Gente do Meio

Carlos Albuquerque – Rimando arte com natureza

Silvestre Gorgulho

Quando Joãosinho Trinta botou, este ano, seu bloco na rua – a Escola de Samba Unidos de Viradouro, do Rio de Janeiro – parte das águas termais de Caldas Novas, em Goiás, serviram de inspiração para que o premiadíssimo carnavalesco fosse destaque na passarela. De passagem pela cidade goiana, Joãosinho acudiu-se de um alegre engenheiro agrônomo, sem passagem por qualquer passarela carnavalesca, que o assessorou na composição do tema “Riquezas Naturais de Goiás”.

Na verdade, no carnaval ele gosta mesmo é de botar seu bloco no mato, ou seja, levar pessoas a se embrenharem nas matas da serra de Caldas, para um passeio pela região responsável pelo nascedouro das mais quentes e medicinais águas termais do Brasil.

O personagem de nossa história, nesta edição, já trabalhou para a iniciativa privada, mas foi no serviço publico – Embrapa e Embrater – que ele desenvolveu seus mais importantes projetos. Um deles, Hortas Escolares, rendeu o prêmio concedido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em 1986.

Outra experiência de destaque em que nosso homenageado se envolveu foi o Projeto Ver – Vídeo na Extensão Rural cujo maior feito foi introduzir o vídeo na formação de extensionistas e agricultores.

Há seis anos seus feitos ultrapassaram as fronteiras do Brasil. Em Moçambique todo o seu know how subsidiou diferentes eventos internacionais, rendendo-lhe menções honrosas em quase todos eles.

De volta ao Brasil, aquetou sua matula às margens do rio de Caldas, implantando na região seu mais cobiçado projeto: Educação Ambiental nas Escolas de Caldas Novas.

Entre a ONG e a Academia
Diferente do que possa parecer, o cotidiano deste personagem de longe distancia-se dos modorrentos dias de Caldas Novas. Há dois anos ele juntou um grupo de amigos, alguns ex-alunos e um número de parentes que completasse as exigências legais para constituir uma organização não governamental. Surgia, nos primeiros meses do ano, o Teca – Templo da Ecologia e das Artes, entidade que veio preencher o vazio existente numa cidade turística como Caldas Novas em que o dinheiro do turista importa muito. Mais até‚ que a vida de seus habitantes.

A ONG nasceu com o objetivo de promover os artistas locais, difundir o turismo ecológico, valorizar a história e a cultura da cidade e colaborar com o desenvolvimento mental das pessoas. Teca é um misto de espaço cultural – em que artistas locais expõem seus trabalhos – com grupo de autoconhecimento.

Nas atividades de ecoturismo que a entidade desenvolve, sempre ciceroneadas por este personagem, impressiona a todos a fluência dos detalhes com que são brindados os ecoturistas, sem que ele esqueça pequeninas informações como biodiversidade do cerrado, composição do solo, desequilíbrio ecológico, técnicas de respiração e teoria do cérebro triádico ou teoria Cibernética Social.

Recentemente, a Editora Kelps publicou Caldas Novas – Além das águas quentes, apaixonado relato de quem debruçou-se sobre um dos mais inquietantes temas: o ecoturismo numa cidade em que o turismo desenfreado, quase predatório, vem comprometendo a qualidade de vida dos moradores da cidade.

Um dos maiores orgulho do personagem são duas coincidências de sua vida com Jorge Amado: a primeira é que como o escritor baiano ele é acadêmico, ocupando uma cadeira na Academia de Letras e Artes de Caldas Novas, a outra é que como o autor de Tiêta ele deve ao doutor João Nassarala a recuperação da vista. Ambos, Jorge Amado e ele, foram operados no Instituto de Olhos de Goiânia, Goiás.

Seu grande sonho é ver implantado em Caldas Novas um projeto de turismo ecológico associado às atividades agropecuárias, culturais, artísticas e de educação ambiental. Pelo menos sua parte ele já fez: projetos nesse sentido foram apresentados a vereadores e a prefeitos da região, deputados e governo estaduais, além do Ministério de Agricultura, Emater e Sebrae, mas, como bom mineiro Carlos Albuquerque, sabe esperar. Tanto quanto for necessário.

Carlos Albuquerque, abnegado ecologista, exímio escritor e dedicado artista além de uma figura humana extremamente carismática recebe dos que fazemos a Folha do Meio Ambiente as homenagens como gente do meio.

 

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Liderança Sustentável na Era Digital: Perfis Inspiradores de Cristal Muniz, Marcela Rodrigues e Fe Cortez

Explorando as Jornadas Pessoais e Impactos Globais das Maiores Influenciadoras de Sustentabilidade Online

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Nos dias atuais, em que a conscientização ambiental se tornou uma prioridade para a humanidade, a presença de influenciadores desempenha um papel crucial na disseminação de práticas e estilos de vida sustentáveis. Entre esses líderes de opinião, três figuras se destacam de maneira excepcional por seu compromisso inabalável com a sustentabilidade: Cristal Muniz, Marcela Rodrigues e Fe Cortez. Em uma entrevista exclusiva concedida à revista Quem, no âmbito do projeto “Um Só Planeta”, essas influenciadoras compartilharam suas histórias pessoais e revelaram como se interessaram pelo tema e o aplicam em seu dia a dia.

Cristal Muniz: A Defensora Apaixonada da Vida Verde

Cristal Muniz, uma defensora apaixonada da vida verde e fundadora do movimento “Vida Sustentável para Todos”, revelou à Quem como sua infância no interior a despertou para a importância da preservação ambiental. “Crescer em um ambiente rural me ensinou a valorizar os recursos naturais e a entender a interdependência entre o homem e a natureza”, compartilhou Cristal. Sua jornada para se tornar uma influenciadora de sustentabilidade começou com pequenos passos em direção a uma vida mais ecoconsciente. Por meio de suas plataformas de mídia social, ela inspira milhões de seguidores a adotar práticas diárias que promovam um estilo de vida sustentável, desde o consumo consciente até a reciclagem e o apoio a iniciativas locais de preservação ambiental.

Marcela Rodrigues: A Visionária das Cidades Verdes do Futuro

Marcela Rodrigues, uma visionária no campo da urbanização sustentável e cofundadora da ONG “Cidades Verdes do Futuro”, revelou em sua entrevista como sua formação em arquitetura a impulsionou a explorar soluções criativas para tornar as cidades mais amigas do meio ambiente. “A arquitetura oferece uma oportunidade ímpar de repensar a maneira como construímos nossas comunidades, considerando os impactos ambientais a longo prazo”, compartilhou Marcela. Sua missão é promover a criação de espaços urbanos que sejam ecologicamente responsáveis, energeticamente eficientes e socialmente inclusivos. Por meio de campanhas educacionais e projetos de reurbanização, ela espera catalisar uma mudança positiva nas cidades do mundo todo, abrindo caminho para um futuro mais sustentável.

Fe Cortez: A Defensora Incansável da Moda Ética e Sustentável

Fe Cortez, uma defensora incansável da moda ética e sustentável e criadora da plataforma “Moda Consciente”, revelou como sua paixão pela moda a levou a questionar as práticas insustentáveis da indústria. “A moda tem um impacto enorme no meio ambiente e nas comunidades produtoras em todo o mundo. Precisamos repensar radicalmente a maneira como consumimos e produzimos roupas”, afirmou Fe. Ela usa sua plataforma online para educar os consumidores sobre as práticas de produção sustentável e promover marcas que priorizam a transparência e a ética em toda a cadeia de suprimentos. Seu objetivo é criar uma consciência coletiva em torno da importância de optar por opções de moda responsáveis, que não comprometam o bem-estar humano e ambiental.

Essas três influenciadoras exemplares, Cristal Muniz, Marcela Rodrigues e Fe Cortez, estão moldando o cenário da sustentabilidade digital e inspirando uma nova geração de defensores do meio ambiente. Seus esforços coletivos são um lembrete poderoso de que a preservação do nosso planeta é responsabilidade de todos, e cada ação individual pode contribuir para um futuro mais sustentável e próspero para as gerações vindouras.

 

 

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ADEUS, ORLANDO BRITO

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O céu de Brasília amanheceu lindo, azul e com muita luz.
Mas nossos corações acordaram tristes, meio sem rumo e repassando um filme de saudades ao relembrar a figura serena, solidária, tranquila, genial e amiga de Orlando Brito.
Que você vá em paz, amigo Britinho.
Seu legado, sua história e seu rico acervo fotográfico e editorial sobre a História recente do Brasil e de Brasília está eternizado.
Nossa mesa dos almoços das sextas-feiras, que já teve um vazio imenso com a despedida do arquiteto Carlos Magalhães da Silveira, em junho do ano passado, agora sofre um outro esvaziamento pela passagem de Orlando Brito.
Num espaço de semana, o fotojornalismo brasileiro fica mais pobre, meio sem graça e nossos olhares reclamam as imagens fantásticas que brotavam das lentes Orlando Brito e Dida Sampaio.
Muito triste!
Orlando deixou livros, causos e histórias. Seu mais recente livro é CORPO E ALMA. Deixou ainda: PERFIL DO PODER (1982), SENHORAS E SENHORES (1992), PODER, GLÓRIA E SOLIDÃO (2002) e ILUMINADA CAPITAL (2003).
Adeus, Orlando Brito. Siga em paz!
FOTO:
Da direita para a esquerda:
Orlando Brito, Paulo Castelo Branco, Silvestre Gorgulho, Lucas Antunes, Cláudio Gontijo, Carlos Magalhães da Silveira, Denise Rothemburg, Reginaldo Oscar de Castro e Austen Branco. Fora da foto, porque chegou mais tarde, a secretária Helvia Paranaguá.
Pode ser uma imagem de 6 pessoas, pessoas sentadas e ao ar livre
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O LEGADO DE ELISEU ALVES

COMPLETA 91 ANOS EM 2022

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Eliseu Roberto de Andrade Alves, que nesta segunda-feira, 27 de dezembro, completa 91 anos, é daqueles brasileiros que tem uma obra muito mais conhecida do que a si próprio.
Sua obra mais conhecida é ter participado da criação da EMBRAPA, onde realizou o sonho de qualquer instituição de pesquisa: mandar para as melhores universidades do mundo 2.500 jovens agrônomos, economistas rurais e veterinários recém formados aqui no Brasil e trazê-los de volta com títulos de Mestrado e P.h.D.
Mas Eliseu Alves deixa outros legados: ele criou o conceito do distrito de irrigação, pelo qual os projetos públicos passaram a ser administrados pelos irrigantes. Como presidente da Codevasf (Governo José Sarney) concebeu e implantou o programa de produção e exportação de frutas em Petrolina/Juazeiro e negociou empréstimos no exterior que permitiram uma expansão de mais de um milhão de hectares de área irrigada.
FRASES DO ELISEU ALVES
– “A Ciência liberta o homem da ignorância, da pobreza, da doença e da dor”.
– “Cercear o progresso do conhecimento é um erro lamentável, além de pouco prático: sempre haverá algum país onde a liberdade do cientista é respeitada, e esse país vai pular à frente dos demais na produção de riqueza e do bem estar de seu povo”.
– “O país que não investe em Ciência, condena seu povo a sobreviver com o suor de seu rosto. A Ciência democratiza e a tecnologia liberta”.
– “A Revolução Verde brasileira na década de setenta sustenta hoje o crescimento econômico do Brasil e coloca o País na rota dos grandes exportadores mundiais de grãos”.
– “Fazer ciência é apenas mais uma maneira de exercitar a fé. Nunca vi na ciência qualquer possibilidade de negação da fé. Entendo que investigar os fenômenos físicos e sociais nada mais é que conhecer e revelar os mistérios do fazer de Deus”.
Dr ELISEU ALVES, seus 91 anos devem ser celebrados com alegria, orgulho e como uma benção para o Brasil.
Abraço,
Silvestre Gorgulho
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