Gente do Meio

Genebaldo Freire Dias, professor natureza

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Genebaldo Freire Dias e a educação ambiental


Silvestre Gorgulho


A educação ambiental, seus princípios e práticas para evitar agravamento da crise com o ambiente







Genebaldo fez do PNB sua
praia de Educação Ambiental

A sociedade humana está sendo empurrada por padrões de consumo insustentáveis, impostos por modelos de desenvolvimento insanos, tornando-se mais injusta, desigual e insensível. Em decorrência, “agravaram a crise ambiental, produzindo mudanças indesejáveis: alterações climáticas, destruição de hábitats, desflorestamento, perda de solo, extinção de espécies e de diversidades de ecossistemas, poluição, escassez de água, erosão cultural e outras”, diz o professor Genebaldo Freire Dias, que está lançando, pela Editora Gaia, a 6ª edição, revista e ampliada, de seu livro “Educação Ambiental – Princípios e Práticas”.


O sergipano Genebaldo é bacharel em Ciências Biológicas, com mestrado e doutorado em Ecologia da Fauna e Flora, pela Universidade de Brasília. Autor de outros livros (“Atividades Interdisciplinares de Educação Ambiental”, “Populações Marginais e Ecossistemas Urbanos”, “Elementos para Qualificação em Educação Ambiental”, “Fundamentos da Educação Ambiental”, “Pegada Ecológica” e “Sustentabilidade Humana”), o professor Genebaldo, depois de diagnosticar o estrago promovido pelo homem na natureza, enfatiza que “o papel da Educação Ambiental, neste contexto, torna-se mais urgente”, e alfineta o atual modelo educacional: “Precisamos oferecer mais formação. A educação ainda treina o(a) estudante para ignorar as conseqüências ecológicas dos seus atos.”


Esperançoso, Genebaldo ressalta: “É óbvio que houve conquistas, mas estas estão sendo insuficientes para provocar as mudanças de rumo que a velocidade da degradação ambiental requer.” Para o professor, é preciso incrementar a educação ambiental, para conter a “rapidez com a qual se devastam e se desequilibram os sistemas que asseguram a sustentabilidade humana na Terra”. Mas, para tanto, é urgente que ecologistas tirem os governantes da inércia, porque, diz Genebaldo, “ainda impera uma instigante indefinição política, provocada por ignorância ambiental”. E acrescenta: “Afinal, não se compreende de outra forma a indiferença de muitos setores à causa ambiental, à necessidade de mudanças na relação humanos-ambiente.”


No Centro de Visitantes do Parque Nacional de Brasília, o professor Genebaldo Freire Dias tem sua praia: ali, coloca em prática a toda hora a teoria que desenvolveu sobre a importância da educação ambiental. Dentro do prédio ou utilizando como material didático os 30 mil hectares do parque, ele próprio ou seus auxiliares mostram à coletividade o que significa a preservação da natureza para a sobrevivência das pessoas. Nesse aspecto, o Parque Nacional de Brasília vem muito a calhar. Acontece que lá fica a barragem Santa Maria, vital para abastecer Brasília de água. Sem falar que a qualidade do ar respirado pelos brasilienses é muito dependente da preservação daquela reserva florestal, que os freqüentadores também utilizam como área de lazer e esportes. No local, não há pessoa estressada que não recomponha suas energias depois de uma caminhada ou corrida e um banho numa de suas duas piscinas de água corrente.


Mas Genebaldo quer mais do que acomodar-se ao Centro de Visitantes do Parque Nacional de Brasília. Então, aceitou o convite para revisar e aumentar seu livro “Educação Ambiental – princípios e práticas”. Em decorrência, não faltará aos amantes da ecologia o que ler nas 550 páginas desta obra.

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Fernando Pessoa

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Um fingidor que é enigma em Pessoa

Fernando Pessoa é gênio. E sua genialidade não coube apenas num só poeta. Fernando Pessoa são vários. Daí, tantos heterônimos. Nos tempos de África do Sul, alfabetizado em inglês, criou os primeiros heterônimos: Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Criou até um especialista em palavras cruzadas: Alexander Search. Depois vieram os heterônimos que entraram para a história: Alberto Caeiro (ingênuo guardador de rebanho – poeta da natureza) Álvaro de Campos (engenheiro, um poeta de fases e influenciado pelo simbolismo). Ricardo Reis (erudito que insistia na defesa dos valores tradicionais, na literatura e na política). E Bernardo Soares, um tipo especial de semi-heterônimo.Alberto Caeiro era considerado o mestre de Álvaro Campos e de Ricardo Reis. Aliás, do próprio Pessoa. Para o poeta mexicano Octavio Paz (Premio Nobel Literatura 1990) a biografia dos poetas é sua obra. E Pessoa deixou uma fantástica obra. Tinha um viver pacato, mas passou a vida criando outras vidas. “Era o enigma em pessoa”. Comparado a Luiz de Camões, Fernando Pessoa deixou um legado para a Língua Portuguesa como jornalista, publicitário e poeta.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

………

As gaivotas, tantas, tantas,
Voam no rio pro mar…
Também sem querer encantas,
Nem é preciso voar.

……

“Minha Pátria é a Língua portuguesa”.

……

“Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não.”

……

 “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

————————

Saiba Mais

O que é heterônimo, homônimo e pseudônimo?

Heterônimo A palavra vem do grego: heteros = diferente onyna = nome. Heteronímia é o estudo dos hererônimos ou seja, estudo de autores fictícios. Heterônimo então é uma personagem fictícia, criada por alguêm, mas com vida quase real, com biografia própria, totalmente diferente de seu criador. O criador de hetêrônimo, como Fernando Pessoa, é chamado de ortônimo.

Homônimo (homos = igual + onyma = nome) Pessoa que tem o mesmo nome de outra. Ou, palavras que se pronuncia e/ou escreve da mesma forma que outra, mas de origem e sentido diferentes.

Pseudônimo significa nome falso, ou seja, um nome fictício usado por alguêm como alternativa ao seu nome legal.

 

silvestre@gorgulho.com

dezembro de 2009

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Wanderbilt , o amazônida

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Aldeia Global: ITATIAIA HISTÓRICA – Wanderbilt Duarte de Barros e o Parque Nacional

Wanderbilt Duarte Barros, 79 anos, nascido às margens do rio Amazonas, na cidade de Óbidos, no Pará, tem toda uma vida dedicada à natureza e às causas ambientalistas. Estudou em Passa Quatro, no Sul de Minas, na Escola Agrotécnica, onde conheceu e se casou com a professora Guilhermina Dalila d’Alessandro de Barros, falecida em 1989.

Autodidata, aprendeu com os mestres Alberto Torres, Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda as origens da vida no Brasil, mudou-se para o Rio de Janeiro e continuou o seu trabalho, aprofundando-se nos estudos sobre melhor conservação da natureza e sobre a melhoria da qualidade de vida.

Foi diretor do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, e por muitos anos do Parque Nacional de Itatiaia, a primeira unidade de conservação do Brasil. Depois, requisitado por vários ministros da Agricultura, ocupou diversos cargos no ministério, onde se aposentou como diretor-geral. Isso não significou sua retirada da luta. Pelo contrário, aumentou sua disposição de trabalhar.

Incansável, voltou ao serviço público para dar sentido à Geografia no IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, onde realizou importante trabalho. De lá, foi para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 1983, dirigindo o Conselho Editorial e participando de um minucioso trabalho de resgate das origens e destinos da mais importante instituição brasileira voltada para conservação das espécies vegetais, tornou-se, mais tarde, seu diretor.

Entretanto, a trajetória do dr. Wanderbilt, no exercício dos diversos cargos públicos que ocupou, não é suficiente para explicar a importância de sua presença na defesa do meio ambiente do Brasil. Suas atividades como professor, fundador e dirigente da FBCN – Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza, mais antiga ONG brasileira, hoje com 37 anos. Autor de livros fundamentais para a bibliografia básica de Engenharia Florestal Agronômica ou da Biologia pioneiro conceituou o patrimônio natural e a exploração racional dos recursos naturais no Brasil. Foi diretor do “Projeto 29” da OEA, introduzindo novas técnicas de fotografia aérea, de inventários florestais e de recursos naturais e preparando os primeiros planos de uso da terra no Brasil, baseados no conhecimento e dentro da filosofia da conservação da natureza, conceitos ainda desconhecidos no país nas décadas d 50 e 60.

Wanderbilt Duarte Barros, profundo e vigoroso como o seu rio Amazonas, que dedicou melhor de sua vida à causa ambiental é Gente do Meio e recebe, por justiça, a homenagem da equipe da Folha do Meio Ambiente.

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Carlos Fernando de Moura Delphin

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Silvestre Gorgulho

Carlos Fernando nasceu jardineiro, estudou paisagismo e urbanismo, formou-se em arquitetura pela UFMG e trabalha hoje com projetos e planejamento para manejo e preservação de sítios de valor paisagístico, histórico, natural, paleontológico e arqueológico. Paisagista favorito de Oscar Niemeyer, já fez para ele vários projetos como o do Memorial da América Latina, em São Paulo, do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, e da Universidade Norte Fluminense.

Suas pegadas estão hoje espalhadas por muitas regiões e cidades brasileiras. Elas podem ser encontradas em seus projetos como autônomo ou público, como o da restauração do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no Jardim Botânico de Brasília, nos Jardins do Brasil, em Osaka-Japão, na  Secretaria de Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul, nos Jardins Históricos da Fundação Nacional Pró-Memória, do IPHAN e de outros órgãos de preservação do patrimônio cultural brasileiro. Carlos Fernando trabalhou no IPHAN em Brasília, quando foi responsável pelo patrimônio arqueológico e pelos bens culturais tombados em nível federal. Atualmente assessora a direção do IPHAN-RJ.

Pioneiro da restauração de jardins históricos no Brasil, é autor do primeiro manual de intervenções em jardins históricos no mundo. Além disto emite pareceres sobre sítios propostos para Patrimônio Mundial da Unesco. Graças a um parecer seu as Florestas Tropicais Úmidas de Queensland, na Oceania, foram declaradas como patrimônio mundial. Seu mais recente estudo é uma nova e vanguardista proposta para a preservação de paisagens culturais no Brasil, no sul do Ceará, onde participa da implantação do Geopark do Araripe. Neste trabalho, Carlos Fernando, juntamente com a equipe da Universidade Regional do Cariri e com o IPHAN cearense, orienta a forma de proteção das paisagens dos “geotopes”, de acordo com  a legislação cultural e ambiental, no âmbito das leis municipal, estadual e federal. Orienta, também, as intervenções mais adequadas para o uso público e científico dos diferentes sítioS

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Reportagens

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