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PEDÁGIO AOS VISITANTES

Omissão do Ministério do Meio Ambiente cria polêmica no Parque Nacional da Serra da Capivara

 

André Pessoa – especial para a www.folhadomeio.com.br

 

O Instituto Chico Mendes – ICMBio não consegue controlar abusos na região, e turistas começam a cancelar visitas ao Parque Nacional da Serra da Capivara. É aquele velho ditado popular: “Quando o gato sai, os ratos fazem a festa”. A explicação sobre essa expressão traz o significado que quando a autoridade, liderança ou supervisão (o “gato”) está ausente, as pessoas submetidas a ela (os “ratos”) aproveitam para agir com liberdade, desordem ou desleixo. Motivo: a Prefeitura de Coronel José Dias – um dos quatro municípios (São Raimundo Nonato, Coronel José Dias, João Costa e Brejo do Piauí) que tem áreas dentro da reserva federal, aprovou uma Lei Municipal para cobrar “pedágio” dos turistas que desejam acessar o parque nacional por rodovias federais e estaduais que cortam o município.

 

Parque Nacional da Serra da Capivara, um dos destinos turísticos ligados à arqueologia mais visitados no mundo. Foto: André Pessoa

 

Para os moradores da zona de entorno do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, em função das suas belas e conservadas pinturas rupestres, a morte da maior liderança da região, a arqueóloga paulista Niéde Guidon (1933-2025), desencadeou uma série de medidas consideradas, no mínimo, polêmicas.

 

O Parque Nacional Serra da Capivara é uma joia da natureza brasileira com centenas de sítios arqueológicos e pesquisas sobre a ocupação do continente americano com repercussão internacional. Foto: André Pessoa

 

PEDÁGIO: UM CARTÓRIO DE TAXAS

Tudo começou com a Associação Pimenteiras, de São Raimundo Nonato, que reúne condutores de visitantes credenciados pelo ICMBio para acompanhar, obrigatoriamente, os visitantes na unidade de conservação. Apesar de ser uma concessão pública, a entidade majorou os seus valores para uma taxa mínima de R$ 330,00. Como antes o valor era de R$ 300,00 para conduzir grupos de até 8 pessoas. O Brasil não teve uma inflação de 10% no ano anterior, e o reajuste pegou mal, levantando questionamentos sobre a real necessidade de aumento sem justificativa. O órgão ambiental que deveria “controlar” os abusos, simplesmente alegou que não tem como interferir na entidade.

Ato contínuo, a Prefeitura de Coronel José Dias – um dos quatro municípios que tem áreas dentro da reserva federal, aprovou uma Lei Municipal para cobrar uma espécie de “pedágio” dos turistas que desejam acessar o parque nacional por rodovias federais e estaduais que cortam o município. Dessa forma, o acesso para a unidade de conservação que não cobra ingressos, passou a ser controlado por uma taxa de R$ 20,00 no primeiro dia, e outros R$ 10,00 nos dias subsequentes até o quinto dia de visitas (quase ninguém fica mais de 5 dias na região).

 

TAXAS E QR-CODE INOPERANTES

A taxa municipal instituída sem negociação com os demais municípios do destino Serra da Capivara, autoridades, trade turístico e veículos de comunicação, já está criando sérios empecilhos para a atratividade dos visitantes, em especial, estudantes e moradores da microrregião que alegam não dispor desses recursos. “Se você começar a somar todas as despesas: transporte, hospedagem, alimentação, pagamento do guia, ingressos nos museus e, agora, essa taxa da Prefeitura de Coronel José Dias, começa a ficar inviável visitar a Serra da Capivara, principalmente para grupos de estudantes e pesquisadores”, explica um condutor que pediu reservas com medo de perseguição.

 

BLITZ E CONSTRANGIMENTOS

DOS PSEUDO FISCAIS

O sistema implantado às pressas pela Prefeitura de Coronel José Dias para iniciar a cobrança em janeiro, mês considerado de alta visitação na região, tem criado uma série de problemas. Orientados a pagar a taxa pela internet através de QR-Code, o sistema costuma está inoperante, não aceitar o pagamento da taxa de R$ 10,00 referente ao segundo dia e, pior, a Prefeitura não disponibiliza um totem com acesso a internet, o que cria filas, e termina obrigando o turista a retornar ao hotel ou algum espaço com rede de Wi-Fi.

“Para piorar ainda mais a situação, o Poder Público Municipal, instalou uma espécie de tenda na principal entrada do Parque Nacional Serra da Capivara, como uma espécie de blitz, barreira na estrada, onde pseudo ‘fiscais’ conferem se o visitante pagou a taxa. Caso não tenha pago, eles pegam os seus dados pessoais, placas do veículo, nome do condutor, e afirmam que as providências jurídicas e administrativas serão tomadas”, diz um comerciante local.

Com a repercussão negativa do imposto, o prefeito do município, Victor Carvalho (PSD), chegou a afirmar aos veículos de comunicação que o visitante que se negar a pagar a taxa, não será impedido de acessar o parque nacional, mas o seu próprio secretário de Turismo, Arivan Lima, publicou nas redes sociais que os condutores serão penalizados.

 

DENÚNCIAS AO MINISTÉRIO DO TRABALHO

A tenda das taxas totalmente improvisada.

 

A tenda instalada pela Prefeitura de Coronel José Dias, no acesso ao circuito turístico do Boqueirão da Pedra Furada, a área mais visitada da Serra da Capivara, não dispõe dos mínimos requisitos para funcionar. Não existem banheiros, o sol é inclemente durante grande parte do dia, não tem área de descanso, muito menos para refeições.

Denúncias devem levar a delegacia do Ministério do Trabalho em São Raimundo Nonato a investigar as condições insalubres de trabalho que os funcionários da Prefeitura de Coronel José Dias estão submetidos de segunda à segunda, já que o parque funciona todos os 7 dias da semana das 7h às 17h.

Para piorar tudo, a atual gestão do parque nacional enfrenta uma série de problemas na região envolvendo operadores de turismo, condutores de visitantes, funcionários terceirizados entre outros. A Justiça Federal, por exemplo, já foi acionada em alguns casos e os reveses são grandes.

Marian Rodrigues, chefe da Unidade, não é funcionária pública federal concursada, mas uma indicação política efetuada ainda no Governo Temer, pelo ex-deputado José Francisco Paes Landim.

 

A atual chefe da unidade não é funcionária pública federal concursada, mas sim resultado de uma indicação política efetuada ainda no Governo Temer, pelo ex-deputado José Francisco Paes Landim. De lá para cá, como um camaleão que muda de cor e se adapta ao ambiente, ela vem se sustentando no cargo mesmo com os diferentes e antagônicos governos Bolsonaro e Lula.

A sua imparcialidade já foi questionada inúmeras vezes, inclusive na justiça, já que ela tem irmão como secretário municipal em Coronel José Dias, familiares como condutores de visitantes, entre eles o seu cônjuge, mas o pior de tudo são as acusações e suspeitas de conflito de interesses. Sócia fundadora de uma ONG que recebe emendas parlamentares, em 2025 ela publicou nas redes sociais do parque, visitas à gabinetes de parlamentares, em Brasília, vestida com a farda do ICMBio.

O resultado é que a ONG da qual o marido é um dos integrantes e ela sócia fundadora, já recebeu quase R$ 1 milhão em emendas parlamentares nos últimos anos, em especial do senador Marcelo Castro e seu filho, deputado federal Castro Neto, ambos do MDB.

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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ

O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.

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No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.

Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…)  formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”

O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.

Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.

Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

 

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.

 

 

DESCRIÇÃO COMPLETA

 

Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:

Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.” 

 

 

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A MAGIA EM FLORES

A Cidade Canção primaverou-se!

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Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.

 

MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO

“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.

Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo,  a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

 

 

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO

Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.

Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.

Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.

 

SAIBA MAIS

Veja duas outras matérias:

1) O batismo e a

cronologia da criação e urbanização.

2) Como o modelo de gestão participativa levou

 o município de Maringá a bater recordes

de competitividade e de sustentabilidade.

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ERA UMA VEZ…

QUANDO NASCIA UM REI.

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Mais uma data cheia de uma lenda brasileira.
Neste 2026, fazem 70 anos da posse de JK na Presidência da República, em 31 de janeiro… 50 anos de sua morte em 22 de agosto… e, 70 anos do primeiro jogo oficial do Rei Pelé, então um menino de apenas 15 anos, como profissional do Santos.
Pelé, que completaria 16 anos em 23 de outubro de 1956, entrou no segundo tempo (no lugar de Del Vecchio) do jogo Santos 7 x 1 Corinthians de Santo André, fez gol aos 36 min do segundo tempo e ganhou seu primeiro troféu: a Taça Independência.
Daí para frente, o Edson virou DICO… que virou PELÉ… que reinventou o futebol e que parou guerras.
Recebi de um leitor de meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – PELÉ-BRASÍLIA-JK – A ERA DOS GRANDES DRIBLES NA POLÍTICA, CULTURA E HISTÓRIA” o seguinte comentário sobre a polêmica quem foi maior: Pelé ou Maradona?
– “Pelé tornou o futebol mudialmente conhecido. Maradona ficou conhecido por causa do futebol”.
FOTOS: A súmula original com o registro do primeiro gol de Pelé integra o acervo do Museu de Santo André desde 2019. Ela registra a partida realizada em 7 de setembro de 1956 entre o Santos Futebol Clube e o Corinthians de Santo André no Estádio Américo Guazzeli.
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