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Índio quer computador e universidade

A informática e a internet chegam às aldeias do extremo norte do Amazonas para promover a inclusão social

Silvestre Gorgulho


 A luta pela causa indígena não tem fim: mais saúde, demarcação de terra, educação e respeito. Mas esta luta, para muitas tribos, atingiu outro patamar: computadores, internet, cursos profissionalizantes e universidades. No final do ano passado, dez índios de três aldeias Tukano do Alto Rio Negro – Balaio, Taracuá e Pari-cachoeira – receberam diploma do 1º curso de Alfabetização Digital Diferenciada, no auditório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict. O programa, que é uma iniciativa do Ibict, com apoio da Funai e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), tem como meta alfabetizar digitalmente as comunidades indígenas e inserir a internet na vida dos índios. Também objetiva proporcionar autonomia pela informática aos índios, fazendo com que os professores indígenas sirvam de multiplicadores e criem conteúdos sobre a cultura indígena, fortalecendo a sua história e linguagem. Segundo o diretor do Ibict, Emir Suaiden, esta ação, que recebeu o nome de Corredor Digital, é histórica, pois foi “a primeira vez que o Ibict, em 50 anos de existência, promoveu um evento como o da Alfabetização Digital Diferenciada, num programa importantíssimo de inclusão social”.As aldeias indígenas atendidas pelo programa do Ibict estão no extremo norte do Amazonas, perto da fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Os dez índios treinados aprenderam a trabalhar com o Windows e o Microsoft Office.
Hoje eles são multiplicadores destas ações tecnológicas, mas na verdade quando vieram a Brasília fazer o curso, eles tiveram o primeiro contato com o computador. As três aldeias Tukano do Alto Rio Negro – Balaio, Taracuá e Pari-cachoeira estão separadas entre si por 1.600km.
 “É a primeira experiência de inclusão digital com comunidades indígenas. E resolvemos fazer com que fosse mais do que simplesmente levar computadores para lá. Queremos que funcione como uma ferramenta de for-talecimento da cultura e da língua dos tukanos”, explica Orlene Lúcia Carvalho, professora do Departamento de Lingüística da UnB. Ela trabalha no projeto com Cecília Leite e Dora Galesso, ambas do Ibict.


Mouse virou Bi’i


Um dado interessante: o programa previu a  personalização dos programas e equipamentos que os índios passaram a conhecer.
No encontro em Brasília eles definiram que nomes iriam dar para as partes do computador. O mouse virou Bi’í, que na língua deles quer dizer rato. Mas a lição maior veio de Sebastião Duarte, que vive na tribo de Taracuá, uma das três da etnia tukano: “Vocês brancos são muito fracos nisso. Não entendo como o brasileiro não tem a sensibilidade de perceber que isso também é uma forma de dominação”.
E seguindo o raciocínio de defesa de sua cultura, Sebastião Duarte foi além: o que mais atrai nossas tribos é a preservação dos próprios valores. “Para os índios é importante poder manter a própria cultura viva, armazenado na língua deles seus mitos e lendas”, concluiu.
Os conceitos da informática também passam por analogia com procedimentos do dia-a-dia das tribos. Para explicar o que são ferramentas, foto de uma enxada, e para falar do conceito de tecnologia, a feitura da bebida alcoólica que eles consomem por lá, a kaxiri. E como a intenção do programa é dar autonomia para as comunidades, os planos são preparar os programas para receberem as palavras da língua tukano.



“Para os índios é importante poder manter a própria cultura viva,
armazenado na língua deles seus mitos e lendas”
Sebastião Duarte


 “Tudo o que não aconteceu de 2003 a 2006 a gente fará acontecer até 2010. Vocês, índios, terão no meu segundo mandato muito mais atenção do governo”.
Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitando o Dia do Índio para fazer um mea-culpa por não ter melhorado, em seu primeiro mandato, a qualidade  de vida dos 700 mil índios do País.
O presidente reconheceu o descaso do governo nas aldeias.


Mantendo a cultura


Depois da fase de treinamento em Brasília, técnicos e professores viajaram para as aldeias, localizadas numa região do Amazonas conhecida como Cabeça de Cachorro. Lá fizeram o acompanhamento e a manutenção dos equipamentos e do uso dos computadores.
Este processo vai durar ainda até o final deste ano. “A intenção de um acompa-nhamento de tão perto é para vermos os acertos e erros do processo.
E isso é importante porque há o interesse de continuar com essa ação em outros lugares e com outras etnias”, afirma Dora Galesso, diretora da ação Corredor Digital.
Nas aldeias os computadores acessam a internet por satélite e funcionam com placas de energia solar.
“A nossa intenção é levar a autonomia que a informática traz para que eles, e outras sociedades culturais diferentes da nossa, como os quilombolas, possam manter sua cultura e também disponibilizá-la para nós”, explica Dora Galesso. 
Orlene Lúcia Carvalho lembra sempre uma afirmação do índio Oséas Ramos Marinho, da aldeia de Pari-cachoeira, que fez o curso no Ibict. Para Oséas, “a inclusão digital dos índios é uma forma de poder lutar com os brancos usando a arma que eles usam”.  Explica o índio, hoje internauta, que “muitos jovens saíam de suas casas para ir atrás de estudos e oportunidades de emprego. Agora, essa oportunidade chegou à própria aldeia através da informática”.


“Muitos jovens índios saíam de suas casas para ir atrás de estudos e
oportunidades de emprego. Agora,
essa oportunidade chegou à própria aldeia através da informática”.
Oséas Ramos Marinho, da aldeia de Pari-cachoeira.


 


Dia do Índio chegou no Memorial


Pela primeira vez na história de Brasília
um índio é nomeado diretor do
Memorial dos Povos Indígenas


As Nações Unidas estabeleceram objetivos a serem alcançados no campo dos direitos humanos dos povos indígenas como as metas do milênio. E entre esses alvos está a necessidade de dar oportunidades às representações indígenas no planejamento e nas políticas públicas. O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, tem buscado mudanças concretas na gestão pública. Busca inovar, também, nos empreendimentos sócioculturais. Por exemplo, pela primeira vez na história de Brasília, um indígena será o coordenador das atividades do Memorial dos Povos Indígenas. É um reconhecimento ao indígena que resgatou as obras de Oscar Niemeyer, buscou recursos financeiros junto ao Banco do Brasil e para sua construção e buscou  apoio espiritual das lideranças indígenas tradicionais. Naturalmente nada disso teria sentido sem o apoio político e visionário do ex-governador José Aparecido de Oliveira. Foi Aparecido quem conseguiu da Unesco fazer de Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade, um título que faz hoje 20 anos e será comemorado com um grande seminário internacional, em dezembro.


 Segundo o líder e novo diretor do Memorial dos Povos Indígenas de Brasília, o líder indigenista Marcos Terena, o conceito de um memorial indígena não pode incorrer em erros do pensamento museológico da conservação ou de um passado morto.
“Dentro de um mundo moderno e tecnológico – diz Terena – a sociedade e as informações se tornaram mais velozes e mais dinâmicas. O  respeito ao passado indígena e a história oral são formas de equilíbrio e boa convivência com os novos tempos e argumentos para o futuro melhor”. Assim, também, caminha a humanidade indígena.
Para Marcos Terena não existe no conceito indígena esse homenagear permanente aos mortos ou o constante reclamar dos erros desse passado que geralmente gera ódio e contradição. “As sociedades indígenas não compartem por exemplo que para gerar a paz, é preciso impor a guerra entre povos irmãos”.
Brasília, capital das culturas brasileiras, promove um novo o-lhar aos direitos indígenas. Por Brasília transitam mais de 100 povos a cada ano. Moram em Brasília e arredores cerca de 5 mil indígenas.
Segundo Terena, isso “é uma demonstração cabal de que Brasília  não é uma cidade leviana. Nem apenas um palco de políticos corruptos. Brasília faz parte de um povo que vive e convive com a realidade de negros, brancos e indígenas”.
Para Marcos Terena, talvez o Memorial dos Povos Indígenas não tem que responder de imediato às demandas da cultura indígena que corresponde a pelo menos 200 etnias, mas deve construir um sistema dinâmico que gere na sociedade nacional, uma nova consciência sobre o significado de ser brasileiro.
“Vale relembrar personalidades que já nos anos 70 buscavam seus direitos como o cacique Mário Juruna e seu inseparável gravador.
O importante é buscar um relacionamento de respeito mútuo entre os diferentes e relembrar sempre como erro a jamais ser repetido, o calvário e a morte de Galdino Pataxó”.
“Certamente – enfatiza Marcos Terena – atuar como coordenador das novas atividades do Memorial dos Povos Indígenas será, também, a busca de uma linha de parcerias com instâncias nacionais e internacionais para a reconstrução física desse importante espaço.
Um Café Indígena, um parque temático intercultural que gere convivência, e exercite a memória, a sabedoria e os conhecimentos tradicionais indígenas”.
“O espaço significa um habitat ecológico e cultural que possibilite à sociedade envolvente, um cenário das artes, das literaturas e do cotidiano indígena. Afinal – conclui o novo diretor do Memorial dos Povos Indígenas – existe em Brasília uma população indígena grande. Pessoas que  reconhecem com orgulho sua origem e defendem sua cultura, suas tradições e seu futuro como cidadãos”.
De fato, esse é um desafio a ser atingido e um exemplo a ser seguido pelas políticas públicas, seja para o indígena coordenador do Memorial, seja para o Governo de Brasília, seja para toda a sociedade brasileira”.
Esse dia do Índio chegou.


Marcos Terena
Um nome que se confunde com a própria natureza: rica, dadivosa,


exuberante, amiga e fiel.


Silvestre Gorgulho, de Brasília


O índio, piloto e líder Marcos Terena tem história. Criou o primeiro movimento indígena no Brasil e idealizou e organizou a Conferência Mundial dos Povos Indígenas sobre território, meio ambiente e desenvolvimento, durante a RIO/92, onde foi escrito a Carta da Terra com 109 recomendações e a Declaração da Kari-Oca. Terena é membro do Comitê Intertribal e da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da Coalizão Internacional Land is Life e da Cátedra Indígena Internacional.



Voltemos no tempo. Em 1990, o jornalista Zózimo Barroso do Amaral deu em sua coluna do Jornal do Brasil uma nota, com o título “Procura-se”. A nota dizia que um índio de nome Marcos Terena acabara de ser demitido da Funai, onde era piloto – mesmo tendo entrado em avião só como passageiro e, assim mesmo, morrendo de medo. Foi na resposta de Marcos Terena ao JB, que se conheceu o valor, a grandeza, a altivez e a dignidade de Marcos:
“Sou um dos 240 mil índios brasileiros e um dos seus interlocutores junto ao homem branco. Quando ainda tinha nove anos, fui levado a conhecer o mundo. Era preciso ler, escrever e falar o português.
Um dia, a professora me pôs de castigo, não sabia por que, mas obedeci. Fiquei de frente para o quadro negro, de costas para a sala. Quando meus colegas entraram, morreram de rir. Não sabia o motivo, mas sentia-se orgulhoso por fazê-los rir. Eles riam porque descobriram meu segredo: meu sapato não tinha sola, apenas um buraco, amarrado por arame.
Naquele momento, sem querer, acabei descobrindo o segredo do homem civilizado: suas crianças não eram apenas crianças.
Apenas uma palavra as separava das outras crianças: pobreza.”
 E Terena continua sua carta:
 “Um dia me chamaram de “japonês”. Decidi adotar essa identidade. E fiz isso por 14 anos.”
Foi passando por japonês que Marcos Terena conseguiu estudar, entrar para a FAB, aprender a pilotar. Veio para Brasília. Deixou de ser japonês para voltar a ser índio. Ai descobriu que era “tutelado”. Mais: como tinha estudo, começou a explicar a lei para seus companheiros de selva. É ele quem diz:
“Expliquei e fui acorrentado. Pelos índios, como irmãos. Pela Funai, como subversivo da ordem e dos costumes”.
Veio o drama: continuar sendo branco-japonês e exercer sua profissão de piloto, ou voltar a ser índio, mesmo sendo subversivo.
Marcos Terena era o próprio filho pródigo. Sabia ler, escrever, analisar o mundo, entender outras línguas. Mas, como índio, recebeu um castigo dos tutores da Funai: não podia exercer sua profissão, pilotar. Só depois de muita luta, recebeu seu brevê do Ministério da Aeronáutica.
A carta de Terena ao JB continua. É linda. Uma lição. Quando publicada, mereceu uma crônica especial da Acadêmica Rachel de Queiroz. E Terena, ao concluir sua carta, deixou uma lição a todos os jornalistas e aos homens de boa vontade:
 “Não guardo rancores pela nota. Foi mais uma oportunidade de fazer valer a nossa voz como índio. Gostaria apenas que o jornalista inteirasse dessas informações todas e soubesse de minha vontade em tê-lo como amigo”.
Respeitado por índios e brancos – sul-matogrossense de Taunay –  Marcos Terena, 53 anos,  maior líder do movimento indigenista brasileiro  é um exemplo.
Seu nome, sua obra e sua luta se confundem com a própria natureza: rica, dadivosa, exuberante, amiga e fiel. 

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Câmara aprova incentivo para descarbonizar produção de veículos e cria taxa para produtos importados de até 50 dólares

Proposta institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). Texto vai ao Senado

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Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Átila Lira, relator do projeto

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 914/24, que institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). O projeto prevê incentivos financeiros de R$ 19,3 bilhões em cinco anos e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular a pesquisa e o desenvolvimento de soluções tecnológicas e a produção de veículos com menor emissão de gases do efeito estufa.

A proposta será enviada ao Senado. O texto aprovado pelo Plenário da Câmara nesta terça-feira (28) é o substitutivo do relator, deputado Átila Lira (PP-PI), que incluiu outro assunto no projeto, a taxação de produtos importados até 50 dólares.

De autoria do Poder Executivo, o texto original do projeto é igual à Medida Provisória 1205/24, que perde a vigência no próximo dia 31. Um decreto presidencial e uma portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdics) já regulamentaram o tema quanto à redução do IPI e à habilitação dos projetos das indústrias e montadoras do setor para acessar os incentivos financeiros, orçados em R$ 3,5 bilhões para 2024.

Átila Lira ressaltou “que o projeto dará um novo cenário econômico de produtividade para setores que geram emprego e renda”.

Pequenas importações
Em agosto do ano passado, no âmbito do programa Remessa Conforme, o governo federal isentou do Imposto de Importação as compras internacionais de pessoas físicas abaixo de 50 dólares (cerca de R$ 250), no caso de empresa que aderir ao programa, uma espécie de plano de conformidade que regularizou essas transações.

O relator excluiu trecho de um decreto-lei sobre o tema que permitiu à Fazenda aplicar essa isenção. No entanto, o trecho excluído fazia referência a importações apenas por pessoas físicas.

Após negociações nas últimas semanas, Átila Lira propôs no lugar uma taxação de 20% do Imposto de Importação sobre as mercadorias de até 50 dólares. Acima deste valor e até 3 mil dólares (cerca de R$ 16.500,00), o imposto será de 60%, com desconto de 20 dólares do tributo a pagar (cerca de R$ 110,00).

Para o deputado Gervásio Maia (PSB-PB), o texto traz uma alternativa para proteger empregos no Brasil. “A alíquota de 20% minimiza danos à indústria nacional, que não tem condições de competir com os preços da China”, afirmou.

Programa Mover
Para terem acesso aos incentivos do Mover, as empresas devem ter projetos aprovados pelo ministério e aplicar percentuais mínimos da receita bruta com bens e serviços automotivos na pesquisa e no desenvolvimento de soluções alinhadas à descarbonização e à incorporação de tecnologias assistivas nos veículos.

Também serão admitidos projetos para novos produtos ou modelos de veículos; para serviços de pesquisa e inovação ou engenharia automotiva; para a instalação de unidades de reciclagem ou economia circular na cadeia automotiva; realocação de unidades industriais e linhas de montagem e produção; e instalação de postos de abastecimento de gás veicular.

A habilitação valerá até 31 de janeiro de 2029, e os créditos não serão cumulativos com os do Rota 2030, extintos a partir de abril deste ano.

Contrário à taxação de carros importados sem termos de compromisso, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) disse que “só falta escrever que o Congresso não quer concorrência, não quer a liberdade de escolha do consumidor”, criticando a taxação de 20% sobre veículos importados ou que não cumprirem as regras.

Bicicletas e petróleo
Por acordo entre os partidos, a Câmara aprovou duas emendas em Plenário. Uma delas, do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), inclui na lei sobre exploração de petróleo regras para a exigência de uso de conteúdo local na exploração e escoamento de petróleo e gás. A emenda estipula ainda multas pelo descumprimento dos percentuais.

Outra emenda aprovada, do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), concede incentivos à produção de bicicletas, inclusive elétricas, por meio da redução do IPI.

A redução será conforme cada etapa de processo produtivo básico, desde a fabricação de partes da bicicleta até a montagem, podendo chegar a 100% de isenção, beneficiando inclusive bicicletas elétricas.

Créditos do Mover
Os créditos do Mover serão equivalentes a 50% do investimento realizado em pesquisa e desenvolvimento, mas limitado a 5% da receita bruta total de venda de bens e serviços do segundo mês anterior àquele em que for calculado.

Por outro lado, o cálculo poderá ser realizado e ajustado em períodos sucessivos, compensando-se investimentos menores em um mês com maiores em outros e vice-versa. Essa compensação valerá inclusive dentro de um período de três anos. Assim, investimentos menores em um determinado ano poderão ser compensados por excessos de investimentos nos dois anos anteriores.

Uma vez concedido, ele será considerado como crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e poderá ser usado para compensar tributos a pagar perante a Receita Federal ou para pedir ressarcimento em dinheiro a ser efetivado quatro anos depois do pedido.

Limites
Segundo a Portaria 43/24, do Mdics, até 60% dos limites globais de créditos possíveis de conceder a cada ano serão liberados para projetos de pesquisa e desenvolvimento sem a vinculação a uma outra unidade produtiva e maquinário (ativo fixo).

Os projetos de investimento em ativos fixos para a produção de novos modelos e produtos automotivos, com pesquisa e desenvolvimento, inclusive engenharia automotiva, terão acesso a 30% dos recursos disponíveis.

Já a relocalização de unidades industriais e linhas de produção, incluindo equipamentos para pesquisa e desenvolvimento, poderá contar com 10% dos recursos anuais de créditos a conceder. Esse seria o caso de fábricas que desejam vir para o Brasil produzir veículos elétricos, por exemplo.

Esses percentuais poderão ser alterados pelo ministério em razão de desequilíbrio nas autorizações aprovadas.

Créditos adicionais
Desde que limitados ao valor global de cada ano, poderão ser concedidos três outros tipos de acréscimo aos créditos financeiros para as empresas com projetos aprovados.

No primeiro deles, direcionado a empresas já atuantes no Brasil, será permitido o acréscimo de 20 pontos percentuais no cálculo (chegando, portanto, a 70% do investido), mas limitado a 7% da receita bruta total de venda.

Isso valerá, por exemplo, em projetos de infraestrutura de engenharia ou na diversificação de mercados para produtos já produzidos no País, com integração às cadeias globais de valor.

Quanto à produção de tecnologias de propulsão elétrica, híbrida ou a hidrogênio e dos veículos que as usem, assim como para sistemas eletrônicos embarcados, esse primeiro tipo de crédito adicional será equivalente a 13% ou 16% da receita, conforme o caso.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas
Deputados aprovaram o projeto na sessão do Plenário desta terça-feira

Em relação a projetos para novos produtos automobilísticos e novos modelos de veículos, um segundo tipo de acréscimo permite um crédito adicional igual a 12,5% dos investimentos em ativos fixos e pesquisa e desenvolvimento quando for para a produção de veículos; e de 25% dos investimentos no caso da produção de autopeças e sistemas e soluções estratégicas, notadamente ligadas a veículos movidos a eletricidade ou hidrogênio e sua tecnologia de carregamento.

O terceiro tipo de acréscimo permitido será para a vinda de fábricas e montadoras ao Brasil. Nessa hipótese, entram no cálculo para encontrar os créditos financeiros a conceder o total pago de Imposto de Importação sobre os bens da fábrica ou linha de montagem e o IRPJ e a CSLL incidentes sobre o lucro obtido com os veículos e peças exportados por essas unidades de produção.

Elétricos X híbridos
Por meio de decreto publicado no último dia 4 de abril, o Poder Executivo diminuiu em 3 pontos percentuais o IPI para veículos de passeio híbridos com motor a combustão movido a etanol ou gasolina/etanol (flex).

A redução valerá até 31 de dezembro de 2026 e, somada à volta do Imposto de Importação sobre veículos híbridos e elétricos, torna mais caros os elétricos em relação aos híbridos com opção de etanol, inclusive se fabricados no Brasil.

Os veículos híbridos são definidos na portaria do Mdics como aqueles com motor elétrico e motor a combustão, seja o motor elétrico abastecido por baterias recarregáveis externamente ou apenas por meio do aproveitamento da energia de frenagem ou de parte daquela gerada pela combustão.

Com esse desconto, as alíquotas para os híbridos variam de 3,77% a 12,05% de IPI, segundo a massa (inclui opcionais, acessórios e combustível) do veículo em marcha e a eficiência energética (quanta energia é necessária para movê-lo um quilômetro). Já os exclusivamente elétricos terão alíquotas de 5,27% a 13,55%.

Outros critérios
Conforme avançar o alcance de metas relativas à descarbonização, o IPI poderá variar também em função de critérios que indiquem externalidades positivas ou negativas dos veículos.

Assim, para veículos da mesma categoria que atendam e não atendam aos requisitos, o IPI poderá variar da seguinte forma:

  • 2 pontos percentuais em relação ao requisito de eficiência energética, considerado como parâmetro o ciclo do tanque à roda;
  • 1 ponto percentual em relação ao requisito de desempenho estrutural e tecnologias assistivas à direção; e
  • 2 pontos percentuais em relação ao requisito de reciclabilidade, a partir de 1º de janeiro de 2025.

Também poderão ser considerados outros critérios, como o tipo de fonte de energia e tecnologia de propulsão; a potência do veículo; e a pegada de carbono do produto, do berço ao túmulo, a partir de 2027.

Essa diferenciação de alíquotas poderá ser progressiva ao longo do tempo.

Votação em Plenário
Confira os destaques rejeitados em Plenário nesta terça-feira:

– destaque do PL pretendia retirar do texto a taxação de 20% sobre a importação ou a comercialização dos veículos sem o registro de compromissos com eficiência energética, reciclabilidade e tecnologias assistivas;

– destaque do PL pretendia retirar do texto a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), a ser administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para gerir recursos das empresas beneficiadas com créditos financeiros do Mover a título de investimento em pesquisa e desenvolvimento exigido como contrapartida;

– emenda do deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) pretendia liberar a importação de resíduos sólidos perigosos, como baterias, contanto que fossem utilizadas na fabricação ou outros produtos a serem exportados na mesma proporção.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

 

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Museu da Vida Fiocruz abre exposição de bordados inspirados nos Parques Nacionais

A exposição visa promover a defesa do meio ambiente, utilizando a arte como ferramenta de conscientização

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– Foto: Museu da Vida Fiocruz

Inspirada na série documental “Parques do Brasil”, exibida na TV Brasil, o Museu da Vida Fiocruz apresentará a exposição “Parques por um fio – pelas linhas da preservação” a partir do dia 5 de junho, no auditório e foyer do Museu da Vida Fiocruz, no Rio de Janeiro.

O projeto é uma iniciativa do Coletivo Linhas da Gamboa e do Projeto Fio às Cinco em Pontos, um grupo de bordadeiras que criou cerca de 100 bordados delicados representando a fauna, a flora e as paisagens dos Parques Nacionais mostrados na série. A exposição visa promover a defesa do meio ambiente, utilizando a arte como ferramenta de conscientização e trazendo mensagens reflexivas que destacam tanto a beleza quanto os desafios enfrentados na conservação desses parques.

A série Parques do Brasil é resultado da parceria entre a Casa de Oswaldo Cruz, TV Brasil e Instituto Chico Mendes. A série de TV cujo objetivo é a popularização do conhecimento científico sobre a biodiversidade nos parques nacionais e outras unidades de conservação brasileiras, enfatizando a relação entre o meio ambiente, a saúde e a qualidade de vida das pessoas. Cada episódio tem meia hora de duração com diversas histórias sobre a fauna e a flora, os processos ecológicos, os serviços ambientais e o patrimônio histórico e cultural de até três áreas protegidas diferentes.

Com belas imagens em alta definição, cada documentário é narrado como um diário de expedição. A série apresenta ainda trilha sonora original e inédita, além de desenhos e mapas.

No ar desde 2018, a série conta com 18 episódios e esta disponíveis no site da TV Brasil.

A exposição “Parques por um fio – pelas linhas da preservação” estará aberta ao público a partir do dia 5 de junho com entrada franca.

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Exposição: Parques por um fio – pelas linhas da preservação  

Data: A partir do dia 5 de junho  

Local: Museu da Vida Fiocruz – https://www.museudavida.fiocruz.br/

Funcionamento:  de terça a sexta, das 9h às 16h30; sábados, das 10h às 16h.

Fiocruz: Av. Brasil, 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro. CEP: 21040-900

Contato: museudavida@fiocruz.br | (21) 3865-2128

Assessoriadeimprensadivulgacao@fiocruz.br

 

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DF firma compromisso nacional de meta de alfabetização até 2030

Objetivo de alcançar 80% de formação na idade certa nos próximos seis anos foi proposto pelo governo federal nesta terça (28), no Palácio do Planalto, com a presença da vice-governadora Celina Leão e da secretária de Educação, Hélvia Paranaguá. Distrito Federal tem o menor índice de analfabetismo do Brasil

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Por Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Carolina Caraballo

 

O Governo do Distrito Federal (GDF) pactuou, na manhã desta terça-feira (28), com a meta do governo federal de atingir 80% de alfabetização na idade certa até 2030. O objetivo foi anunciado durante reunião no Palácio do Planalto com a presença de governadores, vice-governadores e secretários de Educação e faz parte das propostas do programa federal Criança Alfabetizada, que já teve R$ 1 bilhão em investimentos em todas as unidades da federação.

GDF firmou, na manhã desta terça-feira (28), a meta de atingir 80% de alfabetização na idade certa até 2030 | Fotos: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília

“O DF foi uma das unidades da federação que aderiu ao programa. A nossa meta sempre foi muito mais ousada do que a própria meta do governo federal. A gente vai alcançar, com certeza, o objetivo, que é erradicar o analfabetismo aqui no Distrito Federal”, destacou a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão. Ela citou, por exemplo, os bons números do DF, que tem o menor índice de analfabetismo do Brasil e a segunda melhor taxa de alfabetização do país.

“Nós temos um dos menores índices de analfabetismo do Brasil, uma taxa de 1,7%, e nós queremos erradicar. Nós temos que entender que o DF vive uma situação migratória todos os anos; ou seja, em 15 anos nós recebemos mais de 500 mil novas pessoas aqui, necessitando de todos os serviços públicos. Mas mesmo assim hoje nós temos o segundo melhor índice de alfabetização do Brasil, perdendo apenas para Santa Catarina”, complementou Celina.

O Distrito Federal é um case de sucesso em relação à taxa de alfabetização. De acordo com o Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 97,2% da população da capital é alfabetizada

O ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou que, em um ano, o programa já mostrou resultados, com um salto de 36% para 56% das crianças da rede pública alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, segundo dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). “Uma das nossas primeiras missões foi construir uma grande política nacional de alfabetização de crianças, porque alfabetizar na idade certa é fundamental. Nesse período já tivemos um salto. Vamos continuar apoiando financeiramente os estados e avaliar o comportamento dos programas, com uma espécie de Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] da alfabetização”, anunciou.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, explicou que o governo federal fará o acompanhamento dos estados para auxiliar no compromisso firmado. “Estamos fazendo história, porque os governadores assumiram o compromisso de diminuir o analfabetismo. Estamos propondo que, até 2030, cheguemos a 80% de crianças alfabetizadas na idade certa. Vamos acompanhar todos os municípios e estados, orientando e discutindo junto às melhorias e também divulgando as boas práticas”, afirmou.

O DF participa do programa com uma iniciativa própria, o Alfaletrando; a política pública promove a alfabetização e o letramento de crianças até os 7 anos de idade

Índices de ponta

O Distrito Federal é um case de sucesso em relação à taxa de alfabetização. De acordo com o Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 97,2% da população da capital é alfabetizada, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que alcançou a marca de 97,3% de alfabetizados.

Em relação à taxa de analfabetismo, o DF tem a menor taxa do país, um total de 1,7%, indicador bastante abaixo da média nacional de 5,6%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mais recente, divulgada em março de 2024 pelo IBGE.

O DF participa do programa com uma iniciativa própria: o Alfaletrando, lançado em abril deste ano. Instituída por meio do Decreto nº 45.495/2024, a política pública promove a alfabetização e o letramento de crianças até os 7 anos de idade, como forma de colaborar para a construção de trajetórias escolares bem-sucedidas.

A proposta tem dois objetivos. O primeiro é garantir que 100% das crianças matriculadas na rede pública de ensino estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. O segundo é recompor as aprendizagens, com foco na alfabetização, de 100% das crianças matriculadas nos 3º, 4º e 5º anos da rede pública de ensino, em vista do impacto da pandemia de covid-19 para esse público.

“O DF e todos os estados fizeram seus programas locais e nós lançamos esse ano o Alfaletrando, que foi construído pela Secretaria de Educação do DF, pelos nossos profissionais, e que já está em implementação”, afirmou a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá. “No segundo semestre nós já faremos a primeira avaliação para ver como as crianças estão seguindo nesse processo. Nós estamos muito felizes porque a alfabetização é a base de tudo”, acrescentou.

 

 

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