Palestra e Discursos

A fonte jornalística

(Palestra pronunciada pelo jornalista Silvestre Gorgulho durante o encontro INDÚSTRIA E MEIO AMBIENTE para jornalistas especializados em temas ecológicos e ambientais,
na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, em 28 de maio de 2003)

Publicado

em

O que é uma fonte
jornalística?
É justamente
onde nasce a informação. Uma
fonte pode ser qualquer pessoa, documento,
livro, organização ou entidade
que produz uma informação e
a repassa ao jornalista para que seja feita
ou para que seja aprimorada uma notícia.

O jornalista tem vários
objetivos ao procurar uma fonte: ele busca
informes seguros para checar uma informação,
busca dados para credenciar seu trabalho e
busca detalhes para qualificar suas matérias.

E tudo isto com uma finalidade
única: atender a demanda de informação
de cada cidadão e da sociedade em geral,
nos mais variados campos da atividade humana.

Não existe uma cadeira
específica na universidade sobre fontes
de informação e muito menos
uma cadeira só para fonte jornalística
em meio ambiente. E não conheço
nenhum manual específico.

O porquê é simples.

A grande virtude para que um
jornalista se torne um bom profissional de
imprensa é o bom senso. Aliás,
não só na atividade jornalística,
mas em qualquer atividade o bom senso deve
estar em primeiro lugar.

O bom senso, acrescido da experiência
e da boa formação são
os elementos seguros para um trabalho de excelência.

Do lado do jornalista: o tema
pode ser meio ambiente, pode ser política,
pode ser economia, pode ser polícia,
pode ser educação ou esporte.
O comportamento profissional e pessoal do
jornalista com sua fonte vai ser igual. Muda
apenas o assunto.

O que vai estar envolvido nesta
relação é a confiança,
a ética, troca de gentilezas, troca
de informação, civilidade, exercício
de poder e tanta coisa mais que só
o discernimento de cada um vai impor os limites.
Não dá para se fazer um manual
de consciência profissional. É
tudo questão de bom senso.

O mesmo se pode dizer em relação
às fontes. O tema também pode
ser qualquer um e o comportamento profissional
e pessoal da fonte com o jornalista vai ser
igual. Muda apenas o assunto.

Jornalistas e fontes têm
suas responsabilidades.

E vale acrescentar um detalhe
que considero muito importante: a responsabilidade
do jornalista é muito maior do que
a da fonte.

Por vários motivos: primeiro,
porque na grande maioria das vezes as fontes
gostam de ficar no anonimato e aí o
jornalista que assina a matéria tem
que bancar a informação. E no
anonimato a fonte pode muito bem puxar a brasa
para seus interesses profissionais ou pessoais.
Pelo menos pode dar uma versão e usar
de meias verdades que vão ajudar a
ela, a seu grupo político, a sua empresa
ou a sua instituição.

A fonte pode estar ressentida
e usar suas informações –
em ON ou em OFF – também apenas
para denegrir ou tirar vantagens (seja
moral ou financeira)
na publicação
da matéria. Veja bem como a situação
é delicada. Mesmo ressentida, às
vezes, é uma informação
de grande interesse da sociedade e sua publicação
é importante. Os exemplos são
muitos, desde ex-mulheres que denunciaram,
por ressentimento, as negociatas dos anões
do orçamento (deputados da Comissão
Mista do Orçamento que aprovaram emendas
e tiraram proveito financeiro das empreiteiras)
o caso PC Farias (governo Fernando
Collor)
até o caso dos fiscais
do Rio de Janeiro (grupo de fiscais liderados
por Silveirinha que chantageou empresas e
depositaram milhões de dólares
na Suíça)
.

Neste caso o jornalista é
detetive e juiz de uma mesma peça.

Por isso, repito, a responsabilidade
do jornalista
– por ser coadjuvante
e protagonista de uma mesma história
– é muito mais importante do
que a responsabilidade da fonte.

E mais: ele não trabalha
só com dados e conceitos, mas com todos
os significados para onde apontam os dados
e os conceitos. Ao decodificar os dados, ao
editar as imagens, o jornalista acaba por
levar o leitor ou o telespectador a pensar
como ele.

Outra coisa: todo mundo sabe
que a informação produzida vai
muito além do primeiro receptor. Dependendo
do veículo, o efeito multiplicador
é fenomenal.

De tudo que li, que tentei lembrar
da minha experiência de 30 anos de jornalismo,
resolvi resumir tudo sobre fonte e jornalista
num DECÁLOGO.
A Bíblia é a Bíblia porque
tem peças como o Decálogo: simples,
didático e direto. Então nesta
linha da simplicidade e da didática,
dei uma de Moisés e escrevi os 10 mandamentos
que devem nortear a relação
entre o jornalista e sua fonte. Acabei gostando
por achá-lo curto e grosso.

Os DEZ MANDAMENTOS
que devem nortear a relação
entre o jornalista e sua fonte

1 – Da responsabilidade
O jornalista é
o grande instrumento para a nobre função
de democratizar a informação.
E a boa informação requer responsabilidade
do profissional de imprensa e da fonte de
informação.

2 – Da reciprocidade
Quanto mais o jornalista
se mostra isento e competente, mais ele ganha
a confiança da fonte; E quanto mais
a fonte se mostra isenta e competente, mais
ela ganha a confiança do jornalista.

3 – Do saber –
Quanto mais complexo for o assunto, mais o
jornalista deve se dedicar ao tema e mais
paciente e didática deve se comportar
sua fonte.

4 – Do bom entendimento
Tanto quanto a fonte
de informação, o jornalista
deve usar linguagem adequada, objetiva e clara.

5 – Do enquadramento
O jornalista e a fonte
de informação devem compreender
as limitações de tempo e de
espaço dos meios de comunicação.

6 – Da humildade
Nem o jornalista em relação
à fonte e nem a fonte em relação
ao jornalista devem assumir atitudes de superioridade
entre si e muito menos em relação
ao leitor e espectador.

7 – Da excelência
O bom profissional de
imprensa e a boa fonte buscam sempre material
de suporte técnico como pesquisas,
clipping, sites e artigos para a construção
de uma reportagem perfeita.

8 – Do diga-me
com quem andas… –
Um
jornalista isento, íntegro e criterioso
terá sempre fontes também isentas,
íntegras e criteriosas.

9 – Da abrangência
A diversidade de opinião
e de fontes assegura a pluralidade da informação
que é fundamental para a qualidade
final da reportagem.

10 – Da Cidadania
O bom profissional de
imprensa e a boa fonte devem seguir e obedecer
sempre as duas linhas mestras que norteiam
toda e qualquer atividade humana: a ética
e a estética de suas ações.

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Prêmio José Aparecido de Oliveira

Discurso de Silvestre Gorgulho, Secretário de Estado da Cultura do DF, durante entrega do Prêmio José Aparecido de Oliveira, no Museu Nacional de Brasília.

Publicado

em

     Depois da odisséia empreendida por José Aparecido de Oliveira na luta pela preservação de Brasília, conquistando da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade para uma cidade de apenas 27 anos, chegamos a um segundo momento: o governador José Roberto Arruda, ainda pela força e história de vida do ex-governador, marca sua posição pela legalidade e pelo respeito ao tombamento conquistado ao instituir o Prêmio José Aparecido de Oliveira.


 O prêmio será oferecido anualmente em reconhecimento àqueles que tenham ações voltadas para o estudo e preservação de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade.


 Eu pessoalmente – e o próprio governador Arruda,  como seus secretários – acompanhamos de perto toda luta e determinação do Zé Aparecido em defender Brasília.


Não foi fácil. Chego a afirmar que esta luta pela preservação custou-lhe o governo de Brasília e a volta para o Ministério da Cultura.


Por quê?


 Aparecido brigou muito, mas não deixou retalhar o solo do DF em loteamentos irregulares. Abriu o Lago para a ciclovia e derrubou muitas cercas-vivas de poderosos para fazer as calçadas –  sim, no Lago Sul não havia calçadas.


E culminou com a defesa máxima do Plano Piloto ao conseguir da Unesco, em 7 de dezembro de 1987, o seu Tombamento como Patrimônio Cultural da Humanidade.


 Interesses foram contrariados. Zé Aparecido era uma muralha contra a indústria das invasões, os puxadinhos, a mudança de gabarito, troca de destinação de área, contra o sétimo pavimento e o retalhamento das terras públicas.


 


Aparecido promoveu as primeiras eleições no Distrito Federal em 1986. Mas não conseguiu segurar a campanha promovida contra ele para liberar a especulação imobiliária. Uma especulação pelo dinheiro fácil e pela politicagem em busca de votos. 21 anos se passaram.


 Coube ao governador José Roberto Arruda dar uma freada de arrumação. Teve a coragem de abrir feridas expostas pela omissão e pelo populismo: implodiu prédios irregulares e abandonados, combateu a ocupação irregular do solo de ricos e pobres, regularizou condomínios, colocou fim no transporte pirata e, agora, dá uma lição eterna: pelo Prêmio José Aparecido de Oliveira valoriza as ações anuais em defesa de Brasília.


 A verdade é que Brasília, como diz Maria Elisa Costa, não é capital nem da Suécia e nem da Finlândia. É capital do Brasil, com todos os nossos problemas de distribuição de renda, de educação, de pobreza e de migração.


E todos estes problemas estão no âmago de uma cidade de apenas 48 anos. São 48 anos de muitos sonhos, de alguns pesadelos, imensas esperanças, mas com uma realidade mais forte em ações positivas do que negativas.


 Se Brasília fosse, ainda, a bucólica aldeia dos anos 60, a pequena cidade dos anos 70 sem semáforos e engarrafamentos, se fosse apenas uma cidade de funcionários públicos, embaixadas e serviços especializados, estaria hoje com os seus 500 mil habitantes programados. Com certeza, seria um oásis dinamarquês na imensidão de tantos Brasis pobres e esquecidos.  


Não! Brasília é Brasil com todos seus problemas, violências, lutas, diversidades, riquezas e pobrezas, alegrias e tristezas. Não são os 500 mil programados, mas 2 milhões e meio a pedir oportunidades. Muitos a pedir moradia e emprego. Alguns pão e água.


 O Prêmio José Aparecido de Oliveira é a oportunidade de uma reflexão: se Brasília significou a interiorização da economia, a ocupação do Centro-Oeste e a produção de mais de 50%  da colheita de alimentos do Brasil, Brasília como metrópole também significou o adensamento como porto seguro e inseguro de brasileiros de todos os cantos.


 Esta é nossa missão: harmonizar o desenvolvimento, a migração e a oportunidade de ocupação com qualidade de vida e bem estar.


 Para terminar, até em homenagem a Oscar Niemeyer que acaba de nos visitar e que hoje completa 101 anos, deixo nas palavras do Mestre a ultima homenagem a Zé Aparecido:


 “Quando soube da morte do Zé Aparecido, passou diante de mim um filme-relâmpago. E me lembrava do Aparecido a declarar, quando tomou posse: – Vou governar com os olhos do Oscar. Durante todo seu governo, mantive o prazer de conhecê-lo melhor. Lembro-se que até meu medo de avião consegui controlar. Vinha a Brasília de 15 em 15 dias para colaborar um pouco.


Um dia, visitando seu sítio em Miguel Pereira, ele me disse: – Oscar, eu tinha vontade de construir uma capela. Um presente para minha filha Maria Cecília. Ali mesmo desenhei a igrejinha, toda branca com um pequena cruz na cobertura. E, para agradá-lo, eu mesmo fiz o altar. Não sei por quê, estudei a iluminação da capelinha de forma que de noite apenas a cruz aparecia sozinha a flutuar entre as árvores do jardim…”


 Pois é, Oscar, dona Leonor, Maria Cecília, Zé Fernando, Virgínia, Fernandinho e todos os premiados…


Pois é, governador Arruda, Dr. Bigonha, Evelise Longhi, Carlos Magalhães, Paulo Castelo Branco e Fernando Andrade…


Pois é, Beto Sales, Elaine Ruas, Rosa Coimbra, Luiz Mendonça e toda equipe da Secretaria de Cultura que com tanto carinho preparou esta celebração… Pois é, Alfredo Gastal, Vincent Defourny, Jurema e todos os amigos aqui presentes…


 Nós aqui estamos como a cruz da Igrejinha Santa Cecília, lá do sítio do Aparecido, em Miguel Pereira.


Estamos sozinhos a flutuar entre as árvores e jardins desta fantástica cidade-parque que só precisa de nós mesmos para ser defendida, preservada e amada.


 

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Palestra e Discursos

IMPRENSA & POLÍTICA & GOVERNO

(Palestra de abertura do Seminário no Palácio do Buriti,
Segurança Social e Imprensa)

Publicado

em

Senhor Secretário de Segurança, Cel José Olavo de Castro;
Senhoras e Senhores participantes do Seminário


A democratização da informação combate privilégios e impede os favoritismos


A Humanidade esta ao sabor de suas emoções e paixões políticas.Enquanto os governos de extrema direita proíbem a Imprensa de abordar idéias de esquerda e fatos que possam ser explorados pelos esquerdistas, os governos de extrema esquerda proíbem a divulgação das idéias de direita e do que pode ser explorado por direitistas.


Mas o interessante disso tudo é que ambos os lados proíbem os mesmos assuntos, sendo o segmento Segurança o carro-chefe de tais proibições: estatísticas de criminalidade, mortes, prisioneiros políticos, crianças abandonadas; mendicância; procedimentos judiciais de descontentamento nas Forças Armadas, epidemias, desastres, etc.


O Brasil saiu, há pouco, exatamente de uma dessas situações. Censurava-se de tudo. E em nome da Segurança Nacional.


Acontece que a inteligência consegue, mesmo debaixo de força, se fazer valer, dar o seu recado e criar opinião. Diz nas entrelinhas, ironiza no humo, desmistifica nas metáforas. E tudo isso acaba criando o clima de desconfiança. Os exemplos históricos, estão aí para comprovar que todo o esforço do Estado não foi suficiente para abafar que uma versão diferente da desejada fosse a predominante: Rio Centro, Ana Lídia, Mário Eugênio, epidemia de meningite em São Paulo…


O Estado é responsável pela ordem pública. E, no exercício dessa responsabilidade, os meios de comunicação social e os meios de segurança – Polícia Militar,Polícia de Transito, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros – têm um papel insubstituível de colaboração em relação ao Governo.


A Polícia foi, e será sempre uma inesgotável fonte geradora de fatos que devem ser noticia dos pela Imprensa. E a verdade é que polícia e imprensa são atividades secularmente levadas a uma coexistência, infelizmente, nem sempre pacífica. Apesar de ambas as funções – Polícia e Imprensa – estarem ligadas ao interesse comunitário, muitas vezes entram em competição e podem se atritar.


A Polícia tem a missão histórica de contrabalançar as pressões anti-sociais, dominando-as e controlando-as, de maneira a não perturbarem o fluir normal das ações da coletividade. Uma coletividade que ama, que sofre, que luta, que vibra, que protesta, que reivindica, que se expande e que se recolhe conforme a diástole e a sístole do grande organismo que é a vida da Humanidade.


A Imprensa exerce ação essencial na viabilização do moderno regime democrático representativa. Ela tem uma função social de alto significado. O jornal, o rádio e a TV, pela natureza da produção que geram – a notícia, a análise, o comentário e a crítica – têm função vital a desempenhar no fortalecimento de nossas instituições políticas, que desejamos democráticas e estáveis.


No cumprimento dessa humanitária missão, as lições da História são de que, na quase totalidade dos acontecimentos, a Imprensa tem sido a grande aliada da tarefa policial, enfatizando-lhe os feitos, realçando suas conquistas, sua perícia, e, sobretudo, apontando seus erros e seus excessos, que também existem, até porque a Polícia é obra de homens, e não de seres infalíveis.


Jornalistas e Policiais devem ser colaboradores, e não adversários. Assim é que os jornalistas querem e devem ser tratados, em seu relacionamento com os organismos policiais.


Colaboradores, e não adversários. E não pode ser de outra forma, tanto para a tranqüilidade de repórteres e policiais como em benefício da própria coletividade. O direito à informação é uma conquista democrática em benefício do interesse comum.


Colaboradores e não adversários, jornalista e policial devem crescer sob dois signos importantes: a procura incessante da verdade e a transmissão dessa verdade com isenção e sem partidarismo.


O Homem de Imprensa é, a um só tempo, arauto e sentinela da ação policial, buscando retratar e acompanhar uma atividade que muitas vezes transborda de seu próprio leito, em inundações de efeitos quase sempre trágicos.


Colaboradores, e nunca adversários. O Homem de Imprensa é também um dos aliados na luta que a Polícia tem travado contra a marginalidade. Até mesmo aquela marginalidade interna dentro das próprias fileiras, que toda instituição eventualmente enfrenta e tem de superar, para honra e brio de sua própria dignidade.


O Assessor de Imprensa, ou o núcleo de Comunicação Social é uma ponte entre estas duas dignas e importantes atividades: policial e jornalística. Ele também deve ser o colaborador amigo para que ambos cumpram bem sua missão.


A orientação do Governador José Aparecido de Oliveira é clara no sentido de dar a mais ampla divulgação, tanto no que diz respeito ao conteúdo da informação quanto à sua disseminação. E ele tem dado o exemplo. As reuniões e os encontros por mais delicados e mais importantes que sejam, se realizam com a livre participação da Imprensa. Não há como conduzir os negócios do Governo sem o máximo de conhecimento e acompanhamento por parte da comunidade. A democratização da informação combate privilégios e impede os favoritismos. Tudo o que acontece no Governo ou em torno do Governo é de interesse público.


Difícil é compreender a necessidade de sigilos transitórios ou, até mesmo, de sigilos definitivos. A operação do Estado é complexa. Ela se desenvolve sob tantas facetas e interessa de tal maneira à sociedade, que o próprio Estado tem o dever de zelar para que certas decisões não beneficiem uns em detrimento de outros, por um domínio antecipando da informação. Isso é típico na atividade econômico-financeira, quando uma simples antecipação de decisão governamental pode fazer milionários da noite para o dia.


Esta questão de sigilo é, talvez, um dos pontos mais delicados das relações entre Governo e Imprensa. Só o bom senso, e o discernimento,e a honestidade de propósitos podem produzir uma boa convivência nesta área. Sobretudo neste alvorecer de democracia e liberdade, não é fácil demonstrar que certas verdades devem ser guardadas e reveladas posteriormente.


No caso policial, é decisivo: a informação antecipada pode prejudicar os trabalhos de investigação e apuração dos fatos, bem como ofender a moral ou a honra de pessoas inocentes.


Como jornalista, estou convencido de que, para obter a credibilidade junto à opinião pública, para alcançar seu grau de eficiência, os jornais como empresas de prestação de serviços, não devem abdicar de sua independência e isenção. Independência inclusive para investigar. Um jornal que não investiga não conquista ou não mantém o respeito de seu público. Um jornal que silencia diante das evidências não tem autoridade para induzir seu leitor a mudar de atitude e comportamento. Os jornais têm que ser ativos, têm que ter vida.


O empresário deve reinar nesse triângulo: Policial – Assessor de Comunicação Social–Imprensa. Esse equilíbrio se compõe de profissionalismo, isenção e visão democrática da sociedade.


Faltando o equilíbrio, faltará a competência. E, sem competência, não estaríamos à altura de nossas funções no contexto da sociedade brasileira de hoje.


Caros companheiros, Caro Secretário:


Antevejo o sucesso deste Seminário, não só pelo valor dos profissionais de Comunicação aqui presentes, mas, sobretudo, pela disposição que todos temos de acertar e de fazer o melhor pela comunicação do Distrito Federal.


Cumprimento a todos profissionais dos vários segmentos da Secretaria de Segurança, na pessoa de seu dinâmico Secretário José Olavo de Castro, bem como os promotores desse oportuno encontro.


É com o debate e com a troca de idéias que aprimoramos nossa autocrítica. E assim, saberemos ser mais humildes na segurança do dever cumprido.

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Palestra e Discursos

Intenção e Gesto

(Discurso pronunciado por Silvestre Gorgulho
por ocasião da entrega do Prêmio Qualidade Verde
para a Folha do Meio Ambiente, em 29 de setembro de 1998, em Brasília)

Publicado

em

Meus amigos,


O mundo está cheio de intenções.


Aliás, está cheio de boas intenções. Mas o mundo está carente de gestos.


Gostaria de ler para os senhores um editorial da Folha do Meio Ambiente, que tem uma importância histórica: foi escrito há onze anos. Na primeira página da primeira edição do primeiro jornal. E o título era justamente INTENÇÃO E GESTO. Ei-lo:


n O Jardim Botânico do Rio de Janeiro é o detentor da inscrição número 2 nos arquivos do Tombamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ostenta, ainda, a condição de primeiro Jardim Botânico das Américas. E, oportuno lembrar, reúne o mais rico acervo florístico dos trópicos.


n Vizinho da quarta maior rede de comunicação do mundo, ancorado bem no coração da Cidade Maravilhosa, o mais tradicional centro cultural do País, visitado por todas as personalidades mundiais que aportam no Brasil, e, principalmente, guarnecido por um dos mais atuantes e incisivos exércitos de “Verdes” deste hemisfério, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro exibe, com justiça, a aura de um Santuário. A mística do exemplo.


n Pois bem, o exemplo se desmistifica e o Santuário se conspurca. No Jardim Botânico, as majestáticas palmeiras imperiais escondem um câncer: um riacho, que nasce límpido nas matas do Parque Nacional da Tijuca e que, cristalino, adentra os limites do Jardim, ali se polui, indo desaguar poucos metros fora dos seus limites, na Lagoa Rodrigo de Freitas, com sua carga de culpa e frustração. Poluído que está por esgotos da rua Pacheco Leão e por mais de três mil invasores, habitantes de 530 residências que intrusamente se instalaram ao longo dos últimos anos, mercê da negligência do Poder Público e do beneplácito de parte da sociedade e dos políticos, no mínimo equivocados.


n As contradições do Jardim Botânico do Rio são praticamente as mesmas de toda a questão ambiental no Brasil. São as mesmas contradições que afetam os Parques Nacionais, as Estações Ecológicas, as Áreas de Preservação, as Reservas Nacionais. E as lições que elas encerram estão aí para serem debulhadas e aprendidas por todos nós.


n É preciso cessar a prática de dois pesos e duas medidas, que conduz a um imobilismo danoso ao exercício democrático. Não é admissível que a sociedade delegue ao Executivo a missão de zelar pelo patrimônio ecológico e cultural e esta mesma sociedade – através de seu braço político – impeça esta missão em nome de uma filantropia imediatista e eleitoreira, que favorece a bem poucos.


n Num País de dimensões continentais, de fantásticos recursos naturais e humanos, não se pode aceitar que a solução de problemas sociais localizados se dê através da criação e manutenção de uma dificuldade política que contamina a ação do poder público. Perderemos todos.


n Cumpre, pois, a toda a sociedade e às instituições que ela mesmo erigiu e a quem confiou poder específico, resolver estas contradições.


E o texto termina: A vitória está em que se reduza a dura distância entre INTENÇÃO E GESTO.


Pois bem, esta terrível situação impera ainda hoje, com mais invasões e mais poluição no Jardim Botânico do Rio. E quantas situações idênticas à do Jardim Botânico do Rio de Janeiro nós temos por aí? Aqui, mesmo, em Brasília e por este Brasil a fora?


Vejam bem, está aí a Lei contra os Crimes Ambientais conspurcada por interesses vários. Estão aí as queimadas, as biopiratarias, os esgotos que teimam em chegar brutos, sem nenhum tipo de tratamento, ao rios que vão dar de beber as cidades seguintes, numa cascata de sujeira e abandono. Estão aí os interesses pessoais e de indústrias que buscam apenas o lucro.


É hora de estabelecer um convívio permanente, salutar, com a correta e consciente utilização dos recursos naturais. É hora de fazer e de seguir regras claras que considerem e respeitem a disponibilidade e vulnerabilidade da Natureza.


Felizmente, algumas luzes se acendem nesta escuridão: o próprio Prêmio Qualidade Verde criado pela Secretaria de Meio Ambiente do DF, como os trabalhos específicos que são aqui hoje premiados feitos pela SKOL, pela CAESB, pelo SESI e pelo Edgar Hiroshi são luzes. E são gestos. Grandes e eloqüentes gestos. Gestos que falam, que mostram, que despertam e, principalmente, gestos que ensinam uma verdade: ninguém deve deixar de fazer por só poder fazer muito pouco.


Muito grato

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