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GeoPark do Araripe

Os mistérios da vida na Terra

GeoPark do Araripe
Os mistérios da vida na Terra


Silvestre Gorgulho


As terras brasileiras são verdadeiramente sagradas. A exuberância da floresta amazônica ainda resiste a 506 anos de exploração e ocupação desordenada. O Brasil detém 12% da reserva mundial de água doce. E, agora, o mundo passou a admirar e estudar o maior depósito de fósseis do Planeta, justamente na bacia sedimentar do Araripe – Ceará. “Nas entranhas do Araripe estão os mistérios e segredos da vida na Terra”, explica a etnóloga Olga Paiva, do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Com área de 10 mil km2, um terço de todos os répteis alados (pterossauros) descritos no planeta e mais de 20 ordens diferentes de insetos fossilizados, com idade entre 70 e 120 milhões de anos, a Chapada do Araripe foi incluída na Rede Mundial de Geoparks da Unesco. “No mundo existem, apenas, 37 geoparques e o do Araripe é o primeiro das Américas”, ressalta em entrevista o arquiteto e paisagista Carlos Fernando de Moura Delphin, do Iphan. 



                                                                                                                              Foto: Emídio Gonzaga


 Carlos Fernando de Moura Delphim – ENTREVISTA                      


Carlos Fernando nasceu jardineiro, estudou paisagismo e urbanismo, formou-se em arquitetura pela UFMG e trabalha hoje com projetos e planejamento para manejo e preservação de sítios de valor paisagístico, histórico, natural, paleontológico e arqueológico. Paisagista favorito de Oscar Niemeyer, já fez para ele vários projetos como o do Memorial da América Latina, em São Paulo, do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, e da Universidade Norte Fluminense.
Suas pegadas estão hoje espalhadas por muitas regiões e cidades brasileiras. Elas podem ser encontradas em seus projetos como autônomo ou público, como o da restauração do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no Jardim Botânico de Brasília, nos Jardins do Brasil, em Osaka-Japão, na  Secretaria de Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul, nos Jardins Históricos da Fundação Nacional Pró-Memória, do IPHAN e de outros órgãos de preservação do patrimônio cultural brasileiro. Carlos Fernando trabalhou no IPHAN em Brasília, quando foi responsável pelo patrimônio arqueológico e pelos bens culturais tombados em nível federal. Atualmente assessora a direção do IPHAN-RJ.
Pioneiro da restauração de jardins históricos no Brasil, é autor do primeiro manual de intervenções em jardins históricos no mundo. Além disto emite pareceres sobre sítios propostos para Patrimônio Mundial da Unesco. Graças a um parecer seu as Florestas Tropicais Úmidas de Queensland, na Oceania, foram declaradas como patrimônio mundial. Seu mais recente estudo é uma nova e vanguardista proposta para a preservação de paisagens culturais no Brasil, no sul do Ceará, onde participa da implantação do Geopark do Araripe. Neste trabalho, Carlos Fernando, juntamente com a equipe da Universidade Regional do Cariri e com o IPHAN cearense, orienta a forma de proteção das paisagens dos “geotopes”, de acordo com  a legislação cultural e ambiental, no âmbito das leis municipal, estadual e federal. Orienta, também, as intervenções mais adequadas para o uso público e científico dos diferentes sítios.


Foto: Museu Urca


Santana do Cariri, centro do Geopark do Araripe, é considerada a capital cearense da paleontologia. Mais de 20 mil visitantes por ano passam pelo Museu de Paleontologia e pelos geotopes do Geopark.


Carlos Fernando de Moura Delphim – ENTREVISTA


Folha do Meio – Mas, afinal, o que é um Geopark?
Carlos Fernando – Vamos à história. A idéia inicial advém da RIO-92, se bem que só em 2001 a  Unesco concebeu o plano de  sua implantação. Os  geoparques são áreas protegidas,  portadoras de pontos de interesse geológico, paleontológico  e de  importância científica e cultural.  Segundo a Unesco, um geoparque deve atender às seguintes exigências: ter um território definido, contribuir para o desenvolvimento auto-sustentável da região onde está instalado e   possuir sítios com elementos relevantes para o  estudo da evolução do planeta Terra.


Folha do Meio – Quer dizer que a idéia é mais ampla do que um Parque Nacional?
Carlos Fernando – É, sim, bem mais amplo. Isso porque os geoparques são áreas que englobam elementos tanto ecológicos e geológicos, como históricos e culturais. O homem não é excluído de seu meio, pelo contrário, o geoparque procura oferecer formas de alternativas para sua subsistência.


Folha do Meio – E quantos já estão instalados no mundo?
Carlos Fernando – Decorridos cinco anos,  desde   a implantação do primeiro geoparque, em 2001,  já existem instalados hoje no mundo 33 unidades. Todos localizados na Europa e Ásia. Só a China possui 12 geoparques.


Folha do Meio – Idealizado, no Brasil, na RIO-92, até hoje não existe nenhum geoparque na América…
Carlos Fernando – Isso é verdade, mas mais uma vez o Brasil sai na frente e elabora um projeto para implantação do primeiro no nosso continente. Na verdade, o primeiro do Hemisfério Sul. Será no Sul do Ceará, o Geopark do Araripe. A iniciativa é do governo do Ceará, sob a brilhante coordenação da URCA – Universidade Regional do Cariri. O projeto caririense contempla todas as exigências feitas pela Unesco. Só assim será concedido o Selo de Reconhecimento.


Folha do Meio – Quais as peculiaridades do Geopark do Araripe?
Carlos Fernando – O Geopark do Araripe possui várias peculiaridades, dentre as quais podemos citar: no seu território está encravada a Floresta Nacional do Araripe, que é a primeira criada no Brasil. Existe  abundante  e  diversificada área fossilífera, em  grande parte ainda inexplorada, com o mais rico patrimônio paleontológico do mundo.   


Na região, há registros de vida animal e vegetal em um só fóssil e espécies, como a libélula de 120 milhões de anos. E as libélulas, até hoje ainda sobrevoam os campos do Vale do Araripe. Podemos ressaltar o fato de o Cariri possuir uma das mais exuberantes formas de cultura de todo o Brasil, que preserva manifestações da cultura popular advindas da península ibérica, da África, além de etnias indígenas.


Folha do Meio – Há outras particularidades?
Carlos Fernando – O Geopark do Araripe tem, ainda, dois outros pontos positivos: a existência, no seu território,  do   Museu de Paleontologia da URCA, localizado em Santana do Cariri. Esse museu enfoca o período Cretáceo mais completo do mundo. Tem também o fato dos fósseis da Bacia Sedimentar do Araripe serem  de excelente qualidade,  quando  comparados com similares de outras partes do planeta.


Folha do Meio – E como está o projeto?
Carlos Fernando – No projeto do Geopark do Araripe estão previstos nove geotopes. São nove pontos de observação para os visitantes que ficarão  localizados nos municípios de Santana do Cariri, Nova Olinda, Crato, Barbalha, Juazeiro do Norte e Missão Velha.
Além deles,  estão previstos  59  geosites, ou seja,  59 sítios,  onde serão feitos  estudos e pesquisas. Estarão localizados nos municípios de Crato, Barbalha, Milagres, Abaiara, Mauriti,  Jardim, Santana do Cariri, Nova Olinda,  Juazeiro do Norte e   Missão Velha.


Folha do Meio – Explique melhor o que é  geosite e geotopes?
Carlos Fernando – Dentro dos limites do Geopark existem muitos sítios geológicos, também chamados de geosites. É justamente a descrição dos sítios, que são muito aplicáveis para o entendimento dos processos geológicos da região. Já o  geotope, que do ponto de vista hierárquico, é superior ao geosite, é um sítio que se destaca entre vários sítios geológicos, por ser único e especial como uma verdadeira janela para o passado da Terra.
No geotope existe a possibilidade de uma promoção dos sítios com feições geológicas particulares. O geotope goza de proteção especial e tem o objetivo de conservar os patrimônios geológico, paleontológico, geomorfológico e de biodiversidade. Tudo com a visão de intensificar a educação sobre o patrimônio natural e realizar o desenvolvimento sustentável usando o turismo e investimento como ferramentas. 
 


  À esquerda, uma libélula fossilizada de 120 milhões de anos, símbolo do Museu de Paleontologia URCA. As libélulas ilustram muito bem a excepcional qualidade de preservação dos fósseis do Araripe. À direita, um escorpião fossilizado.


 



Fotos: Alexandre Sales / URCA


Prédio onde funciona o escritório do Geopark do Araripe e o Centro de Informações, situado na Rua Teófilo Siqueira, 754 –  CEP 63100-010 – Crato/CE


 


 


Geopark ou Geoparque?


Idealizado durante a ECO-92, desde 1999 a Unesco vem
incentivando seus países-membros a terem atenção especial com os sítios de importância geológica e paleontológica.
Buscando uniformizar a nomeclatura, a Unesco universalizou o nome e a grafia Geopark.  Estabeleceu, ainda, conceitos e critérios para sua implantação. Assim, Portugal tem o Geopark Naturtejo da Meseta Meridional;  em Hesse, na Alemanha, tem o Geopark Bergstrasse-Odenwald; na Escócia, o North West Highlands Geopark; a China tem vários, entre eles o Fangshan Geopark e Zhangjiajie Geopark.


summary


ARARIPE GEOPARK


The Chapada do Araripe, in the state of Ceará covers 10,000 square km, containing one third of all of the pterosaurs (winged reptiles) described on the planet and over20 different fossilized insect
orders, ranging from 70 to 120,000,000 years in age has been included in the UNESCO
International Network of Geoparks. The decision was made in September in Belfast, Ireland and it has now been placed among the list of 37 geoparks recognized for their importance especially in the protection of geological and paleontological riches. The concept of geological parks or geoparks is not widely known, although the idea for the creation of Geoparks was born in Brazil, in 1992, in Rio de Janeiro, during the World Conference on the Environment and Development.  All geoparks, until recently, had been located in Europe and Asia. There are 12 in China alone.  We have Mr. Carlos
Fernando de Moura Delphim, an architect and landscapist, who was key in the implementation of the Araripe Geopark, with us to discuss the geopark concept and more specifically the one in Brazil.


Carlos Fernando de Moura Delphim – INTERVIEW


Carlos Fernando was a born gardener, studied landscaping and urbanism, and graduated in architecture from UFMG, the Minas Gerais State Federal University and works today with projects and planning involving the management and preservation of valuable landscape, historical, natural, paleontological and archeological sites. Favorite landscapist of Oscar Niemeyer, he has worked on a number of projects with him such as the Latin America Memorial located in São Paulo, the Supreme Court of Justice in Brasília and Universidade Norte Fluminense. His most recent study is the new and pioneering proposal for the preservation of cultural landscapes in Brazil, in the south of the state of Ceará, where he is taking part in the implementation of the Cariri Geopark. He will be working together on this project with the Cariri Universidade Regional and the state IPHAN.


GEOPARKS – The initial idea for geoparks stems from the RIO-92 conference, although UNESCO only drew up the plans for their implementation in 2001. Geoparks are protected areas and contain geological and paleontological points of interest and scientific and cultural significance. The concept is much broader than that of a National Park.
A geopark must meet the following requirements: have defined territory, contribute toward self sustaining development of the region where it is located and have sites that contain relevant elements for the study of the evolution of planet Earth. Since the implementation of the first geopark in 2001, 37 units have been designated throughout the world. All of them so far have been located in Europe and Asia. China alone has 12 geoparks.  The Araripe Geopark has a number of peculiarities which include among others:  in the territory of the geopark is located the Araripe National Forest, which was the first national forest created in Brazil. There is an abundant and diverse fossilized area, a large part of which is yet unexplored and also features a wealth of paleontological world heritage, as well as records of animal and plant life in one single fossil and species such as the 120,000,000 year old dragon fly which still today hovers over the fields in the Araripe Valley. It should also be noted that the Cariri has one of the most exuberant cultural forms in Brazil.
The Araripe Geopark also has two other positive features:  URCA Paleontology Museum is located in Santana do Cariri, which focuses on the Cretaceous period and is one of the most complete collections in the world. There is also the fact that the fossils found in the Sedimentary Basin of Araripe are of exceptional quality when compared to similar ones in other parts of the world.
The Araripe Geopark will contribute to the region becoming self sustaining. There will be emphasis on tourism, environmental protection, generation of employment and income, in addition to the rich material and immaterial Brazilian heritage.


 Geoparques e a sustentabilidade



Localização dos geotopes na área do Geopark do Araripe


Folha do Meio – Como um visitante pode observar ou pode promover um estudo de campo nesses sítios?
Carlos Fernando – Este é um ponto muito importante porque o estudo de campo é a atividade chave do geotope. Os visitantes podem ter a oportunidade de observar as atividades do geoparque sobre a economia e as condições de vida dos habitantes locais.
O geotope tem uma estrutura inicial e algumas facilidades para as trocas entre o público e o sítios geológicos. Cada geotope promove a fórmula do Geoparque  que é geoconservação + desenvolvimento sustentável + educação.


Folha do Meio – Em relação à sustentabilidade, qual a importância de um Geoparque?
Carlos Fernando – A importância é total. Veja que o Geopark do Araripe vai  contribuir, substancialmente,  para a  auto-sustentabilidade da região. Haverá ênfase para o segmento do turismo, proteção do meio ambiente, promoção da educação e pesquisa, geração de emprego e renda,  além da difusão do nosso rico patrimônio material e imaterial.


Folha do Meio – Você poderia situar e dimensionar melhor o Geopark do Araripe?
Carlos Fernando – O território do Geopark é situado no sul do Ceará com uma área aproximada de 5 mil quilômetros quadrados.
O Geopark do Araripe deverá ter nove sítios estruturados para visitação e 59 sítios com potencial (veja mapa territorial e de geotopes), com excelentes afloramentos, fontes naturais e uma densa floresta nacional, com mais de 60 anos de criação.
O foco principal é a promoção do turismo científico e do geoturismo, organizando excursões regulares para alunos de escolas, faculdades, universidades e outros grupos de visitantes. Além de dar suporte ao trabalho prático de estudantes, especialmente com programas da Universidade Regional do Cariri e de seu Museu de Paleontologia.
A rica e diversa paisagem e formas de relevo oferecem uma excelente oportunidade para o estudo da história geológica-paleontológica dos eventos, processos e produtos.


Folha do Meio – Apesar das peculiaridades do geoparque, existe algum tema específico para o Geopark do Araripe?
Carlos Fernando – Existe sim. Pelo projeto o tema escolhido é “Os fósseis de Santana: traçando a evolução da vida, rochas e continentes”.


Folha do Meio – Você acha que existem outras regiões no Brasil que podem ser transformadas em geoparques?
Carlos Fernando – Muitas. A deslumbrante região de Bonito e a Serra de Maracaju, no Mato Grosso do Sul; a região da Quarta Colônia, Mata e São Pedro do Sul-RS; a região da famosa gruta de Terra Ronca, em Goiás; a Serra de São José com o Refúgio das Libélulas, em Tiradentes; a Serra da Piedade, próximo a Belo Horizonte; um complexo vulcânico em Nova Iguaçu-RJ; o Vale dos Dinossauros, na Paraíba; florestas fósseis em Teresina-PI e mais uma infinidade de paisagens de excepcionais qualidades no tempo e no espaço.
Para corresponder co conceito de Geopark da Unesco, o IPHAN está propondo a criação de uma nova figura de preservação, a Paisagem Cultural.


Localização dos geotopes na área do geopark (bacia sedimentar do Araripe)
As principais divisões do tempo geológico e o desenvolvimento da vida como mostrado pelos fósseis


 


 


 


 


 


 


 


 


Caleidoscópio cultural


A bacia sedimentar do Araripe é o maior depósito fossilífero do mundo. Os segredos da vida na Terra estão nas entranhas da Chapada do Araripe.


Olga Paiva
O Nordeste possui uma das mais ricas paisagens culturais do país: ao sul do Ceará, a Bacia Sedimentar do Araripe é um marco referencial no amplo Vale do Cariri, separando o Ceará do Piauí e de Pernambuco, e derramando-se em direção ao limite da Paraíba. Neste imenso espaço territorial está a Chapada do Araripe, que, por sua vez, contém a Floresta Nacional do Araripe, a primeira a ser criada no País. Sua geomorfologia e sua cobertura vegetal, pontuadas por fontes cristalinas, conformam paisagens de excepcional beleza cênica, registro de um passado que nos legou o maior depósito fossilífero do mundo do período Cretáceo inferior.


A exuberância da cultura, religião, esporte, natureza e arquitetura dos casarios formam o grande Polo Ecoturístico do Cariri


 


 


A região constitui também um verdadeiro celeiro de manifestações culturais de natureza imaterial, ou bens intangíveis, marca da identidade cultural da sua população. Com valor histórico indiscutível, é o antigo território dos índios Kariri, ponto de confluência de culturas desde tempos imemoriais, culminando com o encontro dos caminhos da colonização brasileira.
Já no século 20, tornou-se centro de quatro romarias anuais na cidade de Juazeiro do Norte: milhares de romeiros pagam suas promessas na terra do Padrinho Cícero, o sacerdote que se tornou o santo do Nordeste, o santo sem altar, entronizado em todos os lares devotos. “De caminhão, de pé no chão, lá vai a fé… todo caminho só é caminho pra quem tem fé…” Do alto da Colina do Horto, sua estátua abençoa todo o Vale do Cariri, ponto de chegada para o romeiro que chega à Terra da Mãe das Dores após enfrentar caminhos feitos de muitas léguas tiranas.
É a Juazeiro Celeste, que se formou sob a égide do Padrinho, e moldada segundo a máxima beneditina “ora e labora” que ele tornou em princípio: em cada casa um altar, em cada casa uma oficina.
Extraordinária usina da Mãe das Dores que abençoa os saberes e fazeres da culinária tradicional, o artesanato do couro, da palha, do cipó, que agora já toma novas formas de dinossauro, tiranossauro, que também são feitos de latas de Coca-Cola, os bichos, humanos e encantados feitos de madeira; pífanos e tambores feitas cipó e grandes árvores; as formas de expressão do cordel, dos cantadores, dos reisados, lapinhas, guerreiros, bandas cabaçais, penitentes, maneiro-pau; as celebrações dos santos padroeiros conhecidas como “festa do pau do santo”, a festa dos caretas, a queimação de judas, a festa dos cachorros, as procissões; os lugares sagrados pela piedade popular, onde as pedras têm lugar de destaque. Verdadeiras matrizes culturais a alimentar a produção científica e artística de pesquisadores anônimos e famosos como Pina Bausch, Mano Chao e Antônio Nóbrega.
Como explicar a permanência de tão rico caleidoscópio cultural? No Cariri, o surpreendente imaginário local é também alimentado por uma mãe: a Chapada do Araripe, que encerra em suas entranhas os segredos da vida na terra.


Antigo ambiente da laguna do Araripe em Santana do Cariri


 


 


 


 



Foto: Jeferson Hamaguchi


Quem é Olga Paiva
Natureza amazônica, sofisticação francesa e vitalidade do Cariri


 A etnóloga Olga Paiva é especial. Especialíssima! Além de uma profunda raiz com a cultura e a história brasileira, Olga é como as majestosas árvores da terra onde nasceu, às margens do rio Purus: uma frondosa copa abrindo-se para o firmamento universal. Isto porque, segundo seu amigo e companheiro de trabalho no Iphan, Carlos Fernando de Moura Delphim, em Olga alternam-se uma feliz conjunção, a complexidade da natureza amazônica e a sofisticação do mais refinado pensamento parisiense. Poderia acrescentar: e a fantástica vitalidade do Cariri.
 Para chegar ao Araripe, a pesquisadora Olga Paiva, como os rios de sua terra, não veio em linha reta: do Alto Amazonas, ainda criança, foi para Fortaleza, onde se licenciou em Filosofia. Atraída pela cosmologia e pela formação do conhecimento ao longo da história da Humanidade, ela atravessou o Atlântico para chegar ao Sena: estudou na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales, onde obteve Diplôme d’Études Approfondies em Pesquisa Interdisciplinar – Relações de Poder e Processos Psicossociais, pelo Centre d’Ethonologie Sociale e Psicossociologie.
 Sua família tem raízes na cultura, o que explica, em parte, a atuação desde sempre nessa área, onde realizou pesquisas e estudos sobre o vasto campo da cultura tradicional popular. Seu DNA artístico é forte. Vale lembrar seus laços familiares com o escritor Manoel de Oliveira Paiva (1861-92) [Dona Guidinha do Poço] com o teatrólogo e cineasta B. de Paiva e com o grande músico Alberto Nepomuceno (Não tem pátria um povo que não canta em sua língua). 
 Olga Paiva foi diretora do Teatro José de Alencar, em Fortaleza. Como Chefe da 4ª Superintendência Regional do Iphan, hoje ela faz todas as parcerias e junta todas as forças na mobilização de órgãos públicos privados, para desenvolver um trabalho de preservação dos fósseis e o conseqüente reconheci mento da Chapada do Araripe, como um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo.    (Silvestre Gorgulho)


O Homem, a Natureza, a Cultura e a Terra
Segundo a Unesco, para ser geoparque uma área tem que ter:


1 – Uma paisagem natural unificada, com a identificação de geótopos geológico-paleontológicos únicos, ou seja, tanto as rochas quanto os fósseis precisam ser de grande valor científico.
2 – Deve dar uma notável contribuição para o desenvolvimento sócio-econômico da região como um todo (geoturismo, guias, artesanato etc.).
3 – Deve ter particular importância não apenas geológico-paleontológica, mas deverá apresentar também monumentos ecológicos, arqueológicos e histórico-culturais relevantes.
4 – Deve contribuir para a formação dos alunos, estudantes e adultos nas geociências, assim como para a educação ambiental.
5 – Deve contribuir, ainda, para a proteção e promoção do meio ambiente atual, bem como da herança geológico-palentológica nele existente.
6 – Deve interligar a história da Terra, a natureza, o homem e a cultura.


Spix, von Martius e os fósseis


Mais uma vez, na história do Brasil, entram as lendárias figuras dos naturalistas alemães Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptist von Spix. O primeiro desenho de um fóssil do Cariri foi apresentado por Martius e Spix, no Atlas que acompanha os três volumes de sua Viagem ao Brasil (Reise in Brasilien) (1823-1831).
Martius e Spix vieram ao Brasil, em 1817, participando da comitiva da primeira Imperatriz do Brasil, dona Leopoldina, da Áustria, que veio para se casar com D. Pedro I. O peixe fossilizado reproduzido por Martius e Spix, foi enviado a eles, em 1819, pelo  Governador Geral da Província do Ceará.
Segundo o pesquisador Gero Hillmer, professor de Geologia e Paleontologia na Universidade de Hamburgo, tratava-se, provavelmente, da espécie que mais tarde foi descrita como Rhacolepis buccalis. Gero Hillmer explica que Martius e Spix, depois de desenharem o fóssil, o repassou para o pesquisador escocês George Gardner, a fim de estudá-lo. Entusiasmado com os estudos, em 1838 o próprio Gardner visitou a região. Também o naturalista e ictiólogo suíço, Louis Agassiz, visitou a região de Santana  entre 1841 e 1844. Alguns dos peixes de Santana foram classificados e descritos por Agassiz, entre eles o peixe reproduzido por Spix e Martius.


Esta é a maquete do novo museu de Santana do Cariri. O acervo do Museu de Paleontologia de Santana do  Cariri, que recebe cerca de 20 mil visitantes/ano, está em processo de tombamento pela 4ª SR/Iphan e será o  primeiro acervo paleontológico a ser tombado como monumento nacional. O  ineditismo da ação adquire maior peso quando se sabe que os sítios  paleontológicos são considerados patrimônio cultural pela Constituição (Art. 216) mas estão sob a jurisdição do DNPM, órgão do Ministério das Minas e Energia, que os considera apenas como um bem mineral.



Fotos: Alexandre Sales /URCA


Madeira fossilizada


 


 


 


Uma planta fossilizada


 


 


 


Museus de Paleontologia do Cariri


O pesquisador Alexandre M. Feitosa Sales fez uma excelente tese de doutorado, na USP, sobre a geologia e paleontologia da Bacia do Araripe. Alexandre é hoje o Diretor do Museu de Paleontologia, em Santana.


Darwin e os fósseis de Santana


Segundo o pesquisador Gero Hillmer, ao lado de muitos outros documentos na história da Terra, os fósseis de Santana dão uma importante contribuição para a Teoria da Evolução de Darwin. Em conexão com a pesquisa genética, esses fósseis mostram o ritmo dos acontecimentos na evolução biológica. A grande idéia da evolução dos organismos, de Darwin, está hoje solidamente confirmada pelas descobertas de fósseis e pelas análises da herança genética.


 



 

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Pesquisa identifica oito planetas candidatos a ter vida extraterrestre

Estudo foi feito por pesquisador brasileiro no Observatório Nacional

Publicado

em

Por

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas localizados fora do Sistema Solar, os chamados exoplanetas, que têm uma possibilidade maior de ter água em estado líquido e, consequentemente, permitir o desenvolvimento de vida. O levantamento foi feito pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob a orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional.

Silva analisou as informações de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos até agora, a partir de um banco de dados da Nasa, a agência espacial estadunidense. Ele examinou informações como raio, densidade e distância em que orbitam em relação à estrela.

A partir dessas informações, conseguiu identificar aqueles que têm um raio e densidade semelhantes aos do planeta Terra. Separou também aqueles que estão na chamada zona de habitabilidade.

“A zona de habitabilidade é uma zona que possibilita a água líquida porque não é nem tão quente, mais próximo da estrela, e nem tão frio, para longe da estrela. Então é a zona perfeita. A gente chama de Goldilocks Zone, a Zona dos Cachinhos Dourados”, explica Silva.

Por fim, estimou as características da atmosfera, além da pressão e temperatura da superfície. Silva, então, elencou os oito exoplanetas mais parecidos com o nosso, portanto, com maiores possibilidades de possuir água em estado líquido e sustentar vida.

“A Terra é o único exemplo que a gente vai ter, por enquanto, para se definir vida, para se definir quais são as características necessárias para se ter água líquida”, afirma o pesquisador, que apresentou seu trabalho nesta semana, na 6ª edição do Astrobion, evento sobre astrobiologia organizado pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Dos oito exoplanetas, o mais parecido com a Terra é chamado de GJ 1002b, que, segundo a pesquisa do Observatório Nacional, tem 98% de similaridade com o nosso planeta.

Descoberto em 2022, o GJ 1002b, localiza-se a 16 anos-luz do nosso planeta (ou seja, a luz leva 16 anos para fazer o trajeto entre os dois planetas). Ele orbita uma estrela anã-vermelha (tipo M), que é mais fria que o Sol. Cada volta em torno da estrela, leva apenas 10 dias.

Busca por extraterrestres

“A gente está buscando um planeta que tenha condições similares à Terra. Mas isso não quer dizer que seja o único lugar possível de ter vida no universo, porque podem existir outras formas de vida que a gente ainda não conheça e que precisem de características químico-físicas diferentes”, ressalta o professor Marcelo Borges Fernandes.

A possibilidade de haver vida fora da terra é parte do imaginário popular há séculos. Na Grécia Antiga, pensadores já especulavam sobre a possibilidade de haver vida na Lua. A busca por organismos extraterrestres ganhou força com o início da corrida espacial, entre os anos 50 e 60.

Nas primeiras décadas, no entanto, a busca se focou em nosso Sistema Solar, em especial naqueles corpos celestes mais próximos da Terra, como a própria Lua e o planeta Marte, e na recepção de sinais enviados por eventuais civilizações extraterrestres.

Em 1992, no entanto, os primeiros exoplanetas, chamados de Poltergeist e Phobetor, foram descobertos. De lá para cá, foram mais de 6 mil descobertas na nossa galáxia, elevando assim o número de locais onde a vida pode ter se desenvolvido.

A busca por vida nesses locais, no entanto, é uma tarefa difícil, uma vez que todos eles estão a anos-luz da Terra, o que inviabiliza, pelo menos com a tecnologia existente, que sejam visitados. O estudo desses exoplanetas é feito por meio de observações intermediadas pela estrela à qual eles orbitam.

A forma de verificar a possível existência de vida nesses casos é através do exame da atmosfera desses exoplanetas. Telescópios, como o James Webb, possuem equipamentos que analisam as ondas de luz emitidas pela estrela quando o planeta está transitando em frente a ela. Esses aparelhos conseguem perceber as variações ocorridas quando elas interagem com a atmosfera do exoplaneta, já que cada substância química tem sua própria marca.

“Com alta resolução espectral, você pode ver se existe uma atmosfera, determinar a composição química da atmosfera e, com isso, você vai juntando cada pecinha do quebra-cabeça de forma tentar definir se aquele planeta pode ter condições ideais para existência da vida ou não”, explica Fernandes.

O que os cientistas que buscam vida fora da Terra, os chamados astrobiólogos, buscam são as chamadas bioassinaturas. São substâncias ou uma combinação delas que, na Terra, são comumente produzidas pela ação de mecanismos biológicos, como é o caso da coexistência dos gases metano e oxigênio.

Recentemente um estudo liderado pela Universidade de Cambridge analisou a atmosfera do exoplaneta K2-18b e encontrou sinais de metano e dióxido de carbono. Também foi detectada uma assinatura que poderia ser sulfeto de dimetila (DMS), uma molécula que, na Terra, é produzida apenas por seres vivos, como os fitoplânctons.

Como este é um planeta que tem probabilidade de ser coberto por um oceano de água global, veículos de imprensa noticiaram que cientistas haviam descoberto sinais de vida em um planeta distante.

Evidências

O problema é que muitas das bioassinaturas, inclusive as substâncias encontradas em K2-18b, poderiam ser produzidas também por meios abióticos, como processos geológicos ou radiação.

“A gente tem que ter sempre muito cuidado para analisar isso e comparar com o único exemplo que a gente tem, que é a Terra, para saber se a única explicação seria uma fonte de vida ou se pode ser de fontes geológicas ou atmosféricas não ligadas à vida, que reproduziriam aquela possível bioassinatura”, ressalta Fernandes.

De acordo com o pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa José Aponte, encontrar bioassinaturas de forma isolada no espaço não é sinal inequívoco de vida. “Nenhuma análise, por si só, pode garantir uma confirmação definitiva [da existência de vida]. É preciso haver mais de uma linha de evidência para que isso aconteça”.

Aponte destaca que a combinação de três aspectos pode ser um forte indicador de que aquelas bioassinaturas são mesmo produzidas por seres vivos. O primeiro seria a repetição de moléculas no ambiente. “Se aquela molécula se repete exaustivamente e isso é consistente depois de várias medições, isso poderia representar uma bioassinatura”.

A segunda linha de evidências seria a predominância de um tipo de quiralidade. Moléculas quirais são aquelas que têm a mesma estrutura química, mas não são exatamente iguais. Algumas desviam a luz para a esquerda e outras, para a direita. Um bom exemplo para explicar isso são as mãos esquerda e direita. Elas são a imagem espalhada uma da outra, mas se formos sobrepô-las (ambas com as palmas para baixo), elas não se encaixam.

Na Terra, os organismos usam quase que exclusivamente os aminoácidos de configuração L (ou seja, são como nossa mão esquerda), salvo poucas exceções. Já os açúcares são praticamente todos de configuração D (isto é, como a mão direita). “Então uma segunda linha de evidência seria encontrar a predominância de um tipo de molécula quiral [no lugar investigado]”.

E a terceira linha de evidências seria a análise de isótopos, isto é, elementos químicos que têm massas diferentes. Na Terra, a vida tem preferência pelos isótopos mais leves, como o carbono 12, em vez do carbono 13, e pelo hidrogênio em vez do deutério (isótopo mais pesado do hidrogênio).

“Bioassinaturas em outros lugares também poderiam ser ricas nos isótopos mais leves. Então, não se trata apenas de encontrar uma única molécula, mas sim de encontrar mais de uma linha de evidência combinada”, explica o pesquisador da Nasa.

Ingredientes da vida

Mesmo aquelas moléculas orgânicas que são chamadas de ingredientes da vida, como os aminoácidos ou as bases nitrogenadas que formam nosso código genético, não podem ser consideradas provas da existência de vida extraterrestre.

Aponte é parte do grupo de cientistas que analisou amostras de rochas coletadas por uma sonda no asteroide Bennu, que orbita próximo à Terra. Dezenas de moléculas orgânicas foram detectadas no corpo celeste, entre elas os três componentes dos ácidos nucleicos: fosfatos, o açúcar ribose (que é parte da estrutura do RNA, o ácido ribonucleico) e as cinco bases nitrogenadas que formam os nucleotídeos de todos os seres vivos: adenina, guanina, citosina, timina e uracila.

Também foram detectados, nada menos que 14 dos 20 aminoácidos usados na produção de proteínas pelos organismos terrestres, inclusive o triptofano, que nunca havia sido observado em amostras extraterrestres.

Nada disso, no entanto, é sinal de vida extraterrestre, já que essas moléculas podem ter sido formadas de forma abiótica pela ação de radiação ou de reações químicas em um ambiente aquoso, há centenas de milhões de anos.

“No caso de encontrarmos um composto do tipo nucleotídeo ou uma cadeia de RNA, a história é outra. Isso poderia ser uma evidência mais robusta, porque moléculas como essas são muito frágeis e se decompõem muito rapidamente em termos geológicos”, afirma Aponte.

Expectativas

Apesar das dificuldades para se localizar vida fora da Terra, há grandes expectativas em relação a futuras missões não tripuladas dentro do próprio Sistema Solar, como a Europa Clipper, que deve chegar, em 2030, a Europa, satélite que orbita Júpiter. Há indícios de que, sob a crosta de gelo dessa lua joviana, exista um oceano de água salgada, que pode ter condições de abrigar vida.

Outra missão, a Dragonfly, deverá ser lançada em 2028, rumo a Titan, uma das luas de Saturno, que possui uma atmosfera possivelmente rica em nitrogênio, além de metano em forma líquida em sua superfície. O robô, que tem o mesmo nome da missão, deve chegar a Titan em 2034 e buscará indicadores químicos de vida baseada em água ou em hidrocarbonetos, como o metano.

Há expectativas também em relação a outra lua de Saturno, Enceladus, que, assim como Europa, também pode abrigar um oceano sob sua crosta de gelo; e a Marte, onde há calotas de gelo e possivelmente reservatórios subterrâneos de água.

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Voluntários transformam tempo em cuidado há 61 anos no Hospital de Base

Com 52 integrantes, serviço acolhe pacientes e ajudou a abrir caminho para outras iniciativas de voluntariado na unidade 

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Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes

Há 61 anos, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) conta com pessoas que escolheram transformar tempo e disposição para ajudar em uma forma de cuidado. Criado em 1965, o Serviço Auxiliar de Voluntários (SAV) acompanha quase toda a trajetória do hospital, que completou 66 anos, e mantém o paciente no centro de sua atuação. Atualmente, 52 voluntários participam de atividades como acolhimento nos leitos, reiki, doação de kits de higiene e artigos hospitalares, além de ações voltadas à socialização e ao bem-estar. Ao longo de seis décadas, o SAV também ajudou a abrir espaço para a chegada de outras iniciativas de voluntariado ao HBDF.

Para ser voluntário, basta procurar o escritório do serviço no Hospital de Base para passar por uma entrevista. Outra opção é realizar o cadastro pelo site da entidade, preencher o formulário disponível e aguardar o contato da equipe. A presidente do SAV, Vandelícia Dias, ressalta que não é preciso ter experiência para participar, mas disposição para doar tempo.

Voluntários visitam paciente no Hospital de Base: “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, observa a presidente do SAV, Vandelícia Dias | Fotos: Divulgação

Para Vandelícia Dias, a essência desse trabalho está na disponibilidade para o outro. “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, afirma.

Desde 2010, a entidade alcança uma média de 3,7 mil acolhimentos a pacientes por mês, entre atendimentos realizados dentro do hospital e itens doados. Parte das ações é viabilizada com recursos obtidos por meio das vendas do bazar do SAV, abastecido por doações. “No que estiver dentro da nossa condição, nós sempre iremos ajudar. De pouquinho em pouquinho, nós vamos atendendo as demandas e espalhando o bem”, comemora Vandelícia.

 

Uma história construída dentro do hospital

Fundado pelo médico Oscar Moren, o SAV iniciou o trabalho com foco na pediatria e, ao longo dos anos, ampliou a atuação para outras áreas do Hospital de Base. Entre as frentes que ganharam destaque está a psiquiatria, onde são desenvolvidas atividades lúdicas voltadas para a socialização e o bem-estar dos pacientes.

Essa trajetória também contribuiu para fortalecer a presença do voluntariado na unidade. “O SAV e o Hospital de Base caminharam juntos desde o começo. Nosso trabalho abriu portas e permitiu que outras instituições também viessem para cá. Servimos de exemplo”, afirma Vandelícia.

Atividades lúdicas voltadas à socialização e ao bem-estar dos pacientes ganharam destaque nas atividades dos voluntários no HBDF

Ao mesmo tempo em que acolhe pacientes, o trabalho deixa marcas em quem escolhe dedicar parte da própria vida ao outro. Salete Paulina Malinski entrou para o SAV há 29 anos, depois de ouvir no rádio um anúncio que convidava pessoas para o voluntariado.

“Amo trabalhar com pacientes. A gente sempre consegue levar um pouco de alegria, um pouco de leveza. Gosto de me doar para os outros, de conversar e de trazer paz. Me sinto muito bem”, confessa.

Se Salete carrega quase três décadas de experiência, Rosimeire Costa representa quem está começando essa trajetória. Aposentada, ela decidiu dedicar parte do tempo livre ao voluntariado e integra o SAV há dois meses.

“Aqui, você consegue ser uma gotinha de coisas boas na vida de outras pessoas. É muito gratificante promover um momento de descanso, de alegria, de descontração a um paciente que está passando por um momento difícil. Isso traz sentido para a vida”, comemora.

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Câmara Legislativa realiza sessão solene em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis

Cerimônia está marcada para terça-feira (22), a partir das 19h, e terá transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital e pelo YouTube

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Foto: Francisco Arrais

Homenagem presta reconhecimento público a atletas, professores, treinadores, dirigentes e organizações que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF

A Câmara Legislativa fará uma sessão solene, na próxima terça-feira (22), às 19h, em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis. De autoria do deputado Martins Machado (Republicanos), o evento visa destacar a relevante contribuição dessas modalidades para o desenvolvimento do esporte no Distrito Federal. A solenidade ocorrerá no plenário e será transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.

De acordo com Martins Machado, além de promover hábitos saudáveis, as modalidades incentivam a disciplina, a superação de desafios e a convivência social. “A expansão dessas práticas esportivas também gera impactos positivos na economia local, por meio da realização de torneios, eventos, capacitações e atividades ligadas ao setor esportivo, promovendo oportunidades de trabalho e fortalecendo o turismo esportivo”, ressalta o distrital.

Ainda de acordo com o parlamentar, a homenagem representa o reconhecimento público aos atletas, professores, treinadores, dirigentes, organizadores de eventos, clubes e academias que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF.

Agência CLDF

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