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Princípios ESG aliados ao marketing beneficiam empresas

Saber usar bem os conceitos traz ganhos práticos e de reputação para as organizações

 

A inserção dos princípios ESG (meio ambiente, social e governança) no dia a dia tem desafiado as empresas no mundo todo. A grande questão é que colocar esses valores em prática não é fácil. Eles envolvem um redirecionamento no modelo de negócio das organizações, implantando atividades de sustentabilidade nos três eixos que realmente criem impactos que possam ser comprovados e medidos.

“Nessa hora, o marketing traz ferramentas que permitem a ativação dos princípios ESG por meio do branding social”, explica a especialista, pesquisadora e professora de Marketing da UFPR Shirlei Camargo. Mas afinal, como esses conceitos podem se relacionar?

Uma das maneiras de ativar essa parceria é desenvolver o marketing no direcionamento certo. “Uma das questões que deve ser desmistificada é a que alia os princípios ESG à caridade. Na verdade, é estratégico para a empresa investir e comunicar corretamente as ações baseadas nesses critérios”, afirma.

Para a especialista, as gerações atuais estão mais atentas ao posicionamento das empresas. “A geração Z tem um ‘chip’ diferente e está muito preocupada com o que vai ocorrer com a humanidade. E eles realmente cobram as organizações, com a mobilização dos consumidores”, ressalta.

Nesse caminho, o greenwashing é um risco que as empresas podem correr, ao fazer propaganda de que é sustentável ou social, quando na verdade realizam somente pequenas ações de caridade – seria o socialwashing, aponta Shirlei. Por exemplo, existem empresas que lucram bilhões, mas destinam a projetos sociais menos de 50 mil reais e ainda alardeiam que estão mudando o mundo! “Mas há marcas que realmente estão investindo de forma correta no ESG, e isso aumenta o valor da marca (branding equity) pois ela vai ser bem vista pelos consumidores”, destaca, alertando que são mais valorizadas as marcas que realmente estão focadas no ESG. Tanto é que a Interbrand – empresa que avalia as marcas e divulga um relatório anual com as marcas mais valiosas do mundo – inseriu pela primeira vez métricas de ESG na sua metodologia.

“E, aqui no Brasil, as cinco primeiras colocadas no ranking da Interbrand são aquelas que mais investem no capital social. Elas estão na Bolsa de Valores e têm implementado políticas de sustentabilidade. E se elas estão bem ranqueadas, é porque fazem um investimento forte”. Certamente não é uma coincidência, analisa.

ESG exige conexão com negócios da empresa

Claudia Coser, CEO e fundadora da plataforma Nobis, startup de soluções ESG 4.0 para empresas, fundada em 2018, lembra que existem lacunas para o impacto real do ESG. A plataforma integra soluções integradas para investimento social privado, com monitoramento e rastreabilidade para materialidade de impacto em empresas como BASF, Cargill, dentre outras. Também integra organizações do terceiro setor de todo o Brasil para desempenhar impacto a partir da qualificação e geração de renda, pela presença digital. Todos os projetos articulam resultados para comunidades e demais stakeholders numa lógica escalável de desenvolvimento sustentável local.

“As empresas são as principais interessadas em fazer com que essas transformações na sociedade, a partir da qualificação e de geração de renda, aconteçam via presença digital. Esse é um nicho de expertise fundamental a ser acelerado e conectado com os princípios ESG”, diz.

A partir da sua atuação, a empresária avalia que a implementação dos princípios ESG se encontra diversificada na sociedade. “O termo já era discutido há mais de uma década, mas foi com a pandemia que os impulsos do ESG foram acentuados”, destaca.

A alavancagem foi promovida também a partir de fundos econômicos e organizações internacionais para que aderissem ao ESG. Isso se materializou, por exemplo, com o BNDES, que adota linhas de crédito com taxas especiais para empresas que assumem compromissos nessa agenda. “Isso fica muito atrativo para as empresas”, avalia.

Um terceiro ponto, e provavelmente o de maior força a médio e longo prazo, diz respeito às mudanças no comportamento do consumo. “Muitas pessoas talvez não saibam exatamente o que a sigla ESG significa, mas, com certeza, desejam um planeta melhor para viver. As pessoas também desejam sociedades mais justas, com menos desigualdades sociais, e isso vai influenciar as decisões de compra”, salienta.

De um modo geral, no quesito ambiental da sigla ESG, as empresas ainda estão na fase “cumpridora de requisitos legais”, mas são necessários passos mais importantes na direção da Economia Regenerativa e Circular. “Trata-se de mudanças nas operações, materiais, ampliação do ciclo de utilização dentre outros aspectos que mudam o jeito de produzir e de consumir”, avalia.

Quanto ao social, ela considera que as ações reportadas pela maioria das empresas ainda são muito mais assistencialistas e descoladas dos negócios, do que comprometidas com a transformação de realidades. O “S” do ESG é diferente do social que as empresas estão acostumadas a desempenhar, tanto nas dimensões internas quanto nas externas. “Prova de que as empresas precisam avançar na dimensão social está relacionada ao fato de que o investimento social privado, na maioria das empresas não passa de 0,5% sobre o lucro operacional bruto, bem como não passa de 2% entre as empresas bem ranqueadas.” destaca Claudia Coser.

No que se refere à governança, que envolve GRC (Governança, Risco e Compliance) é preciso atentar para requisitos que transcendam à conformidade legal, e expandir para relações de confiança entre os públicos internos e externos à empresa. “Em vez de assumir ou negligenciar riscos, as empresas precisam se antecipar e ter estratégias para mitigação de riscos”, finaliza.

Sobre a Professora Shirlei Camargo – Reconhecida pela excelência acadêmica e atuação no mercado profissional, a Professora Shirlei Camargo conta com habilidades que a diferenciam ao aliar conhecimentos da ciência do marketing e empreendedorismo. É mestre e doutora em Marketing pela UFPR, com formação em Design e especialização na FAE Business School. Também atua como palestrante e consultora, estabelecendo pontes entre as mais diversas abordagens para o mercado consumidor. Atualmente, ministra aulas junto aos cursos de Administração e Ciências Contábeis da UFPR, faz mestrado em Neuromarketing na Escuela Superior de Comunicación y Marketing (ESCO), da Espanha, e foi professora do Centro Universitário Internacional (Uninter). Publica artigos científicos e para imprensa e, entre seus trabalhos acadêmicos, foi premiado pela Emerald Literati Awards de 2019. É coautora dos livros “Introdução ao Neuromarketing: desvendando o cérebro do consumidor”, “O cidadão é rei!: marketing e atendimento em serviços públicos” e “Varejo Digital 5.0”, ambos de 2022. Já passou por empresas como grupo Boticário (previsão de vendas) e Record Internacional (ministrando treinamentos).

 

 

 

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Projeto prevê aplicação de multa à distribuidora de energia elétrica em caso de falha no fornecimento

EM TRAMITAÇÃO

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Foto: Reprodução/Web

Valor deverá ser compensado como crédito na fatura do usuário. A ideia é ressarcir os consumidores pelos prejuízos, além de estimular investimentos nas redes elétricas

O líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado distrital Robério Negreiros (PSD), apresentou um projeto de lei (PL 927/24) com o objetivo de determinar a aplicação de multa à concessionária de energia elétrica quando houver falha no fornecimento do serviço. A ideia é que sejam criados mecanismos para ressarcir os consumidores por ocasionais prejuízos, bem como estimular investimentos nas redes elétricas e, assim, melhorar a qualidade do serviço prestado.

O valor referente à multa indenizatória, de acordo com a proposta, deverá ser compensado como crédito na fatura de consumo do usuário. A multa será fixada no equivalente a cinco vezes a média do consumo, considerado o intervalo de tempo em que ocorrer falha no fornecimento de energia, e terá como base de cálculo o consumo dos últimos seis meses.

Defesa do consumidor

A proposta foi apresentada após recentes apagões que deixaram centenas de moradores sem luz em algumas regiões administrativas do DF. Para o distrital, esse tipo de situação impede, inclusive, o funcionamento de estabelecimentos e dificulta a expansão dos negócios para que as necessidades da população sejam atendidas.

 

 

Segundo o autor do projeto, por diversas razões as distribuidoras ainda alegam que a queima de itens eletroeletrônicos não é de sua responsabilidade e que os usuários não comprovam que os estragos são consequência das oscilações.“Todos sabem que a falta de energia pode danificar aparelhos eletrônicos, causando prejuízos aos consumidores, e é necessário estabelecer mecanismos para ressarcir tais danos”, defende Robério.

Por esse motivo, a proposta, afirma o parlamentar, tem como intuito garantir direitos e proteger o consumidor do DF. “O fornecimento de energia elétrica é um caso claro de relação de consumo, onde o consumidor é parte extremamente hipossuficiente, razão pela qual seus direitos devem ter tratamento diferenciado”, justifica o distrital.

* Com informações da assessoria de imprensa do deputado Robério Negreiros

Agência CLDF

 

 

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Recintos do Zoológico de Brasília são reformados para bem-estar dos animais

Estão em obras os espaços destinados a micos, onças, ariranhas e cervídeos. No caso do micário, ampliação está sendo feita para abrigar dois novos bichos que chegaram ao Zoo

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Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

 

Em breve, alguns espaços do Zoológico de Brasília estarão de cara nova. Os recintos dos micos, das onças, das ariranhas e dos cervídeos estão em obras para garantir ambientes mais confortáveis para os animais. As intervenções incluem benfeitorias, como pintura, e ampliação, com a criação de novas áreas. Para realizar os trabalhos estão sendo utilizados recursos do Governo do Distrito Federal (GDF) e de emenda parlamentar, num total superior a R$ 1 milhão.

O micário ganhou dois novos recintos que receberão um mico-leão-dourado e um mico-leão-da-cara-dourada | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília

A grande novidade é a extensão do micário. O espaço ganhou dois novos recintos que serão usados para abrigar dois animais que chegaram ao Zoo vindos de outros estados: um mico-leão-dourado e um mico-leão-da-cara-dourada. O primeiro já está integrado no plantel antigo, enquanto o outro segue no Hospital Veterinário aguardando a liberação para a exposição.

“Precisamos ampliar os espaços adequando às novas normas e algumas exigências que precisamos cumprir. Tem mais ou menos 15 anos que não se tinha entrega aqui no Zoológico”, revela o diretor-presidente da Fundação Jardim Zoológico de Brasília (FJZB), Wallison Couto.

O recinto das onças-pintadas, que já havia passado por intervenções com o aumento da grade e a instalação da cerca elétrica, agora terá outras melhorias. Além de uma nova pintura interna, o espaço voltará a ter uma área com água para os animais poderem nadar. “Tem um tempo já que a parte de água das onças não está funcionando. Vamos revitalizar para que possa voltar a funcionar novamente. Também vamos fazer uma cascata para o bem-estar dos animais”, adianta.

O espaço dedicado aos cervídeos vai ser equipado com um tanque de 24 metros quadrados

As obras se estendem, ainda, para o recinto das ariranhas, onde foi feita a pintura, a reforma do tanque e a recuperação de toda a área, e para o espaço dos cervídeos, onde fica o cervo-do-pantanal, com adaptação para a implantação de um tanque de 24 metros quadrados.

“Todas essas reformas, melhorias e construções foram pensadas para melhorar o ambiente interno dos animais. Temos um planejamento para os próximos cinco anos. O nosso trabalho aqui é de preservação e conservação ambiental. Criamos um cenário para que os animais se sintam bem”, esclarece o diretor-presidente.

Aprovação do público

A analista de sistemas Josiane da Cruz, 31 anos, passou a manhã com as filhas, as gêmeas Helena e Catarina, 3, no Zoológico. Esse é um passeio que a família adora. Ela se mostrou animada com as reformas no espaço. “Sem dúvida vai ser mais agregadora para o Zoológico e para as pessoas que estão vindo aqui fazer uma visita”, define.

Enyo Guimarães elogia as melhorias no espaço das onças-pintadas: “Vai ser mais agradável ver o animal mais confortável”

Para Josiane, o local é uma ótima opção de lazer e de contato com a natureza. “É um excelente lugar para trazer as crianças. Percebemos muitas melhorias. O Zoológico está bem limpinho e legal para passearmos com as crianças”, acrescenta.

O empresário Enyo Guimarães, 35, foi até o Zoo para fazer turismo e se surpreendeu com o espaço. Ele elogiou a iniciativa da FJZB de reestruturar os recintos. “Acredito que a reforma vai ser boa, porque sabemos que as onças gostam de contato com a água. Até para evitar que o animal fique estressado é importante”, diz. “E para nós, como visitantes, vai ser mais agradável ver o animal mais confortável”, analisa.

A empresária Romy do Socorro, 47, veio do Maranhão para conhecer o Zoológico. Essa foi a primeira experiência dela num espaço deste tipo. “Fiquei apaixonada, me encantei”, afirma. Sobre as obras, ela destacou: “Toda benfeitoria é bem-vinda, a população agradece. Quem ganha somos nós”.

 

 

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Força-tarefa define medidas para fortalecer acolhimento familiar

Recomendações foram publicadas hoje no Diário Oficial

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reuniu várias instituições, como ministérios e colegiados de assistência social, em uma força-tarefa para garantir o direito de convivência familiar a crianças, adolescentes e jovens mesmo durante medida protetiva de acolhimento. Uma recomendação conjunta foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (23), com objetivos e orientações.

O texto orienta que União, estados, Distrito Federal, municípios, Poder Judiciário e o Ministério Público trabalhem em regime de colaboração com a sociedade civil, para atingir objetivos como a implementação e a ampliação dos Serviços de Acolhimento em Família Acolhedora do Sistema Único de Assistência Social, por exemplo. Também recomenda um esforço para promover a transição da modalidade de acolhimento institucional para acolhimento familiar.

O principal objetivo é permitir que crianças e adolescentes afastados da família de origem por qualquer razão, possam aguardar uma solução em ambiente familiar, por meio de adoção temporária, por exemplo. Esse formato daria lugar à permanência do menor de 18 anos em instituições, até que ele possa ser reinserido na família ou que seja adotado de forma permanente.

As recomendações incluem a meta de garantir o acolhimento em ambiente familiar de, pelo menos, 25% da demanda do país até 2027.

O documento indica estratégias para atingir os objetivos estabelecidos, como o financiamento por diferentes frentes para ampliação do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, bem como o direcionamento dos recursos disponíveis preferencialmente para essa modalidade.

A estruturação, oferta e qualificação de formação inicial e de educação permanente para os atores envolvidos na transição, também são medidas previstas para alcançar metas e objetivos.

Mais do que recomendações, o documento é também um compromisso das instituições participantes de concentrar esforços em medidas que possibilitem a transição, como o estudo da situação de cada caso, a elaboração e implementação do Plano Individual de Atendimento (PIA), de forma intersetorial e o envio de relatórios trimestrais para o Poder Judiciário, pelo Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, por exemplo.

Além do CNJ, assinam o documento ministros e presidentes do Conselho Nacional do Ministério Público, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Ministério do Planejamento e Orçamento, Conselho Nacional de Assistência Social, Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente.

Edição: Graça Adjuto

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