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Acidente na Baía de Guanabara lança luz a problema ambiental e social

Abandono de navios ocorre há mais de 3 décadas

 

acidente com o navio graneleiro São Luiz, que bateu na Ponte Rio Niterói, no início deste mês, jogou luz para uma questão preocupante: a quantidade de embarcações abandonadas na região da Baía de Guanabara. O problema tem sido alvo de alertas constantes de defensores do meio ambiente que apelidaram o local de “cemitério”.

Cofundador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo Potiguara afirma que o problema se arrasta por quase três décadas e que não existe um levantamento atual de quantas unidades estão abandonadas. O Plano de Gestão Costeira da Baía de Guanabara, elaborado em 2002, indicou a existência de até 250 navios abandonados e afundados em vários trechos da Baía de Guanabara.

Outro problema apontado pelo ecologista é não saber o que há dentro dessas embarcações. Após o acidente com o graneleiro, que estava há seis anos abandonado, foi divulgada a existência de 50 mil litros de óleo dentro da embarcação que, em caso de vazamento, pode causar grande estrago ambiental.

“Ninguém pode afirmar, hoje, qual o grau de risco que estas embarcações representam”, observou.

De acordo com Sérgio Ricardo, a estimativa é que até 40 embarcações que estão no “cemitério”, principalmente no canal de São Lourenço em Niterói, sejam de madeira e, por isso, estão afundadas com toneladas de lama e sedimentos. Por estarem no local há 30 anos, continuam vazando poluentes para o meio ambiente.

Impacto ambiental

O presidente da ONG Guardiões do Mar e coordenador do Projeto Uçá, de preservação de caranguejos, Pedro Belga, disse que a permanência das embarcações e navios abandonados na Baía de Guanabara, ao longo do tempo, causa impacto nos manguezais da região, ainda que eles não fiquem nos locais onde as unidades estão atracadas.

Segundo o biólogo, as embarcações estão na direção do canal dragado da Marinha criado para facilitar a entrada de grandes embarcações. O canal também permite que correntes mais frias com nutrientes que venham de longe, entrem na Baía de Guanabara.

“O impacto não é nem direto porque os manguezais estão no recôncavo, bem no fundo [na ponta] da Baía de Guanbara e as embarcações estão no meio. O grande problema é que elas estão em uma linha de passagem do canal dragado pela Marinha, que permite a renovação de 50% da água da Baía de Guanabara a cada 12 dias. A longo prazo, dia após dia, de alguma forma vai passar por essas águas que vão circular com diversos contaminantes até o fundo da Baía até proximo a Paquetá. Não estamos falando apenas de ferrugem, mas de outras substâncias, que podem ser carreadas por conta da corrente que entra no canal da Marinha para o fundo da Baía”, disse à Agência Brasil.

Economia Social

O biólogo observou ainda que essa quantidade enorme de navios também contribuiu para a diminuição das áreas de pesca artesanal.

“Tem uma série de ilhas que são privadas, tem uma série de espaços militares e ainda tem um cemitério de navios, então, a área de pesca na Baía de Guanabara fica cada vez mais prejudicada e aí se fala em impacto na sócio economia das centenas e milhares de famílias que vivem da pesca artesanal”, completou, acrescentando que o assunto perpassa pela sociobiodiversidade e pela socioeconomia. “Não é um assunto só técnico. Tem que discutir em diversas frentes”.

Operação Limpa Oca

Para reduzir o impacto na pesca artesanal, o Projeto Uçá desenvolve com catadores de caranguejo a Operação Limpa Oca em convênio com a Petrobras para garantir uma renda aos trabalhadores durante o período de defeso da espécie. Segundo o biólogo, a ação foi potencializada porque está se juntando a um outro projeto chamado Do Mangue ao Mar, com a Transpetro.

“A Operação Limpa Oca do Projeto Uçá está acontecendo, agora, na sétima fase de defeso. Até o ano passado, a gente já tinha retirado 44 toneladas de resíduos sólidos de 36 hectares de manguezal. Nesse defeso, a gente deve ultrapassar 50 toneladas e, a partir de fevereiro, com o Projeto Do Mangue ao Mar vamos atacar uma área que fica mais ou menos no meio da Baía de Guanabara, entre os rios Estrela, em Magé, e Iguaçu, em Caxias, e pretende limpar uma área de 20 hectares com a possibilidade de chegar a 25 toneladas de resíduos retirados”, completou.

O biólogo destacou que, historicamente, a Baía sofreu muitos assoreamentos por conta de aterros inclusive para construção de cidades do entorno e com isso o espelho d’água foi diminuindo ao longo das décadas. “O próprio Aterro do Flamengo, a Ilha do Fundão, o Aeroporto Santos Dumont”, citou alguns dos aterros realizados na região.

Instituto do Ambiente

De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a competência para fiscalizar o fundeio e tráfego de embarcações na Baía de Guanabara é da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, conforme definição da própria Marinha, que indica o órgão como “Organização Militar responsável pela segurança do tráfego aquaviário e subordinada ao Comando do 1º Distrito Naval”.

Em nota, o Inea informa que atua quando é acionado pela Marinha do Brasil para checar risco de acidente ambiental envolvendo uma embarcação na Baía de Guanabara.

O órgão ambiental estadual acrescentou que monitora regularmente a Baía de Guanabara, por meio do Programa Olho no Mar, com o objetivo de identificar e investigar o lançamento de substâncias nocivas no espelho d’água da baía.

Marinha

Apesar de a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro ser a responsável por fiscalizar e ordenar, regularmente, o tráfego aquaviário nas águas interiores e no litoral do Rio de Janeiro, a Marinha afirmou que cascos abandonados na Baía de Guanabara assim como embarcação que esteja ancorada ou atracada em porto ou estaleiro são de responsabilidade de seu proprietário, armador ou preposto, independentemente de seu estado de conservação.

A Marinha afirmou que pode interferir, caso uma embarcação ofereça perigo à navegação ou risco de poluição hídrica.

“A CPRJ providencia, com a brevidade adequada, a notificação do responsável para a adoção das medidas cabíveis. Ocorrendo situação em que o proprietário ou armador (ou seus prepostos) deixem de atender às determinações da Autoridade Marítima, esta poderá apreender a embarcação e iniciar seu processo de perdimento, providenciando um destino seguro para ela”, informou, destacando que a orientação segue o previsto no parágrafo 2º do art. 17 da Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (LESTA).

Edição: Lílian Beraldo

Fonte EBC

 

 

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10 áreas em alta no Brasil e cargos com mais oportunidades de emprego

Levantamento do Infojobs mostra alta demanda nas áreas de tecnologia, gestão de pessoas e administração em todos os níveis

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São Paulo, fevereiro de 2023 – Os ambientes humanizados e mais conectados com ferramentas e plataformas digitais nas empresas brasileiras já estão refletindo nas demandas do mercado de trabalho. Seguindo os passos do ano anterior, 2023 começou aquecido para as áreas de tecnologia, administração e gestão de pessoas, de acordo com levantamento exclusivo do Infojobs, HR Tech que desenvolve soluções de tecnologia para o RH das empresas.

 

“Quem busca recolocação profissional ou mudar de emprego pode encontrar as vagas em diferentes regiões do país, em todos os níveis hierárquicos através desse levantamento. Como estamos no começo do ano, ainda pode servir como base para entender as principais tendências profissionais e, quem sabe, avaliar novas possibilidades de carreira”, comentou Ana Paula Prado, CEO do Infojobs.

 

Áreas em alta demanda em Janeiro de 2023

  • Comercial

 

Líder em 2022 em relação a ofertas de vagas, com 50.713 oportunidades, as tendências seguem em alta para a área comercial. É possível se candidatar para funções desde operacionais até cargos de gerência.

 

  • Tecnologia da Informação

 

O setor de tecnologia está em alta há alguns anos, mostrando que as companhias estão sedentas por contratar bons profissionais do segmento. Há oportunidades para todos os níveis hierárquicos, de estagiário a consultor.

 

  • Administração

 

Administradores são necessários em todas as empresas. No entanto, as vagas exigem cada vez mais habilidades específicas para atender as necessidades do mercado atual.  Há ofertas para todos os cargos, de operacionais a supervisão.

 

  • Logística

Com demandas cada vez mais dinâmicas e a tecnologia como ferramenta para as equipes, a área logística é essencial para o funcionamento pleno de algumas empresas. Podem ser encontradas vagas para diferentes níveis profissionais, de operacional a encarregado.

 

  • Gastronomia e Alimentos

Profissionais do setor de alimentos e gastronomia também encontram mais oportunidades, principalmente porque o segmento está em retomada pós-pandemia. Estão disponíveis vagas para todos os níveis, de operacional a coordenador.

 

  • Indústria

O setor responsável pelo processo fabril e desenvolvimento de diversos produtos, está entre as áreas com maior número de vagas abertas atualmente. As ofertas disponíveis são destinadas a todos os níveis.

 

  • Construção Civil

Também devido à retomada, a construção civil apresenta crescimento no número de oportunidades e as empresas estão em busca de profissionais já no início do ano. Além de especialistas, também estão sendo buscados operacionais, auxiliares, consultores e estagiários.

 

  • Finanças

A área financeira está entre os principais setores em destaque, com tendência de crescimento até o fim do ano. Estão disponíveis vagas para todos os níveis.

  • Serviços Gerais

Profissionais de serviços gerais podem encontrar vagas em diferentes regiões do país. Os níveis buscados são: operacional, auxiliar, assistente, supervisor e encarregado.

 

  • Recursos Humanos

Com a busca por aprimoramento e estruturação de equipes de RH ainda mais especializadas em gestão de pessoas e aptas a utilizarem as novas tecnologias para o setor, as empresas procuram por profissionais competentes para continuar o desenvolvimento do trabalho com sucesso. Estão disponíveis vagas para todos os níveis.

 

Sobre o Infojobs 

Com mais de 35 milhões de visitas ao mês e 45 milhões de cadastros, o Infojobs é uma HR Tech que desenvolve soluções de tecnologia para o RH das empresas. Além da plataforma de oportunidades profissionais e busca de talentos, o Infojobs oferece, há 18 anos, soluções integradas de recrutamento com ferramentas avançadas e completas para gerir os processos seletivos das empresas, e facilitam aos candidatos a vantagem de cadastrarem seus currículos de forma gratuita, contemplando profissionais de todos os perfis. Recentemente, a empresa atingiu o número de mais de 120 mil vagas publicadas, garantindo um alto número de oportunidades de emprego.

 

MAIS INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

NR7 Full Cycle Agency

infojobs@nr7.ag

Renata Sanches

Noelle Neves

 

 

 

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Carnaval abre com System Safadown, Suvaco da Asa e Cafuçu do Cerrado

Depois de dois anos sem folia, o pré-Carnaval de Brasília começa nesta sexta-feira (3), com apresentações a partir das 18h

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Catarina Lima, da Agência Brasília I Edição: Débora Cronemberger

 

O Carnaval volta às ruas de Brasília depois de dois anos sem folia. Neste fim de semana, os blocos Suvaco da Asa, System Safadown e Cafuçu do Cerrado fazem o pré-Carnaval de Brasília. O System Safadown é quem vai abrir os festejos de Momo. O bloco se apresenta nesta sexta-feira (2), a partir das 18h, em um palco montado em frente ao Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), no Eixo Monumental.

O bloco System Safadown vai abrir o pré-Carnaval de Brasília nesta sexta-feira (3), a partir das 18h | Foto: Luian Valadão

Os foliões do bloco ouvirão muito rock dos anos 1970 e 1980. Esta será a terceira apresentação do System no Carnaval de Brasília. “Esse Carnaval significa a volta da cultura e esta trará a luz que estamos precisando”, avaliou Lucas Formiga, diretor dos blocos System Safadown e Cafuçu do Cerrado.

No sábado (3) pela manhã, será a vez do Suvaco da Asa se apresentar. O bloco desfilará com a banda Mundo Livre S/A, de Pernambuco, uma das fundadoras do Manguebeat. Pela manhã, a versão infantil do bloco, o Suvaquinho, sai às 9h30, também da frente do Eixo Cultural Ibero-Americano. Às 13h, será a vez do Suvaco adulto puxar os foliões.

O Suvaco da Asa, bloco criado há 18 anos, vai animar o sábado junto com a banda pernambucana Mundo Livre/SA | Foto: Nina Quintana

O bloco tem como referência o frevo, mas promete um carnaval multicultural, a exemplo da festa de Recife, na qual se inspira. “A nossa expectativa é a melhor possível. Estamos voltando depois de muita turbulência”, disse Pablo Feitosa, diretor do Suvaco da Asa. Fundado há 18 anos, o bloco desfilou em 16 carnavais desde a sua fundação. Só deixou de sair em 2021 e 2022 devido à pandemia de covid-19.

No domingo (5), será a vez da agremiação que se autointitula o “bloco mais deselegante da cidade”, o irreverente Cafuçu do Cerrado. Com o título A gente tá querendo vida boa!, em homenagem ao hit de outro expoente do manguebeat, a banda Eddie (PE), o Cafuçu começa seu baile no melhor estilo brega às 14h. No palco, revezamento de atrações: DJ Mica, DJs Bagasystem, Sereia Sem Pé e Orquestra Cafuçu. No encerramento, está previsto um grande show da banda Eddie, que convida a cantora pernambucana Karina Buhr.

Os três blocos são gratuitos e totalmente acessíveis a pessoas com deficiência. A estrutura dispõe de banheiros químicos (inclusive adaptados) e praça para compra de alimentos, bebidas e adereços carnavalescos. Os pré-carnavais oficiais do System Safadown, Suvaco da Asa e Cafuçu do Cerrado contam com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

Serviço

Blocos de Brasília celebram, no pré-carnaval, os 30 anos do movimento Manguebeat
Local: Eixo Cultural Ibero-Americano (antigo Complexo da Funarte), no Eixo Monumental
Quando: de sexta (3) a domingo (5)
Quanto: Grátis

Programação

Sexta-feira (3)
System Safadown – Da Lama ao Caos, a partir das 16h
→ DJ Formiga
→ DJ Telma e Selma
→ Mutante – Joana Duah canta Rita Lee. Convidada especial: Gaivota
→ Banda System Safadown. Convidados especiais: Daniela Firme, Gaivota e Rafael Cury.

Sábado (4)
Suvaco da Asa – É tempo de Festejar
→ Bloco infantil Suvaquinho, a partir das 9h30
→ Oficina Percussiva Vivendo e Batucando
→ Grupo Patubatê
→ Suvaco da Asa, a partir das 13h
→ DJ Laine D’Olinda
→ Bloco AVenCemos
→ Grupo cultural Batukenjé
→ Oficina Percussiva Vivendo e Batucando
→ Orquestra Marafreboi, a partir das 16h, com desfile do bloco pelo Eixo Monumental
→ Show da banda Mundo Livre S/A, às 18h
→ DJ La Ursa.

Domingo (5)
Cafuçu do Cerrado – A gente tá querendo vida boa!, a partir das 14h
→ DJ Mica
→ DJs Bagasystem
→ Sereia Sem Pé
→ Orquestra Cafuçu
→ Banda Eddie convida Karina Buhr (PE)

 

 

 

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Plenário da Câmara Legislativa faz minuto de silêncio por Glória Maria

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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O plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal respeitou um minuto de silêncio em memória da jornalista Glória Maria, falecida nesta quinta-feira (2). Durante a sessão ordinária, o deputado Chico Vigilante (PT) lembrou a trajetória da repórter, considerada um ícone da TV brasileira, que estava na Rede Globo desde 1971. “Não a conheci pessoalmente. Mas, ao receber a notícia de sua passagem, senti como se fosse alguém da família”, afirmou o parlamentar.

Vigilante destacou a importância de Glória Maria “por tudo o que ela representa para o jornalismo e para as mulheres pretas, bem como para o conjunto da população deste país. Por tudo o que ela foi”. A sugestão da homenagem foi acatada pelo presidente da Casa, deputado Wellington Luiz (MDB), que conduzia a sessão e afirmou: “Que Glória Maria possa descansar em paz”.

Marco Túlio Alencar – Agência CLDF

 

 

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SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010