemática”, ele está construindo uma barreira contra a repetição. Está dizendo às gerações que vêm depois que aquilo teve nome, teve vítima, teve responsável — e teve consequências. É por isso que esse processo importa. Não é sobre o passado. É sobre o país que queremos ser, o que vamos ensinar para nossos filhos e netos.
O “Caso JK” não é sobre o passado: é sobre o futuro do país – um país que não conta mentiras e diz que são verdades; um país em que podemos acreditar no Estado e nas autoridades; um país decente.

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O RECORDE MUNDIAL DE MIGRAÇÃO

O rastreamento via satélite confirma façanha do maçarico-de-cauda-barrada que não parou para comer, beber ou descansar.

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O maçarico-de-cauda-barrada, conhecido cientificamente como ‘limosa lapponica’, é uma ave migratória de médio porte que chama atenção pela capacidade de realizar voos intercontinentais sem pousar. Este pássaro é capaz de voar 12.000 km sem parar: uma ida e volta Brasília – Lisboa.

 

Pesquisadores já registraram rotas com mais de 12.000 quilômetros de distância, que ligam regiões árticas de reprodução a zonas costeiras mais quentes. Dessa forma, o pássaro cruza oceanos abertos por vários dias seguidos. Estudos mais recentes, com uso de transmissores por satélite, detalham cada vez melhor o caminho percorrido e o esforço envolvido nessa jornada.

Um jovem maçarico-de-cauda-barrada quebrou o recorde mundial de migração ao voar sem paradas do Alasca até a Austrália. Com apenas cinco meses de vida, a ave percorreu 13.560 quilômetros em 11 dias e uma hora de voo contínuo sobre o Oceano Pacífico.

 

Para suportar o esforço, ela dobrou seu peso com gordura e reduziu órgãos internos para ficar mais leve. Além disso, consegue descansar metade do cérebro enquanto voa e utiliza o campo magnético da Terra para se guiar.

O rastreamento via satélite confirmou que o pássaro não parou para comer, beber ou descansar durante todo o trajeto. O feito é considerado um dos maiores exemplos de resistência física e instinto de navegação na natureza.

 

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A REVISTA DA COPA

O Brasil nas Copas do Mundo, o Penta e a busca do Hexa

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Uma revista bem editada e interessante que o Correio Braziliense fez sobre o Brasil nas Copas do Mundo. Quero, além de dar Parabéns à equipe, agradecer à Ana Dubeux, ao poeta José Carlos Vieira e à repórter Giovanna Kunz. Sim, eu estava em São Lourenço, Sul de Minas, e a Giovanna teve a paciência de fazer uma entrevista pelo telefone. O Caderno Especial do CB está ótimo.
Segue o artigo que escrevi sobre o Ano de 58, os Anos Dourados e a construção de Brasília
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