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VIADUTOS ECOLÓGICOS NO BRASIL E OUTROS PAÍSES

Mais do que simples passarelas, são estruturas largas e com vegetação sobre rodovias e ferrovias.

 

Não são simples passarelas, mas são estruturas sofisticadas de concreto, largas e com vegetação. Corredores ecológicos sobre rodovias e ferrovias, começam a surgir meios eficazes para conectar fragmentos de florestas e reduzir o risco de atropelamentos. O último foi inaugurado em agosto, sobre a BR-101, na região do Rio de Janeiro onde vive a maior população silvestre de micos-leões-dourados. Segundo pesquisadores, a espécie precisa de 25 mil hectares de florestas conectadas para não correr risco de extinção.

 

No Brasil existem outros três viadutos com vegetação: um em São Paulo, sobre a Rodovia dos Tamoios, e dois sobre um ramal ferroviário da Vale no Pará, usado para transporte de minério de ferro. No resto do mundo, viadutos para travessia de fauna são a prova de eficiência.  A Holanda tem 30 construídos, e mais 20 em planejamento. No Canadá, só o Parque Nacional Banff tem 44 passagens: seis viadutos vegetados e 38 passagens subterrâneas.

Os viadutos ecológicos foram projetados para reduzir o impacto da fragmentação do habitat e o risco de atropelamentos, fatores responsáveis por extinção de espécies e alta mortandade da fauna.

O recém-inaugurado viaduto vegetado (em inglês, overpass) sobre a BR-101, na área de ocorrência do ameaçado mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) no estado do Rio de Janeiro, chamou a atenção para a possibilidade do aumento da implantação dessas estruturas no Brasil. Somente outros três desses viadutos, sendo dois em uma mesma linha férrea, existem em território nacional.

 

Viaduto sobre a BR-101, no Rio de Janeiro. À esquerda da rodovia está a Reserva Biológica de Poço das Antas; à direita, uma área que está sendo reflorestada. Quando toda a vegetação crescer, tanto a do viaduto e quanto a da área reflorestada, haverá um contínuo de vegetação uniforme. Foto: Wanderson Chan/AMLD.

 

“A função primária dos viadutos vegetados é restabelecer a conexão entre os ambientes dos dois lados da rodovia ou ferrovia e aumentar a possibilidade de travessias seguras, sobretudo para animais que de outra forma evitariam cruzar a via”, explica o biólogo e coordenador do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NERF-UFRGS), Andreas Kindel.

Para algumas espécies, a clareira gerada pela estrada, o ruído, a poluição e o movimento de veículos inibem e até impedem a circulação dos animais por um ambiente que já foi uma paisagem única, não dividida. É o que acontece com algumas espécies de aves que vivem no sub-bosque de florestas (região logo abaixo das copas das árvores maiores), anfíbios que habitam o solo forrado com folhas e alguns pequenos mamíferos que frequentam as copas das árvores (dossel), como roedores e marsupiais. “Esses animais evitam as estradas. Raríssimos são os registros de atropelamentos desses grupos”, explica Andreas Kindel.

 

FONTES DE ALIMENTOS E ÁGUA

Outro problema é a possibilidade de separar os animais de fontes de água e alimento, bem como causar problemas para processos migratórios. Populações de determinadas espécies também podem ficar restritas em áreas que não têm a capacidade de sustentá-las, gerando uma disputa interna entre os animais.

Evitar atropelamentos, que segundo o Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas (CBEE) são responsáveis pela morte de 475 milhões de animais silvestres no Brasil todos os anos, é uma função secundária dos viadutos vegetados. Kindel afirma que as cercas são ferramentas mais efetivas, pois impedem a interação entre veículos e animais. “Viadutos vegetados e outros tipos de passagens de fauna, sozinhos, não reduzem a mortalidade ou reduzem muito pouco”, salienta o pesquisador.

De acordo com Kindel, os viadutos são construídos em contextos bastante específicos, em geral quando a implantação da rodovia ou ferrovia envolve corte do relevo, como os morros. O projeto dessas estruturas deve levar em consideração a sua proximidade das formações vegetais remanescentes a serem conectadas, a garantia da manutenção dessa cobertura vegetal nativa das áreas ligadas, evitando o risco da expansão agrícola, da urbanização ou de outras infraestruturas inviabilizarem o ganho das áreas religadas, além de preferencialmente desfragmentar corredores de vegetação de abrangência regional e não somente local.

Mas para que os viadutos vegetados realmente funcionem, é necessária a instalação de um sistema com cercas para guiarem os animais até a estrutura. Elas impedem o acesso da fauna à rodovia ou aos trilhos e direcionam o deslocamento até o ponto de travessia. Se o trecho superior do viaduto tiver uma cobertura vegetal com as mesmas características de vegetação do entorno, há grande chance de ele ser utilizado.

 

 

AJUDANDO OS MICOS-LEÕES-DOURADOS

O viaduto vegetado construído na altura do km 218 da BR-101, em Silva Jardim (RJ), foi concluído no início de agosto. Ele é resultado de intensa mobilização da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), que a partir de 2012 se empenhou para conseguir a implantação de medidas que reduzissem os impactos da duplicação da rodovia ao ameaçado mico-leão-dourado e demais espécies da fauna da região.

 

A construção da BR-101 na década de 1950 ajudou no processo de fragmentação do habitat dos micos-leões-dourados. Atualmente, na altura do município de Silva Jardim, a pista está duplicada, o que torna ainda mais difícil atravessar a rodovia. De um lado da pista está a Reserva Biológica de Poço das Antas, onde vive a maior população da espécie; do outro, vários fragmentos de Mata Atlântica conservados em fazendas, reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs) e o Parque Estadual dos Três Picos.

A proposta de construção de um viaduto vegetado surgiu em 2014, quando a AMLD organizou um encontro técnico com pesquisadores, gestores das unidades de conservação da região e da Arteris Fluminense, concessionária responsável pela rodovia. A duplicação terminou antes mesmo que qualquer estrutura para a fauna fosse construída.

 

 

Toda a população silvestre de micos-leões-dourados — cerca de 2.500 indivíduos — vive em pequenos remanescentes de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. Segundo pesquisadores, são necessários 25 mil hectares de florestas contínuas para que a espécie não corra risco de extinção. Foto: Andreia Martins/AMLD.

 

NA SERRA DO MAR PAULISTA

O outro viaduto vegetado em rodovia existente no Brasil foi construído na altura do quilômetro 25,8 da SP-99 (Rodovia dos Tamoios), que liga São José dos Campos a Caraguatatuba, no estado de São Paulo. A estrutura, concluída em junho de 2018, foi erguida durante a duplicação da estrada, em um local chamado Serrinha, exatamente onde houve o corte de um morro.

De acordo com a empresa do governo paulista Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), responsável pelo projeto de duplicação da estrada, o viaduto vegetado, além de sete passagens de fauna inferiores (que passam por baixo da pista) e uma passagem feita com cabos entre copas de árvores, foram projetados para reduzir atropelamentos após a realização de campanhas de monitoramento de fauna na região.

Além desses dois viadutos, há planos de construir mais um terceiro sobre uma rodovia. Com projeto pronto, mas sem contrato de execução, ele será implantado na altura do quilômetro 54,5 da rodovia BR-280, em Santa Catarina. De acordo com o DNIT, o viaduto reconectará um fragmento de Mata Atlântica de cerca de 10 km² junto à cidade de Guaramirim com outro bem maior que chega até as proximidades de São Bento do Sul e ao trecho paranaense da Serra do Mar. Ele terá 40 metros de comprimento e 11 metros de largura.

 

 

Viaduto sobre a Rodovia dos Tamoios (SP-99), no estado de São Paulo. Foto: Concessionária Tamoios/divulgação.

 

 

Os primeiros viadutos para passagem de animais silvestres no Brasil foram construídos no ramal ferroviário que liga a mina da Vale em Canaã dos Carajás a Parauapebas, no Pará. Foto: Vale/divulgação.

COMO É NO EXTERIOR

Novidades no Brasil, os viadutos vegetados já são construídos há décadas em diversos países da Europa, nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Na América Latina, a primeira experiência com esse tipo de estrutura é da Argentina.

 

 

Viaduto vegetado na província de Misiones, Argentina. Foto: Diego Varela.

O viaduto vegetado argentino foi construído entre 2008 e 2010 sobre a rodovia RN-101, na província de Misiones – estado onde ficam as Cataratas do Iguaçu, na divisa com o Brasil. A estrada situa-se ao lado de um grande bloco de Mata Atlântica bem conservada que inclui o Parque Nacional Iguazú e o Parque Provincial Urugua-í. “O que motivou sua construção foi a localização em um corredor biológico no qual, desde 2002, trabalhamos na sua restauração e na criação de reservas naturais privadas”, explica Diego Varela, pesquisador do Instituto de Biologia Subtropical da Universidade Nacional de Misiones (IBS/CONICE) e da ONG Centro de Investigaciones del Bosque Atlántico (CeIBA).

A iniciativa tem resultado positivo. Ano após ano o número de espécies utilizando a estrutura tem aumentado, sendo que 24 mamíferos de médio e grande porte já foram registradas nela. Na região há onças-pintadas (Panthera onca), onças-pardas (Puma concolor), jaguatiricas (Leopardus pardalis), antas (Tapirus terrestres), queixadas (Tayassu pecari), catetos (Tayassu tajacu), veados-mão-curta (Mazama nana) e veados-mateiros (Mazama americana).

 

 

Viaduto vegetado no Parque Nacional Banff, no Canadá, na região das Montanhas Rochosas. Foto: cmh2315fl on VisualHunt / CC BY-NC.

 

Em unidades de conservação, e envolvendo uma única rodovia, a experiência canadense no Parque Nacional Banff é considerada uma referência. São 44 passagens de fauna selvagem, sendo seis viadutos vegetados e 38 passagens subterrâneas, além de 82 quilômetros de cercas ao longo da Rodovia Trans-Canadá, que corta a área protegida. Esse conjunto de medidas começou a ser planejado em 1981, quando o governo canadense resolveu duplicar a estrada, e foi pensado principalmente para atender animais de grande porte, como alces, cervos e ursos. Pesquisas indicaram ter ocorrido uma redução de mais de 80% de atropelamentos de fauna quando consideradas todas as espécies afetadas.

Na Holanda, um grande programa de reconexão de fragmentos de áreas com mata nativa, que inclui viadutos vegetados, foi iniciado em 1990. O trabalho identificou 1.126 pontos de desfragmentação em rodovias, ferrovias e canais hidroviários. Entre 2005 a 2018, 175 desses locais foram alvo de diversas intervenções. Atualmente, há 30 viadutos vegetados e outros 20 planejados.

 

 

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ASTROTURISMO 2

A conservação que vai além da paisagem

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Nos grandes centros urbanos a falta de céu já é uma realidade. Os moradores de Copacabana, no Rio, fora da Avenida Atlântica, já não veem mais o céu, um dos mais lindos do mundo. Não souberam preservar o céu de Copacabana, de São Paulo, do Balneário de Camboriú, do Recife e de outras capitais brasileiras. O céu para uma cidade grande ou pequena agrega um valor simbólico, sentimental e faz bem aos olhos. Nem é questão de turismo ou astroturismo. É questão de qualidade de vida. A verdade é que a população mundial vem perdendo o contato com o céu estrelado. Segundo o site do Entre Parques, estima-se que cerca de 80% das pessoas já não conseguem observar a Via Láctea, nem as Três Marias, nem o Cruzeiro do Sul a partir de suas áreas de residência, em razão do crescimento da poluição luminosa.

 

O ASTROTURISMO NO BRASIL

E O PROJETO ‘ENTREPARQUES’

O crescimento do astroturismo acompanha uma tendência global de valorização do turismo de natureza e de experiências com baixo impacto ambiental. Em áreas protegidas, essa modalidade permite que visitantes explorem o ambiente natural durante o período noturno, ampliando as possibilidades de visitação e promovendo novas formas de sensibilização ambiental.

Essa necessidade de conservação da paisagem e preservação do espaço celeste em áreas protegidas vem sendo debatida e estudada. Justamente pelo potencial do astroturismo. Nesse sentido nasceram inciativas diversas, como o projeto desenvolvido pelo ‘Instituto Entre Parques’ e o ‘Instituto AstroParques’, que criou o uma ferramenta que avalia o potencial de parques nacionais para a prática do astroturismo. O projeto se chama IASTR e considera fatores como poluição luminosa, condições climáticas e infraestrutura disponível para visitantes.

A estruturação do índice foi resultado de uma expedição realizada pelo ‘Projeto Entre Parques’ ao longo de mais de três anos. A ferramenta foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais das áreas de turismo, economia, psicologia, geografia e astronomia, incluindo especialistas vinculados a instituições públicas e acadêmicas.

Com base em conceitos de ciência cidadã e no uso de dados públicos disponíveis, o índice passou a avaliar os parques nacionais considerando critérios como a qualidade do céu noturno, a probabilidade de céu aberto ao longo do ano e a existência de infraestrutura turística, como condutores e locais adequados para pernoite.

Diversas unidades de conservação federais apresentam condições favoráveis para o desenvolvimento do astroturismo. Entre os exemplos estão o Parque Nacional das Emas, em Goiás, conhecido pela baixa poluição luminosa e pelo fenômeno da bioluminescência de larvas de vagalumes, além do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, também em Goiás, e do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, reconhecidos pelas excelentes condições de observação do céu noturno.

 

CÉU DAS CATARATAS

A noite nas Cataratas do Iguaçu: luz nas águas combinando com o céu estrelado. (Foto: Leo Caldas)

 

No Parque Nacional do Iguaçu (PR), uma das experiências mais recentes voltadas ao astroturismo é o programa “Céu das Cataratas”, que convida visitantes a contemplar o céu noturno em meio a um dos cenários naturais mais emblemáticos do país.

A atividade ocorre ao anoitecer e conduz os participantes até um mirante com vista para as Cataratas do Iguaçu, onde são realizadas observações do céu estrelado e apresentações que combinam conhecimentos da astronomia com saberes tradicionais dos povos originários, especialmente da cultura Guarani.

Durante a experiência, os visitantes têm acesso a explicações sobre a formação de estrelas, planetas e galáxias, além da observação de constelações e outros corpos celestes em um ambiente com baixa interferência de luz artificial, favorecendo a contemplação do céu noturno.

 

O CÉU DAS MONTANHAS DE MINAS

Minas Gerais sabe conectar suas montanhas com os céus. Montanhas e céus mineiros são vários, vibrantes e acolhedores. Melhor dizendo, apaixonantes. Minas tem ganhado destaque nacional e internacional no astroturismo. Tem parque quase se tornando ‘Dark Sky Park’, com observatório gigante em construção. Tem cidades com noites superescuras e tem até expedição astronômica em cavernas. Para quem quiser fazer um teste, lá vão algumas dicas.

 

  1. AIURUOCA e CARRANCAS

Ambas as cidades, no pé da Mantiqueira, têm altitude elevada, clima seco e quase nenhuma poluição luminosa, o que deixa o céu absurdamente limpo. Em noites claras, dá para ver constelações, planetas e até a Via Láctea brilhando forte, criando um show visual por entre montanhas e o céu. Apaixonante de dia e deslumbrante à noite.

DICA DE HOSPEDAGEM – Pousada Canto das Bromélias (Dadá) – Estrada dos Garcia KM 08 – Aiuruoca-MG Tel: 035) 99780-8351

 

  1. SÃO THOMÉ DAS LETRAS

A 1.400 metros de altitude é o destino clássico e místico, mas também perfeito para observar estrelas. Em S. Tomé das Letras tudo é embriagante: grutas, pedras e o céu.

Turistas em São Tomé das Letras se aglomeram para

esperar o milagre do pôr do sol…

 

.. e o milagre chega arrebatador!

 

  1. Luminárias – Quer um céu estrelado? Luminárias entrega uma experiência linda, com montanhas ao redor e pouca poluição luminosa. É um lugar ótimo para quem gosta de observar o céu e curtir o silêncio do interior.

 

  1. Gonçalves – Em plena Serra da Mantiqueira, chegando a quase 2.000 metros de altitude, Gonçalves tem noites frias, secas e super transparentes. Um prato cheio pros apaixonados por constelações. (foto: @nossashistoriasoficial)

 

  1. Parque Estadual do Ibitipoca – Um dos parques mais amados de Minas e um dos melhores para ver estrelas. Como o acesso é controlado, o céu fica super preservado. Em noites de lua nova, o espetáculo da Via Láctea impressiona.

 

6 – Parque da Serra da Canastra – Quer um céu realmente escuro, daqueles de perder o fôlego? É na Canastra. A região é enorme, cheia de mirantes naturais, com vista 360°. Ver estrelas ali é quase uma cerimônia. (blog: Rotas da Canastra – foto @leofroesft)

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ASTROTURISMO

O turismo que tem como motivação a observação dos astros e fenômenos celestes

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“Não tenho certeza de nada,

mas sei que a visão das estrelas me faz sonhar”.

Vincent van Gogh (1853-1890

 

Há duas dimensões infinitas: o Universo e a imaginação dos Homens. Justamente nessa interação, dos astros e dos seres humanos, nasceu o astroturismo que alguns preferem chamar de turismo astronômico. Na verdade, o corpo pode ser limitado, mas a mente, com o apoio ou não de equipamentos, pela fantasia e pela criatividade, é livre para explorar o universo. A prática, considerada uma das principais tendências do setor, une ciência, natureza e contemplação, impulsionando destinos rurais e naturais. Essa modalidade turística, voltada à observação do céu noturno, astros e fenômenos celestes, é realizada em locais com baixa poluição luminosa e atmosférica.

 

As unidades de conservação têm papel importante na atividade astro turística. Visitadas com frequência e localizadas longe de luzes artificiais, os parques nacionais e as áreas protegidas se destacam na preservação dos céus escuros e na proteção do céu noturno, por isso ideais para a promoção de todos os tipos de turismo sustentável e na conservação da biodiversidade.

 

O QUE ENVOLVE O ASTROTURISMO

Observação Estrelar: Uso de telescópios e observações a olho nu de constelações, planetas, galáxias e cometas.

Eventos Astronômicos: Viagens focadas em eclipses, chuvas de meteoros e auroras.

Visitas Técnicas: Observatórios, planetários e museus astronômicos.

Astrofotografia: Oficinas e ‘tours’ para fotografar o céu noturno.

 

 

BIODIVERSIDAD E OFERECEM CONDIÇÕES PARA O ASTROTURISMO

 

Via Láctea ilumina o céu no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), onde a baixa poluição luminosa favorece a observação astronômica e o desenvolvimento do astroturismo. (ICMBio)

 

Além de proteger a biodiversidade, as unidades de conservação preservam paisagens naturais e condições ambientais essenciais para a observação astronômica. Essa conexão entre conservação e visitação contribui para sensibilizar visitantes e fortalecer a valorização do patrimônio natural.

Para Serena Reis, Coordenadora substituta de Estruturação e Qualificação da Visitação do ICMBio, o astroturismo está diretamente alinhado com os objetivos das unidades de conservação. “O astroturismo dialoga diretamente com os objetivos das unidades de conservação ao promover a valorização do patrimônio natural e a sensibilização dos visitantes para a importância da conservação. A atividade também contribui para a aproximação de diferentes perfis de visitantes e reforça a importância da proteção de ambientes com baixa poluição luminosa”.

Entre as atividades que podem ser realizadas nas unidades, destacam-se a observação do céu estrelado, fotografia noturna e astrofotografia, caminhadas em trilhas durante a noite e ações educativas voltadas à astronomia.

No Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, a baixa incidência de nuvens e a reduzida poluição luminosa tornam a região uma das mais indicadas para a observação do céu noturno no Brasil. Em áreas mais afastadas das cidades, é possível visualizar a Via Láctea em determinados períodos do ano, uma experiência cada vez mais rara em regiões urbanizadas.

André Ribeiro, Diretor do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, destaca que além da observação do céu noturno, o pôr do sol também integra as experiências ligadas ao astroturismo na unidade. “As paisagens naturais da região – explica André Ribeiro – tornam esse momento um dos mais valorizados pelos visitantes. Aqui na Chapada dos Veadeiros, pelas paisagens todas, o pôr do sol é parte importante do astroturismo”.

Segundo André, preservação do céu escuro é um diferencial importante para a visitação e uma preocupação constante diante do crescimento urbano e da expansão da iluminação artificial. “Quando a iluminação não é adequada, vamos perdendo gradativamente a possibilidade de observar o céu noturno. A poluição luminosa é uma preocupação crescente, especialmente com o avanço das cidades e a ocupação de áreas rurais”, destaca.

 

Via Láctea registrada no céu do Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)- Foto: Rafael Pereira

 

 

TRAVESSIA DAS SETE QUEDAS

A Travessia das Sete Quedas, uma trilha de 23,5 km percorrida em 2 ou 3 dias, conhecida por acampar à beira do Rio Preto e passar por paisagens selvagens do Cerrado, é uma nova experiência de contemplação do céu da Chapada. A Travessia foi ampliada ao longo dos anos. Em 2013, a abertura da Travessia das Sete Quedas permitiu que visitantes passassem a pernoitar dentro do parque, vivenciando o ambiente noturno em meio à natureza

Já em 2022, trilhas passaram a ser abertas para visitação noturna na região de São Jorge, iniciativa viabilizada no contexto do contrato de concessão firmado pelo ICMBio e a concessionária Parquetur, com acompanhamento obrigatório de condutores credenciados, garantindo segurança aos visitantes e reduzindo possíveis impactos ambientais.

 

CONSERVAÇÃO QUE VAI

ALÉM DA PAISAGEM

Preservar áreas com baixa luminosidade não beneficia apenas o turismo, é essencial para a manutenção dos ciclos naturais de diversas espécies.

No Parque Nacional das Emas (GO), por exemplo, a baixa presença de iluminação artificial no entorno contribui diretamente para a qualidade do céu noturno e para a conservação da biodiversidade.

 

Estrelas no céu e nos cupinzeiros: bioluminescência de larvas de vagalumes ilumina cupinzeiro no Parque Nacional das Emas (GO), fenômeno natural que depende da preservação de céus escuros e da baixa incidência de luz artificial – Foto: Alisson da Silva

 

De acordo com a analista ambiental do ICMBio, Taynara Castro, a distância das áreas urbanas é um fator decisivo para a visibilidade do céu estrelado na unidade. “A baixa presença de luz artificial ao redor do Parque Nacional das Emas faz toda a diferença para a qualidade do céu noturno por aqui. Como quase não tem iluminação forte por perto, a poluição luminosa é bem baixa, e o céu acaba sendo classificado como ‘ótimo’ pelo Índice de Potencial Astroturístico dos Parques Nacionais (IASTRO), principalmente na parte norte do Parque”.

Em condições favoráveis, é possível observar constelações, planetas e até mesmo o braço da Via Láctea com nitidez. Esse cenário também favorece fenômenos naturais raros, como a bioluminescência de larvas de vagalumes presentes em cupinzeiros, um espetáculo natural que depende diretamente da ausência de luz artificial.

 

CÉU ESCURO AJUDA O EQUILÍBRIO NATURAL

Segundo a analista, manter o céu escuro é essencial para garantir o equilíbrio ecológico. “Vai além de ser um atrativo turístico. Ele é importante para a biodiversidade e para o equilíbrio ecológico, pois muitas espécies dependem da escuridão para se orientar, caçar, se alimentar e se reproduzir”.

A expansão urbana e o crescimento de atividades humanas próximas às unidades de conservação representam desafios para a manutenção dos céus escuros. A poluição luminosa, causada pelo excesso de iluminação artificial, pode comprometer a observação astronômica e afetar diretamente os ecossistemas.

Segundo Taynara, medidas simples e planejamento territorial adequado são fundamentais para evitar esses impactos. “É importante pensarmos no planejamento do território e reduzir atividades que joguem luz em excesso para o céu ou causem impacto direto na unidade. A fiscalização dos empreendimentos na zona de amortecimento também precisa ser reforçada, para garantir que o céu continue limpo e escuro”.

Entre as ações recomendadas estão o uso de iluminação direcionada e de baixa intensidade, a substituição de lâmpadas por modelos mais eficientes e a criação de regras municipais que limitem o excesso de luz artificial próximo às áreas protegidas.

Campanhas de conscientização com moradores e produtores rurais também são consideradas fundamentais, pois ajudam a demonstrar que a preservação do céu noturno pode trazer benefícios ambientais, científicos e econômicos.

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Futebol

Exposição conta a história da camisa canarinho

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Mostra no Museu do Futebol em SP começa nesta sexta-feira (22)

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

 

Naquele 16 de julho de 1950, no Maracanã, a torcida brasileira se calou, incrédula. A seleção do Uruguai venceu o jogo por 2 a 1 e foi campeã da Copa do Mundo, sobre o Brasil. Aquela partida ficou conhecida como Maracanazo e foi também a última vez que a seleção brasileira usou o branco como camisa principal em uma Copa do Mundo.

A partir daí, entrou em cena a Amarelinha, a icônica “camisa canarinho”, de cor amarela. Ela surgiu após um concurso nacional criado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e pelo jornal Correio da Manhã para substituir o uniforme da Seleção Brasileira, que até então era branco.

Um dos requisitos do concurso era que o uniforme tivesse as quatro cores da bandeira nacional. A proposta vencedora foi a de Aldyr Schlee, que sugeriu o uso do amarelo ouro na camisa, com gola e punhos em verde, e o calção azul cobalto. O branco ficou só nos meiões.

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“O Aldyr Schlee, então com 19 anos, um gaúcho desenhista que estudava direito, fez 100 esboços diferentes até chegar à ideia final”, explicou Marcelo Duarte, curador da mostra.

22/05/2026 São Paulo - Futebol: exposição conta a história da camisa canarinho. Foto: Nilton Fukuda/Divulgação
Mostra traz 18 camisas lendárias da Seleção Brasileira. Nilton Fukuda/Divulgação

A estreia da Amarelinha se deu no dia 28 de fevereiro de 1954, na vitória de 2 a 0 sobre o Chile, em partida pelas eliminatórias da Copa da Suíça. A estreia em Copa ocorreu em 16 de junho de 1954. E, desde então, esse modelo jamais deixou de ser a camisa número 1 da seleção brasileira.

“E aí a gente começou a perceber que a camisa amarela estava dando sorte. Em 1962, fomos campeões de novo [usando a Amarelinha], explica Duarte.

Ele acrescenta que, com o tempo, essa camisa começou a extrapolar os limites do campo.

“As pessoas passaram a associar aquela alegria do futebol com a coisa da brasilidade ou a algo alegre e festivo. Então, essa camisa virou referência de moda.”

Exposição

Todos os detalhes da história da camisa canarinho podem ser acompanhados no Museu do Futebol, na capital paulista. Em cartaz a partir desta sexta-feira (22), a mostra Amarelinha apresenta 18 camisas de lendários jogadores brasileiros como Sócrates, Rivellino, Ronaldo e Vini Jr.

A exposição recebeu peças emprestadas de cinco colecionadores e está dividida em três eixos: Antes da Amarelinha; Camisa: vestimenta, expressão, documento; e Seleções e Copas. São 18 camisas originais de Copas do Mundo de 1958 a 2022, inclusive a lendária usada pelo Rei Pelé na final da Copa de 1970, contra a Itália, quando o Brasil conquistou o tricampeonato.

A Amarelinha fica em cartaz até 6 de setembro. O ingresso custa R$ 24, mas é gratuito às terças-feiras. Mais informações estão disponíveis no site https://museudofutebol.org.br/.

“A gente sabe que o torcedor ama camisas, adora ver as camisas, ainda mais em uma época de Copa do Mundo. E apesar da politização que tomou conta da camisa amarela durante um tempo, ela é um símbolo do país no mundo inteiro”, frisou Duarte.

Evolução no tecido

22/05/2026 São Paulo - Futebol: exposição conta a história da camisa canarinho. Foto: Nilton Fukuda/Divulgação
Exposição conta a história da camisa canarinho. Nilton Fukuda/Divulgação

Uma das histórias sobre essa camisa, e que agora é contada pelo museu, trata da evolução do tecido, de acordo com a diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas.

Ela explica que a camisa foi evoluindo em termos de design, bordado, tecnologia têxtil. “[Há uma evolução] da camisa de algodão, que ficava muito pesada quando chovia, para as mais recentes que, muitas vezes, são feitas para se usar apenas uma vez”, acrescentou a diretora.

Identidade

Quem já a vestiu a camisa canarinho em campo sabe bem o que ela representa. Ainda mais depois de ter sido campeão. Para o ex-jogador Mauro Silva, que representou o Brasil na Copa de 1994, a camisa amarela extrapola as fronteiras brasileiras. 

“Essa camisa é um patrimônio não só do futebol brasileiro, mas do mundo porque a admiração por essa camisa transcende o povo brasileiro. Ela virou identificação.”

Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, o ex-volante Mauro Silva diz esperar que a atual seleção brasileira continue preservando esse legado. “Minha expectativa é que a seleção honre essa camisa e que essa camisa depois venha aqui para a exposição.”

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