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Museu Nacional apresenta três novas exposições

Nesta sexta-feira (29), espaço cultural estreia as mostras ‘Paraíso sem Vocabulário’, ‘Guardadora de Água’ e ‘Para Onde Foi a Espessura da Carne?’

 

Agência Brasília* | Edição: Carolina Lobo

 

O Museu Nacional da República (MUN) abre três novas exposições nesta sexta-feira (29). Pedro Gandra vai dividir com Isabela Couto a Galeria Térreo. As duas obras – Paraíso sem Vocabulário e Guardadora de Água, respectivamente – são individuais, mas trazem em comum interlocuções dos dois trabalhos com textos da poeta gaúcha Mar Becker. Por sua vez, a Sala 2 receberá a coletiva Para Onde Foi a Espessura da Carne?, com 39 artistas. As três mostras ficam em cartaz até o dia 26 de junho.

O espaço cultural segue com mais duas exposições na Galeria Principal: Xingu 57: viagem ao Brasil Central, fotografias de Domiciano Dias, no mezanino, e Envenenada: profanações e polimorfismo tonais, de Raquel Nava. Ambas permanecem até 22 de maio.

“O Museu Nacional da República tem atraído público intenso com exposições de qualidade. No aniversário de Brasília, de 19 a 24 de abril, tivemos mais de 5 mil visitantes”, aponta o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

Interlocução de obras

O artista Pedro Gandra explica que a exposição Paraíso sem Vocabulário fala em “paisagens pensadas como cenários que podem se apresentar elusivos ou eventualmente inóspitos. Habitam esses cenários ou ‘paisagens cenários’ representações de figuras, ocasionalmente antropomórficas (criadas a partir de memória ou imagens de arquivo) e etéreas, que se apresentam quase sempre solitárias”.

“O Museu Nacional da República tem atraído público intenso com exposições de qualidade. No aniversário de Brasília, de 19 a 24 de abril, tivemos mais de 5 mil visitantes”Bartolomeu Rodrigues, secretário de Cultura e Economia Criativa

Carioca radicado em Brasília, Gandra diz que se dedica à pintura: “Venho desenvolvendo minha pesquisa, estabelecendo pontes com interesses variados e buscando formar um vocabulário visual a partir de signos e referências diversas, forjando a construção de um imaginário”.

Na mostra de Pedro Gandra, Mar Becker assina o ensaio poético O Rosto, Sumidouro. Ela se debruçou sobre as imagens desenvolvidas pelo artista visual e em referências às pesquisas de ambos, gerando um diálogo experimental e horizontal.

O fogo é um elemento poético presente na obra do pintor e da poeta. “Com Mar Becker, estabeleci uma troca muito profícua. Temos muitos interesses em comum, lugares onde o meu projeto encontra o dela. Sou um grande admirador do trabalho que ela vem desenvolvendo em poesia. É um privilégio tê-la neste projeto”, declara Pedro Gandra.

 

‘A maçã com lagarta dentro’, do artista Pedro Gandra

 

“Há mesmo essa interlocução, não com fins de ‘esclarecer’ ou oferecer chave de leitura para o trabalho de Gandra, mas muito mais pela via de um irmanamento como artista, no que a palavra poética pode tocar também esse lugar de enigma de Paraíso sem Vocabulário”, aponta Mar Becker, formada em filosofia e especialista em epistemologia e metafísica.

Em Guardadora de Água, a artista visual Isabela Couto apresenta aquarelas e vídeos. Esses trabalhos mais recentes refletem evocações de um corpo em um território, nesse caso entre Santiago, no Chile, e a Praia do Forte, no litoral norte da Bahia. O título é inspirado no poema O Guardador de Água, de Manuel de Barros, que tem como constantes os elementos água e névoa.

Isabela diz que sua investigação se inscreve na relação entre seres vivos (humanos, animais, plantas) e fenômenos naturais (vento, tempo, espaço) a partir do trajeto, da viagem.

Na obra Guardadora de Água, a temática do feminino também parece emergir do inconsciente da artista em um dos trabalhos expostos, quando uma alusão à Cordilheira dos Andes, feita com o cobertor embolado ao pé da cama, num quarto, durante o percurso, sugere a forma de um clitóris. “Algumas pessoas que viram essa obra apontaram a semelhança com a genitália. Não foi intencional, foi uma coisa que aconteceu e que já aconteceu outras vezes. É algo que não controlo, que surge. Tem a ver com quarto, com cama, com o corpo, com o feminino”, explica Isabela Couto.

A exposição do trabalho dessa brasiliense radicada em Salvador também é acompanhada de ensaio poético inédito de Mar Becker intitulado Nem a Nuvem do Dizível. No texto, a gaúcha reverbera, sobretudo, as aquarelas de paisagem de cobertor. Para a escritora, é pela imagem da água que seu trabalho se irmana ao de Isabela Couto. “Do mesmo modo, me parece que beiramos também sempre um perigo de perda de si: afinal, no dilúvio, os corpos podem erodir e se confundirem uns aos outros, a casa e as mulheres – tanto eu quanto ela trabalhamos muito com intimidade de mulheres e meninas – podem vir a se tornarem lodosas, indiscerníveis”, conjectura a poeta.

Obra coletiva

Nas novas exposições no MUN, as referências a corpos – que surgem apenas sugeridas no trabalho de Pedro Gandra e furtivamente saltam do inconsciente de Isabela Couto – tornam-se o eixo da coletiva organizada por Suyan de Mattos a partir da pergunta que deu nome à exposição: Para Onde foi a Espessura da Carne?.

“Convidei artistas que trabalham com pintura, não necessariamente com tinta, mas com o elemento pictórico. Então tem pintura, gravura, bordado, pintura digital. Pedi que respondessem com uma obra”, explica Suyan de Mattos, que migrou da pintura para o bordado.

Uma leitura das respostas contidas nas obras, segundo a pesquisadora da arte, com pós-doutorado na área, “é que muita gente está se preocupando com uma beleza, com uma estética, e adoecendo nessa busca”. Esse adoecimento, aponta Suyan, é do corpo, mas também da alma. São 39 artistas e ‘respostas’, entre brasileiros e estrangeiros – cubanos, mexicanos, argentinos e franceses.

A bacharel em teoria e história da arte pela Universidade de Brasília (UnB) e crítica Gisele Lima trata das indagações suscitadas pelos trabalhos no texto de apresentação da coletiva, plotado na parede do museu. Ela faz considerações a partir de dicotomias como carne e mente, profano e sagrado, violência e festejo, corpo e ‘corpa’, repressão e desejo.

“É corpo e sangue que segue sendo derramado e negligenciado como se a ninguém pertencesse e valor não tivesse. É a carne que segue sendo a mais barata do mercado”, arremata Gisele Lima, fazendo menção à música celebrizada pela interpretação de Elza Soares.

Serviço
Museu Nacional da República
Esplanada dos Ministérios, Brasília (DF)
Visitação de terça a domingo
Das 9h às 18h30
Livre para todos os públicos.
Telefone: 3325 5220

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

 

 

 

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ERA UMA VEZ…

QUANDO NASCIA UM REI.

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Mais uma data cheia de uma lenda brasileira.
Neste 2026, fazem 70 anos da posse de JK na Presidência da República, em 31 de janeiro… 50 anos de sua morte em 22 de agosto… e, 70 anos do primeiro jogo oficial do Rei Pelé, então um menino de apenas 15 anos, como profissional do Santos.
Pelé, que completaria 16 anos em 23 de outubro de 1956, entrou no segundo tempo (no lugar de Del Vecchio) do jogo Santos 7 x 1 Corinthians de Santo André, fez gol aos 36 min do segundo tempo e ganhou seu primeiro troféu: a Taça Independência.
Daí para frente, o Edson virou DICO… que virou PELÉ… que reinventou o futebol e que parou guerras.
Recebi de um leitor de meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – PELÉ-BRASÍLIA-JK – A ERA DOS GRANDES DRIBLES NA POLÍTICA, CULTURA E HISTÓRIA” o seguinte comentário sobre a polêmica quem foi maior: Pelé ou Maradona?
– “Pelé tornou o futebol mudialmente conhecido. Maradona ficou conhecido por causa do futebol”.
FOTOS: A súmula original com o registro do primeiro gol de Pelé integra o acervo do Museu de Santo André desde 2019. Ela registra a partida realizada em 7 de setembro de 1956 entre o Santos Futebol Clube e o Corinthians de Santo André no Estádio Américo Guazzeli.
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O BRASIL PERDE UM PROFISSIONAL DE EXCELÊNCIA

Uma manhã triste hoje em Brasília.

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O Brasil se despede de CARLOS MONFORTE, exemplo de profissional dedicado, um pai de família exemplar e um amigo de todas as horas.
Carlos Monforte, Maria Ignez, Serginho e Flavinha, uma família linda que conheço desde 1979. Maria Ignez e Carlos Monforte fazem parte do jornalismo brasileiro de excelência. Ambos com uma história maravilhosa em Santos, São Paulo e Brasília.
Carlos Monforte foi pioneiro e implantou o BOM DIA BRASIL. Sucesso absoluto! Lembrar Carlos Monforte é reverenciar o seu legado e suas ações de amizade, de cidadania que fizeram a diferença.
Vá em Paz, meu amigo. Você foi um Guereiro de Luz!
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MISSA DA SAUDADE PARA UM GUERREIRA DE LUZ

Maria Elisa Costa.

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Nessa segunda-feira dia 31 de agosto, às 18h30, na Igrejinha de Fátima na 308 Sul.
“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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