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Escolas de samba fecham desfile e reforçam diversidade presente na capital

No segundo dia do Carnaval fora de época, agremiações levaram emoção e identidade cultural à avenida

 

Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

 

A espera pelo toque da sirene que autoriza a entrada no sambódromo Marcelo Sena, no Eixo Cultural Ibero-americano, chegou ao fim para mais seis escolas de samba do Distrito Federal entre a noite de sábado (24) e a madrugada deste domingo (25). A grande campeã será conhecida pelo público na tarde deste domingo.

Além de cores, alegria, fantasias, interpretações e uma enxurrada de alegorias que encantaram o público brasiliense, as agremiações colocaram na avenida uma relevante amostra da diversidade cultural brasileira e, sobretudo, contribuíram para enobrecer ainda mais o samba na capital do país.

Pelo grupo de acesso entraram na avenida a Acadêmicos do Riacho Fundo II, seguida pela Capela Imperial de Taguatinga e pela Acadêmicos de Santa Maria. A primeira agremiação levou ao sambódromo um enredo sobre a relação Brasil-Portugal, com referência ao vinho e à cachaça. A escola de Taguatinga, uma das mais antigas do DF, por sua vez, apresentou uma letra em que exalta as belezas da cidade, que celebrou 65 anos em 5 de junho. Já a escola de Santa Maria homenageou a expressão artística e diversidade do Pará.

A Capela Imperial de Taguatinga sonha com a volta ao Grupo Especial | Fotos: André Luís/ Divulgação Secec

Tomada pela emoção logo após deixar a avenida, Sueli Gaspar, mais conhecida como Lili, presidente da Capela Imperial de Taguatinga, não economizou agradecimentos a cada integrante da agremiação. Ela lembrou das barreiras superadas, principalmente da falta de uma quadra para realizar os ensaios, mas enalteceu o apoio da comunidade de Taguatinga, que acolheu o projeto da escola que tenta voltar ao grupo de elite do samba brasiliense.

“Não foi fácil fazer esse desfile ganhar forma. Temos o objetivo de retornar ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído, o grupo especial, e, a partir disso, fizemos um ótimo trabalho. Agora vamos esperar pela apuração e torcer para que o resultado seja positivo para a Capela Imperial”, afirmou ela.

Grupo especial

São Jorge foi o enredo da Mocidade do Gama, primeira escola do Grupo Especial a desfilar no segundo dia de Carnaval

Pouco antes da meia-noite, a Mocidade do Gama, primeira escola do grupo especial a desfilar na noite, entrou na avenida para animar o público com um samba sobre a história de São Jorge, também chamado Jorge da Capadócia e venerado por cristãos e por religiões de matriz africana.

Na sequência, desfilaram a Bola Preta de Sobradinho e a atual tricampeã do Carnaval do DF, a Acadêmicos da Asa Norte. A agremiação da cidade serrana embalou o sambódromo com o enredo O jeito bola de ser — No bonde do Bola Preta você é o eterno folião, exaltando elementos culturais da cidade, como o Boi de Seu Teodoro. A escola do Plano Piloto abordou a história de mulheres negras que exerceram protagonismo na história do Brasil, prestando homenagem a personalidades como Elza Soares, Leci Brandão, Margareth Menezes e Marielle Franco. A figura da mulher brasileira que vive longe dos holofotes também foi abordada pela escola durante a apresentação no sambódromo.

O carnavalesco responsável pelo desfile da atual campeã, Robson Salazar, comemorou o retorno dos desfiles e mostrou confiança na conquista do quarto campeonato consecutivo da agremiação. “A história do nosso enredo tem início na ancestralidade e percorre uma trajetória até os dias atuais. Vamos mostrar a importância da mulher negra, que faz com que esse país seja diferente e, com isso, lutar para que o troféu permaneça na Asa Norte”, disse Robson antes do início do desfile.

A alegria dos integrantes da Bola Preta de Sobradinho contagiou a arquibancada

O trabalho de cada escola foi conferido de perto não apenas pelo time de jurados, mas também por personalidades do universo do samba. O carnavalesco Milton Cunha foi novamente o mestre de cerimônias e comandou a transmissão pelo canal do YouTube Carnavalesco, compartilhando informações sobre as escolas.

O presidente da Federação Nacional do Samba (Fenasamba), Kaxitu Ricardo Campos, foi outra personalidade a acompanhar de perto a realização dos desfiles. Ele parabenizou a volta do evento e elogiou o projeto de reestruturação do Carnaval brasiliense, por meio da Escola de Carnaval, iniciativa criada e fomentada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) para capacitar os amantes da festa mais popular do país.

“O que acontece aqui, hoje, é um marco na história do samba. Brasília sempre teve um dos maiores e melhores Carnavais do país e muita gente sentia falta de ver essa alegria, essa diversidade. Na federação acompanhamos de perto a reestruturação para que essa festa pudesse acontecer e vejo que é uma estratégia que precisa ser partilhada com outras regiões do país. É histórico e importante para o segmento de escolas e samba no Brasil”, analisou Kaxitu.

O colorido das fantasias da Acadêmicos de Santa Maria chamou a atenção
Entre pessoas que acompanharam a segunda noite de desfiles, estava Mauro Jorge Chaves, presidente de uma agremiação caçula de Brasília, a Unidos do Jardim Botânico, criada em 2015 e que nunca desfilou oficialmente em um carnaval da cidade. Com o retorno das apresentações após quase uma década, o dirigente acredita no fortalecimento do samba brasiliense.

Mauro espera, também, pela próxima edição dos desfiles. A oportunidade irá marcar a estreia da agremiação no sambódromo do DF. “Já fizemos apresentações monumentais no Jardim Botânico, apesar de sermos uma organização caçula ainda. Esse retorno dos desfiles representa uma retomada importante para Brasília, mas é ainda mais relevante para nós, que podemos vislumbrar novos objetivos daqui para frente”, concluiu o dirigente.

*Com informações da Secec

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Projeto prevê aplicação de multa à distribuidora de energia elétrica em caso de falha no fornecimento

EM TRAMITAÇÃO

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Foto: Reprodução/Web

Valor deverá ser compensado como crédito na fatura do usuário. A ideia é ressarcir os consumidores pelos prejuízos, além de estimular investimentos nas redes elétricas

O líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado distrital Robério Negreiros (PSD), apresentou um projeto de lei (PL 927/24) com o objetivo de determinar a aplicação de multa à concessionária de energia elétrica quando houver falha no fornecimento do serviço. A ideia é que sejam criados mecanismos para ressarcir os consumidores por ocasionais prejuízos, bem como estimular investimentos nas redes elétricas e, assim, melhorar a qualidade do serviço prestado.

O valor referente à multa indenizatória, de acordo com a proposta, deverá ser compensado como crédito na fatura de consumo do usuário. A multa será fixada no equivalente a cinco vezes a média do consumo, considerado o intervalo de tempo em que ocorrer falha no fornecimento de energia, e terá como base de cálculo o consumo dos últimos seis meses.

Defesa do consumidor

A proposta foi apresentada após recentes apagões que deixaram centenas de moradores sem luz em algumas regiões administrativas do DF. Para o distrital, esse tipo de situação impede, inclusive, o funcionamento de estabelecimentos e dificulta a expansão dos negócios para que as necessidades da população sejam atendidas.

 

 

Segundo o autor do projeto, por diversas razões as distribuidoras ainda alegam que a queima de itens eletroeletrônicos não é de sua responsabilidade e que os usuários não comprovam que os estragos são consequência das oscilações.“Todos sabem que a falta de energia pode danificar aparelhos eletrônicos, causando prejuízos aos consumidores, e é necessário estabelecer mecanismos para ressarcir tais danos”, defende Robério.

Por esse motivo, a proposta, afirma o parlamentar, tem como intuito garantir direitos e proteger o consumidor do DF. “O fornecimento de energia elétrica é um caso claro de relação de consumo, onde o consumidor é parte extremamente hipossuficiente, razão pela qual seus direitos devem ter tratamento diferenciado”, justifica o distrital.

* Com informações da assessoria de imprensa do deputado Robério Negreiros

Agência CLDF

 

 

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Recintos do Zoológico de Brasília são reformados para bem-estar dos animais

Estão em obras os espaços destinados a micos, onças, ariranhas e cervídeos. No caso do micário, ampliação está sendo feita para abrigar dois novos bichos que chegaram ao Zoo

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Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

 

Em breve, alguns espaços do Zoológico de Brasília estarão de cara nova. Os recintos dos micos, das onças, das ariranhas e dos cervídeos estão em obras para garantir ambientes mais confortáveis para os animais. As intervenções incluem benfeitorias, como pintura, e ampliação, com a criação de novas áreas. Para realizar os trabalhos estão sendo utilizados recursos do Governo do Distrito Federal (GDF) e de emenda parlamentar, num total superior a R$ 1 milhão.

O micário ganhou dois novos recintos que receberão um mico-leão-dourado e um mico-leão-da-cara-dourada | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília

A grande novidade é a extensão do micário. O espaço ganhou dois novos recintos que serão usados para abrigar dois animais que chegaram ao Zoo vindos de outros estados: um mico-leão-dourado e um mico-leão-da-cara-dourada. O primeiro já está integrado no plantel antigo, enquanto o outro segue no Hospital Veterinário aguardando a liberação para a exposição.

“Precisamos ampliar os espaços adequando às novas normas e algumas exigências que precisamos cumprir. Tem mais ou menos 15 anos que não se tinha entrega aqui no Zoológico”, revela o diretor-presidente da Fundação Jardim Zoológico de Brasília (FJZB), Wallison Couto.

O recinto das onças-pintadas, que já havia passado por intervenções com o aumento da grade e a instalação da cerca elétrica, agora terá outras melhorias. Além de uma nova pintura interna, o espaço voltará a ter uma área com água para os animais poderem nadar. “Tem um tempo já que a parte de água das onças não está funcionando. Vamos revitalizar para que possa voltar a funcionar novamente. Também vamos fazer uma cascata para o bem-estar dos animais”, adianta.

O espaço dedicado aos cervídeos vai ser equipado com um tanque de 24 metros quadrados

As obras se estendem, ainda, para o recinto das ariranhas, onde foi feita a pintura, a reforma do tanque e a recuperação de toda a área, e para o espaço dos cervídeos, onde fica o cervo-do-pantanal, com adaptação para a implantação de um tanque de 24 metros quadrados.

“Todas essas reformas, melhorias e construções foram pensadas para melhorar o ambiente interno dos animais. Temos um planejamento para os próximos cinco anos. O nosso trabalho aqui é de preservação e conservação ambiental. Criamos um cenário para que os animais se sintam bem”, esclarece o diretor-presidente.

Aprovação do público

A analista de sistemas Josiane da Cruz, 31 anos, passou a manhã com as filhas, as gêmeas Helena e Catarina, 3, no Zoológico. Esse é um passeio que a família adora. Ela se mostrou animada com as reformas no espaço. “Sem dúvida vai ser mais agregadora para o Zoológico e para as pessoas que estão vindo aqui fazer uma visita”, define.

Enyo Guimarães elogia as melhorias no espaço das onças-pintadas: “Vai ser mais agradável ver o animal mais confortável”

Para Josiane, o local é uma ótima opção de lazer e de contato com a natureza. “É um excelente lugar para trazer as crianças. Percebemos muitas melhorias. O Zoológico está bem limpinho e legal para passearmos com as crianças”, acrescenta.

O empresário Enyo Guimarães, 35, foi até o Zoo para fazer turismo e se surpreendeu com o espaço. Ele elogiou a iniciativa da FJZB de reestruturar os recintos. “Acredito que a reforma vai ser boa, porque sabemos que as onças gostam de contato com a água. Até para evitar que o animal fique estressado é importante”, diz. “E para nós, como visitantes, vai ser mais agradável ver o animal mais confortável”, analisa.

A empresária Romy do Socorro, 47, veio do Maranhão para conhecer o Zoológico. Essa foi a primeira experiência dela num espaço deste tipo. “Fiquei apaixonada, me encantei”, afirma. Sobre as obras, ela destacou: “Toda benfeitoria é bem-vinda, a população agradece. Quem ganha somos nós”.

 

 

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Força-tarefa define medidas para fortalecer acolhimento familiar

Recomendações foram publicadas hoje no Diário Oficial

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reuniu várias instituições, como ministérios e colegiados de assistência social, em uma força-tarefa para garantir o direito de convivência familiar a crianças, adolescentes e jovens mesmo durante medida protetiva de acolhimento. Uma recomendação conjunta foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (23), com objetivos e orientações.

O texto orienta que União, estados, Distrito Federal, municípios, Poder Judiciário e o Ministério Público trabalhem em regime de colaboração com a sociedade civil, para atingir objetivos como a implementação e a ampliação dos Serviços de Acolhimento em Família Acolhedora do Sistema Único de Assistência Social, por exemplo. Também recomenda um esforço para promover a transição da modalidade de acolhimento institucional para acolhimento familiar.

O principal objetivo é permitir que crianças e adolescentes afastados da família de origem por qualquer razão, possam aguardar uma solução em ambiente familiar, por meio de adoção temporária, por exemplo. Esse formato daria lugar à permanência do menor de 18 anos em instituições, até que ele possa ser reinserido na família ou que seja adotado de forma permanente.

As recomendações incluem a meta de garantir o acolhimento em ambiente familiar de, pelo menos, 25% da demanda do país até 2027.

O documento indica estratégias para atingir os objetivos estabelecidos, como o financiamento por diferentes frentes para ampliação do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, bem como o direcionamento dos recursos disponíveis preferencialmente para essa modalidade.

A estruturação, oferta e qualificação de formação inicial e de educação permanente para os atores envolvidos na transição, também são medidas previstas para alcançar metas e objetivos.

Mais do que recomendações, o documento é também um compromisso das instituições participantes de concentrar esforços em medidas que possibilitem a transição, como o estudo da situação de cada caso, a elaboração e implementação do Plano Individual de Atendimento (PIA), de forma intersetorial e o envio de relatórios trimestrais para o Poder Judiciário, pelo Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, por exemplo.

Além do CNJ, assinam o documento ministros e presidentes do Conselho Nacional do Ministério Público, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Ministério do Planejamento e Orçamento, Conselho Nacional de Assistência Social, Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente.

Edição: Graça Adjuto

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