LÚCIO FLÁVIO, DA AGÊNCIA BRASÍLIA I EDIÇÃO: CAROLINA JARDON
A bola vai correr solta pelos quatro cantos do Distrito Federal. Isso porque há uma “febre” de campos sintéticos na cidade com a construção de pelo menos oito deles nas regiões administrativas de Brazlândia, Ceilândia, Cruzeiro, Gama, Planaltina, Recanto das Emas, Sobradinho II e Taguatinga. O valor do investimento é de R$ 4 milhões, recurso vindo parte da própria Secretaria de Esporte e Lazer e também por emendas parlamentares dos deputados distritais Rafael Prudente, Reginaldo Sardinha, Eduardo Pedrosa e Iolando.
São espaços com o tamanho convencional de 23m x 43m que, além das traves, claro, contam com cercamento ao redor do campo e iluminação especial. Em um momento em que os reflexos do pós-pandemia ainda são visíveis, o incentivo de práticas esportivas é necessário.
“Estamos acompanhando de perto todas essas importantes intervenções que estão sendo realizadas por todo do DF com o propósito de oferecer mais opções esportivas à comunidade”, salienta a secretária de Esporte e Lazer do DF, Giselle Ferreira.
As obras já começaram em todos os oito espaços e estão em etapas diferentes de execução. A primeira etapa dos serviços, mais complexa e de grande porte, envolve a limpeza do terreno, execução e nivelamento da base da área do campo, compactação e concretagem do piso, além da construção do sistema de drenagem. Em média, quatro homens trabalham diariamente nos locais. O valor para a realização dessa primeira etapa é de quase R$ 2 milhões, cerca de R$ 150 mil para cada local.
Obras em andamento
A segunda fase da implantação dos campos sintéticos envolve a aplicação do próprio tapete e construção de uma arquibancada com capacidade para 30 pessoas
Em Taguatinga Norte (QNL 21/23), por exemplo, as obras estão em fase final, com a colocação de drenos de escoamento de águas. Em Ceilândia (QNP 13) e Cruzeiro (Velho) está sendo feita a terraplanagem dos terrenos. No Recanto das Emas (Q 605), Gama (Q 13, Setor Sul), Planaltina (Estância Mestre D’Armas), Sobradinho II (Vila Rabelo) já foram executados os trabalhos de topografia e demarcação do terreno onde o campo será montado. No Riacho Fundo II, onde os serviços tiveram início há três semanas, a brita já foi colocada e, em breve, haverá a concretagem do piso.
A segunda fase da implantação dos campos sintéticos envolve a aplicação do próprio tapete e construção de uma arquibancada com capacidade para 30 pessoas.
“Nossa cidade não tem nenhum equipamento de esporte grande, é um espaço que vai atender a todos os moradores da 4ª etapa do Riacho Fundo II, o que dá, mais ou menos, 40 famílias, cerca de 120 mil pessoas”, comenta Isaias Carvalho da Silva, coordenador de Obras e Licenciamento da Administração do Riacho Fundo II.
Se a chuva não atrapalhar, o campo sintético de Riacho Fundo II deve ser concluído antes mesmo do Natal. Nas outras cidades, até pelo cronograma do início das obras, vai demorar um pouco mais.
Para a administradora do Riacho Fundo II, Ana Maria da Silva, a chegada de uma área de lazer e esporte na cidade representa qualidade de vida. “Fico muito feliz, mais uma grande conquista para nossa cidade. Esse novo espaço esportivo vai agregar ainda mais para os jovens e proporcionar a todas as idades o estímulo às atividades esportivas”, diz.
A secretária de Esporte e Lazer reforça a importância das novas quadras em benefício de seus milhares de frequentadores. “Estamos acompanhando de perto todas essas importantes intervenções que estão sendo realizadas por todo do DF com o propósito de oferecer mais opções esportivas à comunidade ”, diz.
O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas com acesso à internet gratuita e de qualidade para uso pedagógico. Segundo dados atualizados do Indicador Escolas Conectadas (Inec), o país já soma 100.720 instituições conectadas dentro dos parâmetros considerados adequados pelo governo federal.
O avanço faz parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), programa coordenado pelos ministérios da Educação e das Comunicações, em parceria com estados e municípios. A meta do governo é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026.
Crescimento acelerado
O programa registrou forte avanço nos últimos anos. Em 2023, apenas 45,4% das escolas públicas brasileiras tinham acesso à internet considerada adequada. O índice subiu para 57,3% em dezembro de 2024, chegou a 69,7% no fim de 2025 e alcançou 72,9% em abril deste ano.
Em nota, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o resultado é fruto de um amplo esforço de infraestrutura iniciado em 2023.
“Esse é um momento histórico para a educação e para a inclusão digital do Brasil. Ter mais de 100 mil escolas com acesso gratuito à internet é uma realidade pela qual o governo trabalhou intensamente”, declarou.
Segundo ele, a ampliação da conectividade ajuda a reduzir desigualdades educacionais, especialmente em regiões mais isoladas do país.
“Com essa política transformadora, nossos estudantes terão mais oportunidades de aprendizado e portas abertas para o mercado de trabalho”, acrescentou o ministro.
Uso pedagógico
Além de levar internet às escolas, o programa busca garantir conexão estável e veloz, com redes Wi-Fi adequadas para uso dentro das salas de aula. A proposta é ampliar o acesso a plataformas educacionais, aulas digitais, ferramentas de inovação e capacitação de professores.
Em nota, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a iniciativa busca garantir igualdade de oportunidades para os estudantes da rede pública.
“A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas articula políticas e ações para universalizar o acesso à internet de qualidade e garantir o uso pedagógico da tecnologia em todas as escolas públicas”, afirmou.
Avanço no Norte
O maior crescimento proporcional ocorreu na Região Norte, onde os desafios logísticos historicamente dificultam o acesso à conectividade.
Em dezembro de 2023, apenas 23,6% das escolas da região tinham internet adequada. O índice passou para 36,7% em 2024, chegou a 60,5% em 2025 e atingiu 64,3% em abril deste ano.
Coordenado pelos Ministérios das Comunicações e da Educação, o programa é executado pela da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE).Segundo o governo, a expansão reduziu desigualdades regionais e levou conexão de qualidade a escolas que antes estavam praticamente isoladas digitalmente.
Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira
Jorge Araújo, 61 anos, passou a ter uma rotina de mais cuidados depois que começou a usar medicamentos imunossupressores para tratar a artrite reumatoide, em 2023. “Hoje tenho a artrite controlada. Pego medicamentos na Farmácia de Alto Custo. Só uma caixa do remédio custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês. Sem esse apoio, seria um sacrifício muito grande manter o tratamento”, diz o administrador de empresas.
No entanto, com a imunidade reduzida e maior risco de infecções, o morador de Águas Claras encontrou no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Distrito Federal (Crie-DF) um apoio que trouxe mais segurança ao tratamento.
“Já tomei vacinas contra hepatites A e B, pneumo, meningite, gripe e influenza, e ainda tenho outras agendadas. Por causa dos remédios imunossupressores, minha imunidade fica mais baixa. As vacinas ajudam a me proteger de infecções e doenças mais graves”, conta.
Mais proteção
O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais, ou seja, doses que não fazem parte do calendário básico de vacinação.
Desde dezembro de 2023, o serviço já realizou quase 20 mil atendimentos presenciais e aplicou mais de 36,5 mil doses. Segundo a responsável técnica substituta do centro, Lethícia Lima, a unidade atende pacientes com condições específicas, como transplantados e pessoas com doenças crônicas.
O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
“A principal porta de entrada são as unidades básicas de saúde. O paciente apresenta relatório médico e cartão de vacina, e a equipe do Crie avalia quais doses são necessárias”, explica.
Acesso ampliado
Hoje, o centro funciona no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Para ampliar o acesso ao atendimento, a SES-DF implantou, em agosto de 2024, o Crie Virtual. A iniciativa conecta 108 salas de vacinação da rede pública à equipe especializada do hospital.
“O objetivo é facilitar o acesso do usuário. Com o Crie Virtual, conseguimos atender uma pessoa que mora longe e não possui recursos financeiros para ir ao Hmib. Quando a vacina é ofertada perto da residência, ela consegue concluir o calendário vacinal”, explica Lethícia Lima.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu audiência pública, nesta sexta-feira (22), sobre as demandas dos estudantes com altas habilidades e superdotação (AH/SD). A discussão teve a presença de representantes da Secretaria de Educação do DF, do Ministério da Educação, da Universidade de Brasília, da Ordem dos Advogados do Brasil e, principalmente, de mães que clamaram por mais suporte ao desenvolvimento de seus filhos.
“Dói perceber a falta de apoio, de compreensão e de preparo da sociedade e até das instituições para acolher esses jovens, além do rótulo da inteligência. Porque superdotação não é apenas o desempenho: é também intensidade emocional, conflitos internos e uma solidão difícil de explicar”, disse Silvia Lustosa, mãe de uma filha com AH/SD e um filho em processo de diagnóstico.
A audiência pública abordou a necessidade de aprimoramento de políticas para esse público, em especial o aumento do número de vagas para Atendimento Educacional Especializado (AEE) na rede pública de ensino. No DF, há filas de espera para esse tipo de atendimento, que é ofertado uma vez por semana no contraturno, geralmente nas salas de recursos das escolas. O serviço é voltado não apenas para alunos com AH/SD, mas também para estudantes com deficiências.
Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF
Apesar de não suprir a demanda, participantes da audiência apontaram que a rede pública está à frente da rede privada de ensino, que muitas vezes não oferta qualquer tipo de suporte educacional para estudantes com AH/SD. Atualmente, 10% das matrículas para atendimento especializado nas escolas públicas são disponibilizadas para alunos da rede privada.
Nesse ponto, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), propositor da audiência, defendeu a cobrança de responsabilidade das escolas privadas, sem eximir o papel do Estado. “Os estudantes da educação privada têm direito ao atendimento, em suas especificidades, na educação pública. Nós podemos lutar para pressionar a responsabilização da educação privada, mas não podemos nos desresponsabilizar. Se a escola privada não cumprir esse processo, a educação pública sempre tem que estar de braços abertos, é um direito universal no Brasil”, afirmou o deputado, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa e Promoção da Educação Inclusiva nas Redes Públicas de Ensino do Distrito Federal.
Outra demanda apresentada na audiência foi pela qualificação permanente de profissionais da educação e da saúde, aumentando a capacidade de diagnóstico precoce e de acolhimento a pessoas com AH/SD. A audiência completa, com todos os pontos abordados, pode ser acessada no YouTube da TV Câmara Distrital.