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Sonhado há 30 anos, acordo Mercosul-UE entra em vigor

Após 26 anos de diálogos interrompidos e negociações diplomáticas com divergências, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entra em uma fase definitiva. Em 1º de maio de 2026, a parte comercial do tratado entrará em vigor de forma provisória, unindo dois blocos que, juntos, somam um PIB de US$ 22,4 trilhões e uma população de 718 milhões de pessoas. 

 

 

Mais do que uma redução de impostos, o pacto representa uma mudança na arquitetura geopolítica global. Ele também funciona como uma estratégia de inserção internacional e como um pacto entre democracias que buscam mais autonomia e o fortalecimento de suas instituições em um cenário global marcado pelo avanço de regimes autoritários. Como afirma o Senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores:

— Afirmo com convicção: esse acordo não é apenas desejável, ele é necessário. É a oportunidade de colocar o Brasil na primeira liga da economia internacional.

Para compreender este acordo, é preciso voltar às origens das instituições que o assinam:

O Mercosul

Criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, o Mercado Comum do Sul nasceu da união entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Seu objetivo inicial era promover a livre circulação de bens, serviços e pessoas, estabelecendo uma Tarifa Externa Comum (TEC) para negociar com o restante do mundo como um bloco único.

A União Europeia

Embora suas raízes sejam pós-Segunda Guerra Mundial com o Benelux (1944) e a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a UE foi formalizada pelo Tratado de Maastricht em 1992. É o bloco com o maior nível de integração do mundo, possuindo instituições supranacionais e, na maioria de seus 27 países, uma moeda única: o euro.

Sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, e do Mercosul, em Montevidéu Divulgação/Agência Parlasur e Divulgação/Wikipedia

O diálogo para um tratado de livre comércio entre essas duas potências regionais começou oficialmente em 1999, motivado por um desejo da Europa de contrabalançar a influência dos Estados Unidos na América do Sul. Como Tarciso Dal Maso, consultor do Senado especializado em relações internacionais:

— O acordo atende a interesses de ambos os blocos: de um lado, a União Europeia busca ampliar sua presença comercial; de outro, o Mercosul ganha acesso a um mercado relevante.

Para Regiane Bressan, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em América Latina, o acordo é, essencialmente, um pacto comercial entre democracias que buscam autonomia e reforço de suas instituições em um cenário de autoritarismos crescentes.

— Mais do que um acordo comercial, trata-se de uma articulação entre países que compartilham valores democráticos em um cenário internacional de incertezas.

Tarciso Dal Maso, consultor do Senado, e Regiane Bressan, professora da Unifesp Ana Volpe/Agência Senado e Reprodução/ Notícias R 7

Linha do tempo

A trajetória para a consolidação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é o resultado de mais de duas décadas de negociações que tiveram início logo após a fundação dos próprios blocos, evoluindo para um interesse formal em 1994 como uma estratégia europeia para contrabalançar a influência da proposta norte-americana da Área de Livre-Comércio das Américas (ALCA).

Após a assinatura do Acordo-Quadro de Cooperação em 1995, as tratativas comerciais começaram oficialmente em 1999, mas enfrentaram um impasse crítico em 2004: divergências sobre o acesso ao mercado agrícola europeu e a abertura industrial sul-americana levaram a uma paralisia quase total até 2010. O diálogo só foi retomado com intensidade em 2016, impulsionado por transformações no comércio global e, principalmente, pela eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Em 2019 veio o anúncio da conclusão técnica, etapa que foi novamente desafiada por exigências ambientais rigorosas e resistências políticas, entre 2020 e 2022. Após a consolidação do texto final em 2024, e superadas as pressões de setores agrícolas europeus, o ano de 2026 marcou o desfecho histórico: a aprovação pela União Europeia em 9 de janeiro, a assinatura formal em 17 de janeiro e a aprovação unânime pelo Senado brasileiro em 4 de março, culminando na entrada em vigor provisória da parte comercial em 1º de maio de 2026.

Expectativas e choques

O acordo revela uma assimetria profunda entre as economias. É o que aponta Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

— Há diferenças estruturais importantes entre as economias, especialmente no nível de desenvolvimento industrial e tecnológico.

Essa diferença de perfis produtivos reflete de forma desigual entre os setores, com impactos distintos para cada segmento da economia.

Visão da indústria

Negri observa que a indústria brasileira recebe o acordo com euforia e o vê como uma oportunidade única de modernização. O acesso a tecnologias, máquinas e insumos europeus mais baratos deve aumentar a produtividade nacional e permitir que empresas brasileiras disputem licitações governamentais na Europa.

— Embora haja maior entusiasmo em alguns setores, o acordo é visto pela indústria como positivo, especialmente pela abertura de mercado e pelas novas oportunidades de inserção internacional.

Risco de desindustrialização

Por outro lado, a professora Regiane Bressan alerta para o risco de o Brasil se consolidar apenas como um fornecedor de commodities caso não adote políticas industriais agressivas.

— Se a indústria brasileira não se modernizar rapidamente e ganhar eficiência, ela pode ser atropelada pela competitividade europeia antes mesmo de aprender a competir.

Setores sensíveis

Tarciso Dal Maso sugere que mesmo setores considerados vulneráveis ao novo acordo, como vinhos e derivados de leite, podem se beneficiar do intercâmbio para a obtenção de acessórios como garrafas e rolhas. Em contrapartida, o agronegócio dedicado a café e frutas terá ganhos imediatos com a zeragem de tarifas.

— Há dificuldade de competir em alguns segmentos, mas a importação de insumos mais baratos pode reduzir o preço final dos produtos.

Indústria e agronegócio são os setores mais afetados pelo acordo José Paulo Lacerda/CNI e Divulgação/UFSC

Salvaguardas

Um dos termos mais debatidos nas negociações foi o de salvaguardas bilaterais. Elas são mecanismos de defesa comercial que os signatários podem acionar em benefício da sua estabilidade interna. Na prática, funcionam como um “freio de emergência”: elas permitem que um país suspenda temporariamente os benefícios de redução de impostos caso ocorra um pico de importação inesperado que ameace um setor da indústria ou do agronegócio nacional.

A urgência desse tema cresceu quando a União Europeia decidiu diminuir o “gatilho” para acionar suas proteções: se antes era necessário um aumento de 10% nas importações para intervir, agora basta um aumento de 5% em relação à média de três anos para produtos como carne, mel e açúcar. Como resposta, e para garantir a reciprocidade, o governo brasileiro editou o Decreto 12.866 no mesmo dia da aprovação do acordo pelo Senado, assegurando que o Brasil possa reagir na mesma moeda caso seus produtores sejam prejudicados.

As partes têm a prerrogativa de “frear” os efeitos do acordo para estabilizar seus mercados internos Divulgação/Gov.do Ceará e DIvulgação/APPA

Escalonamento de tarifas

A abertura dos mercados arquitetada pelo acordo não será total nem imediata para todos. O documento organiza os produtos em três pilares fundamentais:

Zeragem imediata

Produtos que terão imposto zero já no primeiro dia de vigência do acordo. É o caso do café e das frutas, setores em que o Brasil é altamente competitivo. Outros itens do agronegócio também entram nessa categoria, como nozes, óleos e couros, que passam a acessar o mercado europeu sem tarifas desde o início.

Desgravação progressiva

Reduções graduais que ocorrem ao longo de anos ou até décadas. O setor de carros elétricos e híbridos, por exemplo, terá queda lenta nas tarifas, dando tempo para a indústria nacional se adaptar. O mesmo vale para tecnologias como veículos a hidrogênio. O acordo também prevê a abertura gradual para máquinas e equipamentos industriais europeus, o que pode reduzir custos e estimular a modernização. No caso das autopeças, há segmentos em que o Brasil já é competitivo, favorecendo a integração das cadeias produtivas.

Cotas para produtos sensíveis

Itens que nunca terão tarifa totalmente zerada. Haverá um limite de volume (cota) com imposto reduzido. Para a carne bovina, o teto é de 99 mil toneladas por ano; acima disso, a tarifa volta ao normal. O modelo se repete em setores como lácteos, com restrições para proteger a produção nacional; e na carne de frango, com controle para evitar aumento brusco da oferta. Açúcar e arroz também têm volumes limitados, assim como o mel, que pode perder benefícios se houver alta nas importações. No caso dos vinhos, o equilíbrio passa mais pela redução de custos de insumos do que por cotas.

Café. carros elétricos e carne bovina: para cada produto, uma regra diferente Divulgação/Governo do Estado de Rondônia, Divulgação/Wolkswagem e Bruno Cecim/Ag.Pará

Fatiamento

O interesse dos membros do Mercosul pelo acordo nunca esteve em dúvida, mas a aprovação do texto em 27 parlamentos diferentes da Europa sinalizava uma complexidade política desafiadora. Por isso, o tratado foi “fatiado”. O Acordo Provisório de Comércio foca na parte econômica e comercial, exigindo apenas a aprovação do Parlamento Europeu e dos países do Mercosul para começar a valer. É este que começa a produzir seus efeitos em maio.

Já o Acordo Geral, que trata de cooperação política e governança ambiental profunda, exige a ratificação individual de cada estado-membro da UE — incluindo países que oferecem forte resistência, como França, Polônia e Irlanda. Por enquanto, o Tribunal de Justiça da União Europeia analisa a legalidade do texto, um processo que pode levar até dois anos, mas que não impede a vigência comercial imediata iniciada em maio.

— O acordo geral está longe de ser aprovado, mas esse provisório vai ser o definitivo por muito tempo — observa o consultor Tarciso Dal Maso.

Cooperação em governança ambiental vai demorar mais para entrar em vigor Felipe Werneck/Ibama

“Primeira liga”

Para o Senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), o acordo é “a chave” para dinamizar a economia brasileira, gerar empregos e atrair investimentos, colocando e colocar o Brasil na “primeira liga” do comércio internacional. Ele ressalta que o país passa a ser visto como um parceiro previsível, o que atrai investimentos estrangeiros de longo prazo.

—  A implementação do acordo exige acompanhamento permanente do Parlamento, com avaliação contínua de seus impactos e adoção de medidas que assegurem uma transição equilibrada e a preservação da competitividade da economia brasileira.

Para garantir que essa transição seja segura, a CRE já institucionalizou um grupo de trabalho permanente, dedicado a monitorar os impactos reais e propor medidas de ajuste que protejam a competitividade da indústria nacional durante a implementação do tratado.

Senador Nelsinho Trad, presidente da CRE Waldemir Barreto/Agência Senado

Reportagem: Maria Fernanda Oliveira (sob supervisão)
Edição: Guilherme Oliveira
Pesquisa e edição de foto: Ana Volpe
Edição multimídia: Amanda Gomes
Infografias: Cássio Costa
Foto de capa: Redes Sociais / Mercosul

Produção integrada da Agência, Jornal, TV e Rádio Senado

Fonte: Agência Senado

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Homenagem à Orquestra Filarmônica de Brasília celebra 41 anos de dedicação à música erudita e popular

Proposto pelo deputado Fábio Felix (PSOL), o evento acontece no plenário da Casa

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Foto: Agência Brasília

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza sessão solene nesta sexta-feira (24) em homenagem à Orquestra Filarmônica de Brasília (OFB). Proposto pelo deputado Fábio Felix (PSOL), o evento acontece no plenário da Casa a partir das 14h.

A OFB surgiu em 1985, inicialmente com o nome de “Orquestra Jovem de Brasília”, integrada por estudantes de música da Universidade de Brasília (UnB) e da Escola de Música de Brasília (EMB), com as bençãos do maestro Claudio Santoro, que regeu a primeira apresentação do grupo. O objetivo era democratizar o acesso à música e promover a formação cultural no DF.

Ao longo dos anos, a Orquestra Filarmônica de Brasília consolidou-se como um dos principais grupos sinfônicos do DF, com um repertório que une música clássica e popular. Além disso, a OFB desenvolve uma série de projetos educativos, de incentivo a novos talentos e de formação de público.

 

Foto:Andressa Anholete / Agência CLDF

“Celebrar quatro décadas de atuação é reconhecer não apenas a excelência artística da Orquestra, mas também o empenho de músicos, maestros e colaboradores que se dedicaram à construção de um patrimônio cultural de inestimável valor para a sociedade”, destaca o autor da homenagem, deputado Fábio Felix.

Serviço
O que:
 sessão solene em homenagem à Orquestra Filarmônica de Brasília
Quando: sexta-feira (24), às 14h
Onde: plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal

Denise Caputo – Agência CLDF

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Receita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

Cerca de 415 mil contribuintes receberão R$ 592 milhões

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Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

Cerca de 415 mil contribuintes que caíram na malha fina e regularizaram as pendências com o Fisco podem saber se receberão restituição. Às 10h desta quinta-feira (23), a Receita Federal libera a consulta ao lote da malha fina de abril. O lote também contempla restituições residuais de anos anteriores.

Ao todo, 415.277 contribuintes receberão R$ 592,2 milhões. Desse total, R$ 256,8 milhões irão para contribuintes com prioridade legal no reembolso.

As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

  •    334.614 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix;
  •    32.231 contribuintes sem prioridade;
  •    28.572 contribuintes de 60 a 79 anos;
  •    10.521 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
  •    4.731 contribuintes acima de 80 anos;
  •    4.608 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave.

A consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

Pagamento

O pagamento será feito em 30 de abril, na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e tirar o extrato da declaração. Se verificar uma pendência, pode enviar uma declaração retificadora e esperar os próximos lotes da malha fina.

Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessando o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.

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Hábitos de higiene do sono favorecem qualidade de vida de pessoas e famílias atípicas

Material desenvolvido por especialista do Hospital Regional de Taguatinga é utilizado na rede pública de saúde; campanha Abril Azul é dedicada à conscientização do transtorno

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Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

A literatura demonstra que de 40% a 80% das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) apresentam algum distúrbio do sono. Constatando essa incidência durante os atendimentos realizados no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), a cirurgiã-dentista Andréia Aquino decidiu ampliar as oportunidades de conscientização das famílias atípicas.

A ideia de desenvolver o folder O sono e o autismo surgiu da observação da importância de noites bem-dormidas para a saúde global e, de modo especial, para a qualidade de vida das pessoas com o transtorno. “Queríamos destacar que a privação ou a baixa qualidade do sono pode exacerbar sintomas do TEA, acarretando prejuízos cognitivos, sociais, emocionais e comportamentais, com impactos não apenas para a pessoa autista, mas também para toda a família”, explica a especialista no atendimento a pessoas com deficiência (PcDs).

O material educativo foi desenvolvido há dois anos. Desde então, tem sido utilizado, no Sistema Único de Saúde (SUS) do Distrito Federal, como instrumento de educação, sensibilização e orientação, especialmente em ações voltadas ao cuidado de PcD e à atenção às famílias atípicas.

 Novos hábitos

Foi durante o Encontro Atípico, terapia comunitária oferecida todos os meses de 2025 no HRT, que Danielle Nunes Lacerda, de 39 anos, conheceu o que é higiene do sono. A ocasião, além de garantir a oferta gratuita do material impresso, serviu para que a mãe de Murilo Lacerda, 12, ouvisse o relato de famílias que já haviam colocado em prática o conjunto de hábitos recomendados para melhoria da qualidade e da duração do sono.

O garoto convivia com excessiva sonolência durante o período em que fez uso de medicação antipsicótica. Além disso, a demora para dormir, junto ao costume de acordar frequentemente cedo, causavam prejuízos ao seu humor e ao rendimento nas atividades apresentadas ao longo do dia.

 

A campanha Abril Azul conscientiza a sociedade para os cuidados com TEAs

A suplementação de melatonina — recomendada pelo neurologista com quem ele faz acompanhamento — e a incorporação de práticas de higiene do sono modificaram esse cenário. “A partir do momento em que começamos a aplicar a higiene do sono, ele melhorou 100%. Continua acordando cedo, mas tem uma noite de sono muito melhor”, relata Danielle.

A rotina de sono dificultosa causava desapontamentos no ambiente familiar. “A gente ficava um pouco frustrado às vezes, por dormir tarde e acordar cedo. Quando ele se levantava, a gente precisava se levantar também. Isso afetava a rotina dele e também a nossa”, detalha a professora e moradora de Taguatinga.

Abril Azul

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, comemorado em 2 de abril, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. Ao longo de todo o mês, ações da campanha são dedicadas à ampliação do conhecimento sobre o transtorno, ao enfrentamento do preconceito e à promoção da inclusão das pessoas com TEA na sociedade.

A rede pública de saúde do DF registrou mais de 8,2 mil atendimentos individuais na atenção primária à saúde, além de quase 135 mil procedimentos na atenção especializada e na rede contratada em 2025. Em dezembro, o Governo do Distrito Federal (GDF) inaugurou o primeiro Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea) do DF. O TEA atinge cerca de 34,5 mil pessoas, equivalente a 1,2% da população distrital, segundo censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

*Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)

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