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ÁRVORES EM POESIA

QUEM FOI AUGUSTO DOS ANJOS

 

Em setembro se comemora o Dia da Árvore e o início da Primavera. Então, nada melhor que do lembrar um belo soneto de Augusto dos Anjos.

Silvestre Gorgulho

Paraibano de nascimento, Augusto dos Anjos (Sapé-PB 20/abril/1884 – Leopoldina-MG 12/novembro/1914) tinha um movimento próprio dentro da literatura brasileira. Por isso mesmo, muito original. Deixou apenas um livro com sua obra que não se encaixa em nenhuma escola literária, apesar de que sua produção poética tenha características no espectro do naturalismo e do simbolismo.

Filho de antigos senhores de engenho, o poeta vivenciou, desde a infância, a lenta decadência de sua família. O pai, bacharel em Direito, ensinou-lhe as primeiras letras até seu ingresso no Liceu Paraibano para cursar o ensino secundário. As circunstâncias da vida levaram Augusto dos Anjos a se transferir para o Rio de Janeiro, onde passou a lecionar Geografia depois de cerca de um ano desempregado. Em 1912, com a ajuda de seu irmão Odilon, publica único livro: EU – com 56 poemas. Nunca recebeu apoio dos colegas da literatura. Pelo contrário. Foi muito criticado.

 

AUGUSTO DOS ANJOS – Sua obra e o legado são preservados em um memorial instalado em Sapé-PB e em Leopoldina, no Museu Espaço dos Anjos.

 

Na Paraíba, o Memorial a Augusto dos Anjos preserva obra e legado do poeta. (Foto: Beatriz Freire)

Dois anos depois de publicar seu livro, em junho de 1914, Augusto dos Anjos mudou-se para Leopoldina, (MG), para assumir o cargo de diretor de um grupo escolar na cidade. No mesmo ano, em 12 de novembro, aos 30 anos, uma pneumonia dupla interrompeu a trajetória do poeta. A casa em que residiu durante seus últimos meses de vida, Rua Barão de Cotegipe, 386 – Leopoldina, é hoje o Museu Espaço dos Anjos.

Outra homenagem ao poeta: a Academia Paraibana de Letras está estabelecida na antiga residência de Augusto dos Anjos, em João Pessoa.

 

 

A ÁRVORE DA SERRA

Augusto dos Anjos

 

– As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho…

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!

 

– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pôs almas nos cedros…  no junquilho…

Esta árvore, meu pai, possui minh’alma!…

 

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:

“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”

E quando a árvore, olhando a pátria serra,

 

Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!

 

 

O DIA EM QUE A NATUREZA VENCEU

 

Silvestre Gorgulho

O fotógrafo LEANDRO BARCELLOS dá uma lição profissional e emocionante. Fotografa um pé de ipê que foi arrancado da floresta para servir de poste. Este exemplo de Porto Velho, em Rondônia, é muito forte. E pontual. O tronco do ipê amarelo cortado e transformado em poste recebe todo tipo de fiação. Fios de energia, de telefonia, de tevê a cabo e até a iluminação pública. A foto mostra bem como o emaranhado de fios, pregos, ganchos e arames sufocam o ipê.

 

Ao abraço de urso, o ipê dá uma resposta pacífica aos agressores. Às marteladas, facões e serrotes, responde com amor. Ao desrespeito e abandono, oferece uma vez mais sua sombra e se veste de flores. Ao assassinato de seus galhos e folhas, responde com a vida.

Apesar do constante confronto entre o ser humano e a natureza pela utilização dos recursos naturais, a natureza responde sempre com magnanimidade e abundância. As provas de que a natureza é magnânima e exuberante estão aí aos montes: para despoluir um rio, basta deixar de poluí-lo. Para recuperar uma área degradada, basta deixá-la livre das agressões físicas e químicas. E para reconstituir uma floresta, basta recuar com as motosserras e proteger a área por alguns anos. O poste-ipê ressuscita para anunciar a Primavera.

 

O PÉ DE IPÊ QUE FLORIU

Foto: Leandro Barcellos

 

O MILAGRE DO IPÊ

 Silvestre Gorgulho 

 

O Primeiro Ato é mais que conhecido:

– Esta árvore é minha! Vocifera o bronco.

Vai me trazer o conforto merecido.

Este pé de ipê é de excelente porte.

Tira-lhe os galhos… raspa-lhe o tronco,

Pois que está condenado à morte!

 

 Vem, a seguir, o Segundo Ato:

– Tudo tem que estar pronto ao fim do dia.

Não há espera. Árvore é no mato!

Prendem-lhe fios, arames e pregos

Para que a modernidade em energia

Chegue a todo bairro em imediato!

 

 O Terceiro Ato é mais que previsível.

– Morreu como um crucificado!

É forte? Madeira de lei? É invencível?

Que nada! Estarei no meu sofá sentado

E este pé de ipê me dará alívio

Ao trazer luz, tevê e ar-condicionado.

 

Como fez o Cristo no Calvário.

 O Ipê – no Quarto Ato – foi divino:

Abriu em belíssimo cenário

Para ressurgir florido à espera

De ofertar flores ao assassino.

Exuberante! Lindo! Uma quimera!

Respondeu com paz, o solitário,

E saudou com vida a Primavera!

 

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EMILIANO PEREIRA BOTELHO

(1948-2026)

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O Brasil perdeu ontem à noite (11/08) um cidadão empreendedor, dedicado e que deixa um legado incomensurável para a agricultura tropical: EMILIANO PEREIRA BOTELHO.
Paracatu perdeu um filho ilustre e eu perdi um amigo, inclusive, que escreveu a abertura do meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – JK-BRASÍLIA-PELÉ – A Era dos Grandes dribles na Política, Cultura e História”.
Nesse livro, Emiliano, como presidente da CAMPO – Companhia de Promoção Agrícola, escreveu sobre o Planalto Central e a história da revolução verde-amerela do Cerrado, focando na chegada dos japoneses das famílias Kanegae, Hayakawa, Ogawa, Ikeda e Okudi para desbravar a região do Distrito Federal.
Como jogador de futebol, amante da boa música e torcedor do Cruzeiro, EMILIANO BOTELHO tinha seu lado alegre e festeiro. Como profissional da agropecuária, deixa uma história de empreendedorismo: logo depois de ser o superintendente e, depois, presidente da Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu, a Coopervap, presidiu por mais de 30 anos a CAMPO – Companhia de Promoção Agrícola, ligada ao Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados, o Prodecer.
FOTOS
1) Emiliano Botelho quando foi homenageado pela Casa de Cultura e pela Prefeitura Municipal de Paracatu como Personalidade que fez e faz diferença na região.
2) Emiliano, o Ministro Alysson Paolinelli e o primeiro presidente da CAMPO, Paulo Afonso Romano.
3) Emiliano e sua paixão pelo Cruzeiro, que hoje no jogo com o Flamengo bem podia fazer um minuto de silêncio em sua Memória.
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UnB tem finalistas no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026

Obras dos docentes Edileuza Penha, Gabriele Cornelli e Elimar Pinheiro concorrem nas áreas de Artes; Tradução; e Ciências Agrárias e Ciências Ambientais. Premiação ocorre em 11 de agosto, em São Paulo

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Eleições 2026: conheça as regras e faça do seu voto um instrumento de transformação

Entenda o calendário eleitoral, as principais normas do pleito e a importância de buscar informação de qualidade para exercer um voto consciente e fortalecer a democracia brasileira.

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Antes de escolher um candidato, o eleitor escolhe o futuro do país. Em 2026, milhões de brasileiros voltarão às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. Mais do que um direito, o voto é um dos principais instrumentos da democracia e uma oportunidade de influenciar os rumos do Brasil pelos próximos anos.

As eleições deste ano seguem regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que buscam garantir transparência, igualdade entre os candidatos e segurança no processo de votação. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, enquanto o segundo turno, caso necessário para presidente e governadores, ocorrerá em 25 de outubro. A campanha eleitoral oficial começa em 16 de agosto, quando passam a ser permitidas as propagandas e os atos de campanha previstos na legislação.

Além do calendário, algumas normas ganharam destaque em 2026. O TSE atualizou regras relacionadas ao uso da inteligência artificial nas campanhas, reforçou medidas de combate à desinformação, aprimorou procedimentos de auditoria das urnas eletrônicas e promoveu ajustes na regulamentação do Fundo Eleitoral. O objetivo é aumentar a transparência, proteger a integridade do processo eleitoral e oferecer mais segurança aos eleitores.

Mas conhecer as regras é apenas parte da responsabilidade do eleitor. O voto consciente começa muito antes do dia da eleição. É importante pesquisar a trajetória dos candidatos, avaliar suas propostas, verificar seu histórico de atuação e confirmar se as informações compartilhadas nas redes sociais são verdadeiras. Em um cenário marcado pelo grande volume de conteúdos digitais, desconfiar de mensagens sem fonte confiável e consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral faz toda a diferença.

Também vale lembrar que votos brancos e nulos não são direcionados a nenhum candidato e não alteram o cálculo dos votos válidos utilizados para definir os eleitos. Por isso, participar de forma consciente significa escolher um candidato de acordo com suas convicções e acompanhar, depois da eleição, o trabalho dos representantes escolhidos.

A democracia não se fortalece apenas no dia da votação. Ela depende da participação permanente da sociedade, do respeito às instituições e do compromisso de cada cidadão com a informação de qualidade. Informar-se, comparar propostas e votar com responsabilidade são atitudes que ajudam a construir um país mais justo, transparente e representativo.

Para conferir o calendário completo, as regras atualizadas e outras informações oficiais sobre as Eleições 2026, consulte a página oficial das Eleições 2026 do TSE e o Calendário Eleitoral.

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