Reportagens

Sala Cássia Eller será inclusiva e acessível

Após reforma, espaço recebe recursos para acessibilidade total

 

Agência Brasília* | Edição: Saulo Moreno

 

Um dos espaços mais emblemáticos do Distrito Federal vai reabrir suas portas ao público com uma destinação inédita. A Sala Cássia Eller, que compõe o Eixo Cultural Ibero-americano, está pronta para se transformar no primeiro espaço brasileiro totalmente destinado a pessoas com deficiência (PcD), no palco e na plateia.

“A sala viveu anos de abandono, numa situação inaceitável: um espaço cultural no centro da cidade, que estava servindo de depósito de velharias. Agora, vai ter um destino à altura e provar que o artista PcD tem muito o que mostrar para enriquecer a cultura do DF”Bartolomeu Rodrigues, secretário de Cultura e Economia Criativa

“Este é um sonho que se torna realidade, atendendo a uma demanda reprimida de artistas e público nessa condição”, afirma o secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues. “A sala viveu anos de abandono, numa situação inaceitável: um espaço cultural no centro da cidade, que estava servindo de depósito de velharias. Agora, vai ter um destino à altura e provar que o artista PcD tem muito o que mostrar para enriquecer a cultura do DF”.

A partir de agora, a organização da sociedade civil (OSC) Associação Dançart’Especial, selecionada por meio de chamamento público, disporá de recursos no valor de R$ 3 milhões para atuar em duas frentes: primeiro, adequando as condições físicas do espaço para receber plenamente as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; e, segundo, na gestão compartilhada com a Secec, para receber espetáculos que tenham como foco os PcDs, tanto na criação quanto na fruição cultural. O intuito é de que, assim, a Sala Cássia Eller se transforme em um polo de cultura acessível a todos.

Depois de anos de abandono, a Sala Cássia Eller vai reabrir com o intuito de se transformar em um polo de cultura acessível a todos | Foto: Barbara Bergamaschi / Secec

A previsão de reabertura do espaço é já para os próximos meses e segue em consonância com o Decreto de Acessibilidade Cultural, publicado em outubro pelo Governo do Distrito Federal, que prevê ações para garantir a integração de PcDs no fazer cultural. Além disso, as ações de acessibilidade respeitarão as orientações dos órgãos responsáveis pelo patrimônio cultural do DF. “Uma das prioridades da Superintendência do Patrimônio Cultural da Secec é que a proposta permita o equilíbrio entre acessibilidade e tombamento”, explicou a diretora de Preservação da pasta, Aline Ferrari.

Reforma

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa investiu o montante de R$ 493,5 mil nos serviços de manutenção corretiva e adequação da Sala Cássia Eller, que contou com reparos em infiltrações, retirada de carpete, revestimento de piso emborrachado, inclusão de rampa de acesso ao palco, pintura das paredes e teto, completa revisão do sistema elétrico e de ar-condicionado, além de reforma dos banheiros, um deles atendendo completamente às normas de acessibilidade universal.

“A reforma fomenta a cultura a partir do momento em que o espaço será voltado para uma série de manifestações artísticas com foco na pessoa com deficiência, sendo ela de natureza física, mental, intelectual ou sensorial”Sônia Maria Ramalho da Silva, diretora da Dançart’Especial

Agora, com a assinatura do termo de colaboração, a OSC está apta a desenvolver as atividades previstas no plano de trabalho aprovado pela Secec, que incluem implementação da acessibilidade física, comunicacional e atitudinal, além da experiência acessível no local. O fim desta nova etapa está previsto para ocorrer ainda no primeiro semestre de 2023, incluindo implantação de espaço específico para pessoas em cadeira de rodas e cão-guia, assentos para pessoas com mobilidade reduzida e obesas, além de sinalização completa para cegos, com aplicação de piso tátil.

A OSC selecionada possui vasta experiência no desenvolvimento cognitivo, capacitação e produção de festivais com pessoas com deficiência. Assim, uma das primeiras providências da associação foi a contratação de uma consultora de inclusão, a cadeirante Daniela Louvores, que já atua na área de emprego e renda da pessoa com deficiência, juntamente com outros profissionais PcDs que serão contratados para a execução do projeto.

“Desde a elaboração da proposta até a acessibilidade arquitetônica da sala e as demais tecnologias assistivas, priorizamos o protagonismo das pessoas com deficiência”, afirmou a diretora da Dançart’Especial, Sônia Maria Ramalho da Silva. “A reforma fomenta a cultura a partir do momento em que o espaço será voltado para uma série de manifestações artísticas com foco na pessoa com deficiência, sendo ela de natureza física, mental, intelectual ou sensorial”, completou.

A parceria também prevê capacitação e profissionalização voltadas às pessoas com deficiência, com oficinas de artes e música, curso de libras e workshop de audiodescrição, entre outros serviços destinados a garantir a integração de PcDs no fazer cultural, assegurando mecanismos de incentivo e ampliação da produção e do acesso a projetos inclusivos.

História

Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a sala foi inaugurada em 1977 como Sala Funarte. Com 214 lugares, foi renomeada em 2001, em homenagem à cantora Cássia Eller, reconhecida internacionalmente por sua carreira como cantora e multi-instrumentista, figura de grande importância histórica no âmbito da música brasileira. Personagens marcantes do DF e do Brasil já passaram pelo palco do espaço, como Plebe Rude, Artimanha, Gilvan Chaves, Liga Tripa, Renato Matos e, claro, a própria Cássia Eller.

*Com informações da Secec

 

 

 

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Reportagens

Circo, música e exposições movimentam a agenda cultural do DF no fim de semana

Programação inclui festival de circo no Espaço Renato Russo, encontro de violeiras na Candangolândia e espetáculos de teatro com entrada gratuita

Publicado

em

Por

 

Por

Carlos Eduardo Bafutto, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

 

A agenda cultural do Distrito Federal reúne eventos desta quinta (5) até a próxima quarta-feira (11), com atrações gratuitas em diferentes regiões administrativas. A programação inclui o Arranha-Céu — Festival de Circo Atual, no Espaço Cultural Renato Russo, o festival Viola em Canto’s de Mulher, na Candangolândia, e a estreia do espetáculo A Doutora e o Psiconauta, além de exposições e atividades formativas abertas ao público.

Exposição

No Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, o público pode conferir a exposição Escola em Casa: Sentimentos Presenciais, da fotógrafa Zélú, em cartaz até o dia 13 deste mês, no mezanino do local. O trabalho reúne registros feitos entre 2020 e 2025 em escolas e universidades públicas das cinco regiões do país, e investiga as transformações vividas pela educação brasileira durante e após a pandemia de covid-19. O projeto inclui ainda o lançamento do livro homônimo, com 80 fotografias, e uma conversa com a historiadora e arte-educadora Bruna Paz, no último dia da mostra.

♦ Mostra Escola em Casa: Sentimentos Presenciais
→ Visitação: segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 20h
→ Local: Mezanino do Espaço Cultural Renato Russo – CRS 508, W3 Sul, Bloco A, Loja 72
→ Lançamento do livro e palestra: dia 13, das 19h às 21h.

Circo

Festival Arranha-Céu tem várias atrações para o público, até domingo, no Espaço Cultural Renato Russo e na Cia Miragem | Foto: Divulgação/Lorena Zschabe

Também no Espaço Cultural Renato Russo, outra atração promete sucesso: o Arranha-Céu — Festival de Circo Atual, em cartaz até domingo (8). A iniciativa reúne espetáculos solo, sessão de cinema e atividades formativas que aproximam o público do universo circense. Entre as atrações estão a montagem de Faminta, da atriz e circense Natasha Jascalevich, além de apresentações que exploram diferentes linguagens do circo contemporâneo.

 

♦ Arranha-Céu — Festival de Circo Atual
→ Data: até domingo
→ Locais: Espaço Cultural Renato Russo – CRS 508, W3 Sul, Bloco A, Loja 72; e Cia Miragem – Rua 1, Lote 23, Vila Telebrasília
→ Ingressos e inscrições: site do coletivo Instrumento de Ver.

Violeiras

Entre esta sexta-feira e domingo, a Praça dos Estados, na entrada da Candangolândia, recebe a oitava edição do festival Viola em Canto’s de Mulher. O encontro reúne apresentações musicais, oficinas, rodas de bate-papo, feira de artesanato e gastronomia típica. A programação destaca artistas de diferentes regiões do país e integra as celebrações do Dia Internacional da Mulher.

♦ Viola em Canto’s de Mulher
→ Data: desta sexta a domingo Local: Praça dos Estados – entrada da Candangolândia (DF)
→ Entrada gratuita. Classificação livre.

Nos palcos

A Doutora e o Psiconauta, peça inspirada no trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, aborda a importância da arteterapia nos cuidados com a saúde mental | Foto: Divulgação

O teatro também entra na agenda cultural da semana. No sábado, o espetáculo A Doutora e o Psiconauta abre temporada no Teatro Brasília Shopping. Inspirada na trajetória da psiquiatra Nise da Silveira, a montagem integra o projeto Arte em Engenho e propõe uma reflexão sobre a arteterapia e o papel da criatividade no cuidado em saúde mental.

♦ Espetáculo A Doutora e o Psiconauta
→ Data: sábado, às 20h
→ Local: Teatro Brasília Shopping
→ Entrada franca.

Festival Dulcina

Além da programação voltada ao público, a semana traz uma oportunidade para artistas e grupos de teatro da região.

O Festival Dulcina abriu inscrições para a seleção oficial de espetáculos do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento (Ride-DF). A convocatória recebe inscrições até o dia 16, e os trabalhos selecionados integrarão a programação da quarta edição do evento, prevista para maio.

♦ Festival Dulcina – Convocatória DF
→ Inscrições gratuitas até o dia 16 deste mês, neste link. O festival vai de 14 a 23 de maio, no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga.

Continue Lendo

Reportagens

Incra inclui 1,6 mil famílias do MA em Programa da Reforma Agrária

Beneficiários ocupam cinco territórios quilombolas no estado

Publicado

em

Por

Agência Brasil

 

Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) incluiu 1,6 mil famílias de comunidades quilombolas do Maranhão no Programa Nacional de Reforma Agrária.

decisão está publicada na edição desta sexta-feira (6) do Diário Oficial da União

A medida autoriza o processo de seleção das famílias por meio da Plataforma de Governança Territorial. Por meio da página, ocupantes de assentamentos e de áreas rurais da União passíveis de regularização podem solicitar a titulação pela internet, sem a necessidade de ir a uma unidade do Incra.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Territórios quilombolas

O Decreto nº 4.887/2003 determina que o Incra é a autarquia competente, na esfera federal, pela titulação dos territórios quilombolas.

Como parte de uma reparação histórica, a política de regularização fundiária de Territórios Quilombolas tem a finalidade de proporcionar vida digna e a continuidade desses grupos étnicos.

Veja a lista das comunidades beneficiadas:

Comunidade Município Número de Famílias
Bonsucesso Mata Roma 1195
Cipoal dos Pretos Codó 32
Mata Virgem Codó 20
Rampa/Alto Alegre/Piqui Vargem Grande 286
Vila Nova Ilha do Cajual Alcântara 79

 

Continue Lendo

Reportagens

CLDF vira passarela para celebrar superação de mulheres vítimas de violência

Desfile “Tecidas de Histórias” apresenta, nesta sexta (6), às 17h, na Galeria Espelho d’Água, “modelos” assistidas pelos comitês de proteção à mulher do GDF

Publicado

em

Por

 

Foto: Mariana Guedes / Divulgação

 

Convidadas especiais ocuparão a passarela, com a intenção de destacar “trajetórias marcadas por coragem e reconstrução”

A Galeria Espelho d’Água da Câmara Legislativa se transformará em passarela. Às 17h desta sexta-feira (6), desfilarão, no local, “modelos” assistidas pelos comitês de proteção à mulher, em grande parte vítimas de violência. O evento, que tem apoio do gabinete da deputada Doutora Jane (MDB), quer celebrar “superação, autoestima e autonomia” e faz parte da programação do Março Mais Mulher, organizado pela Secretaria da Mulher do Distrito Federal.

Intitulado “Tecidas de Histórias”, será “mais que um evento de moda”, segundo o órgão do Governo do Distrito Federal (GDF). Na ocasião, além de mulheres acompanhadas pela pasta, convidadas especiais ocuparão a passarela, “consolidando-se como uma ação estratégica de protagonismo feminino”. A ideia é destacar “trajetórias marcadas por coragem e reconstrução”.

O desfile contará com coleções assinadas pelo estilista Fernando Cardoso e pela Estilosa Boutique, responsáveis pela construção estética e conceitual do evento, que pretende enfatizar “a força e a história” de mulheres atendidas pelos comitês de proteção à mulher.

Política pública recente, o objetivo dos comitês é ampliar a rede de acolhimento e fortalecer a busca ativa de vítimas de violência. A proposta é levar informação, escuta qualificada e orientação com a finalidade de devolver autoestima, visibilidade e dignidade. O atendimento é realizado na própria região onde as mulheres vivem, facilitando, por exemplo, o acesso àquelas que têm medo ou receio de procurar a polícia.

 

 

Agência CLDF

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010