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As aves de minha aldeia

“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo… Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura…”

 

 “Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura…”

Fernando Pessoa

A propósito do DIA DAS AVES, a Folha do Meio Ambiente publica o prefácio que Johan Dalgas Frisch fez para o livro AVES DE ALDEIA, do publicitário e ornitólogo Roberto Harrop. As aves de minha aldeia são aves de todas aldeias do mundo. Não existe fronteira para o ar, para as fantasias, para os rios, para a imaginação, para as montanhas e para as aves. Ar e aves atravessam cidades, sonhos, províncias, almas, países e continentes.

A beleza da saíra-beija-flor (Cyanerpes cyaneus), pelas lentes de Roberto Harrop.

As aves são joias da natureza que encantam crianças, botânicos, engenheiros, economistas, administradores, músicos, velhos e adolescentes. As aves seduzem e apaixonam. A história de Roberto Harrop é mais ou menos como a minha. Ambos somos apaixonados por aves. Roberto e eu nos formamos em outras ciências. Eu me formei em Engenharia Química e Roberto Harrop se formou em Ciências Sociais. Mas isso não impediu nossa paixão pelas aves. Pelo contrário, nossas empresas são ‘cases’ de sucesso e nossos trabalhos profissionais são reconhecidos. Por isso investimos nossos próprios recursos em cuidar, estudar, pesquisar, fotografar, defender e curtir as aves do céu.

Coleção Roberto Harrop: Gaturamo-verdadeiro ou Guriatã (Euphonia violacea)

As aves exercem um encantamento tão grande na vida dos homens que a Bíblia tem passagens lindas sobre pássaros. A mitologia grega dá às aves importância extraordinária e os povos antigos tinham aves que eram literalmente adoradas. E hoje, cada nação, entre seus símbolos nacionais – como o Hino Nacional e a Bandeira – tem também uma ave típica para representá-la. Uma espécie que, pela beleza e pela característica da região, se identifica com as populações, com seus costumes, com sua cultura e suas crenças.

O sabiá cantado sempre em verso e em prosa pela literatura brasileira. A Ave Nacional do Brasil.

Roberto Harrop costuma se declarar um ornitófilo. Além de sua especialidade como cientista social e pesquisador de mercado, Harrop se aprimorou na arte de fotografar. Três paixões que deram um fruto precioso neste final de 2017: o livro AVES DE ALDEIA, um manual para quem gosta das aventuras do ‘birdwatching’ e para aqueles que gostam de estudar e apreciar a beleza das aves brasileiras.

A beleza da ararajuba nas cores verde e amarela.  Essa belíssima ave verde-amarela tão admirada e também super cobiçada pelo mercado? Infelizmente, a beleza e o alto valor comercial da Ararajuba estão comprometendo a sobrevivência da espécie, por ser presa fácil nas mãos de traficantes e contrabandistas. Em processo de extinção, a Ararajuba precisa de apoio. E não com títulos apenas, mas um apoio efetivo para impedir seu processo de extinção. Acho importante ressaltar que ambas as aves, o Sabiá e a Ararajuba, são queridas dos brasileiros. E o fato do Sabiá ser a Ave Nacional, não impede – aliás até obriga – que os órgãos ambientais e as entidades não-governamentais tenham um carinho especial pela Ararajuba. É grande a nossa responsabilidade pela proteção da espécie. Trata-se de uma espécie que possivelmente já enfrenta problemas de variabilidade genética da população existente na natureza, mas que ainda apresenta possibilidades de recuperação.

 

AS AVES NACIONAIS DE CADA PAÍS

As aves são criaturas tão encantadoras que cada país tem sua ave preferida: a ave nacional. Assim, por exemplo, a Andorinha (Hurundo rústica), expressão de liberdade cantada pelos poetas e músicos austríacos, é a ave nacional da Áustria. Na Inglaterra, o poeta William Shakespeare se inspirou na ave Robyn para justificar o romance de Romeu e Julieta. Por isso o Robyn tornou-se Ave Nacional da Grã-Bretanha. Cada ave nacional representa o espírito poético de cada povo.

A ÍNDIA tem como ave nacional o pavão (Pavo cristatus) que respresenta a pujança e a beleza de um país misterioso.

Nos ESTADOS UNIDOS, a águia de cabeça branca, representa a imagem da força e beleza da união dos diversos estados norte-americanos.

A SUÉCIA tem o tordo (Turdus merula) que anuncia com seu canto a primavera depois do terrível inverno ártico.

O federal (Amblyramphus holosericeus) é a ave nacional do URUGUAI que, com sua cabeça bem vermelha simboliza o soldado bem alerta que guarda a fronteira.

A ave nacional da ARGENTINA é o nosso popular joão de barro que lá tem o nome de Hornero (Furnarius rufus) e representa o povo dos pampas que constrói sua casa com competência para se proteger do frio vento minuano.

O CHILE tem como ave nacional o Papapiri (Tachuris rubrigastra) que vive nos juncais chilenos em harmonia com os camponeses de descendência Inca.

Na ISLÂNDIA, o Gyr Falcão – falcão tão procurado por reis para a falcoaria em regiões árticas – representa a força e o esplendor das terras gélidas e brancas da Islândia.

Na DINAMARCA, a cotovia sempre foi adorada por poetas. A cotovia tem um cantar lindo e singelo em pleno mergulho de vôo sobre as planícies da Jutlândia.

Na NOVA ZELÂNDIA, o kiwi – uma ave misteriosa de hábitos noturnos e sem asas, simboliza a magia dos povos nativos, pois o seu ovo é quase do tamanho de uma ave jovem. Representa a sorte, o amor e a felicidade dos povos nativos da ilha. E esta crença foi incorporada aos novos habitantes de descendência britânica com grande alegria.

A GUATEMALA adotou o quetzal (Pharomachrus mocinno) como ave nacional. O quetzal é uma espécie de surucuá dos mais lindos do mundo.

 

AVE NACIONAL DO BRASIL

E qual a Ave Nacional do Brasil? O Brasil, campeão mundial da biodiversidade em plantas e em aves, só em 2002 conseguiu ter sua ave nacional.

Foram quase 30 anos de promessas e de muito trabalho para conseguir que o governo brasileiro criasse uma ave símbolo do Brasil. Em 3 de outubro de 2002,  junto com dois amigos também apaixonados por aves – o jornalista Ciro Porto, da TV Globo de Campinas, e o jornalista Silvestre Gorgulho, da Folha do Meio Ambiente – fui a Brasília conseguir o apoio dos ministros do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho; Paulo Renato, da Educação; e do Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Euclides Scalco, para que o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinasse o decreto fazendo do Sabiá a Ave Nacional.

Outros ornitólogos defendiam propostas diferentes. Na verdade, outras belas aves mereciam também ter esse prestígio. Como não se encantar com uma ararajuba que tem as cores da bandeira nacional, verde e amarela?

Como não se encantar com o canarinho-da-terra, com o corrupião ou com o uirapuru?

Quem encontrou a solução foi o povo, as escolas, os poetas e compositores brasileiros. Que ave brasileira está mais presente no cancioneiro popular, nas poesias e nas páginas da literatura nacional? Não tem a menor dúvida, é o Sabiá.

As aves são assim: provocam paixões e despertam encantamento. As aves alimentam a alma humana de humildade, criatividade, engenho e de amor à natureza.

Salve Roberto Harrop que sabe cantar tão bem as aves de minha aldeia…

O Sabiá Laranjeira (Turdus rufiventris) é uma ave que está por toda parte. Está nas matas, nos parques, nos quintais, terreiros e até dentro das cidades, onde exista um mínimo de arborização. Assim, a espécie tem uma ampla distribuição geográfica e, por isso mesmo, é fácil buscar o engajamento das pessoas, especialmente das crianças, na luta pela preservação ambiental. Todo mundo já viu e conhece o canto do Sabiá. Se entrarmos numa sala de aula e perguntarmos para a criançada: quem conhece uma música ou uma poesia com o nome de Sabiá? Não há quem não levante a mão. O Sabiá pode dar mil argumentos para uma bela aula de educação ambiental. Pela forte presença na literatura e no cancioneiro popular brasileiro, o Sabiá é uma ave que está sempre na cabeça das pessoas de Norte a Sul do Brasil. Por isso, independentemente de raça ou de poder aquisitivo de quem defende seu status de ave símbolo, o Sabiá bem que pode ser utilizado como bandeira para a sensibilização das pessoas, conscientizando cada uma do seu papel para maior e melhor conservação do meio ambiente.

 

 

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SANTA CRUZ DE TENERIFE: QUANTA BELEZA, ARTE E CIVILIDADE

(Parte 5)

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Deixando o navio para visitar a cidade, me chamou logo a atenção um desfile, em pedestais, das maiores personalidade que já visitaram Tenerife. Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas. (Uma boa ideia para fazer em duas cidades que amo: São Lourenço-MG e Brasilia)
Duas personalidades me fizeram lembrar da “Folha do Meio Ambiente”: Marianne North e Alexander Von Humboldt.
Marianne porque morou vários anos no Rio de Janeiro e abriu uma grande série que fizemos no jornal chamada “NATURALISTAS VIAJANTES”.
Von Humbolt, fundador da moderna geografia física e autor do conceito de meio ambiente geográfico, fez uma das mais belas metáforas que já li quando visitou o Brasil e viu uma vereda coberta de vagalumes:
“OS VAGALUMES FAZEM CRER QUE, DURANTE UMA NOITE NOS TRÓPICOS, A ABÓBODA CELESTE ABATEU-SE SOBRE OS PRADOS”.
TENERIFE, PAISAGEM E CULTURA
Não foi à toa que o jornal “The Garden” escolheu Tenerife um dos melhores lugares do mundo para se viver.
Também não foi à toa que chegar ontem, dia 22, no Porto de Tenerife, havia 5 grandes transatlânticos, inclusive o da National Geographic, com turistas do mundo inteiro. Tanto a cidade de Santa Cruz de Tenerife, como a ilha são um convite às compras e passeios.
# O arquipélago das CANÁRIAS são formadas por 7 ilhas. Tenerife e Las Palmas são as principais cidades. Amanhã visitaremos outra ilha e Las Palmas.
# Tenerife se destaca por sua arquitetura contemporânea e diversificada. O auditório de Tenerife é singular e chama logo a atenção.
# A Praça da Espanha é o coração da cidade com um lago, fonte, rodeada de monumentos e esculturas gigantes. Espetacular!
# A rua central é só para pedestres. Um desfile de gente, de lojas de grife e cafés. Um charme!
# E se pode visitar o Parque Nacional do Teide, Patrimônio da UNESCO, onde tem um vulcão ativo de paisagem alucinante. No caderno de notas de Cristóvão Colombo (1492) aparece uma referência ao Teide em erupção.
É a segunda vez que visito Tenerife. Prometi a mim mesmo que vou voltar.
Fotos
1) Mapa do arquipélago
2 e 3) Toten com Marianne North e Von Humboldt
4) “Desfile” dos totens
5) filme da chegada do navio Norwegian Star
6) A cidade de Tenerife vista do navio
7) o vulcão Teide
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CABO VERDE: A ILHA DE BOA VISTA E BRASÍLIA

(Parte 4)

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No dia 20, visitamos MINDELO, na Ilha São Vicente. Que grata surpresa!
Mindelo é conhecida em todas as ilhas de Cabo Verde como a BRASILIM, que no dialeto criolo significa BRASILINHA ou Pequeno Brasil.
Visitamos o Centro de Artes, Design e Artesanato, na Praça Nova, onde tem uma exposição temporária da artista Bela Duarte. Visitamos também o muro onde está a figura de outra cabo-verdiana ilustre: CESÁREA ÉVORA.
O povo cabo-verdiano é super simpático e hospitaleiro. Nosso guia, Danilo, nos disse uma frase que revela bem a força cultural e a beleza do casario de Mindelo, cidade da poetisa e cantora Cesárea Évora e da artista plástica Bela Duarte: “Praia é a capital, mas Mindelo é a principal!”
Na parte 4, vou falar sobre Cabo Verde e Brasília: uma circunstância histórica e trágica.
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MINDELO, A PRINCIPAL. CULTURA e CASARIO

(Parte 3)

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Hoje, 20, visitamos MINDELO, na Ilha São Vicente. Que grata surpresa!
Mindelo é conhecida em todas as ilhas de Cabo Verde como a BRASILIM, que no dialeto criolo significa BRASILINHA ou Pequeno Brasil.
Visitamos o Centro de Artes, Design e Artesanato, na Praça Nova, onde tem uma exposição temporária da artista Bela Duarte. Visitamos também o muro onde está a figura de outra cabo-verdiana ilustre: CESÁREA ÉVORA.
O povo cabo-verdiano é super simpático e hospitaleiro. Nosso guia, Danilo, nos disse uma frase que revela bem a força cultural e a beleza do casario de Mindelo, cidade da poetisa e cantora Cesárea Évora e da artista plástica Bela Duarte: “Praia é a capital, mas Mindelo é a principal!”
Na parte 4, vou falar sobre Cabo Verde e Brasília: uma circunstância histórica e trágica.
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