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O mapa ecoturístico do Brasil

Biodiversidade brasileira é forte ativo ambiental Não podemos abrir mão destes insumos para o desenvolvimento sustentável

Silvestre Gorgulho, de Brasília


Quase 500 anos depois, o Brasil redescobriu novas minas de ouro nos mais variados pontos de suas terras: a profissionalização e a municipalização do fantástico potencial turístico que brota dos rios, das praias, das cavernas, dos monumentos históricos, das pescarias, das cachoeiras, das comidas típicas, das danças, dos folclores, do artesanato, da flora, da fauna e deste caleidoscópio de oportunidades que a exuberante biodiversidade brasileira oferece. Mais: que gera riquezas, dá emprego, educa, não polui, dá emprego e fatura cada vez mais alto. A profissionalização e a municipalização do turismo provaram que, em se plantando bem, tudo dá melhor. Garimpando, acha e o ecoturismo, casado com o turismo rural, começa dar um salto quantitativo e qualitativo no Brasil. Qual o conceito mágico disso tudo? Simples, profissionalizar. Promover uma gestão eficiente, integrada, criativa, oferecendo preço e qualidade. Como bem diz o presidente da Embratur, Caio Carvalho, turista bem tratado volta acompanhado e turista insatisfeito põe defeito. E como põe!


Veja bem, caro leitor, como as oportunidades se apresentam. Na edição de outubro da Folha do Meio Ambiente fiz uma matéria sobre o fascínio das aves, como novo produto de ecoturismo. O jornal estava sendo impresso e nossa redação já tinha recebido cinco emails (dois da Alemanha) e três telefonemas pedindo mais informações sobre a edição. Eu próprio não imaginava a força do ecoturismo em torno da observação de aves. Não imaginava o número incrível de adeptos no Brasil e no mundo. Na verdade, entrar nas matas para observar aves, curtir o vôo de pássaros é uma atividade esportiva de baixíssimo impacto ambiental e que faz bem ao corpo e a alma. Filmar, fotografar e gravar suas cores e cantos além do prazer de se integrar à natureza, favorece a formação de uma forte consciência ecológica. São muitas associações no Brasil e no mundo que envolve cerca de 80 milhões de Birdwatchers.
Como se vê, são tantas as possibilidades de ecoturismo que o melhor que os brasileiros podem fazer é preservar suas florestas, sua cultura, sua flora, fauna, rios e praias. As árvores de pé, as aves livres e soltas, as cavernas e as tradições culturais são valiosíssimos ativos ambientais. E como bem diz Celso Schenkel, da Unesco, quem se arrisca a perder ativos ambientais na quantidade e na qualidade que dispomos no Brasil está abrindo mão de insumos para o desenvolvimento, está perdendo bens inestimáveis capazes de gerar trabalho, renda e melhor qualidade de vida.


Mapa da diversidade nas regiões brasileiras
Vale a pena conhecer um pouquinho desses importantes ativos ambientais. Esse patrimônio é o fantástico potencial ecoturístico que pode muito bem libertar pequenas comunidades da depredação e garantir-lhes oportunidades de crescimento econômico e social, melhorando sua qualidade de vida. Cada região tem suas características. Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil vão construindo, com seus encantos e suas belezas, a grande indústria do Terceiro Milênio. Indústria que vai abastecer mercados ricos e ávidos em consumir belezas naturais, aventuras, sossego e harmonia. Ecoturismo, é o novo nome da Paz!


Região Norte
Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins formam a Amazônia brasileira, a região mais cobiçada, discutida e que exerce um fascínio no mundo inteiro, pois é ideal para os que buscam as aventuras do ecoturismo. Essa região oferece uma rara oportunidade de se vivenciar a floresta Amazônica, maior reserva biológica do mundo, com um potencial inigualável em recursos naturais, onde se encontra um terço das espécies vivas do planeta. Os rios da Bacia Amazônica, que possuem um quinto da reserva de água doce do planeta, são vias que conduzem ao coração da selva. Dos 20 maiores rios do planeta, dez fazem parte da Bacia Amazônica. Hotéis de Selva proporcionam comodidade e segurança para a exploração e o descobrimento da imensa flora e fauna da região. O folclore e a culinária amazônica com seus produtos regionais também oferecem atrações especiais. Em Parintins, o Festival Folclórico do “Boi-Bumbá”, no mês de junho, desperta a paixão em cores distintas dos grupos de “Caprichoso” e “Garantido”. Em Manaus, capital do estado do Amazonas, poderá também conhecer o Teatro Amazonas, construído no século XIX, em estilo renascentista e com o interior art-nouveau. O colorido da arte indígena, colares de plumas e cerâmica “marajoara” e “tapajônica”, se encontram à venda no tradicional mercado de “Ver-o-Peso” em Belém do Pará.


Região Nordeste
Nos nove estados da região nordeste acontece a maior revolução da atividade turística do Brasil. E o motivo todos sabem: belas praias, mar de água quente e sol o ano inteiro. Desde as fascinantes praias de Canoa Quebrada, no Ceará; de Genipabu com suas dunas, no Rio Grande do Norte; de Ponta do Seixas e Cabo Branco, na Paraíba, de Porto de Galinhas e as ilhas do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, de Pratagy, em Alagoas; de Atalaia Velha, em Sergipe, até Porto Seguro, na Bahia, entre muitas outras. Nessa região encontramos ritmos deliciosos como o “forró”, “frevo”, “ciranda”, “maracatu” e “lambada”, assim como os “trios elétricos” e o Carnaval. O artesanato regional apresenta uma variedade de souvenirs que estão em oferta no Mercado Modelo, em Salvador, na Casa da Cultura, em Recife e na Feira de Caruaru, em Pernambuco. A arquitetura colonial pode ser encontrada em Olinda, Pernambuco – berço da civilização portuguesa no Brasil, e no bairro do Pelourinho, em Salvador. Estes dois lugares foram declarados “Patrimônio Cultural da Humanidade”, pela Unesco, juntamente com São Luís, no Maranhão que possue ricos exemplos do uso dos azulejos na arquitetura dos séculos XVII e XVIII. No Parque Nacional da Serra da Capivara, no município de Raimundo Nonato, no Piauí, encontramos as pinturas rupestres que comprovam a mais antiga presença do homem no continente americano.


Região Centro-Oeste
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal formam a região do Centro-Oeste, onde o ecoturista pode encontrar diversidade, beleza e boa infra-estrutura: desde o Pantanal matogrossense, passando pelos parques das chapadas dos Guimarães e dos Veadeiros – de exuberante beleza cênica – o balneário de Caldas Novas com suas águas termais, as praias de rio até o complexo arquitetônica da moderna capital brasileira: Brasília, único bem contemporâneo tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Destacam-se ainda os parques nacionais da Chapada dos Guimarães e da Chapada dos Veadeiros, de exuberante beleza cênica.
Vale ressaltar o Pantanal, verdadeiro santuário ecológico onde o visitante, hospedado em pousadas, pode realizar excursões com guias especializados e observar, com total segurança, jacarés, capivaras, serpentes, assim como uma infinidade de espécies de pássaros. Para os pescadores de água doce, uma excelente dica: o rio Araguaia é considerado como um dos rios mais ricos em pesca em todo mundo, e a região dispõe de uma excelente infra-estrutura de hotelaria e excursões em barcos especiais para os amantes da pesca.


Região Sudeste
O cartão postal brasileiro está nesta região formada pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, que é justamente a Cidade Maravilhosa. A face urbana do Brasil é mostrada justamente pela região Sudeste. A cidade do Rio é o ápice das mais agitadas vidas noturnas e culturais do país, possuindo o carnaval mais famoso do mundo pelo desfile de suas escolas de samba. As atrações são inúmeras, como por exemplo o Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Jardim Botânico, Floresta da Tijuca.
Em Minas Gerais, poderá visitar o passado arquitetônico, conhecendo as famosas obras do escultor barroco Aleijadinho e as cidades históricas de Ouro Preto, Mariana, São João del Rey, Tiradentes, Sabará, Diamantina e Congonhas. Poderá deliciar-se com as águas medicinais em Caxambu, Araxá e São Lourenço. No Espírito Santo não deixe de saborear a famosa “moqueca capixaba”, e conhecer as cidades históricas de Vila Velha e Anchieta e as praias com areias monazíticas de Guarapari. Em São Paulo, que é a maior metrópole da América Latina, encontrará reunidas características dos cinco continentes, com o que há de mais moderno, cosmopolita e urbano. No litoral norte, se surpreenderá com as praias, como por exemplo Ilhabela, Ubatuba e São Sebastião.


Região Sul
A região colonizada pelos europeus está estampada no rosto de suas crianças: louras, olhos claros e um forte sotaque. Mais um detalhe importante: por ser de clima temperado, é a única região do país onde acompanhamos a passagem das quatro estações, de forma bem definida. O inverno é frio, chegando a nevar nas montanhas. No Paraná, pode-se contemplar extasiados em Foz do Iguaçu, o espetáculo as Cataratas. Em Florianópolis, capital de Santa Catarina, e no litoral catarinense, as praias são um espetáculo diferente com águas e areias para agradar todos os gostos. Aparados da Serra e serra do Quiriri são cenários encantadores. Joaquina, serve de ponto para os campeonatos internacionais de surf. Bombinhas é o paraíso dos mergulhadores. Camboriú é a praia mais urbanizada da região Sul. Em outubro, a cidade de Blumenau, em Santa Catarina, atrai animados turistas de todo país e até do exterior para sua Oktoberfest. Gramado e Canela, nas montanhas gaúchas, parecem verdadeiros postais da Bavária, com cafés coloniais e deliciosas salsichas e guloseimas alemãs. No Rio Grande do Sul, as ruínas de São Miguel e arredores de Santo Ângelo abrigam a recordação dos 210 anos das missões jesuíticas no Brasil. Um forte espírito regionalista do estado oferece um folclore rico nas músicas e danças, juntamente com o hábito de comer churrasco (assado de carne) e beber “chimarrão” (chá de erva mate).

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Pesquisa identifica oito planetas candidatos a ter vida extraterrestre

Estudo foi feito por pesquisador brasileiro no Observatório Nacional

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Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas localizados fora do Sistema Solar, os chamados exoplanetas, que têm uma possibilidade maior de ter água em estado líquido e, consequentemente, permitir o desenvolvimento de vida. O levantamento foi feito pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob a orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional.

Silva analisou as informações de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos até agora, a partir de um banco de dados da Nasa, a agência espacial estadunidense. Ele examinou informações como raio, densidade e distância em que orbitam em relação à estrela.

A partir dessas informações, conseguiu identificar aqueles que têm um raio e densidade semelhantes aos do planeta Terra. Separou também aqueles que estão na chamada zona de habitabilidade.

“A zona de habitabilidade é uma zona que possibilita a água líquida porque não é nem tão quente, mais próximo da estrela, e nem tão frio, para longe da estrela. Então é a zona perfeita. A gente chama de Goldilocks Zone, a Zona dos Cachinhos Dourados”, explica Silva.

Por fim, estimou as características da atmosfera, além da pressão e temperatura da superfície. Silva, então, elencou os oito exoplanetas mais parecidos com o nosso, portanto, com maiores possibilidades de possuir água em estado líquido e sustentar vida.

“A Terra é o único exemplo que a gente vai ter, por enquanto, para se definir vida, para se definir quais são as características necessárias para se ter água líquida”, afirma o pesquisador, que apresentou seu trabalho nesta semana, na 6ª edição do Astrobion, evento sobre astrobiologia organizado pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Dos oito exoplanetas, o mais parecido com a Terra é chamado de GJ 1002b, que, segundo a pesquisa do Observatório Nacional, tem 98% de similaridade com o nosso planeta.

Descoberto em 2022, o GJ 1002b, localiza-se a 16 anos-luz do nosso planeta (ou seja, a luz leva 16 anos para fazer o trajeto entre os dois planetas). Ele orbita uma estrela anã-vermelha (tipo M), que é mais fria que o Sol. Cada volta em torno da estrela, leva apenas 10 dias.

Busca por extraterrestres

“A gente está buscando um planeta que tenha condições similares à Terra. Mas isso não quer dizer que seja o único lugar possível de ter vida no universo, porque podem existir outras formas de vida que a gente ainda não conheça e que precisem de características químico-físicas diferentes”, ressalta o professor Marcelo Borges Fernandes.

A possibilidade de haver vida fora da terra é parte do imaginário popular há séculos. Na Grécia Antiga, pensadores já especulavam sobre a possibilidade de haver vida na Lua. A busca por organismos extraterrestres ganhou força com o início da corrida espacial, entre os anos 50 e 60.

Nas primeiras décadas, no entanto, a busca se focou em nosso Sistema Solar, em especial naqueles corpos celestes mais próximos da Terra, como a própria Lua e o planeta Marte, e na recepção de sinais enviados por eventuais civilizações extraterrestres.

Em 1992, no entanto, os primeiros exoplanetas, chamados de Poltergeist e Phobetor, foram descobertos. De lá para cá, foram mais de 6 mil descobertas na nossa galáxia, elevando assim o número de locais onde a vida pode ter se desenvolvido.

A busca por vida nesses locais, no entanto, é uma tarefa difícil, uma vez que todos eles estão a anos-luz da Terra, o que inviabiliza, pelo menos com a tecnologia existente, que sejam visitados. O estudo desses exoplanetas é feito por meio de observações intermediadas pela estrela à qual eles orbitam.

A forma de verificar a possível existência de vida nesses casos é através do exame da atmosfera desses exoplanetas. Telescópios, como o James Webb, possuem equipamentos que analisam as ondas de luz emitidas pela estrela quando o planeta está transitando em frente a ela. Esses aparelhos conseguem perceber as variações ocorridas quando elas interagem com a atmosfera do exoplaneta, já que cada substância química tem sua própria marca.

“Com alta resolução espectral, você pode ver se existe uma atmosfera, determinar a composição química da atmosfera e, com isso, você vai juntando cada pecinha do quebra-cabeça de forma tentar definir se aquele planeta pode ter condições ideais para existência da vida ou não”, explica Fernandes.

O que os cientistas que buscam vida fora da Terra, os chamados astrobiólogos, buscam são as chamadas bioassinaturas. São substâncias ou uma combinação delas que, na Terra, são comumente produzidas pela ação de mecanismos biológicos, como é o caso da coexistência dos gases metano e oxigênio.

Recentemente um estudo liderado pela Universidade de Cambridge analisou a atmosfera do exoplaneta K2-18b e encontrou sinais de metano e dióxido de carbono. Também foi detectada uma assinatura que poderia ser sulfeto de dimetila (DMS), uma molécula que, na Terra, é produzida apenas por seres vivos, como os fitoplânctons.

Como este é um planeta que tem probabilidade de ser coberto por um oceano de água global, veículos de imprensa noticiaram que cientistas haviam descoberto sinais de vida em um planeta distante.

Evidências

O problema é que muitas das bioassinaturas, inclusive as substâncias encontradas em K2-18b, poderiam ser produzidas também por meios abióticos, como processos geológicos ou radiação.

“A gente tem que ter sempre muito cuidado para analisar isso e comparar com o único exemplo que a gente tem, que é a Terra, para saber se a única explicação seria uma fonte de vida ou se pode ser de fontes geológicas ou atmosféricas não ligadas à vida, que reproduziriam aquela possível bioassinatura”, ressalta Fernandes.

De acordo com o pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa José Aponte, encontrar bioassinaturas de forma isolada no espaço não é sinal inequívoco de vida. “Nenhuma análise, por si só, pode garantir uma confirmação definitiva [da existência de vida]. É preciso haver mais de uma linha de evidência para que isso aconteça”.

Aponte destaca que a combinação de três aspectos pode ser um forte indicador de que aquelas bioassinaturas são mesmo produzidas por seres vivos. O primeiro seria a repetição de moléculas no ambiente. “Se aquela molécula se repete exaustivamente e isso é consistente depois de várias medições, isso poderia representar uma bioassinatura”.

A segunda linha de evidências seria a predominância de um tipo de quiralidade. Moléculas quirais são aquelas que têm a mesma estrutura química, mas não são exatamente iguais. Algumas desviam a luz para a esquerda e outras, para a direita. Um bom exemplo para explicar isso são as mãos esquerda e direita. Elas são a imagem espalhada uma da outra, mas se formos sobrepô-las (ambas com as palmas para baixo), elas não se encaixam.

Na Terra, os organismos usam quase que exclusivamente os aminoácidos de configuração L (ou seja, são como nossa mão esquerda), salvo poucas exceções. Já os açúcares são praticamente todos de configuração D (isto é, como a mão direita). “Então uma segunda linha de evidência seria encontrar a predominância de um tipo de molécula quiral [no lugar investigado]”.

E a terceira linha de evidências seria a análise de isótopos, isto é, elementos químicos que têm massas diferentes. Na Terra, a vida tem preferência pelos isótopos mais leves, como o carbono 12, em vez do carbono 13, e pelo hidrogênio em vez do deutério (isótopo mais pesado do hidrogênio).

“Bioassinaturas em outros lugares também poderiam ser ricas nos isótopos mais leves. Então, não se trata apenas de encontrar uma única molécula, mas sim de encontrar mais de uma linha de evidência combinada”, explica o pesquisador da Nasa.

Ingredientes da vida

Mesmo aquelas moléculas orgânicas que são chamadas de ingredientes da vida, como os aminoácidos ou as bases nitrogenadas que formam nosso código genético, não podem ser consideradas provas da existência de vida extraterrestre.

Aponte é parte do grupo de cientistas que analisou amostras de rochas coletadas por uma sonda no asteroide Bennu, que orbita próximo à Terra. Dezenas de moléculas orgânicas foram detectadas no corpo celeste, entre elas os três componentes dos ácidos nucleicos: fosfatos, o açúcar ribose (que é parte da estrutura do RNA, o ácido ribonucleico) e as cinco bases nitrogenadas que formam os nucleotídeos de todos os seres vivos: adenina, guanina, citosina, timina e uracila.

Também foram detectados, nada menos que 14 dos 20 aminoácidos usados na produção de proteínas pelos organismos terrestres, inclusive o triptofano, que nunca havia sido observado em amostras extraterrestres.

Nada disso, no entanto, é sinal de vida extraterrestre, já que essas moléculas podem ter sido formadas de forma abiótica pela ação de radiação ou de reações químicas em um ambiente aquoso, há centenas de milhões de anos.

“No caso de encontrarmos um composto do tipo nucleotídeo ou uma cadeia de RNA, a história é outra. Isso poderia ser uma evidência mais robusta, porque moléculas como essas são muito frágeis e se decompõem muito rapidamente em termos geológicos”, afirma Aponte.

Expectativas

Apesar das dificuldades para se localizar vida fora da Terra, há grandes expectativas em relação a futuras missões não tripuladas dentro do próprio Sistema Solar, como a Europa Clipper, que deve chegar, em 2030, a Europa, satélite que orbita Júpiter. Há indícios de que, sob a crosta de gelo dessa lua joviana, exista um oceano de água salgada, que pode ter condições de abrigar vida.

Outra missão, a Dragonfly, deverá ser lançada em 2028, rumo a Titan, uma das luas de Saturno, que possui uma atmosfera possivelmente rica em nitrogênio, além de metano em forma líquida em sua superfície. O robô, que tem o mesmo nome da missão, deve chegar a Titan em 2034 e buscará indicadores químicos de vida baseada em água ou em hidrocarbonetos, como o metano.

Há expectativas também em relação a outra lua de Saturno, Enceladus, que, assim como Europa, também pode abrigar um oceano sob sua crosta de gelo; e a Marte, onde há calotas de gelo e possivelmente reservatórios subterrâneos de água.

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Voluntários transformam tempo em cuidado há 61 anos no Hospital de Base

Com 52 integrantes, serviço acolhe pacientes e ajudou a abrir caminho para outras iniciativas de voluntariado na unidade 

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Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes

Há 61 anos, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) conta com pessoas que escolheram transformar tempo e disposição para ajudar em uma forma de cuidado. Criado em 1965, o Serviço Auxiliar de Voluntários (SAV) acompanha quase toda a trajetória do hospital, que completou 66 anos, e mantém o paciente no centro de sua atuação. Atualmente, 52 voluntários participam de atividades como acolhimento nos leitos, reiki, doação de kits de higiene e artigos hospitalares, além de ações voltadas à socialização e ao bem-estar. Ao longo de seis décadas, o SAV também ajudou a abrir espaço para a chegada de outras iniciativas de voluntariado ao HBDF.

Para ser voluntário, basta procurar o escritório do serviço no Hospital de Base para passar por uma entrevista. Outra opção é realizar o cadastro pelo site da entidade, preencher o formulário disponível e aguardar o contato da equipe. A presidente do SAV, Vandelícia Dias, ressalta que não é preciso ter experiência para participar, mas disposição para doar tempo.

Voluntários visitam paciente no Hospital de Base: “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, observa a presidente do SAV, Vandelícia Dias | Fotos: Divulgação

Para Vandelícia Dias, a essência desse trabalho está na disponibilidade para o outro. “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, afirma.

Desde 2010, a entidade alcança uma média de 3,7 mil acolhimentos a pacientes por mês, entre atendimentos realizados dentro do hospital e itens doados. Parte das ações é viabilizada com recursos obtidos por meio das vendas do bazar do SAV, abastecido por doações. “No que estiver dentro da nossa condição, nós sempre iremos ajudar. De pouquinho em pouquinho, nós vamos atendendo as demandas e espalhando o bem”, comemora Vandelícia.

 

Uma história construída dentro do hospital

Fundado pelo médico Oscar Moren, o SAV iniciou o trabalho com foco na pediatria e, ao longo dos anos, ampliou a atuação para outras áreas do Hospital de Base. Entre as frentes que ganharam destaque está a psiquiatria, onde são desenvolvidas atividades lúdicas voltadas para a socialização e o bem-estar dos pacientes.

Essa trajetória também contribuiu para fortalecer a presença do voluntariado na unidade. “O SAV e o Hospital de Base caminharam juntos desde o começo. Nosso trabalho abriu portas e permitiu que outras instituições também viessem para cá. Servimos de exemplo”, afirma Vandelícia.

Atividades lúdicas voltadas à socialização e ao bem-estar dos pacientes ganharam destaque nas atividades dos voluntários no HBDF

Ao mesmo tempo em que acolhe pacientes, o trabalho deixa marcas em quem escolhe dedicar parte da própria vida ao outro. Salete Paulina Malinski entrou para o SAV há 29 anos, depois de ouvir no rádio um anúncio que convidava pessoas para o voluntariado.

“Amo trabalhar com pacientes. A gente sempre consegue levar um pouco de alegria, um pouco de leveza. Gosto de me doar para os outros, de conversar e de trazer paz. Me sinto muito bem”, confessa.

Se Salete carrega quase três décadas de experiência, Rosimeire Costa representa quem está começando essa trajetória. Aposentada, ela decidiu dedicar parte do tempo livre ao voluntariado e integra o SAV há dois meses.

“Aqui, você consegue ser uma gotinha de coisas boas na vida de outras pessoas. É muito gratificante promover um momento de descanso, de alegria, de descontração a um paciente que está passando por um momento difícil. Isso traz sentido para a vida”, comemora.

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Câmara Legislativa realiza sessão solene em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis

Cerimônia está marcada para terça-feira (22), a partir das 19h, e terá transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital e pelo YouTube

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Foto: Francisco Arrais

Homenagem presta reconhecimento público a atletas, professores, treinadores, dirigentes e organizações que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF

A Câmara Legislativa fará uma sessão solene, na próxima terça-feira (22), às 19h, em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis. De autoria do deputado Martins Machado (Republicanos), o evento visa destacar a relevante contribuição dessas modalidades para o desenvolvimento do esporte no Distrito Federal. A solenidade ocorrerá no plenário e será transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.

De acordo com Martins Machado, além de promover hábitos saudáveis, as modalidades incentivam a disciplina, a superação de desafios e a convivência social. “A expansão dessas práticas esportivas também gera impactos positivos na economia local, por meio da realização de torneios, eventos, capacitações e atividades ligadas ao setor esportivo, promovendo oportunidades de trabalho e fortalecendo o turismo esportivo”, ressalta o distrital.

Ainda de acordo com o parlamentar, a homenagem representa o reconhecimento público aos atletas, professores, treinadores, dirigentes, organizadores de eventos, clubes e academias que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF.

Agência CLDF

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