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AS CRIANÇAS E A EXPOSIÇÃO AOS ELETRÔNICOS

“Não dá para terceirizar a formação das crianças aos eletrônicos que no fundo querem vender alguma coisa”.

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Depois de um ano e meio de pandemia, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais fizeram um alerta: são muitos os riscos da alta exposição de crianças às telas de equipamentos eletrônicos, como celular, computador, televisor e tablet. Evidente, que durante a pandemia, essa exposição, que já era alta, aumentou sensivelmente. Era o recurso que as famílias tinham para entreter as crianças. Essa situação, que foi vista como passageira, agora é alvo de preocupação.

Não é só o excesso de exposição a telas, que pode causar transtornos no desenvolvimento das crianças. A mínima exposição já é suficiente para colaborar com o aumento da irritabilidade, dificuldade de sono e comportamento das crianças.

Criar filhos se tornou algo complexo, para a maioria das famílias. Essa sensação, que muitas vezes não são só sentidas e sim vividas na prática, tem impactado na formação comportamental da atual geração. Atualmente, os pais são expostos à uma educação que não se pode ser replicada. Cada geração tem suas características. A atual trouxe um elemento antes jamais experimentado: a disponibilização das muitas tecnologias.

 

O PERIGO DO EXCESSO

Ao mesmo tempo que tantos recursos chegam para elevar nossas conexões e conhecimentos, eles carregam o perigo da desinformação, do excesso, do distanciamento e do estresse. Sim, esse estresse, que muitas vezes não é possível ser notado no primeiro momento, tem crescido cada vez mais.

Sabemos as consequências, mas qual a causa desse fenômeno’? Ele vem motivado pelo difícil controle que os pais têm sobre o tempo dos filhos. Todas as ferramentas da tecnologia são usadas para o trabalho, lazer, pesquisa, contato e interação. Aí encontramos uma nova questão: como controlar o incontrolável? Acontece que as crianças absorvem e manifestam, esse estresse de uma forma diferente. A manifestação delas é sentida no sono desregulado, na agitação, na agressividade, na impaciência, na falta de habilidade em lidar com a frustação e, o mais perigoso de todos, a falta de criatividade. Sim, na falta de paciência para brincar, pode-se dizer, de forma analógica’.

 

INCENTIVO AO BRINCAR

É importante ter a percepção de que o digital permite que a criança viva o prazer de consumir algo, sem dar nada em troca, sem lhe tirar energia, sem lhe exigir esforço.

Essa questão, quando observada com profundidade, ultrapassa as paredes da casa e chega às escolas. Quando a professora observa que a criança não tem paciência para escrever no caderno, quando não quer brincar de jogar pedrinha ou pular amarelinha, às vezes, até uma simples pintura na aula de artes se torna um desafio. E para ampliar nossa reflexão, observamos que as instituições de ensino, geralmente, adotam em seus currículos uma forte tendência de expor cada vez mais os alunos a esse universo. Os impactos desses comportamentos e os benefícios ou malefícios dessa escolha só poderão ter avaliação segura no futuro. Por hora, temos uma certeza: o equilíbrio é o caminho.

 

DESAFIO

Após atender muitas famílias, percebi as dificuldades que a maioria tem em encontrar o caminho do equilíbrio. Assim, considerando que as crianças seguem cada vez mais expostas e tendo, inclusive, na sua rotina diária, o tempo que pode consumir as telas eletrônicas, proponho um desafio aos leitores do Correio Braziliense: tire o acesso do seu filho, por 7 dias, de todas as telas, de qualquer estímulo visual que venha pela tecnologia.

Você logo perceberá o resultado. E vai se surpreender porque terá uma criança mais viva, com mais disposição o que vai refletir na própria tranquilidade de seu sono.

Parece mágica, mas não é. Assim como já notei nos diversos “feedbacks” de famílias que orientei, a ausência ou uso equilibrado das telas transforma a criança. A criança será uma versão melhor dela mesma.

Vale dizer: tecnologia é bom. É a tendência. O futuro. Vai sempre democratizar a informação e facilitar nossas vidas. Mas nada facilitará mais a função do ser humano do que se relacionar, socializar, abraçar e expor diretamente os sentimentos. Nenhum celular ou bichinho de pelúcia vai substituir o contato direto. Se para um adulto já formado é assim, imagina para uma criança em formação.

 

RECOMENDAÇÕES

Então, vem a pergunta: quando e quanto liberar os eletrônicos?

O que seria um consumo adequado na infância?

Objetivamente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que o uso de telas, com bom senso, só pode começar a partir dos 2 anos de idade. Alguns neurocientistas são mais radicais. Para eles o cenário ideal é nada de telas até os 6 anos.

Dos 6 em diante, no máximo meia hora de tela por dia, passando a 60 minutos a partir dos 12. Mas vale ponderar que deve haver bom senso. Por força das circunstâncias, crianças mais velhas às vezes precisam estudar a distância.

 

OUTROS CUIDADOS: evitar vídeos e games antes de ir à escola e antes de dormir. Tudo isso, claro, depende dos pais, cuidadores e demais familiares que devem ser pacientes e mais presentes no convívio. Mais responsáveis, atentos, ativos e criativos. Em resumo: não dá para terceirizar a formação das crianças aos eletrônicos que, no fundo, sempre querem vender alguma coisa.

 

Alice Simão

alicesimão@correiobraziliense.com.br

 

 

 

 

 

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OURO PRETO E MARIANA

História e Cultura no coração de cada visitante

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Ouro Preto e Mariana – cidades históricas e das artes mineiras, ali uma do lado da outra – faz cada visitante, cada turista, brasileiro ou estrangeiro, perder o fôlego. Além de ser um lugar especial para quem procura beleza, charme e tranquilidade, Ouro Preto e Mariana (como também Congonhas do Campo e Tiradentes) se abraçam num circuito de onde jorra uma cascata de História do Brasil colonial e imperial. Em Ouro Preto, a mais importante cidade do Circuito do Ouro, nasceu Minas Gerais. A região é fascinante. Ali se misturam todos os tipos de turismo: histórico, cultural, de eventos, pedagógico, religioso, patrimonial e turismo de aventura. As artes, o folclore e o artesanato desaguam no coração e na alma de todos os moradores e visitantes. Por este caleidoscópio de propriedades, Ouro Preto é Cidade Monumento Nacional desde 1933. E, desde 1980, é Patrimônio Cultural da Humanidade, chancelado pela Unesco.

 

A origem de Ouro Preto está no arraial do Padre Faria, fundado pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, pelo Padre João de Faria Fialho e pelo Coronel Tomás Lopes de Camargo, e um irmão deste, por volta de 1698. Para o jornalista e ex-ministro da Cultura, Ângelo Oswaldo Araújo dos Santos, atual prefeito de Ouro Preto, (eleito no seu quarto mandato) o Brasil pode ter sido iniciado no litoral. E começou em vários pontos do litoral como Porto Seguro, Salvador, Rio de Janeiro, Recife, São Luís do Maranhão, mas a concepção do Brasil como nação foi forjada em Vila Rica. Por vários motivos: pela produção do ouro e diamante que movimentou a engrenagem dos interesses econômicos e de riquezas dos tempos coloniais e pelos sonhos libertários dos inconfidentes. Nesse rol estão Felipe dos Santos, Pascoal Guimarães e os membros da Inconfidência Mineira capitaneados por Joaquim José Francisco da Silva Xavier. Todos eles plantaram a semente da Liberdade e da Independência. Por isso, o sábio conselho do historiador Marcelo JB Resende para quem percorre as ladeiras da velha Vila Rica: “Apure seus ouvidos ao andar pelas ruas de Ouro Preto. Sem muito esforço e alguma imaginação é possível ouvir os sussurros conspiratórios, os ideais subversivos e as intrigas palacianas”.

 

Ouro Preto tendo ao fundo o Pico do Itacolomi (foto: Mylena Lira)

 

 

BOA POUSADA E SUSTENTABILIDADE
As cidades históricas de Minas Gerais, como Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tiradentes e São João d’el Rei têm bons serviços de hotelaria. A rede de hotéis e pousadas é grande e de ótima qualidade. Aliás, o Brasil tem se destacado no setor hoteleiro, ocupando lugar de destaque no mundo. O turismo – conhecido como a indústria da paz – exige uma constante modernização, pois o setor hoteleiro é a alavanca para o desenvolvimento econômico local e regional.
De acordo com a pesquisa Meios de hospedagem – Estrutura de Consumo e Impactos na Economia, além da geração de emprego e de colaborar para o aumento de negócios em outros setores que dependem do turismo, os hotéis também contribuem para outras áreas, como ao consumir bens industriais. A hotelaria consome milhares de televisores, aparelhos elétricos e eletrônicos, roupas de cama e banho, cosméticos e tantos outros itens, que movimentam as economias dos estados e municípios.

 

 

 

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O CÉU MAIS AZUL

Meu adeus ao jornalista e amigo Adriano Lafetá.

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ADRIANO veio de Minas. Lá de Montes Claros. Trouxe para Brasília o sentimento da mineiridade envolta na bandeira da Liberdade, da magnanimidade e da Nação AZUL. Cruzeirense como eu, ele estava feliz pela campanha fenomenal do time deste ano. Ainda viu o Cruzeiro ser campeão e quebrar todos os recordes.
Na UnB se capacitou em ser um dos jornalistas mais competentes e íntegros do Brasil. Texto primoroso. Editor que ajudou forjar a credibilidade e universalidade do CORREIO BRAZILIENSE. O jornalista Adriano Lafetá se despede da vida com um legado de exemplos pessoais e profissionais. Adeus amigo.
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MERCADO DE CARBONO FUNCIONAMENTO E COMPENSAÇÕES FINANCEIRAS

Créditos de carbono emitidos por países e empresas dispostos a compensarem emissões de gases de efeito estufa movimentam bilhões de dólares aliando interesses econômicos e sustentáveis

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Por GUILHERME JUSTINO – Jornalista especializado em Ciência e Sustentabilidade, membro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, da Associação Nacional de Jornalistas de Educação e da Alliance for Health Promotion.

A viabilização de um mercado de carbono tem sido um dos temas mais discutidos recentemente no cenário global. Aliando o interesse econômico à preocupação mundial com ações de sustentabilidade, o assunto tem se fortalecido como uma das principais propostas para combater a crise climática de maneira prática, justa e engajada, permitindo que países negociem créditos para reduzir significativamente as emissões dos gases que causam o efeito estufa. Mas o que é o mercado de carbono? Como se comporta? Quais suas vantagens?

MERCADO DE CARBONO VEM DA RIO-92

O mercado de carbono surgiu a partir da criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFVV, em inglês), durante a ECO-92, no Rio de Janeiro. Posteriormente, em 1997, durante uma de suas mais importantes reuniões, em Quioto, no Japão, foi decidido que os países signatários deveriam assumir compromissos mais rígidos para a redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa. Isso ficou conhecido como Protocolo de Quioto.

Para o protocolo entrar em vigor, era preciso reunir países que representassem 55% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que só aconteceu de fato em 2005. Foi então que a redução das emissões passou a ter valor econômico, diante do objetivo central de que os países limitassem ou reduzissem suas emissões desses gases.

COMO FUNCIONA O MERCADO DE CARBONO

Em resumo, os créditos de carbono são uma “autorização” para que uma empresa ou um país emita gases de efeito estufa até determinado limite. Quem polui e emite mais tem que comprar créditos. Quem emite menos pode vender suas licenças extras. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2).

É como se cada país pudesse liberar na atmosfera uma determinada quantidade de gases. Alguns não atingem a meta, e podem comercializar sua “cota” excedente na forma créditos de carbono. Outros têm atividades econômicas tão poluidoras que superam o limite e, por isso, devem comprar créditos de quem emite menos ou possui áreas de floresta conservada. (Veja o quadro abaixo. Arte: Thiago de Jesus).

 

 

Essas negociações sustentáveis movimentam uma cadeia multibilionária: o volume de negócios de créditos de carbono chegou a 229 bilhões de euros em 2020 — cinco vezes mais do que em 2017, segundo a consultoria global Refinitiv. É mais de R$ 1 trilhão. Ou seja, um mercado pujante, mas que ainda precisa crescer muito para dar conta da demanda global.

“De acordo com a ambição estabelecida no Acordo de Paris, devemos, coletivamente, reduzir entre 1 e 2 bilhões de toneladas de CO2 ao ano das emissões mundiais, algo entre 10 e 20 vezes o mercado voluntário atual. Portanto, o mercado de créditos de carbono teria que aumentar, no mínimo, 14 vezes em relação ao tamanho atual e manter esse patamar de expansão todos os anos”, destaca Julio Carepa, gerente de projetos na WayCarbon, consultoria de soluções de tecnologia e inovação voltadas para a sustentabilidade.

TIPOS DE MERCADO DE CARBONO

Há dois tipos de mercados funcionando de forma paralela, em âmbito nacional e internacional: o voluntário e o regulado.

O mercado voluntário é formado por empresas comprometidas por conta própria a compensar emissões comprando créditos de quem é capaz de provar que está tirando carbono da atmosfera, com atividades florestais ou substituição de uma energia suja, como o carvão, por fontes limpas, como usinas solares. Nessa modalidade, empresas com metas de neutralização de carbono negociam seus certificados segundo a lei de oferta e demanda.

Já o mercado regulado é mantido por governos dispostos a ajustar de alguma forma o comércio de carbono. Nesse mercado, as empresas precisam concordar em tomar medidas para emitir menos. O mercado regulado mais importante é o europeu, chamado Emissions Trading System e mantido pela União Europeia, mas há órgãos relevantes na Califórnia e na China, que implantou um sistema assim em 2020. (Veja o quadro abaixo: Arte: Thiago de Jesus).

 

 

 

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Reportagens

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