Artigos
ALYSSON PAOLINELLI ALYSSON ‘DA PAZ’
PAOLINELLI LEGADO E ENSINAMENTOS
Sem comida não há paz. Sem paz não há harmonia nem desenvolvimento social e econômico. Em nome da paz foi protocolado duas vezes, no Conselho Norueguês do Nobel (The Norwegian Nobel Committee), o nome do ex-ministro Alysson Paolinelli para o Nobel 2021. A indicação partiu de entidades brasileiras, capitaneados pelo Diretor da ESALQ – Escola Superior Agricultura Luiz de Queiroz, professor Durval Dourado Neto, e pelo ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, professor e coordenador do Centro de Agronegócio na Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas e Embaixador Especial da FAO para as Cooperativas.
O ex-ministro Alysson Paolinelli, sempre otimista com a agricultura brasileira, deixou o legado de obras e ensinamentos.
Alysson Paolinelli, filho do agrônomo Antônio Paolinelli, formado na ESAL – Escola Superior de Agronomia de Lavras-MG, onde, posteriormente, se tornou-se professor e, como Diretor, fez a sua federalização.
Em 1971, Paolinelli reestruturou a Secretaria da Agricultura de Minas – governo Rondon Pacheco. Em 1974, foi convidado pelo presidente Ernesto Geisel para assumir o Ministério da Agricultura. Reformulou o Ministério e revolucionou a agricultura brasileira. Aliás, revolucionou a agricultura tropical sustentada no mundo. O desenvolvimento da agricultura tropical se divide em antes e depois de Alysson Paolinelli.
Em 2006, Alysson Paolinelli foi agraciado com o World Food Prize, nos Estados Unidos. Agora, entidades brasileiras apresentam seu nome para o Nobel da PAZ, pois sua contribuição não vale só para o Brasil. É a possibilidade de autonomia alimentar em toda faixa do cinturão tropical do planeta, onde estão os países mais pobres.
ALYSSON PAOLINELLI –
PENSAMENTOS e LEGADO
ALYSSON “DA PAZ’ PAOLINELLI
PAOLINELLI – A indicação, para mim, é uma grande honra. Mas quero que seja bem interpretada. Esse Nobel não é pessoal. Além de coletivo, é uma honra para o Brasil. Se estou candidato, é porque nós tivemos um trabalho integrado, não só como governo, mas também depois do governo, acompanhando de perto e procurando ajudar o Brasil caminhar na direção da formação da primeira Agricultura Tropical Sustentável do mundo. Foi um desafio imenso. Desafio de gestão, desafio científico, cultural e tecnológico. Um desafio de nação. Na década de 70, o Brasil encarou a possibilidade de se tornar autossuficiente em alimentos. Nós importávamos antes um terço do que consumíamos. Éramos sustentados na nossa balança comercial pela ‘conta café’. Quando os alimentos, em 1968, por uma deficiência climática no Hemisfério Norte, dobraram de preço, isto dava o sinal de que o mundo estava em perigo porque os próprios Estados Unidos, que era o grande abastecedor, teve que suspender suas exportações. Isso provocou um desarranjo tremendo no mercado internacional. O Brasil sofreu muito com isso. Acendeu a luz vermelha. Aí decidimos, estrategicamente, fazer um plano estratégico para tornar a Agricultura Tropical como viável. Não foi fácil.
VIABILIDADE TROPICAL
PAOLINELLI – O primeiro movimento pelo incremento da agricultura tropical sustentada foi a criação e o desenvolvimento da Embrapa. Veio logo em seguida a evolução do sistema integrado com nossas universidades, nossas instituições estaduais de pesquisa e, principalmente, parceria com a iniciativa privada. Tudo nos levou a obter um êxito muito grande. Primeiro, da exploração do Cerrado que deu uma demonstração de competência muito alta. É bom lembrar que Cerrado existe no mundo inteiro. Cerrado é uma das terras mais velhas do mundo. São como as savanas africanas. Estava altamente degradada pelo fogo, pelo pastoreio de animais, pelo pisoteio e pelas chuvas torrenciais, especialmente na América do Sul. O cerrado tem um solo de pouco nutrientes que precisa ser corrigido. Foi muito importante que nós conseguíssemos recuperar o Cerrado, porque o êxito dele nos possibilitou ampliar nossa visão e caminhar na direção do estudo e ocupação de todos os nossos biomas tropicais. Hoje estamos trabalhando no sentido de ocupar racionalmente esses biomas.
O CERRADO E OS RECURSOS NATURAIS
PAOLINELLI – Terra do Cerrado – como se dizia em Minas – “só dado ou herdado”. A marca do bioma são os galhos retorcidos e solo fraco. Mas é o segundo maior bioma do Brasil. Cobre uma área de 2 milhões de km2, que corresponde a 204 milhões de hectares. Isso representa quase um quarto de toda a extensão territorial do país. Apesar de ter uma grande diversidade em flora e fauna, é importante salientar que suas nascentes alimentam oito das 12 regiões hidrográficas do País, com destaque para três: as bacias dos rios Araguaia/Tocantins, do Rio São Francisco e do Rio Paraná. Do ponto de vista da agricultura, em condições naturais, esses solos não têm os micronutrientes que as plantas agrícolas precisam. Ele é muito pobre em nutrientes. Então, o solo do Cerrado apresenta baixa fertilidade.
Foi nesse contexto que os cientistas se inspiraram e estudaram como mudar a condição de pobreza agrícola dos solos do Cerrado. As pesquisas e as tecnologias desenvolvidas surtiram efeito. Nas últimas décadas, foram criadas tecnologias capazes de transformar a região coberta por esse bioma numa área bastante produtiva para a agricultura e a pecuária brasileiras. Hoje, o Cerrado é referência em produtividade agrícola tropical.
AGRICULTURA ABSOLUTAMENTE SUSTENTÁVEL
PAOLINELLI – Não houve apenas um desafio. Tivemos que enfrentar vários desafios ao mesmo tempo. A correção do solo, o desenvolvimento de sementes selecionadas, o controle biológico de pragas, o aparelhamento do plantio e colheitas, a fixação de nitrogênio no solo e assim por diante. Mas é importante dizer que todo trabalho era de mutirão: Embrapa, Universidades, missões especiais dos estados, iniciativa privada e formação, essencial dizer, e formação competente dos recursos humanos. Na década de 70/80 mandamos quase três mil estudantes e professores fazerem mestrado e pós-graduação nas melhores universidades e centros de pesquisa do mundo. A massa crítica desse corpo acadêmico e a nova postura de um Brasil independente foram fundamentais. O Brasil deixou de ter a mentalidade de colônia para procurar resolver seus problemas com as próprias mãos.
Com essas pesquisas e esses estudos nas mãos, o Brasil pode definir de que forma cada bioma e cada região pode ser usada. Temos uma definição de uso, onde pode ser usado e onde não pode ser usado. Onde não puder, nossa tentativa será de recompor os ecossistemas que foram estragados. E preservar. A área que poderá ser usada nós só usaremos com a garantia da ciência de que estamos fazendo uma agricultura absolutamente sustentável e uma agropecuária absolutamente sustentável. O nosso objetivo é garantir ao mundo que o Brasil continuará a ser a referência na área ecológica. Nós ainda temos 66,3% de nosso território em vegetação nativa original e queremos que essas regiões e seus ecossistemas, se puder, serem recompostas. Vamos trabalhar nisso. E a área que for possível produzir sem degradar, vamos tentar ampliar os conhecimentos para que isso seja possível.
HÁ GARANTIAS PARA ESTE PROJETO
PAOLINELLI – Olha, nós temos certeza de que a competência brasileira, que criou essa agricultura tropical sustentável, será a garantia deste projeto. E o êxito não é só para o Brasil. É para o mundo. Imagina a segurança alimentar deste projeto quando implantado na África! Ganharão os africanos que poderão produzir, se alimentar melhor e comercializar o excedente. Ganharão os próprios países europeus que colonizaram o mundo africano e usufruíram de suas riquezas, mas hoje vivem o drama da imigração descontrolada. Por questão políticas, pela pobreza extrema e por falta de alimentos os africanos têm como solução migrar para outros países.
REFORMA AGRÁRIA E TÍTULO DA TERRA
Para se alimentar, tem que haver colheita. Para colher, tem que plantar e para plantar tem que ter terra. Então, a posse da terra está no início do processo produtivo. Vale lembrar que a realidade da distribuição de terras no Brasil é uma herança do sistema colonial da “Lei das Sesmarias”. E, também, que a reforma agrária não representa uma simples distribuição de terras. É muito mais. Representa a viabilização para que produtores possam nela produzir, tendo a terra como garantia de financiamentos e recebam uma série de incentivos fiscais, é importante disponibilizar tecnologias, armazenamento, comercialização, enfim, é fundamental dar ao produtor condições de cultivo. No governo Geisel, conseguimos ter um Incra muito dinâmico. O Incra, neste período, conseguiu desatar o nó cego da área fundiária do Brasil. Conseguimos deslanchar uma verdadeira reforma técnica e democrática, integrando as áreas social, econômica e do meio ambiente. Basta lembrar que foi introduzida a discriminatória administrativa. A justiça era morosa e os conflitos eternos. Os poderosos conseguiam postergar todas as decisões. Temos um dado avassalador. Só nos primeiros meses de governo (de março a dezembro de 1974), foram entregues mais de 29 mil títulos de terra. Esse número já era superior ao número de títulos entregues desde Pedro Álvares Cabral. Isso foi uma revolução. Em 1976, o presidente Geisel entregou o título 100 mil de propriedade em Cascavel, no Paraná.
Imagina Rondônia. Em 1974, tinha apenas dois municípios: Guajará-Mirim e Porto Velho. Hoje são 52. Quase todos nasceram de projetos do INCRA. Pelo menos 32 deles. Fui lá muitas vezes com o presidente da autarquia Lourenço Vieira da Silva. Fizemos assentamentos e criamos 30 projetos de colonização. Todos os projetos viraram municípios e são hoje cidades prósperas como Vilhena, Ouro Preto do Oeste, Cacoal, Ariquemes, Gy-Paraná, Pimenta Bueno. Alguns projetos se desdobraram em três municípios. Cidades hoje de mais de 100 mil habitantes.

O ex-ministro Alysson Paolinelli sendo homenageado na Casa do Cerrado por sua equipe e pela então ministra da Agricultura, hoje senadora Tereza Cristina. Na foto: Paulo Afonso Romano, Ministra Tereza Cristina, neto e o ministro, Marisa Gonzaga, Emiliano Botelho, presidente da CAMPO, e o jornalista Silvestre Gorgulho.
O IMPACTO SOCIAL DO AGRONEGÓCIO
PAOLINELLI – Os impactos são vários. Na renda brasileira os impactos são evidentes. Basta viajar para as regiões produtoras de grãos no oeste baiano, Minas, Goiás e Mato Grosso. Na saúde, nós melhoramos muito e se você olhar que há 50 anos a média de vida do brasileiro era de 55 anos, hoje nós estamos beirando os 70. Outra coisa, o nível da alimentação melhorou muito, essa posição brasileira de ser um novo player no mercado internacional provocou uma queda substancial no preço internacional dos alimentos que refletiu aqui também. Estudos mostram que entre os anos 80 a 2000 houve uma queda de preços estimada em torno de 70%, ou seja, se o índice era 100, o custo do alimento passou a ser 30. Isso é muito importante em relação à parte social, a média da família brasileira passou a se alimentar muito melhor e com gastos inferiores. Estudos que feitos pela Fundação Getúlio Vargas mostram que se nós gastávamos antes da década de 80, 42% a 48% do total da renda familiar em alimentos, a partir dos anos 2000 passou a se gastar 14% a 18%. Foi uma economia que permitiu ao brasileiro vestir-se melhor, ter lazer, transporte, melhorar a infraestrutura de estradas. Olha como os planos de saúde tiveram uma explosão de lá para cá, e também, a questão da segurança. A segurança ainda é discutível, mas você pode ver que com essas famílias habitando melhor e tendo educação, estão melhorando muito sua condição de vida. No campo produtivo há paz e harmonia. O descompasso está na periferia dos grandes centros. Portanto, para nós, que estamos trabalhando na base desse sistema, é muito satisfatório o que estamos realizando. Esperamos realizar ainda muito mais. Estamos vendo agora um triste quadro de o alimento voltar a subir, nós temos condição de manter mais baixo, e para isso, a ciência e a tecnologia são os caminhos mais certos.
O BRASIL NA ERRADICAÇÃO DA FOME
PAOLINELLI – O impacto social do agronegócio é muito grande. Já falamos sobre isso. Vale frisar que com a oferta de alimentos de melhor qualidade, os preços caem. Pelas estimativas dos organismos internacionais, até 2050 haverá um relativo equilíbrio na população mundial. O número de mortes vai se igualar mais ou menos ao número de nascimentos, portanto, haverá uma estabilização populacional. Mas, segundo a FAO, há que aumentar a oferta atual de alimentos em 61%. A mesma FAO verificou que os países tradicionais de agricultura temperada não têm mais condições de fazer isso. Então este compromisso vem dos países situados nas regiões tropicais. E esses estudos garantem que o Brasil será o responsável pelo aumento de 41% dos 61%. Conclusão: temos que dobrar 2,4 vezes a nossa atual safra de 250 milhões até 2050. Ou seja, o Brasil terá que produzir em 2050 próximo a 620 a 630 milhões de toneladas de alimentos. O equilíbrio e a segurança alimentar no mundo estão nas mãos do Brasil. Nós temos 41% de responsabilidade nesse desafio.
DILEMA FOME X MISÉRIA
PAOLINELLI – Este é o dilema mundial. Incrível, não é ver a miséria ou ver morrer de fome num deserto. O incrível e o inaceitável é não ter o que comer em terras que podem ser férteis por absoluta falta de projetos, por absoluta falta de interesse político se já temos tecnologia para o desenvolvimento de uma agricultura tropical. Há um paradoxo nisso tudo. Tem fome no Brasil? Evidente que tem. Mas sobram alimentos. Há desperdícios. Assim é também no mundo. O problema da fome e da miséria, é a incapacidade de adquirir alimentos. Se a ciência desenvolveu tecnologias para aumentar a produção e baratear os alimentos, há o outro lado da medalha: a falta do emprego, o problema da renda familiar.
Defendo a tese que ao invés do mundo gastar milhões de dólares ou de euros para evitar essas migrações descontroladas para o hemisfério temperado, que se invista os recursos para promover a agricultura nos países de onde sai essa massa de imigrantes. Se o Brasil tem tecnologia para o Cerrado, para as savanas e para o clima tropical, por que não desenvolver a agricultura desses países? Por que não usar o esforço que o Brasil já fez para implantar uma agricultura moderna nos países africanos, por exemplo? Promover o agronegócio nos países tropicais – está aí o exemplo da Companhia de Promoção Agrícola-CAMPO – que atua no Cerrado brasileiro e hoje está presente nos quatro continentes. Uma empresa brasileira que atua em 14 países desenvolvendo seus potenciais agrícolas. Sobretudo na África. Não vejo outra forma de atender a demanda por alimentos, estancar a fome e estabilizar o sistema de equilíbrio e de satisfação com a renda que não seja pela produção de alimentos.
Artigos
ORGULHO DO PARANÁ
A cidade das flores, da catedral e dos parques é exemplo de sustentabilidade. Conheça mais sobre o terceiro município paranaense.
Maringá nasceu no meio da mata e o planejamento urbano, muito bem elaborado, garantiu que muitos ipês roxos fossem respeitados dentro daquele conceito de cidade jardim. Hoje seus habitantes e turistas, que visitam a cidade atraídos pelo espetáculo anual, se orgulham de ver a beleza das floradas, registram e compartilham suas fotos e vídeos, as postagens ganham o mundo conectado pelas redes sociais.

Para facilitar o encontro das árvores floridas pela população e turistas e também uma maneira de proteger e cuidar dos ipês, a Prefeitura de Maringá elaborou um roteiro dos ipês floridos, com um mapa apontando a localização de todas as árvores.
A CATEDRAL DE MARINGÁ
A Catedral idealizada por Dom Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci. O templo tem uma altura de 124 e lembra que o peregrino deve ser afastar do mundo para ficar mais perto de Deus. Foi construída entre julho de 1959 e maio de 1972. De forma cônica, possui um diâmetro externo de 50 metros e uma nave circular, com diâmetro interno de 38 metros. Apresenta 114 metros de altura, mais dez metros de cruz no topo, somando 124 metros. É o 10º monumento mais alto do mundo e o primeiro da América do sul.

Contornando a catedral, abaixo das rampas de acesso ao seu interior, estão os espelhos d’água que formam as fontes luminosas com chafariz, que jorram suas águas a mais de 5 metros de altura. Seus 16 vitrais de linhas abstratas e cores exuberantes são verdadeiras obras de arte, de autoria de Lorenz Helmair. A arquitetura interior é de inspiração de Manfred Ostterroht.
MODELO DE GOVERNANÇA
QUANDO OS CIDADÃOS PARTICIPAM DA GESTÃO DA CIDADE
A vida administrativa, em Maringá, teve um avanço de qualidade e de gestão a partir de 1996, quando foi criado o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão foi implantado no cinquentenário da cidade, em 1997, quando aconteceu a posse dos primeiros dirigentes. O CODEM virou referência para muitas cidades brasileiras pelo sucesso na participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais. Outros municípios, inclusive Brasília, copiaram a ideia e criaram o CODESE (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico, como modelo de governança.
E foi justamente este modelo de governança que ajudou Maringá planejar melhor seu desenvolvimento e crescimento de forma sustentável.
Em 2025, Maringá foi classificada como a sétima cidade mais competitiva do Brasil no Ranking de Competitividade dos Municípios, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). No Paraná, o município ocupa a segunda colocação, ficando atrás apenas de Curitiba, que aparece em quinto lugar no levantamento.
O bom desempenho da Cidade foi impulsionado principalmente pelos avanços no saneamento básico e na eficiência da gestão pública. Maringá alcançou a primeira posição nacional em cobertura da coleta de resíduos domésticos e recebeu nota máxima na destinação adequada do lixo, consolidando-se como referência na área. Apenas nesse pilar, subiu 24 colocações em relação ao ano passado. Também se destacou no funcionamento da máquina pública, ocupando a sétima posição no País.
Na área ambiental, o município aparece em primeiro lugar no combate ao desmatamento ilegal e a 14ª posição em qualidade da educação, além do 22º lugar em qualidade da saúde.
Entre as 10 cidades com maior vegetação urbana em área total, destacam-se grandes capitais como Rio de Janeiro (12.844 ha), São Paulo (11.814 ha) e Brasília (10.256 ha). Esses números refletem a extensão territorial e, em muitos casos, a presença de parques naturais e áreas de proteção ambiental dentro dos limites urbanos.
O PARQUE DO INGÁ
Uma homenagem ao município paraibano de Ingá
A cidade de Maringá nasceu na segunda metade da década de 1940, planejada pela Companhia de melhoramento do Norte do Paraná. Os primeiros assentamentos do noroeste do Paranã evoluíram rapidamente. Diante do avanço da então pequena vila, que virou cidade em 1947, 21 anos depois, em 1968, foi criado o Bosque 01. Mais tarde, essa área verde recebeu o nome de Parque do Ingá. Ao contrário do que algumas pessoas contam, de que o motivo do nome seria porque havia no bosque árvores da espécie Ingá, a principal razão foi outra: fazer uma homenagem da Cidade-Canção ao município paraibano de Ingá, que deu origem à famosa música Maringá, um neologismo de “Maria de Ingá”.

Além da canção, a cidade de Maringá fez outra homenagem ao município paraibano de Ingá. Deu o nome de Parque do Ingá à mais importante área verde da cidade. (foto: Rafael Macri / PMM)
O Parque do Ingá foi criado com objetivo de ser uma área de preservação da flora e fauna local numa perspectiva inclusive do desenvolvimento do ecoturismo. O Parque do Ingá, que compreende uma área de 473.300 m², cuja vegetação é denominada Floresta Estacional Semidecidual, encontra-se numa região geográfica denominada terceiro Planalto Paranaense. Localiza-se na região central de Maringá entre as avenidas São Paulo, Anchieta, Néo Alves Martins, Laguna e Juscelino Kubitschek.
CONHECENDO A CIDADE DE INGÁ-PB
A cidade paraibana, que está no DNA do nome Maringá, foi fundada ao redor da Pedra de Ingá, um monumento arqueológico.
O município de Ingá, na Paraíba, está a menos de 100km da capital, João Pessoa. O nome vem de um monumento natural ou sítio arqueológico com o nome Itacoatiara do Ingá, localizado à margem de um rio do Agreste. As inscrições e desenhos no monumento têm sulcos profundos que atravessam uma parede da pedra e resistem há milhares de ano sem uma tradução definitiva. A cidade de Ingá cresceu ao redor desse cenário, hoje protegido como monumento natural, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Segundo o Iphan as formas sugerem animais, frutas, pessoas e elementos celestes, sem apresentar essas leituras como uma tradução definitiva. O tombamento federal ocorreu em 1944. Pesquisas também registraram artefatos líticos e cerâmicos encontrados na superfície, ampliando o interesse arqueológico do lugar.
A Pedra do Ingá é um dos monumentos arqueológicos mais importantes e misteriosos do mundo, localizada no município de Ingá, no agreste do estado da Paraíba. Classificada como uma “itacoatiara” (termo do tupi que significa “pedra pintada” ou “riscada”), trata-se de um imenso bloco de gnaisse com cerca de 46 metros de comprimento e 3,8 metros de altura inteiramente coberto por inscrições rupestres profundas gravadas na rocha.
O painel exibe quase 400 gravuras enigmáticas que combinam diferentes formas geométricas e figurativas. O significado exato de toda essa simbologia permanece um mistério absoluto para a ciência.

“Em todo o planeta nós temos registros de pedras gravadas. Elas estão na África, no continente americano, na Europa, na Ásia e na Oceania. O sítio arqueológico itacoatiara do Ingá torna-se importante pela quantidade de gravuras que tem. E, também, pela beleza cênica. Esses dois pontos acabaram por transformar a Pedra do Ingá num dos sítios arqueológicos mais importantes do Brasil”. Juvandi de Souza Santos – Universidade Estadual da PB
Artigos
VALE DOS DINOSSAUROS
Pegadas de dinossauros: a descoberta do engenheiro Luciano Jacques de Moraes, do DNOCS que revolucionou a história do sertão da Paraíba’
O fato é histórico e a história é um verdadeiro tesouro. O ‘site “Nossas Histórias” mostra que um elo entre o passado e o presente, os icnofósseis são registros de vestígios geológicos de atividades biológicas que ficaram preservados. Um verdadeiro tesouro da jornada de vida em nosso Planeta, muito tempo antes do homem se fazer presente aqui. É como um vislumbre do que veio antes de nós.

Nesse caminhar, o ‘Nossas Histórias’ conta a história da jornada de animais pré-históricos que viveram no Nordeste e tiveram suas passagens descobertas por um engenheiro do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Como isso ocorreu? Conheça os detalhes.
Segundo estudos de Ismar de Sousa Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizados nos anos 2000, no início da década de 1920, o engenheiro Luciano Jacques de Moraes. mineiro de Itabirito, formado em minas e geologia pela Escola de Engenharia de Ouro Preto, trabalhava para o DNOCS, na Paraíba. Luciano pouco conhecia sobre paleontologia até o momento que ele descobriu duas pistas de animais pré-históricos. Essas pistas estavam em rochas no leito do rio do Peixe, na localidade de Fazenda Ilha. As pistas eram justamente as pegadas de dinossauros, que tinham passado por ali há milhares de anos.

A importância das bacias do Rio do Peixe é dada por seu numeroso registro de pegadas de dinossauros, além de icnofósseis de invertebrados, palinomorfos, fragmentos de vegetais, ostracodes, conchostráceos, escamas de peixes e ossos de crocodilomorfos.

LUCIANO JACQUES DE MORAES:
O ENGENHEIRO DO DNOCS
Na época, aparentemente, o engenheiro do DNOCS enviou uma laje com uma pegada original escavada e um molde de uma pegada da pista para os Estados Unidos, para que pudessem ser estudadas por paleontólogos norte-americanos. No entanto, nunca recebeu qualquer resposta sobre o material enviado.

Luciano Jacques de Moraes (1896-1968) descobriu duas importantes trilhas de passagem de dinossauros na Bacia do Rio Peixe, enquanto trabalhava a serviço do DNOCS.
O engenheiro do DNOCS, Luciano Jacques de Moraes, enviou fotografias para F. von Huene, da Universidade de Tübingen (Alemanha), o qual publicou em seu livro, datado de 1931, os desenhos. Huene (1931) descreveu a primeira pista como a de um quadrúpede com total sobreposição dos pés, o qual atribuiu aos ceratopsídeos, e a segunda pista, como a de um bípede, os ornitópodes. A classificação de Huene baseou-se nos desenhos de Moraes. Huene trabalhou no Brasil nos anos 1920, mas nunca visitou a Paraíba.

Estudos de Rodrigo da Rocha Machado, da Universidade Estácio e Sá, de 2011, às bacias do Rio do Peixe estão localizadas no oeste do Estado da Paraíba e podem ser divididas em quatro bacias denominadas Vertentes, Pombal, Sousa e Uiraúna-Brejo das Freiras.
Segundo os estudos de Rodrigo da Rocha Machado, elas fazem parte do conjunto chamado de bacias interiores do Nordeste do Brasil que tiveram sua origem e evolução como consequência de reflexos de eventos tectônicos responsáveis pela abertura do Oceano Atlântico Sul.
As descobertas das pegadas de dinossauros dessas bacias, relatadas pela primeira vez pelo engenheiro Luciano Jacques de Morais, em 1924, foram de grande importância para estudos que vieram depois sobre a temática. Vários outros trabalhos foram feitos sobre essas pegadas, entre eles podem ser destacados os de Carvalho, 1989; 1996; 2000; Leonardi, 1984; 1985; 1987; 1989; Leonardi & Carvalho, 2002; 2007.
Pode-se considerar que após um esforço de mais de 20 anos, a bacia do Rio do Peixe é atualmente um dos melhores sítios paleontológicos preservados no Brasil. A região é agora um complexo turístico – Vale dos Dinossauros – e oferece uma grande infraestrutura turística, bem como pessoal treinado para o turismo ecológico e para a proteção do sítio paleontológico.

Segundo o Governo da Paraíba, o Vale dos Dinossauros, localizado em Sousa, no sertão paraibano, é um dos sítios paleontológicos mais conhecidos do mundo inteiro. Contém pegadas de cerca de 80 espécies de dinossauros que habitavam uma área de 704 quilômetros na Bacia do Rio do Peixe, do período pré-histórico.
Artigos
BRASÍLIA E SUAS CALÇADAS
As calçadas das cidades brasileiras revelam negligência com o pedestre e um espaço sem dono
Mobilidade urbana para pedestres
A Lei é clara: o transporte não motorizado tem prioridade sobre o transporte motorizado. Sim, a Lei 12.587/2012 fala do deslocamento a pé e aponta qual deve ser o foco do Plano de Mobilidade Urbana. Nas cidades brasileiras, um terço dos deslocamentos é feito a pé. E cidadãos, às vezes cegos ou com outras deficiências, usam as próprias pernas, e até cadeira de rodas, em seus trajetos. Nunca são tratados com prioridade. O problema se multiplica quando os municípios não têm transporte público coletivo eficiente.
A estimativa mostra que um terço dos deslocamentos nas cidades brasileiras é feito a pé. Os cidadãos que usam as próprias pernas ou uma cadeira de rodas em seus trajetos não são tratados com respeito. E as palavras “pedestre” e “calçada”, aliás, nem aparecem na Lei 12.587/2012 que estabelece as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, sinal de um quadro de inconsistência jurídica em nível federal e municipal.
Todos sabem que caminhar é a forma mais natural, antiga e econômica de o ser humano se deslocar. Ainda assim, a avaliação média dos equipamentos necessários a uma jornada confortável e segura nas capitais brasileiras (de 1 a 10) é de 5,71, quando deveria ser pelo menos 8. Isso quer dizer que a caminhabilidade, medida quantitativa e qualitativa dos espaços para a circulação de pedestres, está longe de ser considerada aceitável.
A realidade está à vista: buracos, rachaduras, degraus, desníveis, lixo, poças e outros obstáculos fazem do trajeto dos pedestres um calvário. Acidentes acontecem aos montes com lesões muitas vezes graves, sobretudo para pessoas idosas.

A REALIDADE DE BRASÍLIA
Brasília, cidade planejada, moderna e revolucionária em termos de mobilidade, não foge à regra. A realidade das calçadas da Capital está muito aquém do que determina a lei. Apesar de avanços normativos como o Estatuto do Pedestre (Lei 7.542/2024), Brasília ainda convive com um cenário de riscos e negligência que afeta diretamente a segurança e a qualidade de vida de pedestres, em especial idosos, cegos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Para fazer uma radiografia e buscar problemas e soluções, no caso de Brasília, conversamos com o arquiteto, ambientalista e fotógrafo Maurício Andrés Ribeiro.

Calçada em Brasília, na Comercial da 406 Sul, onde existem vários restaurantes: degraua e desníveis continuam sendo uma sentença de risco para os mais vulneráveis como cegos, idosos e cadeirantes. (Foto: Silvestre Gorgulho)
MAURÍCIO ANDRÉS RIBEIRO – ENTREVISTA

Autor de vários livros sobre Águas, sobre Ecologia e sobre a Índia, Maurício Andrés é um gestor ambiental consagrado em Minas Gerais e Brasília. Foi diretor do CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente e assessor especial da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico.
Silvestre Gorgulho – As calçadas brasileiras, especialmente em Brasília, são mesmo um labirinto de obstáculos?
Maurício Andrés Ribeiro – Olha, são um perigo diário e constante. Basta uma breve caminhada por regiões como Samambaia, Ceilândia ou Plano Piloto para constatar os problemas. Buracos, rachaduras, desníveis e degraus são a paisagem mais comum. Faltam passeios contínuos e acessíveis. Em Samambaia, por exemplo, moradores denunciam que calçadas recém-construídas já apresentam rachaduras e que o acesso à UPA – Unidade de Pronto Atendimento é tão esburacado que cadeirantes não conseguem transitar. A crescente população idosa também é um grupo bastante vulnerável a quedas e acidentes.
Silvestre – No Plano Piloto e nas cidades satélites?
Maurício – Sim, situações semelhantes são relatadas em todo o Distrito Federal, onde mais de 80% das pessoas que vivem em vias com calçadas relatam buracos, obstáculos e descontinuidade. Mas não são apenas os buracos que ameaçam os pedestres. As travessias subterrâneas do Eixão, por exemplo, são frequentemente descritas como “sujas, inacessíveis, escuras, esvaziadas e perigosas”. Ainda são comuns faixas de pedestres apagadas, semáforos com tempo insuficiente para travessia e meio-fio sem rebaixamento, impedindo a circulação segura de idosos, cadeirantes, cegos e de pessoas com carrinhos de bebê.

Algumas das passagens subterrâneas sob o Eixão são sujas e inacessíveis. Mas não é culpa apens do governo, os pedestres também precisam cuidar do espaço…

… a manutenção e limpeza das passagens subterrâneas estão no programa diário da Novacap. Mas há que ter o cuidados dos usuários.
Silvestre – Quem é o responsável? Onde está o nó da incompetência?
Maurício – A responsabilidade pela construção e manutenção das calçadas no Distrito Federal é um emaranhado que, muitas vezes, exime a todos. Em tese, o Poder Executivo é o responsável pela edição de normas, projeto, execução e manutenção, podendo delegar a execução, mas mantendo a fiscalização pública. Na prática, a Novacap atua na execução de obras de manutenção e construção, geralmente em parceria com as Administrações Regionais. No entanto, a responsabilidade pela calçada em frente ao lote ou à loja é, frequentemente, atribuída ao proprietário do imóvel.
Silvestre – Acho que aí que está um dos nós. E a fiscalização?
Maurício – Isso é bem verdade. Essa divisão de competências, somada à falta de fiscalização, resulta em calçadas que ora são negligenciadas pelo poder público, ora não atendem aos padrões exigidos quando construídas por particulares. A fiscalização, por sua vez, é mesmo um ponto crítico. O Estatuto do Pedestre determina que o descumprimento da lei pode acarretar advertência e multa de meio salário mínimo por dia.
Silvestre – Mas quem fiscaliza?
Maurício – A resposta é vaga: os órgãos responsáveis pelo trânsito e pela Política de Mobilidade e Transporte do DF. Na prática, a Secretaria DF Legal tem atuado nas fiscalizações de acessibilidade, principalmente por meio de vistorias e denúncias. No entanto, a dependência de denúncias e a falta de ações sistemáticas de fiscalização tornam o cumprimento da lei uma exceção, não a regra.
Silvestre – Como você vê a atuação da sociedade civil?
Maurício – Olha, acho que a sociedade civil tem voz e tem participado. Em Brasília tem ONGs que defendem o pedestre, diante da inércia do poder público. Vejo que a sociedade civil tem se organizado para defender o direito de caminhar. A principal referência em Brasília é a Associação Andar a Pé – O Movimento da Gente, uma ONG com sede no DF que atua pela humanização das ruas e pelo direito básico das pessoas caminharem de forma plena, saudável, segura e confortável. A “Andar a Pé” promove ações de advocacia, realiza caminhadas guiadas e cobra do poder público o cumprimento das leis de acessibilidade.
Silvestre – Existem outras iniciativas?
Maurício – Existem sim. Outra iniciativa importante é o “Brasília para Pessoas”, um movimento que realiza intervenções urbanas e caminhadas como o Jane’s Walk, inspirado na ativista Jane Jacobs. O grupo promove a “Multa Cidadã”, uma ação lúdica e educativa em que crianças deixam recados em carros estacionados sobre calçadas, além de organizar caminhadas com vendas e cadeiras de rodas para simular as dificuldades enfrentadas por cegos e cadeirantes.
Silvestre – Maurício, com sua experiência, você tem alguma fórmula, alguma ideia que deva ser implementada?
Maurício – Acho que o poder público e a sociedade e os habitantes devem fazer um forte chamado à ação. O Estatuto do Pedestre estabelece que todos têm direito a circular livremente a pé, com carrinhos de bebê ou em cadeiras de rodas, nos passeios públicos, calçadas, praças e áreas públicas, sem obstáculos de qualquer natureza. No entanto, a distância entre a letra da lei e a realidade das ruas é enorme.
Silvestre – O que fazer para que Brasília, que é o caso que estamos abordando, e também outras cidades se tornem verdadeiramente cidades para as pessoas?
Maurício – Primeiro, seguir o Estatuto do Pedestre. Como? Buscar formar de trabalhar em quatro pontos: Unificar a responsabilidade pela construção e manutenção das calçadas, com um órgão central que coordene as ações. Fortalecer a fiscalização, com ações sistemáticas e punições efetivas para os infratores. Incluir a sociedade civil nas discussões e decisões sobre o planejamento urbano, valorizando a expertise de organizações como a Andar a Pé e o Brasília para Pessoas. E investir em campanhas educativas que valorizem o pedestre e conscientizem motoristas e proprietários de imóveis sobre sua responsabilidade na conservação das calçadas.
Enquanto isso não acontece, V. É hora de colocar o pé no chão e exigir calçadas que sejam, de fato, espaços de encontro, saúde e cidadania.
-
Reportagens1 mês agoConfira orientações para acompanhar o Desfile de 7 de setembro
-
Reportagens4 meses agoCandangão Junino 2026 chega a Santa Maria nesta sexta-feira (26)
-
Reportagens4 meses agoDada a largada: Brasília inicia contagem regressiva de um ano para a Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027™️
-
Artigos2 meses agoEMILIANO PEREIRA BOTELHO
-
Reportagens2 meses agoRetrospectiva: Câmara aprovou no 1º semestre acordo Mercosul-UE, fim da escala 6×1 e reajuste para professores
-
Artigos4 meses agoGRUTA DO MAQUINÉ
-
Artigos4 meses agoOS BONS PARTEM CEDO
-
Reportagens3 meses agoSalvador será capital simbólica do país no dia 2 de julho de cada ano Fonte: Agência Senado