Reportagens

Expedição às nascentes do rio Parnaíba

Está comprovado: problemas em toda a bacia, embora escassamente povoada, sofreu a colonização pela corrida do boi e pela corrida da soja. Nem o Parque Nacional das Nascentes, criado por FHC, saiu do papel

Publicado

em

Silvestre Gorgulho,
de Brasília – Expedições cumprem um ritual
de vida. Nunca morrem, diz Geraldo Gentil
Vieira, um apaixonado pelas questões
ambientais e que vem se dedicando em pesquisa
sobre recursos naturais e expedições.
Além da Expedição Américo
Vespúcio, foi o único técnico
do governo federal a participar da expedição
Parnaíba Vivo, que percorreu o mais
importante rio piauiense das nascentes até
o famoso delta, no Atlântico. Nós
da Folha do Meio Ambiente embarcamos em muitas
expedições nos 16 anos de vida
o jornal. Relatos destas expedições
não são feitos para ficar engavetados.
São sempre propostas vivas, inteligentes
com diagnósticos precisos de lugares
inusitados. Pelas páginas deste jornal
passaram muitas expedições ambientais
e científicas. Foram expedições
sobre o Jalapão em Tocantins, sobre
o Pantanal Matogrossense, sobre o rio Araguaia
e a Ilha do Bananal e sobre a nascente e foz
do rio Amazonas, de Roberto e Paula Saldanha.
Foram as expedições do engenheiro
Henrique Halfeld, sobre o rio São Francisco,
e do francês Emmanuel Liais, sobre o
rio das Velhas, ambas encomendadas por Pedro
II. Também foram as expedições
Américo Vespúcio, organizada
pelo próprio Geraldo Gentil, a expedição
pelo Deserto Vermelho de Gillbués (Piauí)
e a “Viagem poética ao sertão
roseano”, quando Cuia Guimarães
e Marcus Vinicius Andrade saíram à
vã pelo sertão de Minas Gerais,
redescobrindo paisagens e personagens do Parque
Grande Sertão Veredas. A estas expedições
citadas aqui e a tantas outras não
citadas por falta de espaço, soma-se
a aventura de quinze expedicionários
descendo de ponta a ponta o rio Parnaíba,
o Velho Monge.

Folha do Meio – Você
participou da exploração de
dois rios importantes: o rio São Francisco
e o rio Parnaíba. Foram os rios que
passaram em sua vida?
Geraldo Gentil –
É, eles não
só passaram como entraram na minha
vida. E eu na deles. A verdade é que
ainda me sinto como uma gota d’água
no rio, pelo muito a ser feito. Mas gratificante,
mesmo, foi ter participado, nos albores do
século 21, de duas grandes expedições:
“Parnaíba Vivo”, em abril
e maio de 2001, e “Américo Vespúcio”,
em novembro e dezembro de 2001, no rio São
Francisco. Ambas as expedições
foram inéditas, pois navegamos de ponta
a ponta os dois maiores rios que banham a
região Nordeste. Expedições
nunca morrem. Cada vez que navegamos um rio
sua história é recontada, já
dizia o grego Heráclito: “Não
atravessamos um rio duas vezes, porque tanto
eu como o rio já não somos os
mesmos”.


Quem é Geraldo Gentil Vieira(foto)
Engenheiro agrônomo, Geraldo Gentil
é bem conhecido de nossos leitores.
Observador atento e técnico respeitado,
Gentil Vieira está sempre escrevendo
para o jornal explicando detalhes, comentando
reportagens e sugerindo temas de interesse
coletivo.
Gentil formou-se em agronomia pela Universidade
Federal de Lavras (1975) e se especializou
em Irrigação e Solos pelo
Instituto Interamericano de Ciências
Agrícolas-IICA/FAO/Codevasf e
Solos/Recuperação de Desertos
pelo The Egyptian International Centre
for Agriculture-EICA, Cairo, Egito.
Nasceu em Iguatama-MG, uma das 10 cidades
das cabeceiras do rio São Francisco,
e foi o idealizador e coordenador técnico
da Expedição Américo
Vespúcio, que percorreu o Velho
Chico da nascente ao Atlântico.
Foi esta expedição que
selou a verdadeira nascente do rio São
Francisco, no Planalto do Araxá,
em Medeiros-MG. (Folha do Meio Ambiente,
edição 146/ abril/ 2004
e edição 147/maio/2004).

Geraldo Gentil foi o único técnico
do governo federal a participar da expedição
Parnaíba Vivo, que percorreu
o mais importante rio piauiense das
nascentes até o famoso delta,
no Atlântico.
Email:
geraldogentil@hotmail.com

FMA – Qual foi sua motivação
para organizar a expedição de
exploração ao Parnaíba?
GG –
Não, não fui eu
o idealizador. Participei como convidado e
observador (e muito aprendi com eles) pela
Codevasf. Os organizadores foram o juiz Marlon
Reis, a advogada Rosane Ibiapino e o Centro
de Defesa das Nascentes do Parnaíba
[CDPar]. Foi uma oportunidade única
para conhecer o rio e suas cidades ribeirinhas,
sua gente, sua vida, seu folclore, sua economia,
junto a uma equipe de alto nível, tanto
técnico quanto representativo das comunidades
que espontaneamente embarcavam e desembarcavam
no porto seguinte. Sem deixar de lado o real,
vejo as expedições também
pelo lado do imaginário. Só
assim vale a pena embrenhar-se rio a dentro…

FMA – Vamos à
expedição. Quanto tempo durou,
como foi a travessia da barragem de Boa Esperança
e que descobertas foram realizadas?
GG –
Foram 22 dias de descida, desde
Alto Parnaíba, no Maranhão,
Santa Filomena, no Piauí, até
Parnaíba e Luiz Correia, além
de Araiozes e ilha de Santa Isabel, no delta.
Um delta que é um éden de canais,
igarapés, ilhas, mangues e dunas. Navegávamos
das sete da manhã até pelas
seis da tarde. Os pernoites eram no barco
ou em hotéis das cidades ribeirinhas.
Passei até por Nova Iorque. Quem estava
a bordo era o jornalista Francisco José,
da TV Globo. Aliás, ele até
gravou um Globo Repórter da Nova Iorque
piauiense, comparando o maior edifício
da cidade, uma padaria de dois pisos, com
o Empire State Building e as Torres Gêmeas,
que daí a quatro meses desabaram. Também
enviei um postal para minha filha Luana com
o carimbo de NY…

FMA – E a viagem?
GG –
Olha, navegando o lago de Boa
Esperança de Uruçuí a
Porto Alegre, e daí a Nova Iorque e
Guadalupe, cruzamos a grande barragem num
arriscado traslado do barco PIPES Navegação.
O barco era de um verdadeiro herói
brasileiro, anônimo, chamado Pedro Iran
Pereira Espírito Santo. Tinha 15 toneladas
e chegou para navegar numa carreta Scania.
Aqui descobrimos uma eclusa inacabada, cheia
de mato, barrando a navegação.
Se o rio Parnaíba tem enorme potencial
hidroviário, a conclusão desta
obra pela Chesf poderia alavancar o também
enorme potencial de turismo fluvial e ecológico
em toda a sua extensão, gerador de
emprego e renda.
São descobertas como estas, somadas
à beleza cênica da paisagem,
que mantinham os expedicionários alertas,
boquiabertos e perplexos. Todos de prancheta,
GPS e máquinas de filmar em punho.
A propósito, tenho já pronto
o projeto de turismo “Caminho do Velho
Monge”, à semelhança do
Caminho de Santiago e Caminho da Estrada Real,
só que fluvial. Meus relatos de bordo
são um brado de alerta e uma viagem
gastronômica rio abaixo com suas peixadas
ao cheiro verde, o “arroz maria-isabel”,
a cajuína, a “manguerinha”,
e claro, suas lendas: o “papagaio falador”
de Amarante, o touro marruás de Porto,
o cabeça de cuia… (A PIPES também
executou em 2001, a expedição
Américo Vespúcio, percorrendo
o rio São Francisco da nascente à
foz. Até hoje, a PIPES não recebeu
pelo trabalho prestado, que foi terceirizado
à Domo Arquitetura e Projetos Culturais
,de Salvador-BA)


Ainda é comum a agricultura
primitiva pelo sistema “cultivo
no toco”. Urge um programa de melhoria
de renda e a criação de
muitas unidades de conservação.
Os desmatamentos e as queimadas degradam
as cabeceiras e margens dos rios.

FMA – E as descobertas
de gente, de povo, de ribeirinhos?
GG –
Pelo lado humano, a maior lembrança
é da pequena Jisuis (Jesus), uma criança
de nove anos com aparência de seis,
filha de pescadores de Porto. Era curiosa
e vivaz, mesmo subnutrida. Guardo dela a alegria
ao entrar no grande barco e ao receber uma
bonequinha que compramos junto ao cais. Também
um senhor que pediu para descer até
Amarante – terra do poeta Da Costa e Silva
– e arrependido e tremendo, confessou um desmatamento
ciliar recente ao juiz que descia a bordo…
São pessoas muito honestas que nem
mesmo sabem a gravidade das agressões
ambientais.
Jamais me esquecerei dos prefeitos nos recepcionando
com bandas de música nos cais, e dos
anfitriões hospitaleiros que nos recebiam
em suas casas com comidas típicas,
além dos bailados folclóricos,
os bailes ao som da música brega e
do reggae maranhense.

FMA – Qual era a situação
do rio naquela época?
GG –
Olha, para falar a verdade,
era de um rio ainda vivo, no alto curso, nas
cabeceiras. Mas, sobrevoando a região,
se pode ver o mosaico, a colcha de retalhos
da soja lá embaixo, ocupando espaços.

Mais a baixo, o rio mostra os estertores da
agonia nos terços médio e inferior.
É impressionante a queda de barrancos
no terço médio. Registramos
os esgotos lançados de alto a baixo,
as matas ciliares inexistentes em longos trechos,
redes e “currais de peixes” nas
desembocaduras de afluentes.
As próprias belezas cênicas eram
ofuscadas por feridas e agressões aos
ecossistemas ainda autóctones, como
lavouras do agronegócio, até
a altura de Uruçuí. Na região
do baixo curso o deslumbrante complexo lacustre
vem sendo drenado para cultivo de arroz e
pastagens.
Na Área de Preservação
Ambiental e na Reserva Extrativista [Resex]
do delta do Parnaíba, o Ibama está
alerta para manter sob controle a carcinocultura
nos “salgados”, os cultivos tradicionais,
a cata do caranguejo e o impacto do crescente
turismo.

FMA – O senhor tem acompanhado
a vida do rio após a expedição?
GG –
Após a expedição
voltei a Balsas para um seminário em
que as lideranças e a comunidade pediam
unidades de conservação nas
cabeceiras do rio. Participei de outros encontros
no Baixo Parnaíba até o delta.
Desde a foz do rio Longá até
o oceano, abrangendo 16 municípios.
Mas tenho acompanhado meio de longe a vida
do rio. Hoje me dedico mais ao programa de
revitalização do rio São
Francisco. Nesses três anos e meio pós-expedição
foram realizados dois grandes levantamentos
pela Codevasf e o Governo do Piauí,
visando o planejamento para o desenvolvimento
sustentável da bacia: o Planap e o
Zoneamento Ecológico-Econômico
do Cerrado.
Mais recentemente voltei ao Núcleo
de Desertificação de Gilbués
no alto curso dos rios Uruçuí
Vermelho e Gurguéia, em uma visita
com vários técnicos de vários
órgãos. Aliás, que a
Folha do Meio Ambiente fez uma excelente matéria
“O Deserto Vermelho”.
Espero que os projetos sejam encaminhados
logo para aprovação. Sugeri
aí a criação de um parque
nacional, como uma forma de alavancar o setor
terciário da economia nesta exótica
região que abrange vários municípios.

Muitas outras unidades de conservação
precisam ser implantadas com urgência,
face à rapidez da ocupação
na alta bacia e afluentes, notadamente o Balsas
e os dois Uruçuí, o Vermelho
e o Preto, rios cênicos por excelência.
Aqui eu pergunto: como anda a APA do Uruçuí-Una?
Os rios podem perder a corrida. Então
será tarde.
Rio desmatado nas cabeceiras e nas margens
da calha principal e dos afluentes, é
rio assoreado, é rio sem peixes. É
rio morto.

FMA – O que pode ser
feito agora?
GG –
Quando descemos o rio era enorme
o anseio dos ribeirinhos na busca de soluções
e ações concretas em prol do
rio e afluentes. Mas é preciso que
as populações se apropriem dos
citados estudos e levantamentos e dos relatos
de bordo dos expedicionários que representavam
os diversos organismos federais e estaduais.
É preciso um programa de educação
ambiental nas escolas, o saneamento, viveiro
de mudas nas cidades. Tudo isto, para ontem!
Problemas pontuais e gerais ocorrem em toda
a bacia, que embora escassamente povoada,
já sofreu a colonização
pela corrida do boi, assim como hoje sofre
a corrida da soja .


A expedição comprovou
que é inadiável um plano
de recuperação das matas
ciliares.

FMA – O que mais chamou
sua atenção como pesquisador?
GG –
Parafraseando Heródoto,
eu diria que o Piauí é uma dádiva
do Parnaíba. Sem o Parnaíba
como seria o Piauí? É um estado
côncavo, suas águas correm para
dentro, ao contrário de Minas Gerais,
por exemplo, um estado convexo, montanhoso,
cujas águas correm para fora rumo ao
mar que não lhe pertence. Não
esquecendo que a bacia abrange grande parte
do Maranhão e parte do Ceará.
No geral é um rio típico de
planície, abrangendo três grandes
biomas: Cerrado, Caatinga e zona costeira,
como restingas, dunas e mangues. A pré-Amazônia
começa aqui.
O Piauí é um dos estados brasileiros
com mais rica biodiversidade, tanto animal
quanto vegetal: são inesquecíveis
as araras azuis em bandos, os jacús
e o pássaro xexéu, peixes em
piracema, buritizais, carnaubais e babaçuais,
– que outro estado tem três ecossistemas
de palmeiras? Vimos as “batedeiras”
ou corredeiras e os sustos nelas passados.
E os “talhados”, monolitos que bordejam
as águas, impressionam pela majestade,
e a luz solar que neles incide toma tonalidades
e sombras que lembram as pirâmides do
Egito. E não podemos esquecer a jóia
piauiense que é o Parque da Serra da
Capivara, pela biodiversidade e pela antropologia.

FMA – Que ações
emergenciais devem ser realizadas para preservar
a vida no rio?
GG –
Criar um programa de revitalização
do Parnaíba é o caminho, à
semelhança do rio São Francisco,
e que na minha opinião não seria
tarefa difícil – cada rio brasileiro
hoje deveria ter seu plano – uma vez que já
estão concluídos os levantamentos
citados como o Planap, o ZEE e outros, fundamentais
para um planejamento a médio e longo
prazos.
A curto prazo uma moratória nos desmatamentos
é a solução inadiável.
Os empresários, também na minha
opinião, poderiam arrendar lotes dos
projetos de irrigação “Tabuleiros
Litorâneos” e de “São
Bernardo” com toda a infraestrutura pronta,
porém se encontravam desativados. A
irrigação gera emprego, renda
e alta produção em áreas
reduzidas. Poderia assim reduzir a pressão
sobre todas as nascentes e veredas. Evitaria
a extinção dos buritizeiros
encobertos pelas veredas barradas para pivôs
e/ou assoreadas pela erosão do solo
descoberto, e dos pequizeiros que ardem nos
cerrados.
Urge o Ministério Público e
o Ibama ajustarem termos de conduta junto
aos empresários do Cerrado. Esses empresários
devem saber das suas responsabilidades ao
chegar a uma terra nova coberta de matas e
rios até então límpidos.
O valor dessa biodiversidade natural e hídrica
é imensurável. Este é
um patrimônio piauiense e maranhense
que deve ser preservado.
Nesta expedição, podemos ver
que é inadiável um plano de
recuperação das matas ciliares.
E o que fazer com a queda de barrancos após
Floriano, que atinge o pico em Parnarama,
até a altura de Teresina? O que fazer
quando vimos barrancos de aluviões
caindo como terremotos à passagem do
barco?

FMA – Queria falar sobre
a preservação do Parque Nacional
das Nascentes do Rio Parnaíba. Um parque
que ainda não saiu do papel e já
está sendo degradado…
GG –
É verdade! O rio Parnaíba
é um dos mais importantes rios brasileiros,
com uma extensão de 1.485 km e uma
bacia de 330.000 km². Um dos méritos
da Expedição Parnaíba
Vivo foi chamar a atenção para
o rio cantado em verso pelo poeta maior Da
Costa e Silva. (*) [Saudade – o Parnaíba
– velho monge / as barbas brancas alongando…
e ao longe / o mugido dos bois da minha terra…”

FMA – E como foi a
assinatura da Carta do Parnaíba?
GG –
Foi bom lembrar. Antes da largada
(16 de novembro de 2001) aconteceu uma memorável
audiência pública, organizada
pelas autoridades e as populações
de Alto Parnaíba, Santa Filomena e
outros municípios da região.
Quinze outras audiências foram realizadas
rio abaixo. Então foi assinada a “Carta
do Parnaíba”.
Vem daí e de outros pioneiros como
Judson Barros na sua descida solo, a luta
do CDPar e tantos outros, e mais recentemente
o artista Otoniel Fernandes na sua viagem
pictórica pelas pegadas do engenheiro
Gustavo Dodt, a renascença da magia,
das lendas e das cores do Parnaíba,

Na largada, quando a gente estava bem perto
das nascentes na chapada das Mangabeiras/serra
da Tabatinga, me lembrei muito do provérbio
chinês “Conheça a montanha
para conhecer o rio”.
Urge criar novas unidades de conservação
em todas as sub-bacias do Parnaíba.
E mais: há que se levantar as nascentes,
as altitudes e a extensão mais exata
do rio pelos modernos meios de geoprocessamento.

FMA – E qual a conclusão,
os frutos desta epopéia?
GG –
Primeiro, fazer esses levantamentos.
Aliás essa é uma proposta que
fiz à Codevasf, registrada no meu relato
de bordo “Navegando no Velho Monge –
de Alto Parnaíba ao Delta e daí
ao Oceano”, e enviado ao CDPar.
Mas, a cada viagem destas, a cada trabalho
e a cada estudo que participo sobre rios brasileiros,
me bate uma tristeza tremenda ao saber que
todo este esforço, toda esta luta,
todo esse grito de alerta pode ter sido em
vão. Me sinto como mais um destes idealistas,
verdadeiras formiguinhas ambientais, impotente
perante o poder econômico e o poder
político. São os fazendeiros
pressionando a Justiça, são
os políticos pressionando as autoridades
administrativas, são os gananciosos
dobrando a fiscalização…
Olha, fico até pensando quão
verdadeiras são as palavras do editorial
da Folha do Meio Ambiente de novembro de 2005.
A Carta do Leitor da Folha do Meio Ambiente
(edição 163/nov. 2005) foi muito
feliz quando mostrou que “a preservação
e a política ambiental defendidas com
discursos e promessas, mas atacada com metralhadoras
e motosseras”. É a pura verdade!
Não podemos sucumbir às metralhadoras
ambientais… E fico a pensar: temos que ser
as árvores do Cerrado, que para resistirem
nascem cascudas e tortuosas.


O Parque das Nascentes, apesar de
sua importância, ainda não
saiu do papel

O Parque das Nascentes

Proteger as nascentes do Rio
Parnaíba foi o principal objetivo para
se criar o Parque das Nascentes. O rio constitui
a base econômica dos estados do Piauí
e Maranhão onde milhares de pessoas
dependem de suas águas para o abastecimento,
irrigação, pesca e meio de transporte.
A Bacia Hidrográfica do Parnaíba
abrange cerca de 339.390 Km2 e envolve os
estados do Piauí, Maranhão e
Ceará. O Piauí domina 75% dessa
bacia, o Maranhão 19% e o Ceará
6%. Na Tabatinga, no Alto Parnaíba,
as nascentes se esboçam através
de ressurgências na Chapada das Mangabeiras,
que formam os cursos dos rios Lontra, Curriola
e Água Quente. A união desses
rios forma o rio Parnaíba.
Como sua nascente ainda é uma dúvida,
o percurso do rio Parnaíba está
estimado em 1.485km, até a foz no Oceano
Atlântico, onde desemboca após
se dividir em cinco grandes braços.
O maravilhoso delta do Parnaíba é
o divisor natural entre os estados do Piauí
e Maranhão.

Infelizmente, pela ação
predatória do homem, o rio Parnaíba
e seus afluentes vêm sendo degradados
sistematicamente num processo secular.
Queimadas, erosão das margens, assoreamento
do leito e lançamento de esgotos e
lixo são uma constante. O problema
já chegou às nascentes onde
dezenas de produtores agrícolas, oriundos
do Sul do país, ocuparam as terras
públicas e instalaram projetos agrícolas.

Em 2004, uma vistoria realizada
por técnico do Ibama/PI na área,
detectou a existência de 22 grandes
propriedades no platô da serra e um
desmatamento de mais 30 mil hectares.

Ameaçado por ações
de produtores agrícolas que ocupam
terras nas fronteiras dos estados do Piauí,
Maranhão, Bahia e Tocantins, o Parque
Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba,
de 730 mil hectares, pode ser extinto. Basta
o Tribunal Superior de Justiça acatar
a decisão do juiz da 3a Vara Federal
– Sessão Judiciária do Distrito
Federal, Osmani dos Santos, que suspendeu
o decreto da criação do Parque,
assinado pelo então presidente da República,
FHC, em 2002.

O juiz atende ação
movida por mais de dez proprietários
de grandes projetos de soja em áreas
do parque, que alegam não ter havido
audiências públicas, quando de
sua instalação. Mas vimos que
15 audiências públicas foram
realizadas durante a expedição
que precedeu a criação do parque.
(SG)

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Com 10% de umidade do ar, DF entra em alerta vermelho

Registro foi feito em uma estação do Inmet do Gama no domingo (19) acompanhado de termômetros marcando mais de 30º. Atenção às dicas da Defesa Civil

Publicado

em

A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção | Fotos Joel Rodrigues/ Agência Brasília
MARLENE GOMES, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: ROSUALDO RODRIGUES

O Distrito Federal está em estado vermelho com relação à baixa umidade do ar. Isso significa que a região entrou no estado de emergência, depois de apresentar níveis críticos, como o índice de 10º registrado no Gama, neste domingo (19). O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O alerta somente é emitido quando a umidade do ar fica abaixo de 12%. Nessa situação, existe grande risco de ocorrências de incêndios florestais. Também é preciso redobrar os cuidados com a saúde porque aumentam os riscos de doenças respiratórias e das pessoas apresentarem dores de cabeça, sangramento do nariz e secura nos olhos, entre outros problemas.

Apesar de parecer pior do que nos anos anteriores, o chefe da Defesa Civil do DF em exercício, tenente coronel do Corpo de Bombeiros Rossano Bohnert, garante que a baixa umidade e o calor são semelhantes e comuns neste período de final da seca.

 

Valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de uma alimentação mais balanceada

 

Enquanto isso, valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de atenção a uma alimentação mais balanceada, sempre que possível. “Sabemos que o consumo de alimentos leves, como saladas, frutas e legumes, ajuda na digestão e dá mais disposição para suportar o calor e ar mais rarefeito”, explica Bohnert.

O Inmet prevê chuvas para a próxima semana, o que ainda não está confirmado.

 

Primavera

Nesta quarta-feira (22), começa oficialmente a primavera. As chuvas esperadas na estação trazem o clima mais ameno, que caracteriza o período. “Por enquanto, o clima deve continuar do mesmo jeito até quarta-feira (21). Vai predominar o calorzão e a secura. Só teremos possibilidade de chuvas lá para quinta-feira (23)”, explica a metereologista Naiane Araújo, do Inmet.

Com a temperatura máxima passando da casa dos 30º e a baixa umidade do ar, na capital federal, é importante que a população redobre os cuidados. A cartilha que o brasiliense não pode esquecer indica que é preciso beber bastante líquidos, evitar a exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, usar hidratante na pele e procurar umidificar o ambiente.

A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção. Os fumantes devem ter o cuidado de não jogar no chão as bitucas de cigarro. Esse hábito torna-se muito perigoso, principalmente nas margens de vias e rodovias. Qualquer pessoa que observar um foco de incêndio deve comunicar ao Corpo de Bombeiros, pelo número 193.

 

Mensagens de alerta

A Defesa Civil, da Secretaria de Segurança Pública do DF, faz o monitoramento dos alertas emitidos pelo Inmet. O órgão, então, envia mensagens advertindo sobre o tempo e a prevenção de riscos para os moradores cadastrados.

Para se cadastrar no serviços de alerta da Defesa Civil, o interessado deve enviar uma mensagem de texto para o número 40199, com o Código de Endereçamento Postal (CEP) da região.

 

 

 

 

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Energias renováveis ajudam no combate à desigualdade social no Brasil

Publicado

em

 

*Cristiana Nepomuceno Soares
 

Por conta da grande extensão territorial e da diversidade de biomas, o Brasil conta com uma variedade de recursos naturais – o que proporciona um maior investimento em uma matriz energética limpa. Mas, a realidade atual reflete um cenário adverso ao esperado. É em meio à crise climática e à pandemia de Covid-19, que a necessidade de renovação da matriz energética evidenciou  um problema que o país enfrenta nas diferentes esferas: a desigualdade social.

É cada vez mais evidente que, não é mais possível alimentar essa disparidade. Enquanto os demais países caminham para a expansão de políticas que reafirmam o compromisso ambiental, o Brasil caminha no oposto, já que ainda depende de combustíveis fósseis para geração de energia –  o que coloca o país em desvantagem.

Com o agravamento da crise climática e a urgência da agenda ambiental ser alinhada, na prática, com um discurso sustentável, fica cada vez mais evidente que o futuro da energia passa pela matriz limpa e sustentável – o que desempenha um papel fundamental no setor  elétrico.

Lacuna social

De acordo com os dados divulgados pela Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – Irena), em paralelo à queda no investimento de óleo e gás, as energias renováveis apresentaram recorde de investimentos no primeiro trimestre de 2020 (em meio a pandemia de Covid-19). Embora os recursos renováveis estejam frequentemente ligados às pautas ambientais e a busca por um futuro sustentável, o uso desses recursos reflete no desenvolvimento econômico e social do país.

Um maior aproveitamento das energias renováveis não engloba apenas a transição energética do país, mas também caminha como ferramenta de igualdade social. Recentemente, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros, divulgou que, atualmente, o país tem 83% de sua matriz elétrica originada de fontes renováveis. Agora, é preciso promover políticas que reforcem o uso de energias renováveis de forma eficiente e que funcionem com a economia global.

O Brasil ainda precisa lidar com um de seus principais entraves nas questões ambientais: entender que um meio ambiente preservado é um direito de todo cidadão e que a utilização de recursos naturais impulsionam o desenvolvimento socioeconômico. Por muitas vezes, esse discurso de sustentabilidade é visto como obstáculo e não como um potencial a ser desenvolvido: a competitividade industrial. A produção industrial de baixo carbono gera empregos em grande escala e o país possui recursos para o investimento em insumos de baixo carbono.

Há, ainda, o fator mais colaborativo para esse cenário. No Brasil, as regiões de maior potencial para fontes de energia eólica e solar são os municípios que possuem um baixo IDH. Consequentemente, apostar e investir nessas localidades é uma potencial ferramenta de combate à desigualdade social.

Sobre a Dra. Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares

É graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Pós-Graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto- MG. Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha. Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara.

Foi assessora jurídica da Administração Centro-Sul da Prefeitura de Belo Horizonte, assessora jurídica da Secretaria de Minas e Energia- SEME do Estado de Minas Gerais, consultora jurídica do Instituto Mineiro de Gestão das Águas- IGAM, assessora do TJMG e professora de Direito Administrativo da Universidade de Itaúna/MG. Atualmente é presidente da Comissão de Direito de Energia da OAB/MG.

 

 

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A escola ideal é o tema do Quinto Desafio

Desafio global incentiva o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares; Inscrições continuam abertas e participantes novos ainda podem competir em três desafios;

Publicado

em

 

Está no ar a quinta etapa do PlayEnergy, desafio global promovido pela Enel Spa para incentivar o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares. Com o tema “Torne a escola digital”, o quinto desafio propõe que as equipes projetem a escola ideal. Com prêmios que podem chegar a 2000€, podem se inscrever estudantes com idades entre 14 e 20 anos, sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas, através do site: https://playenergy.enel.com/ Não é necessário ter participados dos outros desafios para competir nessa etapa. Ainda é possível participar de três desafios, que estarão no ar nos próximos três meses, além do Final Online Challenge.

 

Em uma cidade circular, todas as escolas têm baixo impacto ambiental e foram projetadas a partir de critérios sustentáveis. Os participantes deverão imaginar como é a escola que eles desejam, incluindo iniciativas que sejam relevantes para o dia a dia da comunidade escolar e para a cidade em seu entorno. Lembrando sempre de colocar em prática conceitos de economia circular e desenvolvimento sustentável.

 

As Equipes são convidadas a criar seus projetos utilizando as ferramentas disponibilizadas no site do evento. Todas as Equipes que completarem o projeto ganham 100 pontos e os projetos serão colocados para votação, ganhando pontos extras pelos votos recebidos. Os membros da equipe podem também compartilhar seus projetos nas redes sociais, para incentivar a votação. Nove equipes serão premiadas no ranking mensal, com prêmios que vão de 75 euros a 150 euros em compras online. Em caso de empate, para determinar o ranking mensal, será considerada vencedora a equipe que tenha obtido primeiro a pontuação que levou ao empate.

 

Entenda o PlayEnergy

Nesta edição do PlayEnergy, poderão participar estudantes com idades entre 14 e 20 anos e professores de sete países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Grécia, Itália e Peru. Participantes poderão se inscrever sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas e ganhar pontos extras com outras atividades pelas redes sociais. Serão sete desafios ao longo de sete meses e um desafio final, o Final Online Challenge, com foco no conceito de Cidade Circular. Inscrições podem ser feitas através do site https://playenergy.enel.com/.

 

A PLAYENERGY é uma iniciativa global da Enel Spa, multinacional de energia e um player integrado líder nos mercados globais de energia e energias renováveis, em parceria com a Campus Party. Para mais informações sobre participação, desafios e premiação, veja o regulamento do concurso no site https://playenergy.enel.com/br/assets/pdf/rules.pdf

 

Sobre a Enel Brasil

A Enel atua no Brasil com geração, distribuição e transmissão de energia por meio da Enel Brasil e suas subsidiárias. Em distribuição, o Grupo atende mais de 17 milhões de clientes por meio de suas subsidiárias brasileiras em São Paulo, Ceará, Rio e Goiás. No setor de geração, o Grupo Enel é o maior produtor de energia solar e eólica do país em capacidade instalada e portfólio de projetos com uma capacidade instalada total de 3,4 GW, dos quais 1.210 MW são eólicos, 979 MW solares e 1.269 MW hidrelétricos. No país, o Grupo também possui e opera duas linhas de transmissão com uma capacidade total de 2.200 MW conectando o país à Argentina. A estratégia de atuação da Enel é baseada no seu Plano de Sustentabilidade e nos compromissos assumidos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. Globalmente, a Enel está presente em mais de 30 países, com cerca de 74 milhões de clientes finais corporativos e residenciais em distribuição de energia.

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