Reportagens
Punição por racismo é revertida em doação de livros para escolas do DF
Dedicados a atuar pela igualdade racial, estabelecimentos de ensino de Taguatinga e do Guará recebem incentivo para desenvolver, com os alunos, atividades pautadas na conscientização sobre inclusão
Rafael Secunho, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Novembro é o Mês da Consciência Negra. Dentro da temática da igualdade racial, que faz parte das escolas do Distrito Federal, uma iniciativa da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) chama a atenção: o valor de uma multa aplicada em virtude de uma prática racista foi convertido em doação de livros para quatro colégios públicos da capital federal. E essas obras premiaram alunos antenados no tema. Trata-se de uma parceria do governo local com o Ministério Público do Trabalho no DF (MPT-DF).
Um estabelecimento de Águas Claras foi condenado a pagar R$ 6 mil por conta de uma campanha publicitária cuja iniciativa apresentou configuração de racismo. O montante, por decisão judicial, foi destinado a três escolas de Taguatinga e uma do Guará, desde que esses estabelecimentos trabalhassem a temática da igualdade. Nesta semana, o Centro de Ensino Médio 3 de Taguatinga promoveu apresentações culturais, além de sortear livros sobre a discriminação racial para alunos de 15 a 17 anos.
Inspiração
“Não dá mais para se dividir nos dias de hoje as pessoas pela cor da pele, e o projeto veio para reforçar essa temática racial nas escolas”Diego Moreno, subsecretário de Igualdade Racial
A aluna do terceiro ano Maria Eduarda Almeida, 17 anos, foi uma das agraciadas. Em uma banda formada por mais quatro colegas, ela interpretou uma música do repertório da cantora Iza. E levou para casa um exemplar do Pequeno manual antirracista, da escritora Djamila Ribeiro. Eduarda, que se autodeclara preta, disse que isso tudo tem a ver com ela.
“Já passei por situações de discriminação, e é muito triste ouvir de alguns que não existe racismo no Brasil”, contou a estudante. “Então, pra mim, foi inspirador cantar uma música de uma artista negra, de alguém que venceu, e ainda levar um livro sobre o tema.”
Kauan Oliveira, 17, atuou em uma rápida esquete teatral em companhia de Gabriela Barbosa, da mesma idade. “A gente ficou muito feliz quando a vice-diretora nos sugeriu que participássemos; é um momento de refletir sobre a igualdade racial”, pontuou o jovem. As obras literárias que não foram parar nas mãos dos estudantes vão reforçar as prateleiras da biblioteca do CEM 3.
Educação fora do espaço escolar
“Todos são iguais perante a lei, e ações afirmativas como a da escola contribuem para mudar as atitudes em nosso país”
O subsecretário da Igualdade Racial, Diego Moreno, acompanhou as apresentações no colégio e destacou a importância de debater o racismo: “Acreditamos que a sociedade não deve exigir de seus filhos notas altas somente dentro dos muros das escolas, mas também fora dela. É tudo uma questão de educação. Não dá mais para se dividir nos dias de hoje as pessoas pela cor da pele, e o projeto veio para reforçar essa temática racial nas escolas”.
Representando o MPT-DF, o procurador Rafael Mondego lembrou que o Ministério Público está atento às práticas discriminatórias: “A ação proposta pelo MPT resultou numa indenização por dano material coletivo, e tivemos a felicidade de que o juiz fizesse esse link com a questão da discriminação racial, que foi o objeto do processo. Todos são iguais perante a lei, e ações afirmativas como a da escola contribuem para mudar as atitudes em nosso país”.
Reportagens
Arte e cultura urbana movimentam Ceilândia com ações de combate ao bullying entre jovens
Programação gratuita reúne rap, dança e teatro nos CEUs do DF e aposta na arte como ferramenta de conscientização
Por
Agência Brasília* | Edição: Ígor Silveira
As unidades dos CEUs das Artes e Praças dos Direitos de Ceilândia Norte recebem, no dia 16 deste mês, uma nova edição do Ritmo da Comunidade — Vibe de Respeito, com apresentações culturais voltadas a crianças e jovens de 10 a 18 anos. A ação faz parte do projeto CEU das Artes e Praças dos Direitos em Movimento, realizado pela Sejus-DF em parceria com o Instituto Idecace.
A partir das 15h, nas unidades da QNM 28 e da QNR 02, o público poderá acompanhar uma programação que reúne rap, danças urbanas e teatro, com participação de artistas locais e alunos do projeto. A proposta é transformar o espaço em um ambiente de troca, expressão e protagonismo juvenil.
A iniciativa posiciona a arte como aliada no enfrentamento ao bullying e à violência nas escolas. Realizada em abril, a ação dialoga com o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, incorporando o tema às apresentações de forma prática e próxima da realidade dos jovens.
“Ações como essa mostram que a arte vai muito além do entretenimento: ela se torna uma ferramenta poderosa de transformação social. Ao oferecer aos jovens espaços de expressão e pertencimento, o evento contribui para fortalecer a autoestima, incentivar o respeito às diferenças e construir relações mais saudáveis dentro e fora da escola”, afirmou Jaime Santana, titular interino da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).
“O projeto mostra que, quando o jovem encontra espaço para se expressar, ele também descobre formas mais saudáveis de se relacionar. A arte aproxima, cria pertencimento e ajuda a transformar realidades muitas vezes marcadas pelo silêncio”, afirma Wilson Cardoso, presidente do Instituto Idecace.
A proposta segue a metodologia do programa DNA do Brasil, alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que utiliza a arte e o esporte como ferramentas de desenvolvimento integral, estimulando habilidades socioemocionais, senso de pertencimento e construção de identidade entre os participantes. Nesse contexto, a arte se torna um instrumento de escuta, expressão e transformação social.
“Além de ampliar o acesso à cultura, a iniciativa fortalece a autoestima dos jovens e valoriza a produção artística local, incentivando novas formas de convivência dentro e fora da escola”, acrescenta Cardoso.
As unidades dos CEUs das Artes e Praças dos Direitos são órgãos coordenados pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).
Serviço
Ritmo da Comunidade — Vibe de Respeito
→ Local: Ceilândia Norte — QNM 28 e QNR 02
→ Data: dia 16 deste mês
→ Horário: 15h
→ Entrada gratuita
→ Mais informações neste link.
*Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF)
Reportagens
Ação do governo freia alta de passagem aérea, diz presidente da Anac
Chagas estima desaceleração do aumento dos preços
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas, disse nesta sexta-feira (10), na Rádio Nacional, no programa Alô Alô Brasil, com José Luiz Datena, que as ações tomadas pelo Governo Federal e pela Petrobras têm contribuído para frear o aumento do preço das passagens aéreas.

“As medidas tomadas pelo Governo foram importantes para frear o aumento e não para evitar o aumento”, afirmou Chagas.
A Petrobras anunciou no dia 1º de abril um reajuste médio de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível derivado do petróleo que abastece aviões e helicópteros e é um dos principais custos das companhias aéreas. O aumento está ligado a escalada no preço do barril do petróleo devido à guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O presidente da Anac explica que “55% de aumento no preço do querosene de aviação represente mais ou menos de 20% a 30% no aumento da passagem aérea”. Segundo Chagas, o querosene de aviação representa 40% do custo da passagem que as pessoas compram.
Com as medidas tomadas pelo governo, segundo o presidente da Anac, o aumento, em vez de ir para a casa dos 20% ou 30%, ficarão na faixa de 10% a 12%.
Chagas aponta também a decisão da Petrobras de parcelar o aumento do querosene de aviação. A empresa não aplicou os 55% de forma imediata e repassou apenas 18% num primeiro momento, optando por parcelar o restante do aumento ao longo dos próximos seis meses.
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O governo federal ainda zerou os impostos PIS e Cofins e disponibilizou uma linha de crédito para as companhias aéreas.
“São medidas para aliviar o caixa das empresas para que elas não repassem tanto o aumento do combustível no valor das passagens agora”, explicou o presidente da Anac.
Chagas finalizou dizendo que o governo aguarda a adesão das companhias aéreas às medidas do governo, o que deve acontecer rapidamente, segundo ele.
“É de interesse delas [das empresas] porque se as pessoas não voarem, significa aviões menos cheios. Isso pode provocar até cancelamento de rotas que se tornam não rentáveis. As companhias aéreas estão muito preocupadas em perder um público que já está sofrendo”, afirmou o presidente da Anac.
Reportagens
Condenados por racismo poderão ser proibidos de assumir cargos públicos no DF
Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF
Após aprovação na Comissão de Segurança, o projeto ainda precisa ser analisado em outras comissões e pelo Plenário da Câmara
Os condenados por racismo poderão ser proibidos de assumir cargos públicos no Distrito Federal. A medida está prevista no projeto de lei 886/2024, do deputado Pastor Daniel de Castro (PP), aprovado pela Comissão de Segurança da Câmara Legislativa na tarde desta quarta-feira (9). O projeto ainda precisa ser analisado em outras comissões e pelo Plenário da Câmara.
O texto define como crime de racismo a conduta prevista no artigo 20 da Lei Federal nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. A proibição vale para todas as esferas do serviço público, incluindo cargos efetivos, comissionados e de confiança.

Na justificativa da proposição, o deputado explica que a nova lei tem como objetivo “reforçar os fundamentos da igualdade, justiça e respeito à diversidade no contexto dos cargos públicos, incorporando o princípio da moralidade como base central para as nomeações no serviço público”.
Eixão do Lazer
A Comissão de Segurança também aprovou o PL 1289/2024, do deputado Ricardo Vale (PT), que altera a legislação que trata do funcionamento do Eixão do Lazer para autorizar a venda de todos os produtos comercializáveis no espaço durante os horários de interdição da via. Vale explica que a mudança é necessária para evitar a proibição de venda de bebidas alcóolicas no local, com recentemente tentou fazer o Governo do DF.

“O Eixão não se enquadra no conceito legal de rodovia, por estar localizado na zona urbana, e, ao mesmo tempo, não se enquadra no conceito de via urbana de circulação de veículos nos domingos e feriados, por ser transformado em espaço de lazer”, ponderou o distrital.
Dia do Oficial R2

A Comissão aprovou ainda o PL 1908/2025, do deputado João Cardoso (PL), que institui o Dia do Oficial do Exército R2. A data deverá ser comemorada anualmente em 4 de novembro, data que já é reconhecida nacionalmente pelo Exército Brasileiro.
Luís Cláudio Alves – Agência CLDF
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