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BRASILIA 65 ANOS

O ‘X’ DE FONTENELLE E O SINO DE TIRADENTES

 

Silvestre Gorgulho é jornalista e ex-Secretário de Estado de Comunicação e de Cultura do Distrito Federal
Brasília saiu do papel para o concreto em 1956, quando Ernesto Silva, diretor da Novacap, publicou, em 30 de setembro, o edital para o concurso do Plano Piloto. Do edital, aberto em 11 de março de 1957, havia 26 projetos participantes. A comissão julgadora selecionou 10 projetos, depois de uma inusitada polêmica. O representante do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil, Paulo Fagundes, se recusou a votar em um dos dez escolhidos. Justamente o projeto de Lucio Costa. Fagundes justificou: “Não era um projeto. Era apenas uma ideia com alguns desenhos”. O representante do IAB pediu que o projeto de Lucio Costa fosse retirado e entrasse o 11º em seu lugar”. Israel Pinheiro, presidente do júri, pediu que Paulo Fagundes, do IAB, fizesse um voto em separado. Colocou-o em votação. Por maioria, a comissão negou o pedido. O projeto de Lucio Costa foi salvo graças ao empenho e clarividência do consultor inglês, Sir William Holford, e pela determinação do arquiteto Oscar Niemeyer, que usou de sua autoridade para definição do primeiro lugar. Assim, em 16 de marco de 1957, foi anunciado o projeto vencedor: o Plano Piloto de Lucio Costa, inventivo, inovador e revolucionário, com uma cidade em quatro escalas. Monumental, que confere à cidade o caráter de Capital, onde se concentram as principais atividades administrativas, com destaque para a Esplanada dos Ministérios, Catedral e Praça dos Três Poderes. Gregária, no cruzamento dos dois eixos, onde se situam os setores bancário, hoteleiro, comercial e de diversões. Residencial, onde estão localizadas as superquadras que reinventaram a forma de morar. Além dos blocos de pilotis, há áreas destinadas a escolas, clubes, comércio e igrejas. E a Bucólica, permeando as três escalas, para formar as áreas livres e arborizadas, conferindo a Brasília o caráter de Cidade-Parque.
Assim começou a gestação da cidade. Era a burocracia das ordens e das leis, antes do ronco dos tratores.
Depois de um mês de estudos, o engenheiro Augusto Guimarães Filho, braço direito de Lucio Costa, permitiu que os tratores da Novacap abrissem a primeira clareira: o “X” de Mario Fontenelle. Este Sinal da Cruz é a marca seminal da nova capital, que espelha a aventura geopolítica mais épica do povo brasileiro. O mecânico de avião, Mario Fontenelle, que ganhou uma câmera fotográfica do presidente JK, cravou sua lança no coração do Cerrado. A foto dos eixos, ainda coberto de vegetação, tornou-se o ícone do início da construção.
E o que tem a ver o “X” de Fontenelle com o sino de Tiradentes?
Aí entra a sensibilidade cívica e cultural do Fundador, presidente Juscelino Kubitschek. Como ex-seminarista e seresteiro, JK conhecia a linguagem dos sinos. Ele sabia que sinos falam. Sabia que cada sineiro está preparado para tocar várias linguagens. Cada toque tem um significado diferente. Pode dar notícia de nascimento ou fúnebres, de festa e hora da Missa. Os repiques e os dobres sonoros são uma orquestra de bronze, ecoando por montanhas e vales.
Mas, onde Tiradentes e Brasília entram na história dos sinos? Na inauguração de Brasília, o presidente JK mandou buscar o sino da Capela do Padre Faria, de Ouro Preto, para ser instalado na Praça dos Três Poderes e anunciasse a boa nova: inauguração da cidade. Veja o ressonante simbolismo do pedido de JK. Ele queria o mesmo sino que anunciou e chorou a morte de Tiradentes, em 21 de abril de 1792, anunciando a inauguração de Brasília. Por que este mesmo sino? Porque o sino da Capela do Padre Faria foi o único sino do Brasil que pranteou a morte de Tiradentes, desobedecendo ordens da Corte Portuguesa, que obrigava todos os sinos da Colônia a tocar a alegria da morte de um traidor.
Profundo simbolismo desse ato. O presidente JK fez questão de que o único sino brasileiro que pranteou a morte de nosso Herói da Liberdade, Joaquim José da Silva Xavier, estivesse com sua forte carga de emoção e de História entre os pilares laterais do prédio do Supremo Tribunal Federal, onde foi armado o altar para a celebração da missa rezada pelo Cardeal Cerejeira, o Legado Pontifício.
Na quarta-feira, dia 20 de abril, às 23:30horas, o sineiro ouro-pretano, Amador Gomes, exibiu sua arte com repiques e dobres festivos do sino da Capela do Padre Faria, enquanto o cardeal Cerejeira abençoava a Nova Capital. Logo em seguida, por rádio-mensagem direto do Vaticano, o papa João XXIII exaltou o “laborioso e generoso povo brasileiro” com sua Bênção Apostólica.
O “X” de Fontenelle e o sino que pranteou o enforcamento de Tiradentes revivem os 65 anos de Brasília com uma mensagem mais do que simbólica. Tão real quanto atual, clamando por Independência e Liberdade. Cada servidor do Legislativo, Judiciário e Executivo precisa servir ao povo brasileiro e não se servir do Brasil.

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O papel do brincar na regulação emocional das crianças

Como as brincadeiras ajudam a desenvolver autocontrole, empatia e equilíbrio emocional desde a infância

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Por Alcie Simão  

Brincar é muito mais do que passar o tempo ou gastar energia. Para a criança, a brincadeira é uma linguagem essencial — uma forma de compreender o mundo, expressar sentimentos e aprender a lidar com frustrações, medos, alegrias e desafios. Em um cotidiano cada vez mais acelerado, reconhecer o valor do brincar livre e guiado é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável.

Brincar é sentir, experimentar e elaborar

Durante as brincadeiras, as crianças simulam situações da vida real: cuidam de bonecos, encenam conflitos, inventam aventuras, criam regras e negociam papéis. Tudo isso funciona como um “laboratório emocional”, onde elas podem experimentar sentimentos em um ambiente seguro.

Quando uma criança finge ser médica, super-heroína ou professora, por exemplo, está também elaborando experiências vividas, tentando compreender o que sentiu e ensaiando novas respostas para o futuro. Esse processo ajuda a organizar emoções internas que, muitas vezes, ainda não conseguem ser expressas em palavras.

Regulação emocional começa no corpo

Correr, pular, dançar, construir, desmontar, desenhar e modelar massinha são atividades que envolvem o corpo e os sentidos. Esse movimento é essencial para liberar tensões, reduzir ansiedade e ajudar a criança a se acalmar depois de momentos intensos.

Brincadeiras físicas contribuem para:

  • descarregar estresse acumulado;
  • aumentar a consciência corporal;
  • favorecer o autocontrole;
  • melhorar a capacidade de foco após a atividade.

Já as brincadeiras mais tranquilas, como quebra-cabeças, jogos de encaixe ou leitura compartilhada, ajudam a desacelerar e encontrar estados de calma e concentração.

Aprender a lidar com frustrações e conflitos

Nem toda brincadeira é fácil — e isso é ótimo. Perder um jogo, esperar a vez, seguir regras ou negociar com amigos são experiências que desafiam emocionalmente a criança. Com apoio adulto, esses momentos se tornam oportunidades valiosas de aprendizado.

Ao vivenciar pequenas frustrações no brincar, a criança desenvolve:

  • tolerância ao erro;
  • persistência;
  • flexibilidade;
  • capacidade de resolver problemas;
  • empatia.

Essas competências formam a base da autorregulação emocional, habilidade que será usada por toda a vida.

O papel dos adultos: presença sem controle excessivo

Pais, cuidadores e educadores têm um papel importante nesse processo. Não é necessário dirigir cada brincadeira — muitas vezes, observar e estar disponível já é suficiente. Quando a criança convida o adulto para participar, entrar no jogo com curiosidade e respeito fortalece o vínculo e amplia a segurança emocional.

Algumas atitudes que ajudam:

  • validar sentimentos (“parece que você ficou frustrado, quer tentar de novo?”);
  • evitar resolver tudo imediatamente;
  • estimular a nomeação das emoções;
  • oferecer tempo e espaço para brincar livremente;
  • reduzir distrações como telas durante esses momentos.

Brincar também é construir vínculo

Quando adultos brincam com crianças, criam-se conexões afetivas profundas. Esse tempo compartilhado transmite a mensagem: “você é importante”, “eu estou aqui”, “seus sentimentos importam”. A segurança emocional gerada nessas interações fortalece a autoestima e facilita que a criança procure ajuda quando estiver sobrecarregada.

Um direito e uma necessidade

Mais do que lazer, o brincar é uma necessidade básica da infância. Ele sustenta o desenvolvimento emocional, social e cognitivo, ajudando a criança a crescer mais confiante, resiliente e preparada para lidar com as próprias emoções.

Em meio a agendas cheias e estímulos digitais constantes, reservar tempo diário para brincar — dentro ou fora de casa, com ou sem brinquedos estruturados — é investir diretamente na saúde emocional das crianças.

Porque, no fundo, toda grande aprendizagem emocional começa em algo simples: uma brincadeira.

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O BRASIL DE JK

HÁ 70 ANOS JUSCELINO TOMAVA POSSE NA PRESIDÊNCIA

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“Lutei dia e noite para dar nova dimensão ao nosso País.

Quis que, da minha administração, não se pudesse dizer,

sem pecar contra a verdade, que o Brasil crescia nas horas noturnas,

enquanto o Governo dormia. Não!

O Governo não dormiu, em minhas mãos.”

Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira

 

Em 526 anos de Brasil, há datas a celebrar e há datas para esquecer. Felizmente, as datas para celebrar são maioria. Duas delas, por exemplo, moldaram este País por serem mais significativas e funcionarem como um divisor de águas do Brasil como Nação. Ambas as datas, separadas por 148 anos, aconteceram no mês de janeiro. A chegada da família real ao Brasil, em 22 de janeiro de 1808 e a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 31 de janeiro de 1956.

A vinda da corte para o Brasil foi uma manobra do príncipe regente, D. João, para garantir que Portugal continuasse independente, quando foi ameaçado de invasão por Napoleão Bonaparte. A principal consequência foi a declaração do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. O Brasil deixou de ser colônia, o que provocou uma série de transformações geopolíticas.

A permanência da família real foi decisiva para manter a unificação e grandiosidade do território nacional, a possibilidade de o país inteiro falar a Língua Portuguesa, além de outros ganhos concretos como a abertura dos portos para as nações amigas e a criação de entidades essenciais: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Real Fábrica de Pólvora, Imprensa Oficial e Banco do Brasil.

Em 31 de janeiro de 1956, 134 anos depois da Independência, vem a segunda data que transformou o Brasil em todas as dimensões: cultural, industrial, econômica e politica: a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Não foi fácil a chegada de JK ao Palácio do Catete. Ainda governador de Minas, Juscelino deixou claro sua intenção de disputar a Presidência da República pelo PSD.

Houve muitas tratativas de lideranças nacionais e até de militares para demover JK de sua intenção. O próprio presidente da República, Café Filho (vice de Getúlio Vargas) e o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, se articularam para evitar a candidatura de JK.

Pior: até seu padrinho político, o ex-governador de Minas, Benedito Valadares, temeroso de que o crescimento de JK lhe roubasse influência no Estado, não mediu esforços, nos bastidores, contra a candidatura.

Em dezembro de 1954, militares de alta patente levaram ao então presidente Café Filho um documento em defesa da candidatura única à Presidência. Sem JK, evidentemente.

O presidente Café Filho – que tomou a iniciativa de ler o texto no programa ‘A Voz do Brasil’, ainda procurou demover JK, com o argumento de que as Forças Armadas não aprovavam a sua pretensão.

JK começou a ganhar a eleição ali. Não se deixando intimidar, confirmou sua candidatura e mandou um recado curto e grosso para o presidente Café Filho. Sua frase virou seu lema de vida: “DEUS POUPOU-ME O SENTIMENTO DO MEDO”.

E foi com este sentimento que JK plantou sua candidatura em 10 de fevereiro de 1955, para colher nas urnas, em 3 de outubro, 3.077.411 votos, ou 36% do total.

Não foi fácil. No dia primeiro de novembro, o coronel Jurandir de Bizarria Mamede, discursando no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, sugere golpe militar para impedir a posse de JK e do vice João Goulart.

Em 11 de novembro de 1955, para garantir a posse de JK, antes de deixar o Ministério da Guerra, o Marechal Lott põe os tanques nas ruas e dá o “Golpe da Legalidade”. Carlos Luz, então presidente da República – com o afastamento de Café Filho – é deposto e nove dias depois, em 20 de novembro, o Congresso Nacional aprova o impedimento de Café Filho e elege Nereu Ramos presidente. O senador catarinense assume o governo até a posse de JK.

Há 70 anos, em 31 de janeiro de 1956, JK toma posse e pede ao Congresso a abolição do estado de sítio. No dia seguinte, põe fim à censura à imprensa.

JK, a seu modo, sacudiu a vida administrativa, política e cultural do Brasil. Seu governo plantou hidroelétricas, plantou estradas, plantou bom humor e plantou compromissos: cumpriu todas as 31 metas prometidas durante sua campanha à Presidência. JK plantou indústria automobilística e plantou magnanimidade, perdoando revoltosos e inimigos políticos. JK plantou Brasília.

Ao interiorizar o desenvolvimento com a construção da nova Capital, o Centro-Oeste foi ocupado de todas as formas. Onde não se produzia um grão de soja em 1960, ficou responsável por 49,3% da produção nacional. A soja avançou sobre novas fronteiras e levou junto a cultura do milho. A produção de milho na região – antes de Brasília – era inferior a 9%. Atualmente representa 54,36% da safra nacional. Essas duas culturas levaram uma promissora cultura empreendedora em outros setores: pecuária, frutas, café, arroz, feijão, trigo. Centenas de pequenos povoados nasceram no vazio do Cerrado e transformaram-se, nestes últimos 70 anos, em cidades de pequeno, médio e grande porte com excelentes índices de IDH.

Na Era JK, o Brasil colheu efervescência cultural. O Brasil colheu a primeira Copa do Mundo, colheu Bossa Nova, Cinema Novo. Colheu alegria! O povo brasileiro colheu o sentimento de que é capaz de construir o que parece impossível.

JK plantou Democracia. E o Brasil colheu Paz!

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Casa Perini convida público a viver a colheita da uva

Experiência de enoturismo inclui pisa tradicional, degustações e programação especial em fevereiro

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A vinícola Casa Perini realiza, aos finais de semana de fevereiro, a Saga da Uva — uma experiência de enoturismo que convida o público a participar dos rituais tradicionais da colheita. Com duração aproximada de três horas, das 10h às 13h, a atividade acontece em grupos de até 35 pessoas por edição.

A proposta leva os visitantes ao coração dos parreirais para vivenciar cada etapa do processo: da colheita manual das uvas à clássica pisa com os pés, passando por degustações de rótulos especiais e um momento gastronômico inspirado nas tradições da imigração italiana. O cenário entre as videiras completa a imersão sensorial e aproxima o público da rotina da safra.

Aberta a todas as idades, a atividade recebe famílias com crianças e também visitantes acompanhados de animais de estimação. Pessoas com mobilidade reduzida podem participar, observando apenas a presença de trechos em estrada de chão no percurso.

Os ingressos custam R$ 550 para adultos, R$ 220 para crianças e jovens de cinco a 17 anos, enquanto menores de cinco anos têm entrada gratuita. Cada participante recebe chapéu e avental personalizados como lembrança da vivência. Em caso de chuva, a programação poderá ser transferida para o dia seguinte ou para outro final de semana, conforme as condições climáticas.

Para grupos, empresas ou turmas fechadas, a vinícola oferece a possibilidade de reservas exclusivas mediante agendamento prévio e pagamento antecipado.

De acordo com Franco Onzi Perini, presidente do Conselho de Administração da Casa Perini, o diferencial da iniciativa está na experiência completa e na conexão emocional criada com os participantes. “Na Saga da Uva, promovemos uma imersão no tradicional ritual da colheita praticado por nossos antepassados. As pessoas vivenciam a colheita e a pisa das uvas em meio aos parreirais, harmonizando o momento com vinhos, espumantes e gastronomia típica dos tempos da imigração italiana”, afirma.

As próximas datas da Saga da Uva estão marcadas para 7, 15, 21, 22 e 28 de fevereiro, conforme disponibilidade de ingressos. Informações e reservas podem ser obtidas pelo WhatsApp (54) 99176-8172 ou pelo site Wine Locals.

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