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AMAZÔNIA: CONQUISTA LUSO-BRASILEIRA

Tanta gente fala da Amazônia sem ter a menor ideia de como esse território, metade do país, foi incorporado e integrado ao Brasil.

 

MAPA ANTIGO

 

Evaristo de Miranda – Escritor, Doutor em Meio Ambiente e pesquisador da Embrapa

 

Evaristo de Miranda – Escritor, Doutor em Meio Ambiente e pesquisador da Embrapa

 

 “A Amazônia, conhecemo-la aos fragmentos. (…)
A inteligência humana não suportaria, de improviso,
o peso daquela realidade portentosa.”
Euclides da Cunha, Um Paraíso Perdido

 

Em 5 de setembro, às vésperas dos 200 anos da Independência do Brasil, festejou-se o Dia da Amazônia. Nessa data, em 1850, D. Pedro II criou a província do Amazonas e fortaleceu sua autonomia e seu desenvolvimento. Para destacar a iniciativa de D. Pedro II e a Amazônia, a Lei nº 11.621, em 2007, determinou esse dia festivo. A Espanha inventou a Amazônia. Portugal a conquistou. E agora? Como desenvolvê-la e preservá-la?

 

No século 16, a Amazônia pertencia à Espanha. A pátria do cacau, da seringueira e do guaraná não era lusitana, nem de direito, nem de fato. De direito, estava incluída na partição espanhola, a Oeste da linha demarcatória do Tratado de Tordesilhas, de 1494. De fato, Vicente Pinzon foi o primeiro a chegar à Amazônia, em fevereiro de 1500. Ele descobriu a foz do Amazonas, designado Rio de Santa Maria de la Mar Dulce. Suas águas, pelos cálculos dos marinheiros, avançavam 20 léguas mar adentro.

 

Tendo partido de Quito, em 1541, a expedição de Francisco de Orellana desrespeitou ordens do comandante Pizarro na exploração do Rio Napo. Ela não retornou ao encontro do comandante, nem retornou a Quito. Desceu o Napo até encontrar um enorme rio, denominado mais tarde das Amazonas, após ataque feroz contra a expedição por parte de supostas índias guerreiras.

Na mitologia grega, as amazonas eram uma nação de guerreiras, iranianas provavelmente. Em seu reino não havia homens. Eram altas, fortes e ferozes. Desfiguravam seus corpos, cortando os seios para aperfeiçoar o manejo de arco e flechas. (Na realidade, péssima ideia, dada a musculatura envolvida.)

 

AS GUERREIRAS AMAZONAS

 

Por etimologia popular grega, a palavra amazonas foi relacionada com mazós, seio, dando ao a- inicial o valor de privativo, de onde a noção de sem seio (s), amputado (s) a fim de melhor lançarem flechas. A mais conhecida era Hipólita, Rainha das Amazonas. Ela ganhara um cinturão de ouro do deus Ares. Roubá-lo foi a nona tarefa de Hércules.

O explorador espanhol Orellana tropicalizou a lenda grega, graças à sua cultura greco-romana. O nome, atribuído originalmente a um grupo de guerreiras, foi ampliado ao rio e depois estendido a toda a bacia hidrográfica.

O interesse português pela Amazônia e pelo controle da embocadura do Rio Marañon começou cedo e foi claramente manifesto quando da primeira expedição povoadora do Brasil, comandada por Martim Afonso de Souza. Nos séculos 16 e 17, os portugueses tomaram uma série de ações, impulsionadas por uma política de Estado para conquistar a Bacia Amazônica.

 

Martim Afonso de Souza | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

 

 

EXPEDIÇÃO DE PEDRO TEIXEIRA

Ponto decisivo nos muitos episódios dessa conquista foi a saga naval de Pedro Teixeira. Em 28 de outubro de 1637, ele organizou e comandou uma expedição integrada por 1,2 mil indígenas de remo e peleja, 70 soldados portugueses em 47 canoas e pessoal de apoio, num total de mais de 2 mil pessoas. Partiu discretamente de Cametá, no Pará. E não de Belém, para não denunciar suas intenções. Subiu o rio Amazonas e chegou até Quito, capital do Vice-Reino do Peru, surpreendendo a todos.

Pedro Teixeira realizou um reconhecimento pormenorizado, inclusive cartográfico, do Rio Amazonas. Em seu trajeto lançou marcos possessórios lusitanos e apossou-se das terras mais ocidentais da Amazônia. Registrou esse evento em ata notarial, registrada posteriormente em Belém, Lisboa e até em Madri, aproveitando o período de união das Coroas ibéricas. Uma antiga placa ainda registra esse feito na fachada externa da Catedral de Quito.

A exploração por bandeirantes, o mapeamento e a presença portuguesa em grande parte da bacia, sobretudo pelos missionários católicos, permitiram a Portugal integrar a Amazônia ao Brasil, negociada com a Espanha em 1750.

O brasileiro Alexandre de Gusmão, embaixador e secretário de Dom João V, argumentou os direitos portugueses sobre a Amazônia com base no princípio jurídico romano do uti possidetis, ainda em uso no Direito internacional: quem ocupa um território é seu proprietário.

 

FLORESTA AMAZÔNICA | Foto: Shutterstock

 

OS TRATADOS E AS FRONTEIRAS:

TUDO PELA AMAZÔNIA

 

O Tratado de Madri (1750), o de San Idelfonso (1777) e o do El Pardo (1778) substituíram as fronteiras de Tordesilhas. Pela posse da Amazônia, entre vários ajustes territoriais, Portugal abriu mão do controle de parte da embocadura do Rio da Prata e cedeu a província do Sacramento (atual Uruguai) à Espanha. Na Ásia, para obter a Amazônia, Portugal renunciou a seus direitos sobre as Filipinas e Ilhas Marianas. E, na África, cedeu à Espanha seus direitos sobre as ilhas de Fernando Pó, Ano Bom e toda a costa da foz do Rio Níger à do Ogooué no Gabão. Esse território hoje inclui Nigéria, Camarões, Guiné Equatorial e Gabão. Tudo pela Amazônia!

A consolidação das fronteiras da Amazônia levou mais de século, do Império ao início da República. Foram muitas negociações com transferências de territórios, diversos acordos e tratados. Os de Ayacucho (1867) e Petrópolis (1903), com a Bolívia; o de Bogotá (1907), com a Colômbia; o de Limites (1851) e do Rio de Janeiro (1909), com o Peru; o da Questão do Pirara (1904), com a Inglaterra; e ainda a Questão do Amapá, com a França (1900).

 

AMAZÔNIA –  VONTADE POLÍTICA PORTUGUESA

 

A incorporação da Amazônia ao território brasileiro não foi obra do acaso. Os caminhos pelos quais a Coroa Portuguesa conquistou um território situado originalmente no domínio espanhol não foram aleatórios, e sim resultado de estratégia geopolítica e muita persistência. Eles deixaram marcas na história e no território. Um exemplo cristalino da vontade geopolítica portuguesa na região está nos nomes das cidades amazônicas.

No Brasil, cidades e acidentes geográficos têm seus nomes vinculados ao santo do dia de sua fundação ou descoberta, no calendário litúrgico católico: Baía de Todos os Santos, São Sebastião do Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Cabo de São Roque, Rio São Francisco, Espírito Santo, Natal, etc. Na Amazônia, não. Ali, as cidades reproduzem um mapa de Portugal na horizontal: Belém, Bragança, Viseu, Barcelos, Airão, Óbidos, Alenquer, Porto de Moz, Almeirim, Alter do Chão, Aveiro, Breves, Chaves, Santarém, Melgaço, Oeiras, Ourém e Vigia. Nomes como marcos de pedra, difíceis de apagar na geografia simbólica e na conquista da Amazônia luso-brasileira.

 

Vista aérea da Floresta Amazônica | Foto: Shutterstock

 

 

A VERDADE DA INTEGRAÇÃO

DA AMAZÔNIA AO BRASIL

Tanta gente fala da Amazônia sem ter a menor ideia de como esse território, metade do país, foi incorporado e integrado ao Brasil. A Amazônia segue apresentada de forma fragmentada, aqui e no exterior, em função de grupos de interesse, ideologias, oportunismos, etc. Quem quer saber a real situação se perde num cipoal de opiniões, informações e desinformações de instituições governamentais ou não, multiplicadas em redes sociais, com interesses geopolíticos e econômicos escusos. E pouca participação regional.

O governo federal deveria unificar os conhecimentos e produzir todo ano, no Dia da Amazônia, um relatório completo sobre a região. Uma espécie de State of the Amazon Region, anual, com ciência, dados, sínteses e análises dos principais temas, desafios e processos. Sua complexidade natural, agrária, agrícola, de infraestrutura e socioeconômica precisa ser conhecida.

A Amazônia é um dos biomas mais preservados do Brasil e do mundo, com 83,8% de vegetação nativa. São 22 tipos de florestas, nove de vegetação não florestal e vários tipos mistos. Somando as grandes superfícies hídricas (rios Negro, Tapajós, Madeira, Amazonas…), são 86% em ambiente natural.

 

Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões | Foto: Shutterstock

 

Cerca de 42% da Amazônia já são áreas protegidas decretadas (unidades de conservação, terras indígenas…): 1,76 milhão de quilômetros quadrados em terras públicas. As áreas preservadas pelos produtores rurais, seguindo o Código Florestal, totalizam 1,21 milhão de quilômetros quadrados em terras privadas e 28,8% do bioma, segundo dados e mapas registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Entre áreas protegidas e preservadas, são 2,97 milhões de quilômetros quadrados, ou 70,8% da Amazônia. Outros 13% de vegetação nativa está em terras devolutas, áreas militares e imóveis rurais ainda sem CAR, totalizando 83,8% da Amazônia.

 

Floresta Amazônica | Foto: Shutterstock

 

 

AMAZÔNIA NÃO CAIU DO CÉU

 

Foi um longo caminho, de D. Manuel a D. Pedro II e aos inícios do século 20, para conquistar a Amazônia. Ela não caiu do céu. Pode ser perdida. Euclides da Cunha, há um século, vaticinou: “Se as nossas autoridades não se preocuparem com a Amazônia, mais cedo ou mais tarde, ela se destacará do Brasil, natural e irresistivelmente, como se desprega uma nebulosa de seu núcleo, pela expansão centrífuga de seu próprio movimento”.

A principal garantia da soberania nacional sobre a Amazônia é a presença humana. Uti possidetis. Dar vida digna a quase 30 milhões de habitantes da Amazônia, hoje com os piores índices de desenvolvimento social e saneamento. Avançar na regularização fundiária e na assistência a 1 milhão de produtores. Só em assentamentos do Incra, é meio milhão de famílias, em mais de 2,3 mil projetos agrários, a maioria ainda sem título da terra.

 

Morador das margens do Riu Ariarú, na Amazônia, com seu bicho-preguiça de estimação | Foto: Shutterstock

 

Sobre o desafio de unir preservação e desenvolvimento, o general Rodrigo Otávio Jordão Ramos deixou uma frase lapidar, um dístico presente na fachada dos quartéis na Amazônia: ‘Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la’.

 

 

 

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Centros de iniciação desportiva trabalham inclusão e socialização por meio do esporte

Programa oferece aulas esportivas gratuitas para a rede pública de ensino e já foi responsável por formar diversos profissionais e atletas do DF

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Por Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Débora Cronemberger

 

Gastando a energia que tem de sobra no tatame, Bernardo Freitas, de 7 anos, sai da aula de judô sorrindo e confirma o gosto pela atividade esportiva. “É bom para treinar e brincar, eu gosto muito. Sou um pouco agitado. Aí quando acaba eu fico muito cansado”, afirma o pequeno judoca.

Bernardo é um entre os milhares de estudantes atendidos pelos centros de iniciação desportiva (CIDs), que democratizam o acesso ao esporte para os estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal e oferecem práticas sistemáticas e orientadas por professores de Educação Física da Secretaria de Educação do DF (SEE).

Distrito Federal tem mais de 140 CIDs em todas as regionais de ensino, onde os alunos da rede pública podem praticar atividades esportivas como judô, vôlei e xadrez | Fotos: Matheus H. Souza/Agência Brasília

Atualmente, são 143 CIDs em todo o Distrito Federal distribuídos por todas as regionais de ensino. Somente na região de Taguatinga são 20 polos, cada um atendendo uma média de 160 alunos – o que representa mais de 3 mil estudantes praticando esporte no contraturno escolar na região.

“É algo a mais que o estudante tem para sua formação integral. Ele vai trabalhar não somente a parte esportiva, mas a questão física e emocional, que é muito importante para formação desses estudantes. E também pode revelar talentos; é um programa muito interessante da Secretaria da Educação”, frisa a coordenadora do CID de Taguatinga, Paula Miranda do Amaral.

“É bom para treinar e brincar”, diz o pequeno judoca Bernardo Freitas, de 7 anos

O judoca Samuel Souza, além de professor de Bernardo, também foi aluno de judô no CID. Ele conta que inspirou sua trajetória no mestre que o treinava em 2003, permanecendo no mesmo projeto ao se tornar professor.

“É uma sensação maravilhosa. O programa fomenta a iniciação esportiva e o esporte é transformador. Quantos casos que saíram dos CIDs que nós temos? Joaquim Cruz, a Leila, o nosso professor André Mariano, que foi aluno do CID quando mais novo. Então quanto mais pessoas puderem conhecer o projeto e mais crianças estiverem inseridas, estarão fora das ruas e terão esporte com ensino de qualidade”, pontua.

Praticando desde os 3 anos de idade, Samuel está há 30 anos ininterruptos na modalidade de luta. “O judô me deu tudo. Pelo judô eu estudei, tenho um processo de formação dentro da confederação brasileira e internacional. Me deu família, me deu condições e estruturas para que eu pudesse galgar outros caminhos profissionais. Mas a disciplina, a educação, o tato com o outro e o servir através do esporte mudaram a minha vida completamente”, acrescenta.

Os centros estão localizados em todas as coordenações regionais de ensino (CREs). Além do judô, há turmas de vôlei, xadrez, handebol entre outros esportes – incluindo parabadminton e outras modalidades para pessoas com deficiência (PcDs) ofertadas pelas unidades. Para encontrar o centro de iniciação desportiva mais próximo, basta entrar em contato com as regionais de ensino. Os telefones estão disponíveis no site do GDF.

“O judô me deu tudo”, diz o professor Samuel Souza, que também praticou o esporte no CID

Inclusão social

O estudante David Guilherme Souza, de 14 anos, não apenas joga parabadminton no Centro de Iniciação Desportiva Paralímpico (CIDP), como recentemente foi a um campeonato nacional em Curitiba. A modalidade leva em consideração as deficiências físicas, visuais e intelectuais. No último ano, David foi a quatro competições, disputou os jogos escolares em Brasília e também as paralimpíadas escolares em São Paulo, onde foi campeão nas categorias simples e mista.

Para David, o que mais chamou atenção no parabadminton foram as batidas na raquete. “Principalmente o smash, que eu gosto muito, de baixo pra cima. Também gosto bastante das competições”, explica. Quando ele joga, a sensação que descreve é simples. “Sinto alegria. E tristeza às vezes quando vou perder, mas eu gosto bastante de jogar”.

David Guilherme Souza já disputou, este ano, quatro competições de parabadminton

O professor do garoto, Letisson Samarone, afirma que alunos como David já estão trilhando uma carreira, mesmo em um tempo curto de treino. “É gratuito, os professores são qualificados e os espaços são adaptados para eles”, reforça. O docente também frisa que um dos maiores ganhos é quando os alunos passam a ter confiança social por meio do esporte, confiando nos próprios projetos e sonhos.

“Esse ano ele quis ir sozinho para Curitiba com a mãe, então ele acreditar que é capaz de chegar lá e querer competir é o mais importante. Porque às vezes ele não se vê capaz, os pais e os colegas não o veem capaz e aí ele volta com a medalha, então tudo muda em torno deles. Sai de uma pessoa que sofreu bullying para alguém que passa a ser admirado, representa o Distrito Federal e o Brasil”, observa Letisson.

Socialização

“Eu era bem tímida antes e, quando eu comecei a jogar, automaticamente comecei a ter contato com outras pessoas e algumas até se tornaram amigas”, diz Sarah Cristina Alves, que é da turma de xadrez no CID de Taguatinga

Os depoimentos tanto dos pais quanto dos alunos que passam pelo CID também convergem na melhora da interação social dos jovens que praticam esportes. Tiago Felipe de Oliveira, o pai da estudante Sarah Cristina Alves, de 15 anos, é testemunha da mudança de comportamento da filha assim que ela entrou para a turma de xadrez do CID de Taguatinga.

“Muda muito em nível de comportamento. Saber ganhar, saber perder, uma série de situações. No xadrez, por exemplo, tem a tomada de decisão, concentração, o poder da escolha, da decisão. Isso leva para a vida prática também. Todas essas questões fazem uma transformação na vida deles”

Clodomiro Leite, professor de xadrez

“A Sarah sempre foi uma aluna muito dedicada e estudiosa. O projeto ajudou bastante nessa questão da socialização, da interação com outros colegas, porque às vezes ela era um pouco fechada, até por conta da pandemia, quando ela ficou muito tempo em casa sem ter contato com outras pessoas. Esse contato, jogando um de cada vez, ajuda bastante nessa relação. E possibilita a prática da competição, coisas importantes que a gente leva do esporte pra vida”, acentua Tiago.

Participando do projeto desde os 12 anos, ela foi a única representante da rede pública do Distrito Federal a participar dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) 2024, na categoria sub-18, que aconteceu no mês de maio em Aracaju.

“O CID me deu uma base muito boa pra começar a jogar toda vez, ensinou abertura, tática, estratégia e isso me fez evoluir cada vez mais. Eu gosto muito de jogar. Eu era bem tímida antes e, quando eu comecei a jogar, automaticamente comecei a ter contato com outras pessoas e algumas até se tornaram amigas”, acrescentou Sarah.

O professor de xadrez Clodomiro Leite destaca que sempre há um retorno positivo vindo dos pais dos alunos. “Muda muito em nível de comportamento. Saber ganhar, saber perder, uma série de situações. No xadrez, por exemplo, tem a tomada de decisão, concentração, o poder da escolha, da decisão. Isso leva para a vida prática também. Todas essas questões fazem uma transformação na vida deles. O projeto foca no desenvolvimento global da criança, tirando ela do celular e da rua”.

Novos talentos

Professor Elisson Fabrício de Oliveira e o jogador Guilherme Lopes, que treinou no CID e faz parte do time Red Bull Bragantino | Foto: Arquivo pessoal

Outro ponto exaltado pelo programa desportivo é a lapidação de novos atletas. A cada ano, são descobertos talentos nas escolas públicas por meio dos CIDs, como o jogador Guilherme Lopes. O jovem de 22 anos já faz parte do time Red Bull Bragantino, onde joga como defensor.

Guilherme treinou no CID de Taguatinga de 2011 a 2016, quando participou de várias competições importantes junto ao Sesc e ao Globo, representando o CID QNL no futsal. Em 2018 foi selecionado para as categorias de base do Cruzeiro (Sub-17) e em 2021 foi contratado como jogador profissional do Red Bull Bragantino, equipe da série A do Brasileirão e também da Sul Americana.

“Para chegar onde estou hoje também foi por causa do CID. Você pode se divertir fazendo o que você mais gosta. Para a minha carreira foi muito importante porque, além do futsal, eles ajudam a nos formar não só como jogadores e atletas, mas como pessoas também”, reforça o jogador profissional.

O professor Elisson Fabrício de Oliveira o acompanhou desde cedo e recorda que o jovem sempre foi dedicado e muito focado, dando até palestras na antiga escola para os novos estudantes que se interessam nos esportes.

“Sempre vejo ele nos jogos importantes, vi ele contra o meu time Flamengo, contra o Palmeiras, contra o Atlético Mineiro, então ele está sempre ajudando a equipe do Bragantino lá, dá muito orgulho. O trabalho feito aqui é uma ferramenta principalmente para a educação, para auxiliar as famílias mais vulneráveis, que não tem condição de matricular uma criança numa escolinha particular. E o nosso alcance é imenso, não só no futsal”, acentua o docente.

 

 

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Em momento histórico, proposta do GDF para o Conjunto Urbanístico de Brasília é aprovada

Após 15 anos de debates, Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico (Ppcub), elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), foi aprovado pelos deputados distritais nesta quarta-feira (19)

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Por Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

 

Após 15 anos de debates, Brasília terá uma única legislação para tratar da preservação, uso e ocupação do solo, além de diretrizes para o desenvolvimento e modernização da área tombada.

O projeto de lei complementar nº 41/2024, que cria o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (Ppcub), elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) foi aprovado, nesta quarta-feira (19), em dois turnos, pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Para o titular da Seduh, Marcelo Vaz, a aprovação por 18 a 6 votos em primeiro e segundo turnos mostra que houve um entendimento por parte dos distritais sobre a importância do Ppcub para a cidade.

Marcelo Vaz: “Nossa equipe técnica realizou um trabalho criterioso tendo como foco a garantia da preservação, mas entendendo que tombamento não pode significar engessamento” | Foto: Divulgação/ Seduh

“É uma vitória para a capital do país. Nossa equipe técnica realizou um trabalho criterioso tendo como foco a garantia da preservação, mas entendendo que tombamento não pode significar engessamento, devendo ser garantido o desenvolvimento da cidade. Além disso, o texto foi amplamente discutido com a sociedade, foram oito audiências públicas realizadas pelo governo e outras cinco promovidas pela CLDF”, declarou Vaz.

Ainda segundo o secretário, atualizar as atividades permitidas nos lotes comerciais dará segurança jurídica aos empreendedores, gerando emprego e renda para a cidade. Essa atualização também irá corrigir incongruências como, por exemplo, as normas atuais que são da década de 80, não preverem o funcionamento de pet shops.

Foram apresentadas 174 emendas, a maioria delas pela oposição, sendo praticamente todas acatadas. O projeto segue agora para a sanção do governador Ibaneis Rocha.

Repercussão

“O Ppcub traz uma dinamização da nossa cidade. As pessoas mudam, as cidades mudam e as legislações precisam acompanhar essas mudanças”

Adalberto Valadão, presidente do Sinduscon-DF

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Distrito Federal (Sinduscon-DF), Adalberto Valadão, comemorou a decisão da CLDF: “O Ppcub traz uma dinamização da nossa cidade. As pessoas mudam, as cidades mudam e as legislações precisam acompanhar essas mudanças”.

A preservação também ganhou destaque. Para o presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Roberto Botelho, o Ppcub é o “arcabouço jurídico que provocará a preservação do plano original de Lúcio Costa”.

Já o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (Codese-DF), Leonardo Ávila, declarou que este é o momento de se “renovar a legislação para atender as necessidades atuais da população”. Ávila ainda destacou que o texto aprovado hoje foi amplamente debatido ao longo dos anos e acatou muitas contribuições da sociedade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e de parlamentares.

Histórico

O Ppcub reúne toda legislação urbanística do Conjunto Urbanístico de Brasília (Cub), tombado nas instâncias distrital e federal e inscrito como patrimônio da humanidade.

Ele abrange as regiões do Plano Piloto, Cruzeiro, Candangolândia, Sudoeste/Octogonal e Setor de Indústrias Gráficas (SIG), incluindo o Parque Nacional de Brasília e o espelho d’água do Lago Paranoá.

Projeto de Lei Complementar (PLC) possui 67 páginas e 15 anexos. No portal do Ppcub, a população tem acesso a um tutorial de como interpretar e encontrar informações sobre a proposta de lei complementar, com campos explicando o que é o Ppcub, a área de abrangência, atuação, como consultar e próximos passos.

*Com informações da Seduh

 

 

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Governador reforça que Brasília está preparada para a Copa do Mundo Feminina de 2027

Ibaneis Rocha participou da solenidade que comemorou a confirmação do Brasil como sede do mundial realizada no novo escritório da CBF

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Por Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Igor Silveira

 

O triunfo da candidatura do Brasil para ser país sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 foi celebrado na noite desta terça-feira (18) em um coquetel no novo escritório da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em Brasília, uma das cidades-palco do mundial. A solenidade contou com a presença do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.

“Essa vitória do Brasil, trazendo a Copa do Mundo Feminina para o nosso país, é muito importante, porque ressalta a importância e o crescimento do futebol feminino”, afirmou Ibaneis Rocha. “Aqui no Distrito Federal temos incentivado muito o futebol feminino. Já são vários times. Temos adotado uma política de apoio muito importante ao esporte na nossa cidade”, completou o governador.

O Brasil foi anunciado país sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 em 17 de maio, durante o Congresso da FIFA em Bangkok, na Tailândia | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

Ibaneis Rocha reforçou que a capital federal está pronta para receber mais uma Copa do Mundo de Futebol. “Brasília está preparada e sempre estivemos preparados. Brasília é sempre palco de grandes manifestações, de muita alegria, e nós temos toda a certeza que será um evento de muito sucesso”, ressaltou. E comemorou a chegada do escritório da CBF à cidade: “Fico muito feliz também pela inauguração dessa representação da CBF aqui em Brasília. Nós nos ressentimos muito da falta e da presença da CBF no Distrito Federal, porque para nós é um símbolo de muita importância”.

O Brasil foi anunciado país sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 em 17 de maio, durante o Congresso da FIFA em Bangkok, na Tailândia. Essa será a primeira vez que a competição será disputada na América do Sul. Brasília e outras nove cidades brasileiras serão palco das partidas.

A candidatura brasileira superou a europeia – que unia Holanda, Alemanha e Bélgica. Alguns fatores foram decisivos para o Brasil conseguir ser mais bem-avaliado, a exemplo da disponibilidade de estádios, hospedagem e de locais oferecidos à realização do FIFA Fan Fest. Por ser o anfitrião da disputa, o Brasil já está automaticamente classificado para a competição que terá 32 seleções.

O governador reforçou que a capital federal está pronta para receber mais uma Copa do Mundo de Futebol | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

“Esse foi um trabalho que não foi só da CBF, mas do governo federal e do Governo do Distrito Federal”, disse o presidente da CBF, que lembrou que a Seleção Brasileira Feminina fez o último jogo antes da Copa na Austrália em Brasília. “Nós não queremos apenas ter a Copa do Mundo aqui no Brasil, nós queremos que ela seja a melhor Copa do Mundo da FIFA de todos os tempos”, acrescentou Rodrigues.

A coordenadora-geral da Candidatura do Brasil para Copa do Mundo Feminina de Futebol, Jacqueline Barros, destacou que a realização do mundial no país também será uma forma de dar destaque às pautas das mulheres no Brasil. “Essa é uma Copa diferente. O Brasil já está preparado para sediar. Temos estádios prontos, aeroportos, rede hoteleira… Então nessa Copa teremos oportunidade de trabalhar a cidadania e melhorar como sociedade. Diversas pesquisas indicam que a violência contra as mulheres aumenta nos dias de jogos de futebol, um quadro triste que o a Brasil tem a oportunidade de mudar com a preparação da Copa”, analisou.

“Aqui no Distrito Federal temos incentivado muito o futebol feminino. Já são vários times. Temos adotado uma política de apoio muito importante ao esporte na nossa cidade”

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal

Cidade sede

Localizado no centro de Brasília e próximo aos setores hoteleiros, a Arena BRB Mané Garrincha foi um dos estádios mais bem-avaliados durante a votação, recebendo nota 3,9 em relação à infraestrutura, junto à Arena de Pernambuco, Arena Fonte Nova e Estádio Beira-Rio. A expectativa é que o local receba oito partidas: cinco jogos da fase de grupos, um de oitavas, um de quartas e uma semifinal.

Considerado histórico e icônico, o estádio foi todo reconstruído para receber a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo Masculina, em 2014. Desde a nova fase, foi palco de diversos eventos esportivos, como o torneio internacional de Beach Tennis, a Copa do Brasil e os jogos de futebol dos Jogos da Olimpíada – Rio 2016, além de apresentações musicais, incluindo shows de Paul McCartney, Maroon 5, Beyoncé e Andrea Botticelli.

A própria Seleção Brasileira Feminina de Futebol jogou no estádio em 2023 no último amistoso antes da Copa do Mundo da Austrália. Na ocasião, o time goleou o Chile por 4 a 0. Durante a competição, o Distrito Federal foi uma das unidades da federação que adotou, pela primeira vez, o ponto facultativo para servidores em dias de jogos da seleção feminina.

A decisão foi tomada em valorização ao esporte feminino, que tem sido uma das prioridades desta gestão, quando houve, em 2022, a inclusão de turmas de futebol feminino nas aulas dos Centros Olímpicos e Paralímpicos (COPs) do DF. Além disso, o DF conta com um time representante na elite do Campeonato Brasileiro Feminino, o Real Brasília, patrocinado pelo Banco de Brasília (BRB).

 

 

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