Reportagens

Borboletas: flores que voam

As borboletas são insetos tão atraentes que há uma crescente instalação de borboletários para atender a demanda comercial e funcionar como referências em trabalho de educação ambiental e preservação






Assim que as borboletas se acasalam, a fêmea procura uma planta específica para postura dos seus ovos. É desta planta que as pequenas lagartinhas irão
se alimentar após o nascimento que ocorre entre 7 e 10 dias.

Silvestre Gorgulho, de Brasília



Elas são azuis, amarelas, brancas, vermelhas e pretas. Têm cores, tamanhos e belezas variadas. Com certeza, as borboletas são os insetos mais atraentes e mais vistosos da terra. Grandes ou pequenas, sempre coloridíssimas, elas revoluteiam pelo ar, ziguezagueando por campos e jardins. As borboletas parecem flores. Verdadeiras pétalas que voam. Pertencentes ao grupo dos lepidópteros, as borboletas podem sobreviver em qualquer lugar, embora prefiram habitar regiões quentes e tropicais. Do nascer ao morrer, elas passam por tantas e tão profundas mudanças, que parecem ter várias vidas. É a metamorfose. Para cada etapa de vida, elas têm uma beleza e um regime alimentar diferente. Não é fácil a vida de borboleta. Extremamente visadas por colecionadores e comerciantes, as borboletas são capturadas como matéria-prima para o rico artesanato de souvenirs como pratos, relógios, bandejas e quadros. Além disso, são expostas à ação de inimigos naturais e ainda sujeitas a toda agressão ambiental como poluição, queimadas e desmatamentos.


Para preservá-las e protegê-las, só mesmo com a construção de abrigos para estes insetos. São os borboletários. E mais: também para proporcionar às crianças e estudantes um local público e de fácil acesso de aprendizado sobre a natureza e sobre a importância destes insetos da ordem Lepidoptera na biodiversidade dos ecossistemas.


Existem vários borboletários no Brasil. Agora mesmo, dois novos acabam de ser inaugurados. Em setembro, foi inaugurado o borboletário do Jardim Botânico de Diadema-SP. Em outubro, outro no Jardim Zoológico de Brasília-DF. Várias universidades, jardins botânicos e zoológicos também construíram borboletários para pesquisa, com a finalidade de estudar a criação de espécies em cativeiro e a manutenção de populações livres da ação de seus parasitos e predadores.


Sempre instalados próximos às bordas de uma mata natural, os borboletários têm uma estrutura revestida com sombrite, permitindo a entrada de luz de forma a simular um ambiente natural. No interior são feitos canteiros para o plantio de várias plantas para alimentação das lagartas. São espécies com frutos e flores. O néctar também é alimento para as borboletas adultas.


Para o bom desenvolvimento de um borboletário, é necessário se ter uma equipe técnica que acompanhe o ciclo de cada espécie. Desde a postura até a fase de pupa e a emergência de indivíduos adultos. Os ovos são recolhidos das plantas hospedeiras e levados para um “berçário”.


Após a eclosão, as lagartas são criadas até fase de pupa. Feita a metamoforse e transformadas em adultas as borboletas podem ser soltas.


Objetivos
O objetivo de se ter um borboletário é a preservação da espécie, a educação ambiental e até mesmo o sentido estritamente comercial. A criação para produção de artesanato é autorizada pelo Ibama.


Pela lei, apenas machos podem ser sacrificados e usados no artesanato. As fêmeas, ao nascer, devem ser soltas acompanhadas de dois exemplares do sexo masculino. A proporção de nascimento é de cinco machos para cada fêmea.


Em cativeiro, o índice de reprodução dos ovos é de 50% a 80%, devido à ausência dos predadores e melhores condições climáticas. Na natureza é de 3 a 7%. Em geral, uma parte da produção do borboletário é introduzida no meio ambiente, numa proporção de cinco borboletas soltas na mata, a cada dez unidades.


As borboletas desempenham um papel importante na manutenção dos ecossistemas. Elas contribuem para o aumento da biodiversidade devido sua interação com as plantas, polinizando-as. Também indicam a qualidade do ambiente, pois muitas espécies não resistem a locais degradados.
Segundo Raul Gonzalez Acosta, um economista mexicano que mora há 23 anos no Brasil e há 13 anos está na direção do Jardim Zoológico de Brasília, a idéia de fazer um borboletário surgiu em 1999. “O motivo é simples – explica Gonzalez Acosta que também já foi por três anos consecutivos presidente da Sociedade de Zoológicos do Brasil – “as borboletas além da beleza representam o ciclo da vida. É importante que a população, principalmente os menos fa vorecidos, tenham contato e maior conhecimento sobre a vida desses insetos.”


Lepidopteros: Ibama faz plano de ação







As cores vivas de uma
Heliconae erato

Para o ambientalista Dener Giovanini, coordenador-geral da Renctas – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, a criação comercial não funciona. Explica Giovanini que a legalização criou um mercado negro, porque os borboletários não suprem a demanda. Os comerciantes continuam comprando borboletas ilegais, caçando as espécies mais bonitas quase sempre mais raras e ameaçadas de extinção. “Imagina – salienta o dirigente da Renctas – que em Minas, no Rio, no Rio Grande do Sul e no Paraná, as crianças recebem até R$ 2,00 por exemplar capturado, dependendo da espécie. No Amazonas, algumas chegam a custar até US$ 400,00”.


Já o biólogo Josef Bacsfalusi, presidente da Associação Brasileira Pró-Lepidópteros, garante que não é bem assim. Os criadores comerciais também ajudam a preservar a espécie. “Na natureza, o índice de sobrevivência é pequeno. Nos criadouros, chega a 85%. Como as fêmeas têm que ser soltas, aumenta-se o número de borboletas na natureza.”



Plano de Ação
Técnicos do Ibama estão na fase final da preparação de um Plano de Ação Nacional para Conservação e Manejo dos lepidópteros ameaçados de extinção. O plano terá duas área de ação imediata, a partir de janeiro de 2006:



1) Fazer um banco de dados com imagem, descrição, área de distribuição e status de conservação, habitat e ameaças;
2) Uma série de ações que vão precisar serem implementadas.

Borboletário de Brasília
A metamoforse das borbeletas ajuda a explicar o ciclo da vida







A bióloga Kátia Malcher, responsável pelos trabalhos de educação ambiental, explica que as crianças saem das aulas fascinadas por entender como funciona a natureza dos insetos.

Segundo a bióloga Carolina Lobo, responsável pela curadoria e manejo do borboletário de Brasília, a construção era um sonho antigo, mas só foi possível porque houve financiamento da Infraero, como compensação ambiental pela construção da nova pista do aeroporto Juscelino Kubitschek. Nos 228m2 do viveiro, que tem 6 metros de altura, explica Carolina Lobo que foi possível criar três microclimas para melhor adaptação das borboletas. São eles: mata fechada, brejo e campo aberto. O recinto poderá abrigar até 2.000 indivíduos de até 37 espécies, todas nativas do Cerrado.


Anexo ao viveiro, tem uma construção de alvenaria. Esse espaço será usado para receber as crianças, pois uma das finalidades do borboletário é a educação ambiental. Ao lado do viveiro, bem isolado do público visitante, existe um complexo para a criação de borboletas. É a chamada Casa de Criação, onde tem o laboratório para a criação das lagartas. Esse viveiro servirá para a realização de pesquisas e o manejo genético das espécies. Além disso, este complexo possui um horto com canteiros e duas estufas de plantas para a produção de plantas hospedeiras, alimento das lagartas.


Educação ambiental
A bióloga Kátia Malcher é responsável pelos trabalhos de educação ambiental e explica que o borboletário vai receber alunos de quinta-feira a domingo, de 9h00 às 17h00. Dado o impacto das visitas, cada grupo de 20 alunos terá 20 minutos de visita, sempre acompanhados de um monitor. O borboletário tem dois monitores treinados: Alexandre Barbosa, estudante de veterinária, e Rogério Primo, estudante de biologia. A equipe conta ainda com dois tratadores (José Antônio e Benjamim Mendes da Silva) e dois jardineiros (Márcio e Diego).
As borboletas e mariposas são insetos da ordem Lepdoptera, explica Kátia Malcher, um nome científico que vem do grego e significa asas com escamas. “É bom salientar – diz ela – que essas escamas, ao contrário da crença popular, não cega e não causa dano algum a saúde humana”. E acrescenta: “Justamente por passar por uma metamorfose completa, ou seja, por se transformar totalmente, esses insetos são ótimos para uma aula de educação ambiental, pois representam o ciclo da vida”.


Durante as aulas no borboletário, as crianças vão entender que cada espécie leva um tempo diferente na fase de lagarta que é a fase de crescimento do inseto. Depois desse período, a lagarta se transforma em pupa. “Aí é bom saber – salienta Kátia Malcher – que chamamos a pupa da borboleta de crisálida e a pupa da mariposa de casulo”.


E as taturanas, aquelas lagartas cheias de pêlos que é só encostar nelas que elas queimam a mão da gente? Kátia sabe que essa pergunta sempre aparece na hora das aulas, por isso tem a explicação prontinha: “Tem lagartas que são conhecidas como taturanas e algumas delas são tóxicas. Elas são tóxicas, queimam, porque comem plantas que possuem substâncias tóxicas. O corpo delas possuem cerdas pontiagudas ou pêlos que quando são tocados inoculam toxinas. Essas toxinas podem causar, na maioria dos casos, queimação e dores no local. E existe até casos mais graves, como o da lagarta da mariposa Lonomia obliqua que pode causar hemorragia se não for tratada rapidamente. O fato é que todas as lagartas que existem fazem parte de um ciclo de vida destes insetos da ordem Lepdoptera e vão sofrer esta metamorfose, se transformando em borboletas ou mariposas”.


A visita aos borboletários é muito importante para a formação das crianças e as aulas de educação ambiental vão tocar em quatro pontos principais:



1 – As borboletas são bio-indicadoras da poluição do ar.
2 – Ela também é peça importante na polonização das plantas.
3 – Ela devolve micronutrientes com mais rapidez ao solo.
4 – As borboletas, como insetos, estão na base da cadeia alimentar.


Agendamento de visitas
As escolas devem
se programar e agendar
as visitas diretamente
com os responsáveis
pelo borboletário, no
telefone (61) 3345-3248.


Borboletário de Diadema-SP
O Secretário de Meio Ambiente de Diadema, Marco Antonio Mroz, explica os objetivos do borboletário








Inaugurado no dia 16 de setembro, o Borboletário Tropical Conservacionista Laerte Brittes de Oliveira, de Diadema, é o primeiro na região metropolitana de São Paulo. Situado dentro do Jardim Botânico do município, o borboletário de Diadema tem uma produção inicial de 500 borboletas, de cinco espécies: Dryas iulia (Julia); Caligo illioneus (Olho de Coruja); Ascia buniae (Ascia); Heliconius erato e Biblis. As instalações compreendem um viveiro de 187,20 m², onde ficarão as borboletas e um berçário de 10,80 m² para onde serão levados os ovos, criadas as lagartas, ou larvas e onde acontecerá a eclosão das pupas, também chamadas de crisálidas (pra borboletas) ou casulos (para mariposas). O viveiro possui telas de proteção e tem em seu interior cerca de 30 espécies de plantas, que fornecem abrigo, alimento e local para deposição dos ovos. Do lado externo do borboletário foram plantadas árvores de Pau-Brasil, Diadema e Embaúba, além da mata do Jardim Botânico do entorno, que contribuem para que as borboletas convivam no seu habitat natural. O borboletário é climatizado com umidificadores no viveiro e uma temperatura entre 25 a 28% no berçário. As borboletas têm à disposição frutas e um néctar baseado em mistura de água e mel disposta em bebedouros de beija-flor, além do néctar que elas mesmas extrairão das flores. Para falar mais do borboletário de Diadema, conversamos com o Secretário do Meio Ambiente, Marco Antônio Mroz (foto).


Folha do Meio – Qual a importância deste borboletário?
Marco Antônio Mroz –
Esse é o primeiro borboletário da região metropolitana de São Paulo. Foi homologado pelo Ibama e está aberto à visitação pública. É uma importante ferramenta de educação ambiental para Diadema e para todas as cidades aqui em volta.


FMA – E os objetivos?
Marco Antônio –
O objetivo do borboletário é bem amplo. Primeiro contribuir para a preservação das espécies e com a diversidade que se perdeu devido a grande urbanização da região metropolitana sobre a Mata Atlântica. Um outro objetivo é a educação ambiental que vai sensibilizar as pessoas, particularmente as crianças. Elas terão a possibilidade concreta de conhecer como funciona a natureza e o fato de ser a borboleta um bicho tão fascinante, você sensibiliza as crianças para a questão ambiental e para a introdução do conhecimento da biologia.


FMA – Como fica o borboletário dentro do Jardim Botânico?
Marco Antônio –
É importante destacar que o borboletário integra um conjunto de medidas para a revitalização do Jardim Botânico. Entre as medidas está a reforma das estufas, readequação do orquidário e criação do jardim das bromélias, aumento na produção de mudas, sala própria para o Programa de Educação Ambiental, dentre outras ações. Neste espaço de educação ambiental que é o Jardim Botânico, o borboletário terá lugar de destaque por ser o local onde poderão ser vistas espécies vivas em todo o seu ciclo de vida.


FMA – Como será esta visitação?
Marco Antônio –
O importante desta visitação é informar e conscientizar. A visitação será uma aula a céu aberto e vai levar importantes informações aos importantes. É o tipo de trabalho que busca despertar o interesse e a mudança de comportamento das pessoas, e em especial das crianças. Essa aula a céu aberto vai proporcionar ensinamentos com todos os aspectos teóricos e práticos dos elementos que compõem o nosso ecossistema de Mata Atlântica.


FMA – E quais espécies de borboletas estão sendo criadas?
Marco Antônio –
Estão sendo criada cinco espécies: Anteos menippe; Dryas iulia (Julia); Agraulis vanilae (Pingo de Prata); Caligo illioneus (Olho de Coruja) e Ascia buniae (Ascia).
As matrizes foram compradas do borboletário do Sesc Pantanal-MT. Agora, a Secretaria do Meio Ambiente vai começar o agendamento para visitas monitoradas. A cada visita poderão entrar 12 pessoas. Os visitantes vão apreciar a eclosão das crisálidas, o acasalamento, o vôo dos insetos, o acondicionamento dos ovos, das larvas e das pupas. O contato com esses insetos também contribui para desmistificar certos preconceitos arraigados na população como o de que as borboletas são venenosas e que podem cegar.


FMA – Por que o nome de Laerte Brittes?
Marco Antônio –
Esse é o patrono do borboletário. Laerte Brittes de Oliveira foi um importante geógrafo que nasceu em 1960 e morreu este ano.
Ele ingressou na Prefeitura de Diadema em 1983, e começou a trabalhar com as questões do meio ambiente desde a criação desse setor, em 1994.
Atuou na fiscalização ambiental do município e como educador ambiental no Programa de Educação em Saneamento Ambiental.


Mais informações:
Jardim Botânico de Diadema
Rua Ipitá, 193- Jardim Inamar
Tel: (11) 4059-7600


Ciclo da vida


Para explicar toda a grandiosidade do ciclo da vida, nada
como buscar na simplicidade das borboletas um exemplo
de beleza e fragilidade da vida.







O ciclo de vida da borboleta
Caligo, sp também conhecida como “Olho de coruja”.

“Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então . . .
Oh, que escuridão!”

Vinicius de Moraes


O planeta Terra pode ser considerado como um gigantesco organismo vivo que se auto-mantém por sua capacidade de produzir, elaborar, reciclar e atender a todas suas necessidades. Muitos fatores interagem para manter o equilíbrio ecológico. A água é o elemento mais vital para que todo o processo ocorra, pois impulsiona os ciclos da produção de alimentos, sem os quais não existiria a vida. O ciclo é caracterizado por um fluxo permanente de energia e de matéria, ligando a geologia, a hidrologia, a biologia, a meteorologia, a física, a química e a tantos outros fatores que fazem da vida uma fantástica combinação de fenômenos e de espiritualidade. Para explicar toda a grandiosidade dessa orquestração universal, nada como buscar na simplicidade do ciclo da existência das borboletas um exemplo de beleza e fragilidade da vida.


A diversidade é uma constante quando o assunto é borboletas e mariposas.
Além de cores e formas variadas na estrutura de suas asas, os ovos são uma beleza à parte. São postos isolados ou agrupados, embaixo ou sobre as folhas. Essas são estratégias de defesa que também são diferenciadas para cada espécie. A borboleta fêmea procura uma planta específica para colocar seus ovos, essa planta chamamos de hospedeira. São, justamente, as plantas que vão alimentar as lagartas quando nascem.


As lagartas apresentam várias fases nesse período em que se dedicam ao crescimento.
Durante seu desenvolvimento, as lagartas precisam trocar seu esqueleto externo (exoesqueleto) 4 ou 5 vezes. Nestas mudas são trocadas a pele e a carapaça da cabeça. Esta metamorfose vai permitir que elas dobrem de tamanho.
Cada espécie tem suas variações na quantidade de dias que os ovos levam para eclodirem, mas geralmente este número fica entre 5 a 10 dias. Observe o ciclo de vida da Caligo, sp também conhecida como “Olho de coruja”. Essa espécie é a maior borboleta brasileira. São dois meses, em média, desde a postura do ovo, até a eclosão do adulto. Depois, como adulto, ela vive cerca de dois meses.








Os ovos são postos isolados ou agrupados nas folhas das plantas hospedeiras


Na casa de criação do borboletário, as pupas são cuidadosamente guardadas e tão logo as borboletas nascem são soltas no viveiro. Todo esse trabalho é importante para a realização de pesquisas e o manejo genético das espécies

Summary


FLYING FLOWERS
Butterflies are such attractive insects that there are a growing number of butterfly farms to meet commercial demand and serve as references in research and environmental education


When I am a dreaming child
I sometimes wonder
Whether a butterfly is a flower
That likes to fly around…

Soares da Cunha


They are blue, yellow, white, red and black. They come in a variety of colors, sizes and beauty. Without a doubt, butterflies are the most attractive and showy insects on earth. Large or small but always highly colorful, they flutter through the air, zigzagging through the fields and gardens. Butterflies look like flowers – truly petals that fly. They belong to the lepidopteron group and can survive anywhere, although they prefer to inhabit hot and tropical regions. From the time they are born until the time they die, they undergo so many profound changes that they seem to have different lives. This is metamorphosis. For each stage of life, they have a different type of beauty and diet. The life of a butterfly is not easy. Butterflies are highly prized by collectors and businessmen and are captured as a raw material for embellishing handicraft souvenirs such as plates, clocks, trays and pictures. Moreover, they are exposed to their natural enemies and subject to environmental hazards such as pollution, slashing and burning land and deforestation.
It seems that the only way we can preserve and protect these creatures is by building shelters for them. These are butterfly conservatories or farms. They also serve as an easily accessible public place for children and students to learn about nature and the importance the insects of the Lepidopteron order have in the biodiversity of the ecosystems.
There are several butterfly shelters in Brazil. Just recently two new ones were inaugurated. In September, in the city of Diadema, São Paulo, a butterfly shelter was opened at the Botanical Gardens. In October, another one opened its doors at the zoo in Brasília in the Federal District. Several universities, botanical gardens and zoos have also built butterfly shelters for research and the purpose of studying the creation of the species in captivity and maintaining their populations free from the attack of parasites and predators.
These butterfly havens are always located near the edge of natural wooded areas and the shelters are covered with a material, which enables natural lighting to simulate their natural habitat. The interiors have been planted with a variety of plants to feed the caterpillars. These flower and fruit bearing plants and the nectar also serves as food for the adult butterflies.
In order for a butterfly to develop properly, there must be technically qualified staff to monitor the cycle of each species, from egg laying to the pupa phase and the emergence of the adult individuals. The eggs are collected from the host plant and are taken to a “nursery.” After this stage, the caterpillars are created until the pupa phase. Once metamorphosis has occurred and they have transformed into adults, they are released.


Objectives
The objective of the butterfly reserve is to preserve the species, provide environmental education and even for strictly commercial purposes. The creation of the insect for the production of handicrafts has been authorized by IBAMA. According to the law, only the males can be sacrificed and used for art works. The females after being born must be released in the company of two males. The birth rate of butterflies is five males to every female.
In captivity, the reproductive rate of the eggs ranges from 50% to 80%, owed to the absence of predators and ideal climatic conditions. In nature this rate varies from 3 to 7%. In general, a part of the butterfly production is introduced into the environment at a ratio of five butterflies released into the wild out of every 10 born. Butterflies play an important role in the maintenance of the ecosystems. They contribute to the increased biodiversity owed to their interaction with the plants, by pollinating and sowing seeds. They are also a good indication as to the quality of the environment, since they cannot survive in spoiled or polluted locations.
According to Raul Gonzalez, a Mexican economist who has lived in Brazil for 23 years and has been the director of the Brasília Zoo for 13 years, in addition to holding the position of president of the Brazilian Zoological Society for three consecutive years, the idea of establishing butterfly reserves came about in 1999. The reason was simple and in his words “Butterflies are not only beautiful, but they represent the life cycle. It is important that the population, especially the underprivileged have the opportunity of greater contact and understanding of the lives of these insects.”


Pros and cons
According to the environmentalist Dener Giovanini, general coordinator of RENCTAS – National Network Fighting against Wild Animal Traffic, commercial breeding does not work. Giovanini explains that legalization has created a black market because the number of butterflies available does not meet demand. Traders continue buying illegal butterflies, hunting down the most beautiful species, which are nearly always the rarest and most threatened by extinction. “Imagine, if you will, that in the states of Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul and Paraná, children are paid up to R$ 2.00 for each one caught, depending on the species, and in the Amazon some species go for as much as US$ 400.00,” stated the environmentalist. However, the biologist Josef Bacsfalusi, president of the Brazilian Pro-Lepidopteron Association assures that this is not exactly the case. Commercial breeders also help preserve the species. “In nature the survival rate is very small. In the butterfly farms, this rate jumps to as high as 85%. Since the females have to be released, the number of butterflies in nature also increases.”


Qual menino sonhador
Eu fico às vezes pensando
Que a borboleta é uma flor
Que gosta de andar voando…

Soares da Cunha

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Crise sobre repasses para a cultura repercute na sessão ordinária

Parlamentares abordaram ainda crise do BRB, renúncias fiscais no DF e aumento dos casos de violência contra servidores da saúde

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Foto: Lourenço Cardoso/Agência CLDF

 

Sessão desta terça-feira (11) foi destinada a debates parlamentares

O possível corte de recursos para a área da cultura do Distrito Federal repercutiu na sessão ordinária da Câmara Legislativa desta terça-feira (11). Parlamentares também falaram sobre a crise envolvendo o BRB, as renúncias fiscais no DF e o aumento dos casos de violência contra servidores da saúde.

Os deputados Max Maciel (PSOL) e Fábio Felix (PSOL) lamentaram a crise envolvendo os repasses para a cultura, o que colocou em risco a realização do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além de provocar atrasos nos repasses do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

Crise do BRB

O deputado Chico Vigilante (PT) apresentou, durante a sessão, ofício do Fundo Garantidor de Crédito endereçado ao governo do DF. Segundo o documento, lido em plenário, o BRB ainda não apresentou ao Fundo os documentos necessários para análise do pedido de empréstimo feito pelo banco. Sem a documentação, o Fundo alega que não pode analisar o pedido. “O documento mostra claramente que não é o governo federal que está impedindo o empréstimo”, analisou Vigilante.

Renúncia fiscal

Já o deputado Gabriel Magno (PT) apresentou no telão do plenário um ranking com as empresas mais beneficiadas por renúncias fiscais de ICMS em 2025. Segundo o levantamento do distrital, somente em 2025 a isenção somou R$ 13,5 bilhões.

Violência na saúde

A deputada Dayse Amarílio (PSB) chamou a atenção para o crescimento de casos de agressões e violência contra profissionais da saúde. Segundo ela, uma pesquisa do Instituto do DF revelou que 70% dos profissionais da saúde sofreram algum tipo de violência, número que ela considera subnotificado.

A distrital lamentou a falta de condições de segurança e de trabalho dos servidores da saúde. Para ela, a situação é criminosa.

Informamos que a cobertura realizada pela Agência CLDF, durante o
período eletivo, estará ajustada à Lei 9.504/1997 e às orientações da Justiça Eleitoral.

Agência CLDF

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Estudante cria jogo para apresentar funções do Ministério Público

Trabalho de estagiário foi destaque do MP na Rio Innovation Week

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Alana Gandra – repórter da Agência Brasil

Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.

Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.

“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.

A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.

“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.

Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.

“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.

Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.

“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.

 

Brasília - 07/08/2026 - Cleomar Barros ensina o filho desde criança a respeitar as meninas.( o estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) 
Crédito: MPRJ/Bruno Bou
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou

Reconhecimento

O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.

“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.

A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.

“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.

“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.

Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.

“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.

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Lavagem nasal ajuda a aliviar efeitos do tempo seco

Soro fisiológico auxilia na hidratação das vias aéreas, remove partículas e crostas e ajuda a reduzir desconfortos causados pela baixa umidade

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Agência Brasília | Edição: José Renato Garcia

Com a baixa umidade do ar, nariz e garganta estão entre as regiões que mais sofrem com o ressecamento. Ardência, irritação, formação de crostas, obstrução nasal e até sangramentos podem se tornar mais frequentes. Nesse período, a higiene com soro fisiológico é uma das medidas que ajudam a manter a mucosa hidratada e aliviar o desconforto.

A mudança de Barra do Garças (MT) para Brasília fez o analista administrativo Yan Salem sentir de perto os efeitos do clima seco. Nariz e garganta foram os mais afetados, com sintomas que chegaram a interferir no sono, na concentração e na prática de atividades físicas.

“O nariz ficava extremamente sensível e ressecado por dentro, a ponto de sangrar com frequência, e a garganta parecia constantemente arranhada”, relata.

Para amenizar o incômodo, água e soro fisiológico passaram a fazer parte da rotina.

“Eu andava com garrafa de água para todo lado e usava soro no nariz várias vezes ao dia. Era praticamente um ‘kit de sobrevivência’”, recorda.

A estratégia adotada por Yan é recomendada pelo médico otorrinolaringologista e preceptor da residência médica de Otorrinolaringologia do Hospital de Base, João Henrique Zanotelli dos Santos.

“Para o nariz, a higiene nasal com soro fisiológico ajuda a remover partículas, secreções e crostas e a manter a mucosa hidratada”, explica.

Por que o nariz sofre tanto?

Nariz e garganta são revestidos internamente por uma mucosa que precisa permanecer hidratada para funcionar adequadamente. Quando o ar perde umidade, essa camada fica mais seca e suscetível a irritações.

“Quando o ar está muito seco, ele desidrata essa mucosa, deixando-a mais ressecada e irritada. Podem surgir crostas nasais e pequenas fissuras, que facilitam o sangramento, principalmente quando a pessoa assoa ou cutuca o nariz”, esclarece João.

Além da ardência, pode surgir obstrução. Pessoas com rinite também podem perceber piora de sintomas como espirros, coriza, coceira e nariz entupido.

Yan lembra que, nos períodos de maior desconforto, os sintomas iam além de um incômodo passageiro.

“Não tem como focar direito no trabalho ou nos estudos se você precisa parar a todo momento para beber água ou usar soro no nariz, tentando aliviar a ardência”, conta.

Os episódios de sangramento foram o que mais o preocuparam no início. “Cheguei a acordar de madrugada com a garganta muito seca e encontrar marcas de sangue no travesseiro. No começo, era assustador porque eu não estava acostumado. Cheguei a perder camisetas e lençóis manchados de sangue”, relembra.

A hidratação ao longo do dia serve para reduzir os efeitos da baixa umidade

Cuidados vão além da lavagem nasal

A hidratação ao longo do dia serve para reduzir os efeitos da baixa umidade. Como referência geral, o médico cita cerca de dois litros de líquidos por dia, mas ressalta que a necessidade varia conforme as características de cada pessoa.

 

Quem já convive com doenças respiratórias merece atenção adicional. Rinite, asma e enfisema podem apresentar piora durante períodos mais secos. Por isso, é importante manter os cuidados habituais e seguir corretamente o tratamento prescrito.

“É importante manter especialmente a higiene e a hidratação da mucosa nasal e seguir corretamente o tratamento indicado para a doença preexistente”, orienta.

A exposição à poeira e à fumaça também pode aumentar a irritação das vias respiratórias. Nos dias de umidade muito baixa, o otorrinolaringologista recomenda priorizar exercícios ao ar livre no início da manhã ou no fim da tarde, evitando os horários mais quentes e secos.

Cuidados caseiros exigem atenção

Na tentativa de aliviar rapidamente o desconforto, algumas pessoas recorrem a soluções caseiras. É preciso cautela, pois determinados produtos podem irritar ou até lesionar a mucosa nasal.

“Não devemos colocar dentro do nariz produtos que não foram formulados para uso nasal, como óleos, pomadas, água oxigenada ou outras soluções caseiras”, alerta João.

O uso prolongado de descongestionantes nasais vasoconstritores também requer cuidado. Segundo o especialista, esses medicamentos podem provocar efeito rebote e agravar a própria obstrução.

A atenção também se estende à umidificação dos ambientes. Métodos improvisados, como toalhas molhadas ou recipientes com água, são pouco controláveis. Caso seja necessário aumentar a umidade do cômodo, João orienta dar preferência a um umidificador próprio, mantido corretamente higienizado e sem deixar o ambiente excessivamente úmido.

“Um sangramento pequeno, isolado e que para espontaneamente em pouco tempo geralmente não é motivo para preocupação. É importante evitar cutucar ou assoar o nariz com força”

João Henrique Zanotelli dos Santos, médico otorrinolaringologista

Quando procurar atendimento

Pequenos episódios de sangramento nasal podem ocorrer em razão do ressecamento e, isoladamente, nem sempre representam motivo para preocupação. A intensidade, a frequência e a duração do quadro, porém, precisam ser observadas.

“Um sangramento pequeno, isolado e que para espontaneamente em pouco tempo geralmente não é motivo para preocupação. É importante evitar cutucar ou assoar o nariz com força”, explica o especialista.

A recomendação é procurar avaliação profissional quando o sangramento for volumoso, ocorrer repetidamente, surgir sem causa aparente ou não cessar após a compressão adequada. Pessoas que utilizam medicamentos anticoagulantes também precisam de atenção especial.

Outros sintomas não devem ser atribuídos automaticamente ao clima. Falta de ar, dificuldade para respirar, febre persistente, dor intensa, secreção nasal persistente ou piora progressiva do quadro são sinais de alerta.

“De maneira geral, quando os sintomas fogem do padrão habitual ou começam a interferir significativamente na rotina, é importante buscar avaliação profissional”, reforça o médico.

Em caso de sintomas persistentes ou agravamento do quadro, a população pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e orientação. Em situações de urgência, como falta de ar ou dificuldade para respirar, a recomendação é buscar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um serviço de emergência.

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