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VAGALUMES E PIRILAMPOS

CIENTISTAS EXPLICAM A REDUÇÃO DESSES INSETOS

 

Silvestre Gorgulho

 

A erosão genética do Cerrado é grave. E intensa. Cientistas da Universidade de São Carlos-SP acabam de divulgar que, nos últimos 30 anos, houve uma queda exponencial no número de besouros e larvas conhecidos como vagalumes ou pirilampos que vivem nos cupinzeiros. Especialmente no Cerrado e muito mais no Parque Nacional das Emas, em Goiás.  Esses besouros têm uma propriedade particular de bioluminescência.

 

A quantidade desses besouros diminui lentamente. Segundo estudos dos pesquisadores, a diminuição drástica tem duas explicações: a ocupação das áreas nativas e a plantação intensiva e comercial da soja, cana-de-açúcar, algodão e à formação de pastagens para gado de corte e leite. Os pesquisadores alertam para outros dois fatores pela diminuição dos insetos luminosos: o uso de produtos químicos e a iluminação artificial.

O trabalho de pesquisa começou nos anos 90, quando foram registradas 51 espécies desses besouros. Hoje, algumas espécies já estão praticamente extintas e outras

Pelo Código Florestal, apenas 20% da área de cada unidade de propriedade privada situada no Cerrado é considerada como legalmente protegida, isto é, não pode ser desmatada. Esse percentual chega a 35% no caso das áreas de Cerrado que se encontram oficialmente no território da chamada Amazônia Legal. Isto é uma desvantagem flagrante em relação à Amazônia, onde 80% das áreas de cada propriedade precisam ser protegidos.

 

O CERRADO

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul. Ocupa aproximadamente 23% do território brasileiro, com áreas em 11 estados e no Distrito Federal, sendo o local de onde brotam diversas nascentes e importantes áreas de recarga hídrica que alimentam boa parte das bacias hidrográficas brasileiras e de outros países da América do Sul. Das 12 principais regiões hidrográficas do País, oito têm nascentes no Cerrado.

Nos últimos quatro anos, o desmatamento no bioma aumentou 69%: de 6,3 mil km² (2019) para 10,7 mil km² (2022). A perda de vegetação nativa no Cerrado representou mais de 40% de todo o desmatamento ocorrido no país durante a gestão anterior.

De janeiro a agosto de 2023, a área sob alertas de desmatamento foi 19,8% maior do que no mesmo período de 2022. No entanto, com o aumento da fiscalização e a colaboração do governo federal com os governos estaduais, foi verificada tendência de estabilização nos últimos meses: de junho a agosto, houve queda de 0,7% da área sob alertas em comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

Cupinzeiros iluminados no Parque das Emas, em Goiás. A bioluminescência é, uma luz fria, não fosforescente, emitida por alguns organismos vivos com finalidades diversas, conforme a espécie e o grupo a que pertencem.

 

 

Área típica do Cerrado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

 

BERÇO DAS ÁGUAS

O Cerrado conecta-se com quatro dos outros cinco biomas brasileiros, à exceção do Pampa, e foi desmatado em grande parte para expansão da fronteira agrícola. Segundo dados da Produção Agrícola e Pecuária Municipal, 54% da produção agrícola e 44% do rebanho bovino do país vêm de municípios do bioma.

É o bioma brasileiro com o maior nível de desmatamento — nas últimas duas décadas, perdeu 12% da vegetação nativa remanescente. No ano passado, a vegetação nativa representava 47% do bioma, e as áreas de pastagem e agricultura somavam cerca de 30% e 15%, respectivamente.

A substituição da flora natural por áreas de pastagem e culturas agrícolas aumentou a temperatura média no bioma entre 0,6°C e 3,5°C. A cada ano, a estação chuvosa chega em média 1,4 dia mais tarde. Desde 1980, a demora acumulada é de aproximadamente 56 dias.

 

 

 

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DIA DA AVE

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE LIBERDADE

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Silvestre Gorgulho – Jornalista. Foi Secretário de Estado de Cultura e de Comunicação do Distrito Federal.
Com eleições, as urnas se abrem e a liberdade adquire asas. E voa.
Para os homens, a liberdade de expressão e de ir e vir são direitos fundamentais e pilares de qualquer sociedade democrática. Para as aves, a liberdade de voar é muito mais importante do que a liberdade de cantar. Ao voar, as aves sentem o vento da liberdade.
Ao cantar, muitas vezes, elas o fazem aprisionadas em gaiolas. Há 58 anos, o engenheiro e escritor Johan Dalgas Frisch mobilizou a sociedade brasileira, por meio de artistas, jornalistas e, até o Rei Pelé, para que fosse criado o Dia da Ave. O objetivo era simples: conscientizar as pessoas, sobretudo as crianças, sobre a importância da avifauna brasileira.
A data escolhida foi 5 de outubro. Para justificar a criação do Dia da Ave, Dalgas lembrava que as aves são joias da natureza. Elas significam muito mais do que a beleza, a liberdade e a renovação. As aves são as grandes plantadeiras de florestas, pois semeiam sementes por onde vivem. Elas ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas.
AVIFAUNA BRASILEIRA
O Brasil é um país extremamente privilegiado pela natureza, e claro, pela abundância de espécies de aves. A avifauna brasileira é uma das mais ricas do mundo, abrigando 1.979 espécies de aves reconhecidas oficialmente pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Mais de 200 espécies delas são endêmicas, isto é, exclusivas dos seis biomas nacionais. Sempre é bom lembrar que 122 espécies de aves estão ameaçadas de extinção no Brasil e que o território brasileiro serve, também, de pouso para milhares de aves migratórias que se deslocam, anualmente, fugindo do rigor do inverno do hemisfério norte.
Muitas entidades, públicas e privadas, atuam na preservação de toda esta biodiversidade. No mundo, existem mais de 9 mil espécies. Elas constituem um dos grupos de animais da mais ampla distribuição geográfica. Estão representadas em todos os ambientes do Planeta. Integrar a conservação das aves ao desenvolvimento sustentável é um enorme desafio.
AVE SIMBOLO DO BRASIL
O Dia da Ave é comemorado no Brasil desde 1968, mas foi em 2002 que o Dia da Ave se revestiu de um maior significado. Foi em 5 outubro de 2002 que todas as aves brasileiras passaram a ter, simbolicamente, uma única ave para representá-las: o sabiá laranjeira (Turdus rufiventris). A Ave Nacional do Brasil.
Johan Dalgas Frisch faleceu em 22 de junho de 2024, mas seu legado pousou no coração de cada brasileiro. A inspiração e a áurea de Dalgas Frisch continuam no ar. Com ele aprendi que a liberdade, a inspiração e o encanto da natureza estão na beleza do céu, no verde das florestas, no borbulhar de rios e cachoeiras e no canto das aves. No voo livre e suave de uma juriti, de uma asa-branca, de um canarinho ou de uma arara está o maior sonho do ser humano. Voar em liberdade.
AVES E AS MUSICAS
O canto do ‘robin’ ou pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) inspirou William Shakespeare quando escreveu Romeu e Julieta. Foi o canto do sabiá que inspirou Gonçalves Dias, nostálgico de sua terra natal. O sabiá, o joão-de-barro e as andorinhas inspiraram um mundo de poetas, compositores e escritores brasileiros como Villa-Lobos, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Caetano Veloso, Roberta Miranda, Jair Rodrigues e Alcino Alves. Luiz Gonzaga voou por todas as paragens musicais com sua Asa Branca. E o nosso tão singelo tico-tico, lá e cá, numa bacia de fubá, inspirou Zequinha de Abreu e Aloísio de Oliveira, para se tornar um dos maiores clássicos da música mundial.
O trinar das aves tem o dom de inspirar crianças e adultos. Tem a magia de encantar corações, de elevar a alma e de abrir as mentes para a poesia e o amor.
ONDE TEM AVES, TEM QUALIDADE DE VIDA
O exercício da tolerância começa no quintal de nossas casas, nos parques de nossas cidades e nas matas de nossa terra. Onde tem aves, tem qualidade de vida. Onde tem aves, tem negócios valorizados. Elas têm a força para conduzir investimentos num condomínio bem planejado ou de conseguir votos para administradores bem-intencionados. Como? Muito simples. Uma cidade com parques, jardins, bela arborização e muita flor vai atrair sabiás, canarinhos, bigodinhos, periquitos, beija-flores, araras e um sem números de pássaros… e pode dar até votos para gestores e políticos.
As aves têm a inocência das crianças. Na sua pureza de vida, elas buscam apenas alimento, saciar a sede e voar com liberdade. Como as crianças, elas precisam de bem-feitores, de amigos e de protetores.
Amigo da vida é aquele que ama a natureza, que cuida das aves do lugar onde mora, dando-lhes proteção, alimento e abrigo. Sim, o voo de uma ave é muito mais importante que seu trinar. Ao voar elas mostram e ensinam o valor da liberdade, ao passo que o trinar, muitas vezes, elas podem estar aprisionadas em viveiros e gaiolas de ouro.
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ESCÂNDALO NO PARQUE

ONG criada pela chefe do Parque Nacional Serra da Capivara recebeu mais de um milhão entre emendas parlamentares e convênios públicos

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OLHO GORDO NO PARQUE SERRA DA CAPIVARA

 

A crise que abala a justiça brasileira parece se repetir com a mesma intensidade e impunidade no interior do Piauí, um dos estados mais pobres do país. No escândalo nacional que envolve “supremos do Supremo”, surge o caso Vocaro. No escândalo piauiense, surge o caso “Olho d’Água” que envolve a chefe do Parque Nacional Serra da Capivara, Marian Helen Rodrigues. Sua ONG, Instituto Olho D’Água,  foi beneficiada, nos últimos anos, por meio de emendas parlamentares e outros mecanismos, com repasses de mais de um milhão de reais.

 

A chefe do Parque Nacional Serra da Capivara, Marian Rodrigues, num claro conflito de interesses, é também a representante da ONG `Instituto Olho D’’Agua`. Na foto, Marian na Câmara dos Vereadores de Coronel José Dias.

 

A ONG Instituto Olho D’Água, do pequeno município de Coronel José Dias, criada pela atual chefe da Serra da Capivara, recebeu mais de R$ 1 milhão por meio de convênios federais, leis de incentivo à cultura, editais públicos e emendas parlamentares.

O caso do Piauí parece ser emblemático da postura que atinge nossos representantes públicos. Para assumir o cargo de chefe do Parque Nacional Serra da Capivara, Marian Helen Rodrigues teve que se afastar juridicamente da instituição que ela criou junto com o marido na pequena cidade de Coronel José Dias. No entanto, desde que assumiu o cargo no governo federal, a ONG viu a sua dotação orçamentária crescer exponencialmente: de um orçamento inexistente até o ano de 2019, quando assumiu a função federal, até atingir valores milionários hoje em dia.
Enquanto nos últimos anos o Parque Nacional Serra da Capivara – que é Patrimônio Cultural da Humanidade – recebeu uma única emenda parlamentar no valor de R$ 100 mil para a sua manutenção, o Instituto Olho D’Água assistiu ao seu orçamento ganhar fôlego inédito com o repasse de mais de R$ 1 milhão de reais apenas de convênios e emendas parlamentares, principalmente do senador Marcelo Castro e do seu filho, deputado federal Castro Neto, ambos do MDB.

 

NOMEAÇÃO POLÍTICA

Marian Helen Rodrigues foi nomeada politicamente em março de 2019 para exercer cargo de confiança no ICMBio, autarquia federal responsável pela gestão das unidades de conservação. Para isso, ela teve que se “afastar” do dia a dia da ONG, mas não é isso que mostram suas redes sociais e inúmeras reportagens em sites e veículos de comunicação. Desde que assumiu o cargo público, o Instituto Olho D’Água teve um crescimento financeiro vertiginoso; basta uma simples pesquisa no Portal da Transparência para confirmar esses dados.
De acordo com os registros de parcerias e dados oficiais publicados pelo Instituto Olho d’Água (IODA) – com sede em Coronel José Dias (PI) – a instituição tem recebido recursos federais provenientes majoritariamente de emendas parlamentares do senador Marcelo Castro, além de editais e termos de fomento vinculados primariamente ao Ministério da Cultura.

VALORES IDENTIFICADOS

Considerando apenas os termos de fomento e instrumentos formalizados nos últimos anos, os valores identificados somam um total de R$ 742.440,00 em repasses de emendas parlamentares federais:

2020: R$ 192.440,00 (Emenda nº 41830001)
2021: R$ 100.000,00 (Emenda nº 41830003)
2022: R$ 150.000,00 (Emenda nº 41830004)
2023: R$ 150.000,00 (Emenda nº 41830002)
2025: R$ 200.000,00 (Termo Fomento nº 981976 – MinC

 

Paralelamente às emendas, no ano de 2023 o Edital Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura aprovou um montante de R$ 500 mil, ou seja, meio milhão de reais, para execução do projeto para “Realização de oficinas, seminários, cursos e capacitações voltados para formação e capacitação cultural em Coronel José Dias (PI)”, visando à consecução de finalidade de interesse público e recíproco que envolve a transferência de recursos financeiros à Organização da Sociedade Civil (OSC), conforme especificações estabelecidas no plano de trabalho.
Além dos recursos direcionados por emendas parlamentares específicas, a instituição também figura em editais de chamamento público e repasses voluntários de âmbito cultural, a exemplo de premiações e editais de escolas livres de formação geridos por pastas federais.

CONFLITO DE INTERESSES

Conforme a imprensa nacional não cansa de divulgar — mas o Piauí se nega a reconhecer -, Marcelo Castro e seu grupo político vivem atolados em conflitos de interesse no dia a dia.
O caso da chefia do Parque Nacional Serra da Capivara é emblemático. Nos próximos anos, por exemplo, Marcelo Castro e seu grupo precisarão de autorização para que as obras da Adutora do Jenipapo possam prosseguir. Como a obra cruza a zona de entorno do Parque Nacional Serra da Capivara e a atual chefe da unidade, Marian Helen Rodrigues, possui estreitas ligações com o grupo político, caberia a ela declarar-se impedida — o que não aconteceu.
Outro episódio recente foi a tentativa tresloucada do prefeito de Coronel José Dias de cobrar uma espécie de pedágio para os turistas acessarem o parque nacional. Victor César de Carvalho, aliado de Marcelo Castro, só interrompeu a cobrança ilegal após uma ação popular questionar o cerceamento ao livre acesso da unidade de conservação.
Mesmo diante de toda a polêmica gerada pela cobrança e dos prejuízos causados ao trade turístico, a chefe do parque não moveu uma palha para impedir o “pedágio” ilegal.
A mesma situação de inoperância já havia ocorrido anos atrás, quando uma grande empresa planejava plantar soja na zona de entorno do parque. Mais uma vez, a representante do ICMBio omitiu-se publicamente. Foi necessária a mobilização de pesquisadores e moradores locais para impedir a consumação de um projeto que já contava, inclusive, com a complacência da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piauí (SEMAR). Por pouco, o parque — reconhecido como Patrimônio Mundial — não foi atingido pela contaminação típica que grandes projetos agropecuários causam à natureza.

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Descartada em encontro de EUA e China, regulação da IA é analisada no Brasil

Senado já aprovou Marco Legal da IA. Em discussão na Câmara o projeto tem outras 37 propostas anexadas Getty Images/iStockphoto

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Descartada no encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, no fim de setembro, a regulação da inteligência artificial (IA) é debatida pelo Congresso brasileiro com o projeto de Marco Legal da IA (PL 2.338/2023), já aprovado pelo Senado e que está em discussão na Câmara, com 37 propostas anexadas. Há ainda projetos como o que prevê IA para monitorar agressores de mulheres (PL 750/2026) e o que cria a Lei de Governança de IA no Setor Público (PL 846/2026

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