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Vinicius Benevides, VP da ABAR e diretor da Adasa, participa de fórum em Lisboa

Vinícius Benevides, diretor da Adasa (DF) e VP Centro-Oeste da ABAR (Associação Brasileira de Agências de Regulação), participa esta semana, em Lisboa, do encontro “Os Desafios do Desenvolvimento – O Futuro da Regulação Estatal”, convidado pelo Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Conselho Consultivo do Fórum de Integração Brasil Europa-FIBE.

A programação, que começou na segunda-feira (18) e será encerrada nesta quinta (21), inclui 23 mesas-redondas sobre os mais diversos temas, oportunidades para debates e trocas de experiências entre autoridades judiciais e reguladoras, professores e especialistas, que atuam no Brasil, em Portugal e em organismos internacionais.

Benevides participou da Mesa Redonda 9, realizada na terça-feira (19), sobre o tema “Água e Mudanças Climáticas”, na qual apresentou os resultados de um mapeamento territorial da água superficial e dos corpos hídricos de todo o território brasileiro realizado ao longo de um período de 35 anos, de 1985 a 2020, feito pela Projeto de Mapeamento Anual do Uso e Cobertura da Terra no Brasil (MapBiomas).

“Foram fotografados com satélites os 8,5 milhões de quilômetros quadrados do Brasil”, conta Vinícius Benevides. “Isso gerou um arquivo de 108 terabytes, com mais de 150 mil imagens processadas, que revelaram, por meio de estudos com inteligência artificial, as áreas, os anos e os meses de maior e menor cobertura da água.”

DESTAQUES DO ESTUDO

O VP Centro-Oeste da ABAR aponta alguns dos principais resultados revelados pela análise do levantamento fotográfico:

  • 76% da água superficial do Brasil ainda está em superfície natural, ou seja, que não sofreu a ação humana
  • Aproximadamente 18% encontram-se em hidrelétricas
  • Cerca de 6% são representados por outros tipos de reservatórios antrópicos (que sofreram ação humana)
  • Ao longo dos 35 anos do levantamento, a perda de superfície de água no Brasil foi da ordem de 7,6%
  • 59% das bacias hidrográficas brasileiras apresentaram redução da superfície de água no período estudado
  • O Brasil tem 2% do seu território coberto por água
  • Embora a superfície de terra do Brasil seja equivalente a 6% do território global, o País concentra 12% da água do Planeta

A Amazônia é o bioma brasileiro que concentra a maior parte dessa água, cerca de 60%. Em segundo lugar está a Mata Atlântica, com 12% da água superficial brasileira. O Pampa, que é o menos extenso dos biomas, é o terceiro maior em termos de superfície de água. “Constatou-se que a construção de reservatórios superficiais, para apoiar culturas agrícolas, aumentou a quantidade de água superficial na região”, explica Vinícius. O quarto bioma em disponibilidade de águas de superfície é o Cerrado (9%), seguido pelo Pantanal (5%) e pela Caatinga (3%).

O diretor apresentou também dados relativos a municípios e estados brasileiros, observando que enquanto alguns registraram perdas de superfície de água no período analisado, outros ganharam. Os estados que tiveram as maiores perdas foram Mato Grosso do Sul (711 mil hectares) e Mato Grosso (530 mil hectares).

 

 

 

“Cadê a água que estava aqui?”: estudo sobre a evolução das águas superficiais brasileiras apresentado pelo diretor foi feito a partir de mapeamento do território nacional ao longo de 35 anos

CLIMA, SOLO E ÁGUA: INTERLIGADOS

“A conclusão que se tira, e que os cientistas devem aprofundar um pouco mais, é de que as mudanças climáticas pontuais têm influenciado o clima como um todo e, por consequência, as precipitações e o fluxo hídrico”, explica Benevides. “Sabemos que o aumento da temperatura provoca também alteração em todo o processo climático.”

Além das mudanças climáticas globais, ele ressalta outros fatores para as alterações verificadas nas últimas décadas, como os efeitos dos fenômenos conhecidos como El Niño e La Niña, que atingem o Brasil de formas diferentes em cada região. Mudanças climáticas locais também estão entre as causas, assim como a dinâmica do uso da terra na conversão da floresta para pecuária e agricultura.

“O que não sabemos ainda é qual o percentual de impacto de cada um destes fatores na redução de área verificada na superfície de água no Brasil”, reconhece o VP da ABAR, que propõe o desafio: “Foram apresentados apenas números e fatos. Cabe agora aos cientistas aprofundarem o resultado deste trabalho”.

Também participaram do painel, ao lado de Benevides, Adriano Candido Stringhini, CMO da Sabesp e Governador do Conselho Mundial da Água; Ana Luísa Guimarães, Mestre em Direito e Advogada; Floriano Pesaro, ex-secretário de Estado do Desenvolvimento Social de São Paulo Francisco; George Santoro, Secretário de Fazenda do Estado de Alagoas (moderador); e Verônica Sanchez, Presidente da ANA.

 

 

 

 

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Transformando a Indústria Brasileira: Empresários de Brasília Conhecem o Brasil Mais Produtivo

Evento destaca iniciativa governamental que visa aumentar produtividade e eficiência energética em micro, pequenas e médias empresas industriais

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Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae, participou do evento junto com o vice-presidente Alckmin e representantes de outras instituições parceiras. Foto: Larissa Carvalho

 

Nesta sexta-feira (12), em Brasília/DF, o governo federal promoveu um encontro com empresários para divulgar e detalhar os impactos do programa Brasil Mais Produtivo, visando engajar micro, pequenas e médias indústrias. Este evento marca o quarto Roadshow realizado para apresentar o projeto, que terá próximas edições em estados como Paraná, Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, Goiás, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo, totalizando 12 encontros.

Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil Mais Produtivo conta com a parceria do Sebrae e oferece soluções que incluem aumento de produtividade, eficiência energética e transformação digital das empresas. Até o momento, mais de 4 mil indústrias já se cadastraram para receber consultorias gratuitas, alcançando 80% da meta estabelecida para este ano.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, enfatizou o papel estratégico da indústria na economia nacional, destacando sua contribuição para a inovação, geração de empregos e crescimento sustentável do país.

Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do MDIC, apontou os desafios de baixo investimento e baixa produtividade no Brasil, destacando o diagnóstico que será realizado em parceria com Sebrae e Senai. Embrapii, ABDI, BNDES e Finep são os parceiros financiadores do programa.

O Brasil Mais Produtivo visa também promover a economia verde e a descarbonização dos setores produtivos, além de direcionar esforços para aumentar a produtividade das micro e pequenas empresas através de estímulos à cooperação e ao desenvolvimento empresarial.

Décio Lima reiterou o compromisso do Sebrae com o programa, que visa aprimorar a produtividade industrial e incentivar uma indústria mais competitiva. A expectativa é beneficiar 200 mil empresas até 2027, com 30 mil delas recebendo consultorias especializadas.

Para participar do Brasil Mais Produtivo, as empresas industriais de todo o país podem acessar a Plataforma de Produtividade através do site oficial do programa. Além de diagnósticos gratuitos, o programa oferece consultoria, educação profissional e apoio financeiro para melhorar a gestão e implementar tecnologias, essenciais para a competitividade dos negócios.

 

 

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Pessoas com deficiência recebem atendimento específico no Metrô

Protocolo da companhia é garantir conforto e segurança para todos os usuários

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Por Ana Paula Siqueira e Josiane Borges, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

 

Sempre que o advogado e paratleta de goalball Jeferson Conrado dos Santos, 29, chega à Estação Asa Sul do Metrô-DF, é cumprimentado pelo nome por funcionários que controlam o acesso do público. Usuário deste modal de transporte há muitos anos, Jeferson tem deficiência visual, o que torna essencial o auxílio de agentes da empresa para se locomover, embarcar e desembarcar.

Jeferson Conrado dos Santos (E) elogia o tratamento: “Sempre aceito a ajuda porque para mim é mais fácil, prático, seguro e passa confiança para a gente” | Fotos: Matheus H. Souza/Agência Brasília

“Esse protocolo é fundamental para a pessoa com deficiência”, relata. “Eu, que ando de metrô desde a infância, vejo que traz segurança para a pessoa com deficiência como um todo. Saber que serei embarcado, que vou descer na estação correta, é fundamental.”

Jeferson perdeu a visão aos 10 anos por conta de um tumor benigno na cabeça. Apesar da cirurgia que fez, a visão foi permanentemente afetada. Foi mais ou menos nessa época que ele passou a utilizar o Metrô-DF. Hoje morador de São Sebastião, ele passou a maior parte da vida em Ceilândia, para onde se desloca de metrô semanalmente.

Atendimento diferenciado

19.088

Total de usuários deficientes atendidos em 2023 pelo Metrô-DF

A rotina de Jeferson é vivida por milhares de outras pessoas. Ele é um dos mais de 9 mil usuários com deficiência que foram atendidos pela companhia somente em 2024. E o número cresce a cada ano. Em 2021, foram 10.028; em 2022, saltou para 16.923; em 2023, foram 19.088, e este ano, a expectativa é de que esse patamar se mantenha.

O grande número de atendimentos indica o crescimento do número de pessoas com deficiência que utilizam o serviço, de acordo com o superintendente de Operações do Metrô, Renato Avelar.

O superintendente de Operações do Metrô, Renato Avelar: “Temos um olhar cuidadoso para garantir que todos os usuários tenham a melhor experiência possível”

“Desde que o Metrô começou sua operação comercial, temos um olhar cuidadoso para garantir que todos os usuários tenham a melhor experiência possível”, observa. Por isso, afirma, a companhia investe em treinamentos e capacitações dos seus colaboradores e mantém um olhar cuidadoso às pessoas com deficiência.

Quando uma pessoa cega, com deficiência auditiva ou cadeirante chega a qualquer uma das 27 estações do Metrô no DF, ela é abordada por um agente da companhia que se apresenta e se oferece para acompanhá-la até o embarque. Pessoas com deficiência de qualquer gênero e mulheres têm direito a utilizar o primeiro vagão. Após o embarque, há o monitoramento e recepção na estação de destino daquele usuário.

Para Jeferson, que há anos utiliza esse serviço, o cuidado faz do Metrô um ambiente seguro. “Eu gosto e acho importante essa atenção e preocupação”, diz. “Sempre aceito a ajuda porque para mim é mais fácil, prático, seguro e passa confiança para a gente. Sem esse protocolo, se eu chegar sozinho à estação, vou ter muita dificuldade para me locomover até o trem”.

Deficiências ocultas

Pessoas com autismo ou outras deficiências ocultas também recebem a devida atenção no Metrô. Uma parceria da companhia com a Ordem dos Advogados do Brasil/SecçãoDistrito Federal (OAB-DF) deu início a um treinamento para melhor compreensão das características e das necessidades dos autistas.

Em abril, 24 colaboradores da companhia participaram da primeira fase do treinamento. Eles também têm a missão de se tornar multiplicadores desse tipo de abordagem, que inclui usar linguagem simples, direta e objetiva, com argumentos lógicos e coerentes. Também é importante se atentar ao tom de voz e ao volume ao se dirigir a alguém com autismo, além de não esperar contato visual nem resposta verbal.

Para os usuários, a recomendação é usar sempre o cordão do girassol, que identifica pessoas com deficiências ocultas, e o cordão do quebra-cabeças, específico para autistas.

 

 

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Lira anuncia para agosto a votação do segundo projeto que regulamenta a reforma tributária

O projeto contém regras para o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS)

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Arthur Lira na sessão do Plenário que aprovou o primeiro projeto, no dia 10 de julho

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmou que o segundo projeto de regulamentação da reforma tributária (PLP 108/24) será votado em agosto, quando os deputados retornarem do recesso parlamentar. Segundo Lira, o texto está maduro para ser votado e foi amplamente discutido pelo grupo de trabalho que debateu a proposta. Ele concedeu entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (15).

Lira foi questionado sobre a inclusão das proteínas de origem animal na cesta básica, isenta de impostos, na votação do primeiro projeto de regulamentação da reforma (PLP 68/24), ocorrida no último dia 10. Ele disse que não era contra o benefício para o setor, mas que seria preciso avaliar o impacto dessa inserção no aumento da alíquota do imposto. “O que eu sempre me posicionei foi para avaliar o custo de alíquota que representaria para todo brasileiro. O melhor seria fazer um cashback sobre a proteína para todos os brasileiros do CadÚnico”, disse.

Dívidas de partidos
Lira afirmou que a votação na Câmara da proposta que facilita o pagamento de dívidas de partidos políticos (PEC 9/23) só foi possível porque havia um compromisso do Senado em pautar e votar a matéria. Ele negou que se trate de anistia aos partidos.

Segundo ele, o objetivo foi colocar em uma PEC questões que ficaram mal solucionadas pela resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) que tratou do tema. “Ninguém ficou satisfeito em discutir essa questão um dia após votar a reforma tributária”, disse. “Todos os partidos têm essa demanda”, reforçou o presidente.

“Abin paralela”
Em relação à chamada “Abin paralela”, Lira afirmou que os fatos são graves. A “Abin paralela” foi um sistema de monitoramento e espionagem ilegal de autoridades e desafetos políticos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Esse acompanhamento para quem destinou, para quem mandou, qual a finalidade. Tenho certeza que a Abin [Agência Brasileira de Inteligência], a Polícia Federal e o STF devem estar adiantados nesse sentido”, cobrou.

 

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

 

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