Reportagens

O Imperador Akihito, um cientista, e Michico, uma poetisa, visitam o Brasil e falam de Brasília

(A convite do Imperador Akihito, Silvestre Gorgulho visitou o Japão em maio de 1997, e entrevistou o casal real japonês, no Palácio Imperial, em Tóquio. A matéria foi publicada no Jornal de Brasília, quando o Imperador chegou ao Brasil, nos primeiros dias de junho, para visita oficial de uma semana)



Silvestre Gorgulho
Japão e Brasil estão em lados opostos do Planeta. O primeiro, só de Império, tem 15 séculos, enquanto o Brasil tem apenas cinco séculos de História. Cultura diferente, língua nem se fala, Brasil e Japão deveriam ser países sem nenhuma afinidade. Mas é justamente o contrário. No Brasil está a maior colônia japonesa fora da terra do sol nascente e foi o Japão o maior parceiro para o desenvolvimento do Brasil Central, especialmente da agricultura do Cerrado. O Brasil é um país muito especial para o Japão. Por isso, quando o Jumbo 747-400 do Governo japonês descer em Belém, dia 31 de maio, trazendo o Imperador e a Imperatriz do Japão para uma viagem de uma semana pelo país, haverá uma sensação de alegria de um lado e outro do planeta: pela primeira vez na história, um imperador japonês pisa o solo da América Latina, e pisa pelo Brasil, país onde existem um milhão e trezentos mil emigrantes e descendentes de japoneses. Para se ter uma idéia do que isto significa, a segunda maior comunidade está nos Estados Unidos, em torno de um milhão de emigrantes e descendentes. Mas o Imperador Akihito, 125º soberano da mais antiga monarquia por linha hereditária do mundo, não é desconhecido dos brasileiros. Já esteve aqui por duas vezes, com sua esposa Michiko, em 1967 e em 1978, ainda na condição de príncipe herdeiro. Falando, ao Jornal de Brasília, durante audiência exclusiva no Palácio Imperial, em Tóquio, o hoje Imperador Akihito disse se lembrar muito bem de Brasília, que na sua primeira visita (Governo Costa e Silva) tinha apenas começado sua função de Capital da República. Ficou vivamente impressionado pela paisagem da construção dos prédios e pela poeira vermelha. Na segunda vez que aqui esteve (1978 – Governo Geisel) a cidade tinha crescido e ele já podia ver o desenvolvimento da agricultura do cerrado.


Um dado interessante da primeira visita do então príncipe Akihito a Brasília (1967) e que ele lembrou agora durante um chá que tomamos juntos no Palácio Imperial, em Tóquio, foi que no primeiro dia de sua estada em Brasília, ele já quebrou o protocolo: saiu com alguns amigos às cinco horas da manhã do Hotel Nacional para pescar num rio a uns 100 km de Brasília. O Imperador queria saber que rio ele foi pescar. Tentamos juntos identificar o rio, mas por falta de mais informações – norte ou sul, leste ou oeste – não chegamos a nenhuma conclusão. De volta a Brasília, depois de muito perguntar, posso dizer que parecer ter sido o rio São Marcos ou rio Paracatu.


Antecipando a visita
A Comunidade japonesa no Brasil gostaria que esta visita ocorresse no ano que vem, quando haverá uma grande festa no Brasil para comemorar os noventa anos da emigração japonesa, para recordar os primeiros japoneses que chegaram pelo legendário navio Kasato-Maru. Mas o próprio Ministério das Relações Exteriores do Japão deixou claro que a viagem do Imperador agora é intencional. Motivo: é importante, também, desvincular esse lado apenas comemorativo, para salientar a importância que o Japão dá à amizade e às relações diplomáticas e comerciais com o Brasil. E acrescenta: como, desde os anos 50, não faltou nunca um representante da família imperial para comemorar as grandes datas da colônia japonesa no Brasil, também no ano que vem, para comemorar os 90 anos da emigração, alguém da família deverá estar aqui, possivelmente, o príncipe herdeiro Naruhito e a princesa Masako, que, por sinal, uma diplomata de carreira.


Akihito: entre o protocolo e a Ciência
A pesca que Akihito fez naquela manhã de maio de 1967 tinha mais do que um gosto pelo esporte e pela aventura. O Imperador é um pesquisador, com interesse especial pela ictiologia e pelo meio ambiente. Durante muitos anos se dedicou ao estudo de espécies de peixes gobídeos, tendo produzido dezenas de trabalhos científicos publicados em revistas especializadas. Ele é membro da Sociedade Ictiológica do Japão, foi presidente da Segunda Conferência Internacional sobre Peixes do Indo-Pacífico, em 1985, e faz parte da Linnean Society de Londres, sendo também pesquisador associado do Museus Australiano e da Sociedade Zoológica de Londres. Durante o chá no Palácio, perguntei ao Imperador se ele continuava com suas pesquisas e estudos. Ele respondeu que só com leituras. Com sua ascensão ao trono, em janeiro de 1989, não teve mais tempo senão para as funções que o cargo lhe impõe. Mesmo assim, em 1992, conseguiu atender um pedido especial do editor da revista Science, e escreveu um ensaio especial sobre a “Os pioneiros da ciência no Japão”.
A formação científica e a educação especial que recebeu da tutora americana Elizabeth Vining, após a Segunda Guerra, deu ao então Príncipe Akihito uma formação ocidentalizada. Conheceu sua esposa Michiko, jogando seu esporte favorito – o tênis – e acabou quebrando mais um tabu casando com ela, então uma plebéia. Para romper essa tradição milenar foi necessária a aprovação do Conselho da Casa Imperial, onde vota até o Primeiro-Ministro.


A poesia da Imperatriz
A Imperatriz Michico, que esteve aqui como princesa, ao falar de Brasília, lembrava muito bem da Praça dos 3 Poderes, da Catedral e não podia esquecer nunca de duas coisas: do céu de Brasília e do calor com que a comunidade japonesa no Brasil inteiro a recebeu.
A Imperatriz Michico gosta muito de ocupar seu tempo com as crianças, a natureza, a música e a poesia. Para ela é muito importante que se dê importância à formação da juventude em consonância com a natureza. O casal imperial tem três filhos: o príncipe herdeiro Naruhito, casado com Masako, a filha Sayako e o filho Akishino, também casado. Aliás, na formação dos filhos, um outro tabu foi quebrado na rígida tradição japonesa: o próprio casal imperial fez questão de educá-los.
Michico é muito ligada à literatura. Além das poesias, das traduções, ela escreveu o livro infantil “Subindo a Montanha Pela Primeira Vez”, cuja primeira tradução para língua estrangeira foi justamente para o Português. Durante a audiência no Palácio Imperial, a Imperatriz explicou que às vezes ela se surpreende ao perceber que a maneira de ser ou as ações dos homens são sustentadas por pensamentos impossíveis de serem avaliados por outros. Assim, o livro é baseado num episódio da infância de sua filha Sayako que acabara de subir uma montanha. O que animara a garotinha de seis anos a fazer a longa caminhada e atingir, sem perceber, o pico da montanha, foi sentir-se acompanhada pelo olhar de um “kamoshika” (mamífero somente encontrado no Japão). Ai conclui a Imperatriz-escritora: quando um coração puro se concentra em algo e o deseja ardentemente, acaba gerando uma grande força.
Durante o chá no Palácio Imperial, a Imperatriz Michico falou sobre seu gosto pela literatura e explicou que gosta de compor, mas nem sempre é uma tarefa fácil. Lamentavelmente, nosso estilo de vida ocupado não nos permite dedicar tanto à poesia, dia ela e explica: “Quando eu sinto um tema, me concentro olhando as coisas e fico com aquele tema na mente. Assim é como, usualmente, componho meus poemas”.
Na visita que suas majestades farão a São Paulo, estará reservado à Imperatriz alguns momentos de emoção. Por exemplo, no Ginásio do Ibirapuera, onde haverá a solenidade de boas vindas organizada pela comunidade nipo-brasileira, um coral de crianças japonesas vai encerrar uma apresentação, cantando uma canção composta pela própria Michico.


O Imperador e Brasília
O Imperador Akihito chega em Belém no final deste mês. Dia dois de junho ele estará em Brasília e ficará hospedado na surte presidencial do Hotel Naoum. Nesta sua terceira visita à Brasília, sendo a primeira como Imperador, o casal imperial cumprirá uma agenda mista de Chefe de Estado e de Embaixador. A nova constituição japonesa, promulgada em novembro de 1946, coloca o Imperador como o símbolo do Estado e da unidade do povo, acabando com o seu caráter divino. Se na agenda a ser cumprida com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na visita ao Congresso Nacional e ao Supremo não se tratará de nenhum tema político ou econômico, a visita é importante para solidificar as relações diplomáticas entre os dois países. Segundo o embaixador Kiuchi, do Ministério das Relações Exteriores do Japão, uma visita imperial significa mais amizade entre os dois povos. E onde existe amizade, existe afinidade, existe mais espaço para a boa diplomacia e para as relações comerciais.
Não vejo a hora de voltar a Brasília, me disse o Imperador Akihito lá no Palácio Imperial. Brasília o marcou muito durante a primeira viagem. Não só pelo frenético ritmo de construção da cidade, mas até pela escapulida protocolar quando foi dar uma pescadinha num rio (que não lembra qual) a uns 100 km da daqui. Brasília o marcou, também, como cientista que é. Anteviu a importância da ocupação do Cerrado e chegou a lembrar do pioneiro Saburo Onoyama, um emigrante japonês que chegou em São Paulo e se transferiu para o DF fixando seu trabalho em Taguatinga, onde deixou muitos descendentes. Onoyama, visitado por Akihito em 1978, foi um estudioso da genética e da pesquisa agrícola no Cerrado.
O Imperador lembrou que sua última visita a Brasília, em 78, ocorreu quando a cidade tinha menos da metade de seus 37 anos de vida e ela já estava muito diferente de quando veio aqui a primeira vez. Perguntou por Oscar Niemeyer, se ele fez novos trabalhos aqui, e que estava ansioso para rever Brasília. – “Sua Majestade pensa em pescar novamente”? – perguntei. Gostaria, mas será impossível, respondeu ele.
Já a Imperatriz, ao falar da Capital, lembrou da Cidade-Monumento que visitou em maio de 67 e junho de 84. Mas sua sensibilidade poética falou mais alto: “I have kept vivid memories the vast sky of Brasilia which seemed to stretch out endlessly” (Eu tenho guardado vivo na minha memória o vasto céu de Brasília que parece esticar infinitamente).
Pois é, quem sabe se, neste início de junho, quando o verde de Brasília se contrapõe ao azul deste céu que teima em se esticar por esse infinito afora, o coração de Michico não será levado a fazer mais uma de suas poesias? É ela mesma quem diz: “Still, on this trip, I am sure that something will move my heart in those distant countries as I meet people there who may not all be of japanese ancestry. Yet I cannot be sure that will lead to a poem”. (Ainda, nesta viagem, estou certa que algo moverá meu coração para estes países distantes onde eu conheço pessoas, nem todas com ancestrais japoneses. Mas não tenho certeza se poderei fazer poemas, se terei inspiração”.


 

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Reportagens

Embrapa alcança nível de excelência em todos os indicadores da Sest

O IG-Sest avalia as empresas estatais federais desde 2017

Publicado

em

Por

 

 - O IG-Sest avalia as empresas estatais federais desde 2017

O 7º ciclo de certificação do Indicador de Governança IG-Sest, divulgado nesta segunda-feira (5) pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), classificou a Embrapa como nível 1 em grau de excelência, igualando-se aos resultados de empresas públicas como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Das 48 estatais avaliadas, somente 15 alcançaram o nível de excelência em todos os quesitos considerados. A Sest integra o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

O 7º ciclo do IG-Sest teve como objetivos incentivar a adoção de boas práticas de gestão e inovação, reforçar seu caráter colaborativo e não punitivo, promover a troca de experiências entre as estatais e ampliar a geração e análise de dados sobre governança, considerando a diversidade dessas empresas. Além disso, buscou identificar oportunidades de melhoria, apoiar o aperfeiçoamento da atuação da Sest e garantir integridade, transparência e alinhamento às políticas públicas.

O atual ciclo de avaliação foi estruturado em três dimensões, cada uma com objetivos específicos e itens avaliados:

1- Governança corporativa, visando avaliar a maturidade e a efetividade dos instrumentos de governança adotados pela empresa com foco em gestão de riscos, integridade, transparência e conformidade;

2 – Políticas públicas, com foco na verificação do alinhamento às políticas públicas prioritárias e a contribuição para os objetivos estratégicos do Estado brasileiro;

3 – Boas práticas e inovação, com o objetivo de examinar a adoção de boas práticas e inovações alinhadas à agenda ESG e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A Embrapa alcançou o grau de excelência (notas entre 7,60 e 10,00) nas três dimensões, recebendo as notas 87,96 em Governança Corporativa, 91,21 em Políticas Públicas e 78,3 em Boas Práticas e Inovação, em um total de 100 pontos para cada quesito.

Entre as estatais que alcançaram os níveis de excelência estão: Embrapa, Dataprev, Serpro, Imbel, Banco do Brasil, BB DTVM, BBTS, BNB, BNDES, Caixa, Petrobras, Valec, APS, Casa da Moeda e HCPA.

Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, alcançar o nível máximo de excelência em todos os indicadores do IG-Sest é um reconhecimento que reforça o compromisso histórico da Embrapa com a boa governança, a transparência e o alinhamento às políticas públicas. “O resultado é fruto de um trabalho coletivo, construído com responsabilidade, planejamento e visão de futuro. Ele reflete o empenho contínuo de nossos empregados, dirigentes e conselheiros em fortalecer práticas modernas de governança, aprimorar a gestão de riscos e promover a inovação alinhada às agendas ESG e aos ODS”, afirma.

“Para a Embrapa, a excelência em governança não é um fim em si mesma, mas um instrumento essencial para ampliar nossa capacidade de entregar soluções científicas e tecnológicas que contribuam para a sustentabilidade da agropecuária brasileira, a segurança alimentar e o desenvolvimento do País. Esse reconhecimento nos motiva a avançar ainda mais, com integridade, transparência e compromisso com o interesse público”, complementa.

De acordo com a diretora de Governança e Informação, Selma Beltrão, o reconhecimento da Embrapa com o nível máximo de excelência no IG-Sest evidencia que a governança, quando orientada pela inovação e pelos princípios ESG, torna-se um vetor estratégico de transformação institucional. O resultado reflete a busca constante da Embrapa pela maturidade dos processos, o fortalecimento da cultura de integridade e a incorporação contínua de boas práticas que ampliam a transparência, a gestão de riscos e a responsabilidade socioambiental.

“A excelência alcançada nas três dimensões do indicador demonstra que é possível inovar na gestão, ao mesmo tempo em que se promove impacto positivo para a sociedade, para o meio ambiente e para o desenvolvimento sustentável do País”, destaca.

Histórico

Em 2021, a Embrapa participou do 5º ciclo de avaliação. A avaliação média da Empresa nesse instrumento de acompanhamento de desempenho subiu de 6,94 (nota de 2019) para 8,14. A estatal manteve-se classificada no nível de governança 2 e recebeu a certificação entregue apenas a empresas classificadas como 1 e 2 de um total de 4 níveis. Ao todo, 60 empresas foram avaliadas quanto ao cumprimento de requisitos exigidos pela Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016), pela implementação de diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e de boas práticas de governança corporativa. Clique aqui para ver o quadro de classificação das estatais.

O 6º ciclo foi realizado em 2022 e avaliou 55 estatais, sendo 43 de controle direto e 12 subsidiárias. Dentre as estatais avaliadas, 14 foram classificadas no grau de governança de nível 1 e outras 14, no nível 2.  A Embrapa não entrou na classificação.

A data da premiação referente ao 7º ciclo para as empresas que alcançaram os melhores ainda não está agendada. Confira classificação da Embrapa no Relatório Sintético Indicador de Governança e Políticas Públicas IG-Sest – 7º Ciclo.

Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)
Assessoria de Comunicação (Ascom)

Contatos para a imprensa

Continue Lendo

Reportagens

Decreto permite que faculdades comunitárias recebam recursos públicos

Medida foi assinada pelo presidente Lula em evento no Planalto

Publicado

em

Por

 

Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

 

Um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira (19), regulamenta a qualificação das instituições comunitárias de ensino superior e define regras para que elas possam fazer parcerias com órgãos estatais e acessar recursos do orçamento público. Essas entidades são faculdades e universidades sem fins lucrativos constituídas na forma de associação ou fundação e geridas por um conselho comunitário formado por vários segmentos da sociedade civil.

“Esse decreto vai permitir às instituições terem acesso a editais de órgãos governamentais de fomento direcionados a instituições públicas. Vai ter o direito de recebimento de recursos orçamentários do poder público para o desenvolvimento de atividades de interesse público. Terão a possibilidade de ser alternativa na oferta de serviços públicos, no casos em que não são proporcionados diretamente por entidades públicas, parceiras e públicas-estatais”, destacou o ministro da Educação, Camilo Santana, durante evento de assinatura do ato, no Palácio do Planalto.

A cerimônia contou com a presença do presidente Lula e de diversas autoridades e representantes de faculdades comunitárias.

A nova norma regulamenta a chamada Lei das Comunitárias (Lei nº 12.881/2013) e foi elaborada a partir de um grupo de trabalho criado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2024, que reuniu especialistas da pasta, do Conselho Nacional de Educação (CNE) e representantes de entidades como a Associação Brasileira das Instituições Comunitárias de Educação Superior (Abruc) e o Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung).

Durante a solenidade, Santana também ressaltou que as instituições comunitárias de ensino superior tiveram um bom desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizado ano passado. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira. “Isso mostra a relevância dessas instituições comunitárias, e muitas delas estão presentes em municípios que não têm universidade pública”, disse o ministro.

A presidente da Abruc e reitora do Centro Universitário Frassinetti do Recife (UniFAFIRE), Maria das Graças Soares da Costa, também discursou no evento e agradeceu o reconhecimento dessas instituições para o desenvolvimento regional do Brasil. “Faremos uma nova história com a sua assinatura, que muito nos honra, e queremos fazê-la com toda a responsabilidade, sobretudo no dia em que também são abertas as inscrições para o Sisu [Sistema de Seleção Unificada]“, declarou.

Continue Lendo

Reportagens

Programa Educação Vem do Berço transforma solidariedade em cuidado e beneficia três mil mães no DF em 2025

Campanha da Secretaria de Justiça e Cidadania reaproveita uniformes escolares doados por instituições particulares e os transforma em enxovais infantis, unindo sustentabilidade, ressocialização e proteção à primeira infância

Publicado

em

Por

 

 

Por

Agência Brasília* | Edição: Ígor Silveira

Uma iniciativa que começa dentro das escolas e chega aos braços de mães em situação de vulnerabilidade. Assim pode ser resumido o impacto da campanha Educação Vem do Berço, promovida pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), que ao longo de 2025 beneficiou mais de três mil mães em diferentes regiões do DF, levando acolhimento, dignidade e cuidado desde os primeiros dias de vida.

Criada em maio de 2025, a campanha já resultou na produção de mais de 12 mil itens de enxoval infantil, entre roupinhas, mantas, bolsas, pijamas, conjuntos, shorts, saias, meias, sapatinhos e luvas. Todas as peças são confeccionadas a partir de uniformes escolares já usados, doados por alunos, professores e responsáveis de escolas particulares que aderiram à iniciativa.

O processo começa nas próprias unidades de ensino, que recebem caixas personalizadas com a identidade visual da campanha. Nelas, a comunidade escolar deposita uniformes que não são mais utilizados — muitas vezes esquecidos em armários — e que passam a cumprir um novo e importante papel social.

As doações são encaminhadas à Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do DF (Funap-DF), onde se inicia um trabalho cuidadoso e técnico. As roupas passam por um processo de descaracterização, com a retirada de logomarcas e símbolos escolares, e depois são adaptadas para se transformarem em peças infantis confortáveis, seguras e de qualidade. Dependendo do modelo e do tecido, uma única camisa ou agasalho pode dar origem a duas ou até três novas peças.

Ressocialização que costura novos caminhos

Toda a confecção é realizada por homens e mulheres privados de liberdade, que encontram na oficina de costura da Funap uma oportunidade concreta de aprendizado profissional, geração de renda e reconstrução pessoal. Atualmente, 42 reeducandos e reeducandas participam das confecções dos diversos projetos coordenados pela Sejus — sendo 25 costureiras na Penitenciária Feminina do DF (PFDF), sete costureiros no Centro de Internamento e Reeducação (CIR) e 10 profissionais na sede da Funap, no SIA.

Além de contribuir para a ressocialização, o trabalho fortalece a economia circular e reforça o compromisso da campanha com a sustentabilidade, ao reduzir o descarte têxtil e dar novo significado a materiais que antes perderiam sua utilidade.

Para quem participa da confecção, o trabalho representa mais do que aprendizado técnico. Aos 58 anos, Magali Costa é uma das reeducandas que encontraram no projeto uma oportunidade de qualificação profissional e de reconexão com a sociedade. “Como avó, sei o quanto o cuidado faz diferença nos primeiros dias de um bebê. Saber que essas roupas vão chegar a mães vulneráveis nos dá força. É uma troca de humanidade que transforma quem faz e quem recebe”, afirma.

 

A emoção de receber cuidado em forma de enxoval

Para quem recebe, o impacto vai além do material. A dona de casa Amanda Kelly Teodolino, 30 anos, moradora da Vila São José, em Brazlândia, conta que se emocionou ao receber o enxoval para o bebê. “É tudo muito bonito, bem feito, de muita qualidade. A gente percebe o carinho em cada peça. Eu não teria condições de comprar tudo isso, e receber assim, completo, aquece o coração”, relata.

Sentimento semelhante foi vivido pela empregada doméstica Lizandra dos Santos, 28 anos, moradora de Santa Luzia, na Estrutural. “Quando vi o enxoval, fiquei muito grata. São itens essenciais, feitos com cuidado e amor. Dá uma tranquilidade enorme saber que meu bebê vai ter tudo o que precisa logo no começo da vida”, afirma.

Os enxovais produzidos pela campanha são destinados a gestantes e mães de recém-nascidos atendidas pelo programa Nasce Uma Estrela, também promovido pela Sejus. A iniciativa integra ações de proteção à primeira infância da pasta, oferecendo apoio social, orientação e cuidado às mulheres durante a gestação e nos primeiros meses de vida dos bebês, especialmente em contextos de vulnerabilidade.

Criada em maio de 2025, a campanha já resultou na produção de mais de 12 mil itens de enxoval infantil, entre roupinhas, mantas, bolsas, pijamas, conjuntos, shorts, saias, meias, sapatinhos e luvas

Campanha consolidada e com novos horizontes em 2026

Com os resultados alcançados em 2025, o Educação Vem do Berço se consolida como uma política de impacto social e segue fortalecido em 2026, com a adesão de novas escolas particulares do Distrito Federal interessadas em participar da iniciativa.

“O Educação Vem do Berço é um exemplo de como ações integradas podem gerar transformação social real. A campanha promove solidariedade, incentiva a ressocialização, protege a primeira infância e envolve a sociedade na construção de um futuro mais justo desde o nascimento”, destaca a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani.

Escolas particulares que desejarem aderir à campanha e integrar essa rede de cuidado e responsabilidade social podem entrar em contato com o programa Voluntariado em Ação, responsável pela articulação das parcerias, pelo WhatsApp (61) 98314-0520.

*Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF)

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010