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Cine Brasília recebe mostra latino-americana

Filmes são de 15 países da região e de um convidado, Canadá

 

Agência Brasília* | Edição: Carolina Lobo

 

 

O Cine Brasília recebe neste mês, entre os dias 22 e 29, a 6ª Mostra de Cinema Latino-Americana e Caribenha. O evento, com entrada franca, é fruto de cooperação entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) e o Grupo dos Chefes de Missão da América Latina e Caribe (Grulac), um dos cinco grupos regionais das Nações Unidas.

São 16 filmes legendados em português, provenientes de 15 países do subcontinente – Argentina, Barbados, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Trinidade e Tobago, Uruguai – e um do Canadá, país convidado.

“A seleção de filmes da mostra reflete a diversidade e riqueza da produção existente na América Latina. Os espectadores terão a oportunidade tanto de revisitar alguns dos títulos icônicos da cinematografia da região dos anos 1990 quanto de descobrir obras de jovens talentos”, afirma o diretor da LatAm, entidade que congrega realizadores de cinema na América Latina, Gerardo Michelin. “A mostra também permite que se viaje por nossos países, de norte a sul, passando pelo Caribe, com histórias que tocarão todo mundo”, complementa o uruguaio.

Programação

⇒ Quinta (22)
→ 19h – Costa Rica: Tenho sonhos elétricos. Classificação indicativa: 18 anos
Eva é uma garota de 16 anos, inquieta e de temperamento forte, que vive com sua mãe, sua irmã mais nova e seu gato, mas quer desesperadamente morar com seu pai, de quem é distante. Agarrando-se ao gato enquanto seu pai passa por uma segunda adolescência, Eva se equilibra entre a ternura e a sensibilidade da juventude e a dureza do mundo adulto.
→ 21h – Bolívia: Cuidando do sol. Classificação indicativa: livre
No Lago Titicaca, na Bolívia, uma menina de 10 anos enfrenta uma série de emoções novas e conflitantes quando seu pai vai embora. Lucía construiu seu dia a dia em torno da espera pelo retorno de seu pai.

⇒ Sexta (23)
→ 18h30 – Chile: Allende em seu laberinto. Classificação indicativa: livre
O filme narra as últimas horas do ex-presidente Salvador Allende, junto a seus colaboradores mais próximos, dentro do Palácio da Moeda, em 11 de setembro de 1973. Angústia, desespero, solidariedade, amor são emoções que se misturam e se sobrepõem a cada minuto, na  contagem regressiva para um desfecho que mudará para sempre a história do Chile.
→ 20h15 – Argentina: Bem-vinda, Violeta! Classificação indicativa: 14 anos
Ana (Débora Falabella) é uma escritora que, ansiosa em busca de alguma inspiração para escrever Violeta, seu próximo romance, ingressa em um reconhecido laboratório literário na Cordilheira dos Andes. Nessa viagem, ela se envolve com Holden (Darío Grandinetti), criador do método pelo qual os escritores abandonam suas próprias vidas para viver como seus personagens. O líder carismático acaba cativando a escritora, que mergulha em uma intensa investigação artística, vivendo, segundo o método orienta, como sua personagem Violeta – até que o equilíbrio entre realidade e ficção sai do controle. O longa é inspirado no romance Cordilheira, de Daniel Galera.

⇒ Sábado (24)
→ 18h30 – República Dominicana: Amanhã não esqueça. Classificação indicativa: 16 anos
Um adolescente com síndrome de Down e seu avô diagnosticado com Alzheimer formam uma relação especial para escapar das hostilidades diárias a tentar encontrar a felicidade. Quando a esposa de Roberto morre, ele acaba indo morar com Jan, o neto de 22 anos com síndrome de Down. Os dois começam a se aproximar, descobrindo que têm muitas coisas em comum, inclusive sonhos que vão realizar juntos.
→ 20h30 – Barbados: Fire in Babylon. Classificação indicativa: livre
Traçando a gloriosa hegemonia da equipe de críquete das Índias Ocidentais no final dos anos 1970 e 1980, o filme descreve como um taco e uma bola foram mais eficazes do que tiros na batalha contra a injustiça racial e a luta pelos direitos dos negros. A história é contada por homens que estiveram lá – como Viv Richards, Michael Holding e Clive Lloyd. Fire in Babylon possui arquivo dinâmico, trilha sonora com clássicos de Bob Marley e The Wailers, Gregory Issacs e Burning Spear. É uma história que celebra a emancipação de um povo através do esporte – no caso, o críquete.

⇒ Domingo (25)
→ 17h30 – Uruguai: A teoria dos vidros quebrados. Classificação indicativa: livre
O especialista de seguros Claudio pensava que teria uma vida tranquila ao ser transferido para uma pacata cidade. Contudo, ele acaba se envolvendo em uma série de eventos estranhos e misteriosos.
→ 19h15 – Cuba: Morango e chocolate, Classificação indicativa: 16 anos
O filme é centrado no papel de David, um estudante universitário diligente, correto, mas homofóbico. Seus conceitos sobre o que é bom e o que é ruim são lançados em um dilema quando ele faz amizade com Diego, um artista homossexual. Entre os dois se desenvolve uma relação que quebra mal-entendidos, preconceitos e intolerâncias. História baseada no conto El Lobo, el bosque y el hombre, do escritor cubano Senel Paz.

⇒ Segunda-feira (26)
→ 18h30 – Trinidade e Tobago: Dias verdes à beira do rio. Classificação indicativa: 14 anos
Em uma remota vila à beira-mar em 1952, em Trinidad, uma negra ambiciosa de 15 anos, Shell, fica encantada com a atraente indiana Rosalie e lisonjeada com a amizade de seu pai, Gidharee, que mentalmente o aceita como um futuro filho. Apesar da doença terminal de seu pai, Shell segue um compassivo Gidharee para trabalhar em sua plantação exótica ao longo do rio com seus grandes cães de caça, na esperança de atrair Rosalie. Enquanto isso, Shell se apaixona por uma garota delicada e delicada da cidade, Joan. O triângulo amoroso se desenvolve, à medida que Shell lidera as garotas, sem perceber a armadilha projetada por Gidharee para prender sua masculinidade. Quando Dragon’s Blood, um líquido estimulante, é dado aos cães de Gidharee, uma forte ameaça é enviada a Shell, que deve enfrentar as consequências de suas ações.
→ 20h15 – Peru: A pena capital. Classificação indicativa: 14 anos
Baseado no livro homônimo de Santiago Roncagliolo. Um homem é assassinado em Lima durante a Copa do Mundo na Argentina de 1978. Félix Chacaltana, funcionário administrativo do governo, investiga o assassinato e descobre uma trama internacional de sequestro, desaparecimento e tortura. Felix também começa a descobrir a vida secreta do país. Embora o Peru esteja aparentemente prestes a voltar à democracia, opositores peruanos e argentinos perseguidos começam a desaparecer em operações militares por toda a cidade. Félix tenta denunciá-lo, mas ninguém acredita nele. Ou talvez ninguém se importe, porque há uma Copa do Mundo. Félix não sabe, mas está prestes a perder a virgindade sexual, política e até futebolística.

⇒ Dia 27 (terça-feira)
→ 18h30 – El Salvador: Minisérie Las Pupusas Capítulo 1. Classificação indicativa: livre
Uma viagem ao coração da comida mais amada por milhões de salvadorenhos, um prato ancestral que fez parte da história de um pais inteiro. Feitas de milho ou de arroz, com queijo ou com torresmo, as pupusas nunca passam despercebidas. A história afirma que, se você não conhece o amor a primeira vista, é porque ainda não ficou frente a frente com uma pupusa salvadoreña.
→ 19h15 – Suriname: O Preço do açúcar. Classificação indicativa: 16 anos
Drama histórico sobre duas mulheres jovens no Suriname do século 18. La blanca Sarith e seu escravo Mini-Mini viviam na próspera plantação de açúcar da família de Sarith. O perigo constante de ataques de escravos fugitivos trouxe a vida protegida da fazenda. Enquanto Sarith se apaixona pela mudança da vida colonial e pela busca de um marido, Mini-Mini tem sua própria oportunidade de ser feliz. Será que ela é capaz e suficientemente valente para apoderar-se dela, às custas de sua ama? Baseado no livro de Cynthia McLeod, uma romancista surinamesa conhecida por seus romances históricos e pela primeira novela que se converteu instantaneamente em uma das autoras mais destacadas do Suriname.

⇒ Dia 28 (quarta-feira)
→ 18h30 – Canadá: A linguagem é uma história de amor. Classificação indicativa: livre
Em uma aula como nenhuma outra, a de Madame Loiseau, que transmite francês para adultos recém-chegados, alguns deles analfabetos. Ansiosos por estudar, aprender, encontrar trabalho e criar a família com tranquilidade, as histórias de dor e esperança dos alunos convergem na sala de aula dessa professora.
→ 20h15 – Paraguai: Los buscadores. Classificação indicativa: livre
A trama conta a história de Manu (Tomás Arredondo), um jornaleiro que mora em Chacarita e trabalha nos arredores de Assunção. Certo dia, Manu recebe um livro que fala sobre a história do Paraguai e revela a existência de um mapa escondido, que pode, ou não, revelar a localização exata de um tesouro escondido na época da Guerra da Tríplice Aliança. Juntamente com seu amigo Fito (Christian Ferreira) e Don Elio (Mario Toñanez), um homem que conhece a aventuras dos “caçadores”, que buscam la plata, ele decide seguir as pistas para encontrar o tesouro que colocaria fim aos problemas econômicos de todos eles que vivem às margens da cheia do Rio Paraguai.

⇒ Dia 29 (quinta-feira)
→ 18h – México: O diabo entre as pernas. Classificação indicativa: 18 anos
Sexo na terceira idade e outros perigos que atormentam os amantes do envelhecimento ganham um toque sincero, inflexível e sombriamente hilariante nesse filme.
→ 20h30 – Panamá: Algo azul. Classificação indicativa: livre
O sonho de se casar de Ana logo se tornará realidade, mas, antes, ela terá que fugir da polícia com um vestido de casamento de uma estrela internacional, enquanto tem o seu coração abalado pelo ex.

Serviço
6ª Mostra Latino-Americana e Caribenha
→ De 22 a 29 deste mês
→ Ingressos: Entrada franca, até atingir a capacidade (619 assentos)
→ Cine Brasília – SHCS EQS 106/107, s/nº Asa Sul. Mais informações: (61) 99878-2198 e Instagram.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

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Escritor Joaquim Arena preenche vazios de Europa negra invisibilizada

Autor participa do Clube do Livro do CCBB-RJ

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Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

Revelar uma Europa negra, apagada das narrativas oficiais, é o que propõe o autor luso-cabo-verdiano Joaquim Arena, que revisita a presença de africanos e seus descendentes no continente europeu por meio do livro Debaixo da nossa pele (2017).

A partir de viagens por Portugal, arquivos e relatos, o escritor reconstrói trajetórias de personagens negros pouco conhecidos. A jornada também se cruza com a história da migração cabo-verdiana para Lisboa e com a trajetória do próprio escritor.

Arena nasceu na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964. É filho de pai português e de mãe cabo-verdiana e viveu grande parte da sua vida em Lisboa. Em Portugal, ele se formou em direito e iniciou a carreira em jornalismo.

O escritor está no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), no centro da capital fluminense, às 17h30 desta quarta-feira (14).

Autor de seis romances, traduzidos em várias línguas, Arena escreveu Siríaco e Mister Charles, vencedor do Prémio Oceanos de Literatura, na categoria Prosa, em 2023. Atualmente, reside em Cabo Verde, na cidade de Praia.

Cabo Verde e Brasil

Com o tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, o encontro gratuito propõe uma conversa sobre memória, pertencimento, identidade e as marcas do passado colonial que permanecem no presente.

A partir da obra de Arena, o evento busca aproximar experiências históricas e culturais de Cabo Verde e do Brasil, dois países atravessados por deslocamentos populacionais, encontros entre diferentes culturas e pelas relações entre África e Europa.

O autor conta que Debaixo da nossa pele fala da miscigenação e da circulação dos povos da África para a Europa. O público poderá perceber semelhanças com a formação do Brasil.

“Debaixo da nossa pele fala dessa condição humana de deslocamento das pessoas de um país a outro, levadas por questões econômicas, sociais e políticas. O livro faz essa síntese, pois a circulação continua ainda hoje, é positiva, abre oportunidades de novas janelas de vida para muitas pessoas”, diz Arena.

 

Rio de Janeiro (RJ), 14/10/2026 – O escritor luso-cabo-verdiano, Joaquim Arena, que participará do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ),  fala à Agência Brasil, no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O escritor luso-cabo-verdiano, Joaquim Arena, que participará do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Preenchendo vazios

Para o escritor, a história tem um poder atrativo mais forte do que o presente.

“Sou levado a encontrar, no meio dos fatos históricos, os vazios. São esses vazios que eu pretendo preencher através da minha ficção. Aproveito episódios verídicos que são muito inspiradores para que nós imaginemos uma personagem. Fico com vontade de saber mais, senão eu invento a personagem”, afirma o autor.

Arena conheceu a literatura brasileira aos 12 anos, com a obra de Jorge Amado. Ele se identificou com o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, que também fez parte da sua formação. Para ele, foi uma porta de entrada de uma literatura que não era portuguesa, europeia nem africana.

“Nós, das antigas colônias portuguesas, recebemos a literatura brasileira como uma janela para um mundo muito semelhante ao nosso”.

“Jorge Amado, com sua Bahia, está na formação de muitos autores lusófonos na África. Depois, vamos crescendo e encontrando Guimarães Rosa, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos. O romance da década de 30 fala dos retirantes, da seca. É uma realidade muito próxima da nossa”, diz Arena.

O autor acredita que um clube de leitura é um reduto onde se mantém ainda uma magia e em que se ouve falar de invenções.

“Há um pacto do autor com o público. O escritor sabe que o que ele inventou não existiu. O leitor sabe que o romance saiu da imaginação. Isso cada vez mais num mundo acelerado, com redes sociais, com streamings”.

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Técnicos apresentam o andamento das metas fiscais do governo

Apresentação feita à CEOF mostra que, até agosto, receita corrente líquida do DF foi de R$ 28 bilhões, o que significa cerca de 72% da meta

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Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

Com relação à despesa total empenhada, GDF gastou R$ 31 bilhões até agosto, dos R$ 47,6 bilhões previstos para o ano

A Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa realizou audiência pública na manhã desta quinta-feira (15) para avaliar as metas fiscais do Governo do Distrito Federal nos primeiros 8 meses de 2026. Na ocasião, técnicos do governo apresentaram à comissão números referentes a receitas e despesas do GDF nos dois primeiros quadrimestres do ano em comparação às metas previstas nas leis orçamentárias. 

Confira a cobertura fotográfica no Flickr da CLDF

Com relação às receitas correntes, a previsão inicial para 2026 era de R$ 39 bilhões e o valor alcançado até agosto é de R$ 28 bilhões, o que significa um alcance de 71,85% da meta. As receitas de capital até agosto somam R$ 1,1 bilhão, enquanto a previsão inicial para 2026 era de R$ 726 milhões, o que representa 163,16% de alcance da meta. O total de receitas tributárias até agosto soma R$ 20,1 bilhões, enquanto a previsão para o ano era de R$ 25,4 bilhões, representando 79,29% da meta estabelecida. O ICMS, sozinho, representa 46,2% de toda a arrecadação com impostos e taxas. Com relação à despesa total empenhada, a dotação autorizada para 2026 era de R$ 47,6 bilhões, sendo que o governo gastou R$ 31 bilhões até agosto, o que representa 65,3% da dotação.

Para o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), presidente da CEOF, os números são positivos para o governo. “De maio a agosto, tivemos um incremento na casa de R$ 1 bilhão fruto da alienação de bens. Assim chegamos a 72% do total previsto a realizar de receita. Já temos um indicativo de que teremos excesso de arrecadação ao longo do último quadrimestre. Estamos chegando a quase 50% do saldo total previsto para investimentos no ano, que é de R$ 3,5 bilhões. Isso mostra que os investimentos não pararam mesmo diante de situações orçamentárias excepcionais”, avaliou.

Representando o governo, o assessor especial de política fiscal da Secretaria de Economia do DF, Luiz Barreto, ressaltou que o ano de 2026 foi impactado pelo déficit orçamentário do ano anterior. “O DF, nos últimos dois anos, apresentou déficit. E esse déficit teve impacto em 2026. Nós entramos em 2026 com quase R$ 3 bilhões de déficit. Por isso, a execução orçamentária de 2026 precisa priorizar o que é relevante, como saúde e educação. Até o presente momento temos um resultado primário de superávit de R$ 1,8 bilhão na Lei de Diretrizes Orçamentárias e déficit de R$ 1,5 bilhão na Lei Orçamentária Anual”, explicou.

O assessor também comentou os números relacionados a gastos com pessoal e repasses obrigatórios para a educação. “Até agosto tivemos um índice de 40,54% do orçamento destinado para gasto com pessoal, o que está dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sobre os mínimos empenhados em educação, a lei determina que ao final do exercício temos que atingir 25% e hoje estamos em 23%”, relatou Barreto. A íntegra da audiência pública está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.

 

 

Eder Wen – Agência CLDF

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Debatedores alertam para diferentes formas de violência contra meninas

A audiência foi presidida pela senadora Leany Lemos (C)
Geraldo Magela/Agência Senado

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Crianças e adolescentes representam um terço dos usuários de internet no mundo. No Brasil, um em cada cinco adolescentes foi vítima de alguma forma de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia em 2025. A maioria das vítimas é formada por meninas, e a violência ocorre principalmente em aplicativos conhecidos, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A informação foi apresentada nesta quinta-feira (15) em audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que debateu os desafios das políticas públicas para garantir a proteção integral das meninas no país. Os participantes também alertaram para outras formas de violência contra meninas e defenderam medidas de prevenção e proteção.

O debate foi requerido pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em alusão ao Dia Internacional da Menina, celebrado no domingo (11), por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU). A reunião foi presidida pela senadora Leany Lemos (PSB-DF), suplente da senadora licenciada Leila Barros (PDT-DF). Para Leany, é preciso prevenir violências e permitir que cada menina desenvolva plenamente as suas capacidades.

— Quantas meninas ouvem que a liderança não é para elas? Quantas assumem responsabilidades domésticas e do cuidado antes de terem condições de construir seus próprios projetos de vida, e nisso elas nem sonham ser outras coisas, porque elas não têm essas oportunidades? Quantas meninas, na maioria negras ou pobres das periferias e das regiões distantes do Brasil, enfrentam obstáculos ainda maiores para exercer esses direitos, que são direitos universais? Então, essas perguntas têm que orientar as nossas políticas públicas — afirmou.

Ambiente digital

A coordenadora-geral de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernanda Souza Carlos, afirmou que a exploração sexual de crianças e adolescentes exige novas estratégias de enfrentamento, diante da migração de parte dos crimes para o ambiente digital. Ela defendeu a articulação entre órgãos públicos e sociedade civil para ampliar a proteção às meninas.

— O crime que a gente via antigamente com as meninas, as crianças à beira da rodovia, hoje, a gente não vê mais. Esse crime está no digital. Então, cada vez mais fica mais complexo o combate aos crimes voltados à exploração sexual de crianças e adolescentes, porque, de certa forma, ele está invisível. Então, precisa-se de um trabalho muito maior, porque tem muita coisa que a gente não está vendo fisicamente aqui, mas está acontecendo pelo aparelho de celular, que todo mundo tem hoje em mãos — afirmou.

A diretora de Projetos Especiais da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, alertou para o uso da inteligência artificial generativa na produção de material de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo ela, mulheres e meninas são as principais vítimas desse tipo de violência. A diretora afirmou que o caráter artificial do conteúdo leva parte da população a subestimar o crime, que provoca danos às vítimas.

O representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo de Lins e Horta, destacou mudanças na legislação brasileira, entre elas a entrada em vigor em 2025 do ECA Digital e da Lei 15.487, de 2026, que aumenta penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet. Segundo ele, o país avançou no enfrentamento de crimes como a violência sexual on-line, o cyberbullying e a extorsão sexual, mas precisa garantir a implementação das normas e das políticas de proteção.

— A gente tem uma base legislativa sólida, o desafio é implementar toda ela — afirmou.

Outras violências

Coordenadora de Políticas Educacionais da ONG Associação Serenas, Graziela Larissa da Silva Santos chamou a atenção para comportamentos que podem ser tratados como brincadeiras, mas que violam os direitos das meninas. Segundo pesquisa da organização, sete em cada dez professores ouvidos presenciaram “cantadas” indesejadas dirigidas a meninas nas escolas, e 42% relataram ter visto alunos tocar ou acariciar o corpo de meninas sem consentimento. Ela defendeu a formação de professores e gestores para prevenir a violência, acolher as vítimas e encaminhá-las à rede de proteção.

A delegada-chefe adjunta da Polícia Civil do Distrito Federal, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, destacou que o atendimento não deve se limitar à investigação criminal. Para ela, é necessário articular os serviços de segurança pública, saúde e assistência social, considerando também situações de dependência financeira e os riscos enfrentados pelas vítimas após a denúncia.

— A proteção e a responsabilização precisam caminhar juntas — afirmou.

Os participantes ainda abordaram a gravidez na adolescência e seus impactos na trajetória escolar e profissional, além de questões relacionadas à saúde menstrual e à violência sexual dentro de casa.

Também participaram do debate a especialista em gênero e inclusão da Plan International Brasil, Ana Nery Lima; a coordenadora de Relações Governamentais do Instituto Alana, Tayanne Galeno; a gerente de Comunicação do Instituto Liberta, Renata Greco; e a gerente Meal e Estratégia da Organização Visão Mundial, Manuela Franchini Melani.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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