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ALYSSON PAOLINELLI ALYSSON ‘DA PAZ’

PAOLINELLI LEGADO E ENSINAMENTOS

 

Sem comida não há paz. Sem paz não há harmonia nem desenvolvimento social e econômico. Em nome da paz foi protocolado duas vezes, no Conselho Norueguês do Nobel (The Norwegian Nobel Committee), o nome do ex-ministro Alysson Paolinelli para o Nobel 2021. A indicação partiu de entidades brasileiras, capitaneados pelo Diretor da ESALQ – Escola Superior Agricultura Luiz de Queiroz, professor Durval Dourado Neto, e pelo ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, professor e coordenador do Centro de Agronegócio na Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas e Embaixador Especial da FAO para as Cooperativas.

 

O ex-ministro Alysson Paolinelli, sempre otimista com a agricultura brasileira, deixou o legado de obras e ensinamentos.

Alysson Paolinelli, filho do agrônomo Antônio Paolinelli, formado na ESAL – Escola Superior de Agronomia de Lavras-MG, onde, posteriormente, se tornou-se professor e, como Diretor, fez a sua federalização.

Em 1971, Paolinelli reestruturou a Secretaria da Agricultura de Minas – governo Rondon Pacheco. Em 1974, foi convidado pelo presidente Ernesto Geisel para assumir o Ministério da Agricultura. Reformulou o Ministério e revolucionou a agricultura brasileira. Aliás, revolucionou a agricultura tropical sustentada no mundo. O desenvolvimento da agricultura tropical se divide em antes e depois de Alysson Paolinelli.

Em 2006, Alysson Paolinelli foi agraciado com o World Food Prize, nos Estados Unidos. Agora, entidades brasileiras apresentam seu nome para o Nobel da PAZ, pois sua contribuição não vale só para o Brasil. É a possibilidade de autonomia alimentar em toda faixa do cinturão tropical do planeta, onde estão os países mais pobres.

ALYSSON PAOLINELLI –

PENSAMENTOS e LEGADO

ALYSSON “DA PAZ’ PAOLINELLI

PAOLINELLI – A indicação, para mim, é uma grande honra. Mas quero que seja bem interpretada. Esse Nobel não é pessoal. Além de coletivo, é uma honra para o Brasil. Se estou candidato, é porque nós tivemos um trabalho integrado, não só como governo, mas também depois do governo, acompanhando de perto e procurando ajudar o Brasil caminhar na direção da formação da primeira Agricultura Tropical Sustentável do mundo. Foi um desafio imenso. Desafio de gestão, desafio científico, cultural e tecnológico. Um desafio de nação. Na década de 70, o Brasil encarou a possibilidade de se tornar autossuficiente em alimentos. Nós importávamos antes um terço do que consumíamos. Éramos sustentados na nossa balança comercial pela ‘conta café’. Quando os alimentos, em 1968, por uma deficiência climática no Hemisfério Norte, dobraram de preço, isto dava o sinal de que o mundo estava em perigo porque os próprios Estados Unidos, que era o grande abastecedor, teve que suspender suas exportações. Isso provocou um desarranjo tremendo no mercado internacional. O Brasil sofreu muito com isso. Acendeu a luz vermelha. Aí decidimos, estrategicamente, fazer um plano estratégico para tornar a Agricultura Tropical como viável. Não foi fácil.

 

VIABILIDADE TROPICAL

PAOLINELLI – O primeiro movimento pelo incremento da agricultura tropical sustentada foi a criação e o desenvolvimento da Embrapa. Veio logo em seguida a evolução do sistema integrado com nossas universidades, nossas instituições estaduais de pesquisa e, principalmente, parceria com a iniciativa privada. Tudo nos levou a obter um êxito muito grande. Primeiro, da exploração do Cerrado que deu uma demonstração de competência muito alta. É bom lembrar que Cerrado existe no mundo inteiro. Cerrado é uma das terras mais velhas do mundo. São como as savanas africanas. Estava altamente degradada pelo fogo, pelo pastoreio de animais, pelo pisoteio e pelas chuvas torrenciais, especialmente na América do Sul. O cerrado tem um solo de pouco nutrientes que precisa ser corrigido. Foi muito importante que nós conseguíssemos recuperar o Cerrado, porque o êxito dele nos possibilitou ampliar nossa visão e caminhar na direção do estudo e ocupação de todos os nossos biomas tropicais. Hoje estamos trabalhando no sentido de ocupar racionalmente esses biomas.

 

O CERRADO E OS RECURSOS NATURAIS

PAOLINELLI – Terra do Cerrado – como se dizia em Minas – “só dado ou herdado”. A marca do bioma são os galhos retorcidos e solo fraco. Mas é o segundo maior bioma do Brasil. Cobre uma área de 2 milhões de km2, que corresponde a 204 milhões de hectares. Isso representa quase um quarto de toda a extensão territorial do país. Apesar de ter uma grande diversidade em flora e fauna, é importante salientar que suas nascentes alimentam oito das 12 regiões hidrográficas do País, com destaque para três: as bacias dos rios Araguaia/Tocantins, do Rio São Francisco e do Rio Paraná. Do ponto de vista da agricultura, em condições naturais, esses solos não têm os micronutrientes que as plantas agrícolas precisam. Ele é muito pobre em nutrientes. Então, o solo do Cerrado apresenta baixa fertilidade.

Foi nesse contexto que os cientistas se inspiraram e estudaram como mudar a condição de pobreza agrícola dos solos do Cerrado. As pesquisas e as tecnologias desenvolvidas surtiram efeito. Nas últimas décadas, foram criadas tecnologias capazes de transformar a região coberta por esse bioma numa área bastante produtiva para a agricultura e a pecuária brasileiras. Hoje, o Cerrado é referência em produtividade agrícola tropical.

AGRICULTURA ABSOLUTAMENTE SUSTENTÁVEL

PAOLINELLI – Não houve apenas um desafio. Tivemos que enfrentar vários desafios ao mesmo tempo. A correção do solo, o desenvolvimento de sementes selecionadas, o controle biológico de pragas, o aparelhamento do plantio e colheitas, a fixação de nitrogênio no solo e assim por diante. Mas é importante dizer que todo trabalho era de mutirão: Embrapa, Universidades, missões especiais dos estados, iniciativa privada e formação, essencial dizer, e formação competente dos recursos humanos. Na década de 70/80 mandamos quase três mil estudantes e professores fazerem mestrado e pós-graduação nas melhores universidades e centros de pesquisa do mundo. A massa crítica desse corpo acadêmico e a nova postura de um Brasil independente foram fundamentais. O Brasil deixou de ter a mentalidade de colônia para procurar resolver seus problemas com as próprias mãos.

Com essas pesquisas e esses estudos nas mãos, o Brasil pode definir de que forma cada bioma e cada região pode ser usada. Temos uma definição de uso, onde pode ser usado e onde não pode ser usado. Onde não puder, nossa tentativa será de recompor os ecossistemas que foram estragados. E preservar. A área que poderá ser usada nós só usaremos com a garantia da ciência de que estamos fazendo uma agricultura absolutamente sustentável e uma agropecuária absolutamente sustentável. O nosso objetivo é garantir ao mundo que o Brasil continuará a ser a referência na área ecológica. Nós ainda temos 66,3% de nosso território em vegetação nativa original e queremos que essas regiões e seus ecossistemas, se puder, serem recompostas. Vamos trabalhar nisso. E a área que for possível produzir sem degradar, vamos tentar ampliar os conhecimentos para que isso seja possível.

HÁ GARANTIAS PARA ESTE PROJETO

PAOLINELLI – Olha, nós temos certeza de que a competência brasileira, que criou essa agricultura tropical sustentável, será a garantia deste projeto. E o êxito não é só para o Brasil. É para o mundo. Imagina a segurança alimentar deste projeto quando implantado na África! Ganharão os africanos que poderão produzir, se alimentar melhor e comercializar o excedente. Ganharão os próprios países europeus que colonizaram o mundo africano e usufruíram de suas riquezas, mas hoje vivem o drama da imigração descontrolada. Por questão políticas, pela pobreza extrema e por falta de alimentos os africanos têm como solução migrar para outros países.

REFORMA AGRÁRIA E TÍTULO DA TERRA

Para se alimentar, tem que haver colheita. Para colher, tem que plantar e para plantar tem que ter terra. Então, a posse da terra está no início do processo produtivo. Vale lembrar que a realidade da distribuição de terras no Brasil é uma herança do sistema colonial da “Lei das Sesmarias”. E, também, que a reforma agrária não representa uma simples distribuição de terras. É muito mais. Representa a viabilização para que produtores possam nela produzir, tendo a terra como garantia de financiamentos e recebam uma série de incentivos fiscais, é importante disponibilizar tecnologias, armazenamento, comercialização, enfim, é fundamental dar ao produtor condições de cultivo. No governo Geisel, conseguimos ter um Incra muito dinâmico. O Incra, neste período, conseguiu desatar o nó cego da área fundiária do Brasil. Conseguimos deslanchar uma verdadeira reforma técnica e democrática, integrando as áreas social, econômica e do meio ambiente. Basta lembrar que foi introduzida a discriminatória administrativa. A justiça era morosa e os conflitos eternos. Os poderosos conseguiam postergar todas as decisões. Temos um dado avassalador. Só nos primeiros meses de governo (de março a dezembro de 1974), foram entregues mais de 29 mil títulos de terra. Esse número já era superior ao número de títulos entregues desde Pedro Álvares Cabral. Isso foi uma revolução. Em 1976, o presidente Geisel entregou o título 100 mil de propriedade em Cascavel, no Paraná.

Imagina Rondônia. Em 1974, tinha apenas dois municípios: Guajará-Mirim e Porto Velho. Hoje são 52. Quase todos nasceram de projetos do INCRA. Pelo menos 32 deles. Fui lá muitas vezes com o presidente da autarquia Lourenço Vieira da Silva. Fizemos assentamentos e criamos 30 projetos de colonização. Todos os projetos viraram municípios e são hoje cidades prósperas como Vilhena, Ouro Preto do Oeste, Cacoal, Ariquemes, Gy-Paraná, Pimenta Bueno. Alguns projetos se desdobraram em três municípios. Cidades hoje de mais de 100 mil habitantes.

O ex-ministro Alysson Paolinelli sendo homenageado na Casa do Cerrado por sua equipe e pela então ministra da Agricultura, hoje senadora Tereza Cristina.  Na foto: Paulo Afonso Romano, Ministra Tereza Cristina, neto e o ministro, Marisa Gonzaga, Emiliano Botelho, presidente da CAMPO, e o jornalista Silvestre Gorgulho.

O IMPACTO SOCIAL DO AGRONEGÓCIO

PAOLINELLI – Os impactos são vários. Na renda brasileira os impactos são evidentes. Basta viajar para as regiões produtoras de grãos no oeste baiano, Minas, Goiás e Mato Grosso. Na saúde, nós melhoramos muito e se você olhar que há 50 anos a média de vida do brasileiro era de 55 anos, hoje nós estamos beirando os 70. Outra coisa, o nível da alimentação melhorou muito, essa posição brasileira de ser um novo player no mercado internacional provocou uma queda substancial no preço internacional dos alimentos que refletiu aqui também. Estudos mostram que entre os anos 80 a 2000 houve uma queda de preços estimada em torno de 70%, ou seja, se o índice era 100, o custo do alimento passou a ser 30. Isso é muito importante em relação à parte social, a média da família brasileira passou a se alimentar muito melhor e com gastos inferiores. Estudos que feitos pela Fundação Getúlio Vargas mostram que se nós gastávamos antes da década de 80, 42% a 48% do total da renda familiar em alimentos, a partir dos anos 2000 passou a se gastar 14% a 18%. Foi uma economia que permitiu ao brasileiro vestir-se melhor, ter lazer, transporte, melhorar a infraestrutura de estradas. Olha como os planos de saúde tiveram uma explosão de lá para cá, e também, a questão da segurança. A segurança ainda é discutível, mas você pode ver que com essas famílias habitando melhor e tendo educação, estão melhorando muito sua condição de vida. No campo produtivo há paz e harmonia. O descompasso está na periferia dos grandes centros. Portanto, para nós, que estamos trabalhando na base desse sistema, é muito satisfatório o que estamos realizando. Esperamos realizar ainda muito mais. Estamos vendo agora um triste quadro de o alimento voltar a subir, nós temos condição de manter mais baixo, e para isso, a ciência e a tecnologia são os caminhos mais certos.

O BRASIL NA ERRADICAÇÃO DA FOME

PAOLINELLI – O impacto social do agronegócio é muito grande. Já falamos sobre isso. Vale frisar que com a oferta de alimentos de melhor qualidade, os preços caem. Pelas estimativas dos organismos internacionais, até 2050 haverá um relativo equilíbrio na população mundial. O número de mortes vai se igualar mais ou menos ao número de nascimentos, portanto, haverá uma estabilização populacional. Mas, segundo a FAO, há que aumentar a oferta atual de alimentos em 61%. A mesma FAO verificou que os países tradicionais de agricultura temperada não têm mais condições de fazer isso. Então este compromisso vem dos países situados nas regiões tropicais. E esses estudos garantem que o Brasil será o responsável pelo aumento de 41% dos 61%. Conclusão: temos que dobrar 2,4 vezes a nossa atual safra de 250 milhões até 2050. Ou seja, o Brasil terá que produzir em 2050 próximo a 620 a 630 milhões de toneladas de alimentos. O equilíbrio e a segurança alimentar no mundo estão nas mãos do Brasil. Nós temos 41% de responsabilidade nesse desafio.

DILEMA FOME X MISÉRIA

PAOLINELLI – Este é o dilema mundial. Incrível, não é ver a miséria ou ver morrer de fome num deserto. O incrível e o inaceitável é não ter o que comer em terras que podem ser férteis por absoluta falta de projetos, por absoluta falta de interesse político se já temos tecnologia para o desenvolvimento de uma agricultura tropical. Há um paradoxo nisso tudo. Tem fome no Brasil? Evidente que tem. Mas sobram alimentos. Há desperdícios. Assim é também no mundo. O problema da fome e da miséria, é a incapacidade de adquirir alimentos. Se a ciência desenvolveu tecnologias para aumentar a produção e baratear os alimentos, há o outro lado da medalha: a falta do emprego, o problema da renda familiar.
Defendo a tese que ao invés do mundo gastar milhões de dólares ou de euros para evitar essas migrações descontroladas para o hemisfério temperado, que se invista os recursos para promover a agricultura nos países de onde sai essa massa de imigrantes. Se o Brasil tem tecnologia para o Cerrado, para as savanas e para o clima tropical, por que não desenvolver a agricultura desses países? Por que não usar o esforço que o Brasil já fez para implantar uma agricultura moderna nos países africanos, por exemplo? Promover o agronegócio nos países tropicais – está aí o exemplo da Companhia de Promoção Agrícola-CAMPO – que atua no Cerrado brasileiro e hoje está presente nos quatro continentes. Uma empresa brasileira que atua em 14 países desenvolvendo seus potenciais agrícolas. Sobretudo na África. Não vejo outra forma de atender a demanda por alimentos, estancar a fome e estabilizar o sistema de equilíbrio e de satisfação com a renda que não seja pela produção de alimentos.

 

 

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Museu do Catetinho estreia experiência em realidade virtual com inspiração em Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Temporada do filme ‘Água de Beber’ começa neste sábado (25) e segue até setembro, com acesso gratuito aos visitantes

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Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

O Museu do Catetinho, espaço gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), inaugura neste sábado (25) a exibição do curta-metragem Água de Beber em realidade virtual. A experiência estará disponível ao público até setembro, com seis óculos instalados em pontos fixos do museu para uso dos visitantes.

Com oito minutos de duração, o filme recria a inspiração da canção homônima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes a partir da fonte localizada no próprio Catetinho. Dirigido por Filipe Gontijo e Henrique Siqueira, o curta propõe uma imersão sensorial que conecta memória, música e patrimônio histórico em um dos espaços simbólicos da capital federal.

A iniciativa conta com o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), instrumento público de fomento que viabiliza projetos culturais em diferentes linguagens e territórios. No caso da produção audiovisual, o recurso permite ampliar o acesso da população a novas formas de fruição cultural, incorporando tecnologias como a realidade virtual ao circuito de visitação.

 

Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, a ação evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e na valorização dos espaços históricos. “Ao ocupar o Museu do Catetinho com uma experiência que dialoga com a história da música brasileira e com a identidade do espaço, ampliamos as possibilidades de fruição cultural e reforçamos o compromisso do poder público com a democratização da cultura”, afirma.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

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Brasília

Feita de sonhos, sotaques e muita coragem

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Foto: Diogo Lima / Agência CLDF

 

Mais do que um cartão-postal reconhecido mundialmente por sua arquitetura e urbanismo, Brasília é uma cidade pulsante, construída diariamente por pessoas que transformam sonhos em realidade. Capital do país e símbolo de modernidade, a cidade reúne história, diversidade cultural e desenvolvimento, mantendo vivo o espírito inovador que marcou sua criação.

Ao longo de seus 66 anos, Brasília consolidou-se como centro político e administrativo do Brasil, mas também como espaço de oportunidades, acolhimento e cidadania. Em cada região administrativa, a população ajuda a escrever uma trajetória marcada por crescimento, trabalho e esperança no futuro.

Nesse caminho, a Câmara Legislativa do Distrito Federal desempenha papel essencial ao representar a voz da população, criar leis e fiscalizar ações que impactam diretamente a vida dos cidadãos. O trabalho parlamentar contribui para fortalecer políticas públicas e garantir direitos em áreas fundamentais como saúde, educação, mobilidade e segurança.

Celebrar o aniversário de Brasília é reconhecer a grandeza de uma cidade planejada para o futuro e construída por todos os brasilienses. Mais do que monumentos e paisagens icônicas, Brasília é feita de pessoas, histórias e conquistas que seguem moldando o presente e inspirando as próximas gerações.

 

Agência CLDF

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Mariangela Hungria está na lista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo

A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo

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A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo. A lista disponibilizada hoje no site da Time reconhece o impacto, a inovação e as conquistas de personalidades mundiais. Mariangela destacou a emoção com o reconhecimento e disse que a conquista ainda parece difícil de acreditar. “Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, afirmou. A pesquisadora também ressaltou o orgulho de representar a ciência brasileira no cenário internacional. Para ela, essa valorização não é resultado apenas sua trajetória, mas do trabalho desenvolvido na Embrapa, especialmente na área de insumos biológicos na agricultura. “É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, explicou.

Mariangela destacou ainda que esse reconhecimento reflete uma mudança global de percepção, com maior valorização de práticas sustentáveis e da produção de alimentos mais saudáveis. “Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única”, disse. Ela acredita que a visibilidade pode fortalecer ainda mais o protagonismo do Brasil no setor. “Além da alegria pelo reconhecimento, isso ajuda a divulgar essa bandeira dos biológicos, na qual o Brasil já é líder mundial — e pode se tornar ainda mais”, concluiu.

Quem é Mariangela Hungria

Nascida em 06 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária, reconhecida mundialmente por sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira. Desde a infância, teve curiosidade por conhecer o que envolve os aspectos relacionados à terra, à água e ao ar. Quando tinha oito anos, ganhou da avó materna o livro “Caçadores de Micróbios”, de Paul de Kruif, sobre a vida de microbiologistas. Depois dessa leitura, decidiu que queria ser microbiologista, mas não na área médica — tinha que ser sobre solo e plantas. Sua busca por conhecimento e seu espírito científico, a levaram a cursar Engenharia Agronômica e se especializar em microbiologia do solo, tornando-se uma das mais renomadas microbiologistas do mundo.

Desde 1982, Mariangela desenvolve inovações que resultaramno lançamento de mais de 30 tecnologias. A cientista possui mais de 500 publicações científicas, documentos técnicos, livros e capítulos de livros. Também já orientou mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.

Para a pesquisadora, há uma crescente demanda global por aumento da produção e da qualidade dos alimentos, mas com sustentabilidade, o que significa reduzir a poluição do solo e da água e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com Mariangela, o desenvolvimento sustentável na agricultura deve se alinhar com novos conceitos, enfatizando a “Saúde Única” (One Health), a “Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG)” e a nova visão de agricultura regenerativa. Essa abordagem busca produzir mais com menos — menos insumos, menos água, menos terra, menos esforço humano e menor impacto ambiental.

Contribuições à produção agrícola

O foco das pesquisas de Mariangela Hungria tem sido no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição, total ou parcial, de fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a síntese de fitormônios e a solubilização de fosfatos e rochas potássicas. Ela obteve resultados inovadores ao provar que, ao contrário de relatos dos EUA, Austrália e Europa, a inoculação anual da soja com Bradyrhizobium aumenta, em média, 8% a produção de grãos de soja. Ainda mais relevante, altos rendimentos são conseguidos sem nenhuma aplicação de fertilizante nitrogenado e a confirmação desses benefícios pelo agricultor está na adoção dessa prática, 85% de toda a área cultivada com soja.

Outra tecnologia lançada pela pesquisadora, em 2014, foi a coinoculação da soja, que une as bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e as bactérias promotoras de crescimento de plantas (Azospirillum brasilense). Em pouco mais de dez anos, a coinoculação passou a ser adotada em aproximadamente 35% da área total cultivada de soja.

Reunindo os benefícios da inoculação e da coinoculação da soja, somente em 2025, a economia estimada, ao dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados, foi estimada em 25 bilhões de dólares. Além do benefício econômico, o uso dessas bactérias ajudou a mitigar, em 2024, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes para a atmosfera.

Associado aos trabalhos com soja, a pesquisadora também coordena pesquisas que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) e coinoculação para a cultura do feijoeiro, Azospirillum brasiliense para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias. Ainda em relação às gramíneas, em 2021, a equipe da pesquisadora lançou uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura em milho por meio da inoculação com A. brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.

Trajetória  profissional

Mariangela Hungria é Engenharia Agronômica (Esalq/USP),com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ). Na sequência,cursou o doutorado na UFRRJ. A tese foi realizada na Embrapa, a convite da pesquisadora Johanna Döbereiner, cientista que revolucionou a agricultura tropical ao descobrir e aplicar a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em culturas agrícolas. Mariangela considera Johanna Döbereiner a mentora mais influente da sua carreira, por ter colaborado decisivamente com sua formação como cientista.

Em 1982, tornou-se pesquisadora da Embrapa: inicialmente na Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) e, desde 1991, na Embrapa Soja (Londrina, PR). Mariangela acumula ainda três pós-doutorado em universidades nos Estados Unidos e Espanha (Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla).

RECONHECIMENTOS

Mariangela Hungria, laureada da edição de 2025 do Prêmio Mundial de Alimentação – World Food Prize (WFP) – reconhecido como o “Nobel da Agricultura”, recebeu a homenagem em 23 de outubro, em Des Moines, nos Estados Unidos. O Prêmio, concedido pela Fundação World FoodPrize, celebra o impacto positivo das pesquisas da cientista brasileira e sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira.

Mariangela é também comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Atua também na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e na Sociedade Brasileira de Microbiologia.

Desde 2020 Mariangela está classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy) e em Microbiologia, em lista publicada pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial.

Já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como o Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária eda Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Em 2026, entrou na lista Forbes que destaca 10 personalidades mundiais que personificam a liderança no agronegócio.

Lebna Landgraf (MTb 2903 -PR)
Embrapa Soja

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