Reportagens
Restaurantes comunitários garantem comida para quem precisa
Às 5h40 começa a rotina das equipes que trabalham para garantir a pessoas de baixa renda ou em vulnerabilidade social uma alimentação segura e rica em nutrientes
Lúcio Flávio, da Agência Brasília | Edição: Claudio Fernandes
Uma rotina do bem que começa cedo para garantir o pão e o almoço de milhares de pessoas no Distrito Federal. Assim tem sido o dia a dia nos 14 restaurantes comunitários espalhados por cidades como Ceilândia, Estrutural, Planaltina, Samambaia, São Sebastião, Paranoá e Brazlândia. O batente para quem tem que deixar tudo preparado para a primeira refeição diária, o café da manhã, começa às 5h40, com bandejas servidas às 6h40.
São pessoas de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social que têm à disposição refeições adequadas e saudáveis a preços acessíveis. O cardápio do desjejum do dia era pão com ovo, café com leite e uma fruta, no caso, mamão, ao custo módico de R$ 0,50.
“Sempre que posso, venho aqui. Hoje, por exemplo, não tinha nada para comer lá em casa; como fica perto, em 15 minutos estou aqui”, conta a aposentada Ana Pereira dos Santos, 60 anos, que ganha a vida como vendedora de roupa em brechós. “É uma ideia criativa para as pessoas de baixa renda. As coisas hoje em dia estão muito caras”, pondera.

A aposentada Ana Pereira dos Santos, 60 anos, vai à unidade de Brazlândia sempre que pode: “Hoje, por exemplo, não tinha nada para comer lá em casa”, afirmou na terça (3)
Alunos do Centro de Ensino Médio 2, que fica quase calçada com calçada com o Restaurante Comunitário de Brazlândia, na Quadra 36 da Vila São José, aproveitam as vantagens do espaço. “É bem acessível para muita gente; para nós é legal não apenas por ser perto da escola, mas pelo preço também”, observa a estudante, Thynan Dantas, 17 anos, que forrava o estômago com um honesto café antes de ir para a escola. “É um serviço para toda a sociedade, não apenas para quem precisa”, comenta o colega João Pedro Gurgel, 16 anos.
Enquanto cerca de 150 pessoas fazem o desjejum pela manhã no hall do restaurante, na cozinha, cozinheiras e ajudantes esforçados se revezam desde as primeiras horas do dia para preparar o almoço do dia. No forno industrial, 16 bandejas gigantes assam desde as 7h a carne do dia, coxa e sobrecoxa, peça que irá acompanhar o arroz com açafrão e feijão carioca, ambos preparados em enormes panelas de pressão. Noutra parte da área, um grupo de três ajudantes preparam salada e guarnições, como chuchu com milho e cheiro verde.

Enormes panelas são usadas no preparo das refeições: cozinheiras e ajudantes esforçados se revezam desde as primeiras horas do dia para fazer o almoço do dia
Na unidade de Brazlândia, em média, são preparados cerca de 200 kg de arroz e entre 60 kg e 70 kg de feijão por dia, comida que atende cerca de 1,5 mil pessoas diariamente. O cardápio de cada dia é elaborado com um mês de antecedência por nutricionistas da empresa que fornece os alimentos, em parceria com os nutricionistas da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).
Capilaridade assistencial
Para se ter ideia da capilaridade desse serviço social, segundo dados da pasta, entre 2019 e 2021, mais de 7, 6 milhões de refeições foram ofertadas nos 14 espaços do DF, o que corresponde a mais de R$ 101 milhões de execução orçamentária. Em 2022, só de almoços servidos até março, de acordo com dados do órgão, foram mais de 2 milhões, sendo quase 50 mil só de refeições gratuitas para pessoas em situação de rua. O total de café da manhã fornecido foi mais de 155 mil, somando quase R$ 12 milhões de recursos.
“O decreto (nº 40.854, de 5 de junho de 2020) estabelece somente a gratuidade do almoço para as pessoas em situação de rua, mediante comprovação. E como é feita essa comprovação? Se cadastrando no Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Com o nome registrado no sistema, fazemos esse controle”, explica o gerente do Restaurante Comunitário de Brazlândia, Sidon Francisco.
“A política de segurança alimentar e nutricional, juntamente com a política de assistência social, garantem o direito da população a esse serviço, permitindo que famílias e pessoas em situação de rua tenham como se alimentar. É uma diferença incrível que faz na vida dessas pessoas”, defende a assistente social da Sedes Kariny Alves.
Qualidade nutricional

A nutricionista Thaynara Alves de Sousa explica que o desafio nos restaurantes comunitários é sempre manter uma alimentação de qualidade, com produtos seguros e ricos em nutrientes
O desafio é definir uma alimentação de qualidade, com produtos seguros e ricos em nutrientes. É o que explica Thaynara Alves de Sousa Nogueira, nutricionista da Sedes. Ela integra o grupo de profissionais da área recém-nomeados pela atual gestão. Agora, cada um dos 14 restaurantes comunitários do GDF conta com uma nutricionista.
“O cardápio tem que garantir alimentação de qualidade para a população em situação de vulnerabilidade, que seja uma alimentação segura e também benéfica”, defende a nutricionista. “Nos preocupamos muito com a qualidade nutricional, sempre pensamos numa opção mais saudável. Por exemplo, geralmente deixamos mais fruta na sobremesa do que doce porque é mais saudável”, detalha.

Pedreiro aposentado, Edson Jorge Filho levou duas marmitas para casa: “Você vai numa padaria, paga R$ 10 e ainda sai com fome. Aqui você vem com R$ 1 e vai embora de barriga cheia”, diz
Para garantir a segurança dos alimentos, os servidores dos restaurantes comunitários do DF obedecem a regras e protocolos de higiene rigorosos. Além do avental, o uso de máscaras e toucas é obrigatório. Em atividades nas quais não é necessário o uso de luva, recomenda-se a higienização das mãos constantemente. Já a limpeza das mesas em que os comensais se alimentam é feita logo que cada um deles termina sua refeição.
“E acabou a parte do café da manhã, a gente faz a limpeza geral do ambiente para deixar tudo pronto para o pessoal do almoço”, informa Sidon.
Pouco antes das 11h, quando o almoço começa a ser servido para a comunidade, filas começam a crescer no Restaurante Comunitário de Brazlândia. Não é sempre que frequenta o espaço, mas, quando vai, o pedreiro aposentado Edson Jorge Filho se esbalda com as duas marmitas que prepara para levar para casa. “Não tenho o que reclamar, é uma ajuda muito grande que o governo dá para as pessoas mais carentes”, agradece. “Você vai numa padaria, paga R$ 10 e ainda sai com fome. Aqui você vem com R$ 1 e vai embora de barriga cheia”, diz.
Reportagens
Arte e cultura urbana movimentam Ceilândia com ações de combate ao bullying entre jovens
Programação gratuita reúne rap, dança e teatro nos CEUs do DF e aposta na arte como ferramenta de conscientização
Por
Agência Brasília* | Edição: Ígor Silveira
As unidades dos CEUs das Artes e Praças dos Direitos de Ceilândia Norte recebem, no dia 16 deste mês, uma nova edição do Ritmo da Comunidade — Vibe de Respeito, com apresentações culturais voltadas a crianças e jovens de 10 a 18 anos. A ação faz parte do projeto CEU das Artes e Praças dos Direitos em Movimento, realizado pela Sejus-DF em parceria com o Instituto Idecace.
A partir das 15h, nas unidades da QNM 28 e da QNR 02, o público poderá acompanhar uma programação que reúne rap, danças urbanas e teatro, com participação de artistas locais e alunos do projeto. A proposta é transformar o espaço em um ambiente de troca, expressão e protagonismo juvenil.
A iniciativa posiciona a arte como aliada no enfrentamento ao bullying e à violência nas escolas. Realizada em abril, a ação dialoga com o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, incorporando o tema às apresentações de forma prática e próxima da realidade dos jovens.
“Ações como essa mostram que a arte vai muito além do entretenimento: ela se torna uma ferramenta poderosa de transformação social. Ao oferecer aos jovens espaços de expressão e pertencimento, o evento contribui para fortalecer a autoestima, incentivar o respeito às diferenças e construir relações mais saudáveis dentro e fora da escola”, afirmou Jaime Santana, titular interino da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).
“O projeto mostra que, quando o jovem encontra espaço para se expressar, ele também descobre formas mais saudáveis de se relacionar. A arte aproxima, cria pertencimento e ajuda a transformar realidades muitas vezes marcadas pelo silêncio”, afirma Wilson Cardoso, presidente do Instituto Idecace.
A proposta segue a metodologia do programa DNA do Brasil, alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que utiliza a arte e o esporte como ferramentas de desenvolvimento integral, estimulando habilidades socioemocionais, senso de pertencimento e construção de identidade entre os participantes. Nesse contexto, a arte se torna um instrumento de escuta, expressão e transformação social.
“Além de ampliar o acesso à cultura, a iniciativa fortalece a autoestima dos jovens e valoriza a produção artística local, incentivando novas formas de convivência dentro e fora da escola”, acrescenta Cardoso.
As unidades dos CEUs das Artes e Praças dos Direitos são órgãos coordenados pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).
Serviço
Ritmo da Comunidade — Vibe de Respeito
→ Local: Ceilândia Norte — QNM 28 e QNR 02
→ Data: dia 16 deste mês
→ Horário: 15h
→ Entrada gratuita
→ Mais informações neste link.
*Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF)
Reportagens
Ação do governo freia alta de passagem aérea, diz presidente da Anac
Chagas estima desaceleração do aumento dos preços
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas, disse nesta sexta-feira (10), na Rádio Nacional, no programa Alô Alô Brasil, com José Luiz Datena, que as ações tomadas pelo Governo Federal e pela Petrobras têm contribuído para frear o aumento do preço das passagens aéreas.

“As medidas tomadas pelo Governo foram importantes para frear o aumento e não para evitar o aumento”, afirmou Chagas.
A Petrobras anunciou no dia 1º de abril um reajuste médio de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível derivado do petróleo que abastece aviões e helicópteros e é um dos principais custos das companhias aéreas. O aumento está ligado a escalada no preço do barril do petróleo devido à guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O presidente da Anac explica que “55% de aumento no preço do querosene de aviação represente mais ou menos de 20% a 30% no aumento da passagem aérea”. Segundo Chagas, o querosene de aviação representa 40% do custo da passagem que as pessoas compram.
Com as medidas tomadas pelo governo, segundo o presidente da Anac, o aumento, em vez de ir para a casa dos 20% ou 30%, ficarão na faixa de 10% a 12%.
Chagas aponta também a decisão da Petrobras de parcelar o aumento do querosene de aviação. A empresa não aplicou os 55% de forma imediata e repassou apenas 18% num primeiro momento, optando por parcelar o restante do aumento ao longo dos próximos seis meses.
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O governo federal ainda zerou os impostos PIS e Cofins e disponibilizou uma linha de crédito para as companhias aéreas.
“São medidas para aliviar o caixa das empresas para que elas não repassem tanto o aumento do combustível no valor das passagens agora”, explicou o presidente da Anac.
Chagas finalizou dizendo que o governo aguarda a adesão das companhias aéreas às medidas do governo, o que deve acontecer rapidamente, segundo ele.
“É de interesse delas [das empresas] porque se as pessoas não voarem, significa aviões menos cheios. Isso pode provocar até cancelamento de rotas que se tornam não rentáveis. As companhias aéreas estão muito preocupadas em perder um público que já está sofrendo”, afirmou o presidente da Anac.
Reportagens
Condenados por racismo poderão ser proibidos de assumir cargos públicos no DF
Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF
Após aprovação na Comissão de Segurança, o projeto ainda precisa ser analisado em outras comissões e pelo Plenário da Câmara
Os condenados por racismo poderão ser proibidos de assumir cargos públicos no Distrito Federal. A medida está prevista no projeto de lei 886/2024, do deputado Pastor Daniel de Castro (PP), aprovado pela Comissão de Segurança da Câmara Legislativa na tarde desta quarta-feira (9). O projeto ainda precisa ser analisado em outras comissões e pelo Plenário da Câmara.
O texto define como crime de racismo a conduta prevista no artigo 20 da Lei Federal nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. A proibição vale para todas as esferas do serviço público, incluindo cargos efetivos, comissionados e de confiança.

Na justificativa da proposição, o deputado explica que a nova lei tem como objetivo “reforçar os fundamentos da igualdade, justiça e respeito à diversidade no contexto dos cargos públicos, incorporando o princípio da moralidade como base central para as nomeações no serviço público”.
Eixão do Lazer
A Comissão de Segurança também aprovou o PL 1289/2024, do deputado Ricardo Vale (PT), que altera a legislação que trata do funcionamento do Eixão do Lazer para autorizar a venda de todos os produtos comercializáveis no espaço durante os horários de interdição da via. Vale explica que a mudança é necessária para evitar a proibição de venda de bebidas alcóolicas no local, com recentemente tentou fazer o Governo do DF.

“O Eixão não se enquadra no conceito legal de rodovia, por estar localizado na zona urbana, e, ao mesmo tempo, não se enquadra no conceito de via urbana de circulação de veículos nos domingos e feriados, por ser transformado em espaço de lazer”, ponderou o distrital.
Dia do Oficial R2

A Comissão aprovou ainda o PL 1908/2025, do deputado João Cardoso (PL), que institui o Dia do Oficial do Exército R2. A data deverá ser comemorada anualmente em 4 de novembro, data que já é reconhecida nacionalmente pelo Exército Brasileiro.
Luís Cláudio Alves – Agência CLDF
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