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Dia da Árvore e início da Primavera

Setembro das contradições: homenagens à árvore e queimadas nas florestas


A belíssima sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides) reina no
jardim do Palácio da Alvorada. Em sua sombra o presidente
Juscelino Kubitschek costumava descansar

Silvestre Gorgulho,
de Brasília

A idéia era simples: o então governador do Nebraska, Estados Unidos,
Helin Morton, dedicou em 1872, o dia primeiro de junho a uma grande
festa pública para o plantio de árvores. Foi um sucesso. E a idéia foi
tão bem aceita que passou a ser imitada por outros estados
norte-americanos. Logo, foi copiada também por outros países. O que no
século passado era apenas uma comemoração, hoje virou um alerta. Sim,
tanto o plantio como as homenagens às árvores se transformaram num ato
de conscientização. Sobretudo nas escolas e entidades públicas. A
árvore e a água são os dois recursos naturais que andam sempre juntos.
Sem árvore não há água, não existe clima favorável e muito menos vida.
Além de ser alimento, remédio e matéria prima, é a árvore, com suas
raízes e folhas, que alimenta e protege o solo.

O Dia da Árvore
Até 1965, o Brasil sempre fez a festa anual da árvore no dia 21 de
setembro, que marca o início da Primavera. Era comemoração nacional. A
partir de fevereiro de 1965, o então presidente Castelo Branco,
primeiro do ciclo revolucionário de 64, sancionou o decreto-lei 55.795,
que separou as comemorações. No centro-sul continuava o 21 de setembro
e no norte e nordeste, a festa da árvore passou a ser na última semana
de março. Motivo: é justamente o período de início das chuvas e,
portanto, propício ao plantio de sementes. E o que acontece hoje, 41
anos depois? Prefeitos, professores e alunos do Norte e Nordeste ainda
insistem em comemorar o Dia da Árvore em 21 de setembro, contrariando o
dispositivo legal. Por quê? Porque a mídia e os livros didáticos, ao
referendar pura e simplesmente o 21 de setembro como o Dia da Árvore,
contribuem muito para aumentar essa desinformação.

Nicolas Behr: o dendrólatra
Novo livro de poesia de Nicolas Behr celebra o Dia da Árvore e o início da Primavera

Um pouco sobre dendrolatria

Nicolas Behr

O
culto às árvores está na origem dos mais antigos ritos religiosos,
sendo que as árvores são consideradas os primeiros templos. Por isso,
muitas catedrais góticas foram construídas sobre carvalhos gigantescos.
Uma curiosidade: a adoração de árvores persiste até os dias de hoje na
árvore-de-natal.
Em muitas sociedades tribais ainda se veneram
árvores como seres sagrados e os espíritos que vivem nelas são
intermediários entre os homens e o divino, influindo no destino das
pessoas. Isso torna a árvore instrumento de comunicação entre o Céu e a
Terra.
Com a proximidade das ameaças reais do efeito estufa, com o aumento da
temperatura do Planeta, o derretimento das calotas polares e o
conseqüente aumento do nível dos oceanos, as árvores voltarão a ser
veneradas, pois, só elas (e as plantas em geral) são capazes de
resgatar o gás carbônico que lançamos irresponsavelmente na atmosfera.
Num futuro bem próximo, plantar e cuidar de árvores será uma atividade
importantíssima. Como é hoje, por exemplo, ganhar dinheiro! Por tudo
isso, não vamos esperar a ilha de Marajó desaparecer. Vamos começar a
plantar árvores hoje mesmo.
www.nicolasbehr.com.br

Silvestre Gorgulho, de Brasília
A família é de artistas. Mais: de artistas ambientalistas. A mãe,
Therese von Behr, baroneza das aquarelas, vem de um caminhar distante.
Nasceu numa fazenda de trigais dourados, em Vilna, na Lituânia, para
pintar as mais lindas telas da flora e fauna do Brasil Central. Aos 76
anos, percorre parques e matas pintando as aves do Cerrado. O irmão
Miguel é biólogo e escritor. Tem vários livros publicados sobre alguns
dos mais importantes ecossistemas brasileiros. O outro irmão Henrique é
ilustrador de temas da natureza. E ele, Nicolas Behr, é poeta. Dos
bons. Nascido em Cuiabá-MT, criado em Diamantino e brasiliense desde os
10 anos, Nicolas Behr (ou Nikolaus von Behr) lançou seu primeiro livro
“Iogurte com farinha” em 1977. Mesmo em impressão de mimeógrafo, vendeu
mais de 8 mil exemplares. De mão em mão, igualzinho ainda vende hoje
mudas, sementes e flores no seu viveiro Pau-Brasília, no Lago Norte de
Brasília. Agora, por ocasião do Dia da Árvore e início da Primavera
lança seu quarto livro: Iniciação à Dendrolatria.

Nicolas
Behr vive de dois hobbies de dois viveiros: a produção de espécies
nativas do Cerrado no seu viveiro Pau-Brasília e a produção de poemas
no seu viveiro de poesia. Ambos os hobbies dão muito prazer, trabalho e
admiração dos amigos, explica Nicolas Behr. “Eu estava me devendo um
livro desses”, explica. Iniciação à Dendrolatria traz cerca de 130
poemas com temática ecológica, falando de flores, cascas, troncos,
árvores… da vida, enfim.
E o que é dendrolatria? A explicação é do poeta-viveirista: “Dendro em
grego quer dizer árvore. Daí temos o dendrofóbico, o dendroclasta, o
dendrocida, o dendrologista e o dentrólatra. Dendrolatria é, portanto,
a adoração de árvores”.
O
livro é gostoso de ler e fácil de entender. Fala de coisas muito
simples e de uma maneira mais simples ainda. “Ser simples e acessível é
um desafio” de vida, confessa Nicolas Behr.
O lançamento do livro foi no próprio Viveiro Pau-Brasília. Amigos,
poetas e ambientalistas brasilienses prestigiaram Nicolas. Foram na sua
terra, plantaram sementes várias na sua fazenda e, com certeza,
colherão frutos de amizade e sabedoria. Todos, sem exceção, depois de
se esbaldarem num delicioso coquetel de sorvete de frutas nativas do
Cerrado, voltaram menos dendrocidas e muito mais dendrologistas.

 

 

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DF conquista quarto lugar na etapa nacional das Paralimpíadas Escolares

Representantes de quase 60 escolas participaram da competição, conquistando 42 medalhas individuais: dez de ouro, 17 de prata e 15 de bronze

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Agência Brasília* | Edição: Claudio Fernandes

 

 

Após quatro dias de competição, a etapa nacional das Paralimpíadas Escolares 2022 foi encerrada em São Paulo. Esta foi a maior edição da história, com a participação de cerca de 1,3 mil atletas de 25 estados e do Distrito Federal, que disputaram provas em 14 modalidades.

A delegação local contou com representação em nove modalidades e a participação de 92 pessoas, incluindo atletas e equipes técnicas. Representantes de quase 60 escolas integraram a delegação do DF. Apesar de não ter subido no pódio no resultado por equipes, o DF ficou com a quarta posição no resultado final do torneio. Ao somar 280 pontos, a equipe brasiliense voltou para casa com 42 medalhas individuais, sendo dez de ouro, 17 de prata e 15 de bronze.

As premiações dos atletas do DF podem ser vistas neste link.. O gerente de Desportos da Secretaria de Educação, Marcelo Ottoline, lembra que as Paralimpíadas Escolares buscam atender a legislação vigente acerca do uso do esporte como ferramenta pedagógica na formação de crianças e jovens com algum tipo de deficiência.

“O esporte proporciona a inclusão e promove o princípio básico da cidadania que é o poder ir e vir de maneira autônoma, sem depender de ninguém”, afirma. Ele ressalta que muitos alunos participantes de edições anteriores hoje compõem a Seleção Brasileira nas respectivas modalidades.

As Paralimpíadas Escolares 2022 são uma realização do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e do Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Especial de Esporte. As etapas seletivas ocorreram em eventos municipais, regionais, estaduais e/ou distritais, e precedem a etapa nacional. No DF, as seletivas ocorreram no mês de setembro com a participação de mais de 300 estudantes com algum tipo de deficiência.

O grande evento do paradesporto tem por finalidade estimular a participação dos estudantes com deficiência física, visual e intelectual em atividades esportivas de todas as escolas do território nacional.

Desde 2016, a competição ocorre nas dependências do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Este é o maior evento mundial para jovens atletas com deficiência em idade escolar.

*Com informações da Secretaria de Educação

 

 

 

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Governo de SP entrega reforma do Museu da Inclusão na capital

Foram distribuídas 91 vans acessíveis para 55 municípios

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Do Portal do Governo

 

O Governo de SP entregou nesta quinta-feira (1º), na capital, a reforma do Museu da Inclusão. A abertura ao público será realizada no dia 10 de dezembro, com a exposição “Pessoa com deficiência: lutas, direitos e conquistas”. Na ocasião, o Governo também entregou 91 vans acessíveis para 55 municípios, no âmbito dos programas “Nova Frota – SP Não Para” e “Cidade Acessível”.

“Hoje estamos fazendo duas entregas importantes, com as vans adaptadas e o novo Museu da Inclusão, reforçando o compromisso deste governo com uma agenda de acessibilidade e inclusão, um investimento de cerca de R$ 400 milhões, o maior programa de acessibilidade do Governo de SP. Também estamos reinaugurando este Museu, que ficou mais moderno e que registra a luta das pessoas com deficiência durante os últimos 40 anos”, disse Aracelia Costa, secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

As instalações internas do museu passaram por restauro e modernização com troca do piso interno facilitando a circulação de cadeiras de rodas, troca do piso podotátil, troca da iluminação e adequação do espaço de exposição e dos espaços de atendimento e estudos. As obras ocorrem desde janeiro e o investimento foi de R$ 860 mil.

Vans acessíveis

Os veículos possibilitam um transporte seguro e adequado de pessoas com deficiência física que utilizam cadeira de rodas. As vans adaptadas possuem 9 lugares para passageiros, sendo 3 lugares exclusivos para cadeiras de rodas. São equipados com sistema de elevador para acesso da cadeira de rodas ao veículo, além de ar-condicionado, fixadores e cintos de segurança, garantindo maior mobilidade e conforto. O investimento do Estado foi de R$ 32 milhões.

Ao todo, 55 prefeituras foram contempladas: Caieiras, Cajamar, Cajati, Carapicuíba, Corumbataí, Cotia, Cubatão, Eldorado, Embu das Artes, Embu Guaçu, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guarulhos, Holambra, Indaiatuba, Itanhaém, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itapira, Itatiba, Itupeva, Jacupiranga, Jandira, Juquitiba, Louveira, Mauá, Miracatu, Monte Alegre do Sul, Monte Mor, Nova Campina, Pedra Bela, Pedreira, Peruíbe, Pinhalzinho, Piracaia, Pirapora do Bom Jesus, Praia Grande, Ribeirão Branco, Rio Grande da Serra, Salto de Pirapora, Santana de Parnaíba, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenco da Serra, São Miguel Arcanjo, São Paulo, São Sebastião da Grama, São Vicente, Sete Barras, Tuiuti, Vargem, Vargem Grande Paulista e Vinhedo.

 

 

 

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Variação positiva do PIB é influenciada por serviços e indústria

PIB soma R$ 2,544 trilhões em valores correntes no terceiro trimestre

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A variação positiva do Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país em um ano) de 0,4%, na passagem do segundo para o terceiro trimestre, foi influenciada pelos resultados dos serviços (1,1%) e da indústria (0,8%), enquanto a agropecuária recuou 0,9%. 

Os dados são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, e foram divulgados hoje (1º), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, com o resultado, o PIB chega ao maior patamar da série histórica, iniciada em 1996. Na comparação com o trimestre anterior, é a quinta taxa positiva do indicador. O PIB totalizou R$ 2,544 trilhões em valores correntes no terceiro trimestre.

Além de atingir o maior nível da série, o PIB ficou 4,5% acima do patamar pré-pandemia de covid-19, registrado no quarto trimestre de 2019.

Informação e comunicação

De acordo com o IBGE, nos serviços, setor que responde por cerca de 70% da economia, os destaques foram informação e comunicação (3,6%), com a alta dos serviços de desenvolvimento de software e internet, atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,5%) e atividades imobiliárias (1,4%). O segmento outras atividades de serviços (1,4%), que representa cerca de 23% do total de serviços, e inclui, por exemplo, alojamento e alimentação, também cresceu.

“As outras atividades de serviços já vêm se recuperando há algum tempo, com a retomada de serviços presenciais que tinham demanda represada durante a pandemia”, disse, em nota, a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Único segmento dos serviços que ficou no campo negativo, o comércio variou -0,1% no terceiro trimestre. “Esse é um cenário que já vínhamos observando na Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. O resultado reflete a realocação do consumo das famílias dos bens para os serviços”, afirmou Rebeca.

A construção, que está entre as atividades industriais, avançou 1,1% no período. “Essa atividade já vinha crescendo há quatro trimestres e segue aumentando, inclusive em ocupação. Outro destaque do setor é eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (0,6%), atividade que foi beneficiada pela redução da energia termoelétrica”, disse a pesquisadora.

Após três trimestres com taxas positivas, a agropecuária recuou 0,9%. No acumulado do ano, o setor agropecuário caiu 1,5%. “A retração é explicada pelas culturas que têm safra relevante nesse trimestre e tiveram queda de produção, como é o caso da cana-de-açúcar e de mandioca. Já no ano, o desempenho do setor é ligado aos resultados da soja, nossa principal cultura, que teve a sua produção afetada por problemas climáticos”, informou Rebeca.

Na ótica da despesa, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 2,8% frente ao segundo trimestre. O consumo das famílias aumentou 1%, enquanto o do governo cresceu 1,3%.

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu pelo sexto trimestre consecutivo. Na comparação com o terceiro trimestre de 2021, o aumento foi de 4,6%. No mesmo período, o consumo do governo cresceu 1,0%.

“Esse crescimento está relacionado aos resultados positivos do mercado de trabalho, em relação ao rendimento e à ocupação, aos auxílios governamentais, como o Auxílio Brasil, Auxílio Taxista e o Auxílio Caminhoneiro, às políticas de desoneração fiscal e a uma inflação mais recuada, mesmo que ainda esteja alta”, afirmou Rebeca.

Também pela ótica da demanda, os investimentos cresceram 5%, influenciados pela alta da construção, do desenvolvimento de softwares e também da produção e importação de bens de capital.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2021, o PIB aumentou 3,6%. A agropecuária cresceu 3,2%, e a indústria, 2,8%. O setor industrial foi impactado sobretudo pela atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (11,2%), beneficiadas pelas bandeiras tarifárias verdes. Outras atividades de destaque no setor foram construção (6,6%) e indústrias de transformação (1,7%).

Segundo o IBGE, nessa mesma comparação, os serviços avançaram 4,5%, com destaque para outras atividades de serviços (9,8%) e transporte, armazenagem e correio (8,8%) e informação e comunicação (6,9%).

Edição: Kleber Sampaio

Fonte EBC

 

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