Artigos

PRAÇA DO CRUZEIRO

A PRAÇA QUE TUDO TESTEMUNHOU

 

A Praça do Cruzeiro, antes e durante a construção da nova capital no Planalto Central em substituição ao Rio de Janeiro, devido à sua privilegiada localização, por ser o ponto mais alto do lugar escolhido para a construção de Brasília –  1.172 metros de altitude – foi um dos locais mais visitados no período da construção e ponto do qual se podia vislumbrar o imenso campo de obras que, a partir de 03 de novembro de 1956,  a área entre os rios Bananal e Riacho Fundo, em  suave declive em direção ao Rio Paranoá, se tornava. Anterior ao projeto de Lucio Costa por causa do Cruzeiro ali instalado, nos primórdios de Brasília, o local nasceu tão importante quanto a própria cidade que se construía aos seus pés. Contudo, aos poucos, com a atenção sendo dirigida para o revolucionário projeto urbano de Lucio Costa e para a arquitetura modernista de Oscar Niemeyer, o Cruzeiro, ou como hoje denominada, a Praça do Cruzeiro, foi entrando no anonimato. Por meio desta exposição queremos resgatar alguns importantes momentos históricos desta praça que nasceu antes de Brasília, afim de que, ao visitá-la, possamos olhar aquele Cruzeiro de madeira, ladeado por um enorme banco circular, não apenas como um local privilegiado para ver o pôr do sol, mas, acima de tudo, como um espaço histórico que nos associa a todos aqueles que sonharam e construíram Brasília, no coração do nosso imenso território brasileiro.

 

Arpdf/00351_BR DFARPDF NOV_D_04_04_B_03


Praça do Cruzeiro – fevereiro de 1955: primórdios…

 

A Praça do Cruzeiro começa sua história em fevereiro de 1955 quando o Marechal José Pessoa, presidente da Comissão de Localização da Capital Federal, e sua comitiva, vem ao Planalto Central visitar os cinco lugares apresentados pela empresa Donald J. Belcher and Associates Incorporated para a escolha definitiva do lugar onde a capital seria construída. Num dos sítios, batizado de “Sítio Castanho” se dirigem ao ponto mais elevado do lugar. [1] Pela primeira vez, o local que não tinha sido ainda assim batizado como Praça do Cruzeiro, serviu para vislumbrar a cidade que iria nascer aos seus pés.

 

[1] Ernesto Silva. Entrevista do Programa de História Oral do ArPDF.

 

 

Tocador de áudio

 

 

Arpdf/1870_BR DFARPDF NOV_B_18

 

Praça do Cruzeiro – fevereiro de 1955: primórdios…

 

Na primeira visita àquela colina plana, ponto mais alto da Fazenda Bananal, que alguns meses depois receberia uma pequena cruz da madeira, seis jipes estacionaram no local.[1] Ernesto Silva, um dos membros da Comissão de Localização da Capital Federal, presente na visita, assim se expressou: “Lembramo-nos bem do entusiasmo que nos assaltou ao divisarmos o horizonte em torno, numa amplitude de trezentos e sessenta graus. Tudo em redor era azul, horizonte infinito! Permanecemos por alguns minutos, extasiados, a nos sentirmos pequeninos ante […] a antevisão da cidade moderna a ali se erguer, dentro em breve […].” [2]

 

[1] Ernesto Silva. Entrevista do Programa de História Oral do ArPDF.

[2] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 63-65.

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

Arpdf/Coleção Documentos Goyaz_ArPDF_Acervo Altamiro de Moura Pacheco

 

Praça do Cruzeiro – abril de 1955: escolha da região para a construção da capital do Brasil.

 

Em abril de 1955, entre as cinco opções apresentadas para o local da construção da nova capital, a região em leve declive que se estendia aos pés da atual Praça do Cruzeiro em direção ao Rio Paranoá, e que pertencia ao identificado oficialmente como o “Sítio Castanho” para se evitar a especulação imobiliária, foi escolhida para a construção de Brasília. Aquela colina anônima que vislumbrava um belíssimo panorama em direção ao Rio Paranoá começa a testemunhar sua relação inseparável com a nova capital plantada no Planalto Central que começa a ser construída.

 

 

 

Arpdf/0682_BR DFARPDF NOV_B_03

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1955: recebe o seu batismo, uma tosca cruz de pau-brasil.

 

No final de abril de 1955, por meio de um acordo com a Comissão de Localização da Capital Federal, o governo de Goiás declara de utilidade pública as terras dentro da área do novo Distrito Federal. Marechal José Pessoa, presidente da Comissão, no intuito de demarcar o lugar, solicita ao governo de Goiás[4] que coloque uma cruz no ponto mais alto do lugar escolhido para a construção de Brasília. Encarregou-se do trabalho o vice-governador de Goiás, Bernardo Sayão: dois galhos de madeira pau-brasil [5] foram entrelaçados e, a tosca cruz de madeira foi plantada no chão do Cerrado. Estava batizado o local. A partir de abril de 1955 aquele mirante é designado nos documentos como “o Cruzeiro”.

 

[4] Cf. Diário Oficial da República de 10 de setembro de 1955. Apud SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 85.

[5] Léa Sayão. Meu pai Bernardo Sayão, 6ª edição. Brasília, 2004, p. 127.

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

Arpdf/0683_BR DFARPDF NOV_B_03

 

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1955: recebe um cruzeiro permanente.

 

Poucas semanas após o vice-governador de Goiás, Bernardo Sayão, plantar uma primitiva cruz feita com galhos de pau-brasil, em vista da visita do presidente da República, Café Filho, para conhecer o local onde Brasília nasceria e participar da celebração de uma missa[6-7] foi instalada uma imensa cruz de madeira aroeira[8] torneada, com uma base feita em alvenaria recoberta com pedras. Ao redor da base um tablado em madeira permitia uma visão melhor ainda da região e servia aos visitantes para as fotografias. A partir de abril de 1975 a Praça do Cruzeiro recebeu uma réplica do primeiro Cruzeiro. A cruz original está em exposição permanente na Catedral Nossa Senhora Aparecida, em Brasília.[9]

 

[6] Entrevista de Jofre Mozart Parada ao Correio Braziliense, apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 138.

[7] Ernesto Silva IN Correio Braziliense, Edição Comemorativa da Transferência da Capital Federal para Brasília, 1960, p. 7.

[8] Entrevista de Joffre Mozart Parada ao Correio Braziliense, apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 138.

[9] Cf. Placa metálica afixada aos pés da cruz original em exposição na Catedral de Brasília.

 

 

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

Arpdf/02945_BR DFARPDF NOV_C_3

 

O Cruzeiro: uma estratégia para dar nome à nova capital.

 

A intenção de colocar uma cruz no ponto mais alto do lugar onde Brasília seria construída foi intencionalmente decidida pelo Marechal José Pessoa, presidente da Comissão de Localização da Capital Federal. Por meio daquele Cruzeiro ele desejava reforçar a sua intenção de que a nova capital se chamasse “Vera Cruz”. [10]  Mais do que identificar um ponto mais alto, a Praça do Cruzeiro nasce com a intenção de batizar a nova cidade-capital. A estratégia não surtiu efeito, contudo, um Cruzeiro de madeira esteve permanentemente fincado naquele lugar. Eleito Juscelino Kubitschek, este preferiu a sugestão do Patriarca da Independência, José Bonifácio: Brasília. [11]

 

[10] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 86.

[11] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 83.

 

 

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

Arpdf/2615_BR DFARPDF NOV_C_3

 

 

Cruz da Praça do Cruzeiro: a verdadeira pedra fundamental.

 

Testemunho do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira: “Essa cruz constitui a verdadeira pedra fundamental da cidade. É, sem dúvida, seu marco histórico, e muito mais expressivo do que a placa, fundida no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, e colocada perto da cidade de Planaltina, dentro do quadrilátero Cruls.”[12]

 

[12] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 32-33.

 

 

 

 

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

Arpdf/0681_BR DFARPDF NOV_B_03

 

Praça do Cruzeiro – [1954-1955]: recebe o Marco Geodésico nº 8 do IBGE – Conselho Nacional de Geografia.

 

Para situar no chão do Cerrado o projeto da nova cidade capital no chão da Fazenda Bananal era necessário ter uma referência geodésica de Latitude e Longitude amarradas às coordenadas do Sistema Geodésico Brasileiro. [13] Foi exatamente na Praça do Cruzeiro que foi instalado o marco geodésico identificado por uma pequena bandeira à direita monumento. Foi com base nele que os topógrafos da NOVACAP colocaram o plano de Lucio Costa no chão.[14] Atualmente o Vértice nº 8 pode ser visto ao lado da Praça do Cruzeiro em concreto e pintado com tinta laranja.

 

[13] Cf. https://www.ibge.gov.br – Acesso em 08/03/2021.

[14] Entrevista do topógrafo Jethro Bello Torres ao Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal.

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

 

Praça do Cruzeiro: ponto de referência da locação de Brasília.

Entrevista de Jethro Bello Torres ao Programa de História Oral do Arquivo Público do DF

 

“É o inicial, o marco sul do IBGE, o Vértice nº 8. Foi daqui, da parte geodésica do IBGE – Conselho Nacional de Geografia, junto ao Cruzeiro, que partiram as coordenadas. Não tinha nada, era tudo cerradão. Abriu-se então as primeiras picadas. Esse primeiro marco foi dos técnicos do IBGE, lá por 1954, 1955, que demarcaram essa rede de triangulação. Eram coordenadas que o Marechal José Pessoa havia providenciado. Este foi o ponto de partida [..] o ponto vetorial da geodésia de Brasília, o Vértice nº 8.”[15]

 

[15] Entrevista de Jethro Bello Torres para o Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal. Conteúdo filmado.

 

 

 

 

 

 

Arpdf/2616_BR DFARPDF NOV_C_3

 

 

Praça do Cruzeiro – outubro de 1956: recebe a primeira visita do Presidente da República, Juscelino Kubitschek.

 

Em 19 de setembro de 1956 a NOVACAP, empresa pública encarregada da construção de Brasília, estava criada. Tendo em vista a iminência do início da construção da cidade capital, o Presidente Juscelino Kubitschek decide visitar pela primeira vez o local. No dia 02 de outubro de 1956, depois de pousar numa pista de pouso provisória aberta onde foi construída a Rodoferroviária, a Praça do Cruzeiro torna-se o palco da primeira visita do presidente da República.

 

Tocador de áudio

 

 

 

Arpdf/48182_BR DFARPDF SCS-HF-12-9-C-2

 

Praça do Cruzeiro – outubro de 1956: testemunha as primeiras impressões do Presidente JK.

 

O Cruzeiro testemunhou o primeiro contato do presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, com a terra que iria acolher a nova capital: “Quando o avião sobrevoou o local da futura capital, concentrei-me em observar a região. […] Tudo era chato e plano – a vastidão desconcertante do vazio. Lá estava o Cruzeiro, de braços abertos, como que saudando os intrusos que chegavam pelo céu. […] Visitei o local onde se erguia o Cruzeiro, o qual, sendo o ponto mais elevado da região, permitia uma visão de conjunto do cenário que emolduraria a futura capital. A vista era maravilhosa.” [16]

 

[16] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 46.

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

 

Arpdf/3155_BR DFARPDF NOV_C_3

 

Praça do Cruzeiro – outubro de 1956: local das primeiras decisões sobre as obras de Brasília.

 

Era urgente que os trabalhos de construção não esperassem o resultado do concurso do Plano-Piloto, que só sairia em março de 1957. Essa urgência levou JK a tomar algumas decisões durante a primeira visita, em 2 de outubro de 1956. [17] Lá estava a Praça do Cruzeiro a ser o palco das decisões relativas às primeiras obras a serem iniciadas. Ao redor do enorme Cruzeiro, JK, Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, recém-nomeado presidente da NOVACAP, com outros que se faziam presentes, começaram a examinar os mapas preparados para a ocasião. Como a prioridade era a construção de um aeroporto, e os projetos sugeriam três lugares, foi escolhido o local e decidido o início imediato da construção do aeroporto internacional de Brasília.[18]

 

[17] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 46.

[18] Diário de Notícias. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 535.

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

Arpdf/0518_BR DFARPDF NOV_B_02

 

 

Praça do Cruzeiro – outubro de 1956: de onde se decidiu localização da residência provisória do Presidente JK.

 

A criação de uma empresa dedicada exclusivamente à construção de Brasília havia sido aprovada em 19 de setembro de 1956. O lugar para instalar os galpões e a infraestrutura básica para receber os primeiros operários também já estava decidido. Contudo, a fim de acompanhar a construção da cidade, o presidente queria um lugar para morar provisoriamente enquanto não ficasse pronto o Palácio da Alvorada. Novamente, lá está o Cruzeiro testemunhando a escolha do local onde seria construída a residência provisória: “A seguir o Presidente Juscelino Kubitschek […] passou a examinar numerosos mapas, ficando então decidida a localização definitiva do núcleo pioneiro onde ficará a residência presidencial provisória, […] na Fazenda do Gama”.[19] A residência passou à história com o nome de Catetinho e foi construída, de surpresa, por um grupo de amigos do presidente JK.

 

[19] Diário de Notícias. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 535.

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

 

Arpdf/2860_BR DFARPDF NOV_C_3

 

 

Praça do Cruzeiro – outubro de 1956: declaração pública do prazo dado para construção da capital.

 

Muitos deputados tinham aprovado a construção pois consideravam que o projeto da nova capital seria o túmulo político do presidente JK. Portanto, Juscelino Kubitschek considerava urgente deixar a cidade minimamente pronta para receber os poderes da República. Foi ali, na Praça do Cruzeiro que tornou pública[20] sua determinação: “O primeiro ponto a ser visitado pelo Sr. Juscelino Kubitschek foi o lugar onde se ergue um Cruzeiro […] Nesse local palestrou com os jornalistas. […] Disse o presidente da República aos jornalistas que o Sr. Israel Pinheiro, e demais diretores da Companhia Urbanizadora aceitaram o prazo de três anos e dez meses para a entrega das edificações e serviços indispensáveis à mudança definitiva do governo”.[21] Dali em diante, qual farol, o Cruzeiro iria testemunhar o que ficou conhecido como “o ritmo de Brasília”.

[20] Diário de Brasília – 1956-1957, Serviço de Documentação da Presidência da República, Rio de Janeiro, 1960, pág. 33.

[21] Diário de Notícias. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 535.

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

Arpdf/0676_BR DFARPDF NOV_B_03

 

 

Praça do Cruzeiro – novembro de 1956: local do primeiro Culto Evangélico na capital.

 

Um grupo de pastores da Igreja Batista, motivados pelo desejo de cultuar a Deus e proclamar a mensagem do Evangelho de Cristo na nova capital da República que se erguia, tomou a iniciativa de começar a missão evangelizadora na nova capital. No dia 30 de novembro de 1956, os pastores batistas, Elias Brito Sobrinho, Silas de Brito Lopes, Marcelino Cardoso e James Musgrave Jr. se dirigiram até o Cruzeiro e celebraram a primeiro culto evangélico na nova capital.[22]  “Rezaram em conjunto pedindo as bençãos para a cidade que nascia”.[23] Em 7 de setembro de 1957 é organizada a primeira Igreja Batista de Brasília. [24]

 

[22] Berry, Edward G. Os batistas em Brasília, Juerp, 1963.

[23] Correio Braziliense, Edição Comemorativa da Transferência da Capital Federal para Brasília, 1960, p. 9.

[24] Berry, Edward G. Os batistas em Brasília, Juerp, 1963.

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

 

Arpdf/1909_BR DFARPDF NOV_B_18

 

Praça do Cruzeiro – abril de 1957: recebeu a visita de Lucio Costa, o “inventor” de Brasília.

 

Durante a construção da nova capital, uma única vez Lucio Costa, o criador da cidade, visitou o canteiro de obras. Os Eixos não estavam ainda locados, mas, uma enorme clareira aberta a partir da Praça do Cruzeiro em direção ao local onde estaria a Praça dos Três Poderes havia sido aberta para os trabalhos de topografia e dava uma indicação de onde o Eixo Monumental se localizaria. Assim, decidida a escolha pelo projeto de Lucio Costa, a convite do Presidente Juscelino Kubitschek, veio visitar o lugar em que sua genial criação ganharia vida. Nesta ocasião, JK levou-o até o Cruzeiro de Brasília.

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

 

 

Arpdf/BR DFARPDF NOV_Revista Brasília nº 04

 

 

O Cruzeiro – abril de 1957: presenciou o espanto do urbanista Lucio Costa.

 

Era 2 de abril de 1957, na primeira e única visita que Lucio Costa fez ao lugar onde Brasília seria construída, estando ao lado de JK e do Cruzeiro que permitia ver várias picadas[25] preparadas para iniciar os trabalhos de locação da cidade, pela primeira vez pode pisar no terreno em que sua criação iria pousar… e se extasiou com o que viu: “Fiquei apavorado. Meu Deus, que loucura, onde eu fui me meter. Aí foi que senti a escala desmedida. Me pareceu uma coisa em outra escala, diferente daquela em que eu tinha concebido a cidade, que, mentalmente, era mais compacta.”[26]

 

[25] Entrevista de Adirson Vasconcelos. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 145.

[26] Entrevista de Lucio Costa para o Jornal do Brasil. Apud Correio Braziliense, 05/12/2014.

 

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

Arpdf/BR DFARPDF NOV_Revista Brasília nº 07

 

Praça do Cruzeiro – abril de 1957: assiste o dia do nascimento de Brasília.

 

Em 16 de março o concurso nacional havia escolhido o projeto urbano de Lucio Costa para a construção da cidade capital. As coordenadas foram calculadas no Rio de Janeiro por Augusto Guimarães Filho, escolhido por Lucio Costa para levar o projeto adiante, e foram enviadas ao chefe da equipe de topógrafos da NOVACAP: Joffre Mozart Parada. O dia seria histórico! O Vértice nº 8 do IBGE já estava lá na Praça do Cruzeiro a indicar as referências topográficas. Cientes da importância do momento, o Cruzeiro foi escolhido como testemunha oficial do evento. Toda a equipe se colocou ao redor da enorme cruz para a foto histórica. “Em 20 de abril, 16 homens, entre topógrafos, ajudantes de topógrafos e motoristas, pousaram para uma foto histórica, no Cruzeiro, ao lado de Joffre Parada. Naquele dia, íamos cravar o primeiro marco do Plano Piloto. […] Com uma equipe de uns 10 homens, fomos descendo com o teodolito, locando o Eixo Monumental até a Praça dos Três Poderes.”[1] Quem fincou a Estaca Zero no chão foi o engenheiro e agrimensor Ronaldo de Alcântara Velloso.[2]  A partir daquela colina que tudo testemunhava, nascia Brasília.

 

[1] Entrevista do engenheiro e agrimensor Ronaldo de Alcântara Velloso. Apud Correio Braziliense, 30/07/2011.

[2] Entrevista de Jethro Bello Torres para o Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal. Conteúdo filmado.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/Coleção Documentos Goyaz_ArPDF_Acervo Altamiro de Moura Pacheco


Praça do Cruzeiro – maio de 1957: assiste a primeira missa em Brasília.

 

No dia 3 de maio de 1957, o Cruzeiro recebe mais de 15.000 pessoas para a celebração da primeira missa em Brasília. Para presidir a celebração, na ocasião ainda celebrada em língua Latina, o Presidente Juscelino Kubitschek convidou Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, Arcebispo de São Paulo. Toda a liturgia foi feita associando a primeira missa em Brasília à primeira missa rezada em 3 de maio de 1500, após a chegada dos portugueses na América, com o intuito de promover a visão da redescoberta do Brasil por meio da interiorização e construção de uma nova capital no coração do território brasileiro. “A 3 de maio, Brasília torna-se autenticamente brasileira, porque, desde as origens, o Brasil existe com a presença de Cristo. Com a Primeira Missa planta-se em Brasília uma semente espiritual.”[3]

 

[3] Diário de Brasília – 1956-1957, Serviço de Documentação da Presidência da República, Rio de Janeiro, 1960, pág. 85.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/BR DFARPDF NOV_Revista Braasília nº 05

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1957: acolhe a primeira imagem de Nossa Senhora Aparecida.

 

A primeira missa em Brasília foi celebrada sob imenso toldo de lona, em chão assoalhado, onde foi montado o altar em cujo centro foi entronizada, pela primeira vez, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e madrinha de Brasília. [4] Atrás da imagem foi estendida a bandeira do Brasil.

 

[4] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 77

Tocador de áudio

 

Arpdf/ 31107_BR DFARPDF SCS-JF_10_3_C_1

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1957: presencia o primeiro batizado em Brasília.

Antes de iniciar a celebração da Missa, o Cruzeiro presenciou o primeiro batizado na nova capital. Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, Arcebispo de São Paulo, batizou[5] o menino Brasílio Franklin, cujo padrinho foi o Presidente Juscelino Kubitschek e, madrinha, sua esposa Sara Kubitschek, segundo texto autobiográfico. [6] Curiosamente, a REVISTA BRASÍLIA, fonte oficial de comunicação da NOVACAP, informa que a madrinha foi Dna. Coracy Pinheiro, esposa de Israel Pinheiro. [7]

 

[5] Revista Brasília – Número especial da primeira missa, 1957.

[6] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, p. 88. Edição do Senado em PDF

[7] Revista Brasília – Número especial da primeira missa, 1957.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/BR DFARPDF NOV_Revista Braasília nº 05

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1957: acompanha a primeira transmissão radiofônica de evento coletivo em Brasília.

 

Na década de 1950, o rádio é o mais importante meio de comunicação de massa. A Praça do Cruzeiro se tornou, na manhã de 3 de maio de 1957, a protagonista da primeira transmissão radiofônica de um evento coletivo no imenso canteiro de obras que se tornava a Fazenda Bananal, local da construção da nova capital, quando, por ocasião da primeira missa, a Agência Nacional irradiou a solenidade religiosa para todo o país[8]

[8] Diário de Brasília – 1956-1957, Serviço de Documentação da Presidência da República, Rio de Janeiro, 1960.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/BR DFARPDF NOV_Revista Braasília nº 05

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1957: testemunha o primeiro discurso de JK em Brasília.

 

No final da primeira missa em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek fez seu primeiro discurso oficial na nova cidade que estava nascendo: “Era a primeira vez que fazia um discurso oficial na nova capital. ‘Estamos, todos nós, altos dignitários da Igreja, militares, homens de Estado, todos nós aqui” — declarei — “reunidos, vivendo uma hora que a História vai fixar. Hoje é o dia da Santa Cruz, dia em que a capital recém-nascida recebe o seu batismo cristão; dia em que a cidade do futuro, a cidade que representa o encontro da pátria brasileira com o seu próprio centro de gravitação, recolhe a sua alma eterna… Dia em que Brasília, ontem apenas uma esperança e hoje, entre todas, a mais nova das filhas do Brasil, começa a erguer-se, integrada no espírito cristão, causa, princípio e fundamento da nossa unidade nacional. Dia em que Brasília se torna automaticamente brasileira. Este é o dia do batismo do Brasil novo. É o dia da Esperança. É o dia da cidade que nasce’.” [9]

 

[9] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 89.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/31105_BR DFARPDF SCS-JF_10_3_C_1

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1957: local da primeira apresentação de um coral em Brasília.

 

Durante a celebração da missa pioneira, a Praça do Cruzeiro assistiu à primeira apresentação de um coral na nova cidade em construção. Os cânticos sacros da celebração religiosa foram entoados pelo Coral Feminino da Universidade de Minas Gerais[10] que apresentou as canções da “Missa Brévis”, composta por Giovanni Pierluigi da Palestrina, publicada pela primeira vez no século XVI.

 

[10] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 147.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/079_BR DFArPDF

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1957: assiste a presença de índios Carajás.

 

Um grupo de índios da etnia Carajá, vindos da Ilha Bananal, foi a primeira delegação indígena a se apresentar na nova capital. A visita deu-se por ocasião da primeira missa em Brasília, em 3 de maio de 1957. Segundo o Presidente JK: “Após a cerimônia, teve lugar a homenagem que os índios carajás desejavam me prestar. Foi um espetáculo tocante e digno de registro. Os silvícolas ofertaram-me lanças, bordunas, tacapes e flechas. O cacique fez-me uma saudação, chamando-me ‘Grande Chefe’, e, enquanto a assistência aplaudia, os demais índios gritavam”. [11]

 

[11] KUBITSCHEK, Juscelino. Meu caminho para Brasília. Rio de Janeiro, Edições Bloch, Rio 1978, p. 146.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/BR DFARPDF NOV_Revista Brasília nº 19

 

Praça do Cruzeiro… maio de 1957: recebe estrada ligando diretamente ao Aeroporto!

 

Faltando poucos dias para a realização da primeira missa em Brasília, a Praça do Cruzeiro recebeu uma estrada ligando-a diretamente ao Aeroporto Internacional de Brasília, inaugurado oficialmente no mesmo dia da missa pioneira. A pista, facilmente perceptível em foto aérea por cortar a embrionária Asa Sul, foi aberta às pressas pelo chefe da equipe de topografia da NOVACAP, Joffre Mozart Parada que, de dentro de um teco-teco orientava um topógrafo em terra a direção do aeroporto e, este por sua vez, ia dando rumo ao tratorista da Diretoria de Viação e Obras da NOVACAP para seguir em linha reta.[12]

 

[12] Cf. Entrevista de Adirson Vasconcelos, Correio Braziliense, 19 de setembro de 1976. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 143.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/Coleção Documentos Goyaz_ArPDF_Acervo Altamiro de Moura Pacheco

 

Praça do Cruzeiro – maio de 1957: ponto de chegada dos visitantes durante a construção.

 

Devido à localização privilegiada, o Cruzeiro era o primeiro ponto a partir do qual os visitantes se dirigiam quando das visitas às obras de Brasília. Conforme reportagens da Revista Brasília, órgão oficial da NOVACAP, muitas visitas começavam no “Cruzeiro”, aproveitando uma pista que ligava o aeroporto ao Cruzeiro. Depois de contemplarem o campo de obras como um todo, partiam daquela colina para visitar os canteiros de obras.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/Coleção Documentos Goyaz_ArPDF_Acervo Altamiro de Moura Pacheco

 

Praça do Cruzeiro – junho de 1957: recebe o primeiro presidente estrangeiro a visitar Brasília.

 

O primeiro chefe de Estado estrangeiro a visitar Brasília foi o presidente de Portugal, Francisco Higino Craveiro Lopes, em 2 de junho de 1957. O convite tinha uma simbologia: como os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao território que se tornaria o Brasil, deveriam ser também os primeiros a chegar em Brasília.[13] Na ocasião, Presidente Craveiro Lopes foi até o Cruzeiro e descerrou uma placa na qual se indicava que naquele local se ergueria um memorial à comunidade Luso-brasileira: “Placa comemorativa da visita do Exmo. Sr. Gen. Francisco Higino Craveiro Lopes, Presidente da República de Portugal e do Exmo. Sr. Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, Presidente da República dos E.U do Brasil. Neste local, em honra à comunidade luso-brasileira, será erguido um monumento dedicado à raça e em memória dos heróis que fundaram este país. XXI – VI – MCMLVII”.[14] Imagens do acervo do Arquivo Público confirmam que a placa ficou durante algum tempo fixada à base do Cruzeiro.

 

[13] RIBEIRO, Gustavo Lins. O Capital da Esperança. A Experiência dos Trabalhadores na Construção de Brasília. Brasília: Ed. UnB, 2008, p. 40.

[14] Revista Brasília, Ano I, Junho de 1957, Número 6.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/63407_SCS-HF-7-6-E-1

 

Praça do Cruzeiro – inícios de 1958 – testemunha a instalação do primeiro reservatório d’água para Brasília.

 

Por ser o ponto mais alto do lugar escolhido para a construção de Brasília – 1.172 metros de altitude – a Praça do Cruzeiro testemunhou, ao seu lado, a construção do Reservatório nº 1 que iria alimentar toda a rede de distribuição de água potável para Brasília. O Presidente JK relata em sua biografia: “Abriam-se valas ao longo das ruas e, por elas, corriam canos, à espera da água que estava captada na barragem do rio Torto e que, dali, seguiria para o Reservatório R-1 — em construção — no alto do Cruzeiro.” [15]

 

[15] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 112.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/63407_SCS-HF-7-6-E-1

 

Praça do Cruzeiro – 1960: batiza o setor de residências econômicas sul: o Cruzeiro.

 

O Setor de Residências Econômicas Sul nasceu com o nome de “Gavião” devido a quantidade destes pássaros na localidade.[16] A comunidade considerava o nome depreciativo. “Com este espírito foi que um grupo de moradores procurou, em 1960, o jornal [Correio Braziliense] para dizer de sua insatisfação com o nome do local onde moravam. O batismo, então, de Cruzeiro tinha dois fundamentos lógicos: o bairro ficava próximo ao Cruzeiro onde fora celebrada a primeira missa de Brasília e um ônibus da TCB – Transportes Coletivos de Brasília fazia uma linha com o nome ‘Cruzeiro’ e ia até o Gavião”.[17] Assim, por causa da Praça do Cruzeiro, o antigo Gavião foi rebatizado para Cruzeiro.

 

[16] SOUSA, Rafael Fernandes de. Cruzeiro – Retratos de sua história – 1959-2009. Brasília: FACDF, 2010.

[17] VASCONCELOS, José Adirson. As cidades satélites de Brasília. Brasília: Gráfica do Senado Federal, 1988, p. 349.

 

Tocador de áudio

 

Arpdf/78643_SCS-IF-12-9-C-1

 

Praça do Cruzeiro – 1974: recebe tratamento paisagístico atual.

 

A atual aparência arquitetônica da Praça do Cruzeiro foi construída em 1974 a partir do projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. Toda a renovação arquitetônica e paisagística surgiu a partir do Cruzeiro. “O elemento principal da praça é uma base de planta circular, com um canteiro central gramado onde está o Cruzeiro, rodeado por um anel de água, e uma plataforma pavimentada com pedra portuguesa de cor branca onde circulam os transeuntes. A base é delimitada por um banco de concreto com formato em “C”, debaixo do qual podem ser colocadas velas.” [18]

 

[18] ARAÚJO, Roberto Gonçalves. Cinquenta anos do mobiliário urbano de transporte público em Brasília. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, 2010.

 

Tocador de áudio

 

 

Arpdf/66014_SCS_JF_11_4_A_1

 

Praça do Cruzeiro – recebe à sua frente o Memorial JK.

 

Em 12 de setembro de 1981 é inaugurado o Memorial JK, em frente à Praça do Cruzeiro. Neste mesmo dia os restos mortais do Presidente Juscelino Kubitschek foram transferidos para uma câmara mortuária construída dentro do Memorial. Sob o olhar permanente do Cruzeiro que o tinha recebido pela primeira vez em 2 de outubro de 1956, descansa agora o corpo do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

 

Tocador de áudio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CLIQUE NA FOTO PARA ACESSAR O STREET VIEW DA PRAÇA DO CRUZEIRO

 

 

 

 


IMAGENS DE 1-16

[1] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 63-65.

[2] Ernesto Silva. Entrevista do Programa de História Oral do ArPDF.

[3] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 63-65.

[4] Cf. Diário Oficial da República de 10 de setembro de 1955. Apud SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 85.

[5] Léa Sayão. Meu pai Bernardo Sayão, 6ª edição. Brasília, 2004, p. 127.

[6] Entrevista de Jofre Mozart Parada ao Correio Braziliense, apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 138.

[7] Ernesto Silva IN Correio Braziliense, Edição Comemorativa da Transferência da Capital Federal para Brasília, 1960, p. 7.

[8] Entrevista de Joffre Mozart Parada ao Correio Braziliense, apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 138.

[9] Cf. Placa metálica afixada aos pés da cruz original em exposição na Catedral de Brasília.

[10] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 86.

[11] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 83.

[12] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 32-33.

[13] Cf. https://www.ibge.gov.br – Acesso em 08/03/2021.

[14] Entrevista do topógrafo Jethro Bello Torres ao Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal.

[15] Entrevista de Jethro Bello Torres para o Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal. Conteúdo filmado.

[16] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 46.

[17] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 46.

[18] Diário de Notícias. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 535.

[19] Diário de Notícias. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 535.

[20] Diário de Brasília – 1956-1957, Serviço de Documentação da Presidência da República, Rio de Janeiro, 1960, pág. 33.

[21] Diário de Notícias. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 535.

[22] Berry, Edward G. Os batistas em Brasília, Juerp, 1963.

[23] Correio Braziliense, Edição Comemorativa da Transferência da Capital Federal para Brasília, 1960, p. 9.

[24] Berry, Edward G. Os batistas em Brasília, Juerp, 1963.

[25] Entrevista de Adirson Vasconcelos. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 145.

[26] Entrevista de Lucio Costa para o Jornal do Brasil. Apud Correio Braziliense, 05/12/2014.

 

 

IMAGENS DE 17-31

[1] Entrevista do engenheiro e agrimensor Ronaldo de Alcântara Velloso. Apud Correio Braziliense, 30/07/2011.

[2] Entrevista de Jethro Bello Torres para o Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal. Conteúdo filmado.

[3] Diário de Brasília – 1956-1957, Serviço de Documentação da Presidência da República, Rio de Janeiro, 1960, pág. 85.

[4] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 77

[5] Revista Brasília – Número especial da primeira missa, 1957.

[6] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, p. 88. Edição do Senado em PDF

[7] Revista Brasília – Número especial da primeira missa, 1957.

[8] Diário de Brasília – 1956-1957, Serviço de Documentação da Presidência da República, Rio de Janeiro, 1960.

[9] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 89.

[10] SILVA, Ernesto. História de Brasília. Editora Coordenada. Brasília, s/d, p. 147.

[11] KUBITSCHEK, Juscelino. Meu caminho para Brasília. Rio de Janeiro, Edições Bloch, Rio 1978, p. 146.

[12] Cf. Entrevista de Adirson Vasconcelos, Correio Braziliense, 19 de setembro de 1976. Apud TUBINO, Nina. Uma luz na história. Brasília: Editora Kelps, 2015, p. 143.

[13] RIBEIRO, Gustavo Lins. O Capital da Esperança. A Experiência dos Trabalhadores na Construção de Brasília. Brasília: Ed. UnB, 2008, p. 40.

[14] Revista Brasília, Ano I, Junho de 1957, Número 6.

[15] KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2000, p. 112.

[16] SOUSA, Rafael Fernandes de. Cruzeiro – Retratos de sua história – 1959-2009. Brasília: FACDF, 2010.

[17] VASCONCELOS, José Adirson. As cidades satélites de Brasília. Brasília: Gráfica do Senado Federal, 1988, p. 349.

[18] ARAÚJO, Roberto Gonçalves. Cinquenta anos do mobiliário urbano de transporte público em Brasília. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, 2010.

 

 

Artigos

Centros de iniciação desportiva trabalham inclusão e socialização por meio do esporte

Programa oferece aulas esportivas gratuitas para a rede pública de ensino e já foi responsável por formar diversos profissionais e atletas do DF

Publicado

em

 

Por Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Débora Cronemberger

 

Gastando a energia que tem de sobra no tatame, Bernardo Freitas, de 7 anos, sai da aula de judô sorrindo e confirma o gosto pela atividade esportiva. “É bom para treinar e brincar, eu gosto muito. Sou um pouco agitado. Aí quando acaba eu fico muito cansado”, afirma o pequeno judoca.

Bernardo é um entre os milhares de estudantes atendidos pelos centros de iniciação desportiva (CIDs), que democratizam o acesso ao esporte para os estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal e oferecem práticas sistemáticas e orientadas por professores de Educação Física da Secretaria de Educação do DF (SEE).

Distrito Federal tem mais de 140 CIDs em todas as regionais de ensino, onde os alunos da rede pública podem praticar atividades esportivas como judô, vôlei e xadrez | Fotos: Matheus H. Souza/Agência Brasília

Atualmente, são 143 CIDs em todo o Distrito Federal distribuídos por todas as regionais de ensino. Somente na região de Taguatinga são 20 polos, cada um atendendo uma média de 160 alunos – o que representa mais de 3 mil estudantes praticando esporte no contraturno escolar na região.

“É algo a mais que o estudante tem para sua formação integral. Ele vai trabalhar não somente a parte esportiva, mas a questão física e emocional, que é muito importante para formação desses estudantes. E também pode revelar talentos; é um programa muito interessante da Secretaria da Educação”, frisa a coordenadora do CID de Taguatinga, Paula Miranda do Amaral.

“É bom para treinar e brincar”, diz o pequeno judoca Bernardo Freitas, de 7 anos

O judoca Samuel Souza, além de professor de Bernardo, também foi aluno de judô no CID. Ele conta que inspirou sua trajetória no mestre que o treinava em 2003, permanecendo no mesmo projeto ao se tornar professor.

“É uma sensação maravilhosa. O programa fomenta a iniciação esportiva e o esporte é transformador. Quantos casos que saíram dos CIDs que nós temos? Joaquim Cruz, a Leila, o nosso professor André Mariano, que foi aluno do CID quando mais novo. Então quanto mais pessoas puderem conhecer o projeto e mais crianças estiverem inseridas, estarão fora das ruas e terão esporte com ensino de qualidade”, pontua.

Praticando desde os 3 anos de idade, Samuel está há 30 anos ininterruptos na modalidade de luta. “O judô me deu tudo. Pelo judô eu estudei, tenho um processo de formação dentro da confederação brasileira e internacional. Me deu família, me deu condições e estruturas para que eu pudesse galgar outros caminhos profissionais. Mas a disciplina, a educação, o tato com o outro e o servir através do esporte mudaram a minha vida completamente”, acrescenta.

Os centros estão localizados em todas as coordenações regionais de ensino (CREs). Além do judô, há turmas de vôlei, xadrez, handebol entre outros esportes – incluindo parabadminton e outras modalidades para pessoas com deficiência (PcDs) ofertadas pelas unidades. Para encontrar o centro de iniciação desportiva mais próximo, basta entrar em contato com as regionais de ensino. Os telefones estão disponíveis no site do GDF.

“O judô me deu tudo”, diz o professor Samuel Souza, que também praticou o esporte no CID

Inclusão social

O estudante David Guilherme Souza, de 14 anos, não apenas joga parabadminton no Centro de Iniciação Desportiva Paralímpico (CIDP), como recentemente foi a um campeonato nacional em Curitiba. A modalidade leva em consideração as deficiências físicas, visuais e intelectuais. No último ano, David foi a quatro competições, disputou os jogos escolares em Brasília e também as paralimpíadas escolares em São Paulo, onde foi campeão nas categorias simples e mista.

Para David, o que mais chamou atenção no parabadminton foram as batidas na raquete. “Principalmente o smash, que eu gosto muito, de baixo pra cima. Também gosto bastante das competições”, explica. Quando ele joga, a sensação que descreve é simples. “Sinto alegria. E tristeza às vezes quando vou perder, mas eu gosto bastante de jogar”.

David Guilherme Souza já disputou, este ano, quatro competições de parabadminton

O professor do garoto, Letisson Samarone, afirma que alunos como David já estão trilhando uma carreira, mesmo em um tempo curto de treino. “É gratuito, os professores são qualificados e os espaços são adaptados para eles”, reforça. O docente também frisa que um dos maiores ganhos é quando os alunos passam a ter confiança social por meio do esporte, confiando nos próprios projetos e sonhos.

“Esse ano ele quis ir sozinho para Curitiba com a mãe, então ele acreditar que é capaz de chegar lá e querer competir é o mais importante. Porque às vezes ele não se vê capaz, os pais e os colegas não o veem capaz e aí ele volta com a medalha, então tudo muda em torno deles. Sai de uma pessoa que sofreu bullying para alguém que passa a ser admirado, representa o Distrito Federal e o Brasil”, observa Letisson.

Socialização

“Eu era bem tímida antes e, quando eu comecei a jogar, automaticamente comecei a ter contato com outras pessoas e algumas até se tornaram amigas”, diz Sarah Cristina Alves, que é da turma de xadrez no CID de Taguatinga

Os depoimentos tanto dos pais quanto dos alunos que passam pelo CID também convergem na melhora da interação social dos jovens que praticam esportes. Tiago Felipe de Oliveira, o pai da estudante Sarah Cristina Alves, de 15 anos, é testemunha da mudança de comportamento da filha assim que ela entrou para a turma de xadrez do CID de Taguatinga.

“Muda muito em nível de comportamento. Saber ganhar, saber perder, uma série de situações. No xadrez, por exemplo, tem a tomada de decisão, concentração, o poder da escolha, da decisão. Isso leva para a vida prática também. Todas essas questões fazem uma transformação na vida deles”

Clodomiro Leite, professor de xadrez

“A Sarah sempre foi uma aluna muito dedicada e estudiosa. O projeto ajudou bastante nessa questão da socialização, da interação com outros colegas, porque às vezes ela era um pouco fechada, até por conta da pandemia, quando ela ficou muito tempo em casa sem ter contato com outras pessoas. Esse contato, jogando um de cada vez, ajuda bastante nessa relação. E possibilita a prática da competição, coisas importantes que a gente leva do esporte pra vida”, acentua Tiago.

Participando do projeto desde os 12 anos, ela foi a única representante da rede pública do Distrito Federal a participar dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) 2024, na categoria sub-18, que aconteceu no mês de maio em Aracaju.

“O CID me deu uma base muito boa pra começar a jogar toda vez, ensinou abertura, tática, estratégia e isso me fez evoluir cada vez mais. Eu gosto muito de jogar. Eu era bem tímida antes e, quando eu comecei a jogar, automaticamente comecei a ter contato com outras pessoas e algumas até se tornaram amigas”, acrescentou Sarah.

O professor de xadrez Clodomiro Leite destaca que sempre há um retorno positivo vindo dos pais dos alunos. “Muda muito em nível de comportamento. Saber ganhar, saber perder, uma série de situações. No xadrez, por exemplo, tem a tomada de decisão, concentração, o poder da escolha, da decisão. Isso leva para a vida prática também. Todas essas questões fazem uma transformação na vida deles. O projeto foca no desenvolvimento global da criança, tirando ela do celular e da rua”.

Novos talentos

Professor Elisson Fabrício de Oliveira e o jogador Guilherme Lopes, que treinou no CID e faz parte do time Red Bull Bragantino | Foto: Arquivo pessoal

Outro ponto exaltado pelo programa desportivo é a lapidação de novos atletas. A cada ano, são descobertos talentos nas escolas públicas por meio dos CIDs, como o jogador Guilherme Lopes. O jovem de 22 anos já faz parte do time Red Bull Bragantino, onde joga como defensor.

Guilherme treinou no CID de Taguatinga de 2011 a 2016, quando participou de várias competições importantes junto ao Sesc e ao Globo, representando o CID QNL no futsal. Em 2018 foi selecionado para as categorias de base do Cruzeiro (Sub-17) e em 2021 foi contratado como jogador profissional do Red Bull Bragantino, equipe da série A do Brasileirão e também da Sul Americana.

“Para chegar onde estou hoje também foi por causa do CID. Você pode se divertir fazendo o que você mais gosta. Para a minha carreira foi muito importante porque, além do futsal, eles ajudam a nos formar não só como jogadores e atletas, mas como pessoas também”, reforça o jogador profissional.

O professor Elisson Fabrício de Oliveira o acompanhou desde cedo e recorda que o jovem sempre foi dedicado e muito focado, dando até palestras na antiga escola para os novos estudantes que se interessam nos esportes.

“Sempre vejo ele nos jogos importantes, vi ele contra o meu time Flamengo, contra o Palmeiras, contra o Atlético Mineiro, então ele está sempre ajudando a equipe do Bragantino lá, dá muito orgulho. O trabalho feito aqui é uma ferramenta principalmente para a educação, para auxiliar as famílias mais vulneráveis, que não tem condição de matricular uma criança numa escolinha particular. E o nosso alcance é imenso, não só no futsal”, acentua o docente.

 

 

Continue Lendo

Artigos

Em momento histórico, proposta do GDF para o Conjunto Urbanístico de Brasília é aprovada

Após 15 anos de debates, Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico (Ppcub), elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), foi aprovado pelos deputados distritais nesta quarta-feira (19)

Publicado

em

 

Por Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

 

Após 15 anos de debates, Brasília terá uma única legislação para tratar da preservação, uso e ocupação do solo, além de diretrizes para o desenvolvimento e modernização da área tombada.

O projeto de lei complementar nº 41/2024, que cria o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (Ppcub), elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) foi aprovado, nesta quarta-feira (19), em dois turnos, pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Para o titular da Seduh, Marcelo Vaz, a aprovação por 18 a 6 votos em primeiro e segundo turnos mostra que houve um entendimento por parte dos distritais sobre a importância do Ppcub para a cidade.

Marcelo Vaz: “Nossa equipe técnica realizou um trabalho criterioso tendo como foco a garantia da preservação, mas entendendo que tombamento não pode significar engessamento” | Foto: Divulgação/ Seduh

“É uma vitória para a capital do país. Nossa equipe técnica realizou um trabalho criterioso tendo como foco a garantia da preservação, mas entendendo que tombamento não pode significar engessamento, devendo ser garantido o desenvolvimento da cidade. Além disso, o texto foi amplamente discutido com a sociedade, foram oito audiências públicas realizadas pelo governo e outras cinco promovidas pela CLDF”, declarou Vaz.

Ainda segundo o secretário, atualizar as atividades permitidas nos lotes comerciais dará segurança jurídica aos empreendedores, gerando emprego e renda para a cidade. Essa atualização também irá corrigir incongruências como, por exemplo, as normas atuais que são da década de 80, não preverem o funcionamento de pet shops.

Foram apresentadas 174 emendas, a maioria delas pela oposição, sendo praticamente todas acatadas. O projeto segue agora para a sanção do governador Ibaneis Rocha.

Repercussão

“O Ppcub traz uma dinamização da nossa cidade. As pessoas mudam, as cidades mudam e as legislações precisam acompanhar essas mudanças”

Adalberto Valadão, presidente do Sinduscon-DF

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Distrito Federal (Sinduscon-DF), Adalberto Valadão, comemorou a decisão da CLDF: “O Ppcub traz uma dinamização da nossa cidade. As pessoas mudam, as cidades mudam e as legislações precisam acompanhar essas mudanças”.

A preservação também ganhou destaque. Para o presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Roberto Botelho, o Ppcub é o “arcabouço jurídico que provocará a preservação do plano original de Lúcio Costa”.

Já o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (Codese-DF), Leonardo Ávila, declarou que este é o momento de se “renovar a legislação para atender as necessidades atuais da população”. Ávila ainda destacou que o texto aprovado hoje foi amplamente debatido ao longo dos anos e acatou muitas contribuições da sociedade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e de parlamentares.

Histórico

O Ppcub reúne toda legislação urbanística do Conjunto Urbanístico de Brasília (Cub), tombado nas instâncias distrital e federal e inscrito como patrimônio da humanidade.

Ele abrange as regiões do Plano Piloto, Cruzeiro, Candangolândia, Sudoeste/Octogonal e Setor de Indústrias Gráficas (SIG), incluindo o Parque Nacional de Brasília e o espelho d’água do Lago Paranoá.

Projeto de Lei Complementar (PLC) possui 67 páginas e 15 anexos. No portal do Ppcub, a população tem acesso a um tutorial de como interpretar e encontrar informações sobre a proposta de lei complementar, com campos explicando o que é o Ppcub, a área de abrangência, atuação, como consultar e próximos passos.

*Com informações da Seduh

 

 

Continue Lendo

Artigos

Governador reforça que Brasília está preparada para a Copa do Mundo Feminina de 2027

Ibaneis Rocha participou da solenidade que comemorou a confirmação do Brasil como sede do mundial realizada no novo escritório da CBF

Publicado

em

 

Por Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Igor Silveira

 

O triunfo da candidatura do Brasil para ser país sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 foi celebrado na noite desta terça-feira (18) em um coquetel no novo escritório da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em Brasília, uma das cidades-palco do mundial. A solenidade contou com a presença do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.

“Essa vitória do Brasil, trazendo a Copa do Mundo Feminina para o nosso país, é muito importante, porque ressalta a importância e o crescimento do futebol feminino”, afirmou Ibaneis Rocha. “Aqui no Distrito Federal temos incentivado muito o futebol feminino. Já são vários times. Temos adotado uma política de apoio muito importante ao esporte na nossa cidade”, completou o governador.

O Brasil foi anunciado país sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 em 17 de maio, durante o Congresso da FIFA em Bangkok, na Tailândia | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

Ibaneis Rocha reforçou que a capital federal está pronta para receber mais uma Copa do Mundo de Futebol. “Brasília está preparada e sempre estivemos preparados. Brasília é sempre palco de grandes manifestações, de muita alegria, e nós temos toda a certeza que será um evento de muito sucesso”, ressaltou. E comemorou a chegada do escritório da CBF à cidade: “Fico muito feliz também pela inauguração dessa representação da CBF aqui em Brasília. Nós nos ressentimos muito da falta e da presença da CBF no Distrito Federal, porque para nós é um símbolo de muita importância”.

O Brasil foi anunciado país sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 em 17 de maio, durante o Congresso da FIFA em Bangkok, na Tailândia. Essa será a primeira vez que a competição será disputada na América do Sul. Brasília e outras nove cidades brasileiras serão palco das partidas.

A candidatura brasileira superou a europeia – que unia Holanda, Alemanha e Bélgica. Alguns fatores foram decisivos para o Brasil conseguir ser mais bem-avaliado, a exemplo da disponibilidade de estádios, hospedagem e de locais oferecidos à realização do FIFA Fan Fest. Por ser o anfitrião da disputa, o Brasil já está automaticamente classificado para a competição que terá 32 seleções.

O governador reforçou que a capital federal está pronta para receber mais uma Copa do Mundo de Futebol | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

“Esse foi um trabalho que não foi só da CBF, mas do governo federal e do Governo do Distrito Federal”, disse o presidente da CBF, que lembrou que a Seleção Brasileira Feminina fez o último jogo antes da Copa na Austrália em Brasília. “Nós não queremos apenas ter a Copa do Mundo aqui no Brasil, nós queremos que ela seja a melhor Copa do Mundo da FIFA de todos os tempos”, acrescentou Rodrigues.

A coordenadora-geral da Candidatura do Brasil para Copa do Mundo Feminina de Futebol, Jacqueline Barros, destacou que a realização do mundial no país também será uma forma de dar destaque às pautas das mulheres no Brasil. “Essa é uma Copa diferente. O Brasil já está preparado para sediar. Temos estádios prontos, aeroportos, rede hoteleira… Então nessa Copa teremos oportunidade de trabalhar a cidadania e melhorar como sociedade. Diversas pesquisas indicam que a violência contra as mulheres aumenta nos dias de jogos de futebol, um quadro triste que o a Brasil tem a oportunidade de mudar com a preparação da Copa”, analisou.

“Aqui no Distrito Federal temos incentivado muito o futebol feminino. Já são vários times. Temos adotado uma política de apoio muito importante ao esporte na nossa cidade”

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal

Cidade sede

Localizado no centro de Brasília e próximo aos setores hoteleiros, a Arena BRB Mané Garrincha foi um dos estádios mais bem-avaliados durante a votação, recebendo nota 3,9 em relação à infraestrutura, junto à Arena de Pernambuco, Arena Fonte Nova e Estádio Beira-Rio. A expectativa é que o local receba oito partidas: cinco jogos da fase de grupos, um de oitavas, um de quartas e uma semifinal.

Considerado histórico e icônico, o estádio foi todo reconstruído para receber a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo Masculina, em 2014. Desde a nova fase, foi palco de diversos eventos esportivos, como o torneio internacional de Beach Tennis, a Copa do Brasil e os jogos de futebol dos Jogos da Olimpíada – Rio 2016, além de apresentações musicais, incluindo shows de Paul McCartney, Maroon 5, Beyoncé e Andrea Botticelli.

A própria Seleção Brasileira Feminina de Futebol jogou no estádio em 2023 no último amistoso antes da Copa do Mundo da Austrália. Na ocasião, o time goleou o Chile por 4 a 0. Durante a competição, o Distrito Federal foi uma das unidades da federação que adotou, pela primeira vez, o ponto facultativo para servidores em dias de jogos da seleção feminina.

A decisão foi tomada em valorização ao esporte feminino, que tem sido uma das prioridades desta gestão, quando houve, em 2022, a inclusão de turmas de futebol feminino nas aulas dos Centros Olímpicos e Paralímpicos (COPs) do DF. Além disso, o DF conta com um time representante na elite do Campeonato Brasileiro Feminino, o Real Brasília, patrocinado pelo Banco de Brasília (BRB).

 

 

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010