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Memorial faz festa para os povos indígenas
Shows e feira são destaques que integram festividades na programação do aniversário da capital
Agência Brasília* | Edição: Saulo Moreno
O Memorial dos Povos Indígenas (MPI) celebra o mês em que se comemoram os direitos e a memória das nações originárias. Nesta terça-feira (19), Dia do Índio, às 10h, haverá uma solenidade marcada pela encenação da Oração para a Lua, com a cantora Nívia Tupinambá, seguida por workshop de pintura corporal indígena.
A programação culmina no aniversário de Brasília (21) com o evento Feira Colaborativa, em que artistas dos povos originários vão apresentar narrativas orais e escritas, cantos e danças rituais, artesanato e amostras de sua culinária. Em torno dessas atividades, segue em cartaz a exposição Artes para Descobrir as Culturas Indígenas, com cinco instalações audiovisuais e visitas guiadas.

Para o secretário Bartolomeu Rodrigues, a programação em comemoração ao Dia do Índio é “especialíssima” para a cultura do DF | Fotos: Divulgação / Ascom Secec-DF
“Essa programação no MPI é especialíssima para a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF porque estamos diante de um espaço único e sagrado da nossa formação como brasileiros”, destaca o secretário Bartolomeu Rodrigues.
O gerente do MPI, David Terena, que também carrega no sobrenome sua etnia, valoriza a programação de abril. “É com muita alegria que nossa equipe produz essas comemorações de qualidade”.
Caminhando pelo MPI, ele aponta as melhorias de acessibilidade, o piso novo, o sistema anti-incêndio. David sonha alto e pensa no MPI com mais estrutura de pesquisa, um centro de referência em história, antropologia, restauração.

David Terena, gerente do MPI, sonha com mais estrutura de pesquisa, um centro de referência em história, antropologia e restauração do local
Neste dia 19, às 10h, Nívia Tupinambá, que também traz no sobrenome sua etnia, vai dançar o toré (que significa “sou sagrado”) Oração à Lua, parte de uma cerimônia ritual que celebra a proteção da vida dos indígenas e da natureza por Tupã (sol) e Jaci (lua). “É uma oração de agradecimento e pedidos”, explica.
Educadora, Nívia defende a criação de um Dia Universal da Cultura Indígena, por considerar que o Dia do Índio, como reza o calendário, mantém uma imagem estereotipada e folclórica dos povos originários. “O índio pode sair da situação de aldeia, ir para a universidade, ir para onde quiser. Não vai deixar de ser índio por isso”, argumenta.
Na ocasião, o público é convidado a conhecer as cinco instalações da mostra Artes para descobrir as culturas indígenas, que estreou no último dia 12 e fica em cartaz até a próxima segunda-feira (25). Uma delas, Retratos Invisíveis, exibe vídeo de mulheres dos povos originários imersas em suas comunidades e em interações simbólicas.
“A gente supera a estranheza e aprende sobre nossa história, nosso passado”Cauã, turista de São José dos Campos, pela primeira vez em Brasília
Recepcionando o casal de irmãos Raíssa e Cauã, ambos de São José dos Campos (SP), em sua primeira viagem a Brasília, a guia Euna Macedo sabe que é descendente dos povos originários e considera “um privilégio, um presente” trabalhar no equipamento da Secec.
Ela desconhece a etnia da qual descende e interroga membros da família atrás de pistas. Raíssa se encanta com a visita guiada: “Achei as roupas dos indígenas mais próximas das nossas, mas os instrumentos deles de caça e de música são bem diferentes”. De acordo com Cauã, “a gente supera a estranheza e aprende sobre nossa história, nosso passado”.

Heloísa Araújo participa da programação cantando torés e rojões para mostrar o cotidiano da etnia Kariri-Xocó
Aguardando dois ônibus de estudantes de escola pública, a professora da Secretaria de Educação e participante do projeto Territórios Culturais, Karine Rocha, destaca o papel do MPI na sensibilização para as pautas indígenas. “A grande maioria nunca tinha vindo aqui antes”, afirma. Ela costuma recebê-los na rampa do edifício construído em 1987 e projetado por Oscar Niemeyer a partir de concepção do antropólogo Darcy Ribeiro.
Com ela, os estudantes aprendem que a rampa de acesso ao espaço evoca um rio com seu desenho sinuoso, que suas luzes intensas ecoam o papel de um memorial que, diferentemente de museus, trata de questões presentes e descobrem a riqueza do patrimônio indígena, com sua arte plumária, cestaria, cerâmicas, línguas e ritos.
As apresentações na Feira Colaborativa vão avançar para além das tradicionais vendas de artesanato e exposições. Pretendem atualizar a imagem que o público costuma ter dos povos originários.
Kamuu Dan Wapichana, que vai contar histórias com performances em danças e cantos rituais, diz que as narrativas indígenas são pouco difundidas: “Estamos contribuindo para que o público em geral conheça a literatura indígena, desmistificando estereótipos e mitos sobre nós”.

Kamuu Dan Wapichana vai contar histórias com performances em danças e cantos rituais para desmistificar estereótipos e mitos sobre os índios
A Kariri-Xocó Heloisa Cruz Araújo, cujo nome original de batismo, Hãmín, significa “aquela que aprende na mata”, acredita que será de grande importância apresentar sua cultura. “Cantarei torés e rojões de minha etnia. Meu objetivo é que conheçam como é o nosso cotidiano da arte de cantar, de falar e praticar nossa essência, nossos cantos sagrados e nativos, falar um pouco da nossa história de muitos anos da resistência”. Ela explica que os torés reúnem cantos e danças e têm conexão com Deus e os ancestrais. Já os rojões são cantos para plantios, colheitas e acolhimento de familiares e amigos.
Oziel Ticuna, da etnia Ticuna Magüta, é estudante da Universidade de Brasília (UnB), graduando em administração e influencer indígena nas redes sociais. É da comunidade indígena Vila Betânia-Mecürane, no Rio Alto Solimões, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, no Amazonas.
“Eu vou apresentar uma dança cultural baseada na nossa cultura e na mitologia dos Ticuna Magüta. Manter o ritual e a valorização cultural é algo singular para mim, porque dança e música são sagradas para nós, Ticunas. Além do mais, quero defender o meu povo por meio da dança e trajes culturais que vão ser usados durante a apresentação”.
Natasha Barros Cardoso, natural de Belém do Pará, é da etnia Apinajês. É dançarina e coreógrafa de danças folclóricas do Norte. “Vou apresentar danças folclóricas de uma cabocla, com sua beleza e encantos. O folclore brasileiro não pode ser esquecido e precisa ser mais valorizado. A dança no ritmo de boi-bumbá mostra a beleza da índia cunhãporanga, que significa “mulher mais linda e guerreira da tribo”, conta Natasha. A performance traz elementos da lenda da cabocla e o boto. Confira a programação a seguir.
Memorial dos Povos Indígenas
Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK
Horário de visitação: de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Artes para descobrir as culturas indígenas
19 a 25 de abril
9h às 17h
Dia 19
Memorial dos Povos Indígenas
Oração para a Lua, com Nívia Tupinambá
10h – Festividade do Dia do índio com canto da etnia tupinambá Oração para a Lua, com a cantora Nívia Tupinambá. Exposição Artes para Descobrir as Culturas Indígenas. Feira étnica
Dia 21
Feira Colaborativa
10h às 17h – Com shows de Nubia Batista, Eliaquim Camilo, Natasha Barros e Gilberto Cruz
Dia 22
10h às 17h – Com shows de Mirim Ju Yan Guarani, Ian Wapichana, Gilberto Cruz e Oziel João Filho. Exposição Artes para Descobrir as Culturas Indígenas
Dia 23
10h às 17h – Com shows de Kumuu Dan Wapichana, Heloísa Cruz de Araújo, Nívia Costa e Kessia Daline. Exposição Artes para Descobrir as Culturas Indígenas
Dia 24
10h às 17h – Com shows de Waurá, Ybá Sanenawa, Fernando Gomes e Javier. Exposição Artes para Descobrir as Culturas Indígenas
Telefones: (61) 3344-9272 / 3344-1154 / 3306-2874
e-mail: mpi@cultura.df.gov.br
*Com informações da Secec-DF
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A INVENÇÃO NOTA 10 E O VEXAME DA COP30
O Brasil, sede da COP30, perdeu a chance de celebrar sua maior inovação sustentável. Por quê?
Reginaldo Marinho inventor com módulo e maquete em exposição na Feira da Indústria da Construção, Feicon-São Paulo.
O Brasil, sede da COP30 em 2025, deveria estar exportando tecnologias de inovação de ruptura para o mundo. Contudo, nossa maior contribuição para a Economia Ecológica e habitação sustentável jaz abandonada há 14 anos. A Construcell – a estrutura construtiva solar e modular, premiada internacionalmente, que transforma o passivo ambiental de garrafas PET em moradias de alta resiliência – é a prova do diagnóstico amargo: a “Opção pela Mediocridade” brasileira. O inventor Reginaldo Marinho, cuja jornada foi reconhecida pelo Prime/Finep com Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação e, em seguida, ignorada por 14 anos pelo Estado, fala sobre a sabotagem institucional, a urgência geopolítica da COP30 e o vexame de perdermos nossos gênios para quem realmente valoriza o futuro.
REGINALDO MARINHO – ENTREVISTA
Ele é um visionário. Reginaldo Marinho, paraibano de João Pessoa, estudou três anos de engenharia e dois anos de arquitetura na Universidade de Brasília para receber com todo orgulho o diploma de inventor. No Brasil, já fez de tudo para emplacar seu invento. Percorreu ministérios, agências de desenvolvimento, estatais e até redações de jornais para convencer autoridades e influenciadores de que não era nem maluco e que sua invenção era muito séria e importante para a sustentabilidade. Pouco conseguiu. Mas o que seu país, lhe negou este brasileiro arretado conseguiu no exterior: reconhecimento, prêmios e medalhas. Sim, a Medalha de Ouro do Salão Internacional de Invenções da Europa, em Genebra, concorrendo com mais de 600 inventores de 44 países.
Silvestre Gorgulho – Reginaldo, lá se foram mais de duas décadas e sua invenção se tornou um “triste símbolo” no Brasil. Explica por que a COP30 gosta mais de ideologia do que de tecnologia e o que significa essa “Invenção Sustentável” totalmente ignorada pela COP30, em Belém?
Reginaldo Marinho – Olha, quem prometeu uma COP30 da verdade, entregou uma COP da hipocrisia. Sim, hipocrisia da preservação ambiental, hipocrisia da agenda climática. A verdade é que a COP, todas elas, viraram um movimento mais ideológico do que de sustentabilidade. Tanto que a COP30, em Belém, ficou esvaziada. Apenas 17 chefes de Estado e ninguém dos BRICs e das grandes lideranças mundiais. Estados Unidos fora e a maioria da própria América Latina. Não se pode falar em sustentabilidade sem tecnologia e sem educação.
Silvestre – Você mencionou a hipocrisia da agenda. Essa falha de visão do Estado brasileiro é recente, ou a Construcell já havia sido rejeitada em outras grandes vitrines internacionais que o Brasil promoveu?
Reginaldo Marinho – Está aí um grande paradoxo. Há 25 anos, a Construcell não era apenas engenharia. Era um paradigma em Economia Ecológica: um sistema construtivo solar e modular que transforma o passivo ambiental mais problemático do planeta – as garrafas PET – em moradias de baixo custo e alta resiliência. O Brasil, sede da COP30, deveria celebrar essa tecnologia e outras tecnologias como sua maior contribuição para a sustentabilidade global. No entanto, o Construcell se tornou um símbolo da ‘Opção pela Mediocridade’ que paralisa nosso desenvolvimento tecnológico.
Silvestre Gorgulho – Nesse sentido, você já havia experimentado alguma rejeição à sua invenção?
Reginaldo Marinho – Sim. Depois da Exposição Universal de Hannover, EXPO 2000; do Ano do Brasil na França, 2005; da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, RIO+20; da Copa da FIFA, 2014; na COP 30, o Brasil perde a quinta oportunidade de mostrar para o mundo uma tecnologia ambiental disruptiva que continua inédita na engenharia civil. Foram oportunidades de ouro que o Brasil perdeu. Não foram apenas perdas econômicas. Nós perdemos oportunidades de manifestar o orgulho nacional.
Silvestre Gorgulho – Por que o Brasil rejeitou uma tecnologia com esse potencial?
Reginaldo Marinho – A raiz está na aversão cultural à inovação de ruptura. Enquanto o mundo busca soluções urgentes para a crise plástica e climática, o Brasil rejeitou ativamente a única tecnologia capaz de absorver todo o PET do planeta de forma construtiva. Essa falha de visão já foi ecoada pela presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA (NAS), Marcia McNutt, que, em entrevista publicada no Estadão, diagnosticou: “a ciência brasileira precisa ser mais ousada”. O nosso caso prova que a inação do Estado é o maior obstáculo.

Maquete impressa em 3D na paisagem arquitetônica de Brasília.
Silvestre Gorgulho – Mas isso é generalizado?
Reginaldo Marinho: Sim. No final do século passado, eu visitei o dono do maior centro de ensino superior privado do Centro-Oeste para apresentar Construcell, quando chegaram a esposa de dois filhos adolescentes. Enquanto eles assistiram ao vídeo demonstrativo, a esposa exclamou: – Meu amor, que coisa linda! Derruba aquela lanchonete horrorosa que tem no pátio e constrói outra com essa tecnologia. Os filhos endossaram em coro: – É mesmo, pai, faz isso. O reitor contestou gravemente: – Não. Só depois que alguém fizer a primeira. Aversão ao pioneirismo é um hábito está na matriz do pensamento nacional. Marcia McNutt tem razão.
Silvestre Gorgulho – A rejeição à Construcell foi técnica? Como o Estado validou, e ao mesmo tempo sabotou, a invenção?
Reginaldo Marinho – O Construcell não falhou por deficiência técnica. O projeto foi ativamente rejeitado por uma política implícita de Estado. Sua excelência foi, paradoxalmente, validada pelo próprio sistema que o abandonou: no Edital PRIME da FINEP/MCTI, a Construcell foi classificada em primeiro lugar, obtendo a Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação após análise de cerca de 80 especialistas. O projeto não só foi classificado com mérito, como sua Prestação de Contas Final foi formalmente aprovada em dezembro de 2011. O Edital Prime prova esse descompasso, pois os recursos foram direcionados para consultorias. A promessa para o investimento na própria tecnologia é aguardada há 14 anos.
Silvestre Gorgulho – E qual foi o resultado prático após essa aprovação incontestável?
Reginaldo Marinho – Apesar dessa chancela incontestável, a promessa de liberação de recursos para a execução do produto – esperada no ano seguinte – jamais se concretizou em 14 anos. O abandono e a recusa posterior do INPI em conceder a patente sela o veredito: a Construcell foi punida por ser uma inovação de ruptura que confronta a mediocridade vigente.

Maquete digitalizada totalmente transparente simulando estande de exposições.
Silvestre Gorgulho – Onde o Estado brasileiro está falhando? E qual é o risco da COP30?
Reginaldo Marinho: O Estado falha em sua obrigação constitucional. A Constituição Federal (Artigos 218 e 219) é clara sobre a obrigação do Estado de promover o desenvolvimento científico e tecnológico. É um ato de negligência observar o Estado investindo energia em prioridades desalinhadas, enquanto o dever constitucional de fortalecer a C&T é cronicamente ignorado. O Brasil, para falar a verdade, depois da COP30, continua a sofrer o constrangimento final, pois perdeu sua maior inovação sustentável justamente para aqueles que valorizam o pioneirismo e o futuro.
A vida ensina sempre. E, em 1665, em São Luís do Maranhão, o Padre Antônio Vieira ensinou que a “educação e a humildade são moedas de ouro. Valem muito em qualquer lugar e em qualquer tempo”. A essas duas virtudes, quando se fala do professor Anísio Spínola Teixeira (*12/julho/1900, em Caetité-BA +11 de março de 1971, no Rio de Janeiro) temos que acrescentar pelo menos mais uma virtude: visionário.
Anísio Teixeira defendeu uma educação universal e a implantou em Brasília. Seu objetivo era fazer da Educação não só um produto da revolução social, mas ele queria gerar uma revolução social. Não defendia uma meia revolução, mas uma revolução total. Tinha um propósito certeiro: “Educação não é privilégio. É valor universal. Tem que ser gratuita, interativa e acessível a todos”.

NOVA EDUCAÇÃO: MANIFESTO
Vinte e oito anos antes da inauguração de Brasília, sempre visionário, o Patrono da Educação Pública do Brasil assinou o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, projetando-se como um dos maiores educadores nacionais. Para elaborar, e desenvolver este documento, Anísio Teixeira trouxe as ideias do professor, filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey, o “pai” da Escola Nova. Dewey formulou os princípios básicos do movimento para uma educação baseada na participação ativa do aluno. Criticava o modelo tradicional focado na memorização.
Mais do que aderir ao pensamento de Dewey, Anísio Teixeira realizou traduções das obras do autor. Sempre idealista, ante uma realidade em que a maioria da população permanecia sem qualquer acesso à formação básica, enquanto uma elite frequentava escolas de formação clássica, Anísio se lançou na missão da educação. Lutou muito para mudar o cenário da educação pública no Brasil.
O “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” (detalhe: usou o mesmo termo Nova do professor Dewey) propunha que o conhecimento tinha de ser construído pela prática e pela interação com o mundo real, visando formar cidadãos criativos e capazes de gerenciar sua própria liberdade em uma sociedade democrática. Era uma reforma radical no sistema educacional brasileiro. O manifesto foi redigido por 26 intelectuais. Além de Anísio Teixeira, assinaram Cecília Meireles, Fernando Azevedo, Delgado de Carvalho, Roquette Pinto e Hermes de Lima.
PATRONO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL
Quando, na construção de Brasília, Anísio Teixeira concebeu e implantou o Plano de Construções Escolares da nova capital, com as icônicas “Escolas Parques”, que até hoje empunham a bandeira de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. Ela é alma do Manifesto de 1932.
Em boa hora, a Secretária de Estado do DF, Hélvia Paranaguá, com sensibilidade de Mestra em Educação, teve a perspicácia e sensatez de resgatar e trazer aos holofotes da política e da comunidade pedagógica os ensinamentos e a obra de Anísio Teixeira. Hélvia levou ao governador a ideia de homenagear o legado do “Patrono da Educação Pública no Brasil” pelos muitos de seus seguidores que souberam plantar seus métodos e aos que contribuíram para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública. Ibaneis Rocha encampou a proposta e, em 13 de junho de 2023, assinou o Decreto nº 44.620 criando a “Medalha Anísio Teixeira”, que foi entregue dia 14 de novembro.
MEDALHA ANÍSIO TEIXEIRA
Sou muito grato e extremamente honrado por ter sido agraciado com a ‘Medalha Anísio Teixeira’ na sua primeira edição. Recebi da Secretária de Estado de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, a seguinte mensagem: “Jornalista SILVESTRE GORGULHO, a SEE-DF tem a honra de informar que V.Sa. foi agraciado com a Medalha Anísio Teixeira – Honra ao Mérito Educação, em reconhecimento à sua destacada contribuição para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública do Distrito Federal”.

O professor Anísio Teixeira elaborou e implantou o Plano de Construções Escolares de Brasília.
IDEÁRIO ANÍSIO TEIXEIRA: TOMBAMENTO
Voltando no tempo. Ao tomar por base os ensinamentos de Anísio Teixeira no desenvolvimento de ações para formação cidadã e, assim, qualificar o cidadão para o mercado de trabalho buscando a superação das desigualdades que, em 2007, como Secretário de Estado da Cultura, sempre muito bem orientado pelas historiadoras Martita Icó e Luciana Ricardo e pelo professor José Carlos Coutinho, fizemos o estudo para o tombamento da obra e do legado de Anísio Teixeira, a pedido do então governador José Roberto Arruda.
No dia 4 de julho de 2007, entre vários ‘considerando’ enaltecendo a obra e legado de Anísio Teixeira, o governador Arruda assinou o decreto nº 28.093, tombando e registrando o “Ideário Pedagógico de Anísio Teixeira” por ter elaborado e implantado o Plano de Construções Escolares de Brasília.
Vale lembrar que além desse registro de tombamento, ainda fizemos outros dez: o do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, do Cine Brasília, o Clube do Choro, a Via Sacra do Morro da Capelinha, o Teatro Dulcina e Acervos, Escola EIT de Taguatinga, Revista Brasília, Unidade de Vizinhança 107/108, ARUC e o Clube de Golfe.
Tombamento é uma palavra de origem portuguesa que significa registrar um bem material ou imaterial no livro da Torre do TOMBO, em Portugal. A Torre do Tombo, situada na torre do Castelo São Jorge, hoje tem um nome pomposo: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. E o Brasil segue essa tradição.
De minha parte, ainda continuo com outro sonho: tombar o Céu de Brasília. Afinal, para Lucio Costa “o céu é o mar de Brasília” e o céu é parte de seu genial Plano Piloto. Um dia chegaremos lá.

BRASÍLIA é cidade única no mundo que se pode ver o céu olhando para cima ou para baixo. O tombamento do céu de Brasília é a agregação de um valor simbólico, sentimental. Se não cuidarmos, corre-se o risco de não ter mais a integridade da paisagem, de não se poder ver e sentir o infinito desta paisagem, de qualquer lugar do Plano Piloto, do nascer ao pôr do sol.
Mahatma Gandhi, reconhecido mundialmente como o maior líder mundial da Paz, por circunstâncias políticas nunca foi agraciado com o Prêmio Nobel. Nem em vida e nem ‘post-mortem’. Será que o líder indiano, que lutou contra a injustiça e a violência, que sempre pregou ações pela igualdade social e a convivência harmônica entre as religiões, não merecia o Nobel? O que aconteceu?
Mahatma Gandhi liderou um movimento político pacífico pela independência da Índia contra o domínio britânico do Reino Unido. Gandhi buscou a independência de seu país por uma resistência pacífica, usando métodos com a desobediência civil e de não-violência. Em 1947, Mahatma Gandhi alcançou seu objetivo.
A GRANDE ALMA
Em 2 de outubro de 1869, há 156 anos, nascia Mohandas Karamchand Gandhi, em Porbandar, na Índia ocidental. O seu apelido “Mahatma” foi um título honorífico que recebeu mais tarde. A palavra vem do sânscrito e que significa “A Grande Alma”. Mahatma Ghandi difundiu o “Satyagraha”, o princípio da não-agressão, como forma de fazer uma revolução sem armas. Reconhecido como o maior líder mundial da Paz, Mahatma Ghandi estudou na Inglaterra onde ser formou em Direito na “University College”. Ao retornar à Índia se tornou político e fundador da Índia independente.
Mahatma Gandhi é o maior líder mundial da Paz, reconhecido internacionalmente. Mas, mesmo assim, por circunstâncias políticas, não foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Nem em vida e nem post-mortem. Gandhi não foi um ambientalista formal, mas a sua filosofia de não violência (Ahimsa) tinha dois pilares de comportamento: a não-ganância e a simplicidade de vida. Esses dois focos tornaram a visão de Mahatma Ghandi muito ligada à preservação do meio ambiente. A sua famosa frase “A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância” e a crença de que a Terra tem recursos suficientes para todos, se a ganância não consumir o excesso, refletem uma profunda preocupação com a sustentabilidade ambiental.
O conceito Ahimsa, popularizado por Ghandi, significa a não- violência. É um princípio fundamental em diversas filosofias e religiões indianas. No Hinduísmo, Jainismo, Budismo, Yoga e Ayurveda, representa a abstinência de causar dano físico, mental ou verbal a qualquer ser vivo.

Dois líderes da Paz. Nelson Mandela foi, de muitas maneiras, durante sua vida, um praticante da filosofia de Mahatma Gandhi de Satyagraha ou Força da Verdade, resistência passiva não violência.
OS 7 PECADOS SOCIAIS
Mahatma Gandhi, Guerreiro da não-violência, mostra o caminho da paz, ao lutar contra a injustiça e a violência, pela igualdade social e pela convivência harmônica entre as religiões. Baseado nestes objetivos criou os sempre atuais: Sete Pecados Sociais:
I – Riqueza sem trabalho.
II – Conhecimento sem sabedoria.
III – Prazer sem escrúpulo.
IV – Comércio sem moral.
V – Ciência sem humanismo.
VI – Política sem idealismo.
VII – Religião sem austeridade e sacrifício.
ESTRATÉGIA DE GUERRA
Mahatma Gandhi aprendeu a fiar para ensinar aos pobres a confeccionar suas próprias roupas, contribuindo assim para a preservação deste bem cultural, para a economia e a autoestima do seu povo.
Ele tecia cerca de 200m de algodão por dia. Além dos tecidos, teceu fios da paz e da não-violência, costurando assim a Independência da Índia.
- “Não existe caminho para a paz. A paz é o caminho”.
- “Pelo tamanho da resposta que deres a quem te ofenda saberás o tamanho da verdade que existe na ofensa”.
- “Seja você a mudança que quer ver no mundo”.
- “O fraco jamais perdoa: o perdão é característica do forte”.
- “Um covarde é incapaz de demonstrar amor. Isso é privilégio dos corajosos”.
A roca foi ferramenta tão importante que está reverenciada por Gandhi na bandeira da Índia.
VIDA EM MOVIMENTO

A bandeira nacional da Índia foi adotada durante uma reunião da Assembleia Constituinte, realizada em 22 de julho de 1947, vinte e dois dias antes da independência do país., que aconteceu em 15 de Agosto de 1947.
Características e significados da bandeira indiana.
“Bhagwa ou cor de laranja denota renúncia ou desinteresse. Nossos líderes devem ser indiferentes aos ganhos materiais e devem se dedicar ao seu trabalho. O branco no centro é leve, o caminho da verdade para guiar nossa conduta. O verde mostra nossa relação ao solo, nossa relação com a vida das plantas aqui, da qual toda a vida depende. A roda Ashoka no centro do branco é a bandeira da lei do dharma. Verdade, ou satya, dharma ou virtude deve ser o princípio que controla aqueles que trabalham sob esta bandeira.
Novamente, a roda denota movimento. Há morte na estagnação. Há vida no movimento.
A Índia não deverá resistir mais à mudança, deve mover-se e seguir em frente. A roda representa o dinamismo de uma mudança tranquila”.
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