Reportagens
#TBT: Memorial dos Povos Indígenas, um reduto de ancestralidade
Com acervo de mais de 2 mil artefatos, museu no Eixo Monumental inaugura série #TBTDoDF, especial que resgatará partes importantes da história do Distrito Federal
Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader
O Memorial dos Povos Indígenas (MPI) é um ponto de valorização e fortalecimento da cultura dos povos originários. Mais de 2 mil artefatos estão dispostos no equipamento público, localizado no Eixo Monumental e mantido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec). A visitação é gratuita e está disponível de terça a domingo, incluindo feriados.
A Agência Brasília conta a história por trás do Museu dos Povos Indígenas no #TBTDoDF – um especial de matérias que aproveita a sigla em inglês (Throwback Thursday) para mostrar episódios que marcaram o quadradinho.
A história do memorial começa na década de 1980, quando a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) planejava transferir o acervo do Museu do Índio do Rio de Janeiro para Brasília – o que, no entanto, não se concretizou. Por outro lado, a ideia de criar um espaço cultural indígena na capital federal prosseguiu, mas demorou a se tornar realidade.

Desenhado por Oscar Niemeyer, o MPI é inspirado em uma maloca yanomami. Teve a construção concluída em 1987 e está instalado em um ponto central de Brasília, ao lado do Memorial JK e próximo ao Palácio do Buriti e à Câmara Legislativa do Distrito Federal. O plano diretor foi elaborado pela antropóloga Berta Ribeiro, com a proposta de que o museu fosse um reduto de pesquisas e produção do conhecimento sobre as populações originárias.
Mas, apesar de ter sido pensado para os povos indígenas, o espaço só foi ocupado por eles 12 anos após a finalização da obra. O prédio chegou a ser destinado ao Museu de Arte Moderna de Brasília, ao Museu de Arte Moderna, a um Museu de Brasília e à sede da Câmara Distrital. Todas as tentativas não tiveram sucesso e foram veementemente contestadas pela população originária.

Em 1995, o MPI, finalmente, foi dedicado à causa indígena. Em abril daquele ano, lideranças karajá, kuikuro, terena e xavante promoveram a posse simbólica do espaço, reaberto oficialmente em 1999. O equipamento foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2007.
Imagens da construção do memorial estão armazenadas no Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF). “Nós nos orgulhamos de ter em nossos acervos registros da população indígena em diversos momentos históricos, bem como da construção e de celebrações realizadas no Memorial dos Povos Indígenas. Esse material, assim como outros, está à disposição dos interessados em conhecer um pouco mais sobre a história do DF”, afirma o superintendente do ArPDF, Adalberto Scigliano.
Conquista permanente
Hoje, o memorial é um ponto de encontro de indígenas e pesquisadores, sendo considerado uma importante atração turística. Mensalmente, cerca de 3 mil pessoas passam pelo MPI, em média. Grande parte do público é de estudantes de instituições públicas e privadas, que participam de visitas guiadas agendadas. Os encontros fazem parte do projeto Territórios Culturais, uma parceria da Secec com a Secretaria de Educação (SEE). Para saber mais, acesse este site.

O monumento conta com área de exposições, telecentro, local para eventos e jardim externo. Em 2019, o local passou por uma pequena reforma e ganhou dois banheiros novos, além de pintura externa e interna. Entre as obras em exposição, há peças representativas de vários povos brasileiros, com exemplares das etnias kayapó, xavante e karajás, entre outras, e itens da coleção da antropóloga Berta Ribeiro.
“Muitas vezes, as pessoas acham que um memorial é apenas para guardar lembranças dos que já foram. Mas este é um memorial dinâmico, lugar de ciência, lugar de índio, onde ele pode discutir seus problemas e apresentar sua cultura”, salienta o diretor do memorial, David de Oliveira. Segundo ele, além dos itens em exposição, há outras centenas armazenadas para pesquisa e restauração.
“Nós desejamos respeito e valorização, e o memorial é uma parte importante nesse processo”David de Oliveira, diretor do Memorial dos Povos Indígenas
Indígena da tribo terena, do Mato Grosso do Sul, David tem 83 anos e está à frente do equipamento cultural desde 2019. Trabalhou por 30 anos como indigenista da Funai e esteve presente em diversas lutas e conquistas dos povos originários. “Os terenas lutam para conseguir o melhor para eles, não importando se vão passar fome ou dormir no relento. Sabem que precisam chegar ao objetivo. Nós desejamos respeito e valorização, e o memorial é uma parte importante nesse processo”, frisa.
A professora do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), Cristiane Portela, afirma que existem duas formas de designar territórios indígenas de acordo com a forma com a qual os povos se relacionam – útero e luta. “Os territórios útero são as localidades reconhecidas e propostas pelos próprios povos e que, portanto, reafirmam os laços de comunitarismo étnico-cultural. Como uma extensão desses espaços, há os territórios luta, que não necessariamente são territórios de comunidades tradicionais, mas que servem ao propósito de reafirmar essas identidades”, explica.

“O memorial não é um espaço de pertencimento dos próprios povos porque foi criado por outros, mas ao mesmo tempo é um espaço que foi retomado e que tem sido cada vez mais ocupado pelos povos indígenas”, acrescenta Cristiane, que é coordenadora do programa de pós-graduação em Sustentabilidade Junto a Povos e Territórios Tradicionais.
Valorização
No calendário, duas datas promovem a valorização dos cidadãos originários: o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto e criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994, e o Dia do Indígena, 19 de abril, criado em 1943 pelo governo federal.

Em ambos os momentos, o indígena Mirim Ju, 34 anos, aproveita o memorial para promover ações de reconhecimento das raízes originárias. Neste ano, ele e outros voluntários realizaram contação de histórias e sessões de conversa. Nascido em São Paulo, ele é da etnia guarani e chegou ao DF em 2016. Atualmente, estuda geografia na UnB. “É um lugar sagrado, de encontro, de visibilidade para nós”, pontua.
É um lugar sagrado, de encontro, de visibilidade para nós”Mirim Ju
Mirim Ju afirma que as datas comemorativas, bem como o MPI, são essenciais para difundir a importância dos povos para a sociedade. “Eles trazem a lembrança de que os povos indígenas já viviam aqui há milhares de anos, muito antes da construção das cidades. Temos mais de 5 mil indígenas no DF”, observa.
A estimativa de Mirim Ju foi confirmada pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 5.813 indígenas vivem em alguma das 35 regiões administrativas atualmente, o que equivale a 0,21% da população total. O Governo do Distrito Federal (GDF) promove uma série de políticas públicas específicas para essas pessoas.

Neste ano, a Secec abriu linhas de investimentos em projetos sobre a cultura indígena dentro do Edital FAC (Fundo de Apoio à Cultura) Multicultural 2. Há uma vaga para projeto educativo no Memorial dos Povos Indígenas com aporte de R$ 350 mil, dentro da categoria Cultura de Todo Jeito. O proponente precisa garantir a realização de atividades educativas com o público geral e escolas públicas e privadas, além de cumprir uma série de critérios para ser selecionado. Também há duas vagas em ações de formação para Cultura Indígena e/ou Afrobrasileira, cada uma com aporte de R$ 60 mil.
A Secretaria de Saúde do DF (SES) oferece quatro equipes de referência para a saúde indígena, instaladas na Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 da Asa Norte, na UBS 1 de São Sebastião, na UBS Cariru da região do Café Sem Troco, na área rural do Paranoá, e na UBS 3 do Morro Azul, em São Sebastião. Regularmente, são atendidos 230 indígenas warao, 50 kariri-xokó e 130 guajajara – quantidade que varia, tendo em vista que as populações são itinerantes.
Já a Secretaria de Desenvolvimento Social do DF (Sedes) dispõe do Centro de Referência Especializado de Assistência Social Diversidade (Creas) Diversidade, na Asa Sul. A unidade é específica para públicos indígenas, quilombolas, membros da comunidade LGBTQIA+ e afins. Também há a equipe Imigrantes, que oferta serviços, benefícios, programas e projetos socioassistenciais a pessoas vindas de outros países, como os membros da etnia warao, indígenas provenientes da Venezuela, além do Cras Móvel, que leva assistência a comunidades mais afastadas.
No âmbito da geração de emprego e renda, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet) oferta vagas para indígenas refugiados e migrantes venezuelanos nos programas de qualificação profissional. É o caso do 1º Ciclo de 2023 do RenovaDF, que tem a participação de 33 indígenas warao.
Serviço
Memorial dos Povos Indígenas
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 17h
Telefones: (61) 3344-1155 e 3344-1154, para dúvidas gerais, solicitação de visita guiada ou pauta espontânea
Agendamento de visitas escolares: _educativo.mpi@cultura.df.gov.br_
Reportagens
Editais incentivam envolvimento de estudantes na iniciação científica
Com inscrições até 29 de junho, chamadas do Pibic, Pibic-AF, Pibiti e Pibic-EM estimulam a participação em projetos de pesquisa e inovação na UnB
Da Secretaria de Comunicação da UnB
Iniciação científica oportuniza a estudantes de graduação e do ensino médio a qualificação em pesquisa e a produção de conhecimento científico. Foto: Beto Monteiro/Secom UnB
A Diretoria de Iniciação Científica (Proic) da UnB, ligada ao Decanato de Pós-Graduação (DPG), lançou quatro editais de iniciação científica para o ciclo 2026-2027. As iniciativas contemplarão estudantes de graduação e de ensino médio interessados em participar de projetos de pesquisa sob orientação de docentes ou técnicos administrativos da Universidade de Brasília. As inscrições acontecem pelo envio de projetos, via orientadores, até 29 de junho.
O edital de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) visa despertar a vocação científica dos estudantes, fortalecer a formação profissional e desenvolver novos talentos nos campos da pesquisa e da inovação. Já o de Ações Afirmativas (Pibic-AF) é voltado a ingressantes por sistemas de cotas sociais, cotas para negros, indígenas, quilombolas ou pessoas trans, ou ainda pelo Programa de Estudantes do Convênio de Graduação (PEC-G) do Ministério da Educação (MEC).
Outro edital é o de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), cujo foco é qualificar estudantes de graduação em iniciativas para o avanço em tecnologia e inovação e incentivar a produção de conhecimento nessas áreas, em diferentes setores, desde comercial ao empresarial, social e ambiental.
Nestes três casos, podem aderir estudantes da UnB e de outras instituições de ensino superior do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride).
Há ainda o edital de Ensino Médio (Pibic-EM), destinado à participação de alunos de escolas públicas do DF no último nível escolar, seja do ensino regular, técnico ou militar. Neste, concorrem apenas estudantes de escolas públicas cadastradas junto à coordenação do Programa de Iniciação Científica do Ensino Médio (confira na chamada).
Para o diretor de Fomento à Iniciação Científica do DPG, Juscelino Bezerra, os editais consolidam a promoção à iniciação científica (IC) na Universidade ao democratizarem o acesso à pesquisa, integrarem a graduação à pós-graduação, ampliarem a produção científica e as perspectivas profissionais de estudantes e contribuírem para a permanência qualificada e para a equalização das condições de formação científica.
“Para os estudantes de graduação, a iniciação proporciona contato direto com metodologias e práticas de pesquisa, desenvolvimento do pensamento crítico e criativo, integração a grupos de pesquisa consolidados, fortalecimento do currículo para acesso à pós-graduação e inserção qualificada no mercado de trabalho”, enumera. “Para os estudantes do ensino médio, a participação desperta precocemente a vocação científica, desenvolve hábitos de investigação e raciocínio metodológico, e amplia horizontes de escolha profissional e vocacional”, acrescenta.

SUBMISSÃO DE PROJETOS – As inscrições de projetos científicos devem ser feitas pelos orientadores via Plataforma de Iniciação Científica (Plic), no site www.plic.app.br/unb. As propostas devem conter detalhes do projeto de pesquisa – introdução (problema e objetivos), justificativa (contribuição para a área), bibliografia e metodologia –, plano de trabalho dos estudantes e currículo lattes atualizado dos pesquisadores.
Os projetos contemplados poderão contar com estudantes voluntários ou bolsistas – estes, com remuneração vigente por até 12 meses, com início em setembro de 2026 e término em agosto de 2027. Cada estudante só poderá ser cadastrado, seja como bolsista ou voluntário, em um plano de trabalho, considerando o conjunto dos editais do Programa de Iniciação Científica. Já os orientadores só poderão indicar, cada, dois projetos por edital; ter, no máximo, dois bolsistas de um mesmo edital; e acumular até cinco bolsas entre os quatro editais.
Os critérios de participação dos discentes e orientadores, bem como os de pontuação dos projetos, podem ser consultados nas respectivas chamadas. Os editais contam com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). A UnB também fomenta o programa com R$ 2,5 milhões em recursos próprios.
Juscelino Bezerra comenta que, no ciclo anterior (2024-2025), a UnB contabilizou um panorama expressivo de 1.291 projetos de pesquisa inscritos, com 1.073 orientadores e 3.718 planos de trabalho. “Atualmente, temos 644 cotas de bolsas ativas do CNPq, 300 bolsas da UnB e 151 bolsas da FAPDF, totalizando 1.095 cotas de bolsas”, menciona.
CONEXÃO – Para facilitar a adesão de estudantes a iniciativas que concorrerão aos editais e aproximar orientadores dos interessados em realizar iniciação científica, o Proic disponibiliza o Painel de Vagas e o Banco de Talentos. O Painel exibe as ofertas de projetos de pesquisa conforme as grandes áreas do conhecimento, com o perfil do estudante desejado e descrição das atividades a serem realizadas. Já o Banco de Talentos é destinado aos orientadores, para que pesquisem estudantes que queiram atuar na iniciação científica e a área de conhecimento de interesse.
Em relação ao edital do Pibiti, parcerias com o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB), o Parque Científico e Tecnológico (PCTec/UnB) e a Diretoria Técnico-Científica da Polícia Federal (Ditec/PF) visam facilitar o acesso de estudantes aos projetos de inovação e pesquisa para participação na chamada.
ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.
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Hospital de Base muda vida de pessoas com transtornos alimentares
Única unidade do SUS a oferecer esse tipo de atendimento no Distrito Federal, o HBDF reúne psiquiatras, psicólogos e nutricionistas em acompanhamento estruturado para pacientes
Por
Agência Brasília* | Edição: Plácido Fernandes
O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), é a única unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal a oferecer atendimento ambulatorial estruturado para pessoas com transtornos alimentares. Com equipe formada por psiquiatras, psicólogos e nutricionistas, o serviço reúne diferentes especialidades para oferecer acompanhamento integrado aos pacientes.
Foi esse acolhimento que ajudou Maria Eduarda* a iniciar o processo de recuperação. A preocupação com a aparência começou ainda na adolescência. O que parecia ser apenas o desejo de emagrecer deu lugar a uma relação cada vez mais difícil com a alimentação e com a própria imagem. Após anos recorrendo a dietas radicais, ela desenvolveu transtornos alimentares que comprometeram sua saúde e a levaram à internação.
“Eu estava tão mal que comecei a sentir dor, meu corpo já não aguentava mais. Cheguei a perder o movimento das pernas. Não conseguia fazer nada sozinha, nem levantar o braço. Eu percebi que precisava de ajuda, mas, ao mesmo tempo, me achava bonita”, relembra.
No Brasil, 11 milhões de pessoas afetadas
Neste 2 de junho, Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas convivem com algum transtorno alimentar no mundo. No Brasil, estima-se que aproximadamente 11 milhões de pessoas apresentem algum tipo de distúrbio relacionado à alimentação.
“Não existe uma solução simples ou imediata. A evolução clínica depende, em grande parte, do manejo adequado, do reconhecimento da doença e da construção de estratégias terapêuticas individualizadas”
Geison Machado, médico psiquiatra do HBDF
De acordo com o médico psiquiatra do HBDF, Geison Machado, o tratamento começa pelo acolhimento e pela compreensão da história de cada paciente. “Não existe uma solução simples ou imediata. A evolução clínica depende, em grande parte, do manejo adequado, do reconhecimento da doença e da construção de estratégias terapêuticas individualizadas. Esse processo pode envolver diversos obstáculos, uma vez que nem sempre os pacientes apresentam condições clínicas, recursos emocionais ou disponibilidade subjetiva para reunir todos os elementos necessários ao tratamento e à recuperação”, explica.
Para Maria Eduarda, o maior desafio sempre esteve relacionado aos conflitos internos provocados pela doença. “Eu sabia que precisava melhorar e que não estava bem, mas isso iria contra algo que deixava a minha autoestima boa. É uma luta interna muito difícil, mas percebi que precisava de um tratamento que me ajudasse a viver a minha vida”, resume.
Entre os transtornos alimentares mais comuns estão a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a compulsão alimentar periódica. As doenças podem se manifestar de diferentes formas e nem sempre estão associadas à magreza extrema.
Segundo Machado, iniciativas de conscientização ajudam a ampliar o conhecimento sobre o tema e reduzir o estigma que ainda cerca esses transtornos. “Ao ampliar a compreensão sobre essas doenças, torna-se possível oferecer maior acolhimento às dificuldades, ao sofrimento e às demandas vivenciadas pelos pacientes. O conhecimento adequado também favorece o reconhecimento dos sintomas e facilita a busca por ajuda especializada”, afirma.
Redes sociais e pressão estética
Maria Eduarda, que segue em acompanhamento no HBDF, conta que a preocupação excessiva com o peso começou cedo. “Me lembro de não comer nada em dias que iria para alguma festa, porque queria estar mais bonita”, relata.
Para o psiquiatra, a exposição constante a padrões estéticos nas redes sociais, associada à pressão por determinados tipos físicos e à busca por resultados rápidos, pode contribuir para o desenvolvimento dos transtornos, especialmente entre adolescentes.
“Tive muito medo de não levarem o meu problema a sério, mas me ajudaram muito. Não me senti julgada em nenhum momento”
Maria Eduarda, nome fictício para preservar a identidade da paciente
“A comparação com outras pessoas faz parte do desenvolvimento humano. Porém, quando essa exposição ocorre de forma precoce e intensa, a cobrança aumenta e o surgimento de um transtorno se torna mais provável”, explica Geison Machado.
Como parte da recuperação, Maria Eduarda busca transformar hábitos e comportamentos que influenciam sua relação com a própria imagem. “Preciso mudar a forma como penso, os conteúdos que consumo nas redes sociais e até a maneira como lido com meus impulsos”, diz.
Como funciona o acompanhamento
No Hospital de Base, o atendimento é realizado de forma conjunta por psiquiatra, psicólogo e nutricionista. A atuação integrada permite que diferentes aspectos da doença sejam acompanhados simultaneamente. “O atendimento multiprofissional amplia nossa capacidade de escuta, fortalece o manejo clínico e contribui para respostas mais efetivas às necessidades dos pacientes”, destaca Machado.
Maria Eduarda relembra que teve receio na primeira consulta, mas depois se sentiu acolhida e ouvida. “Tive muito medo de não levarem o meu problema a sério, mas me ajudaram muito. Não me senti julgada em nenhum momento. Foi algo muito importante pra mim. Agora, sinto que vou conseguir seguir com o tratamento até o final”, celebra.
O atendimento ambulatorial para transtornos alimentares do Hospital de Base está disponível para toda a população do Distrito Federal. Para ter acesso ao serviço, é necessário apresentar um encaminhamento médico, da rede pública ou privada, para agendamento da consulta de avaliação.
(Obs.: *nome fictício para preservar a identidade da paciente)
*Com informações da IgesDF
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Mais de 130 filmes do DF se inscrevem para disputar o 28º Troféu Câmara Legislativa
Serão selecionados cinco longas e 10 curtas-metragens, exibidos de 14 a 18 de setembro durante o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Foto: Agência CLDF
O Troféu Câmara Legislativa destinado a filmes produzidos no Distrito Federal recebeu 131 inscrições para a sua 28ª edição. São 23 longas e 108 curtas-metragens, concluídos a partir do ano passado. “Estes números confirmam a força do cinema brasiliense e reforçam o papel da CLDF no fomento à indústria audiovisual do DF”, observa Claudinei Pirelli, em nome do Comitê Gestor da premiação.
Os títulos serão submetidos a uma seleção para escolher cinco longas e 10 curtas, que comporão a Mostra Brasília – competição que integra a programação oficial do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A exibição dos filmes que concorrerão ao 28º Troféu Câmara Legislativa acontecerá de 14 a 18 de setembro, no Cine Brasília, com entrada gratuita.
As produções inscritas e habilitadas a participar da seleção são de vários gêneros cinematográficos: ficção (69), documentário (46), híbrido – mais de uma linguagem (11) e animação (cinco).
“Esse resultado também demonstra a diversidade do audiovisual brasiliense, que atua de diversas maneiras, confirmando a criatividade e a habilidade técnica dos nossos realizadores”, completou Pirelli.
Premiação
Os filmes selecionados para a Mostra Brasília disputarão prêmios em dinheiro, que somam R$ 298 mil. Os vencedores serão escolhidos pelo júri oficial – composto por três especialistas na área do audiovisual – e o júri popular, formado pelos espectadores que comparecerem às sessões no Cine Brasília.
Os prêmios são divididos entre os melhores títulos – longa e curta-metragem –, indicados pelos dois júris, e categorias técnicas, como direção, ator, atriz e trilha sonora. Estes últimos, escolhidos pelo júri oficial, entre todos os filmes da competição.
O Troféu Câmara Legislativa foi criado em 1996, com o objetivo de reconhecer o talento dos cineastas do Distrito Federal e incentivar os jovens realizadores, e, ano após ano, acompanhou o crescimento da produção cinematográfica local. Na primeira edição, apenas seis títulos concorreram à premiação.
Marco Túlio Alencar – Agência CLDF
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