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Liberdade e motosserras

Silvestre Gorgulho


Liberdade é defendida em discursos, mas é atacada com metralhadoras, costumava dizer Carlos Drummond de Andrade. Meio Ambiente, também, é assim: defendido veementemente em discursos, em programas eleitorais, em artigos, mas atacado, violentamente, com metralhadoras. Os exemplos são fartos e estão aí. Em Mato Grosso do Sul, o ambientalista Francisco Anselmo Barros precisou se imolar, ateando fogo ao próprio corpo, para defender o Pantanal.


Em Barra, na Bahia, o Bispo D. Luiz Flávio Cappio fez greve de fome para recolocar na pauta de debate a transposição e, sobretudo, defender a prioridade da revitalização do rio São Francisco.


Na Amazônia, os ribeirinhos passaram dias difíceis com a estiagem, vendo rios e igarapés secarem e peixes morrerem no lamaçal. Enquanto isto, o desmatamento continua, a fiscalização relaxa… as queimadas não cessam, a fiscalização não chega… os madeireiros comercializam mognos e sucupiras, a fiscalização não vê… o patrimônio brasileiro chamado Parque da Serra das Capivaras se deteriora, e a fiscalização não sabe… e os traficantes de animais silvestres teimam em retirar aves e bichos de seus habitats, e a fiscalização… Coitada da fiscalização, sem gente, sem recursos e sem motivação passa ao largo de tantos crimes ambientais.


Meio Ambiente continua sendo muito defendido nos discursos, mas não deixa de ser violentamente atacado pelas metralhadoras, pelas motosserras, pelos projetos insustentáveis, pelas ambições e pelas ganâncias.


Um outro exemplo: os projetos de interesse ambiental que correm nas comissões da Câmara Federal e Senado foram relegados ao esquecimento. Dormem nas gavetas do Congresso. Mesmo sabendo que 82% da população brasileira vivem em cidades que não oferecem serviços de coleta e tratamento de esgoto de forma adequada; que diariamente são produzidas 125 mil toneladas de lixo, das quais 70% são resíduos sólidos despejados em lixões a céu aberto, contaminando fontes de águas superficiais e subterrâneas, governo e parlamentares deixam o tempo correr. Não parecem tão impressionados com a triste estatística. O Projeto de Lei nº 5.296, que dispõe sobre a nova política de saneamento, está com sua tramitação paralisada na Câmara dos Deputados. Como ao projeto já foram apresentadas nada menos de 862 emendas, este ano não há mais tempo para sua apreciação. E, no ano que vem, ano eleitoral, vai ser ainda mais difícil votar, pela complexidade que o tema encerra e pelos lobbies que o rico mercado do saneamento planta.


E assim, mais um ano termina e um novo se aproxima. Não há como escapar: continuaremos a caminhar entre liberdades, metralhadoras e motosseras.

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SANTA CRUZ DE TENERIFE: QUANTA BELEZA, ARTE E CIVILIDADE

(Parte 5)

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Deixando o navio para visitar a cidade, me chamou logo a atenção um desfile, em pedestais, das maiores personalidade que já visitaram Tenerife. Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas. (Uma boa ideia para fazer em duas cidades que amo: São Lourenço-MG e Brasilia)
Duas personalidades me fizeram lembrar da “Folha do Meio Ambiente”: Marianne North e Alexander Von Humboldt.
Marianne porque morou vários anos no Rio de Janeiro e abriu uma grande série que fizemos no jornal chamada “NATURALISTAS VIAJANTES”.
Von Humbolt, fundador da moderna geografia física e autor do conceito de meio ambiente geográfico, fez uma das mais belas metáforas que já li quando visitou o Brasil e viu uma vereda coberta de vagalumes:
“OS VAGALUMES FAZEM CRER QUE, DURANTE UMA NOITE NOS TRÓPICOS, A ABÓBODA CELESTE ABATEU-SE SOBRE OS PRADOS”.
TENERIFE, PAISAGEM E CULTURA
Não foi à toa que o jornal “The Garden” escolheu Tenerife um dos melhores lugares do mundo para se viver.
Também não foi à toa que chegar ontem, dia 22, no Porto de Tenerife, havia 5 grandes transatlânticos, inclusive o da National Geographic, com turistas do mundo inteiro. Tanto a cidade de Santa Cruz de Tenerife, como a ilha são um convite às compras e passeios.
# O arquipélago das CANÁRIAS são formadas por 7 ilhas. Tenerife e Las Palmas são as principais cidades. Amanhã visitaremos outra ilha e Las Palmas.
# Tenerife se destaca por sua arquitetura contemporânea e diversificada. O auditório de Tenerife é singular e chama logo a atenção.
# A Praça da Espanha é o coração da cidade com um lago, fonte, rodeada de monumentos e esculturas gigantes. Espetacular!
# A rua central é só para pedestres. Um desfile de gente, de lojas de grife e cafés. Um charme!
# E se pode visitar o Parque Nacional do Teide, Patrimônio da UNESCO, onde tem um vulcão ativo de paisagem alucinante. No caderno de notas de Cristóvão Colombo (1492) aparece uma referência ao Teide em erupção.
É a segunda vez que visito Tenerife. Prometi a mim mesmo que vou voltar.
Fotos
1) Mapa do arquipélago
2 e 3) Toten com Marianne North e Von Humboldt
4) “Desfile” dos totens
5) filme da chegada do navio Norwegian Star
6) A cidade de Tenerife vista do navio
7) o vulcão Teide
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CABO VERDE: A ILHA DE BOA VISTA E BRASÍLIA

(Parte 4)

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No dia 20, visitamos MINDELO, na Ilha São Vicente. Que grata surpresa!
Mindelo é conhecida em todas as ilhas de Cabo Verde como a BRASILIM, que no dialeto criolo significa BRASILINHA ou Pequeno Brasil.
Visitamos o Centro de Artes, Design e Artesanato, na Praça Nova, onde tem uma exposição temporária da artista Bela Duarte. Visitamos também o muro onde está a figura de outra cabo-verdiana ilustre: CESÁREA ÉVORA.
O povo cabo-verdiano é super simpático e hospitaleiro. Nosso guia, Danilo, nos disse uma frase que revela bem a força cultural e a beleza do casario de Mindelo, cidade da poetisa e cantora Cesárea Évora e da artista plástica Bela Duarte: “Praia é a capital, mas Mindelo é a principal!”
Na parte 4, vou falar sobre Cabo Verde e Brasília: uma circunstância histórica e trágica.
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MINDELO, A PRINCIPAL. CULTURA e CASARIO

(Parte 3)

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Hoje, 20, visitamos MINDELO, na Ilha São Vicente. Que grata surpresa!
Mindelo é conhecida em todas as ilhas de Cabo Verde como a BRASILIM, que no dialeto criolo significa BRASILINHA ou Pequeno Brasil.
Visitamos o Centro de Artes, Design e Artesanato, na Praça Nova, onde tem uma exposição temporária da artista Bela Duarte. Visitamos também o muro onde está a figura de outra cabo-verdiana ilustre: CESÁREA ÉVORA.
O povo cabo-verdiano é super simpático e hospitaleiro. Nosso guia, Danilo, nos disse uma frase que revela bem a força cultural e a beleza do casario de Mindelo, cidade da poetisa e cantora Cesárea Évora e da artista plástica Bela Duarte: “Praia é a capital, mas Mindelo é a principal!”
Na parte 4, vou falar sobre Cabo Verde e Brasília: uma circunstância histórica e trágica.
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