Artigos

CANDIRU, o peixinho vampiro

Como um parasita, o candiru se alimenta de sangue

Silvestre Gorgulho, de Brasília


São muitas lendas, muitos casos e muita literatura em torno do candiru (Vandellia cirrhosa). O fato é que a diversidade das florestas e dos rios brasileiros é muito conhecida. Às vezes, temida. São piranhas, poraquês (1) e um peixe pequenininho que, mesmo na idade adulta, chega a alguns poucos centímetros. Minúsculo, mesmo assim é muito temido pelo ser humano e também por peixes maiores. Verdadeiro parasita, o peixinho-vampiro é hematófago, como algumas espécies de morcegos. Segundo Rodolpho von Hering (Dicionário dos Animais do Brasil) esta espécie tem tamanho máximo de 70 a 80 milímetros. Mas, mesmo com 40mm e não mais que 4mm de diâmetro, ele já é o terror em vários rios brasileiros. Ele afugenta pescadores, banhistas e até índios. Por quê? Simples, ele tem a mania de penetrar na abertura urogenital de homens e mulheres ou então nas quelras e ânus dos peixes maiores. E o pior da história: ao entrar, em busca de sangue, o candiru abre dois dentes ou espinhos, como se fossem asinhas. Aí, ao tentar retirar o candiru, estas asinhas se abrem, encravando cada vez mais na carne, provocando hemorragia. Uma loucura de dor.



Fotos: Christian Frisch


Johan Dalgas Frisch subiu o rio Juruena para fazer suas pesquisas sobre aves e aproveitou para estudar um pouco mais os mistérios dos candirus.


 


 


 


Segundo os estudiosos, o candiru tem vários apelidos dados pelos ribeirinhos e pelos índios. Como é um peixe parasita e se alimenta de sangue, nasceu o apelido mais popular: peixe-vampiro. Existem outras espécies que se alimentam de tecidos, escamas e crustáceos.
Johan Dalgas Frisch, ornitólogo e presidente da APVS – Associação de Preservação da Vida Selvagem, que recentemente viajou com seu filho Christian pelo rio Juruena, fez questão de pesquisar e fotografar o tal do candiru. “O peixinho tem a forma de uma enguia”, diz Dalgas. “É transparente e chega a ser invisível dentro d’água. Tanto os nativos como os banhistas têm grande temor ao candiru, porque – atraído pela urina e pelo sangue  – ele nada e penetra qualquer orifício corporal (vagina, pênis ou ânus).”
O que os pesquisadores sabem é que ao se instalar, ele vai se alimentando de sangue da mesma forma como faz com a guelra de outro peixe. Segundo os médicos, o candiru só pode ser retirado por meio de cirurgia, justamente por causa de suas asinhas ou espinhos que se abrem dentro do tecido.
Nas muitas conversas que tive com o indigenista Orlando Vilas Boas, ele sempre lembrava de um fato que aconteceu durante a Expedição Roncador-Xingu, em 1948, às margens do rio das Mortes. “De repente, ouvimos alguém urrando de dor na margem do rio.  Era um trabalhador daquela base que veio da Bahia e não conhecia os mistérios da amazônia. Um candiru entrou no seu pênis. Foi um desespero. Ele não sabia o que os nativos estavam carecas de saber: não se pode nadar sem proteção”.


(1) Poraquê  ou peixe elétrico – O poraquê é mais um peixe endêmico dos rios amazônicos. É conhecido pela sua capacidade de produzir descargas elétricas elevadas (até cerca de 1.500V, até de 3 ampères) suficientes para matar uma pessoa.


 


O candiru é um parasita que gosta de se alimentar de sangue e buscar viver nas guelras dos peixes maiores.


 


 


 


 


 


 


 Regras básicas ensinadas pelos nativos e pelos médicos da região


1 – Não se pode nadar nú. Os índios, por exemplo, colocam um tampão na ponta do pênis.
2 – Sempre é bom buscar informações com as pessoas da região.
3 – Não entrar na água com cortes na pele que estejam sangrando.
4 – Nunca urine na água. A uréia é um foco de atração para os candirus.
5 – Se for atacado por um candiru, não tente arrancá-lo. Ao entrar eles abrem umas asinhas,
na verdade dois dentes ou espinhos, que rasgam a uretra.
6 – Procure um médico o mais rápido possível para fazer uma minicirurgia.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos

Inovação verde

Sustentabilidade e a sigla ESG tem dominado grande parte da pauta de encontros empresariais

Published

on

 

O conceito da sustentabilidade e a sigla ESG tem dominado grande parte da pauta de encontros empresariais, seminários e congressos de negócios. O discurso garante não ser apenas mais um modismo, como tantos outros no passado, e sim um conceito que teria vindo para ficar, até porque não teríamos escolha, se quisermos salvar o planeta. Além disso, as gerações Y e Z estão mais atentas ao assunto e cobrando maior responsabilidade ambiental, social e de governança das empresas.  O mercado financeiro e as certificadoras também observam esse novo momento para oferecer vantagens e reconhecer as companhias que demonstrarem maior comprometimento com a sustentabilidade.

Nessa pauta, um dos principais desafios é desenvolver tecnologias que sejam sustentáveis, tanto economicamente viáveis quanto atraentes para o mercado.  Hitendra Patel, diretora do IXL Center da Hult International Business School, e que no Brasil é parceiro da Revista Amanhã em um ranking de inovação, criou o termo “greenovations” para essas soluções, e destaca a necessidade da viabilidade financeira para o assunto ganhar relevância entre as empresas. Boas ideias e tecnologias não são suficientes para criar produtos e serviços ambientalmente sustentáveis. É preciso torná-los lucrativos e atrativos, criando um círculo virtuoso.

As empresas precisam transformar essa pauta em cultura para que ela permeie os novos modelos de negócios. Os setores público e privado devem trabalhar juntos para evitar excessos na legislação, buscar eficiência nos licenciamentos, equilíbrio e ponderação nas fiscalizações e oferecer estímulos à inovabilidade. É a melhor maneira de transformar o que muitas vezes ainda é visto como moda, ou como um fardo a carregar, em um compromisso espontâneo e duradouro.

 

Escrito por Carlos Rodolfo Schneider – empresário

 

 

Continue Reading

Artigos

Brasil, falta de Neymar e resultado das urnas

Published

on

Tô pensando o seguinte:
NEYMAR faz muita falta à Seleção Brasileira. Assim como o VAR faz falta na eleição no Brasil.
Quando o Juiz vai pro VAR ele busca transparência e retidão no lance.
É tudo que se quer no resultado das urnas.
Continue Reading

Artigos

Debênture Verde: Biotrop investe R$ 92,5 milhões em sustentabilidade no primeiro ano

Com o crescimento acelerado da demanda por produtos biológicos e naturais na agricultura, empresa amplia investimentos em P&D, estruturas, laboratórios e prepara o lançamento de novos produtos, contribuindo cada vez mais com a agricultura regenerativa

Published

on

 

A Biotrop, empresa dentre as líderes em soluções biológicas e naturais para o agronegócio, através da sua controlada – Total Biotecnologia S.A., acaba de ser certificada pelo Bureau Veritas pela destinação de mais de R$ 92,5 milhões de recursos para as iniciativas sustentáveis, oriundas das debêntures verdes captadas.

Do valor de R$ 100 milhões obtidos com o título, um montante superior a 92% foi destinado para investimentos em três importantes blocos: capital de giro para a fabricação e distribuição de bioinsumos; investimentos na planta, que inclui a expansão fabril, equipamentos para os laboratórios, veículos e tecnologia da informação; e para as atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), incluindo inovação, para garantir novos produtos destinados à agricultura sustentável. O valor restante dos recursos da debênture será alocado para novas demandas.

De acordo com o diretor financeiro, Adriano Zan, impressiona o montante que a Biotrop destinou de recursos já no primeiro ano da debênture. “Após a emissão, a companhia tem o prazo de até cinco anos para destinar os 100% de recursos. A rapidez desse processo é a prova da célere adoção de biotecnologias pelos agricultores, sobretudo as soluções sustentáveis da Biotrop. Um passo importante para a empresa e para a agricultura brasileira”, diz.

Para o CEO da empresa, Antonio Carlos Zem, esse relatório comprova o comprometimento e respeito da Biotrop com o mercado e principalmente a transparência com os investidores. “Utilizamos as debêntures verdes, entregamos indicadores financeiros melhores que os requeridos e usamos os recursos de modo sustentável para expandir a agricultura biológica. Pretendemos obter centenas de milhões em financiamentos verdes para 2023, dado o crescimento acelerado, o que pode ser uma ótima oportunidade para nossos credores”, diz.

Zem ressalta ainda as expectativas para o futuro. “Os agricultores no Brasil e na América Latina podem esperar o lançamento de novos produtos e maior capacidade de atender aos clientes. A Biotrop está liderando o mercado com uma robusta plataforma de inovação em várias dimensões dos biológicos. Ao associar P&D de ponta, acesso de mercado superior e equipe preparada e focada exclusivamente em biológicos, conseguimos crescer de forma exponencial, rentável, sustentável, com direção estratégica e através de pessoas extraordinárias!”, finaliza o executivo.

Sobre o título captado

Debêntures verdes são aquelas cujos recursos são investidos tanto em projetos com benefícios ambientais quanto sociais. Esses títulos de renda fixa são emitidos por empresas que precisam financiar um projeto, pagar uma dívida ou aumentar o capital. Para isso, elas pagam uma remuneração em troca do financiamento. No caso da Biotrop, as debêntures foram emitidas conforme a abordagem da ICMA (International Capital Market Association) e das Nações Unidas. O Banco Itaú BBA foi o coordenador-líder da emissão.

Sobre – A Biotrop é uma empresa brasileira, fruto da visão e empreendedorismo de um seleto grupo de profissionais apaixonados pelo agronegócio. Atua com foco em pesquisa e desenvolvimento de soluções diferenciadas e inovadoras, com o objetivo de contribuir para uma agricultura mais sustentável, saudável e regenerativa. Com escritório em Vinhedo (SP) e fábrica em Curitiba (PR), a empresa leva ao mercado o que há de melhor no mundo em soluções biológicas e naturais. Acesse www.biotrop.com.br.

 

 

 

Continue Reading

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010