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O mapa ecoturístico do Brasil

Biodiversidade brasileira é forte ativo ambiental Não podemos abrir mão destes insumos para o desenvolvimento sustentável

Silvestre Gorgulho, de Brasília


Quase 500 anos depois, o Brasil redescobriu novas minas de ouro nos mais variados pontos de suas terras: a profissionalização e a municipalização do fantástico potencial turístico que brota dos rios, das praias, das cavernas, dos monumentos históricos, das pescarias, das cachoeiras, das comidas típicas, das danças, dos folclores, do artesanato, da flora, da fauna e deste caleidoscópio de oportunidades que a exuberante biodiversidade brasileira oferece. Mais: que gera riquezas, dá emprego, educa, não polui, dá emprego e fatura cada vez mais alto. A profissionalização e a municipalização do turismo provaram que, em se plantando bem, tudo dá melhor. Garimpando, acha e o ecoturismo, casado com o turismo rural, começa dar um salto quantitativo e qualitativo no Brasil. Qual o conceito mágico disso tudo? Simples, profissionalizar. Promover uma gestão eficiente, integrada, criativa, oferecendo preço e qualidade. Como bem diz o presidente da Embratur, Caio Carvalho, turista bem tratado volta acompanhado e turista insatisfeito põe defeito. E como põe!


Veja bem, caro leitor, como as oportunidades se apresentam. Na edição de outubro da Folha do Meio Ambiente fiz uma matéria sobre o fascínio das aves, como novo produto de ecoturismo. O jornal estava sendo impresso e nossa redação já tinha recebido cinco emails (dois da Alemanha) e três telefonemas pedindo mais informações sobre a edição. Eu próprio não imaginava a força do ecoturismo em torno da observação de aves. Não imaginava o número incrível de adeptos no Brasil e no mundo. Na verdade, entrar nas matas para observar aves, curtir o vôo de pássaros é uma atividade esportiva de baixíssimo impacto ambiental e que faz bem ao corpo e a alma. Filmar, fotografar e gravar suas cores e cantos além do prazer de se integrar à natureza, favorece a formação de uma forte consciência ecológica. São muitas associações no Brasil e no mundo que envolve cerca de 80 milhões de Birdwatchers.
Como se vê, são tantas as possibilidades de ecoturismo que o melhor que os brasileiros podem fazer é preservar suas florestas, sua cultura, sua flora, fauna, rios e praias. As árvores de pé, as aves livres e soltas, as cavernas e as tradições culturais são valiosíssimos ativos ambientais. E como bem diz Celso Schenkel, da Unesco, quem se arrisca a perder ativos ambientais na quantidade e na qualidade que dispomos no Brasil está abrindo mão de insumos para o desenvolvimento, está perdendo bens inestimáveis capazes de gerar trabalho, renda e melhor qualidade de vida.


Mapa da diversidade nas regiões brasileiras
Vale a pena conhecer um pouquinho desses importantes ativos ambientais. Esse patrimônio é o fantástico potencial ecoturístico que pode muito bem libertar pequenas comunidades da depredação e garantir-lhes oportunidades de crescimento econômico e social, melhorando sua qualidade de vida. Cada região tem suas características. Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil vão construindo, com seus encantos e suas belezas, a grande indústria do Terceiro Milênio. Indústria que vai abastecer mercados ricos e ávidos em consumir belezas naturais, aventuras, sossego e harmonia. Ecoturismo, é o novo nome da Paz!


Região Norte
Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins formam a Amazônia brasileira, a região mais cobiçada, discutida e que exerce um fascínio no mundo inteiro, pois é ideal para os que buscam as aventuras do ecoturismo. Essa região oferece uma rara oportunidade de se vivenciar a floresta Amazônica, maior reserva biológica do mundo, com um potencial inigualável em recursos naturais, onde se encontra um terço das espécies vivas do planeta. Os rios da Bacia Amazônica, que possuem um quinto da reserva de água doce do planeta, são vias que conduzem ao coração da selva. Dos 20 maiores rios do planeta, dez fazem parte da Bacia Amazônica. Hotéis de Selva proporcionam comodidade e segurança para a exploração e o descobrimento da imensa flora e fauna da região. O folclore e a culinária amazônica com seus produtos regionais também oferecem atrações especiais. Em Parintins, o Festival Folclórico do “Boi-Bumbá”, no mês de junho, desperta a paixão em cores distintas dos grupos de “Caprichoso” e “Garantido”. Em Manaus, capital do estado do Amazonas, poderá também conhecer o Teatro Amazonas, construído no século XIX, em estilo renascentista e com o interior art-nouveau. O colorido da arte indígena, colares de plumas e cerâmica “marajoara” e “tapajônica”, se encontram à venda no tradicional mercado de “Ver-o-Peso” em Belém do Pará.


Região Nordeste
Nos nove estados da região nordeste acontece a maior revolução da atividade turística do Brasil. E o motivo todos sabem: belas praias, mar de água quente e sol o ano inteiro. Desde as fascinantes praias de Canoa Quebrada, no Ceará; de Genipabu com suas dunas, no Rio Grande do Norte; de Ponta do Seixas e Cabo Branco, na Paraíba, de Porto de Galinhas e as ilhas do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, de Pratagy, em Alagoas; de Atalaia Velha, em Sergipe, até Porto Seguro, na Bahia, entre muitas outras. Nessa região encontramos ritmos deliciosos como o “forró”, “frevo”, “ciranda”, “maracatu” e “lambada”, assim como os “trios elétricos” e o Carnaval. O artesanato regional apresenta uma variedade de souvenirs que estão em oferta no Mercado Modelo, em Salvador, na Casa da Cultura, em Recife e na Feira de Caruaru, em Pernambuco. A arquitetura colonial pode ser encontrada em Olinda, Pernambuco – berço da civilização portuguesa no Brasil, e no bairro do Pelourinho, em Salvador. Estes dois lugares foram declarados “Patrimônio Cultural da Humanidade”, pela Unesco, juntamente com São Luís, no Maranhão que possue ricos exemplos do uso dos azulejos na arquitetura dos séculos XVII e XVIII. No Parque Nacional da Serra da Capivara, no município de Raimundo Nonato, no Piauí, encontramos as pinturas rupestres que comprovam a mais antiga presença do homem no continente americano.


Região Centro-Oeste
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal formam a região do Centro-Oeste, onde o ecoturista pode encontrar diversidade, beleza e boa infra-estrutura: desde o Pantanal matogrossense, passando pelos parques das chapadas dos Guimarães e dos Veadeiros – de exuberante beleza cênica – o balneário de Caldas Novas com suas águas termais, as praias de rio até o complexo arquitetônica da moderna capital brasileira: Brasília, único bem contemporâneo tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Destacam-se ainda os parques nacionais da Chapada dos Guimarães e da Chapada dos Veadeiros, de exuberante beleza cênica.
Vale ressaltar o Pantanal, verdadeiro santuário ecológico onde o visitante, hospedado em pousadas, pode realizar excursões com guias especializados e observar, com total segurança, jacarés, capivaras, serpentes, assim como uma infinidade de espécies de pássaros. Para os pescadores de água doce, uma excelente dica: o rio Araguaia é considerado como um dos rios mais ricos em pesca em todo mundo, e a região dispõe de uma excelente infra-estrutura de hotelaria e excursões em barcos especiais para os amantes da pesca.


Região Sudeste
O cartão postal brasileiro está nesta região formada pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, que é justamente a Cidade Maravilhosa. A face urbana do Brasil é mostrada justamente pela região Sudeste. A cidade do Rio é o ápice das mais agitadas vidas noturnas e culturais do país, possuindo o carnaval mais famoso do mundo pelo desfile de suas escolas de samba. As atrações são inúmeras, como por exemplo o Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Jardim Botânico, Floresta da Tijuca.
Em Minas Gerais, poderá visitar o passado arquitetônico, conhecendo as famosas obras do escultor barroco Aleijadinho e as cidades históricas de Ouro Preto, Mariana, São João del Rey, Tiradentes, Sabará, Diamantina e Congonhas. Poderá deliciar-se com as águas medicinais em Caxambu, Araxá e São Lourenço. No Espírito Santo não deixe de saborear a famosa “moqueca capixaba”, e conhecer as cidades históricas de Vila Velha e Anchieta e as praias com areias monazíticas de Guarapari. Em São Paulo, que é a maior metrópole da América Latina, encontrará reunidas características dos cinco continentes, com o que há de mais moderno, cosmopolita e urbano. No litoral norte, se surpreenderá com as praias, como por exemplo Ilhabela, Ubatuba e São Sebastião.


Região Sul
A região colonizada pelos europeus está estampada no rosto de suas crianças: louras, olhos claros e um forte sotaque. Mais um detalhe importante: por ser de clima temperado, é a única região do país onde acompanhamos a passagem das quatro estações, de forma bem definida. O inverno é frio, chegando a nevar nas montanhas. No Paraná, pode-se contemplar extasiados em Foz do Iguaçu, o espetáculo as Cataratas. Em Florianópolis, capital de Santa Catarina, e no litoral catarinense, as praias são um espetáculo diferente com águas e areias para agradar todos os gostos. Aparados da Serra e serra do Quiriri são cenários encantadores. Joaquina, serve de ponto para os campeonatos internacionais de surf. Bombinhas é o paraíso dos mergulhadores. Camboriú é a praia mais urbanizada da região Sul. Em outubro, a cidade de Blumenau, em Santa Catarina, atrai animados turistas de todo país e até do exterior para sua Oktoberfest. Gramado e Canela, nas montanhas gaúchas, parecem verdadeiros postais da Bavária, com cafés coloniais e deliciosas salsichas e guloseimas alemãs. No Rio Grande do Sul, as ruínas de São Miguel e arredores de Santo Ângelo abrigam a recordação dos 210 anos das missões jesuíticas no Brasil. Um forte espírito regionalista do estado oferece um folclore rico nas músicas e danças, juntamente com o hábito de comer churrasco (assado de carne) e beber “chimarrão” (chá de erva mate).

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Trinta e um pesquisadores da Embrapa estão entre os mais citados do mundo

O estudo avaliou 26 disciplinas científicas em mais de 70 países

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Foto: Freepik

 

O número de pesquisadores da Embrapa presentes no ranking internacional da Research.com cresceu 25% em relação a 2025, passando de 24 para 31 cientistas reconhecidos entre os mais citados do mundo em oito áreas de atuação (confira os nomes em quadro abaixo). O estudo avaliou 26 disciplinas científicas de mais de 70 países.

Para classificar os cientistas, foi utilizado o indicador denominado Discipline H-index (D-index), que considera o número de artigos e a quantidade de citações para cada área avaliada. Para fazer a seleção, foram combinados dados bibliométricos de várias fontes, incluindo OpenAlex e CrossRef. As informações foram coletadas em novembro de 2025 e abrangeram somente pesquisadores ativos, com publicações nos últimos cinco anos.

O ranking avaliou 175.448 pesquisadores em nível global, selecionados a partir de fontes de dados bibliométricos. Os requisitos consideram também prêmios, bolsas e reconhecimentos acadêmicos outorgados pelas principais instituições de pesquisa e agências governamentais.

Segundo a plataforma Research.com, o objetivo do estudo é apontar os principais especialistas em áreas específicas de conhecimento de diferentes países e, assim, inspirar jovens acadêmicos em todo o mundo, enfatizando temas de impacto para a ciência atual e tendências para o futuro.

A participação da Embrapa

A área em que a Embrapa tem maior participação, segundo o ranking, é a de Ciência de Plantas e Agronomia, com 15 pesquisadores referenciados: Mariangela Hungria, Robert Boddey, Segundo UrquiagaBruno José Rodrigues AlvesJosé Ivo BaldaniVeronica Massena ReisMaria Fatima Grossi de SáMarcos Deon Vilela de ResendeSergio Miana de Faria, Miguel Borges, Rosana Pereira VianelloValeria Pacheco Batista EuclidesEder Jorge de Oliveira, Jose Renato Boucas Farias e José Ricardo Macedo Pezzopane. Mariangela Hungria é citada também na área de Microbiologia e Valéria Euclides, na de Ciências Animais e Veterinária.

Em seguida, aparece a de Ciências Animais e Veterinárias com oito cientistas mencionados. São eles: Luciana RegitanoMarcos Tavares DiasMaurício Alencar, Samuel PaivaMarcos Vinícius SilvaAna Carolina Chagas, Valeria Pacheco Batista Euclides e Gherman Araújo.

A área de Ecologia e Evolução no Brasil tem três pesquisadores relacionados: George BrownMarcelo Simon e Aldicir Scariot.

A área de Ciências Ambientais faz menção a dois pesquisadores: Joice Ferreira e Mateus Batistella.

Na área de Ciência de Materiais, há os pesquisadores: Luiz Henrique Mattoso e Caue Ribeiro. Ribeiro é o único citado na área de Química, o que também ocorreu em Biologia e Bioquímica (Dario Grattapaglia), e Engenharia e Tecnologia (Daniel Correa).

Fernanda Diniz (MTb 4.685/DF)
Assessoria de Comunicação (Ascom)

Contatos para a imprensa

Tradução em inglês: Mariana Medeiros (13044/DF)
Assessoria de Comunicação (Ascom)

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Investimento em cultura qualifica e emancipa, diz Margareth Menezes

Novas estratégias foram discutidas na Teia dos Pontos de Cultura

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Camila Boehm – Enviada especial*

“Já existem exemplos demais de como destruir a natureza, mas existem muitas memórias também de como preservar”. A declaração da ministra da Cultura, Margareth Menezes faz referência aos saberes tradicionais e populares que atravessaram gerações e permitiram um modo de vida aliado à preservação da biodiversidade.

A ministra participou, em Aracruz (ES), de diversas atividades na 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que neste ano teve como tema a justiça climática, além de extensa programação de terça-feira (19) até este domingo (24). 

Representantes dos povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas puderam discutir, junto a autoridades de governo, caminhos para mitigação dos efeitos da crise climática a partir das culturas tradicionais.

Em entrevista à Agência Brasil, Margareth Menezes ressaltou ainda que o investimento em cultura tem potencial de qualificação e emancipação, inclusive no aspecto financeiro. 

“Quem faz a cultura é o ser humano. É um investimento que tem uma potência de mudança, de qualificar, também de emancipar, [com] mais geração de emprego e renda.”

Veja os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil – O tema da Teia deste ano é Pontos de Cultura pela Justiça Climática. Como a cultura pode incidir na justiça climática?

Margareth Menezes – Podemos trazer as linguagens das artes e da cultura para auxiliar numa mudança de comportamento do ser humano em relação à natureza e às fontes naturais que precisamos tanto para viver.

Já existem exemplos demais de como destruir a natureza, mas existem muitas memórias também de como preservar.

Está mais do que na hora de começarmos a botar luz nesses exemplos de como preservar, e os povos originários, os povos de terreiro e outras linguagens culturais trabalham isso, dando à natureza a importância que ela precisa ter para nós. Nós é que precisamos da natureza viva para estarmos vivos também.

A cultura é uma grande ferramenta para isso e existem exemplos dentro das práticas culturais, especialmente desses povos, de como conviver com a natureza, [como] na maneira de vestir, na maneira de comer, na maneira de se relacionar.

Aracruz (ES), 23/05/2026 – A ministra da Cultura, Margareth Menezes posa com delegações dos estados durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Margareth Menezes na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura. Tomaz Silva/Agência Brasil

Agência Brasil – Qual é a importância de valorizar as culturas dos povos originários, que estão bastante presentes nesta edição da Teia?

Margareth Menezes – Esses grupos trazem identidade da cultura brasileira, que tem, na sua base, tanto as culturas dos povos originários – que estão ainda resistindo bravamente e dando a sua colaboração para nossa identidade como sociedade – e também dos povos de matriz africana.

São povos que guardam memória, passando de geração em geração seus conhecimentos. A grande colaboração que os povos originários têm na nossa formação social, todo esse legado que a gente chama de cultura tem muito a ver com o que eles trazem para nós.

Agência Brasil – Durante a Teia, ocorreu o primeiro encontro para construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas. Também foram assinados atos normativos direcionados a atores da cultura tradicional e popular, como seus mestres e mestras. Como essas ações beneficiam esses grupos?

Margareth Menezes – O decreto [da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares] foi assinado justamente para estabilizar e ampliar as políticas mais diretamente para a cultura popular, que é uma cultura viva e, ao mesmo tempo, reciclada a cada momento.

É um marco muito importante a gente ter o decreto de culturas populares e tradicionais, porque vai garantir mais proteção, mais qualidade e um empenho maior de investimentos nessa base de produção cultural brasileira.

Dos mestres e mestras, já há algum tempo existe essa luta tanto para a questão da profissionalização como de uma política que trate [do assunto]. Quando falamos de mestres e mestras, estamos tratando de memória, mas também de excelência, porque eles detêm conhecimentos que, se nós não cuidarmos, corremos o risco de perder..

Agência Brasil – Como será o processo de elaboração do Plano Nacional das Culturas Indígenas?

Margareth Menezes – O plano está sendo construído com diálogo, é preciso haver muita escuta para que seja uma coisa assertiva. A cultura indígena são culturas, há 300 línguas que ainda estão preservadas. Para chegar a isso, é uma grande construção. Nós estamos com essa porta aberta, com a criação de um grupo de trabalho, com o Ministério dos Povos Originários, e que passa imperativamente pela participação dos povos originários.

Agência Brasil – Faz 12 anos desde a última edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura. Qual é o impacto da realização do evento para a população?

Margareth Menezes – A importância da Teia é recuperar e fortalecer essa grande conexão que existe dos pontos e pontões de cultura, que são ativos da sociedade civil, ativos de cada lugar, de cada cidade que tem esse essa marca. Cada ação cultural é legalizada [na prática] pelo que ela repercute no lugar onde ela acontece, quem dá essa legalização é a comunidade.

O Ministério da Cultura credencia a partir do momento que escuta a comunidade sobre aquela ação cultural, se ela é boa ou não, e a partir daí ela é um ponto de cultura. Então você imagina o potencial disso.

Quando chegamos aqui [ao MinC], estávamos em 4 mil [cadastros de pontos de cultura], hoje nós somos 16 mil pontos de cultura a partir da nossa gestão. Isso significa a cultura viva mesmo, por isso a importância da Teia: provocar esse lugar de discussão, busca de pautas, ouvir o que é necessário [para as comunidades], ouvir para que a gente possa ter condição de melhorar cada vez mais as políticas que o Ministério da Cultura lança.

Esse grande encontro promove o fortalecimento dessa teia, dessa grande conexão que já tem 22 anos, o Cultura Viva completa 22 anos este ano. É uma política assertiva, já é repercutida em 14 países. Eu estive na China no mês passado e ali se inaugurou o primeiro ponto de cultura [brasileiro] da Ásia, em Xangai. Então você vê a força que a cultura brasileira tem.

Aracruz (ES), 23/05/2026 – A ministra da Cultura, Margareth Menezes visita expositores na Feira de Economia Criativa e Solidária na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Ministra da Cultura cumprimenta participante da 6ª Teia Nacional. Tomaz Silva/Agência Brasil

Agência Brasil – Sobre os planos de reconstrução do Minc, o que já foi alcançado e o que ainda deve ser feito até o final do ano?

Margareth Menezes – De quando nós chegamos, diante do que encontramos, até o que estamos entregando agora neste último ano da gestão, já houve um avanço muito grande. Fazer com que as políticas tenham uma popularidade e cheguem a todos, pelo menos 96% das cidades brasileiras estão conectadas à política [da lei] Paulo Gustavo ou à política [da lei] Aldir Blanc, um aporte direto do Ministério da Cultura para as cidades e os estados.

A nacionalização, por exemplo, do mecanismo de fomento da lei Rouanet, que hoje está em todos os estados brasileiros. É uma mudança muito grande para onde vai esse investimento.

Todas essas estruturas, toda essa arquitetura, fazem parte desse novo momento do Ministério da Cultura, e que não é algo que está no campo do querer, é fato, está acontecendo no Brasil um novo momento no ambiente cultural, visando a que toda cidade, todo estado, tenha o seu setor cultural alimentado e fortalecido através da produção e através do apoio do governo federal.

Quando você investe em cultura, está investindo no ser humano. Quem faz a cultura é o ser humano. É um investimento que tem uma potência de mudança, de qualificar, também de emancipar, [com] mais geração de emprego e renda.

Por isso, também estamos trazendo a política da economia criativa e trabalhando esse aspecto financeiro que está dentro da cultura.

*A equipe de reportagem viajou a convite do Ministério da Cultura. Matéria atualizada às 16h50 para alterar informação.

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DF 360 completa três meses, com mais de 2,4 mil câmeras a serviço das forças de segurança

Plataforma integra equipamentos de órgãos públicos e de pessoas e empresas para fazer ‘cercamento virtual’ do Distrito Federal; iniciativa tem contribuído para manter Brasília como capital mais segura do país

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Fernando Jordão, da Agência Brasília | Edição: Paulo Soares

Uma integração entre forças de segurança, órgãos públicos e sociedade civil para monitorar as ruas do Distrito Federal e, assim, ajudar a manter o título de unidade da Federação mais segura do Brasil. Esse é o objetivo da plataforma DF 360. Lançada há três meses, a iniciativa já mostra resultados.

No período, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) conseguiu incorporar à plataforma 320 câmeras de órgãos públicos e 321 de entidades privadas. Elas se somam às 1.402 da própria pasta. “Hoje, o sistema está com 2.403 [câmeras], mas a meta é 10 mil e nós vamos passar, porque estamos negociando com empresas que estão aderindo e com órgãos públicos. Agora, por exemplo, vão entrar de 3 mil a 5 mil câmeras da Saúde, de todas as UPAs [unidades de pronto atendimento], vão entrar câmeras da Educação que são apontadas para fora das escolas, Secretaria de Mobilidade de todos os terminais… A nossa expectativa é ficar entre 10 mil e 20 mil câmeras e aí, efetivamente, a gente terá um cercamento virtual de Brasília”, explica o secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury.

Desenvolvida pela própria SSP, a plataforma DF 360 funciona da seguinte maneira: até 30 segundos depois de serem registradas no Centro de Operações da Polícia Militar do DF (Copom) — que concentra as chamadas para os números de emergência 190, 192 e 193, bem como os registros pelas forças de segurança —, as ocorrências aparecem em um mapa. “Então, a gente clica [na ocorrência] e a plataforma faz uma triangulação. Ela busca no sistema as câmeras mais próximas em um raio de 1 km e ali a gente consegue ‘cercar’ a ocorrência”, detalha Patury.

Além da ampliação do número de câmeras, os próximos passos do programa incluem a criação de prompts para identificação de atos considerados suspeitos por meio de inteligência artificial (IA). “Por exemplo, uma pessoa puxou uma faca, um homem batendo em uma mulher, uma confusão generalizada, uma inversão de sentido — nas passagens subterrâneas tem um casal andando, uma pessoa que ia em sentido contrário inverte o sentido e começa a seguir o casal. A partir daí, a plataforma vai dar um alerta e, com esse alerta, você vai poder ter uma atuação preventiva, não só repressiva”, pontua o secretário.

Empresas

Dono da firma de monitoramento Setec, Agenor Neto foi um dos empresários que aceitou compartilhar imagens com a Secretaria de Segurança — com autorização de seus clientes e apenas câmeras que filmam ruas ou espaços públicos. “A gente trabalha com segurança, então, a gente tem que se aliar. Nós temos o mesmo objetivo, que é diminuir a criminalidade, ter uma cidade mais segura. Então, o que pudermos fazer para ajudar, fazer a nossa parte para a sociedade, faremos”, conta.

Segundo ele, o DF 360 foi “uma grande sacada” e tem contado com o apoio dos comerciantes que utilizam o serviço da Setec. “O comerciante está sempre pedindo por mais segurança e vai receber isso de portas abertas. É até meio engraçado eu ligar para eles e falar: ‘Olha, vou te dar uma segurança a mais’. Ele vai perguntar: ‘Quanto?’ E eu vou falar: ‘Nada’. É um benefício, com certeza, para a sociedade e para o comércio.”

 

“A gente consegue vincular a nossa empresa de segurança à Secretaria de Segurança. Isso reforça o nome da empresa, reforça que ela está integrada, que está fazendo parte junto com a secretaria, que está, de alguma forma, ligada a ela”, aponta o empresário Agenor Neto

Ainda na avaliação do empresário, o compartilhamento acaba por contribuir até com a imagem da empresa: “A gente consegue vincular a nossa empresa de segurança à Secretaria de Segurança. Isso reforça o nome da empresa, reforça que ela está integrada, que está fazendo parte junto com a secretaria, que está, de alguma forma, ligada a ela”.

Líder

Hoje, Brasília é a capital mais segura do país e o Distrito Federal, a unidade da Federação mais segura, de acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Dados mostram que, no primeiro trimestre deste ano, o DF registrou taxa de 5,58 mortes por 100 mil habitantes entre as unidades da Federação. Santa Catarina aparece logo atrás, com 5,63. Entre as capitais, Brasília alcançou índice de 5,61 e liderou o ranking nacional, seguida por Curitiba (10,05) e Campo Grande (10,39).

Para o secretário Alexandre Patury, o DF 360 já contribuiu para essas marcas e, mais do que isso, vai ser fundamental para mantê-las. “Ele vai permitir que a gente não perca mais essa posição, que vem sendo construída ao longo dos anos, com a tecnologia e a participação da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Detran [Departamento de Trânsito], Polícia Penal e todos os órgãos do Governo do Distrito Federal”, elenca. “E devo dizer também com os Conselhos de Segurança (Consegs), que são imprescindíveis, porque é a participação popular, é a população dizendo onde a gente tem que colocar câmera, onde a gente tem que fazer poda de árvore, onde a gente tem que pedir para melhorar a iluminação. Efetivamente, é o povo que está na localidade que sabe das mazelas que contribuem para o aumento da criminalidade”, arremata.

Como participar

Se você for dono de empresa de monitoramento ou possuir alguma câmera de vigilância apontada para vias públicas e desejar integrá-la ao DF 360, basta acessar o site da plataforma. Nele, também é possível saber mais sobre a tecnologia.

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