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1960 BRASÍLIA – CRONOLOGIA DE UMA CIDADE BRASILIA 62 ANOS

1960 foi o ano da inauguração de Brasília. Promessa feita por JK, promessa cumprida.

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No dia e hora marcada, o presidente JK inaugura Brasília sob o olhar atônito do mundo inteiro.
Concebida pelo urbanista Lucio Costa, a nova capital pousou sobre o chão vermelho do Cerrado, recheada de palácios, prédios e monumentos surgidos da prancheta de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. E de artistas construtores como Burle Marx, Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti, Marianne Peretti, Athos Bulcão, Joaquim Cardozo e tantos outros. Era o Brasil desviando o olhar do litoral para o seu interior. A nova capital nasce como que abraçando toda uma nação.
Brasília, a mais de 1.200 quilômetros do mar, erquida em 1.112 dias, está equidistante dos extremos norte e sul, leste e oeste.
O ano de 1960 foi um ano divisor de águas. O Brasil deu um salto. Hoje Brasília, 62 anos depois, é a terceira maior cidade brasileira.
Maria Esther Bueno repete a conquista de Wimbledon e torna-se a primeira mulher a vencer os quatro torneios do chamado Grand Slam (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e Aberto dos EUA) no mesmo ano, em duplas.
No ano da inauguração de Brasília, os brasileiros compram 133 mil veículos “nacionais” da Volkswagen, Willys, Vemag, Simca, FNM e GM.
O Santos recusa ofertas milionárias pelo passe de Pelé e renova com o atleta até 1965: Pelé recebe Cr$ 5 milhões de luvas, um carro Volks e uma casa em Santos no valor de 2 milhões. Salário mensal: Cr$ 80 mil.
13 de JANEIRO 1960 – A Novacap assina contrato com a Ericsson do Brasil para fornecimento de sete estações terminais “Carrier” para circuitos de micro-ondas entre Rio e Brasília. O equipamento visa fornecer 120 circuitos telefônicos, com discagem automática (Operator Toll Dialling) de link interurbano.
21 de JANEIRO 1960 – O presidente JK assina o Decreto 47.695 concedendo à Federação Espírita Brasileira o título de utilidade pública. JK atende a um pedido de Chico Xavier, a quem ele costuma consultar sigilosamente por carta por intermédio dos emissários coronéis Jofre Lellis e Nélio Cerqueira.
23 de FEVEREIRO 1960 – O presidente Dwight Eisenhower faz visita oficial ao Brasil e JK leva-o para ver as obras da nova capital. Ike Eisenhower se hospeda no Palácio da Alvorada. Dois meses antes da inauguração de Brasília, os dois presidentes desfilam em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios passando em revista trabalhadores, patrols, tratores e caminhões perfilados como numa formação militar.
22 de MARÇO 1960 – A Lei federal 3.736 cria a Fundação das Pioneiras Sociais para gerenciar a Rede Sarah de Hospitais, especializada em reabilitação motora. A Rede Sarah tem hospitais em Brasília, Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Macapá, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís.
17 de ABRIL 1960 – Domingo solene! JK inaugura a rodovia Belo Horizonte-Brasília (BR-7), com extensão de 747 km. A rodovia havia sido entregue ao tráfego público, no início do ano, em 31 de janeiro, quando foi percorrida pela coluna da Caravana de Integração Nacional que partiu do Rio de Janeiro para Brasília.
18 de ABRIL 1960 – Pela manhã, Brasília se liga ao mundo. Depois de cinco meses da construção e montagem de 26 torres de micro-ondas, são vencidos 1.400 km e inaugurados 72 canais dos 120 circuitos telefônicos com discagem automática (Operator Toll Dialling) entre Rio-Belo Horizonte-Brasília e São Paulo. Outros 12 circuitos ligam as cidades de Juiz de Fora, Araxá, Uberaba e Uberlândia. Israel Pinheiro faz a primeira ligação e fala com o presidente JK, no Palácio do Catete. Repórteres cariocas e paulistas falam com suas redações.
À tarde, Samuel Wainer, dono do jornal Ultima Hora, apoiador de JK e de Brasília, recebe incumbência de ligar para Gustavo Corção, feroz inimigo da construção da nova capital, para fazer uma entrevista. Conta Samuel em suas memórias “Minha Razão de Viver”:
-“O telefone chamou e eu perguntei: – Por favor, o professor Corção?”
– “O que deseja? Sou eu.”
– “Mando saudações de Brasília… Queria lhe propor um teste. Ligue para meu número aqui em Brasília…”.
– “ Isso é um desrespeito, vocês têm de me respeitar…”.
Gustavo Corção que escrevera violentos artigos dizendo que Brasília seria uma cidade isolada das comunicações, se recusa a fazer o teste.
20 de ABRIL 1960 – O presidente JK, acompanhado de dona Sarah e alguns ministros, desce pela última vez a escadaria do Palácio do Catete. JK faz uma viagem histórica, pois realiza o sonho centenário de levar a capital da República para o Planalto Central. Sempre muito hábil, faz um afago ao orgulho carioca e manda um recado aos habitantes do Rio de Janeiro, dizendo que seus “centros de cultura prosseguirão jorrando a luz que dirige a marcha do Brasil para o seu grande destino”. O Palácio do Catete é transformado no Museu da República.
21 de ABRIL 1960 – JK inaugura Brasília, a nova capital do Brasil, depois de 1.112 dias de obras. Na instalação do Congresso Nacional, o deputado Ranieri Mazzilli proclama: “Mais que um milagre da vontade humana, Brasília é um milagre da fé”! Neste mesmo dia, Assis Chateaubriand (49) coloca na rua a primeira edição do Correio Braziliense, resgatando o nome do jornal feito por Hipólito José da Costa, em 1808. Na sua primeira edição, a manchete: BRASIL, CAPITAL BRASÍLIA. “Chatô” também inaugura a primeira rede de televisão de Brasília: a TV Brasília. A inauguração da nova capital força a interiorização do desenvolvimento e abre o Planalto Central como nova fronteira do agronegócio e da industrialização.
22 de ABRIL 1960 – Jornais do mundo inteiro destacam a inauguração de Brasília e realçam o discurso de JK: “Pesou em meu ânimo, a certeza de que era chegado o momento de estabelecer o equilíbrio do País, promover o seu progresso harmônico, prevenir o perigo de excessiva desigualdade no desenvolvimento das diversas regiões brasileiras, forçando o ritmo de nossa interiorização. (…) Viramos, no dia de hoje, uma página da História do Brasil”.
16 de MAIO 1960 – É inaugurado o CASEB – Comissão de Administração do Sistema Educacional de Brasília. Três dias depois da inauguração, o próprio presidente JK dá uma aula inaugural e afirma: “Nenhum acontecimento é mais auspicioso para esta cidade, depois de sua fundação, do que o ato que aqui nos reúne para oferecer à juventude os quatro cursos completos deste primeiro Centro de Educação Média…”
2 de SETEMBRO 1960 – Lançamento da pedra fundamental do Palácio dos Arcos, nome dado ao edifício sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Projeto modernista de Oscar Niemeyer, com a fachada em arcos, o prédio é circundado por um espelho d´água com jardins de Burle Marx. À frente, uma escultura de Bruno Giorgi: Meteoro. A inauguração do Palácio Itamaraty, como é mais conhecido, se dará 10 anos depois, em 21 de abril de 1970.
3 de OUTUBRO 1960 – Jânio Quadros é eleito presidente da República com 5,6 milhões de votos contra 3,8 milhões do marechal Lott. Carlos Lacerda é eleito governador da Guanabara.
FOTOS:
1) JK chora durante a Missa da inauguração de Brasília: “Brasília deveria estar construída há um século. Foram três anos de um caminho intensamente trilhado a serviço de meu País. A jornada foi áspera e incruenta. Esta obra não me pertence. É de todos os brasileiros. Mas quando o relógio marcava 20 minutos do dia 21 de abril, ao ver o espetáculo de som e cores no céu de Brasília e
uma multidão contrita com lágrimas no rosto, não consegui me conter. Cobri o rosto com as mãos e, quando dei fé de mim, as lágrimas corriam pelos meus olhos”.
2 e 3 ) Os presidentes Eisenhower e JK lançam pedra fundamental da Embaixada dos EEUU em Brasília.
4) Dia da Inauguração de Brasília – Festa na Praça dos 3 Poderes.

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DÁ-LHE PETER DRUCKER: O LUXO DE CORRER RISCOS E O LUXO DE NÃO CORRER RISCOS

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Ouvi falar de Peter Drucker (1909-2005), pai da administração moderna, e fui conferir alguns de seus 42 livros publicados. Tão importante quanto, vale muito a leitura dos oito livros que foram publicados sobre seu trabalho e suas ideias. Os livros de Peter Drucker influenciaram muitos empreendedores. Dois confessaram beber na fonte de Peter Druck: Henry Ford (fundador da Ford Motor Company) que utilizou o primeiro best-seller de 1946 o “Concept of the Corporation” para reconstruir sua fábrica no pós guerra, e Bill Gates (o fundador da Microsoft).

 

 

A ideia de capital humano, que reconhece a importância dos funcionários para uma organização, é apenas um dos legados de Peter Drucker. Observador e visionário, Drucker ficou conhecido como o pai da administração moderna, ampliando a perspectiva da sociedade sobre o papel essencial das pessoas para o sucesso de qualquer empresa.

 

 

Uma história importante: quando presidente da General Motors, Alfred Sloan pediu a Drucker para fazer um estudo sobre a GM, que era na época a maior empresa do mundo. Drucker, que levou um ano e meio para finalizar o estudo, propôs algumas mudanças. Ele pregava a autogestão em vez da linha de montagem. Também criticava aspectos econômicos e humanos. Dizia que a linha se movia np ritmo do operário mais lento e assim os mais rápidos se tornavam improdutivos e frustrados. A GM recusou adotar suas ideias. Mas os japoneses não só as aceitaram como as implementaram. E deu no que deu. Nos anos 70, os japoneses tomaram a dianteira do setor.

 

 

VIDA E OBRA DE DRUCKER

Drucker nasceu em Viena, na Áustria, mas foi viver e trabalhar nos EUA, onde plantou os pilares de uma gestão de sucesso.

Peter Ferdinand Drucker explica que o sucesso de uma empresa está nesta mudança de mentalidade: por causa do conhecimento, há cada vez mais trabalhadores externos, temporários ou com dedicação parcial, pois a concentração do negócio inteiro dentro da empresa não funciona mais.

 

DEZ frases de Peter Drucker que gostei muito e vale a pena meditar, diante desta brutal incompetência do governo de plantão:

 

  1. – “O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito”.

 

  1. – “Uma pessoa jamais deve ser elevada à condição de líder, se ela foca nas outras pessoas os pontos fracos, ao invés dos pontos fortes”.

 

  1. – “Os elefantes demoram a se adaptar, já as baratas sobrevivem em qualquer ambiente”.

 

  1. – “A meta do marketing é conhecer e entender o consumidor tão bem, que o produto ou serviço se molde a ele e se venda sozinho”.

 

  1. – “Existem dois tipos de riscos: Aqueles que não podemos nos dar ao luxo de correr e aqueles que não podemos nos dar ao luxo de não correr”.

 

  1. – “Gerenciamento é substituir músculos por pensamentos, folclore e superstição por conhecimento, e força por cooperação”.

 

  1. – “Tudo que pode ser medido pode ser melhorado”.

 

  1. – “O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito´.

 

  1. – “A má organização é outra causa comum da perda de tempo. O seu sintoma é um excesso de reuniões”.

 

  1. – “Quanto menos dados precisarmos, melhor a informação”.

 

 

PETER DRUCKER E BRASÍLIA

Peter Drucker conhecia bem o Brasil. Além dos seminários e conferências, ele tinha admiração especial por um brasileiros e duas empresas brasileiras. As empresas: a Embraer e a Petrobras. E o brasileiro era ninguém menos do que o ex-presidente Juscelino Kubitschek. O ex-presidente e fundador da Embraer lembra em seus escritos: “Drucker era fascinado pela história da Embraer e de como um país em desenvolvimento, como o Brasil, pôde desenvolver uma indústria de ponta que veio a competir com as nações mais industrializadas do mundo neste complexo segmento do mercado”.

Da mesma forma, Peter Drucker considerava extraordinário o desenvolvimento da Petrobrás e seu potencial energético.

No final dos anos 50, Peter Drucker visitou o Brasil e esteve com o presidente JK. Ele não só apoiou a decisão de construir Brasília, como numa entrevista deixou sua opinião sobre a transferência da capital do litoral para o Planalto Central: “A construção de Brasília foi o acontecimento mais importante no país contemporâneo. Brasília criou um Brasil diferente, voltado para seu interior”.

Otimista com o futuro brasileiro, ele afirmou não concordar com a visão (mais em voga em fins dos anos 90) de que o Brasil havia fracassado em sua ânsia de se tornar uma nação desenvolvida. “Conheço os tremendos problemas brasileiros, mas houve enorme progresso, tanto social como econômico, mas, principalmente, psicológico no aumento da autoestima”.

 

 

 

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FLORES NOSSA DE CADA DIA Para não dizer que não falei das flores

O Brasil produz 8% da produção mundial de flores. São mais de 15 mil hectares, movimentando cerca de R$ 15 bilhões.

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As flores transformam uma casa em lar. Vale para o agronegócio e vale para o país A capacidade de sedução das flores é fundamental para a reprodução e a sobrevivência da planta. As flores são belas e perfumadas para seduzir seus polinizadores: insetos, aves e morcegos. Até os humanos são atraídos pelo perfume e pela beleza das flores, capazes de um verdadeiro encantamento. Eles seguiram o exemplo dos vegetais. Em sinal de afeto, amor e paixão, oferecem flores. Para seduzir, perfumam-se com fragrâncias e aromas retirados das flores.

Diversos papiros do Egito antigo atestam a fabricação de perfumes e unguentos aromáticos a partir de lírios e várias flores. São muitas menções a perfumes na Bíblia. É emblemático o gesto da mulher rompendo um vaso de alabastro, repleto de perfume de nardo, lá das proximidades do Himalaia, e derramando-o sobre Jesus, ungindo-o da cabeça aos pés (Mt 26,7). No passado, os perfumes eram extraídos de rosas, jasmins, lírios, laranjeiras e outras flores através do vapor, da fumaça. Daí a origem latina da palavra: per fumum, “pelo fumo”, pela fumaça, pelo vapor. E por meio de borrifadas vaporizadas, per fumum, as fragrâncias ainda se espalham no corpo humano e no ambiente.

 

 

Qual é o aroma que traz paz, conforto e prazer ao coração? No passado, os perfumes eram extraídos de rosas, jasmins, lírios, laranjeiras e outras flores através do vapor, da fumaça. Daí a origem latina da palavra: per fumum, “pelo fumo”, pela fumaça, pelo vapor.

 

 

HISTÓRIA DA QUÍMICA DE PERFUMES
O Livro da Química de Perfumes e Destilados, escrito pelo químico árabe Alquindi no século 9, apresenta centenas de receitas de óleos de fragrâncias, águas aromáticas ou imitações para drogas caras, além de mais de uma centena de métodos e receitas para a perfumaria. Essa presença árabe segue no nome de instrumentos da produção de perfumes, como alambique. No século 10, o médico e químico persa Avicena sistematizou a extração de óleos de flores pela destilação. Seus ingredientes e sua tecnologia da destilação marcaram a perfumaria ocidental até hoje.
A produção de flores é uma das obras-primas praticadas por pequenos agricultores. No Censo Agropecuário do IBGE de 2017, dos 5 milhões de estabelecimentos agropecuários recenseados no Brasil, 12.000 declaram ser floricultores ‘lato sensu’ (flores, folhagens, mudas, sementes…), presentes em quase metade dos municípios brasileiros (mapa 1).

 

Parte significativa desses floricultores possui uma organização empresarial e tecnológica avançada e intensiva. Atividade competitiva, nessa floricultura moderna estão mais de 8 mil floricultores profissionais. Seus cultivos têm área média de 1,5 hectare, segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura. A área total da floricultura ultrapassa 15 mil hectares. Parece pouco, comparado à de soja ou milho. Não é. A área mundial é da ordem de 190 mil hectares. A brasileira representa cerca de 8%.

PRONAF E OS FLORICULTORES
Além desse grupo, existe uma fração de floricultores, de 3 mil a 4 mil, em escala muito local, menos integrada aos mercados. Segundo pesquisa da Embrapa Territorial, em janeiro de 2022, dos pequenos agricultores com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), 3.152 declararam-se produtores de flores, além de outras atividades, com expressiva presença no Nordeste e até na Amazônia (mapa 2).

 

No Brasil, aproximadamente 9% das flores e plantas são cultivadas em estufas, 3% sob telados ou sombrite e 88% em campo aberto ou ao ar livre. Das 350 espécies e suas 3 mil cultivares, nativas e exóticas, 30% são flores e folhagens de corte, 39% são plantas e flores de vaso e 31% plantas ornamentais e para paisagismo.

EMPREGOS NA FLORICULTURA
Intensiva em capital e mão de obra, a floricultura emprega, em média, 3,8 trabalhadores por hectare. A cadeia de produção e comercialização envolve diretamente 200 mil pessoas: 50% nas propriedades, 40% no varejo, 4% na distribuição e o restante em atividades complementares. Nas pequenas propriedades, apenas 20% da mão de obra é familiar, os outros 80% são contratados. Boa parte da mão de obra é feminina. As mulheres demonstram maior destreza, habilidade e cuidado no manuseio de flores e plantas. Floriculturas vendem beleza e embelezamento, associados à presença de mulheres nos pontos de venda.

 

 

HOLAMBRA – junção das palavras HOLanda, América e BRAsil – é conhecida como a “Capital Nacional das Flores”, está a 140 km da cidade de São Paulo.

A Lei de Proteção de Cultivares, de 1997, viabilizou a entrada no mercado brasileiro de novos cultivares e lotou as prateleiras de floriculturas e pontos de venda com uma gama ampla de cores e formatos até então desconhecidos dos brasileiros, aumentando a oferta e a diversidade.

FLORES EM VALORES
O valor bruto da produção passou de R$ 0,3 bilhão, em 2004, para R$ 11 bilhões, em 2021. São Paulo responde por praticamente 70% desse valor. O consumo de flores cresceu, no mesmo período, de R$ 15/habitante/ano para cerca de R$ 65 (US$ 12), ainda muito aquém do consumo na Suíça (US$ 174), na Alemanha (US$ 98), na França (US$ 69) e nos EUA (US$ 58).
O faturamento do setor cresce entre 12% e 15% anualmente. São cerca de 600 empresas atacadistas no mercado de flores e mais de 25 mil pontos de venda. Mais da metade do consumo se concentra no Estado de São Paulo e 85% no Sudeste. O mercado nacional absorve 97,5% da produção. Só uma pequena porcentagem é destinada à exportação.
Os principais polos de produção estão no Estado de São Paulo, em Arujá, Atibaia, Holambra e Ibiúna. Outros em Andradas, Barbacena, Munhoz (MG); Nova Friburgo, Petrópolis, Serra da Mantiqueira (RJ); Vale do Caí (RS); Joinville (SC); e Serra da Ibiapaba (CE). Flores e folhagens tropicais são produzidas em localidades no litoral do Nordeste (AL, PE, RN e BA).

 

FLORES E A PANDEMIA
Ambiente de trabalho ornado com flores não é mais exclusividade de mulheres. Homens presenteiam e são presenteados com flores
A floricultura sofreu com os lockdowns no início da pandemia: cancelamento de festas, casamentos, batizados, bodas e outros eventos. Houve queda brutal na demanda por decoração com flores de corte (rosas, crisântemos, astromélias, lírios…). O tratamento do consumo de flores como algo supérfluo no início da pandemia foi revertido graças a campanhas intensas dos produtores, sobretudo no varejo, em supermercados e floriculturas.
Pessoas em ‘home office’, confinadas, buscaram maior reconexão com a natureza. Os floristas propuseram opções: da decoração com flores e até no cultivo limitado de plantas ornamentais, para tornar o ambiente de trabalho mais prazeroso e dar maior aconchego e bem-estar às casas. Durante o isolamento, a jardinagem passou a ser praticada nas casas e se tornou um hobby de muitos brasileiros. Isso ampliou e diversificou a demanda. E exigiu novas soluções em buquês, ramalhetes e plantas, além do comércio de vasos, ferramentas, pequenos sistemas de irrigação, estufas e outros. Flores de vaso, orquídeas, suculentas, cactos, antúrios e até bonsais ampliaram as vendas.

 

 

Barbacena, em Minas Gerais, é um importante polo de produção de rosas.

 

 

JARDINAGEM E PLANTAS
Jardinagem e plantas para decoração ajudaram no crescimento do mercado de flores entre 2020 e 2021. E, mesmo com o recuo da COVID, jardins e ambientes com flores ainda se mantêm. Somaram-se a essa demanda, novos hábitos. Ambiente de trabalho ornado com flores não é mais exclusividade de mulheres. Homens presenteiam e são presenteados com flores.
A floricultura e os floristas investiram e inovaram em comunicação e comércio digital. Criaram sites, ampliaram sua inserção em redes sociais, telemarketing e aperfeiçoaram os serviços de delivery. Cresceu a venda no varejo. Floristas já eram pioneiros em entrega de flores em domicílio, mesmo à distância. Agora, ganharam uma escala maior e mais sofisticada.

OS MÊSES DAS FLORES
Após as perdas, as vendas de 2021 superaram as de 2020 e, em alguns segmentos, até de anos anteriores. A demanda cresceu. Maio é um mês das flores, com o Dia das Mães. Junho também, com o Dia dos Namorados. As duas festas somam quase 40% das vendas ao longo do ano. Aqui, o Dia dos Namorados é na véspera da festa de Santo Antônio, e não no dia de São Valentino.
Associar flores, namorados e Santo Antônio é natural. Ele foi um pregador culto e apaixonado, com grande devoção aos pobres. Veneradíssimo no Brasil como o santo dos amores e dos casamentos, ele abre o ciclo das festas juninas. Ao tornar-se monge, ele adotou o nome Antônio ou “flor nova”, anto nous: do grego ánthos “rebento, broto, flor”, presente em antúrio, e da expressão latina novus “novo”. Antônio foi mesmo uma nova floração para o Cristianismo na Europa e um expoente da Ordem dos Franciscanos.

Na floricultura, todo dia se planta e se colhe. A busca da perfeição é absoluta. Não pode haver defeito ou mancha nas flores. Se não, são descartadas. Esse perfeccionismo é associado à sustentabilidade. Nas estufas, se a temperatura sobe demais, o floricultor a resfria, e vice-versa. A água gerada pelos sistemas de refrigeração ou das chuvas é recuperada e utilizada na produção. Cada vez gasta-se menos água por vaso produzido, graças à eficiência dos sistemas de irrigação, à gestão dos melhores horários para irrigar etc. O setor investe muito em energia solar. Teme falta de energia ou um fornecimento de má qualidade, capaz de comprometer seus equipamentos sofisticados.

 

 

Uma frase conhecida dos floristas foi adotada por muitos. As flores transformam uma casa em lar. Vale para o agro e para o país.

 

Em São Paulo, a Feira Internacional de Paisagismo, Jardinagem, Lazer e Floricultura reúne mais de 200 expositores nacionais e internacionais. Outros cartões-postais da floricultura são a Expoflora, em Holambra (SP), e a Festa das Flores de Joinville (SC). Esses eventos técnicos e turísticos reúnem milhares de produtores, fornecedores de equipamentos, insumos e centenas de milhares de visitantes. Como as feiras agropecuárias e as de peão, as festas das flores são vitrines para o consumidor urbano da potencialidade da agropecuária e dos pequenos agricultores tecnificados.

 

Para não dizer que não falei das flores - Revista Oeste

Flor Pink Rose, em Holambra. Foto: Tamy Atamay/Shutterstock

 

Uma frase conhecida dos floristas foi adotada por muitos. As flores transformam uma casa em lar. Vale para o agro e para o país.

 

 

 

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