Artigos
AMAZÔNIA: CONQUISTA LUSO-BRASILEIRA
Tanta gente fala da Amazônia sem ter a menor ideia de como esse território, metade do país, foi incorporado e integrado ao Brasil.
MAPA ANTIGO
Evaristo de Miranda – Escritor, Doutor em Meio Ambiente e pesquisador da Embrapa

Evaristo de Miranda – Escritor, Doutor em Meio Ambiente e pesquisador da Embrapa
“A Amazônia, conhecemo-la aos fragmentos. (…)
A inteligência humana não suportaria, de improviso,
o peso daquela realidade portentosa.”
Euclides da Cunha, Um Paraíso Perdido
Em 5 de setembro, às vésperas dos 200 anos da Independência do Brasil, festejou-se o Dia da Amazônia. Nessa data, em 1850, D. Pedro II criou a província do Amazonas e fortaleceu sua autonomia e seu desenvolvimento. Para destacar a iniciativa de D. Pedro II e a Amazônia, a Lei nº 11.621, em 2007, determinou esse dia festivo. A Espanha inventou a Amazônia. Portugal a conquistou. E agora? Como desenvolvê-la e preservá-la?
No século 16, a Amazônia pertencia à Espanha. A pátria do cacau, da seringueira e do guaraná não era lusitana, nem de direito, nem de fato. De direito, estava incluída na partição espanhola, a Oeste da linha demarcatória do Tratado de Tordesilhas, de 1494. De fato, Vicente Pinzon foi o primeiro a chegar à Amazônia, em fevereiro de 1500. Ele descobriu a foz do Amazonas, designado Rio de Santa Maria de la Mar Dulce. Suas águas, pelos cálculos dos marinheiros, avançavam 20 léguas mar adentro.
Tendo partido de Quito, em 1541, a expedição de Francisco de Orellana desrespeitou ordens do comandante Pizarro na exploração do Rio Napo. Ela não retornou ao encontro do comandante, nem retornou a Quito. Desceu o Napo até encontrar um enorme rio, denominado mais tarde das Amazonas, após ataque feroz contra a expedição por parte de supostas índias guerreiras.
Na mitologia grega, as amazonas eram uma nação de guerreiras, iranianas provavelmente. Em seu reino não havia homens. Eram altas, fortes e ferozes. Desfiguravam seus corpos, cortando os seios para aperfeiçoar o manejo de arco e flechas. (Na realidade, péssima ideia, dada a musculatura envolvida.)

AS GUERREIRAS AMAZONAS
Por etimologia popular grega, a palavra amazonas foi relacionada com mazós, seio, dando ao a- inicial o valor de privativo, de onde a noção de sem seio (s), amputado (s) a fim de melhor lançarem flechas. A mais conhecida era Hipólita, Rainha das Amazonas. Ela ganhara um cinturão de ouro do deus Ares. Roubá-lo foi a nona tarefa de Hércules.
O explorador espanhol Orellana tropicalizou a lenda grega, graças à sua cultura greco-romana. O nome, atribuído originalmente a um grupo de guerreiras, foi ampliado ao rio e depois estendido a toda a bacia hidrográfica.
O interesse português pela Amazônia e pelo controle da embocadura do Rio Marañon começou cedo e foi claramente manifesto quando da primeira expedição povoadora do Brasil, comandada por Martim Afonso de Souza. Nos séculos 16 e 17, os portugueses tomaram uma série de ações, impulsionadas por uma política de Estado para conquistar a Bacia Amazônica.

Martim Afonso de Souza | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
EXPEDIÇÃO DE PEDRO TEIXEIRA
Ponto decisivo nos muitos episódios dessa conquista foi a saga naval de Pedro Teixeira. Em 28 de outubro de 1637, ele organizou e comandou uma expedição integrada por 1,2 mil indígenas de remo e peleja, 70 soldados portugueses em 47 canoas e pessoal de apoio, num total de mais de 2 mil pessoas. Partiu discretamente de Cametá, no Pará. E não de Belém, para não denunciar suas intenções. Subiu o rio Amazonas e chegou até Quito, capital do Vice-Reino do Peru, surpreendendo a todos.
Pedro Teixeira realizou um reconhecimento pormenorizado, inclusive cartográfico, do Rio Amazonas. Em seu trajeto lançou marcos possessórios lusitanos e apossou-se das terras mais ocidentais da Amazônia. Registrou esse evento em ata notarial, registrada posteriormente em Belém, Lisboa e até em Madri, aproveitando o período de união das Coroas ibéricas. Uma antiga placa ainda registra esse feito na fachada externa da Catedral de Quito.
A exploração por bandeirantes, o mapeamento e a presença portuguesa em grande parte da bacia, sobretudo pelos missionários católicos, permitiram a Portugal integrar a Amazônia ao Brasil, negociada com a Espanha em 1750.
O brasileiro Alexandre de Gusmão, embaixador e secretário de Dom João V, argumentou os direitos portugueses sobre a Amazônia com base no princípio jurídico romano do uti possidetis, ainda em uso no Direito internacional: quem ocupa um território é seu proprietário.

FLORESTA AMAZÔNICA | Foto: Shutterstock
OS TRATADOS E AS FRONTEIRAS:
TUDO PELA AMAZÔNIA
O Tratado de Madri (1750), o de San Idelfonso (1777) e o do El Pardo (1778) substituíram as fronteiras de Tordesilhas. Pela posse da Amazônia, entre vários ajustes territoriais, Portugal abriu mão do controle de parte da embocadura do Rio da Prata e cedeu a província do Sacramento (atual Uruguai) à Espanha. Na Ásia, para obter a Amazônia, Portugal renunciou a seus direitos sobre as Filipinas e Ilhas Marianas. E, na África, cedeu à Espanha seus direitos sobre as ilhas de Fernando Pó, Ano Bom e toda a costa da foz do Rio Níger à do Ogooué no Gabão. Esse território hoje inclui Nigéria, Camarões, Guiné Equatorial e Gabão. Tudo pela Amazônia!
A consolidação das fronteiras da Amazônia levou mais de século, do Império ao início da República. Foram muitas negociações com transferências de territórios, diversos acordos e tratados. Os de Ayacucho (1867) e Petrópolis (1903), com a Bolívia; o de Bogotá (1907), com a Colômbia; o de Limites (1851) e do Rio de Janeiro (1909), com o Peru; o da Questão do Pirara (1904), com a Inglaterra; e ainda a Questão do Amapá, com a França (1900).

AMAZÔNIA – VONTADE POLÍTICA PORTUGUESA
A incorporação da Amazônia ao território brasileiro não foi obra do acaso. Os caminhos pelos quais a Coroa Portuguesa conquistou um território situado originalmente no domínio espanhol não foram aleatórios, e sim resultado de estratégia geopolítica e muita persistência. Eles deixaram marcas na história e no território. Um exemplo cristalino da vontade geopolítica portuguesa na região está nos nomes das cidades amazônicas.
No Brasil, cidades e acidentes geográficos têm seus nomes vinculados ao santo do dia de sua fundação ou descoberta, no calendário litúrgico católico: Baía de Todos os Santos, São Sebastião do Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Cabo de São Roque, Rio São Francisco, Espírito Santo, Natal, etc. Na Amazônia, não. Ali, as cidades reproduzem um mapa de Portugal na horizontal: Belém, Bragança, Viseu, Barcelos, Airão, Óbidos, Alenquer, Porto de Moz, Almeirim, Alter do Chão, Aveiro, Breves, Chaves, Santarém, Melgaço, Oeiras, Ourém e Vigia. Nomes como marcos de pedra, difíceis de apagar na geografia simbólica e na conquista da Amazônia luso-brasileira.

Vista aérea da Floresta Amazônica | Foto: Shutterstock
A VERDADE DA INTEGRAÇÃO
DA AMAZÔNIA AO BRASIL
Tanta gente fala da Amazônia sem ter a menor ideia de como esse território, metade do país, foi incorporado e integrado ao Brasil. A Amazônia segue apresentada de forma fragmentada, aqui e no exterior, em função de grupos de interesse, ideologias, oportunismos, etc. Quem quer saber a real situação se perde num cipoal de opiniões, informações e desinformações de instituições governamentais ou não, multiplicadas em redes sociais, com interesses geopolíticos e econômicos escusos. E pouca participação regional.
O governo federal deveria unificar os conhecimentos e produzir todo ano, no Dia da Amazônia, um relatório completo sobre a região. Uma espécie de State of the Amazon Region, anual, com ciência, dados, sínteses e análises dos principais temas, desafios e processos. Sua complexidade natural, agrária, agrícola, de infraestrutura e socioeconômica precisa ser conhecida.
A Amazônia é um dos biomas mais preservados do Brasil e do mundo, com 83,8% de vegetação nativa. São 22 tipos de florestas, nove de vegetação não florestal e vários tipos mistos. Somando as grandes superfícies hídricas (rios Negro, Tapajós, Madeira, Amazonas…), são 86% em ambiente natural.

Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões | Foto: Shutterstock
Cerca de 42% da Amazônia já são áreas protegidas decretadas (unidades de conservação, terras indígenas…): 1,76 milhão de quilômetros quadrados em terras públicas. As áreas preservadas pelos produtores rurais, seguindo o Código Florestal, totalizam 1,21 milhão de quilômetros quadrados em terras privadas e 28,8% do bioma, segundo dados e mapas registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Entre áreas protegidas e preservadas, são 2,97 milhões de quilômetros quadrados, ou 70,8% da Amazônia. Outros 13% de vegetação nativa está em terras devolutas, áreas militares e imóveis rurais ainda sem CAR, totalizando 83,8% da Amazônia.

Floresta Amazônica | Foto: Shutterstock
AMAZÔNIA NÃO CAIU DO CÉU
Foi um longo caminho, de D. Manuel a D. Pedro II e aos inícios do século 20, para conquistar a Amazônia. Ela não caiu do céu. Pode ser perdida. Euclides da Cunha, há um século, vaticinou: “Se as nossas autoridades não se preocuparem com a Amazônia, mais cedo ou mais tarde, ela se destacará do Brasil, natural e irresistivelmente, como se desprega uma nebulosa de seu núcleo, pela expansão centrífuga de seu próprio movimento”.
A principal garantia da soberania nacional sobre a Amazônia é a presença humana. Uti possidetis. Dar vida digna a quase 30 milhões de habitantes da Amazônia, hoje com os piores índices de desenvolvimento social e saneamento. Avançar na regularização fundiária e na assistência a 1 milhão de produtores. Só em assentamentos do Incra, é meio milhão de famílias, em mais de 2,3 mil projetos agrários, a maioria ainda sem título da terra.

Morador das margens do Riu Ariarú, na Amazônia, com seu bicho-preguiça de estimação | Foto: Shutterstock
Sobre o desafio de unir preservação e desenvolvimento, o general Rodrigo Otávio Jordão Ramos deixou uma frase lapidar, um dístico presente na fachada dos quartéis na Amazônia: ‘Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la’.
Artigos
Casa da Cultura da América Latina obtém renovação do registro como museu
Procedimento consolida a CAL como equipamento cultural qualificado e permite acesso a editais, programas de fomento e cooperação técnica específica
A Casa de Cultura da América Latina (CAL/DEX) teve seu registro como museu renovado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com validade até 2031. A certificação, resultado da aplicação da Lei 11.904/2009, do Decreto nº8.124/2013 e da Resolução Normativa do Ibram nº 17 de 2022, representa o compromisso da Universidade de Brasília com a cultura.
Com a renovação, a CAL garante seu patamar institucional e sua visibilidade no cenário museológico nacional. O status possibilita o acesso a editais específicos, programas de fomento, cooperação técnica e formação de redes institucionais. “Além de permitir maior articulação com políticas públicas voltadas à preservação, pesquisa, difusão e educação museal”, complementa o professor Gregório Soares (IdA), diretor de Difusão Cultural do Decanato de Extensão (DDC/DEX).
Ao renovar o registro, a CAL adere ao Sistema Brasileiro de Museus, o que mantém a Casa de Cultura da América Latina conectada com outros museus nacionais e internacionais do campo cultural.
A valorização do patrimônio cultural da UnB é materializada por meio de investimentos, como as reformas das galerias e a revitalização da fachada do prédio da CAL, no Setor Comercial Sul, e o estabelecimento de parcerias com outras instituições, no intuito de superar os desafios de preservação e difusão cultural.
CASAS UNIVERSITÁRIAS DE CULTURA – A Universidade de Brasília conta com quatro Casas Universitárias de Cultura, cada uma com características específicas. Além da CAL, há a Casa Niemeyer; o Espaço da Memória da UnB e o Memorial Darcy Ribeiro, conhecido como Beijódromo.
>> Faça um tour virtual pelas Casas Universitárias de Cultura
Localizada no Setor Comercial Sul, a CAL tem três andares com salas dedicadas a atividades culturais, artísticas e formativas. O espaço abriga um auditório, três galerias expositivas (Galeria de Bolso, Galeria CAL e Galeria Acervo), além de um acervo de arte com mais de 2.700 obras, guardado em sua reserva técnica e gerido por uma equipe de museólogos.

Abrigando acervos de Darcy Ribeiro e Berta Ribeiro, além de biblioteca de 30 mil volumes, o Memorial Darcy Ribeiro, também conhecido por Beijódromo, fica no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. É gerenciado pela Fundação Darcy Ribeiro e ligada Diretoria de Difusão Cultural (DDC) do DEX. Além do acervo próprio, sedia eventos de extensão, contando com auditório e salas de aula.
Projetada por Oscar Niemeyer, a Casa Niemeyer está localizada no Setor de Mansões Park Way. Declarada sítio de interesse histórico, abriga exposições e residências artísticas nacionais e internacionais, além de atividades culturais.
A mais recente Casa Universitária de Cultura da UnB é o Espaço da Memória da UnB, o MemoUnB. Localizado no SG-10 (campus Darcy Ribeiro, Asa Norte), edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer que serviu como sede do Centro de Planejamento (Ceplan) da UnB. Dedica-se à preservação da memória material e imaterial da UnB.
MUSA – Pensando na integração desses espaços, a UnB trabalha na implementação da Rede de Museus e Acervos da UnB, a Rede Musa. “A rede pretende articular os museus e espaços de acervo e memória da UnB”, explica Gregório Soares. A iniciativa visa promover uma atuação integrada e cooperativa do patrimônio cultural e científico da Universidade.
Dentre os feitos da Rede Musa, destacam-se a criação de instâncias de diálogo entre as equipes, o compartilhamento de diagnósticos e a construção de diretrizes comuns, com possibilidades de financiamento para infraestrutura, preservação e pesquisa.
SERVIÇO – A CAL funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h, e sábados, das 8h às 12h, exceto feriados. O Memorial Darcy Ribeiro funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h, e sábados, das 8h às 12h. A Casa Niemeyer funciona de terça a domingo, das 9h às 19h, exceto feriados. A MemoUnB funciona segunda a sexta, das 8h às 19h, e sábados, das 8h às 12h.
ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.
Artigos
O papel do brincar na regulação emocional das crianças
Como as brincadeiras ajudam a desenvolver autocontrole, empatia e equilíbrio emocional desde a infância
Por Alcie Simão
Brincar é muito mais do que passar o tempo ou gastar energia. Para a criança, a brincadeira é uma linguagem essencial — uma forma de compreender o mundo, expressar sentimentos e aprender a lidar com frustrações, medos, alegrias e desafios. Em um cotidiano cada vez mais acelerado, reconhecer o valor do brincar livre e guiado é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável.
Brincar é sentir, experimentar e elaborar
Durante as brincadeiras, as crianças simulam situações da vida real: cuidam de bonecos, encenam conflitos, inventam aventuras, criam regras e negociam papéis. Tudo isso funciona como um “laboratório emocional”, onde elas podem experimentar sentimentos em um ambiente seguro.
Quando uma criança finge ser médica, super-heroína ou professora, por exemplo, está também elaborando experiências vividas, tentando compreender o que sentiu e ensaiando novas respostas para o futuro. Esse processo ajuda a organizar emoções internas que, muitas vezes, ainda não conseguem ser expressas em palavras.
Regulação emocional começa no corpo
Correr, pular, dançar, construir, desmontar, desenhar e modelar massinha são atividades que envolvem o corpo e os sentidos. Esse movimento é essencial para liberar tensões, reduzir ansiedade e ajudar a criança a se acalmar depois de momentos intensos.
Brincadeiras físicas contribuem para:
- descarregar estresse acumulado;
- aumentar a consciência corporal;
- favorecer o autocontrole;
- melhorar a capacidade de foco após a atividade.
Já as brincadeiras mais tranquilas, como quebra-cabeças, jogos de encaixe ou leitura compartilhada, ajudam a desacelerar e encontrar estados de calma e concentração.
Aprender a lidar com frustrações e conflitos
Nem toda brincadeira é fácil — e isso é ótimo. Perder um jogo, esperar a vez, seguir regras ou negociar com amigos são experiências que desafiam emocionalmente a criança. Com apoio adulto, esses momentos se tornam oportunidades valiosas de aprendizado.
Ao vivenciar pequenas frustrações no brincar, a criança desenvolve:
- tolerância ao erro;
- persistência;
- flexibilidade;
- capacidade de resolver problemas;
- empatia.
Essas competências formam a base da autorregulação emocional, habilidade que será usada por toda a vida.
O papel dos adultos: presença sem controle excessivo
Pais, cuidadores e educadores têm um papel importante nesse processo. Não é necessário dirigir cada brincadeira — muitas vezes, observar e estar disponível já é suficiente. Quando a criança convida o adulto para participar, entrar no jogo com curiosidade e respeito fortalece o vínculo e amplia a segurança emocional.
Algumas atitudes que ajudam:
- validar sentimentos (“parece que você ficou frustrado, quer tentar de novo?”);
- evitar resolver tudo imediatamente;
- estimular a nomeação das emoções;
- oferecer tempo e espaço para brincar livremente;
- reduzir distrações como telas durante esses momentos.
Brincar também é construir vínculo
Quando adultos brincam com crianças, criam-se conexões afetivas profundas. Esse tempo compartilhado transmite a mensagem: “você é importante”, “eu estou aqui”, “seus sentimentos importam”. A segurança emocional gerada nessas interações fortalece a autoestima e facilita que a criança procure ajuda quando estiver sobrecarregada.
Um direito e uma necessidade
Mais do que lazer, o brincar é uma necessidade básica da infância. Ele sustenta o desenvolvimento emocional, social e cognitivo, ajudando a criança a crescer mais confiante, resiliente e preparada para lidar com as próprias emoções.
Em meio a agendas cheias e estímulos digitais constantes, reservar tempo diário para brincar — dentro ou fora de casa, com ou sem brinquedos estruturados — é investir diretamente na saúde emocional das crianças.
Porque, no fundo, toda grande aprendizagem emocional começa em algo simples: uma brincadeira.
“Lutei dia e noite para dar nova dimensão ao nosso País.
Quis que, da minha administração, não se pudesse dizer,
sem pecar contra a verdade, que o Brasil crescia nas horas noturnas,
enquanto o Governo dormia. Não!
O Governo não dormiu, em minhas mãos.”
Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira
Em 526 anos de Brasil, há datas a celebrar e há datas para esquecer. Felizmente, as datas para celebrar são maioria. Duas delas, por exemplo, moldaram este País por serem mais significativas e funcionarem como um divisor de águas do Brasil como Nação. Ambas as datas, separadas por 148 anos, aconteceram no mês de janeiro. A chegada da família real ao Brasil, em 22 de janeiro de 1808 e a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 31 de janeiro de 1956.
A vinda da corte para o Brasil foi uma manobra do príncipe regente, D. João, para garantir que Portugal continuasse independente, quando foi ameaçado de invasão por Napoleão Bonaparte. A principal consequência foi a declaração do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. O Brasil deixou de ser colônia, o que provocou uma série de transformações geopolíticas.
A permanência da família real foi decisiva para manter a unificação e grandiosidade do território nacional, a possibilidade de o país inteiro falar a Língua Portuguesa, além de outros ganhos concretos como a abertura dos portos para as nações amigas e a criação de entidades essenciais: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Real Fábrica de Pólvora, Imprensa Oficial e Banco do Brasil.
Em 31 de janeiro de 1956, 134 anos depois da Independência, vem a segunda data que transformou o Brasil em todas as dimensões: cultural, industrial, econômica e politica: a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
Não foi fácil a chegada de JK ao Palácio do Catete. Ainda governador de Minas, Juscelino deixou claro sua intenção de disputar a Presidência da República pelo PSD.
Houve muitas tratativas de lideranças nacionais e até de militares para demover JK de sua intenção. O próprio presidente da República, Café Filho (vice de Getúlio Vargas) e o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, se articularam para evitar a candidatura de JK.
Pior: até seu padrinho político, o ex-governador de Minas, Benedito Valadares, temeroso de que o crescimento de JK lhe roubasse influência no Estado, não mediu esforços, nos bastidores, contra a candidatura.
Em dezembro de 1954, militares de alta patente levaram ao então presidente Café Filho um documento em defesa da candidatura única à Presidência. Sem JK, evidentemente.
O presidente Café Filho – que tomou a iniciativa de ler o texto no programa ‘A Voz do Brasil’, ainda procurou demover JK, com o argumento de que as Forças Armadas não aprovavam a sua pretensão.
JK começou a ganhar a eleição ali. Não se deixando intimidar, confirmou sua candidatura e mandou um recado curto e grosso para o presidente Café Filho. Sua frase virou seu lema de vida: “DEUS POUPOU-ME O SENTIMENTO DO MEDO”.
E foi com este sentimento que JK plantou sua candidatura em 10 de fevereiro de 1955, para colher nas urnas, em 3 de outubro, 3.077.411 votos, ou 36% do total.
Não foi fácil. No dia primeiro de novembro, o coronel Jurandir de Bizarria Mamede, discursando no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, sugere golpe militar para impedir a posse de JK e do vice João Goulart.
Em 11 de novembro de 1955, para garantir a posse de JK, antes de deixar o Ministério da Guerra, o Marechal Lott põe os tanques nas ruas e dá o “Golpe da Legalidade”. Carlos Luz, então presidente da República – com o afastamento de Café Filho – é deposto e nove dias depois, em 20 de novembro, o Congresso Nacional aprova o impedimento de Café Filho e elege Nereu Ramos presidente. O senador catarinense assume o governo até a posse de JK.
Há 70 anos, em 31 de janeiro de 1956, JK toma posse e pede ao Congresso a abolição do estado de sítio. No dia seguinte, põe fim à censura à imprensa.
JK, a seu modo, sacudiu a vida administrativa, política e cultural do Brasil. Seu governo plantou hidroelétricas, plantou estradas, plantou bom humor e plantou compromissos: cumpriu todas as 31 metas prometidas durante sua campanha à Presidência. JK plantou indústria automobilística e plantou magnanimidade, perdoando revoltosos e inimigos políticos. JK plantou Brasília.
Ao interiorizar o desenvolvimento com a construção da nova Capital, o Centro-Oeste foi ocupado de todas as formas. Onde não se produzia um grão de soja em 1960, ficou responsável por 49,3% da produção nacional. A soja avançou sobre novas fronteiras e levou junto a cultura do milho. A produção de milho na região – antes de Brasília – era inferior a 9%. Atualmente representa 54,36% da safra nacional. Essas duas culturas levaram uma promissora cultura empreendedora em outros setores: pecuária, frutas, café, arroz, feijão, trigo. Centenas de pequenos povoados nasceram no vazio do Cerrado e transformaram-se, nestes últimos 70 anos, em cidades de pequeno, médio e grande porte com excelentes índices de IDH.
Na Era JK, o Brasil colheu efervescência cultural. O Brasil colheu a primeira Copa do Mundo, colheu Bossa Nova, Cinema Novo. Colheu alegria! O povo brasileiro colheu o sentimento de que é capaz de construir o que parece impossível.
JK plantou Democracia. E o Brasil colheu Paz!
-
Artigos4 meses ago1976: O ano em que Brasília ganhou alma
-
Reportagens4 meses agoMorre Neide de Paula, “Rainha das Rainhas” do carnaval de Brasília
-
Reportagens4 meses agoA um mês da reinauguração, governador Ibaneis Rocha visita obra do Autódromo de Brasília
-
Reportagens3 meses agoEconomia com nova usina fotovoltaica ampliará investimentos do Hospital da Criança em equipamentos e insumos
-
Reportagens3 meses agoCOP 30: GDF leva ao Brasil e ao mundo soluções de sustentabilidade do Distrito Federal
-
Reportagens4 meses agoLula quer discutir com Trump punição dada a ministros do STF
-
Artigos3 meses agoLudmilla, Alexandre Pires, Carlinhos Brown e outros artistas são destaques musicais do Consciência Negra 2025
-
Artigos2 meses agoO SOLSTÍCIO DE VERÃO E O NATAL