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Bicentenário é momento para Brasil encarar seus problemas, diz historiador
Rubens Ricupero estava lotado como diplomata em Washington quando os Estados Unidos celebraram os 200 anos da Independência, em 1976. Ele lembra que os eventos comemorativos, tanto os do governo quanto os da sociedade, se espalharam pelo país inteiro e puderam ser contados aos milhares.
Neste momento, o Brasil está às vésperas do bicentenário da separação de Portugal, mas Ricupero vê aqui um estado de ânimo bem diferente daquele dos americanos.
— O que eu vejo é uma imensa apatia, como se este aniversário não tivesse relação conosco, não dissesse respeito à nação. Há um vazio — afirma ele, que também é historiador, autor do livro A Diplomacia na Construção do Brasil, titular da Cátedra José Bonifácio, da Universidade de São Paulo (USP), e ex-ministro do Meio Ambiente (1993-1994) e da Fazenda (1994).
O historiador avalia que o aniversário da Independência seria a oportunidade perfeita para a sociedade brasileira fazer um balanço destes 200 anos e, a partir dele, corrigir os rumos para o futuro. Essa oportunidade, no entanto, está sendo perdida. Ele acrescenta:
— O povo não é indiferente. Quem é indiferente à história nacional é o governo, que não sabe ou não quer mobilizá-la em favor de uma reflexão sobre o país.
Leia, a seguir, a entrevista concedida por Ricupero à Agência Senado.
Por que o bicentenário da Independência precisa ser lembrado?
Por que se trata de uma oportunidade única para fazermos um balanço daquilo que realizamos ao longo destes 200 anos como país e sociedade. Em quais aspectos progredimos? Em quais regredimos? Em quais não saímos do lugar? A partir desse diagnóstico crítico baseado na história, poderemos então desenhar um programa de correção de rumos para o futuro, modificando aquilo que fizemos de errado, passando a agir naquelas questões que deixamos de lado.
Nesse balanço, há muitos aspectos que precisamos levar em conta. A desigualdade social é um deles. Passamos muito tempo fazendo vista grossa para os efeitos da escravidão sobre o presente. É verdade que nos últimos tempos tomamos algumas medidas para combater o racismo estrutural, mas ainda faltam muitas outras. Até hoje uma parcela diminuta da população controla uma grande parte da riqueza. Como podemos mudar essa situação e redistribuir a riqueza nacional? Propostas com esse fim estão há muito tempo engavetadas, como a correção do sistema brasileiro de tributos, que é altamente regressivo e cobra menos dos ricos e mais dos pobres. A democracia é outro aspecto que devemos analisar com atenção, ainda mais neste momento delicado que vivemos. Também devemos olhar o meio ambiente, a educação, a cultura.
Na comemoração do bicentenário, o importante não é lembrar um acontecimento isolado, como o grito do Ipiranga, o momento da separação de Portugal ou o reconhecimento pelo sistema internacional. O que realmente interessa é o que veio depois, estes dois séculos de idas e vindas, avanços e recuos, na formação e no crescimento da nação independente. Em outras palavras, precisamos ver o processo de construção do Brasil, uma obra ainda em andamento.
Esse balanço histórico e esse programa de correção de rumos não poderiam ser feitos em qualquer outro momento?
A vantagem de um aniversário como o da Independência é que se trata de um catalisador. Ele tem a rara capacidade de unir e mobilizar a sociedade inteira num mesmo momento. Já vimos isso em outros lugares. Nos 100 e nos 200 anos da Revolução Francesa, a França fez grandes debates sobre o passado, o presente e o futuro. Em 1889, a Exposição Universal de Paris, que se caracterizou pela construção da Torre Eiffel, foi vista por mais de 32 milhões de pessoas.
Quando os americanos comemoraram os 200 anos da Independência, em 1976, eu era diplomata nos Estados Unidos e me lembro que eles organizaram centenas ou até milhares de iniciativas no país inteiro. O planejamento havia começado dez anos antes, com a criação de uma comissão pelo Congresso. Como o 200º aniversário ocorreu um ano depois do fiasco da retirada americana da Guerra do Vietnã, o governo do presidente Gerald Ford soube instrumentalizar os festejos para reanimar o abatido espírito da nação com uma visão nostálgica e apologética do passado. Um século antes, os americanos haviam organizado na Filadélfia a Exposição do Centenário, em que ocorreu a famosa demonstração do telefone por Alexander Graham Bell ao imperador D. Pedro II. No Brasil de hoje, me espanta não haver nenhum movimento nesse sentido.
O Brasil não está preocupado com os 200 anos da Independência?
Poucas iniciativas alusivas ao bicentenário me vêm à mente. O Senado e a Câmara dos Deputados, por exemplo, organizaram atividades e publicaram livros. A Universidade de São Paulo vai reinaugurar em setembro o Museu do Ipiranga, após anos em obras. Essas iniciativas são isoladas. A Presidência da República, que deveria ser a grande condutora das celebrações nacionais do bicentenário da Independência, praticamente não está se mobilizando. O que eu vejo no Palácio do Planalto é uma imensa apatia, como se este aniversário não tivesse relação conosco, não dissesse respeito à nação. Há um vazio.
Os brasileiros não se interessam pela história nacional?
Eu não diria isso. Há estudos que indicam que os brasileiros gostam da história e se interessam por ela. Uma pesquisa feita no fim de 2021 pelo Ipespe [Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas] por encomenda da Febraban [Federação Brasileira de Bancos] mostrou que a maior parte considera a abolição da escravidão [1888], a Independência [1822], a Proclamação da República [1889] e o fim da ditadura militar [1985] os episódios históricos mais importantes do Brasil. O povo não é indiferente. Quem é indiferente à história nacional é o governo, que não sabe ou não quer mobilizá-la em favor de uma reflexão sobre o país. Está preocupado apenas com o curto prazo. Nem mesmo o Ministério da Educação foi acionado como deveria, para estimular as escolas e universidades a entrar no debate.
O poder público agiu diferente em 1922, no centenário da Independência, não foi?
Sim. Vejo uma diferença brutal em comparação com o centenário. Em 1922, incontáveis atividades foram organizadas no país tanto pelo governo federal, como a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro, quanto pela própria sociedade, como a Semana de Arte Moderna, em São Paulo. A Exposição do Centenário foi inaugurada pelo presidente Epitácio Pessoa e contou com a participação de 13 países. Além disso, anos antes de 1922 já se falava das comemorações. Para que a Exposição do Centenário pudesse ser montada, o poder público demoliu o Morro do Castelo e construiu os prédios do evento sobre a nova esplanada que se abriu no centro da capital federal. Isso exigiu antecipação, planejamento. Um século atrás, havia uma ansiedade generalizada pela chegada do aniversário do Brasil independente.
Aqueles livros clássicos da década de 1930 com análises revolucionárias sobre o Brasil e os brasileiros, como Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, nasceram das discussões iniciadas no centenário, na década anterior. A criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, também nos anos 1930, foi uma consequência prática daquela efervescência começada em 1922.
Até mesmo no ano 2000 tivemos uma movimentação por ocasião dos 500 anos do Descobrimento, ao contrário de hoje. No ano anterior, o governo criou o Parque Nacional do Descobrimento, no sul da Bahia, a região em que os portugueses desembarcaram em 1500. O Descobrimento foi o início da extinção de muitos dos povos originários e também o começo da escravidão comercial, mas o aniversário passou ao largo dessas questões. Não se incluíram os indígenas e os negros nas discussões e não se debateram transformações sociais para o presente. De qualquer forma, os 500 anos não passaram em branco. Hoje, às vésperas do bicentenário, o país parece estar completamente anestesiado.
O senhor atribui essa despreocupação com o bicentenário da Independência apenas à falta de liderança do governo?
A maior culpa é do governo, sem dúvida. Mas atribuo essa despreocupação também aos meios de comunicação e à crise que enfrentamos neste momento. Assim como o governo, a mídia tampouco se empenhou em torno do bicentenário. Quando não existe um esforço nacional de esclarecimento, não há como as pessoas comuns saberem do aniversário. Aquela mesma pesquisa de opinião encomendada pela Febraban mostrou que quase 60% da população brasileira não sabe que estamos às vésperas dos 200 anos da Independência.
Quando falo em crise, eu me refiro à política, à econômica e à social nas quais estamos mergulhados há algum tempo, tudo isso agravado pelo trauma da pandemia. O bicentenário coincide com um momento em que os brasileiros estão tomados pelo desalento, pela falta de esperança, e não encontram motivação para comemorar. A autoestima nacional está muito baixa. Além disso, o 7 de setembro cai algumas semanas antes da eleição de 2 de outubro, que é tão decisiva, e tem que concorrer com a reta final da campanha.
Em 1922, o Brasil também vivia uma crise. A eleição presidencial vencida por Artur Bernardes tinha sido tumultuada, havia explodido a primeira das rebeliões tenentistas, o sistema político da Primeira República entrava em colapso e os brasileiros sofriam com a inflação. Apesar de tudo, a sociedade estava esperançosa. Ela tinha consciência do atraso nacional e estava desejosa do progresso e da modernidade.
Em termos práticos, que tipo de consequência o Brasil pode sofrer por deixar o bicentenário da Independência passar em branco?
Quando afirmo que é preciso comemorar o bicentenário, não quero dizer “festejar”, mas sim “trazer à memória”, “recordar o passado”, conforme a origem etimológica da palavra “comemorar”. Atividades meramente ufanistas e autocongratulatórias não levam a lugar nenhum. Elas dão a entender que, como país e sociedade, estamos muito bem e não há nada que precisemos modificar. Esse não é, obviamente, o caso do Brasil. Essa concepção de “comemoração” à qual me refiro nos obriga a confrontar a história em geral como tragédia, a não omitir aniversários abomináveis, os abismos de iniquidade do nazismo, do fascismo, do stalinismo, da colonização, da escravidão, dos genocídios, dos massacres, das ditaduras e das repressões.
Podemos fazer uma comparação com a psicanálise. Como indivíduos, é importante que olhemos para o nosso passado, por mais doloroso que seja, encontremos nele a origem dos traumas que nos perturbam hoje e, partir disso, trabalhemos para superá-los e ter uma vida melhor. Como nação, é a mesma coisa. Se não analisarmos o nosso passado coletivo, não vamos ter consciência crítica dos nossos problemas e, como consequência, nunca vamos superá-los. O bicentenário será, infelizmente, uma oportunidade perdida.
Fonte: Agência Senado
Reportagens
CLDF publica diretrizes da Revista Parlamento e Cidadania e de prêmio para artigos científicos
Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF
A Revista Parlamento e Cidadania foi lançada em 2024
O Diário da Câmara Legislativa traz nesta sexta-feira (28) a Resolução 363/2025, que estabelece as normas de funcionamento da Revista Parlamento e Cidadania (RPC) e institui o Prêmio Câmara Legislativa de artigos científicos. As ações buscam fortalecer a relação entre o Poder Legislativo e a sociedade civil, atuando como canais de promoção e difusão de produção acadêmica de interesse para o Poder Legislativo e a população do DF.
A Revista Parlamento e Cidadania foi lançada em 2024, no entanto, agora passa a ter seu funcionamento amparado normativamente. O periódico técnico-científico tem periodicidade anual, traz artigos inéditos e opera totalmente em formato eletrônico.
A revista aborda temas de destaque na Casa, como políticas públicas, processo legislativo, memória do Legislativo e estudos comparados sobre o Parlamento. Para garantir a qualidade e o ineditismo, todos os artigos submetidos – tanto os escritos por autores internos quanto externos – serão revisados por pareceristas por meio do sistema duplo-cego.
O Comitê Editorial da Revista Parlamento e Cidadania compõe-se por, ao menos:
I – 1 servidor efetivo da Unidade de Redação Parlamentar, Estudos e Pesquisas Legislativas – URP, o qual atua como coordenador do Comitê;
I – 1 servidor efetivo da Biblioteca Paulo Bertran – Sebib, o qual atua como vicecoordenador do Comitê;
III – 2 servidores efetivos da Consultoria Legislativa – Conlegis, entre os lotados nas Unidades;
IV – 1 servidor efetivo do Gabinete da Terceira Secretaria – GTS;
V – 1 servidor efetivo da Diretoria de Comunicação Social – Dicom;
VI – 1 servidor efetivo da Consultoria Técnico-Legislativa de Fiscalização, Controle, Acompanhamento de Políticas e Contas Públicas e Execução Orçamentária – Conofis.
Prêmio CLDF
Para além da normatização da Revista Parlamento e Sociedade, a Resolução 363/2025 cria o Prêmio Câmara Legislativa de Artigos Científicos, um concurso anual desenhado para estimular a produção de conhecimento, observadas as competências constitucionais do Distrito Federal e a repercussão na realidade local.
O Prêmio funcionará com alternância de temas em cada edição e oferecerá premiação em dinheiro para os três primeiros colocados. O edital de cada edição definirá o tema, os valores das premiações e os prazos, podendo, inclusive, conceder menções honrosas.
A gestão da Revista e do Prêmio ficará a cargo do Comitê Editorial da Revista Parlamento e Cidadania. O comitê será composto por servidores efetivos de unidades estratégicas da Casa (como Redação Parlamentar, Biblioteca, Consultorias e Comunicação) e terá como atribuições elaborar a política editorial, coordenar o fluxo de submissão da Revista e preparar os editais do Prêmio, incluindo o recrutamento de avaliadores externos com notória especialização.
Bruno Sodré – Agência CLDF
Reportagens
Última turma do Pontes para o Mundo retorna ao Brasil após três meses no Reino Unido
Grupo de 19 alunos desembarcou em Brasília neste domingo (7), em um reencontro marcado por emoção
Agência Brasília* | Edição: Carolina Caraballo
A estudante Maria Fernanda Caldeira, de 17 anos, estava entre os 19 jovens que retornaram à capital na manhã deste domingo (7), após três meses de intercâmbio pelo programa Pontes para o Mundo. Emocionada, ela e os colegas viajantes falaram sobre suas experiências no exterior, os estudos e a saudade do Brasil. O reencontro com familiares e amigos foi acompanhado pela secretária de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá.
Apaixonada por dança e estudante do renomado NPTC Group of Colleges, no Reino Unido, Maria Fernanda contou que o período longe de casa trouxe amadurecimento, novas amizades e uma convivência calorosa com a família anfitriã. “Enquanto eu estava vivendo lá, parecia que o tempo passava devagar, por causa da saudade; mas agora, olhando para trás, sinto como se os três meses tivessem voado. Fiz amizades incríveis, especialmente na aula de dança, e minha host family me acolheu de um jeito leve e divertido. A gente passava horas conversando, criando uma rotina que fez toda a diferença. Foi uma experiência que eu vou levar para a vida”, disse.
A jovem destacou que a vivência ampliou seus horizontes pessoais e acadêmicos, enquanto sua mãe, Luciana Caldeira, acompanhava tudo a distância, com o coração apertado, mas tranquila por saber que a filha estava feliz e bem acolhida. “A Maria Fernanda já viaja muito por causa das competições de dança, então conseguimos lidar bem com a distância, apesar da saudade. Falávamos praticamente todos os dias por vídeo, e ver a felicidade dela lá fora deixava meu coração em paz. Se depender de mim, ela volta para estudar no exterior amanhã; eu apoio de olhos fechados”, afirmou.
Reencontro
O retorno dos estudantes trouxe clima de festa ao Aeroporto Internacional de Brasília, com famílias e amigos à espera, cartazes, flores e muitos abraços. Entre eles estava Jairo Santos, pai de Ana Clara, 16 anos, que acompanhou a distância os três meses da filha na Inglaterra. Protetor, ele admitiu que a preocupação deu lugar ao orgulho ao ver o amadurecimento da jovem, que enfrentou desafios, cuidou de si e voltou para casa mais independente.
“No começo, bate aquela preocupação de pai protetor, né? A gente fica longe, sem saber o que pode acontecer. Mas, ao mesmo tempo, era o sonho dela, e com sonho a gente não brinca. Ela se dedicou, estudou e conquistou essa oportunidade pelo próprio mérito. Ver que conseguiu se virar, até quando ficou doente, me enche de orgulho.”
Entre os estudantes que viveram intensamente os três meses de intercâmbio está Igor Pereira dos Santos, 17, que realizou o programa no País de Gales. Ele contou que a experiência e a convivência com a família anfitriã foram marcantes e transformadoras. “Ficar no País de Gales foi uma das melhores experiências da minha vida. Minha host family me acolheu como se eu fosse da família e me ensinou a olhar o mundo de um jeito mais amplo. Os estudos também fizeram muita diferença, porque pude conhecer outras formas de aprender e me desafiar. Quero muito voltar para continuar meus estudos lá. Esse intercâmbio abriu portas que eu nem imaginava”, declarou.
Para Hélvia Paranaguá, a volta da última turma simbolizou o fechamento de um ciclo vitorioso. “A chegada dessa última turma simboliza o encerramento de um ciclo muito vitorioso. Acompanhar o desembarque e ouvir cada estudante sobre sua experiência no exterior é gratificante e mostra que o programa funciona e vale a pena. Estou muito feliz”, afirmou.
A secretária falou ainda sobre os próximos passos do Pontes para o Mundo: “O programa é um verdadeiro sucesso. Estamos trabalhando para que, em 2026, mais alunos possam vivenciar essa experiência. Nossa meta é ampliar o número de participantes, passando dos atuais 101 para 400 alunos, e não apenas no Reino Unido, mas também em outros países, como Espanha, Canadá e Japão. Ano que vem traremos mais detalhes. Vai ser incrível”.
O Pontes para o Mundo é um programa de intercâmbio educacional executado pela Secretaria de Educação (SEEDF), que oferece a estudantes da rede pública do DF a oportunidade de vivência internacional. A primeira edição ocorreu entre setembro e dezembro de 2025, no Reino Unido, onde os alunos selecionados foram direcionados para diferentes colleges na Inglaterra, País de Gales e Escócia. Para transformar a iniciativa em um programa permanente, a pasta encaminhará um projeto de lei à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
*Com informações da Secretaria de Educação (SEEDF)
Reportagens
Mercado financeiro eleva projeção do PIB para 2,25% em 2025
Previsão da inflação caiu para 4,4% este ano
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
A previsão do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira este ano subiu de 2,16% para 2,25%. A estimativa foi publicada no boletim Focus desta segunda-feira (8), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) passou de 1,78% para 1,8%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,84% e 2%, respectivamente.
Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano a economia brasileira cresceu 0,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.
A previsão de cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.
Inflação
Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 4,43% para 4,4% este ano.
Para 2026, a projeção da inflação variou de 4,17% para 4,16%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.
Pela quarta semana seguida, a previsão foi reduzida, após a divulgação do resultado da inflação de outubro, a menor para o mês em quase 30 anos. Com isso, a estimativa alcançou o intervalo da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.
A redução na conta de luz puxou a inflação oficial para baixo e fez o IPCA fechar outubro em 0,09%, o menor para o mês desde 1998, segundo o IBGE. Em setembro, o índice havia marcado 0,48%. Em outubro de 2024, a variação foi de 0,56%.
Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses é 4,68%, a primeira vez, em oito meses, que o patamar fica abaixo da casa de 5%. No entanto, ainda acima do teto da meta do CMN.
Na próxima quarta-feira (10), o IBGE divulga o IPCA de novembro.
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram à manutenção da Selic pela terceira vez seguida, na última reunião, no início do mês passado.
No entanto, o colegiado não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros “caso julgue apropriado”.
Em nota, o BC informou que o ambiente externo se mantém incerto por causa da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. No Brasil, a autarquia destacou que a inflação continua acima da meta, apesar da desaceleração da atividade econômica, o que indica que os juros continuarão altos por bastante tempo.
O Copom faz a última reunião do ano nesta terça (9) e quarta-feira (10), e a estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano.
Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 9,5% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
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