Reportagens
Governadores e presidente da Câmara discutem reforma tributária
Ibaneis Rocha defende que propostas devem amparar estados e municípios de possíveis impactos orçamentários
Ian Ferraz, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader
O presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Arthur Lira, recebeu governadores de todo o país, entre eles o do DF, Ibaneis Rocha, acompanhado da vice-governadora Celina Leão, para discutir a proposta de reforma tributária que tramita na casa legislativa. O encontro ocorreu na manhã desta quinta-feira (22), no Lago Sul.
Atualmente, estão em tramitação no Congresso Nacional duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que abordam com detalhamento os temas: a PEC 45/2019, que tramita na Câmara dos Deputados, e a PEC 110/2019, no Senado Federal.

Para o governador Ibaneis Rocha, a proposta deve amparar estados e municípios, que não podem ser os maiores prejudicados com a perda de arrecadação. “Os governadores têm mantido esse diálogo com a Câmara dos Deputados para que possamos chegar a um entendimento de uma reforma tributária justa para estados e municípios e o Distrito Federal. É uma reforma necessária, que conta com o nosso apoio, e avaliamos ser necessário um fundo para compensar as perdas de arrecadação. É esse amadurecimento da pauta que temos trabalhado e foi o que fizemos com o presidente Arthur Lira e demais governadores”, disse o governador do DF.
A reforma tributária propõe a reformulação do atual sistema de impostos do Brasil por meio de uma nova legislação. O objetivo é substituir todos os tributos sobre o consumo por um imposto sobre o valor agregado, pago pelo consumidor final, cobrado de forma não cumulativa em todas as etapas da cadeia produtiva.
“É uma reforma necessária, que conta com o nosso apoio, e avaliamos ser necessário um fundo para compensar as perdas de arrecadação”Ibaneis Rocha, governador
Os chefes do Executivo têm dúvidas em relação ao imposto único e reforçam a importância de se criar um Fundo de Desenvolvimento que compense estados e municípios pelo fim de determinados benefícios fiscais.
“A matemática, a conta, precisa ser fechada no sentido da redistribuição e não da perda de orçamento dos estados. Isso é o que está sendo discutido, esse modelo, e não há posição contrária à reforma tributária, mas quais são os critérios e o que vai afetar cada um dos estados”, disse a vice-governadora Celina Leão, também presente no encontro.
Ainda segundo a vice-governadora, os chefes do Executivo têm colocado que a reforma tributária precisa começar pela União, que é o maior arrecadador, e não pelos estados, que representam 39% da arrecadação.
Esse debate vem amadurecendo nas esferas do Executivo e do Legislativo. Em 24 de maio, na última edição do Fórum de Governadores, os representantes estaduais discutiram a reforma com os deputados Aguinaldo Ribeiro e Reginaldo Lopes, com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e com o secretário Extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy.
Fundo Constitucional
O governador Ibaneis Rocha aproveitou a visita ao presidente da Câmara para defender a manutenção do Fundo Constitucional do DF. Na noite de quarta-feira (21), o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei Complementar nº 93/2023 excluindo o teto limitador de crescimento do Fundo Constitucional do DF do arcabouço fiscal. Agora, o projeto volta para a Câmara dos Deputados para ser apreciado.
“Estamos trabalhando junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira, e do relator [Cláudio] Cajado, para que tenha deles a compreensão da importância do Fundo Constitucional do DF. A vice-governadora Celina Leão tem mantido contato direto, estávamos em reunião com o Arthur Lira, seguimos em negociação e vamos trabalhar agora, afinal de contas, o presidente Lira vai colocar em votação o projeto do Fundo no início de julho, e esperamos nesse período fazer o convencimento das lideranças da Câmara dos Deputados.”
Reportagens
Usuários da Farmácia de Alto Custo já podem agendar atendimento online
A implantação do novo sistema ocorrerá de forma gradual nas farmácias de alto custo do DF
Agência Brasília* | Edição: Paulo Soares
Os usuários da Farmácia de Alto Custo do Distrito Federal já podem realizar agendamentos online para retirada de medicamentos e renovação de documentos pelo portal Agenda DF, sem necessidade de aguardar a renovação cadastral no novo sistema Ceaf Digital.
A medida começa a valer nesta sexta-feira (15) e foi adotada como solução imediata para ampliar o acesso da população aos serviços da assistência farmacêutica, garantindo mais comodidade, organização e redução das filas presenciais.
A implantação do novo sistema Ceaf Digital ocorrerá de forma gradual nas Farmácias de Alto Custo do DF, conforme os pacientes forem renovando os cadastros. No entanto, durante esse período de transição, os usuários já poderão utilizar normalmente o Agenda DF para realizar os agendamentos, sem precisar esperar o prazo de renovação cadastral, que pode chegar a até seis meses.
Os agendamentos estarão disponíveis para as unidades da Asa Sul, Ceilândia e Gama. As vagas serão liberadas para atendimento nos sete dias subsequentes à data da marcação, e o paciente deverá realizar o atendimento na unidade em que já possui cadastro ativo.
O agendamento pelo Agenda DF ficará disponível de segunda a sexta-feira. Já as unidades da Farmácia de Alto Custo continuarão funcionando normalmente de forma híbrida e aos sábados, das 7h às 12h, garantindo a continuidade da assistência aos usuários do SUS no Distrito Federal.
*Com informações da SES-DF
Reportagens
CLDF debate reintegração social de pessoas privadas de liberdade
Sessão solene representou a abertura da 4ª Semana da Reintegração Social, iniciativa que promove ciclo de palestras dentro de unidades prisionais
Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF
A ressocialização de egressos do sistema prisional foi tema de sessão solene nesta sexta-feira (15), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O deputado Jorge Vianna (Democrata) mediou a debate, que teve a participação de profissionais e voluntários dedicados à reintegração de pessoas privadas de liberdade.
“Ressocializar é enfrentar o crime, é sufocar a oferta de mão de obra para a delinquência, não ser complacente com o criminoso. Se o Estado, se a política pública não der oportunidade de levar uma vida correta, o crime vai oferecer uma vida errada”, comentou o deputado. Ele considera que a reintegração deve ser fundamentada em quatro pilares: educação, trabalho, família e fé.
Durante a solenidade, foram apresentadas diversas medidas na área, entre elas:
• As ações da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, que, em 2025, realizou 15 projetos com as detentas, levando atendimentos de saúde, acesso à cultura e à qualificação profissional, além de momentos de ressocialização, como eventos especiais de Dia das Mães, Dia da Crianças e Natal, entre outras medidas. Os projetos foram realizados em parceria com organizações sociais e entidades religiosas.
• O trabalho do Centro Educacional 01 de Brasília, escola pública responsável pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) dentro das unidades prisionais;
• A atuação do Conselho da Comunidade, órgão com servidores voluntários que promove assistência aos presos ou internados, entre outras atribuições;
A sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital. E as fotos podem ser acessadas no banco de imagens da Agência CLDF (clique aqui).
Semana da Reintegração Social
A solenidade representou a abertura da 4ª Semana da Reintegração Social, iniciativa da organização filantrópica Instituto Começar de Novo. Entre os dias 18 e 22 de maio, pessoas privadas de liberdade vão ter acesso, dentro das unidades prisionais, a palestras sobre educação, trabalho, espiritualidade e vínculos familiares.

Os temas vão ser abordados por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Defensoria Pública, da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) e instituições privadas de qualificação profissional.
Ana Teresa Malta – Agência CLDF
Reportagens
Vladimir Sacchetta, jornalista e pesquisador, morre aos 75 anos
Dedicou-se a projetos da memória cultural e política brasileiras
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
Morreu nesta sexta-feira (15) o jornalista, produtor cultural, pesquisador e escritor Vladimir Sacchetta, aos 75 anos.

Sacchetta registrou as greves operárias do ABC, a memória do movimento operário e de revolucionários brasileiros, como Olga Benário. Colaborou em duas obras premiadas com o Jabuti: a obra póstuma de Florestan Fernandes e Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia, que escreveu em coautoria com Carmen Lúcia Azevedo e Márcia Camargos.
Sacchetta dedicou seus últimos anos a projetos de documentação e memória, como o Memorial da Democracia, do Instituto Lula; registros da Imprensa Alternativa, junto ao Instituto Vladimir Herzog, além de trabalhos sobre cultura brasileira.
“Vladimir Sacchetta dedicou sua trajetória à preservação da memória cultural e política brasileira, construindo um trabalho fundamental para o registro das lutas democráticas, da resistência à ditadura militar e da defesa intransigente da liberdade de expressão”, diz, em nota, o Instituto Vladimir Herzog.
Foi um dos fundadores da Sociedade dos Observadores de Saci, dedicada a valorização da cultura nacional. Também foi conselheiro do Centro de Documentação do Movimento Operário Mario Pedrosa (Cemap), no qual participou ativamente até poucos dias atrás.
“O Cemap perde um conselheiro brilhante; o Brasil perde um de seus maiores guardiões da memória”, diz o Cemap, em nota.
Sacchetta deixa dois filhos e neto.
O velório será realizado neste sábado (16) na Barra Funda, na capital paulista.
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