Artigos
JOÃO PAULO BARBOSA
VIAJANTE DAS FLORESTAS, GELEIRAS, MARES E VULCÕES.
EXPEDIÇÕES CIENTÍFICAS
Em entrevista exclusiva à FMA, João Paulo Barbosa fala sobre suas expedições e a consequência da ação humana na mudança climática
Por Márcia Turcato – texto e entrevista.
João Paulo Barbosa – fotos.
Ele é cidadão do mundo. Mas seus documentos dizem que é brasiliense, apesar de ter nascido em Curitiba. O diploma universitário, da UnB, entrega que é bacharel em História. Mas ele combina o conhecimento acadêmico com atividades de fotografia, escalada, navegação, organizador de expedições antárticas e também para qualquer outro canto do planeta onde a curiosidade possa provocá-lo. O dono desse perfil é João Paulo Barbosa, 49 anos de idade, filho do químico Antônio e da advogada Joy, tem três irmãos, casado com a professora Aline Bacelar, pai do pré-adolescente Ian, e atualmente tendo a cidade de São Paulo como referência de endereço.

João Paulo Barbosa em águas da Antártica
QUEM É JOÃO PAULO BARBOSA
João Paulo atuou como pesquisador convidado da Faculdade de Educação da UnB e foi curador do Museu Virtual de Ciência e Tecnologia. Desde 1999, promove cursos, palestras e expedições ao redor do mundo. Seu trabalho foi premiado, exibido e publicado em cerca de 50 países e reconhecido pela National Geographic Society (EUA, Alemanha e Itália), Smithsonian Institution (EUA), Bruckmann (Alemanha), Banff Centre (Canadá), CICI (Coreia do Sul), The Guardian (Inglaterra), Glénat (França), Patagon Journal (Chile) e ICMBio, WWF e Greenpeace no Brasil, entre outros.

JOÃO PAULO, O FOTÓGRAFO AVENTUREIRO
Suas fotos fazem parte de coleções particulares e de acervos como o National Museum of the American Indian, em Washington DC, Museu de Fotografia de Fortaleza (Ceará), Instituto Moreira Salles, Itamaraty e Memorial dos Povos Indígenas. A partir de 2011, João Paulo começou a fazer viagens rotineiras à Antártica e atualmente está dedicado à documentação fotográfica e histórica das zonas frias do planeta para registrar as alterações provocadas pela ação humana. Tem 10 livros publicados. O último é ‘Caminhos Imprevisíveis’, edição limitada, onde ele diz “se eu tivesse que ter apenas um livro, teria um Atlas”.

Pico da Neblina (Yaripo – montanha do vento) está localizado na Amazônia e é a montanha mais alta do Brasil. Sua altitude é de 2.993,78 metros. A região do Parque Nacional do Pico da Neblina faz divisa com a Colômbia e a Venezuela e é uma das maiores áreas de preservação natural da América do Sul. Foto: João Paulo Barbosa
DO CERRADO AO PICO DA NEBLINA
Conheci João Paulo há cerca de 30 anos. Estávamos no mesmo grupo que fazia uma trilha de Jeep pelo Cerrado. Ele ainda era estudante de História e desde já apaixonado pela Antártica, onde eu já estivera para escrever ampla reportagem para a revista Isto É, e este foi nosso laço em comum. Depois estivemos juntos em algumas competições ‘off road’ e numa viagem de turismo de aventura no Amapá. Depois disso perdemos o contato porque João Paulo não parou mais de viajar. E se fosse possível percorrer a galáxia, com certeza ele já teria feito. Por tudo isso, foi um enorme prazer reencontrá-lo e fazer essa entrevista para que os leitores da Folha do Meio Ambiente possam conhecê-lo e também o lindo trabalho que realiza. Vale lembrar que João já foi colaborador da Folha do Meio, onde escreveu sobre sua primeira expedição ao Pico da Neblina, ou Yaripo (montanha do vento), na área Yanomami, na década de 90.
João Paulo Barbosa – ENTREVISTA
FMA- Qual o principal foco das suas viagens?
João Paulo- Boa questão. Faço viagens e faço expedições. As expedições envolvem muita logística, equipamentos e pessoas, também tomam mais tempo de preparação e organização. Mas, o que não é uma expedição, passa a ser viagem. Varia muito o meu foco, às vezes eu estou participando de um projeto para fazer um livro ou uma exposição fotográfica. Às vezes eu viajo só para fazer uma escalada, como aconteceu recentemente no Paquistão. Mas preciso destacar que a viagem para o Paquistão também envolveu a relação com o clima, porque estou dedicado a um projeto sobre o gelo. É um projeto de quatro anos, estou fotografando o gelo ao redor do mundo e os glaciares do Paquistão fazem parte disto. Também faço viagens com cunho social porque trabalho para algumas organizações não governamentais, principalmente inglesas, para fazer reportagens. Já participei de expedições científicas, como o projeto Darwin, programas antárticos do Brasil e também do Chile, além de projetos com universidades. É bem variado meu leque de temas mas todos eles têm viagens.

João Paulo Barbosa faz um projeto de quatro anos fotografando o gelo ao redor do mundo, como nas altas montanhas do Paquistão
FMA- Como é esse projeto sobre o gelo no mundo?
JP- O ‘N’Ice Planet’ consiste na realização, ao longo de quatro anos, de expedições ao redor do mundo para documentar zonas frias e divulgar as principais questões relativas ao gelo, como os dilemas populacionais, as migrações por conta de mudanças climáticas e o risco de extinção dos povos árticos. Também mostro ativistas ambientais que trazem mensagens importantes, que fazem alertas sobre os riscos que o planeta experimenta, relato conversas com cientistas e mostro trabalhos de geoengenharia que eles desenvolvem, e também procuro documentar o que está sendo feito para mitigar os efeitos do aquecimento global e consequente derretimento do gelo. É um projeto inédito e relevante por sua proposta abrangente e popular. Os conteúdos produzidos serão divulgados regularmente em redes sociais e diversas mídias com o objetivo de instigar o público a refletir, discutir, indagar e atuar por soluções junto aos governantes.

Céu, lua e geleiras: o planeta Terra em movimento de beleza única.
FMA- Como é a urbanização nas montanhas geladas? Hoje existem até hotéis, não é?
JP – Sim, é verdade. Aí está a importância do projeto, pois documentar a urbanização das mais altas montanhas geladas do planeta é dos mais tristes temas que compõem a minha pesquisa sobre o gelo no Antropoceno. Este termo foi empregado pelo químico holandês Paul Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel de química de 1995, para designar uma nova época geológica caracterizada pelo impacto do homem na Terra. Será que logo mais haverá um hotel sofisticado na montanha K2 – também chamada Qogir Feng, o Himalaia – a exemplo do que já acontece no Aconcágua e no Everest? O ‘black carbon’ (concentração de fuligem na atmosfera) acelera o derretimento das geleiras. Foram trinta mil refugiados do clima na região do Himalaia apenas no último Verão.
FMA- Qual foi a sua primeira grande viagem?
JP- A primeira grande viagem foi o nascimento, a segunda grande viagem foi minha adoção, quando tinha um ano e meio, em Curitiba, e vim com meus pais para Brasília. Me considero brasiliense. A terceira grande viagem foram os sete meses que vivi na França, pois fui acompanhar minha família, durante o pós-doutorado do pai em Paris. Depois disso vieram inúmeras viagens, todas também importantes e inesquecíveis.
FMA- Quais as melhores viagens e qual a sua região preferida?
JP- Existem muitas melhores viagens. Inclusive a da imaginação, que é viajar quietinho. A viagem à Ásia, que comento em meu último livro (Caminhos Imprevisíveis, Editora Caseira e Ateliê Casa das Ideias), foi entre 2007 e 2008. Fiz uma viagem de 480 dias que foi muito importante pra mim, quando vi o Himalaia pela primeira vez e fiquei alguns meses na região. Mas eu gosto muito do deserto do Atacama, gostei muito das duas expedições que fiz ao Pico da Neblina, no Amazonas, em área Yanomami, que chamamos de Yaripo, que significa montanha do vento. A Patagônia, principalmente os fiordes da Terra do Fogo, que são lugares em que eu frequento de veleiro, é um lugar lindíssimo. E claro, meu lugar preferido é a Antártica, a Península Antártica e a costa oeste da península, que acho muito especial.

Lugar preferido de João Paulo: a Patagônia, principalmente os fiordes da Terra do Fogo. Na foto, uma colônia de pinguins
FMA- Quantas vezes você esteve na Antártica?
JP- Neste mês de fevereiro de 2023 eu vou participar da minha sexta expedição antártica e será minha sétima embarcado no veleiro Kotik. O veleiro é o Kotik, de 40 toneladas, 60 pés, cinco camarotes e espaço para 10 tripulantes.

O deserto de Atacama, no norte do Chile, tem mais de 100 mil quilômetros quadrados. A maior parte é composta por terreno pedregoso, lago de sal e areia, visto pela lente de João Paulo Barbosa
FMA – Qual a melhor experiência que você experimentou?
JP- Quando eu tinha 18 anos de idade e estava no norte do Canadá, em Quebec, e vi a aurora boreal, foi uma experiência fantástica, eu estava acampado com seis amigos. A aurora boreal durou horas, muito colorida, foi emocionante. Os primeiros mergulhos utilizando garrafa (cilindro com oxigênio) também foram emocionantes. Escalar o Aconcágua, a maior montanha da cordilheira do Andes, na Argentina, com 6.961 metros de altura, sozinho, aos 20 anos, também foi muito emocionante.
Em 2014, na minha terceira viagem para Antártica a bordo do veleiro Kotik foi incrível porque eu sonhava em viajar nesse barco e com uma galera que eu sonhava muito em estar junto. Durante muito tempo eu chorei de emoção ao chegar na Antártica e chorava de tristeza quando tinha de ir embora.
FMA – E só montanhas geladas, nunca vulcões?
JP – Os vulcões também fazem parte dessa experiência. É outra ótima experiência, muito boa, quando subo montanhas e chego aos vulcões. Sempre com amigos, sem mídia, sem publicidade, só por amizade e com esforço físico.
Em 2020, eu tive a experiência de remar por nove dias, na Antártica, numa canoa polinésia para três pessoas, a V3, e eu remei com dois campeões brasileiros de canoa. Inclusive eles são representantes do Brasil no campeonato mundial de canoagem: os remadores Marcelo Bosi e Rudah Caribe. Também foi muito bom.

Um iceberg polar fotografado por João Paulo Barbosa
FMA – Qual a maior dificuldade que você experimentou?
JP- Essa é fácil. É o estreito de Drake, também chamado de mar ou passagem. Passar o estreito de Drake em um veleiro não é brincadeira não. Eu já passei 14 vezes, ida e volta. Três vezes foram terríveis, de terror e pânico. Pensei que ia morrer, mas aí lembrei que estava num barco feito para essa situação adversa, com mono casco de aço, feito por um ex-cientista da Nasa, com uma tripulação incrível, e então não me entreguei emocionalmente, reagi. O corpo fica acabado, mas o espírito aguenta. O estreito de Drake é o maior perrengue da galáxia.
FMA- Qual a melhor forma de viajar, sozinho ou em grupo?
JP- Eu tenho quatro formas de viajar: sozinho, com a família, com amigos e por conta do trabalho. Todas são muito legais. Mas eu gosto muito de viajar sozinho e recomendo que todo mundo tenha essa experiência. É muito importante viajar sozinho para aprender, para se misturar com a população local. Entretanto, tem lugares que é muito bom viajar com um grupo de amigos para se divertir com eles, como eu fiz nos fiordes da Terra do Fogo.
PARA SABER MAIS siga João Paulo no Instagram: @joaopaulobarbosaphotography
BOX
O MAR DE DRAKE
Mar onde há mudanças bruscas nas condições de temperatura, visibilidade e, principalmente, do vento. Comandantes de aeronaves e de navios passam por processo de treinamento especial para operar nessa área.

O Mar de Drake é o terror dos navegantes. Estima-se que 800 embarcações tenham naufragado no Drake. É o ponto mais austral da América do Sul e mais próximo da Península Antártica, com 650 km de extensão e quase cinco mil metros de profundidade, onde os oceanos Atlântico e Pacífico se encontram, se afunilam e se confrontam num grande espetáculo, provocando ondas gigantes. Até a base brasileira, a Comandante Ferraz, são 900 km de distância.
Um antigo ditado marinheiro ajuda a explicar o medo que o Drake inspira: “abaixo dos 40 graus de latitude não existe lei. Abaixo dos 50, não existe nem Deus”.
O nome é em homenagem ao navegador britânico Francis Drake, mas ele nunca esteve nessas águas. A travessia do Drake é fustigada por tempestades cíclicas cerca de 300 dias dos 365 dias do ano. Então, é inevitável passar por intermináveis horas de turbulência no trajeto que, em média, demora quatro dias. Um antigo ditado marinheiro ajuda a explicar o medo que o Drake inspira: “abaixo dos 40 graus de latitude não existe lei. Abaixo dos 50, não existe nem Deus. (Márcia Turcato)
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Parque de Ideias leva escritora Clarice Lispector ao público do Rio
Evento gratuito ocorre hoje, às 16h, na Biblioteca Parque Estadual
Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil
Clarice Lispector estará no centro das atenções na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio. O encontro, gratuito ao público, será por meio do Projeto Parque de Ideias, idealizado pelo documentarista Márcio Debellian.

Nesta terça-feira (14), às 16h, a jornalista, escritora e roteirista Melina Dalboni vai apresentar a palestra Clarice Lispector: da literatura ao teatro e ao cinema, que ela prefere chamar de conversa com os visitantes.
Ela vai levar a sua experiência nas diferentes adaptações que fez da obra de Clarice para o longa A paixão segundo G.H. e quando escreveu o livro Diário de um Filme – A paixão segundo G.H., baseado no longa.
Melina revelou ser fã da escritora e poder conversar sobre Clarice, em um projeto dentro da Biblioteca Parque Estadual, é ter a oportunidade e o privilégio de estar em um espaço que oferece uma programação de qualidade e gratuita. Ela considera Clarice como uma das maiores escritoras do mundo.
“A obra da Clarice é publicada em mais de 40 países e foi traduzida para mais de 30 idiomas. Embora muitos considerem a obra da escritora hermética, entendo que seja o contrário”, diz Melina à Agência Brasil.
“Os livros, contos e crônicas dela são acessíveis e apaixonantes exatamente porque ela propõe essa ideia de ‘pensar-sentir’, de modo que o leitor não precisa exatamente entender tudo cartesianamente, mas, sim, estar aberto para ler e ser tocado, ler e sentir em si mesmo, como se o livro fosse um espelho”, explica.
A roteirista revelou que o processo criativo desenvolvido e oferecido pelo cineasta Luiz Fernando Carvalho para a criação do filme A Paixão Segundo G.H. foi aberto a todos que participaram da produção, desde a atriz Maria Fernanda Cândido passando pela equipe de figurino, de costura, de roteiro, os motoristas, a direção de arte e, inclusive, estudantes de teatro.
“Todos nós tivemos a oportunidade de mergulhar na obra a partir de uma semana de palestras dos maiores especialistas em Clarice, como Nádia Batella Gotlib, José Miguel Wisnik e Yudith Rosembaum, dentre outros”, contou
O processo criativo do filme, segundo Melina, a permitiu ter um contato mais profundo e íntimo com a obra de Clarice, da qual já estudava e era leitora. Esse envolvimento, conforme explicou, resultou na necessidade de registrar essa experiência no livro Diário de um Filme – A Paixão Segundo G.H, publicado pela editora Rocco.
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Espetáculo
Ainda hoje, às 18h, será vez de a atriz Beth Goulart apresentar a peça Simplesmente eu, Clarice Lispector. Em cartaz há 17 anos, já foi vista mais de 1 milhão de pessoas. “É uma alegria a gente receber esta parceria com o público sempre acompanhando o nosso trabalho”, comentou Beth Goulart em entrevista à Agência Brasil.
O monólogo foi escrito, dirigido e produzido pela própria Beth, que por sua interpretação recebeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz. Ainda no Projeto Parque de Ideias, o público terá a oportunidade de ver o espetáculo também, nesta quarta-feira (15), no mesmo horário.
Para a atriz, é maravilhoso poder apresentar a peça em uma Biblioteca. Acrescentou que o espetáculo sempre foi um incentivo à leitura, principalmente, da literatura de Clarice Lispector, que, conforme afirmou, “é uma literatura muito especial que faz os leitores se auto conhecerem, se olharem por dentro e melhorarem em todos os sentidos como pessoa”.
“A leitura tem essa função na nossa vida. Abre portas, horizontes e possibilidades de conhecimento. Fazer dentro de uma biblioteca é maravilhoso. É estimular a leitura em um espaço fértil para isso. Não só conhecer a literatura de Clarice, mas de tantos outros autores maravilhosos que estão à nossa disposição”, ressaltou.
“Uma biblioteca é um lugar mágico de mil possibilidades para você conhecer os pensamentos dos grandes criadores. É uma fonte maravilhosa de aprendizado, de conhecimento e de troca”, completou.
A ponte da literatura com o teatro sempre foi um dos objetivos da atriz, para quem é muito importante estimular o hábito da leitura. “O teatro nos aproxima da beleza da literatura, porque nos faz dar vida a estes personagens, trazer a experiência da leitura que é individual e solitária para uma experiência coletiva, que é o que o teatro nos propõe. É uma ampliação desse prazer maravilhoso de entrar em contato com as letras, as palavras e os pensamentos dos grandes autores”, afirmou
Parque de Ideias
O projeto, que está na sua quarta edição, segue em até o dia 17 de abril. A cada mês uma semana da Biblioteca é destinada à programação do Projeto Parque de Ideias. Já passaram por ali as cantoras Alcione e Fafá de Belém e o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor entre outros.
Márcio Debellian, que dirigiu o documentário Fevereiros sobre o desfile da Mangueira com enredo de Maria Bethânia e a religiosidade do recôncavo baiano, disse que a ideia da homenagem surgiu por influência da peça que a Beth tem apresentado.
“É um fenômeno pela quantidade de anos que está em cartaz, quantidade de público que ela levou aos teatros, a qualidade da peça e do texto e da atuação da Beth, muito premiada”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
“Acho que para uma Biblioteca Pública que abriga a obra da Clarice, quem for lá pode retirar os livros da Clarice gratuitamente, faz sentido em um teatro com 200 lugares, que está bonito, com palco novo, que a gente reformou, poder oferecer a peça da Beth gratuitamente e ter uma aula da Melina que adaptou Clarice para o cinema”, observou.
O documentarista comentou que trabalha com um público muito diverso. “Tem gente que tem conhecimento da obra e já leu tudo, e tem gente que está sendo introduzida àquele autor, que está indo ao teatro pela primeira vez porque é ao lado da Central do Brasil, gratuito, acessível por vários meios de transportes”, informa.
“Faria sentido para uma Biblioteca abrigar a peça em homenagem a Clarice e ter uma aula que ajude a ensinar mais o universo clariceano e que as pessoas possam frequentar o acervo da Biblioteca retirar os livros”, acrescenta.
Na visão de Debellian, que também é fã de Clarice, a autora é transformadora. “Mudou a minha vida de tal ponto de que quando li o primeiro livro tive que ler oito seguidos de uma tacada só e quase enlouqueci. Tive que parar um pouco porque fui tragado por aquele universo, mas está tudo marcado, sublinhado, às vezes tenho que voltar à prateleira e reler o que marquei. É uma autora fundamental na minha vida que me envolve muito”, revelou.
Debellian tem certeza de que Clarice vai conquistar o público que ainda não teve contato com as obras da escritora. “Vai sair mobilizado porque as palavras são tão fortes, tão profundas, mexe com o seu pensamento e a sua sensibilidade”, afirma.
“Você não se esquece e leva aquilo para a vida. E quando você entra na Clarice, precisa mergulhar para entender de onde sai tanta sabedoria, tanta clareza e tanto impacto. Você fica tomado, nada passa batido, nada é corriqueiro”, diz empolgado com a obra da autora.
Público
Debellian disse que costuma conversar com os frequentadores da Biblioteca para saber quem está indo pela primeira vez e sempre se depara com a diversidade.
“É o público popular mesmo e muito diverso nas atividades que a gente faz. Tem gente que pega o trem, vem de São Gonçalo, Niterói, Duque de Caxias e São João de Meriti. Eu pergunto muito antes de abrir a programação”, contou.
Ele acrescenta que, por causa desse desconhecimento sobre o funcionamento daquele espaço cultural, gosta também de revezar os gêneros musicais dos convidados, por que aí é possível trazer outros públicos que não conhecem o espaço de leitura e cultura.
“É fundamental a gente se apropriar desse equipamento público para que em uma outra crise de governo, não pensem que para cortar o orçamento, tem que cortar em bibliotecas públicas. O espaço tem que estar muito ocupado com a população interessada nele e sabendo do valor dele”.
O idealizador do projeto destacou que mesmo tendo a atração dos celulares, existem pessoas que ainda gostam de pegar um livro na biblioteca para fazer a leitura enquanto se deslocam nos transportes públicos. “É esse estímulo. A gente tem feito muitos encontros com autores”.
O Parque de Ideias completa quatro anos agora em maio. Toda a programação é gratuita e também reúne oficinas, cursos em parceria com a PUC Rio e encontros que misturam literatura, música e processos criativos.
O projeto é uma realização da Debê Produções com patrocínio do Instituto BAT e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
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Concerto do Ano Cultural Brasil-China lota Teatro Poupex, em Brasília
Apresentação reuniu músicos chineses e brasileiros em espetáculo que marcou o início das celebrações culturais entre os dois países
A Camerata da Orquestra Sinfônica Nacional da China realizou uma apresentação especial ao lado da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, no Teatro Poupex Cultural, em Brasília, na noite desta terça-feira (7). O concerto integra a programação do Ano Cultural Brasil–China, iniciativa oficial dos governos dos dois países para fortalecer o intercâmbio cultural e institucional.
O evento reuniu autoridades, diplomatas, militares e convidados. Entre os presentes estavam o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao; o secretário-executivo adjunto do Ministério da Cultura, Cassius da Rosa; e o secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Laudemar Aguiar. Representaram o Ibrachina o presidente Thomas Law e a diretora administrativa e financeira Ana Ou Law.
Também participaram o senador Jaques Wagner; o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin; o ministro do Superior Tribunal Militar, general Anísio de Oliveira Jr.; o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda; e a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Kátia Schweickardt.
A apresentação, que lotou o teatro, foi dividida em duas partes: a primeira sob regência da maestrina chinesa Jiang Huan e a segunda conduzida pelo maestro Cláudio Cohen. No palco, músicos da Camerata da CNSO, com destaque para o violinista Yao Liang, se uniram aos instrumentistas brasileiros em um repertório que mesclou obras clássicas dos dois países. O programa incluiu desde peças brasileiras consagradas, como “Aquarela do Brasil” e “Trenzinho Caipira”, até composições tradicionais chinesas, como “Dança da Serpente Dourada” e “Os Amantes Borboleta”.
Início das ações do Ano Cultural Brasil–China
De acordo com o embaixador Zhu Qingqiao, o concerto em Brasília representa “a primeira atividade de destaque do Ano Cultural Brasil–China”. “As relações China–Brasil também são uma história de intercâmbio cultural e aproximação entre os povos. Hoje, a serenidade da música chinesa se encontra com a vitalidade do ritmo brasileiro, revelando a beleza de cada cultura e a harmonia entre elas”, afirmou.
O presidente do Ibrachina, Thomas Law, destacou a importância do evento para o fortalecimento das relações bilaterais. “É um superevento, com grandes artistas vindos da China executando músicas brasileiras e obras chinesas conhecidas. Essa interação é um marco nas relações diplomáticas e culturais entre os dois países em 2026, o Ano Cultural Brasil–China”, declarou.
Para o maestro Cláudio Cohen, a união entre músicos brasileiros e chineses simboliza a força da cultura como ferramenta de integração. “As culturas de China e Brasil se uniram pela música, como uma forma potente de aproximação entre os povos”, afirmou.
Já o embaixador Laudemar Aguiar ressaltou o papel estratégico da cultura nas relações internacionais. “A cultura é dimensão essencial da cooperação internacional e instrumento para o fortalecimento das relações entre os países”, disse. Segundo Cassius da Rosa, a iniciativa reforça a importância da cultura na agenda bilateral. “Essa celebração é um símbolo vivo da parceria estratégica entre Brasil e China, mostrando que a cultura ocupa espaço prioritário nessa relação”, destacou.
Intercâmbio cultural
A iniciativa promove o intercâmbio cultural entre Brasil e China, reunindo músicos reconhecidos em um concerto que une repertórios e tradições distintas. A Camerata apresentou obras marcantes da música chinesa e emocionou o público presente no Teatro Poupex Cultural.
O evento foi organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo da China, Embaixada da China no Brasil, Instituto Guimarães Rosa, Ministério das Relações Exteriores, Ministério do Turismo e Ministério da Cultura do Brasil. A realização contou com STNS, Ibrachina e Orquestra Sinfônica Nacional da China, com apoio do Teatro Poupex Cultural.
Sobre o Ibrachina
Fundado em 2018 pelo Dr. Thomas Law, advogado, o Ibrachina é um Instituto sociocultural que tem como finalidade promover a integração entre as culturas e os povos do Brasil, China e de países que falam a língua portuguesa. O Ibrachina atua em parceria com universidades, entidades e associações, além de fazer parte das Frentes Parlamentares Brasil/China, BRICS, criadas pela Câmara dos Deputados, e de Cooperação Política Cultural entre Brasil, China, Coreia e Japão, da Câmara Municipal de São Paulo.
Fonte: Agência Pub
ABRIL E MAIO – As datas estabelecidas pela Assembleia Geral da ONU para serem comemoradas em todos os países para que todos os povos façam uma reflexão sobre preservação, desenvolvimento e cultura. Instituído pela Organização das Nações Unidas, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é lembrado neste dia 2 de abril. A ONU aponta que, em todo o mundo, em torno de 70 milhões de pessoas têm o transtorno do espectro autista (TEA). Cerca de 2 milhões estão no Brasil. A existência da campanha se dá, principalmente, pela necessidade de conscientização sobre as más concepções que socialmente se têm sobre o transtorno, o que resulta em posturas preconceituosas com esse público.
DIA 19 DE ABRIL – DIA DO ÍNDIO
MÊS DE ABRIL
2 DE ABRIL
Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo.
4 DE ABRIL
Dia Internacional de Informação sobre o perigo das minas e de assistência para as atividades relativas às minas terrestres.
5 DE ABRIL
Dia Internacional da Consciência.
6 DE ABRIL
Dia Internacional do Deporto para o Desenvolvimento da Paz.
7 DE ABRIL
Dia Mundial da Saúde – OMS
Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsis na Rwanda.
12 DE ABRIL
Dia Internacional dos Voos Espaciais Tripulados.
14 DE ABRIL
Dia Mundial da Doença de Chagas.
19 DE ABRIL
Dia do Índio (no Brasil)
21 DE ABRIL
Dia Mundial da Criatividade e Inovação.
22 DE ABRIL
Dia Internacional da Mãe Terra.
23 DE ABRIL
Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor.
24 DE ABRIL
Dia Internacional do Pluralismo e da Diplomacia para a Paz.
25 DE ABRIL
Dia Mundial do Paludismo (OMS) – Dia Internacional do Delegado.
26 DE ABRIL
Dia Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).
Dia Internacional de Recordação do Desastre de Chernobyl.
28 DE ABRIL
Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.
30 DE ABRIL
MÊS DE MAIO
2 DE MAIO
3 DE MAIO
Dia Mundial da Liberdade da Imprensa.
Dia Mundial das Aves Migratórias (PNUMA)
8-9 DE MAIO
Jornada de Lembranças e Reconciliações em Honra de quem perdeu a vida na Segunda Guerra Mundial.
15 DE MAIO
Dia Internacional das Famílias.
16 DE MAIO
Dia Internacional da Convivência na Paz.
17 DE MAIO
Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação.
20 DE MAIO
21 DE MAIO
Dia Mundial da Diversidade Cultural para ol Diálogo e o Desenvolvimento.
22 DE MAIO
Dia Internacional da Diversidade Biológica.
23 DE MAIO
Dia Internacional para a Erradicação da Fístula Obstétrica.
26 DE MAIO
Dia da Lua Cheia (Dia do plenilúnio).
29 DE MAIO
Dia Internacional da Paz Pessoal das Nações Unidas.
31 DE MAIO
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