Segundo o secretário de Segurança Pública interino, Alexandre Patury, esse resultado está ligado a um conjunto de ações adotadas na segurança pública do DF. “Hoje temos mais policiais nas ruas, atuação diária nas regiões administrativas, trabalho direcionado no combate às manchas criminais, uso de ferramentas como o DF 360 e participação intensiva da comunidade por meio dos Conselhos Comunitários de Segurança. Existe todo um ecossistema que contribuiu para essa redução”, afirmou o chefe da pasta durante a assinatura da ordem de serviço para construção da nova Policlínica da Polícia Civil (PCDF), nesta sexta-feira (15).
Reportagens
“Brasília precisa se preparar para a mudança do clima”, alerta Mercedes Bustamante
Uma das maiores autoridades em mudança climática, a professora da Universidade de Brasília alerta que a capital do país terá “o aumento de eventos extremos de precipitação e temperatura” por causa da degradação ambiental
“Estamos vivendo retrocessos gravíssimos na questão ambiental, conduzidos pelo Executivo e pelo Legislativo.” A constatação da bióloga Mercedes Bustamante, professora titular da Universidade de Brasília (UnB), membro da Academia Brasileira de Ciências e atualmente uma das principais referências no bioma cerrado.
Ela explica que tais retrocessos impactam sobretudo no cerrado, bioma que conta com a menor extensão de unidades de conservação e está, portanto, menos protegido nos marcos regulatórios. “Estamos vendo recrudescimento do desmatamento e da degradação.”
Os impactos dessas políticas retrógradas já podem ser vistos e tendem a piorar. Segundo Mercedes, a nível local, importantes unidades de conservação no DF têm enfrentado pressões de degradação. E são elas que contribuem para a absorção de carbono, combatendo o aquecimento global, conservam água para as cidades e amenizam a temperatura e a baixa umidade relativa.
“Brasília é uma cidade que precisa se preparar para a mudança do clima e o aumento de eventos extremos de precipitação e temperatura. A manutenção das áreas verdes e de cerrado, redução da impermeabilização dos solos, o cuidado com as populações mais vulneráveis são componentes importantes de um plano de adaptação”, diz nesta entrevista ao Correio.
Ela chama à responsabilidade o setor privado, em particular o agronegócio, que tem um papel muito importante para conservar e restaurar o cerrado. “Podemos intensificar o uso da terra de forma sustentável e aumentar a eficiência dos processos produtivos. A conservação em nível da propriedade pode ir além das demandas legais sem comprometimento da produção de alimentos”, explica.
Mercedes destaca ainda que “segurança alimentar é mais do que produzir”, e, sim, incluir qualidade e saúde do alimento e do meio ambiente, além da distribuição justa. “É um contrassenso ser uma potência exportadora de commodities agrícolas com tantas pessoas em situação de fome e insegurança alimentar.”
Por que o cerrado é considerado um bioma de segunda categoria, sendo, para muitos, o “patinho feio” dos ecossistemas brasileiros?
Tendemos a associar o valor dos biomas à cobertura florestal. Ou seja, florestas densas são vistas como ambientes mais ricos e como prioritários para conservação. Dessa forma, a necessidade de conservação dos biomas não florestais acaba sendo menos considerada. O processo de ocupação colonial do cerrado também priorizou os recursos minerais e, posteriormente, o incentivo foi para o uso agropecuário, desconsiderando outras possibilidades de economia com base nos ricos recursos biológicos do bioma.
Amazônia e Pantanal são muito comentados quando se fala de evitar o aquecimento global. Como fica o cerrado?
O cerrado já está sendo impactados pelo mudança do clima em interação com as mudanças locais de uso do solo. Já observamos aumento da temperatura superficial e redução da umidade. As projeções compiladas pelo último relatório do IPCC apontam para temperaturas mais altas, atraso do período chuvoso e maior ocorrência de incêndios. Já em 2022 estão quebrando recordes de ocorrência de queimadas.
Como vê o cuidado com o cerrado a partir do nosso quintal, o Plano Piloto?
Brasília é uma cidade que precisa se preparar para a mudança do clima e o aumento de eventos extremos de precipitação e temperatura. A manutenção das áreas verdes e de cerrado, redução da impermeabilização dos solos, o cuidado com as populações mais vulneráveis são componentes importantes de um plano de adaptação. Adicionalmente, temos importantes unidades de conservação no DF que vêm enfrentando pressões de degradação, o que precisa ser revertido. Tais unidades de conservação contribuem para a absorção de carbono, combatendo o aquecimento global, conservam água para as cidades e amenizam a temperatura e a baixa umidade relativa.
Já superamos a ignorância e o preconceito contra o cerrado? Qual a singularidade da beleza do cerrado?
A ciência tem avançado muito no conhecimento sobre o cerrado e as instituições de pesquisa do DF têm conduzido importantes pesquisas. Precisamos seguir com o financiamento consistente da ciência para gerar as soluções que necessitamos para as próximas décadas que demandarão muitos ajustes da sociedade e da economia.
O que é urgente fazer para salvar o cerrado?
Temos três frentes importantes: parar o desmatamento, restaurar os passivos ambientais (áreas degradadas) e incentivar o planejamento territorial e práticas sustentáveis com o olhar para as demandas do futuro e não com a visão das décadas passadas que já não servem como exemplo dos desafios que vamos enfrentar.
A educação sobre o cerrado nas escolas é satisfatória? Como poderia ser melhorada?
De forma geral, precisamos levar mais informações sobre nossos biomas para as escolas e para os livros didáticos. Hoje, há iniciativas muito significativas no âmbito da universidade para incorporar isso na formação de novos professores e para produzir novas ferramentas que, de forma lúdica, apresentem o cerrado às nossas crianças e jovens.
Como avalia o nível de consciência ambiental da classe política e qual o impacto dessa consciência nas decisões sobre o cerrado?
Infelizmente, estamos vivenciando retrocessos gravíssimos na conservação ambiental, tanto conduzidos pelo Executivo como pelo Legislativo. Como o Cerrado conta com menor extensão de unidades de conservação e está menos protegidos nos marcos regulatórios, estamos vendo recrudescimento do desmatamento e da degradação.
O futuro, se houver futuro, será de uma economia verde. Como o agronegócio terá de se adaptar ou se reinventar para entrar em sintonia com esse novo tempo?
Não há dúvida que o setor precisará incorporar novas práticas em consonância com as demandas de sustentabilidade e para a própria sobrevivência econômica pois é um setor altamente dependente dos recursos naturais. A conservação é parceira da produção agropecuária.
O agronegócio cresceu sacrificando o segundo maior bioma brasileiro. O que se pode fazer ainda para salvar o pouco que restou? Como conciliar o papel do cerrado como grande produtor de alimentos e ao mesmo tempo proteger as áreas ainda preservadas?
O setor privado, em particular o agronegócio, tem um papel muito importante para conservar e restaurar o cerrado. Podemos intensificar o uso da terra de forma sustentável e aumentar a eficiência dos processos produtivos. A conservação, em nível da propriedade, pode ir além das demandas legais sem comprometimento da produção de alimentos. É preciso também destacar que segurança alimentar é mais do que produzir. Deve incluir qualidade e saúde do alimento e do meio ambiente e sua distribuição justa. É um contrassenso ser uma potência exportadora de commodities agrícolas com tantas pessoas em situação de fome e insegurança alimentar.
A Amazônia já definiu determinados regramentos voluntários e o cerrado tem algum inventário que digam respeitam a quanto emite de gás do efeito estufa?
As emissões do cerrado são contabilizadas pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, que é responsável pela elaboração do Inventário Nacional de Emissões enviado à Convenção Quadro da Nações Unidas para Mudança do Clima. Temos também iniciativas da sociedade civil que monitoram as emissões dos biomas brasileiros, incluindo o cerrado. As estimativas convergem ao indicar a grande contribuição do desmatamento para as emissões do Brasil.
Acredita que parte dos produtores já começa a entender a importância de proteger o cerrado, sabendo que rios estão secando, nascentes destruídas, espécies ameaçadas de extinção?
Há produtores que estão empenhados em conduzir suas atividades com base no respeito aos limites naturais e contribuindo para que os ecossistemas continuem provendo água, polinizadores, controle de pragas e regulação climática. Precisamos dar mais destaque a esses novos modelos e mostrar que podem ser aplicados em escala.
Bruno Pereira e Dom Phillips morreram vítimas do crime organizado na Amazônia. O que é preciso fazer, além de levar à Justiça os responsáveis pelo duplo assassinato?
A justiça é um imperativo nesse caso e também nos outros assassinatos de servidores públicos e defensores ambientais. Mas precisamos também desmontar as estruturas que estão sustentando a violência e o crime organizado na Amazônia.
O que se desenha para o meio ambiente em caso de vitória de Bolsonaro? As propostas de Lula para o meio ambiente são satisfatórias?
A eleição de 2022 pode representar um ponto importante de inflexão das políticas ambientais. Claramente, o desmonte dos regramentos e das estruturas de proteção tem gerado impactos para a população brasileira e para a percepção internacional do país. Isso precisa urgentemente ser revertido. Eu espero que todos os candidatos considerem a questão socioambiental como central para a retomada do desenvolvimento do país.
Em depoimento no Senado, o líder indígena Jader Marubo fez duras críticas à Funai. E disse que até o momento não há proteção para indigenistas e servidores. A Funai é vítima ou cúmplice dessa situação?
Aqui é importante separar a direção, que é temporária e que não tem cumprido com sua missão, e a instituição, formada por seu corpo de servidores de carreira que tem enfrentado pressões dos mais diversos tipos e níveis ao tentar atuar de acordo com suas funções. Precisamos que a Funai volte aos trilhos do cumprimento de sua missão pública e de proteção dos povos indígenas.
O caso Dom e Bruno cairá no esquecimento?
Eu espero fortemente que não e nós vamos seguir lembrando. A investigação e a justiça precisam ser rápidas e certeiras. A sociedade brasileira espera respostas e um indicativo de que defensores ambientais, indigenistas e jornalistas não devem viver sob ameaça no país.
A oposição conseguiu obstruir, momentaneamente, o PL do Veneno. O que pensa do assunto?
O tema tem consequências muito profundas para a saúde ambiental e humana e que podem permanecer conosco por muito tempo. Há necessidade de um debate amplo, bem informado e transparente. Novamente, a ciência pode fornecer importantes subsídios e é importante que os espaços de discussão com a sociedade civil sejam criados e respeitados.
Reportagens
Vladimir Sacchetta, jornalista e pesquisador, morre aos 75 anos
Dedicou-se a projetos da memória cultural e política brasileiras
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
Morreu nesta sexta-feira (15) o jornalista, produtor cultural, pesquisador e escritor Vladimir Sacchetta, aos 75 anos.

Sacchetta registrou as greves operárias do ABC, a memória do movimento operário e de revolucionários brasileiros, como Olga Benário. Colaborou em duas obras premiadas com o Jabuti: a obra póstuma de Florestan Fernandes e Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia, que escreveu em coautoria com Carmen Lúcia Azevedo e Márcia Camargos.
Sacchetta dedicou seus últimos anos a projetos de documentação e memória, como o Memorial da Democracia, do Instituto Lula; registros da Imprensa Alternativa, junto ao Instituto Vladimir Herzog, além de trabalhos sobre cultura brasileira.
“Vladimir Sacchetta dedicou sua trajetória à preservação da memória cultural e política brasileira, construindo um trabalho fundamental para o registro das lutas democráticas, da resistência à ditadura militar e da defesa intransigente da liberdade de expressão”, diz, em nota, o Instituto Vladimir Herzog.
Foi um dos fundadores da Sociedade dos Observadores de Saci, dedicada a valorização da cultura nacional. Também foi conselheiro do Centro de Documentação do Movimento Operário Mario Pedrosa (Cemap), no qual participou ativamente até poucos dias atrás.
“O Cemap perde um conselheiro brilhante; o Brasil perde um de seus maiores guardiões da memória”, diz o Cemap, em nota.
Sacchetta deixa dois filhos e neto.
O velório será realizado neste sábado (16) na Barra Funda, na capital paulista.
Reportagens
Brasília é a capital mais segura do país, com redução histórica do número de homicídios
Resultado considera a soma de homicídios e mortes a esclarecer no primeiro trimestre de 2026; índice coloca o Distrito Federal na primeira posição nacional em segurança relacionada a crimes letais
Por
Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Paulo Soares
O Distrito Federal alcançou a primeira colocação nacional nos indicadores de crimes letais no primeiro trimestre de 2026. O resultado considera a soma de homicídios e mortes a esclarecer por 100 mil habitantes, metodologia baseada em dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O levantamento colocou o DF na liderança tanto entre as unidades da Federação quanto entre as capitais brasileiras com a menor taxa do país.
Os dados mostram que, no primeiro trimestre deste ano, o DF registrou taxa de 5,58 mortes por 100 mil habitantes entre as unidades da federação. Santa Catarina aparece logo atrás, com 5,63. Entre as capitais, Brasília alcançou índice de 5,61 e liderou o ranking nacional, seguida por Curitiba (10,05) e Campo Grande (10,39).
Durante o evento, Patury explicou que o resultado não considera apenas os homicídios registrados. O levantamento também inclui os chamados casos de mortes a esclarecer — situações em que ainda não foi definida a causa da morte. “Temos 42 homicídios no DF e zero a esclarecer. Nós sabemos o nome e sobrenome de cada caso. Estávamos em segundo lugar, no primeiro trimestre agora de 2026, e agora alcançamos o primeiro lugar. Passamos Santa Catarina e Florianópolis”, destacou.
Mais segurança pública
A redução dos crimes letais acompanha outros indicadores positivos da segurança pública. Os roubos no transporte coletivo do DF caíram 52% em 2025. Ao longo do ano, foram registrados 111 casos, contra 230 em 2024.
Além disso, 15 regiões administrativas não tiveram nenhuma ocorrência, segundo dados do 2º Anuário de Segurança Pública do DF. Os números mostram o avanço das ações de segurança e das mudanças adotadas no sistema de transporte, que têm contribuído para reduzir os crimes e aumentar a segurança da população.
Reportagens
Comissão Geral debate transporte escolar no Distrito Federal
Iniciativa é da deputada Paula Belmonte, que apresentará diagnóstico sobre a área com foco em desafios, gestão e qualidade do serviço
Foto: Tony Winston / Agência Brasília
Por iniciativa da deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), a Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, nesta quinta-feira (14), às 15h, uma comissão geral para debater o transporte escolar no Distrito Federal. O encontro reunirá parlamentares, representantes do poder público, especialistas e a sociedade civil para apresentação e discussão de um diagnóstico técnico sobre o funcionamento do serviço no DF.
O estudo foi solicitado pelo gabinete da parlamentar e elaborado pela Consultoria Técnico-Legislativa da CLDF (Conofis). O relatório analisa o transporte escolar entre os anos de 2021 e 2025, abordando aspectos relacionados à qualidade dos veículos, organização das rotas, gestão do serviço e percepção de estudantes, familiares e profissionais envolvidos.
De acordo com o levantamento, foram identificados desafios que impactam diretamente o cotidiano dos estudantes, como atrasos, interrupções no atendimento, condições da frota e dificuldades de acesso, especialmente em regiões rurais. O diagnóstico também aponta entraves relacionados à utilização de processos predominantemente manuais e à ausência de padronização tecnológica entre as unidades escolares.
A análise destaca ainda que fatores como as condições das vias e a falta de infraestrutura adequada nos pontos de embarque podem comprometer a frequência escolar e o acesso dos alunos à educação. A comissão geral busca ampliar a participação social na discussão, reunindo gestores públicos, trabalhadores do setor, pais, estudantes e demais interessados na construção de propostas para o aperfeiçoamento da política pública.

Segundo a deputada Paula Belmonte, o debate é fundamental para garantir avanços no atendimento aos estudantes da rede pública. “Estamos falando de um serviço essencial, que garante o acesso e a permanência dos nossos estudantes na escola. Esse diagnóstico é um passo importante para corrigir falhas e avançar com responsabilidade”, afirmou a parlamentar.
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