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Aqüicultura : o milagre na multiplicação dos peixes

É preciso estudar, proteger e criar condições para que os rios e lagos tenham mais peixe

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No mundo inteiro tem muita gente pescando, tem muita gente usando água para irrigação, tem muita gente fazendo barragens para construir hidrelétricas, tem muita gente acabando com as lagoas marginais (que funcionam como berçários naturais e únicas fontes contínuas de recrutamento de peixes para os rios), tem muita gente, em nome do desenvolvimento e do progresso, usando, depredando e poluindo. E, o que é mais grave, tem pouca gente preocupada em estudar, em proteger e em criar condições para que os rios e lagos tenham mais peixes – um dos mais importantes alimentos para o homem.


É tão comum se ouvir dos mais velhos a triste constatação da realidade de rios e lagos brasileiros: “Antigamente, aqui havia tanto peixe. E peixes de 10, 15, 20 quilos. Hoje, eles foram embora.” Eles não foram embora não. Eles, simplesmente, foram impedidos de crescer e de se reproduzirem. Com isto, estão acabando.


A água é igualzinha à terra. Para que o solo seja bom para plantar e para produzir mais, ele precisa ser cuidado e tem que ter suas propriedades físicas, químicas e biológicas resguardadas. Assim também é a água. E olhe que, comparando o solo com a água, aparentemente a água é mais simples que o solo. Só aparentemente, pois a água é um substrato muito mais complicado em todos os aspectos. Por isso, para que nela haja peixes e para que nela os peixes cresçam e se reproduzam, é necessário que a água conserve suas qualidades e condições ideais de vida.


Os dados são da FAO: em 1991 o homem tirou da água cerca de 97 milhões de toneladas de peixes. Deste total, 16.6 milhões de toneladas (cerca de 17,1 %) foram resultados da aqüicultura.


A Folha do Meio Ambiente, nesta edição de agosto e na próxima edição de setembro, faz uma ampla reportagem sobre a reprodução de peixes: o processo artificial (hipofisação) – técnica inventada pelo brasileiro Rodolpho von Ihering, em 1934, e hoje adotada no mundo inteiro – e o processo natural, em que muitas espécies necessitam migrar rio acima até encontrar condições adequadas para reprodução.


Para a edição de setembro, a FMA prepara uma reportagem ampla, denunciando que a pesca predatória, a instalação de indústrias poluidoras, a drenagem e a tapagem dos alagados para ampliação das fronteiras agrícolas, tudo isto está provocando um terrível impacto ambiental, acabando com os rios e seus criadouros naturais. E, no caso do rio São Francisco – onde atuam mais de 63% de todo o contigente de pescadores de Minas Gerais – acontece um sério desequilíbrio do ecossistema, com um resultado terrível: a diminuição da população de peixes e a extinção de várias espécies. Bem, mas tudo isto será para a próxima edição.


A reprodução artificial


O homem gosta de usar e abusar. Ele pode ser instrumento da vida e da morte. O mesmo homem que usa sua inteligência para depredar, também pode usar sua inteligência para criar. O problema é que os primeiros são em muito maior quantidade que os segundos. No caso da reprodução dos peixes foi assim. Depois de muitos só pensarem na pesca predatória, foi um brasileiro, chamado Rodolpho von Iherlng, quem salvou literalmente a lavoura.


A reprodução é a atividade biológica mais vital para a preservação das espécies animal e vegetal. Segundo o engenheiro de pesca da Codevasf, Albert Bartolomeu Sousa Rosa, 41 anos, no caso dos peixes, a reprodução no ambiente natural é determinada pela idade de maturação sexual, condições ambientais, época do ano, local de desova e cuidados da prole exercidos pelos reprodutores e matrizes de muitas espécies.


Nos peixes, como em todos os animais, os fatores determinantes da reprodução estimulam uma glândula, conhecida por hipófise, existente na base do cérebro, que envia mensagens (hormônios) às gônadas (ovários em fêmeas e testículos em machos), para que se preparem e realizem a desova.


Muitas espécies de peixes de água doce de importância econômica necessitam migrar rio acima para realizarem a reprodução, fenômeno este conhecido como piracema. É, justamente, essa viagem rio acima, esse esforço e os fatores ambientais que provocam os estímulos para a reprodução.


A temperatura da água, enxurradas provocadas pela chuva e a ampliação da quantidade de horas de luz por dia (na primavera), induzem a hipófise a intensificar a produção de hormônios para provocar a reprodução de muitas espécies de peixes. A “hipófise” é, portanto, o órgão que comanda todo o processo de reprodução.


Explica o técnico Albert B. Sousa Rosa a necessidade de se promover a reprodução artificial de peixes, está relacionada ao interesse em se realizar seu cultivo comercial, o que exige a produção em alta escala dos alevinos (filhotes de peixes) e, também, com o objetivo de se obter alevinos de espécies que se encontram em vias de extinção, permitindo a realização do povoamento de rios e barragens.


Como as espécies de piracema, ou seja, aquelas que necessitam realizar a migração para a reprodução, não atingem pleno desenvolvimento das gônadas quando se encontram permanentemente em águas paradas (lagoas, tanques, barragens etc.), é preciso que se estimule fêmeas e machos a completarem o estágio de maturação gonadal, para que consigam realizar a desova. Aí, mais uma vez, entra a hipófise, como elemento imprescindível à obtenção da reprodução artificial. Injetando artificialmente a mesma quantidade de hormônio que a hipófise forneceria aos ovários e aos testículos, se estivessem em condições ambientais naturais, então poder-se-á fazer, também, com que os peixes de piracema se reproduzam em águas paradas. Esta técnica, conhecida como “hipofisação”, foi desenvolvida pelo cientista brasileiro Rodolpho Von Ihering.


Os doadores de hipófises


A forma mais comum de se obter o hormônio a ser fornecido aos reprodutores e matrizes para a reprodução artificial, é retirando-o de outros peixes, que funcionam como doadores. Alguns peixes são cultivados com o objetivo principal de fornecerem suas hipófises para a reprodução de outros peixes. Cada peixe possui uma hipófise que, próximo à época de desova, possui certa quantidade de hormônio.


O doador é sacrificado, sua hipófise é retirada e acondicionada em frasco apropriado para utilização em momento adequado. Alguns peixes são sacrificados para produzirem milhões de outros peixes. A carne do peixe sacrificado ou doador pode ser utilizada no consumo humano.


A seleção e a aplicação – Explica o técnico Albert B. Sousa Rosa que a seleção dos peixes para a reprodução leva em consideração aspectos externos bem característicos, como ventre bem abaulado nas fêmeas, à semelhança do que acontece com as mulheres grávidas, enquanto nos machos uma leve pressão em seu abdômen o faz liberar gotas de sêmen de cor esbranquiçada. Os peixes selecionados são transportados para tanques pequenos, que apresentam condições especiais, como água corrente, limpa e temperatura adequada. Normalmente, não se mantêm as fêmeas e os machos num mesmo tanque.


No ambiente natural, a dosagem de hormônio a ser liberada da hipófise para as gônadas é regulada com precisão nos reprodutores e matrizes. Para a desova artificial, é feita uma estimativa da necessidade de hormônio, em função do peso dos reprodutores. As hipófises coletadas de peixes doadores são então utilizadas, com aplicação através de seringas na cavidade abdominal do peixe receptor (ver figura n.º 2). O efeito da aplicação costuma levar algumas horas, dependendo da espécie e da temperatura da água onde se encontram os peixes. Empiricamente, conseguiu-se determinar, aproximadamente, o tempo necessário para ocorrer a desova em cada em cada espécie de peixe, após a aplicação do hormônio.


Na natureza a fecundação do ovo ocorre, na maioria das espécies de peixes, no meio onde se encontram (rio, lagoa, bagagem etc.). Fêmeas e machos, nadando lado a lado, lançam seus produtos gonadais (óvulos e espermatozóides, respectivamente) na água e aí ocorre a fecundação. Na reprodução artificial, costuma-se coletar os óvulos em uma bacia plástica de pequeno tamanho, sem água (ver figura n.º 3). Os espermatozóides são coletados em tubos de ensaios (ver figura n.º 4) para depois serem derramados para a fecundação. Com uma delicada pena de ave, vai se fazendo a mistura, de forma que o sêmem atinja todos os óvulos. Alguns instantes depois se adiciona água, permitindo uma maior homogeneização dos produtos gonadais e a hidratação dos óvulos. Qual a vantagem da fecundação artificial sobre a natural? É simples: a fecundação natural ocorre num ambiente muito mais amplo, na presença de vários predadores, diminuindo a sobrevivência dos ovos e lavas.


A incubação é feita em recipientes apropriados com água corrente, onde, após alguns dias, ocorre a eclosão das lavas (nascimento dos peixinhos). Costuma-se manter as larvas por mais alguns dias na incubadora, até que elas consumam a reserva nutritiva (gema), que elas já possuem ao nascer. Após esta fase, as pós-larvas são levadas para tanques preparados, onde há abundância de a1imentos.


Estima-se que, na natureza, apenas 1% dos ovos liberados pelas fêmeas conseguem atingir a condição de peixes jovens. Algumas espécies chegam a produzir mais de 2 milhões de ovos /fêmea/ano. A capacidade de multiplicação dos peixes é infinitamente maior comparada aos bovinos, suínos e aves, especialmente em cativeiro.


A importância da aqüicultura


No Brasil, apesar dos 8.400 quilômetros de costa e de extensas bacias hidrográficas (só a Amazônia detém 18% da água doce do planeta), o consumo anual de pescado é de apenas 5,8 kg percapita, contra 16 kg no Canadá e 65 kg no Japão. Enquanto em Manaus o consumo de pescado atinge o expressivo número de 50 kg/habitante/ano, há regiões no interior do país onde o consumo percapita está abaixo de 1 kg/ano. O hábito alimentar está diretamente relacionado à oferta do produto.


A exceção de Manaus e de outras cidades localizadas às margens de rios piscosos, o consumo de pescado no litoral brasileiro é cerca de 10 vezes superior ao registrado no interior do país, exatamente onde a oferta de pescado é mais baixa. O oceanógrafo francês Jacques Yves Cousteau afirmou na Conferência das Organizações das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, a Eco-92, que “os oceanos estão exauridos”. A pesca predatória está reduzindo drasticamente os estoques pesqueiros de ambientes naturais, sejam eles mares ou rios. As frotas pesqueiras dotadas de sofisticados equipamentos para detecção de cardumes facilitam a pesca, porém, torna as populações de peixes cada vez mais vulneráveis. Exemplifica Albert B. Sousa Rosa: a produção nacional de sardinha, um alimento consumido em grande escala pelas classes de menor poder aquisitivo da população brasileira, atingiu mais de 200 mil toneladas/ano em meados da década de 70. Atualmente, a produção dessa espécie se encontra abaixo de 60 mil toneladas/ano, ou seja, uma redução de 70%, enquanto a população brasileira cresceu cerca de 65%.


Segundo a ONU, por volta do ano 2000 será necessário produzir cerca de 120 milhões de toneladas de pescado por ano, um acréscimo de 30 milhões do que é produzido atualmente. Os técnicos garantem que a única forma de fazer frente a esse desafio é através da aqüicultura, que trata da criação racional de animais e vegetais aquáticos. A produção de pescado oriundo da aqüicultura já representa cerca de 17,1 % do total da produção mundial, sendo que a participação do Brasil é inferior a 0,03%.
O fato é que, em todo o mundo, multiplicam-se as “fazendas” de criação de peixes (piscicultura), camarões (carcinicultura), moluscos (ostreicultura e mitilicultura) e algas (algicultura).


Concluindo, Albert B. Sousa Rosa explica que o processo de reprodução artificial de peixes foi e será cada vez mais imprescindível para o aumento das áreas de cultivo, uma vez que o mundo precisa produzir mais proteínas e os peixes participam com mais da metade da produção de produtos oriundos da aqüicultura.


Entraves para o desenvolvimento da aqüicultura no Brasil


· Pouca tradição no cultivo de animais e vegetais aquáticos no país;
· Deficiência de geração e transferência de tecnologias para diferentes espécies de peixes, regiões e clientelas;
· Insuficiência de insumos básicos (alevinos, pós-larvas, ração apropriada etc.), em quase todas as regiões do país;
· Falta de conhecimento dos mercados regionais para os produtos gerados pela aqüicultura, o que vem dificultando a comercialização dos produtos;
· A reduzida área de produção em cativeiro de pescado não tem estimulado o desenvolvimento de uma indústria vo1tada para a aqüicultura;
· Escassez de linhas de financiamento para o setor;
· Insuficiente assistência técnica qualificada;
· Falta de vontade política para o desenvolvimento do setor.

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Monumentos de Brasília estão entre as melhores fotos turísticas do mundo

Décima edição do concurso internacional da enciclopédia online Wikipedia selecionou pontos da cidade para concorrer ao prêmio de melhor click

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O Museu Histórico de Brasília está entre as imagens do fotógrafo brasiliense  classificadas para a final do concurso da Wikipedia | Fotos: Francisco Saldanha

 

AGÊNCIA BRASÍLIA* | EDIÇÃO: SAULO MORENO

A enciclopédia online Wikipédia vai anunciar, em fevereiro, a fotografia de monumento mais representativa do mundo postada na internet. Entre as dez finalistas, Brasília concorre com quatro trabalhos do fotógrafo Francisco Willian Saldanha: Museu Histórico, Memorial JK, Santuário Dom Bosco e Catedral Metropolitana.

As fotos foram escolhidas para a etapa brasileira do Wiki Loves Monuments 2021 entre 928 trabalhos inscritos, sendo 596 pela primeira vez. A décima edição do concurso contou com a participação de 113 fotógrafos, 72 deles novatos na competição.

“Nossa capital é diferente de tudo que já se viu. Somos uma cidade única, a oitava mais instagramável do mundo entre os patrimônios tombados pela Unesco, somos a terceira capital brasileira preferida como destino interno, estamos entre os dez melhores lugares para se visitar no verão, por compra de pacotes turísticos. Tudo isso é reflexo de nossas entregas, de um trabalho diuturno que só um governo de ação, como o nosso, é capaz de conseguir”Vanessa Mendonça, secretária de Turismo

O vencedor da etapa Brasil foi um fotógrafo lituano que mora no Rio de Janeiro. Donatas Dabravolskas registrou a estátua do escritor Carlos Drummond de Andrade, localizada em Copacabana, e outros dois trabalhos dele também foram selecionados entre os 10 melhores. Já o brasiliense Francisco Willian Saldanha, que em anos anteriores emplacou duas fotos entre os melhores registros de monumentos do mundo no concurso, garantiu quatro trabalhos entre os dez melhores do Brasil este ano e garantiu a segunda colocação nacional com a fotografia do Museu Histórico de Brasília.

 

 

Vitrais do Santuário Dom Bosco chamaram a atenção do júri, em 2019, com a nona colocação mundial. Este ano, estão em oitavo e voltam a disputar a final

 

 

“Eu gosto de mostrar a grandiosidade da beleza de Brasília, acho linda a leveza do concreto nos monumentos, o Museu da História retrata muito bem esse trabalho incrível de Niemeyer colocando blocos suspensos. Fico feliz em poder mostrar para o mundo, por meio da fotografia, a nossa capital. O meu objetivo é esse, levar Brasília para o mundo e trazer visitantes para cá”, afirma Francisco Willian Saldanha.

A secretária de Turismo do Distrito Federal comemorou a nova conquista para a cidade: “Nossa capital é diferente de tudo que já se viu. Somos uma cidade única, a oitava mais instagramável do mundo entre os patrimônios tombados pela Unesco, somos a terceira capital brasileira preferida como destino interno, estamos entre os dez melhores lugares para se visitar no verão, por compra de pacotes turísticos. Tudo isso é reflexo de nossas entregas, de um trabalho diuturno que só um governo de ação, como o nosso, é capaz de conseguir”, celebrou Vanessa Mendonça.

 

Na sétima colocação ficou a foto do Memorial JK, construído para homenagear o 21º presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira

 

 

O Wiki Loves Monuments é realizado desde 2015 no Brasil, e este ano com uma categoria dedicada exclusivamente à Bahia. Desde o início do concurso, o número de registros na Wikidata, uma base de dados livres que gera listas de monumentos, aumentou de 1,5 mil para mais de 10 mil, com representantes de todas as regiões do país. Segundo Éder Porto, um dos organizadores da seleção, a ideia é estimular a captura de imagens de monumentos “fora da rota” e sujeitos ao vandalismo, à negligência e ao abandono do Estado. “Esse registro pode ser o último”, diz ele.

Quatro das dez fotos de monumentos selecionadas como as melhores do Brasil retratam Brasília. Todas são de autoria de Francisco William Saldanha. Em 2020, Saldanha ficou com a nona colocação mundial com uma foto dos vitrais azuis do Santuário Dom Bosco, igreja projetada pelo arquiteto Carlos Alberto Naves em homenagem ao padroeiro de Brasília. Ele também foi o vencedor da etapa brasileira. E em 2019, quando obteve o 13º lugar global com uma foto da escultura Os Guerreiros, de Bruno Giorgi, mais conhecida como Os Candangos. A escultura foi criada em 1959 e fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

A imagem do Museu Histórico de Brasília, também conhecido como Museu da Cidade, ficou com a 2ª colocação. O museu foi projetado por Oscar Niemeyer e integra o Conjunto Cultural Três Poderes. Ele tem por objetivo preservar os trabalhos relativos à história da construção de Brasília. É o mais antigo da capital, inaugurado no dia 21 de abril de 1960 – no dia da inauguração da cidade, evento que marcou a transferência oficial da capital do Rio de Janeiro para Brasília. Lá está uma exposição permanente com inscrições históricas, transcritas em braille e inglês.

Na sétima colocação ficou a foto do Memorial JK, que é um museu, mausoléu e centro cultural construído para homenagear o 21º presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira. O Santuário Dom Bosco foi mais uma vez retratado pelo fotógrafo e ficou com a oitava colocação, agora mostrando um novo ângulo dos vitrais. E em nono lugar ficou a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como Catedral de Brasília. O monumento concebido por Oscar Niemeyer venceu em 1988 o Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura.


*Com informações da Secretaria de Turismo do DF

 

 

 

 

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Mais R$ 1,5 milhão investidos em sistemas de esgoto

Programa da Emater, que garante mais segurança à produção de alimentos, já beneficiou 1,3 mil agricultores e moradores de áreas rurais desde 2020

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Para levar saneamento básico às comunidades do campo do Distrito Federal, a Emater criou o Programa de Saneamento Rural. Entre 2020 e 2021, foi investido R$ 1,57 milhão na implantação de 284 sistemas individuais de tratamento de esgoto do tipo fossa ecológica ou biodigestor instalados em propriedades, que ampliou o acesso de produtores e moradores de áreas rurais ao saneamento básico.

Para este ano, a previsão é que outros 200 sistemas sejam instalados, mais um investimento de R$ 1,5 milhão.

O programa surgiu da necessidade de melhoria da qualidade sanitária dos alimentos produzidos, bem como para garantir a proteção ambiental e a promoção da saúde.

Pelo projeto, a instalação dos sistemas de tratamento é feita em propriedades de agricultores de baixa renda, fornecedores dos programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e de aquisição da Produção da Agricultura (Papa-DF) e agricultores que estão em processo de certificação no Programa de Boas Práticas Agropecuárias.

Mais de 1,3 mil agricultores e moradores do campo foram beneficiados pelo programa nos últimos dois anos

De acordo com a presidente da Emater, Denise Fonseca, o alcance dos benefícios que a instalação dos sistemas traz não se limita à propriedade rural. “Nos últimos dois anos foram mais de 1,3 mil agricultores e moradores do campo beneficiados. Fora o atendimento indireto da população do Distrito Federal, que são os consumidores dos alimentos produzidos. Tudo que a gente faz no campo também beneficia a cidade”, destaca.

Para a coordenadora do programa, Ana Paula Rosado, o projeto dá condições dignas aos moradores do campo, garantindo sustentabilidade e alimentos saudáveis. “O esgoto liberado diretamente no meio ambiente pode contaminar o solo, a água e os alimentos produzidos, sendo prejudicial à saúde dos moradores do campo e da população de maneira geral. Muitos produtores não têm condição financeira para essa implantação”, explica.

Até o momento, os sistemas instalados em 2020 e 2021 contaram com o recurso de emendas parlamentares dos deputados Leandro Grass e Reginaldo Sardinha. Em 2022, pelo menos 200 instalações serão feitas por meio de recursos destinados também por Leandro Grass e pelo deputado Jorge Vianna. Segundo o extensionista Antônio Dantas, executor do contrato pela Emater, caso haja recurso, a expectativa é que o número de sistemas de tratamento de esgoto instalados possa chegar a 350.

Histórico

Iniciado ainda em 2017, o trabalho partiu de uma parceria com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri). A pasta doava os equipamentos, a Emater ajudava na seleção das famílias e os produtores e moradores arcavam com os custos de instalação. Nos dois primeiros anos, chegaram a ser instalados 105 kits nesta modalidade.

412sistemas de saneamento foram instalados desde 2017 no projeto de parceria com a Seagri

Em 2020, a Emater retomou o projeto, que passou por remodelação com a entrega do kit completo e já instalado. Os custos de mão de obra, muitas vezes, dificultavam e até inviabilizavam sua instalação. Nesta nova modalidade, foram colocados 165 kits em 2020 e outros 119 em 2021. “Calculamos que, incluindo material e instalação, cada kit sairia em torno de R$ 7 mil. E há propriedades que necessitam de mais de um, pois cada kit atende uma casa com até cinco pessoas”, enumera Ana Rosado.

Se somados, os kits de tratamento instalados desde 2017, no projeto de parceria com a Seagri, aos que foram colocados até dezembro de 2021, 412 sistemas de saneamento foram instalados graças às iniciativas da Seagri e da Emater.

Como funciona

As fossas ecológicas que estão sendo instaladas no meio rural pela Emater fazem um tipo de tratamento dos dejetos da cozinha e do banheiro. A água suja passa por mais de um processo de filtragem e chega ao final com pelo menos 80% do resíduo tratado. Em alguns modelos, a eficácia do tratamento chega a 95%. O restante, o próprio meio ambiente consegue absorver sem risco de contaminação.

Um dos beneficiados pelo Programa de Saneamento Rural da Emater, o trabalhador rural Ênio Tomas de Aquino, de 62 anos, comemora a instalação. Ele estava preocupado com a água que, em Vargem Bonita, é muito rasa, o que a deixa vulnerável a contaminações. “Vai melhorar nossa saúde e também do meio ambiente, porque nosso planeta está precisando que a gente cuide dele”, afirma.

Critérios para programa

Como a Emater atua de maneira supletiva atendendo as propriedades rurais que necessitam, é feita uma seleção prévia das famílias. Cada escritório analisa individualmente os casos antes de definir quais terão os equipamentos instalados.

Entre os critérios, estão enquadrar-se como família de baixa renda e comercializar alimentos em programas de compra institucional. Também são levados em conta os produtos cultivados. Hortaliças, por exemplo, são mais suscetíveis à contaminação do solo, por isso acabam sendo priorizadas.

*Com informações da Emater

 

 

 

 

 

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Governo Federal finalizou mais de 60 obras para segurança hídrica e investiu R$ 1,1 bilhão em 2021

Jornada das Águas, conclusão da última etapa do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco e do Ramal do Agreste, além da proposição de um novo Marco Hídrico para o setor, estão entre as grandes realizações da área no ano passado

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SEGURANÇA HÍDRICA

 

Governo Federal finalizou mais de 60 obras para segurança hídrica e investiu R$ 1,1 bilhão em 2021

Esses recursos vão possibilitar o início, a retomada ou a realização de estudos e projetos de 17 obras hídricas, de irrigação e de saneamento na região do Semiárido, além de garantir a continuidade de empreendimentos em execução – Foto: MDR

 

 

Garantir a segurança hídrica para a população que convive com a seca tem sido uma das prioridades do Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Por isso, durante todo o ano de 2021, a Pasta não deixou faltar recursos para a área e investiu mais de R$ 1,1 bilhão para obras e projetos no setor.

Os investimentos garantiram a conclusão de 61 obras e projetos que vão ampliar a oferta de água e beneficiar cerca de 14,5 milhões de pessoas, principalmente no Nordeste. Desse total, 50 estão situados na região.

Nesse contexto, o Governo Federal inaugurou o último trecho do canal do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, concluindo as últimas obras físicas necessárias para garantir o caminho das águas dos dois Eixos (Leste e Norte). A conclusão era aguardada pela população há 13 anos. Outro grande empreendimento hídrico concluído em 2021 foi o Trecho IV do Canal do Sertão Alagoano.

Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional iniciou a construção do Ramal do Apodi (RN) e iniciou a elaboração de projetos e estudos, tais como Projeto Seridó, Canal do Sertão Baiano, Canal do Xingó, Ramal do Salgado, Adutora do Agreste Potiguar, transposição de bacias no Piauí e Maranhão.

 

 

 

 

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